JOGOS OLÍMPICOS DA ANTIGUIDADE Num local chamado Olímpia eram realizados jogos sagrados, em honra do Deus Zeus e em sua glória acendia-se um facho que ardia durante a realização dos jogos e incluía sacrifícios e rituais religiosos no último dia. Fig. 1 Reconstrução do Santuário de Olímpia. No centro está o templo ao Deus Zeus Segundo registos históricos, no ano 776 a. C., realizou-se a primeira olimpíada e foi declarado vencedor Córibos de Élida na corrida do stadio, palavra que daria origem à palavra Estádio. O comprimento desta prova terá sido fixado por Hércules, percorrendo a distância de 600 pés olímpicos, o equivalente a 192,27 m. A pista, em Olímpia, era delimitada pela achesis, linha de partida, e pela terna, linha de chegada. Também havia ranhuras feitas de mármore, colocadas no solo, para os atletas fixarem os pés na partida. a b) Estádio de Olímpia Fig. 2 a) Cena da corrida do Stadio
Os Jogos Olímpicos realizavam-se de quatro em quatro anos e realizavam-se sempre após o solstício de Verão, na segunda ou na terceira lua cheia. Inicialmente tinham a duração de um dia, mais tarde com a entrada de outras competições passaram a ser de cinco dias, no ano 472 a. C.; No ano de 724 a. C., a corrida dupla ou dois estádios, diaulo ; No ano de 720 a. C., a corrida de doze comprimentos ou de doze estádios, dólico. Chegou a haver em Olímpia uma corrida de 24 estádios, ou seja de 4614,72m. Fig. 3 a) Atletismo ( dólico ) b) Luta Fig. 4 a) Salto em extensão com halteres b) Lançamento do disco No ano de 708 a. C., a luta e o Pentatlo, constituído por cinco provas: a corrida do estádio, o salto em extensão, o lançamento do disco, o lançamento do dardo e a luta; No ano de 700 a. C., o pugilato; No ano de 692 a. C., a corrida de quadrigas; No ano de 648 a. C., o pancrácio e os concursos hípicos; No ano de 520 a. C., a corrida armada; No ano de 400 a. C., os concursos artísticos.
Fig. 5 a) Lançamento do dardo b) Pugilismob) Fig. 6 a) Imobilização da perna do adversário b) Atleta admite a sua derrota Sendo manifestações organizadas para perpetuar a memória de guerreiros e heróis e como forma de agradecimento aos deuses, eram dedicados à vida. Estes jogos eram considerados muito importantes para o povo grego pelo que para serem proclamados, todas as guerras eram suspensas (TRÉGUAS SAGRADAS). Nos jogos somente podiam participar os gregos livres de nascimento, que nunca tivessem sido acusados de sacrilégio ou de assassinato e de ter violado a trégua sagrada. As mulheres não podiam participar nem assistir aos jogos. Os jogos foram criados por um povo que conhecia o sofrimento e alcançava
a felicidade. Um povo que queria obter a perfeição física e espiritual. No estádio de Olímpia, o esforço corporal deveria necessariamente ser acompanhado pelo culto dos valores morais. Por isso, o princípio sagrado de oferecer uma coroa de oliveira ao vencedor, assegura a supremacia moral e espiritual dos Jogos Olímpicos. ) Fig. 7 Responsável das cerimónias e atleta vencedor Em todas as cidades gregas havia o costume de receber os vencedores derrubando um sector da muralha por onde entravam triunfantes sobre uma quadriga. A ideia era que uma cidade que tinha tais cidadãos não tinha a necessidade de muralhas. Os jogos realizados em Olímpia, na Grécia, duraram sensivelmente doze séculos (776 a. C. 393 d. C.), donde se pode compreender a impossibilidade de manter o seu ideal, quer no plano da formação quer no plano educativo. O espírito competitivo, a par do conceito de honra, foram progressivamente desvirtuados, surgindo a especialização e com ela a profissionalização; e após a conquista da Grécia pelos Romanos, em 146 a. C., também a sua comercialização. A participação periódica nos Jogos, ao significado de ser campeão, à honra, à glória e ao significado religioso dos jogos originou uma programação tão elevada, surgindo o treino de uma forma sistemática e continuada. Depois de os atletas serem seleccionados para os jogos, através de concursos eliminatórios nas suas cidades, eram submetidos a dez meses de treino rigoroso orientado por treinadores. Estes mantinham uma ligação muito estreita com o seu atleta e dispunham de uma grande autoridade simbolizada por uma vara. Cada treinador tinha uma formação especializada: os pedótribos (exercícios e jogos);
os xistarcas (corridas); os agonistarcas (lutas). O treinador terá aparecido antes do século VI a. C.. Foi o magistrado Sólon (639-559 a. C.) que legislou e promulgou as leis que regulamentam as suas funções. Na Grécia Antiga, o treinador devia conhecer tudo sobre o atleta e ter noções de fisiologia, dietética e bom intuito psicológico para poder organizar o treino de cada atleta treino individualizado. Os gregos tinham já conhecimentos sobre a arte do treino, tais como: Distinguiam a preparação geral da específica; Davam grande importância ao repouso; Davam grande atenção à hereditariedade, pelas diversas referências a famílias que tiveram campeões olímpicos; Utilizavam já o ciclo de treino, chamado na época de tetras, que se aplicava de quatro em quatro dias. Actualmente, é chamado microciclo e representa o treino para uma semana; Utilizavam diferentes cargas com o peso do companheiro, halteres e bolas pesadas Davam grande importância à alimentação; Davam indicações aos atletas para a sua valorização e melhoria no seu rendimento: preparação psicológica, habituação dos atletas à fadiga, visitas com antecedência, aos locais das competições mais importantes, quer para conhecerem as suas condições, quer para se adaptarem às condições climatéricas. Fig. 8 Halteres
No ano 393 d. C., o imperador romano Teodósio I, O Grande, por decreto editado em Milão, aboliu os Jogos Olímpicos da Antiguidade. Como os jogos faziam a exaltação do corpo, achava-os contrários ao espírito da religião de Cristo JOGOS OLÍMPIC MPICOS DA ERA MODERNA A grande manifestação desportiva no virar do século XIX para o século XX seria a reconstrução dos Jogos Olímpicos, no ano de 1896, inaugurados em Atenas, na Grécia, a 6 de Abril; o seu grande impulsionador foi Pierre de Coubertin (1863-1937, aristocrata francês, intelectual e humanista). Fig. 9 Athens Panathenian Stadium Os Jogos Olímpicos mantêm a tradição de se realizarem de quatro em quatro anos; somente foram interrompidos em 1916, pela Primeira Guerra Mundial, e em 1940 e 1944, pela Segunda Guerra Mundial. Fig. 10 Início da prova dos 100 metros nos primeiros jogos da Era Moderna
Nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna apenas fizeram parte do calendário olímpico as modalidades de: Atletismo; Ginástica; Natação; Tiro; Ciclismo; Esgrima; Luta Greco-Romana. Também, somente participaram atletas do sexo masculino. Nos Jogos Olímpicos de Paris, de 1900, foram incluídas modalidades para o sexo feminino; Golfe; Ténis. No entanto, devido à evolução natural das modalidades desportivas e da sua importância para o movimento olímpico, hoje o calendário olímpico é constituído por várias modalidades: Atletismo; - Equitação Natação; - Ciclismo; Ginástica artística, rítmica e trampolim; - Tiro; Halterofilia; - Esgrima; Ténis; - Pentatlo Moderno; Ténis de mesa; Badminton; Futebol; Hóquei em Campo; Basquetebol; Voleibol; Andebol; Boxe; Luta; Judo; Canoagem; Fig. 14 Voleibol Fig. 13 Futebol Vela; Remo;
Fig. 11 Atletismo Fig. 12 Natação Aos três primeiros de cada prova são atribuídas medalhas de ouro, prata e bronze respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiro classificados. Como símbolo de paz e de união dos povos dos cinco continentes, foi instituída, em 1920, nos Jogos Olímpicos de Anvers, na Bélgica, a Bandeira Olímpica; também aí se fez, pela primeira vez, a largada de pombos e o juramento, por um atleta, em nome de todos os concorrentes aos jogos. Fig. 15 Podium Fig. 16 Bandeira Olímpica Em 1928, nos Jogos Olímpicos de Amsterdão, nos Países Baixos, foi introduzida outra tradição: a chama olímpica, que arde enquanto duram os jogos. Em 1936, também pela primeira vez, foi transportado o facho olímpico por atletas que se sucediam ao longo do percurso, desde Olímpia, na Grécia, até Berlim, na Alemanha. Fig. 17 a) Chama Olímpica
Os Jogos da Antiguidade eram uma festa; os da Era Moderna também continuaram a ser uma festa. Os Jogos Olímpicos são um factor de liberdade, de paz e de confraternização entre os povos. O ideal olímpico ainda hoje é mantido: No fazer o melhor possível; No respeito pelas regras desportivas; No reunir as pessoas; Na busca da perfeição. b) Facho olímpico, cerimónia em Olímpia Os espectadores dos Jogos Olímpicos têm tido uma postura de acordo com o prestígio do acontecimento mais importante da civilização actual. A frase célebre de Pierre de Coubertin,... o importante na vida não é conquistar, mas lutar dignamente, no historial dos Jogos Olímpicos, tem sido adaptada sempre à realidade social, económica e política. Através dos mass media, em especial da televisão, são oferecidos momentos de fraternidade que passam para além do quotidiano e da imaginação dos homens; por exemplo a cerimónia final dos Jogos Olímpicos, onde os atletas desfilam todos juntos e não por nações; os atletas no final da competição não só exteriorizam a sua alegria na vitória como respeitam os adversários, manifestando esta atitude através da troca das suas camisolas, cumprimentando-se com breve diálogo de amizade e companheirismo. Este ritual deve ser estimulado e difundido para que a mensagem olímpica tenha o significado que merece e para que se mantenha a tradição humanista dos Jogos. Fig. 18 Cerimónia de Encerramento dos Jogos Olímpicos de 1992 (Barcelona)