Seminário Internacional na ASF



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Seminário Internacional na ASF Data: 01/06/2015 José Manuel Mendinhos

A PROFISSÃO DE ATUÁRIO EM PORTUGAL A PROFISSÃO DE ATUÁRIO EM PORTUGAL: Pouco conhecida apesar de ter mais de um século de existência 2

A PROFISSÃO DE ATUÁRIO EM PORTUGAL IAP: 70 ANOS DE LUTA PELO RECONHECIMENTO 3

Atuário O Atuário é o técnico que avalia o impacto atual de acontecimentos futuros e contingentes Se tivessem sido sujeitas a uma análise por atuários: A situação da CGA teria sido prevenida A situação da SS teria sido evitada Se tivéssemos evitado os deficits da CGA e SS as contas do Estado estariam próximas do equilíbrio! 4

Atuário O maior valor do trabalho do atuário é que pode evitar as más surpresas O atuário não toma os desejos por realidades: analisa os dados, transforma-os em informação e tira conclusões O atuário não remedeia, o atuário previne! 5

CGA Evolução A 6

Surpresa? É claro que o crescimento da despesa seria inevitável e mais que previsível. E se o Estado tivesse adotado aquilo a que obriga as outras instituições o financiamento antecipado dos benefícios diferidos - hoje o custo das pensões CGA seria apenas o do seu custo normal e não cerca de 2,2% do PIB, e crescendo rapidamente. Um dos maiores fundos de pensões do mundo é o ABP: o fundo que paga as pensões dos f.p. holandeses. É claro que um dos maiores problemas da Europa do sul é o facto de ter uma despesa social ligada ao envelhecimento da população que não foi financiada em seu tempo e agora pesa excessivamente nas contas públicas.

O Bom Governo O problema não está no Estado Social, mas no facto de ter sido mal gerido!

SOLVÊNCIA II

Solvência II Funções Chave: a) Atuarial b)gestão de Risco c) Compliance d)auditoria Interna As pessoas que desempenham funções chave devem ser fit and proper 10

Objetivos Os mais importantes objetivos da Solvência II são: Aumentar a proteção dos tomadores Estimular e premiar uma efetiva gestão de risco ligada a requisitos de capital Aumentar os níveis de transparência para os Supervisores e para o público Ser possível ao mercado comparar as várias instituições 11

Relatórios Relatório de Solvência (SFCR) Descrição do negócio Descrição do sistema de governo e uma avaliação da sua adequação ao seu perfil de risco Descrição para cada categoria de risco, da sua exposição, concentração, formas de mitigação e sensibilidade Descrição dos ativos, provisões técnicas e outras responsabilidades, os métodos de avaliação usados nos relatórios Estrutura e valores dos fundos próprios E muitos outros items 12

SFCR Ao contrário do relatório financeiro, o Relatório de Solvência fornece importante informação prospetiva e será chave para os mercados de capitais, tomadores de seguros e outros interessados. Mesmo que seja o CRO o responsável, alguém achará possível a sua elaboração sem a colaboração de atuários? 13

Relatório para o Supervisor RSR Objetivo: facilitar a supervisão Dados relativos à estratégia do segurador Informação prospetiva com base em projeções e riscos esperados Mostrar os cálculos implícitos e demonstrar, com base em análises quantitativas, que s projeções estão alinhadas com as expetativas Quem acham que será um dos protagonistas na elaboração deste relatório?

Relatórios: ORSA O relatório da ORSA, de forma simplificada, é uma avaliação da posição da Seguradora em termos de lucro, risco e capital agora e no futuro sob diferentes cenários e relativamente ao apetite pelo risco da seguradora. A ORSA engloba: A consistência entre o perfil de risco desejado e o verificado A estratégia da seguradora, evoluções do seu perfil de risco A consistência entre a estratégia e os processos A relação entre a estratégia do negócio e a gestão do capital Visão prospetiva das necessidades globais de solvência Mesmo que seja a administração o responsável, alguém achará possível a sua elaboração sem a colaboração de atuários? 15

Relatórios: ORSA O relatório da ORSA inclui: As necessidades globais de solvência, englobando todos os riscos materiais atuais e os que a seguradora poderá enfrentar a médio e longo prazo A avaliação das necessidades globais de solvência que deve revestir-se de caráter prospetivo A necessidade de a seguradora analisar, numa base continua, se cumpre com os requisitos de capital Reparem na extensão da avaliação em causa e na amplitude possível das avaliações para a mesma realidade. Quem acham que será um dos protagonistas na elaboração deste relatório? 16

Quantitative Report Templates QRT QRT trimestrais: Destinam-se a assinalar, aos supervisores, os desenvolvimentos na situação financeira, de solvência e dos resultados da seguradora Quem acham que será um dos protagonistas na elaboração destes relatórios? 17

Atuário Responsável Na legislação atual existe um atuário que certifica a exatidão de um conjunto de valores (provisões, prémios, etc) e a adequação dos investimentos às responsabilidades. Ou seja, é um atuário que audita os mais importantes aspetos de uma seguradora. O seu estatuto deve ser revisto de forma a dar-lhe o prestígio e a independência de que deve usufruir, de resto em harmonia com as recomendações do relatório do inquérito parlamentar ao caso GES/BES e as recomendações do IAP (muito anteriores). 18

Atuário Responsável (A.R.) O estatuto e a forma de nomeação dos atuários responsáveis devem ser alterados. O IAP propõe: Harmonizar a forma de nomeação do A.R. por Fundos de Pensões e do A,R, por Seguradoras; Só poderem ser nomeados como A.R. se forem atuários titulares do IAP, como acontece no Reino Unido; Assegurar o estatuto de independência através da sua contratação pelo supervisor e não pelos auditados, eliminando conflitos de interesses. 19

Atuário Responsável Independência Para além da independência intelectual, a independência do estatuto é crucial para a credibilidade da função. A revisão independente dos relatórios é um pilar fundamental à sua credibilidade perante os diversos intervenientes. 20

Atuários Cálculo dos valores mais relevantes numa seguradora Avaliação de riscos Criação de cenários futuros Relatórios prospetivos Certificação de prémios, provisões e investimentos Os atuários estão no núcleo de um vasto conjunto de atividades e funções absolutamente essenciais para todos os intervenientes. 21

Quem serão esses atuários? Nós sabemos o que é um atuário. Mas a lei, não sabe! 23

Não acham embaraçoso? 24

Ordem dos Atuários As Ordens Profissionais são criadas com vista à defesa e à salvaguarda do interesse público e dos direitos dos cidadãos e, por outro lado, a à autorregulação de profissões cujo exercício exige independência técnica. As Ordens Profissionais são entidades de direito público e representam profissões que por imperativo de tutela do interesse público, justificam o controlo do respetivo acesso e exercício, a elaboração de normas técnicas e de princípios e regras deontológicos específicos e um regime disciplinar autónomo. 25

Objetivos A Ordem dos Atuários tem por objetivos: a) Regular o acesso à profissão, assegurando que os profissionais têm os conhecimentos e capacidades necessárias; b) Regular o exercício da profissão através das Normas Deontológicas, das Normas Técnicas e de um processo de imposição de disciplina; c) Assegurar a atualização de conhecimentos ao longo da vida ativa; d) Assegurar o interesse público pelo rigor do trabalho dos seus membros. 26

Ordem dos Atuários É indispensável que essas normas e princípios tenham força de lei, por forma a serem aplicadas e verificadas por uma Ordem Profissional, cuja criação consideramos que é urgente, por corresponder a uma exigência de interesse público. Vimos atrás e apenas para o regime de Solvência II o enorme papel dos atuários e a grande importância da sua ação e, consequentemente, a necessidade de rigor e independência técnica de que devem usufruir. A criação da Ordem dos Atuários é, portanto, uma condição necessária ao bom funcionamento do sistema financeiro, atendendo à sua crescente complexidade e relação sistémica. 27

Ordem dos Atuários A Ordem dos Atuários pode, deve, e será um poderoso auxiliar de uma supervisão intrusiva, eficiente e atempada. 28

Ordem dos Atuários Os atuários não são apenas indispensáveis ao Governo das Seguradoras e Fundos de Pensões. Ou dos Bancos e outras instituições financeiras. Ou na análise de riscos. Os atuários são indispensáveis ao bom Governo, porque muitos dos problemas financeiros em Portugal se vão avolumar, nomeadamente a despesa social devida ao envelhecimento da população. Trazer conhecimento para a ação política é indispensável. 29

Ordem dos Atuários A Ordem será um aliado de uma supervisão que atue rapidamente 30

Portugal não pode dormir sobre as questões da supervisão

Muito obrigado pela vossa atenção. Desfrutem deste Seminário! 32