O setor florestal no mundo



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Transcrição:

O setor florestal no mundo Segmentos: Energia térmica Produtos sólidos de madeira Celulose de mercado Papel

O setor florestal no mundo Comércio internacional de produtos florestais: US$ 290 bilhões / ano Participação no comércio mundial: Canadá - 20,5% Estados Unidos - 11,6% Finlândia - 7,6% Brasil - 1,5% - paradoxo! À exceção do Brasil, vários países da América do Sul (Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai) e Europa (Alemanha, Suécia, Finlândia) possuem mecanismos de apoio à implantação de florestas.

O setor florestal no Brasil Principais fatores competitivos: Taxa de crescimento dos eucaliptos é 10 vezes maior principal fator! Dimensões continentais, áreas desmatadas Domínio tecnológico Facilidade de acesso marítimo Gestão profissional e mão-de-obra qualificada Condições para possibilitar o desenvolvimento de um setor e (empresas) globalmente competitivo!

O setor florestal no Brasil Apesar das vantagens, o aproveitamento da indústria florestal no Brasil é baixo... 300 milhões de metros cúbicos de madeira/ano consumidos no país, só 1/3 de florestas plantadas (celulose = 100% plantios) 85% energia, 9% produtos sólidos, 6% celulose e papel O Brasil produz apenas 7 milhões de toneladas/ano de papel e papelão, contra: 86 milhões nos EUA 21 milhões no Canadá 14 milhões na Finlândia 11 milhões na Suécia

O setor florestal no Brasil Dados principais (2000) Empregos diretos e indiretos gerados: 2 milhões Faturamento: US$ 21 bilhões (4% do PIB) Exportações do Brasil em 2000 Veículos e auto-peças: US$ 6,6 bilhões Produtos florestais: US$ 5,4 bilhões Siderurgia: US$ 3,5 bilhões Produtos florestais: 10% % do total das exportações brasileiras de produtos industrializados (2º( colocado) Fonte: SBS, 2001

Florestas plantadas no Brasil Área total reflorestada: 5 milhões de hectares eucalipto - 64% pinus - 36% Presente em 500 municípios brasileiros Distribuição por região 9% Nordeste 4% Norte 4% Centro-oeste 27% Sul 56% Sudeste Fonte: SBS, 2001

Florestas plantadas no Brasil Elevado nível de preservação ambiental! Uso econômico da madeira plantada evita destruição de matas nativas Atividades do setor obedecem a estritos padrões ambientais e ao Código Florestal Avançadas tecnologias otimizam a relação entre os plantios e o meio ambiente Plantios realizados em áreas não ocupadas por florestas nativas 1,6 milhão de hectares de Áreas de Preservação Permanente

Desmatamento da mata atlântica no extremo sul da Bahia Até 1945 2MM ha -85% Em 1960 Em 1974 Em 1990 somente 6% Hoje: só restam cerca de 5% da cobertura florestal original. Fonte: Veracel

O apagão florestal Balanço entre oferta e demanda de pinus e eucalipto no Brasil 275 225 175 125 75 25-25 -75 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 (1.000.000 m 3 ) Oferta Demanda Balanço Faltará madeira a partir de 2004! Irreversível! Fonte: STCP

O apagão florestal CONSEQÜÊNCIAS: Limitação do crescimento dos setores que utilizam madeira como matéria-prima e como diferencial de competitividade Importação de madeira de outros países, prejudicando a balança de pagamentos Aumento no preço das toras de pinus e eucalipto produzidas no Brasil Pressão sobre as florestas nativas por setores menos organizados

Fatores inibidores do crescimento do setor no país 1. Ausência de uma política setorial de longo prazo - ausência de planejamento 2. Modelo institucional não orientado à produção - carência de instrumentos 3. Legislação complexa, discriminatória e restritiva aos plantios florestais 4. Expansão da base florestal na dependência quase que exclusiva das grandes empresas 5. Inserção insuficiente dos pequenos e médios produtores rurais Soma dos fatores = déficit de madeira

Proposta de agenda para o setor 1 - Política setorial de longo prazo Integrar as metas da cadeia produtiva com as necessidades de novas áreas de florestas plantadas para o suprimento de madeira (planejamento) a) linhas de crédito adequadas à atividade florestal - juros compatíveis com os das demais atividades agrícolas b) implementação de programas de fomento florestal nas pequenas e médias propriedades rurais c) uso de grandes empresas como pólos de desenvolvimento, usando sua capacidade tecnológica, de financiamento e aquisição de madeira Não o se está pedindo subsídios!

Proposta de agenda para o setor 2 Modelo institucional orientado à produção (complementar o já existente!) Criar Secretaria de Florestas Plantadas no Ministério da Agricultura: traçar e coordenar a política de longo prazo do setor articular o uso da infraestrutura do Ministério da Agricultura - assistência técnica, desenvolvimento tecnológico, apoio logístico e mercadológico. Manutenção das atuais funções do Ministério do Meio Ambiente: regulamentação, coordenação e execução da política ambiental, além do licenciamento e monitoramento. O Brasil é o único país do mundo onde o setor florestal não é tratado como atividade agrícola!

Proposta de agenda para o setor 3 - Incrementar a competitividade do setor Desonerar a produção dos custos burocráticos e improdutivos - licenciamentos, vistorias e outras autorizações Otimizar as exigências legais, restrições à ocupação de solo, taxas e tributos para comercialização e transporte de produtos florestais

Proposta de agenda para o setor 4 - Simplificar e adequar a legislação Rever aspectos discriminatórios da legislação Exemplo: restrições ou proibições não fundamentadas aos plantios florestais Rever as atribuições e superposição de competências entre as esferas federal e estadual Equiparar as normas e regulamentos da silvicultura às demais atividades agrícolas Isso não significa exigir menos controle ambiental, mas exigir melhor!

Proposta de agenda para o setor 5 - Inserção dos pequenos e médios produtores rurais Alternativa para diversificação da atividade agrícola das propriedades rurais, gerando: distribuição de renda fixação de mão-de-obra no campo melhoria ambiental Conseqüência do modelo atual: concentração dos plantios nas grandes empresas, prejudicando-as as e dificultando a inserção dos pequenos e médios proprietários rurais. Todos perdem!

Benefícios EM 10 A 15 ANOS Mais que duplicação da área de florestas plantadas - de 5 para 11 milhões de hectares Formação de empresas brasileiras globalmente competitivas Aumento das exportações - de 5,4 bilhões para 15 bilhões de dólares/ano Arrecadação de mais impostos - de 2 para 6 bilhões de dólares/ano Geração de 2 milhões de novos empregos diretos e indiretos Melhoria para o meio ambiente - mais 2 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal

Exemplo da Aracruz: evolução da produção de celulose

Maiores produtores mundiais de celulose de mercado Capacidade 2003 (000 t/ano) 2800 Fibra Curta Branqueada ao Sulfato 2400 2400 Eucalipto 2000 1800 Outras Fibras Curtas 1600 1200 800 400 0 Aracruz + Riocell 1030 860 770 APRIL ENCE Cenibra VCP Parsons & International Alberta Whitemore Paper Pacific 715 675 540 535 Smurfit Stone 500 Portucel Fonte: Hawkins Wright (abril 2003) e Aracruz Brasil Indonésia Espanha Brasil Brasil EUA e Canadá EUA e Europa Canadá EUA e Canadá Portugal

Crescimento da Aracruz versus PIB brasileiro Índice (1979=100) 1200 Projetado 1000 1.030 800 600 400 200 185 0 1979 1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 1997 1999 2001 2003 2005 1979 2002 2003 2005 Crescimento Aracruz: 7,8% a.a. 11,8% a.a. Índice de Cresc. Real PIB Brasil Índice de Cresc. Produção Aracruz PIB Brasileiro: 2,3% a.a. 3,3% a.a.