Introdução Trata-se de importante leguminosa alimentícia para o consumo humano direto, com mais de 23 milhões de hectares cultivados em boa parte do planeta, representando uma rica fonte de proteína, ferro e carboidratos na dieta humana. No âmbito mundial, apresenta pouca expressão comercial, uma vez que quase todos os países produtores são também grandes consumidores, o que torna pequeno o excedente exportável, gerando um comércio internacional bastante restrito e de limitada proporção de expansão. Outra razão para o baixo comércio internacional de feijão é a ampla variedade de tipos de feijão e as diferenças de hábitos alimentares entre os países e até entre as regiões. O principal tipo produzido pelo Brasil é o tipo carioca que apesar de ter a preferência nacional, não tem boa aceitação no mercado externo. Contando com ampla variedade de classes no mercado mundial, apenas duas formas são as mais conhecidas e com mais dados confiáveis: 1) feijão seco (dry beans) - o mais cultivado e consumido no Mundo, sendo a maioria do gênero phaseolus; 2) feijãoverde (green beans ou wet beans), consumido ainda na vagem ou após a sua debulhagem, sendo a mais produzida e consumida na China e também em parte do Brasil onde é chamado de macaçar. Mercado Externo Conforme os dados registrados pela Conab em 2013, a produção mundial de feijão seco situou-se em torno de 23,1 milhões de toneladas, igual à média mundial obtida no período de 2009 a 2013. Os seis principais países produtores de feijão seco, que juntos são responsáveis por cerca de 61% da produção mundial, são: Brasil, Índia, Myanmar, China, EUA e México. De acordo com a mesma fonte, a produção brasileira na safra 2013/2014 foi de 3,4 milhões de toneladas. O Brasil é 3º maior produtor mundial de feijão respondendo por 12% da produção, atrás de Myanmar com 16,4% e da Índia com 15,7%. No âmbito dos países que compõem o Mercosul, a produção média nos últimos quatro anos ficou em 3,6 milhões de toneladas, sendo o Brasil o principal produtor, com
cerca de 3,2 milhões de toneladas anuais, seguido da Argentina, com 350,0 mil toneladas, Paraguai, com 56,0 mil toneladas e Uruguai com 3,5 mil toneladas. Mercado Nacional Caracterizada como uma cultura de subsistência em pequenas propriedades, normalmente explorada sem a utilização de tecnologia, com o plantio praticado em todos os estados brasileiros, nos sistemas de produção solteiro ou consorciado com outras culturas. Em termos de produção nacional, constituída através de três safras distintas, resume-se as espécies de Phaseolus vulgaris, feijão comum, cultivada em todo o território e a Vigna unguiculata, vulgarmente chamada de feijão-de-corda, feijão macaçar ou caupi, com predominância de plantio nas regiões Norte e Nordeste do país: A 1ª safra é plantada no período de agosto a dezembro, predominantemente nos Estados da Região Centro-sul, com a colheita ocorrendo entre os meses de novembro e abril. O plantio da 2ª safra abrange todos os estados brasileiros, englobando os meses de dezembro a março, e a colheita distribuída entre o período de março a julho; O cultivo da 3ª safra é realizado de abril até julho, com respectiva colheita entre os meses de julho a outubro. O feijão cores (ou tipo carioca) é o mais produzido no país, com 63% do total, o feijão preto tem 18% da produção e o feijão macaçar (tipo feijão de corda) tem 19%. O feijão carioca está distribuído uniformemente entre as 3 safras, cada uma com participação de 33% na produção total desse tipo de feijão. O feijão preto tem produção concentrada na 1ª safra, com 67% e 24% na 2ª safra. O feijão macaçar tem a produção concentrada na 2ª safra com 89% e só é cultivado na Região Norte/Nordeste do país. Na safra 2013/14, os três maiores produtores nacionais dessa leguminosa foram o Paraná, Minas Gerais e São Paulo, responderam, em média, por 47% da produção interna, com destaque para o Paraná que participa em torno de 22% do total nacional. Para a atual safra 2014/2015, segundo os levantamentos de safra em curso realizado pela Conab, estima-se uma produção em torno de 3.270 mil toneladas, 5,2% menor que a produção da safra passada. A área plantada com feijão total das três safras
no país, segundo o mesmo levantamento, está estimada em 3.093 mil hectares, uma redução de 8,1% em relação à safra anterior, que foi de 3.365,9 mil hectares. Histórico de produção 10000 Feijão (em mil toneladas) 1000 100 10 RN PB PE NORTE/NORDESTE CENTRO-SUL 1 05/06 06/07 07/08 08/09 09/10 10/11 11/12 12/13 13/14 14/15 * Fonte: Série Histórica de Área Plantada, Produtividade e Produção, Relativas às Safras 1976/77 a 2014/15 * Previsão Oferta e Demanda O consumo nacional tem variado entre 3,3 e 3,6 milhões de toneladas, em razão da disponibilidade interna e dos preços praticados no mercado que induzem o consumidor a adquirir mais ou menos produtos. Historicamente, no Brasil, a produção interna do primeiro semestre é suficiente para abastecer o mercado, todavia, como a cultura do feijão é muito susceptível às adversidades climáticas, a falta/excesso de chuva podem influir negativamente no plantio e, principalmente, na produtividade das lavouras, comprometendo o quadro de suprimento, em termos quantitativos. O Brasil importou em 2012 e 2013 pouco mais de 300 mil toneladas em cada ano. Já em 2014, com a quebra da safra chinesa e, consequentemente, com a pouca disponibilidade do grão, os preços se elevaram, inibindo sua aquisição, reduzindo-se as respectivas importações brasileiras para 135,9 mil toneladas, tendo na Argentina o principal fornecedor. No início do corrente ano de 2015, foram importadas da China, cerca de 120 mil toneladas de feijão preto, buscando suprir a demanda interna prevista para o primeiro semestre. Tradicionalmente é baixa a participação do feijão importado no abastecimento
interno, com destaque para a comercialização do feijão preto, representando algo em torno de 80% do total importado. No que se refere à exportação, um dos principais entraves está no fato do maior volume da produção nacional, cerca de 40%, ser do grupo carioca, de alta deterioração, que apesar de contar com a preferência nacional, tem aceitação limitada em outros países. Cabe destacar que o consumo interno per capita de feijão vem se reduzindo, como resultado da urbanização que acentuou as mudanças nos hábitos alimentares, com maior procura por produtos de preparo rápido. Saiu da média de 19 kg/hab/ano em meados dos anos 90 para os atuais 15 kg/hab/ano. Nos anos 60 o consumo girava em torno de 26 kg/hab/ano. Cotação Os preços do feijão são influenciados pela oferta do feijão e também pela rentabilidade de outras culturas, notadamente a soja e o milho, que concorrem mais diretamente pela mesma área plantada. Isso significa que quando a 1ª safra não é remuneradora para o produtor, a 2ª safra pode ter redução de área com maior destino para outra cultura de melhor rentabilidade no mercado. Cabe ressaltar que a estimativa de uma nova área de plantio passa necessariamente pela análise da comercialização da safra anterior, custo de produção, disponibilidade dos recursos governamentais, preços recebidos pelos agricultores, estoques públicos, valorização dos demais produtos da safra e riscos climáticos. Outro item de formação de preços é a perecibilidade elevada da leguminosa, que pode perder qualidade rapidamente em más condições de armazenagem, isso leva o produtor a vender o produto logo após a colheita, não tendo condições de segurar a comercialização. Além disso, a formação de preços do feijão é totalmente no mercado interno, tendo em vista que não há comercialização internacional. E como a demanda está praticamente estável, a formação interna de preços ocorre basicamente em função da oferta.
Mercado Paraibano A Paraíba concentra mais de 85% do seu território dentro da região semiárida, abrangendo 170 municípios e 48.657 km2, contando com situações climáticas desfavoráveis, com baixos índices pluviométricos. O feijão, um dos principais produtos da lavoura temporária na Paraíba, cultivado basicamente em sequeiro por pequenos agricultores, apresenta predominância pela espécie do macaçar, em torno de 70% e o restante para a espécie de cores, sendo esta última explorada basicamente nas mesorregiões do Agreste, Borborema e Zona da Mata. Em termos de produção total do feijão em terras paraibanas, observa-se um representativo decréscimo nos últimos quatro anos, na ordem de 51,6%, partindo de uma colheita de 43.941 toneladas em 2011, despencando para 2.913 toneladas em 2012, crescendo para 19.041 toneladas em 2013 e fechando com 21.261 toneladas em 2014, situação que reflete os efeitos das adversidades climáticas na região, comprometendo boa parte das lavouras e resultando em uma produtividade média da cultura em 295 kg/ha, insuficiente para viabilizar a remuneração compatível ao seu custo de produção, mesmo diante da condição de plantio consorciado, predominantemente com o milho em grãos. Cabe ressaltar que, em média, 68% da produção das referidas colheitas referemse à espécie feijão macaçar. 5000 500 Histórico de Produtividade Feijão - 1ª, 2ª e 3ª safras - kg/ha NORDESTE RN PB PE CENTRO-SUL BRASIL 50 2005/06 2007/08 2009/10 2011/12 2013/14 2004/05 2006/07 2008/09 2010/11 2012/13 2014/15 * Fonte: Série Histórica de Área Plantada, Produtividade e Produção, Relativas às Safras 1976/77 a 2014/15 * Previsão
No que se refere ao plantio, conforme dados da Conab, tendo como parâmetros as informações da safra 2010/2011 e a intenção de plantio registrada no primeiro levantamento estadual da safra 2014/2015, constata-se uma redução de área na ordem de 29%, fruto das severas estiagens registradas nos últimos anos, além da crescente escassez de mão de obra no segmento agrícola estadual. Com base na atual média nacional de consumo per capita de feijão em 15 kg/hab/ano e considerando o lamentável cenário da produção agrícola estadual, baseado na produção obtida no ano 2014, constata-se um deficit anual de produção de 37.900t, exigindo ações no mercado nacional para suprir tal demanda de consumo interno. Elaboração: CONAB Superintendência Regional da Paraíba Equipe Técnica: Carlos Renato Bastos Meira / Matheus Rodrigues Alves Sousa Supervisão Setorial: Tiane Franco Barros Mangueira Farias Supervisão Geral: Davi Azim Filho Superintendente Regional: Gustavo Guimarães Lima Telefone: (83) 3242-6566 / (83) 3242-6363 Email: pb.sureg@conab.gov.br