3 Tratamento sintomático da EM

Documentos relacionados
Incontinência urinária e estudos urodinâmicos

Síndrome de Guillain-Barré

Hipertensão Arterial. Promoção para a saúde Prevenção da doença. Trabalho elabora do por: Dr.ª Rosa Marques Enf. Lucinda Salvador

Artrose do Ombro ou Artrose Gleno Umeral

Espondilartrites Juvenis/Artrite Relacionada com Entesite (Epa-Are)

Diabetes. Hábitos saudáveis para evitar e conviver com ela.

relatam sentir somente a dor irradiada, não percebendo que sua origem está na coluna. Portanto, todo indivíduo com queixa de dor irradiada

TEORIAS E TÉCNICAS DE MASSAGEM PROF.ª DANIELLA KOCH DE CARVALHO UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA CURSO DE COSMETOLOGIA E ESTÉTICA

Departamento de Anestesiologia do Hospital Pedro Hispano

OS-SantaCatarina. Um novo modo de pensar e fazer saúde. COMBATE AO MOSQUITO AEDES AEGYPTI

O QUE É? O RETINOBLASTOMA

Chat com a Dra. Priscilla Dia 18 de fevereiro de 2016

Rejuvenescimento da Pele com Laser

Glaucoma. Juarez Sabino da Silva Junior Técnico de Segurança do Trabalho

ALIMENTOS E NUTRIENTES

Menopausa. É uma fase NORMAL na vida da mulher. Em termos muito simples, a menopausa é o desaparecimento dos período menstruais

Dormindo em pé. Pesquisa feita com 43 mil pessoas mostra que mais da metade da população brasileira apresenta problemas na qualidade do sono

1. O que é a Dorzolamida Generis e para que é utilizada

FORMULÁRIO TEMPO DE TRÂNSITO COLÔNICO. Para o preparo do exame, é necessário preencher o formulário abaixo :

Existe uma variedade de cápsulas, pós, chás e outros produtos no mercado com uma só promessa: acelerar o metabolismo para emagrecer mais rápido.

enfarte agudo do miocárdio

e-book Os 10 Poderes do POMPOARISMO e casos Práticos onde é Aplicado Olá amiga, tudo bem? Aqui é a Melissa Branier

Pressão Arterial. Profª. Claudia Witzel

Perdi peso: emagreci???

MODELO FORMATIVO. DATA DE INíCIO / FIM / HORARIO Manhã - 9:00 às 13:00 Tarde - 14:00 às 17:30 INVESTIMENTO

Equipamentos de Proteção Individual Quais as evidências para o uso? Maria Clara Padoveze Escola de Enfermagem Universidade de São Paulo

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR. Desloratadina Krka, 5 mg, comprimido revestido por película Desloratadina

Alimentação Saudável A Nutrição & Os Nutrientes. O que são Nutrientes? Quais as funções dos Nutrientes?

Programa Saúde e Longevidade

Objectivos de Aprendizagem. No final desta lição, você será capaz de: Definir o conceito de solubilidade.

Parabéns pela escolha do cartão TOURS.

Esclerose Lateral Amiotrófica (10%)

Incontinência Urinária. É possível evitar e tratar.

U R O L I T Í A S E UNESC - ENFERMAGEM 14/4/2015 CONCEITO. A urolitíase refere-se à presença de pedra (cálculo) no sistema urinário.

Convidamos a um mundo só seu! Um espaço acolhedor e sofisticado, pensado para que descontraia e relaxe!

BOLETIM DE CUIDADOS NO DOMICÍLIO

SISTEMA NERVOSO MOTOR

APLICAÇÃO DE CALOR OU FRIO. Enfª(s): Andreia Paz, Sandra Chaves e Elisabete Novello

Trimetazidina Generis, 35 mg, comprimidos de libertação prolongada

Programa psicoeducacional e de treino de competências em ambulatório

O que é o alongamento?

CONCEITO DE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

Air Alert III: Um programa completo para saltos verticais

Falta de libido na mulher

Curso de Atendimento Personalizado e Call Center. Referencial Pedagógico

Dr. Ruy Emílio Dornelles Dias

TESTE DE INTOLERÂNCIA ALIMENTAR DIETA MEDITERRÂNICA

ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE VISEU CURSO DE CONTABILIDADE E ADMINISTRAÇÃO ECONOMIA II Exercícios - nº /01

SPI A Score sheet. APENDICE 1: Critérios de Pontuação por ordem de relevância.

MANTENHA SEUS OLHOS SAUDÁVEIS

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (Do Sr. ILDEU ARAUJO)

LEITES E FÓRMULAS INFANTIS AJUDA PARA CRESCER

Ofertas válidas de 10 setembro a 30 de setembro de 2015.

Zika vírus. Confira todos os sintomas para saber se está com Zika vírus

Qual é a função do cólon e do reto?

AcuPulse. Com Tecnologia MultiMode. Recomendação Médica Parâmetros de Tratamento

FRACTURA DO COLO DO ÚMERO

ACADEMIA DE MOBILIDADE. Maio 2016

UMA VIDA MAIS SAUDÁVEL PEDE AUTOCONHECIMENTO. PAINEL GENÔMICO DE NUTRIÇÃO E RESPOSTA AO EXERCÍCIO

Informações sobre Acidentes com Mãos & Braços e Prevenção

MASSAGEADOR SHIATSU (MODELO: LG600) MANUAL DE INSTRUÇÕES

A esclerose múltipla é uma das doenças mais comuns do SNC (sistema nervoso central: cérebro e medula espinhal) em adultos jovens.

ANEXO I TAI CHI CHUAN

Se não se sentir melhor ou se piorar, tem de consultar um médico.

Checklist. Funções do Corpo

Doença do laptop dá dores nos punhos, cotovelos e costas

NarizSe sente que o nariz tem ficado entupido com freqüência, se têm aparecido cascas ou

Inimigo N 1 AGORA E TODO MUNDO CONTRA O MOSQUITO

ACUPUNTURA PARA FISIOTERAPEUTAS (NOV 2014) - PORTO COM FACILIDADES DE PAGAMENTO

FOLHETO INFORMATIVO: INFORMAÇÃO PARA O UTILIZADOR Diprosone N.V. 0,05 mg/g Pomada Dipropionato de betametasona

CIRCULAR INFORMATIVA. ASSUNTO: Sistema de Classificação de Doentes para ambulatório de Medicina Física e de Reabilitação

[LEPTOSPIROSE]

O QUE É A ESCLEROSE MÚLTIPLA?

31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

PORQUE DESENVOLVER FORÇA MUSCULAR?

5 DESAFIOS PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE DO SEU SAC (E COMO VENCÊ-LOS)

FRANCISCO FERREIRA. Universo. Saude. Desvios Posturais

Hot Yoga : Questões fisiológicas na pratica de Yoga em sala aquecida

APROVADO EM INFARMED

Leia com atenção os seguintes textos e responda depois às questões colocadas. GRUPO I NOÇÃO GERAL DE ERGONOMIA

Localização da Celulite

SEGREDOS DA MASSAGEM 5 CURIOSIDADES DA MASSAGEM

Noções de Microeconomia

Monitorização ambulatória da pressão arterial na idade pediátrica

Módulo 08 - Mecanismos de Troca de Calor

As Bolhas Fatais do Mergulho

A importância do equilíbrio

FOLHETO INFORMATIVO: Informação para o utilizador

ESTEIRA MASSAGEADORA 10 MOTORES E-1500RM

Canespor creme contém a substância ativa bifonazol pertencente a um grupo de substâncias conhecidas como "antifúngicos".

Leia atentamente este folheto antes de tomar o medicamento. - Caso ainda tenha dúvidas, fale com o seu médico ou farmacêutico.

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE BARUERI

Guia Linear. Tamanho. Curso Patins. Características Técnicas Material das guias DIN 58 CrMoV4 Material dos patins DIN 16 MnCr5

APROVADO EM INFARMED

O PAPEL DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL NO PÓS-OPERATÓRIO A ESTETICISTA COMO TÉCNICA DE RECUPERAÇÃO

Transcrição:

3 Tratamento sintomático da EM

Esta é a terceira brochura de uma série que aborda a Esclerose Múltipla (EM) e tópicos relacionados com esta doença. Aqui poderá encontrar informações sobre quais são os sintomas mais comuns da EM. Os grupos de sintomas principais que abordaremos são a fadiga, as alterações visuais, a espasticidade, a dor, os problemas urinários e intestinais e outros. Para além da descrição dos sintomas, poderá também encontrar informações acerca do tratamento destes sintomas. Também poderá achar útil ler acerca de outros aspectos da EM e do seu tratamento noutras brochuras desta série. Poderá pedir as outras brochuras directamente ao seu médico ou enfermeiro, ou através do site www.ms-gateway.com.pt

Índice Os sintomas da EM podem variar 4 Descrição e tratamento dos sintomas mais comuns da EM Fadiga Espasticidade Equilíbrio e coordenação Dor Problemas urinários e intestinais Problemas sexuais Alterações sensoriais Alterações visuais Sintomas paroxísticos 6 8 10 12 14 16 18 20 21 Glossário 22

Os sintomas da EM podem variar Como decerto já terá visto nas brochuras anteriores desta série, a EM é uma doença muito variável, em que não existe um padrão fixo previsível na sua evolução. Cada doente com EM pode ter um conjunto diferente de sintomas, que podem variar de tempos a tempos e que podem mudar em termos de gravidade e duração. Estes sintomas dependem das áreas do sistema nervoso central que foram afectadas durante a actividade da EM. Desta forma podemos ter doentes que apenas tiveram um ataque menor de visão dupla até aos doentes com sintomas mais pronunciados. A maioria dos doentes com EM apresentam inicialmente ataques abruptos, também conhecidos como surtos, seguidos pela remissão, i.e. um período sem quaisquer sinais clínicos óbvios da actividade da EM. Os sintomas podem melhorar ao fim de alguns dias ou semanas, levando a uma recuperação total ou parcial. Os sintomas mais comuns nos doentes com EM podem incluir fadiga, rigidez, e/ou fraqueza muscular, espasticidade nos braços e pernas, sensações anormais, tais como comichão, dor ou formigueiros, alterações urinárias, intestinais e sexuais. Alguns destes sintomas ocorrem frequentemente, enquanto que outros apenas ocorrem raramente. 4

Uma vez que os sintomas podem apresentar um grande grau de variação entre os doentes com EM, é necessária uma abordagem flexível ao seu tratamento. Para além da medicação, existem estratégias tais como a fisioterapia ou natação. Portanto, independentemente da forma como a pessoa se sente e da gravidade que os sintomas possam ter, existe uma grande variedade de coisas que os médicos, enfermeiros e cada doente individualmente podem fazer para melhorar a sua doença. Cuidar do seu corpo e manter hábitos saudáveis de alimentação é um pré-requisito para o bem-estar geral. Rigidez muscular Fadiga Comichão Alterações dos movimentos Espasticidade nos braços e pernas Problemas urinários e intestinais Dor Fraqueza muscular Dormência Sintomas da EM Figura 1: Os sintomas da EM são muitos e diferem de pessoa para pessoa 5

Descrição e tratamento dos principais sintomas da EM Fadiga A fadiga ou cansaço é um dos sintomas mais comuns e perturbadores da EM. Afecta cerca de dois terços dos doentes com EM e pode durar durante meses ou anos. São conhecidos pelo menos dois tipos de fadiga. Uma é um cansaço contínuo que torna difícil completar mesmo a mais simples das tarefas. Outro tipo ocorre espontaneamente após alguns minutos de actividade física. O último geralmente afecta as pernas e desaparece após uma curta pausa, mas também pode afectar a visão, que se deteriora durante a leitura, mas que regressa após uma curta pausa. Figura 2: Fadiga devida à EM O cansaço geralmente piora com as temperaturas elevadas ou após um banho quente. Um aumento da temperatura corporal, por exemplo devido a febre, também pode agravar este sintoma. Portanto, os doentes com EM que são afectados pela fadiga queixam-se de uma redução drástica na qualidade de vida. Apesar de a fadiga poder estar directamente ligada à actividade da EM, outros factores tais como a inactividade também podem contribuir. Os ataques de fadiga também podem causar uma redução da força, depressão e alterações do sono. 6

Figura 3: Combate contra a fadiga Tratamento da fadiga Se a fadiga tem outras causas que não a EM, tais como alterações do sono, que resultam em sonolência diurna, a doença subjacente deve ser identificada e tratada directamente. Se o cansaço se tornar um problema maior para um doente com EM, deverá ser efectuado um exame médico completo por um neurologista para eliminar quaisquer outras razões para a fadiga. Se a EM for a causa maior da fadiga, devem ser feitas alterações no estilo de vida e na ocupação. Poucos medicamentos têm sido eficazes no combate à fadiga da EM. No entanto, os doentes com EM afectados por fadiga excessiva têm relatado resultados positivos com algumas terapêuticas. Por favor, informe-se junto do seu médico acerca de qual a terapêutica mais indicada para si. As estratégias não-farmacológicas incluem horários regulares de deitar, pausas frequentes nas actividades regulares e um programa de exercícios com treino moderado dos músculos. As técnicas tais como a gestão de tempo e de stress, a definição de prioridades, o planeamento das actividades com antecedência e a simplificação do trabalho são estratégias adicionais que podem ser utilizadas para controlar a fadiga. Os banhos e duches frios também podem ajudar, tal como o ar condicionado em ambientes quentes. O Yoga, ou a meditação combinada com exercício também podem resultar para algumas pessoas, dado que o cansaço excessivo agrava os sintomas. Evitar este excesso de cansaço irá permitir um maior conforto aos doentes com EM, apesar de provavelmente não ir alterar a evolução da doença. 7

Espasticidade A espasticidade é um aumento da rigidez muscular, e que pode estar associada a dor quando os músculos desenvolvem cãibras. Durante a evolução da EM, pode ocorrer perca de força muscular nos braços ou pernas. Estes sintomas podem agravar-se gradualmente e aumentar a necessidade de apoio enquanto anda. Figuras 4 a-d: Exercícios simples de estiramento e relaxamento de vários grupos de músculos 8

Tratamento da espasticidade Uma terapêutica não-farmacológica para relaxar os músculos e para restaurar os movimentos envolve a fisioterapia ou a hipoterapia. Programas de estiramento incluem diferentes exercícios para as coxas e anca, pernas e costas e podem ser efectuados sozinhos ou com a ajuda de outra pessoa (figuras 4 a-d). O estiramento pode melhorar o problema da espasticidade. Estes movimentos deverão ser ensinados por um fisioterapeuta com experiência. O tratamento da espasticidade depende do seu grau. Para reduzir a espasticidade existem diversos medicamentos. Nos últimos anos, foram desenvolvidos diversos medicamentos com um efeito benéfico nos sintomas da espasticidade. Informe-se com o seu médico para saber qual o medicamento mais indicado para os seus sintomas. 9

Equilíbrio e coordenação Os problemas com a coordenação e equilíbrio ocorrem quando o cerebelo, i.e. a parte do cérebro responsável pela coordenação dos movimentos, fica afectado pela EM. Isto pode resultar na perca de equilíbrio enquanto anda. Também pode ser difícil agarrar em objectos pequenos com as mãos, da mesma forma que também podem ocorrer tremores. 10

Tratamento da perca de equilíbrio e coordenação O exercício (fisioterapia) é geralmente recomendado em vários graus e intensidade, dependendo do tipo de músculos afectados pela doença. O exercício serve para promover a coordenação e o equilíbrio, que são muitas vezes afectados nos doentes com EM. Os doentes com uma incapacidade moderada e os que sofrem com os sintomas relacionados com o calor, podem achar que o exercício na água é mais fácil. O tremor é geralmente tratado com medicação. A água permite a sustentação, o que ajuda a contornar os problemas com o equilíbrio durante o exercício. Adicionalmente, a água previne o aquecimento relacionado com o exercício, que pode agravar os sintomas em alguns doentes com EM. Figura 5: A água permite a sustentação, o que ajuda nos exercícios 11

Dor Apesar de EM ter sido considerada durante muitos anos como uma doença indolor, hoje em dia sabe-se que alguns doentes sentem dor e desconforto durante a evolução da doença. A dor pode ocorrer directamente como resultado da actividade da EM no sistema nervoso ou pode ser uma consequência dos outros sintomas da EM e pode oscilar entre a dor ligeira e a dor grave. Para além da dor músculo-esquelética nas articulações e músculos, tendões e ligamentos, alguns doentes referem dores paroxísticas. A dor pode ocorrer na face, por exemplo, se os nervos faciais forem afectados. Os espasmos nos braços ou pernas também podem ser dolorosos, quando estes membros estão imóveis durante longos períodos de tempo. No entanto, a forma mais comum de dor na EM, é a dor neurogénica crónica, causada por sinais nervosos defeituosos gerados pelas lesões da EM no cérebro e espinal medula. Este tipo de dor inclui sensações conhecidas popularmente como picadas de agulhas. 12

Figura 6: Fisioterapia e acunpuctura Tratamento da dor O tratamento da dor pode ser efectuado com medicamentos ou por tratamentos não-farmacológicos, dependendo do tipo de dor, da sua origem e dos problemas particulares de cada doente. A auto-ajuda pode ser uma parte importante no controlo da dor na EM, uma vez que tem um impacto directo na sua qualidade de vida. O exercício, meditação e relaxamento progressivo dos músculos (usando a Técnica de Jacobsen) podem ajudar a nível dos espasmos e da dor muscular. Outras formas de alívio de dor incluem a fisioterapia, hidroterapia, massagens, estimulação eléctrica dos nervos, acunpuctura e quiropatia. 13

Problemas urinários e intestinais Muitos doentes com EM estão constantemente à procura de uma casa-de-banho, uma vez que os músculos que controlam a bexiga e os intestinos podem estar afectados. Os problemas intestinais são menos evidentes e geralmente envolvem a obstipação devido à falta de exercício nas fases mais avançadas da doença, mas os problemas urinários são comuns na EM e conduzem à perca involuntária de urina. Alguns doentes são incapazes de esvaziar a sua bexiga completamente. Figura 7: Os problemas urinários e intestinais podem ser bastante desagradáveis 14

Tratamento dos problemas urinários e intestinais Quando ocorrem problemas de incontinência ou de esvaziamento incompleto, o seu médico irá primeiro eliminar a possibilidade de uma infecção urinária que terá de ser tratada separadamente, se necessário. Os sintomas podem ser aliviados eficazmente, mas o tratamento tem de ser baseado nas necessidades individuais. O treino vesical e do pavimento pélvico são exercícios úteis para controlar a função urinária. Para tratamento da urgência urinária, geralmente são utilizados medicamentos. Nos casos ligeiros, os hábitos de bebida podem ser alterados e as bebidas alcoólicas e bebidas com cafeína, como o café devem ser evitadas. Os problemas intestinais que podem ocorrer nas fases mais avançadas da doença podem muitas vezes ser facilmente aliviados com uma mudança de alimentação. A dieta deve ser rica em fibras e pobre em gorduras e conter líquidos suficientes. Os laxantes como a lactulose também podem ser usados. Pode ser necessário o uso de óleos minerais. O exercício regular também é recomendado para os problemas intestinais. Figura 8: Uma alimentação equilibrada pode aliviar alguns problemas urinários e intestinais NÃO deve seguir nenhuma dieta especial sem uma consulta prévia com o seu neurologista. Se ler alguma coisa na Internet, peça conselho ao seu médico! 15

Problemas sexuais Os problemas sexuais como a impotência, a diminuição da libido, ou dor durante as relações sexuais podem estar associados com a EM. A perca de sensibilidade nas mulheres ou a dificuldade em manter uma erecção nos homens pode também estar relacionado com a EM. Por vezes também existem problemas psicológicos, que podem originar problemas na intimidade. 16

Figura 9: É melhor falar acerca dos problemas sexuais do que torná-los um tabu e ficar frustado Tratamento dos problemas sexuais Muitos casais descobriram uma forma de ter uma vida amorosa normal e de comunicar um com o outro, de forma a que a EM não tenha a possibilidade de ir para a cama com eles. Falar acerca da relação e do que cada parceiro espera do outro parece ser a chave para resolver muitos dos problemas. Para os homens, existem disponíveis numerosas medicações e auxiliares eficazes. As mulheres com falta de lubrificação vaginal podem usar agentes lubrificantes para diminuir o desconforto da secura vaginal. Existem também alguns auxiliares sexuais que não requerem uma prescrição médica, por exemplo, vibradores. Por favor contacte o seu médico para conselhos adicionais. 17

Alterações sensoriais As alterações sensoriais são causadas por lesões nos nervos sensoriais da espinal medula. Geralmente ocorrem num ou mais membros e são sintomas iniciais comuns desta doença. Quase universais nas fases avançadas da EM, incluem as parestesias (formigueiros), sinal de Lhermitte, dormência, dor e comichão. A parestesia causa sensações desagradáveis que podem ocorrer em diferentes partes do corpo. Estas incluem picadas de agulhas, formigueiros, zumbidos. Os doentes podem sentir que uma faixa lhes está a apertar o tronco ou um dos membros. A pessoa pode também ter uma sensação de queimadura, comichão ou inchaço. A dormência pode ser sentida como a incapacidade de sentir toques ligeiros, picadas ou sensações de temperaturas quentes e frias. 18

comichão Figura 10: A EM pode ser acompanhada de sensações estranhas picadas de agulhas formigueiros arrepios 19

Figura 11: As alterações visuais são comuns nas fases iniciais da EM Alterações visuais Movimentos oculares anormais (nistagmo) e visão dupla (diplopia) podem ser causadas pela actividade da EM no cérebro. A inflamação do nervo óptico do olho (nevrite óptica) é um dos sintomas mais comuns e é muitas vezes uma primeira indicação da EM. Conduz a visão turva, perca de percepção das cores e/ou dor por trás do globo ocular, aumentada pelo movimento do olho. A recuperação destes sintomas pode não ser sempre completa. Poderá ser necessário um exame por um oftalmologista. Poderá ser útil, por exemplo, para prevenir a visão dupla, o uso de uns óculos com lentes prismáticas. 20

Sintomas paroxísticos Os sintomas paroxísticos o termo paroxístico refere-se a sintomas que aparecem repentinamente ocorrem frequentemente e eventualmente desaparecem completamente. Podem estar relacionados com alterações do movimento, sensoriais ou visuais e ter uma tendência a reocorrer sempre com o mesmo padrão e durar alguns minutos ou mesmo menos do que 20 segundos. São muitas vezes desencadeados por movimentos ou estímulos sensoriais. Alguns deles são altamente característicos da EM, por exemplo a dificuldade em articular as palavras (disartria). São geralmente sinais iniciais da doença e respondem bem à terapêutica. 21

Glossário Disartria: Dificuldade em articular as palavras. Fadiga é outro termo para cansaço, um dos sintomas mais comuns da EM. Nistagmo é um termo médico para os movimentos oculares anormais, i.e. movimentos rítmicos e involuntários do olho. Sinal de Lhermitte é uma sensação semelhante a um choque que corre pela espinha, espalhando-se eventualmente para as pernas e braços. Dura apenas um a dois segundos e é desencadeado quando se inclina o pescoço para a frente. O sinal de Lhermitte é frequente nos doentes com EM. Sintomas paroxísticos são sintomas transitórios que aparecem subitamente, incluindo incerteza na marcha, dificuldade em articular as palavras, gaguez ou sintomas sensoriais. Duram menos do que dois minutos mas podem ocorrer frequentemente (por vezes até 20 a 30 vezes por dia). Espasticidade: Dureza muscular ou perda de força muscular, às vezes associada com dor. 22

23 Notas

A minha vida com EM Um guia prático sobre a esclerose múltipla que pretende ajudá-lo(a) a manter um estilo de vida activo Para pessoas recém-diagnosticadas com EM: 1 2 3 Esclerose Múltipla Uma introdução Diagnóstico Tratamento sintomático da EM Linha de Apoio Personalizado 800 910 300 Sempre que tiver dúvidas contacte-nos! www.ms-gateway.com.pt Schering Lusitana Estrada Nacional 249 - Km 15 2726-901 Mem Martins Tel.: 219 269 900 Fax: 219 218 471 www.schering.pt UP 0342 10/2004