2005 by Pearson Education. Capítulo 09

Documentos relacionados
Form r as a s e s e p s ac a i c ai a s molec e u c lar a e r s G o e met e r t i r a molec e u c lar a r e e te t o e ri r as a de ligaç a ã ç o

2005 by Pearson Education. Capítulo 09

Aula 7 LIGAÇÕES IÔNICAS, COVALENTES E METÁLICA. Eliana Midori Sussuchi Samísia Maria Fernandes Machado Valéria Regina de Souza Moraes

Polaridade e Geometria Molecular

Geometria molecular. Prof. Leandro Zatta

FCAV/UNESP. DISCIPLINA: Química Orgânica. ASSUNTO: Teoria da Ligação de Valência e Hibridização de Orbitais

LIGAÇÃO QUÍMICA NO CARBONO GEOMETRIA MOLECULAR HIBRIDAÇÃO. Geometria molecular

Modelos atômicos. Modelo de Bohr

TEORIA DOS ORBITAIS MOLECULARES -TOM

Teorias de Ligações Químicas

A Ciência Central. David P. White

Prof. M.Sc. Maron Stanley S. O. Gomes

QUÍMICA A Ciência Central 9ª Edição Capítulo 8 Conceitos básicos de ligação química David P. White

Por que os átomos de diferentes elementos se combinam para formar compostos? Moléculas Formadas. Mais estáveis que elementos individuais

Previsão das cargas iônicas O número de elétrons que um átomo perde está relacionado com a sua posição na tabela periódica.

QUÍMICA ORGÂNICA É A QUÍMICA DO CARBONO E SEUS COMPOSTOS. MOLÉCULAS ORGÂNICAS

Ligações Iônicas. Tipos de Ligações

Estudos de Recuperação para Oportunidade Adicional º TRIMESTRE Tabela Periódica, Ligações Químicas e Nox

Proposta de Resolução

TP064 - CIÊNCIA DOS MATERIAIS PARA EP. FABIANO OSCAR DROZDA

EXERCÍCIOS DE QUÍMICA 1º ENSINO MÉDIO. 01. Utilizando o esquema de Lewis, dê o íon-fórmula dos compostos constituídos por:

CONFIGURAÇÕES ELETRÔNICAS E PERIODICIDADE QUÍMICA

Geometria Molecular. A forma geométrica de uma molécula é determinada pelo arranjo dos pares eletrônicos em torno dos átomos.

Estruturas dos sólidos

TEORIA DA LIGAÇÃO DE VALÊNCIA - TLV

Profª.. Carla da Silva Meireles

5- Formam substância iônica do tipo AB 2 A) III e I B) III e II C) IV e I D) V e I E) V e II

3 Reações Proibidas por Spin

9º ANO ENSINO FUNDAMENTAL -2015

Colégio Saint Exupéry

ESTRUTURA ELETRÔNICA DOS ÁTOMOS

LIGAÇÃO QUÍMI M CA C

18/04/ Formas das moléculas. 6. Formas das moléculas. 6. Formas das moléculas. 6. Formas das moléculas

Os tipos de ligações químicas do ponto de vista energético e estrutural

Química A Extensivo V. 4

O conjunto dos orbitais d apresenta simetria esférica.

Componente de Química

LIGAÇÕES QUÍMICAS Folha 04 João Roberto Mazzei

Metais. Grande número de entidades iguais mantidas coesas em um retículo cristalino.

Propriedades Físicas - Química Orgânica

Centro Universitário Anchieta

Geometria Molecular e polaridade de ligações

ELETROSTÁTICA wagnumbers.com.br O UNIVERSO PODE SER CARACTERIZADO POR GRANDEZAS FUNDAMENTAIS: MATÉRIA / MASSA, ENERGIA, ESPAÇO,

Analogia com a polarização elétrica

Ligações Químicas Parte - 3

Ajuda a descrever o compartilhamento dos elétrons entre os átomos

DISCIPLINA: QUIMICA INORGÂNICA I, QUI 0147, Turmas: T01 e T02 PERÍODO LETIVO: PROFESSOR: ANTONIO REINALDO CESTARI

Química Inorgânica Aula 3

Química D Extensivo V. 2

Faculdade Pitágoras de Londrina Disciplina: Química Geral Prof. Me. Thiago Orcelli. Aluno:

Teoria da ligação de valência

QUÍMICA GERAL PROF. PAULO VALIM

Uma vez que existem apenas três orbitais p, os arranjos octaédricos

Propriedades Elétricas do Materiais

Polaridade, Geometria Molecular e Forças Intermoleculares

Universidade Federal do Tocantins

Ligações químicas e VSEPR

Distribuição Eletrônica Tabela Periódica

Química. Resolução das atividades complementares. Q33 Distribuição eletrônica

Exame de Recuperação Curso Profissional de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos

Educação para toda a vida

Tabela periódica e ligações química

Ligações Químicas - II. Ligação covalente Orbitais moleculares (LCAO) Hibridização Geometrias moleculares

Dicas de Química Tasso

Ligações Químicas s 2 p 6

EXERCÍCIOS CONFIGURAÇÃO ELETRÔNICA E PROPRIEDADES ATÔMICAS E TENDÊNCIAS PERIÓDICAS

Ligação iônica. Prof. Leandro Zatta

Aula II - Tabela Periódica

Estrutura da Matéria Prof.ª Fanny Nascimento Costa

Atração fatal. Ernesto atritou um canudo de refresco com. A força elétrica como um vetor

Química Orgânica I. Ácidos e Bases, tipos de reações, intermediários de reações, termodinâmica e cinética de reações orgânicas.

Números Quânticos e Ligações Químicas

CARGAS ELÉTRICAS. Por Jonathan T. Quartuccio

Propriedades térmicas em Materiais

CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DISCIPLINA: Química Geral. ASSUNTO: Formas e Polaridade das Moléculas. Prof a. Dr a. Luciana M. Saran

2 Polímeros Condutores 2.1. Introdução

II Correto. Quanto maior a distância entre as cargas, mais fraca é a ligação e menos energia é empregada na sua quebra.

ENERGIA TOTAL DE UM CORPO

Características das Figuras Geométricas Espaciais

Resolução da Prova de Química Vestibular Inverno UPF 2003 Prof. Emiliano Chemello

A Ligação Química em substâncias reais

Proposta de Resolução do Exame Nacional de Física e Química A 11.º ano, 2015, 2.ª Fase, versão 1

DESAFIO EM QUÍMICA 03/10/15

MÓD. 2 FORÇA ELÉTRICA/LEI DE COULOMB

ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS

ATIVIDADE DE ÁGUA (Aw) E REAÇÕES DE DETERIORAÇÃO

FACULDADE PITÁGORAS - FARMÁCIA PRINCÍPIOS FÍSICO-QUÍMICOS APLICADOS À FARMÁCIA

CARGA ELÉTRICA. Unidade de medida no S.I.: Coulomb (C) 1 Coulomb é a carga elétrica de 6, prótons (ou elétrons).

Tabela Periódica (localização e propriedades)

QB70D:// Química (Turmas S15/S16) Ligações Químicas

QUÍMICA ORGÂNICA LIGAÇÕES QUÍMICAS GEOMETRIA MOLECULAR HIBRIDIZAÇÃO

FUNÇÕES INORGÂNICAS Folha 02 João Roberto Fortes Mazzei

Exercícios sobre Força de Coulomb

- LIGAÇÕES QUÍMICAS -

Lista de exercícios de Física / 2 Bimestre Unidades 1, 2 e 3

Aula 6 TEORIA DE LIGAÇÃO DE VALÊNCIA (TLV) E REPULSÃO DOS PARES DE ELÉTRONS DA CAMADA DE VALÊNCIA (RPECV)

FÍSICA (Eletricidade e Eletromagnetismo) Cap. I - CARGA ELÉTRICA E LEI DE COULOMB

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS. Química Orgânica I. Aula 1. Prof. Marco Antonio B Ferreira

Classificação Periódica Folha 03 - Prof.: João Roberto Mazzei

Transcrição:

QUÍMICA A Ciência Central 9ª Edição Capítulo 9: Geometria molecular e teorias de ligação David P. White

Formas espaciais moleculares As estruturas de Lewis fornecem a conectividade atômica: elas nos mostram o número e os tipos de ligações entre os átomos. A forma espacial de uma molécula é determinada por seus ângulos de ligação. Considere o CCl 4 : no nosso modelo experimental, verificamos que todos os ângulos de ligação Cl-C-Cl são de 109,5. Conseqüentemente, a molécula não pode ser plana. Todos os átomos de Cl estão localizados nos vértices de um tetraedro com o C no seu centro.

Formas espaciais moleculares

Formas espaciais moleculares Para prevermos a forma molecular, supomos que os elétrons de valência se repelem e, conseqüentemente, a molécula assume qualquer geometria 3D que minimize essa repulsão. Denominamos este processo de teoria de Repulsão lã do Par de Elétrons no Nível de Valência (RPENV). Existem formas simples para as moléculas AB 2 eab 3.

Formas espaciais moleculares Existem cinco geometrias fundamentais para a forma molecular:

Formas espaciais moleculares Ao considerarmos a geometria ao redor do átomo central, consideramos todos os elétrons (pares solitários e pares ligantes). Quando damos nome à geometria molecular, focalizamos somente na posição dos átomos.

Modelo RPENV Para se determinar a forma de uma molécula, fazemos a distinção entre pares de elétrons solitários (ou pares não-ligantes, aqueles fora de uma ligação) e pares ligantes (aqueles encontrados entre dois átomos). Definimos o arranjo eletrônico pelas posições no espaço 3D de TODOS os pares de elétrons (ligantes ou não ligantes). Os elétrons assumem um arranjo no espaço para minimizar a repulsão e -e.

Modelo RPENV Para determinar o arranjo: Desenhe a estrutura t de Lewis, conte o número total de pares de elétrons ao redor do átomo central, ordene os pares de elétrons em uma das geometrias acima para minimizar a repulsão e -e e conte as ligações múltiplas como um par de ligação.

Modelo RPENV O efeito dos elétrons não-ligantes e ligações múltiplas nos ângulos de ligação Determinamos o arranjo observando apenas os elétrons. Damos nome à geometria molecular pela posição dos átomos. Ignoramos os pares solitários na geometria molecular. Todos os átomos que obedecem a regra do octeto têm arranjos tetraédricos.

Modelo RPENV O efeito dos elétrons não-ligantes e ligações múltiplas nos ângulos de ligação No nosso modelo experimental, o ângulo de ligação H-X-H diminui ao passarmos do C para o N e para o O: H H C H H 109.5 O H N H H 107 O O H H 104.5 O Como os elétrons em uma ligação são atraídos por dois núcleos, eles não se repelem tanto quanto os pares solitários. Conseqüentemente, os ângulos de ligação diminuem quando o número de pares de elétrons não-ligantes aumenta.

Modelo RPENV O efeito dos elétrons não-ligantes e ligações múltiplas nos ângulos de ligação

Modelo RPENV O efeito dos elétrons não-ligantes e ligações múltiplas nos ângulos de ligação Da mesma forma, os elétrons nas ligações múltiplas se repelem mais do que os elétrons nas ligações simples. Cl 111.4 o C O Cl 124.3 o

Modelo RPENV Moléculas com níveis de valência expandidos Os átomos que têm expansão de octeto têm arranjos AB 5 (de bipirâmide trigonal) ou AB 6 (octaédricos). Para as estruturas de bipirâmides trigonais existe um plano contendo três pares de elétrons. O quarto e o quinto pares de elétrons estão localizados acima e abaixo desse plano. Para as estruturas octaédricas, existe um plano contendo quatro pares de elétrons. Da mesma forma, o quinto e o sexto pares de elétrons estão localizados acima e abaixo desse plano.

Modelo RPENV Moléculas com níveis de valência expandidos Para minimizar a repulsão e e, os pares solitários são sempre colocados em posições equatoriais.

Modelo RPENV Moléculas com níveis de valência expandidos

Modelo RPENV Formas espaciais de moléculas maiores No ácido acético, CH 3 COOH, existem três átomos centrais. 3 Atribuímos a geometria ao redor de cada átomo central separadamente.

Forma molecular e polaridade molecular Quando existe uma diferença de eletronegatividade entre dois átomos, a ligação entre eles é polar. É possível que uma molécula que contenha ligações polares não seja polar. Por exemplo, os dipolos de ligação no CO 2 cancelam-se porque o CO 2 é linear.

Forma molecular e polaridade molecular

Forma molecular e polaridade molecular Na água, a molécula não é linear e os dipolos de ligação não se cancelam. Conseqüentemente, a água é uma molécula polar.

Forma molecular e polaridade molecular A polaridade como um todo de uma molécula depende de sua geometria ti molecular. l

Forma molecular e polaridade molecular

Ligação covalente e Superposição de orbitais As estruturas de Lewis e o modelo RPENV não explicam porque uma ligação se forma. Como devemos considerar a forma em termos da mecância quântica? Quais são os orbitais envolvidos nas ligações? Usamos a teoria de ligação de valência: As ligações formam quando os orbitais nos átomos se superpõem. Ei Existem dois di elétrons de spins contrários ái na superposição iã de orbitais.

Ligação covalente e Superposição de orbitais

Ligação covalente e Superposição de orbitais À medida que dois núcleos se aproximam, seus orbitais atômicos se superpõem. À medida que a superposição aumenta, a energia de interação diminui. A uma determinada d distância, i a energia mínima é alcançada. A energia mínima corresponde à distância de ligação (ou comprimento de ligação). Quando os dois átomos ficam mais próximos, seus núcleos começam a se repelir e a energia aumenta.

Ligação covalente e Superposição de orbitais À distância de ligação, gç as forças de atração entre os núcleos e os elétrons equilibram exatamente as forças repulsivas (núcleonúcleo, elétron-elétron).

Orbitais híbridos Os orbitais atômicos podem se misturar ou se hibridizar para adotarem dt uma geometria ti adequada d para a ligação. A hibridização é determinada pelo arranjo. Orbitais i híbridos sp Considere a molécula de BeF 2 (sabe-se experimentalmente que ela existe):

Orbitais híbridos Orbitais i híbridos sp O Be tem uma configuração eletrônica 1s 2 2s 2. Não existem elétrons desemparelhados disponíveis para ligações. Concluímos que os orbitais i atômicos não são adequados d para descreverem os orbitais nas moléculas. Sabemos que o ângulo de ligação F-Be-F F é de 180 (teoria de RPENV). Sabemos também que um elétron de Be é compartilhado com cada um dos elétrons desemparelhados do F.

Orbitais híbridos Orbitais i híbridos sp Admitimos que os orbitais do Be na ligação Be-F estão distantes de 180. Poderíamos promover um elétron do orbital 2s no Be para o orbital 2pp para obtermos dois elétrons desemparelhados para a ligação. Mas a geometria ainda não está explicada. Podemos solucionar o problema admitindo que o orbital 2s e um orbital 2p no Be misturam-se ou formam um orbital híbrido. O orbital híbrido surge de um orbital s e de um orbital p e é chamado de orbital híbrido sp.

Orbitais híbridos Orbitais híbridos sp Os lóbulos dos orbitais híbridos sp estão a 180º de distância entre si.

Orbitais híbridos Orbitais i híbridos sp Já que somente um dos orbitais 2p do Be foi utilizado na hibridização, idi ainda existem dois orbitais i p não-hibridizados idi d no Be.

Orbitais híbridos Orbitais i híbridos sp 2 e sp 3 Importante: quando misturamos n orbitais atômicos, devemos obter n orbitais i híbridos. Os orbitais híbridos sp 2 são formados com um orbital s e dois orbitais p. (Conseqüentemente, resta um orbital p nãohibridizado.) Os grandes lóbulos dos híbridos sp 2 encontram-se em um plano trigonal. Todas as moléculas com arranjos trigonais planos têm orbitais sp 2 no átomo central.

Orbitais híbridos Orbitais híbridos sp 2 e sp 3 Os orbitais híbridos sp 3 são formados a partir de um orbital s e três orbitais p. Conseqüentemente, há quatro lóbulos grandes. Cada lóbulo aponta em direção ao vértice de um tetraedro. O ângulo entre os grandes lóbulos é de 109,5. Todas as moléculas com arranjos tetraédricos são hibridizadas sp 3.

Orbitais híbridos sp 2 e sp 3

Orbitais híbridos Orbitais i híbridos sp 2 e sp 3