Mercado Financeiro - 2 -



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Transcrição:

Mercado Financeiro - 2 - Prof. Fabio Uchôas de Lima Este material foi produzido com o intuito de fornecer melhores subsídios aos alunos dos diversos cursos, tomando como base informações contidas em diversos livros, periódicos e sites da Internet, preferencialmente àqueles indicados no programa do curso, reunindo várias pesquisas e conhecimentos adquiridos ao longo da vida acadêmica. Quero esclarecer que este material não possui nenhum vínculo com as Instituições de Ensino onde atuo, nem nenhuma forma de comércio autorizada. Peço apenas a gentileza de não fazer nenhum uso comercial ou inserção em livros, periódicos, ou quaisquer outras mídias sem minha expressa autorização, garantida pela Lei 9610/98. Quaisquer críticas ou sugestões serão muito bem recebidas e podem ser enviadas ao meu e-mail (fabio-prof@uol.com.br). Periodicamente faço uma revisão do material de modo a aprimorá-lo, e agradeço as colaborações recebidas. São Paulo Julho 2011

Sumário 1 O mercado de renda fixa... 3 2 - Renda Variável: mercado primário de ações... 3 3 - Renda Variável: mercado secundário de ações... 4 4 Risco versus Retorno... 5 5 Derivativos... 5 6 - Mercados futuros... 6 7 - Investidores institucionais... 6 8 - Fundos de investimento... 7 Prof. Fabio Uchôas de Lima 2

1 O mercado de renda fixa Os títulos de renda fixa são documentos que comprovam um empréstimo feito pelo investidor ao emissor, que obrigam este último agente ao pagamento de certa rentabilidade. Nele são estabelecidas as condições da operação: prazo, a taxa de juros e a forma de pagamento dos juros. Os títulos de renda fixa podem ser classificados segundo suas características: a natureza do emissor, a maturidade (prazo) e a forma de pagamento dos juros. O emissor de um título de renda fixa pode ser tanto os Governos (federal, estadual e municipal) quanto instituições financeiras (bancos) e não financeiras (empresas). No que se refere ao prazo, um título de renda fixa permite uma classificação alternativa, que depende das condições da economia em que foi emitido. Nos Estados Unidos, títulos de curto prazo (bills) possuem até um ano de prazo, os de médio prazo (notes) têm prazo de dois a dez anos e os de longo prazo (bonds) possuem prazos superiores a dez anos. No Brasil, títulos de renda fixa com maturidade inferior a um ano são geralmente classificados como títulos de curto prazo (LTN Letras do Tesouro; CDB certificados de depósito bancário; e commercial papers). Títulos com maturidade superior a um ano são definidos como títulos de longo prazo (NTN-B Notas do Tesouro Nacional série B; NTN-C Notas do tesouro nacional série C). Por fim, quanto à forma de pagamento dos juros, podemos ter títulos prefixados, cujo rendimento é conhecido no momento da emissão; títulos pósfixados, cujo rendimento somente é conhecido posteriormente (no momento do vencimento); e títulos mistos, que possuem uma taxa prefixada em um primeiro período e, no segundo, a taxa passa a ser pós-fixada. 2 - Renda Variável: mercado primário de ações O mercado de capitais é um sistema criado para facilitar a capitalização das empresas, contribuindo para a geração de riqueza à sociedade. Investidores de diversos portes com propósitos diferentes participam desse mercado, levando à manutenção de um importante e alternativo mecanismo de financiamento das empresas: a abertura de seu capital mediante a emissão e venda de ações ao mercado público. As bolsas de valores criam, organizam e regulam os mercados no qual se negociam as ações. Ações são valores mobiliários emitidos por sociedades anônimas. Representam a fração mínima de capital de uma empresa. Ao comprar uma ação, os investidores se tornam co-proprietários do empreendimento, tendo direito a participação em seu resultado. Uma ação não possui prazo de resgate e pode ser convertida em dinheiro por meio de sua venda no mercado a qualquer momento. A compra e venda de ações no mercado permite ao investidor aumentar ou diminuir sua participação em uma empresa sempre que desejar. Sociedades anônimas de capital aberto ou fechado emitem ações. Nas de capital aberto, os papéis podem ser negociados nas bolsas de valores, enquanto que nas de capital fechado, as ações têm circulação apenas a um restrito grupo de investidores. O meio mais comum de circulação das ações são as denominadas ações escriturais. Elas são negociadas no mercado de capitais sem emissão de certificado, ou seja, tais ações não são representadas por cautelas ou certificados. São escrituradas por um banco, o qual deposita as ações da empresa e realiza os Prof. Fabio Uchôas de Lima 3

lançamentos a débito ou a crédito dos acionistas, não existindo movimentação física dos documentos. O valor de uma ação pode ser definido como nominal, patrimonial, intrínseco, de liquidação, de subscrição e de mercado, dependendo do objetivo da análise. O valor nominal é o valor atribuído a uma ação previsto no estatuto social da companhia; o valor patrimonial representa a parcela do patrimônio líquido da sociedade que compete a cada ação emitida (seu valor é dado pelo patrimônio líquido dividido pelo número de ações); o valor intrínseco é o valor de um fluxo de caixa esperado descontado a uma taxa de retorno mínima determinada pelo investidor; o valor de mercado representa o preço efetivo de negociação da ação no mercado; o valor de liquidação é determinado quando do encerramento da atividade de uma companhia; e o valor de subscrição é o preço definido no lançamento de ações em operações de abertura de capital de uma companhia. No que se refere ao valor intrínseco e ao valor de mercado de uma companhia, vale destacar que ambos não são necessariamente coincidentes. O valor intrínseco é resultado da percepção do investidor sobre determinada empresa, enquanto o preço de mercado é resultante da oferta e demanda de determinada ação negociada na bolsa de valores. A decisão de investir em uma ação exige que determinado papel seja negociado no mercado a um preço abaixo do valor intrínseco para um investidor, aparecendo como uma oportunidade de compra. Por outro lado, ações com valor de mercado mais alto que o intrínseco apontam para uma possibilidade de venda. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto da empresa, com percentual mínimo obrigatório de 25% segundo a lei das sociedades por ações. O quanto uma empresa distribui na forma de dividendos aos seus acionistas pode ser medido pelo índice payout. O payout é a divisão dos dividendos distribuídos pelo lucro líquido do exercício. No que tange a liquidez de uma ação, é permitida no mercado uma prática conhecida como desdobramento de ações ou split. O split é uma operação na qual uma ação da empresa é dividida em n novas ações dessa forma, o investidor que detinha uma ação passa a ter n novas ações, não alterando sua participação acionária. Somente o valor individual da ação decresce, e, consequentemente, o capital da sociedade não se modifica. O objetivo do split é aumentar a liquidez dos papéis da empresa, tornando-a acessível a um maior número de agentes, de forma a causar queda em seus preços de mercado, aproximando-os de sua cotação média verificada na bolsa. 3 - Renda Variável: mercado secundário de ações Após a colocação das ações no mercado primário, as negociações dos papéis passam a ser realizadas no mercado secundário. Nesse mercado, ocorre apenas a transferência de propriedade dos títulos e valores imobiliários, ou seja, a empresa emitente não se beneficia diretamente dessas negociações. No Brasil, o mercado secundário de ações está concentrado no pregão eletrônico da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O local onde são realizadas as operações de compra e venda de ações é denominado pregão. Possuem acesso aos pregões da bolsa os representantes credenciados pelas sociedades corretoras, que negociam ações segundo ordens de compra e venda expedidas pelos investidores. Existem basicamente três modalidades de negociação de ações: à vista, a termo e de opções. Prof. Fabio Uchôas de Lima 4

No mercado à vista, a liquidação física dos títulos negociados ocorre no segundo dia útil após a realização do negócio e a liquidação financeira no terceiro dia útil após a negociação. No mercado a termo, as operações são formalizadas por meio de um contrato preestabelecido firmado entre comprador e vendedor, o qual estipula uma quantidade de ações, um prazo de liquidação em uma data futura, a um preço acordado entre as partes. As operações no mercado de opções envolvem a negociação de direitos de compra e venda de ações, em um prazo de liquidação e preço preestabelecidos. 4 Risco versus Retorno O risco está associado a incerteza quanto a um acontecimento futuro. Quando falamos de uma empresa, essa incerteza (risco) está associada a dois aspectos: econômicos e financeiros. As causas do risco econômico são alterações conjunturais na economia, no mercado e na gestão da empresa. Já o risco financeiro está relacionado a capacidade da empresa em cumprir suas obrigações com terceiros. Assim, enquanto o risco econômico associa-se ao ativo, o risco financeiro associa-se ao passivo da empresa. O risco total de uma empresa pode ser dividido em risco sistemático e não sistemático. O primeiro (risco sistemático) é conjuntural e faz parte de um âmbito maior no qual todos os ativos estão inseridos. O comportamento de cada ativo é diferente diante das mudanças conjunturais, de tal maneira que este risco pode ser reduzido por meio da diversificação dos ativos. O segundo (não sistemático) é específico do próprio ativo e pode ser reduzido com composição de ativos que não tenham correlação positiva entre si. Sendo assim, podemos afirmar que: RISCO TOTAL = RISCO SISTEMATICO + RISCO NÃO SISTEMATICO Todo o risco esta associado a expectativas de ocorrência de um evento no futuro e pode ser mensurado pela assunção de probabilidade de ocorrência a cada evento. 5 Derivativos A origem do termo derivativos está associado à idéia de que os preços desses contratos possuem estreita ligação, ou seja, derivam dos preços do ativo subjacente ao contrato ou ativo de referência. As transações com derivativos são realizadas nos mercados futuros, a termo, de opções e swaps. Contratos a termo são acordos de compra e venda de um determinado ativo que estabelecem um preço entre as partes para liquidação em uma data futura específica. Esses contratos são intransferíveis e sua negociação pode ocorrer tanto em mercado de balcão quanto em bolsa. Contratos futuros são acordos nos quais as partes são obrigadas a comprar ou a vender determinada quantidade de um ativo a determinado preço e em certa data futura. Esses contratos são padronizados em relação a quantidade e qualidade do ativo, formas de liquidação, garantias, prazos de entrega, dentre outros, e tem negociação apenas em bolsa, sendo possível a liquidação do contrato antes do vencimento. Prof. Fabio Uchôas de Lima 5

Opções são acordos nos quais, por intermédio de único pagamento (prêmio) as partes tem o direito (e não a obrigação) de comprar ou vender o ativo em certa data a preço preestabelecido. A outra parte da operação recebe esse pagamento como remuneração por sua exposição ao risco, que pode chegar a ser ilimitado. As opções também podem ser negociadas em mercado de balcão, no caso das opções flexíveis. No caso daquelas negociadas em bolsa, a padronização dos itens contratuais é realizada da mesma forma que nos contratos futuros. Swaps são acordos privados entre duas partes para a troca futura de fluxos de caixa indexados a determinado índice por outro com diferente índice de reajuste. Os swaps podem ser registrados em bolsa e, assim, possuir garantias ao cumprimento dos itens acordados. 6 - Mercados futuros No mercado futuro, as partes assumem obrigações de comprar (e a contraparte de vender) uma commodity em data futura, pelo preço negociado e na quantidade e condições determinadas no contrato. A diferença entre os contratos futuros em relação ao contrato a termo e que o primeiro é padronizado e as operações são realizadas por meio da bolsa. No início, os contratos futuros se limitavam a commodities agrícolas. Contudo, com o desenvolvimento financeiro este tipo de instrumento evoluiu e hoje abrange uma categoria maior de possibilidades, como o contrato futuro de ações, índice ibovespa, taxa de juros, dentre outros. Tomemos o exemplo de uma operação futura com uma commoditiy agrícola, o café. Um investidor que está na ponta compradora da operação adquire um contrato futuro de café que lhe garante a entrega do produto em uma data futura a um certo preço. Para facilitar nossa exposição assumiremos que o contrato futuro equivale a uma saca de café ao preço de R$ 100,00. Na ponta vendedora deste contrato está um investidor que deseja vender este ativo no futuro e aceita o preço de R$ 100,00. Observe que o preço do produto não é no mercado à vista, mas sim para uma data futura. Geralmente, a liquidação do contrato futuro na data previamente combinada não ocorre com a entrega física do produto. As operações são liquidadas em dinheiro pagando-se a diferença entre o valor fixado de compra e de venda. Em nosso exemplo, caso não houvesse a liquidação com a entrega física do café e na data de liquidação o preço da saca estivesse em R$ 110,00, o comprado no contrato futuro receberia o valor de R$ 10,00 e a ponta vendedora pagaria R$ 10,00. 7 - Investidores institucionais Investidor institucional e uma pessoa jurídica que tem por obrigação investir parte do seu patrimônio no mercado financeiro. No Brasil, são representadas por fundos de pensão, sociedades de capitalização, companhias de seguro, entre outros. Suas carteiras são constituídas principalmente pela captação de recursos e tem participação relevante no mercado. Os objetivos de retorno de algumas dessas instituições, como os fundos de pensão, possuem horizonte de longo prazo, o que contribui para maior estabilidade do mercado financeiro. Prof. Fabio Uchôas de Lima 6

8 - Fundos de investimento Fundos de investimentos são grupos de investidores que captam recursos junto ao publico (cotistas) com o objetivo de aplicar o capital levantado em carteiras de títulos e valores mobiliários. Os fundos de investimento são classificados em fundos de renda fixa e fundos de renda variável. Conforme o nome, os fundos de investimento de renda fixa aplicam seu capital em ativos de renda fixa. Estes podem ser: i) fundos de investimento em renda fixa referenciados, que possuem uma gestão passiva e buscam replicar o desempenho de um indicador de referência, como o CDI; ii) fundos de investimento em renda fixa não referenciados, que não seguem um indicador específico e podem conter papeis pós e pré fixados; iii) genéricos, que são com risco mais elevado e estratégias mais agressivas, em razão de sua maior liberdade para selecionar os ativos. Os fundos de investimento de renda variável contém no mínimo 5% de ações em suas carteiras, além de outros ativos. Apresentam maior risco e retorno esperados e podem ser agrupados em 3 categorias: i) fundos passivos, que replicam o retorno de um indicador previamente selecionado, como o Ibovespa; ii) fundos ativos, que procuram uma rentabilidade que supere um índice de referência; iii) fundos setoriais, que concentram suas apostas em um setor específico. Os fundos podem ser constituídos sob a forma de condômino aberto ou condomínio fechado. Os primeiros (condomínio aberto) permitem o resgate de cotas a qualquer momento. Os segundos (condomínio fechado) não permite o resgate da cota a qualquer momento. O cotista pode efetuar um resgate somente depois de decorrido um prazo pré-determinado. Prof. Fabio Uchôas de Lima 7

Referências ASSAF NETO, Alexandre. Mercado Financeiro. 8ª edição. São Paulo: Atlas, 2009. FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro: Produtos e Serviços. 17ª edição. São Paulo: Qualitymark, 2008. M. FILHO, Armando & ISHIKAWA, S. Mercado Financeiro e de Capitais. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2003. OLIVEIRA, Marcos Paulo. Apostila para Prof. Fabio Uchôas de Lima 8