Associação Passo a Passo
Prevenir na Diferença Associação Passo a Passo Surge da parceria estabelecida em 2007,entre a Associação Passo a Passo e MAC- CHLC, consulta de imunodepressão / serviço social. Centra-se na problemática da mulher grávida /mãe portadora do VIH/SIDA. Financiado pela Direcção Geral de Saúde (DGS).
De acordo com a DGS, em 2013 verificaram-se em Portugal 196 situações de gravidez em mulheres portadoras de VIH. A região sul do país registou o maior n.º de casos 149 (76%). A MAC-CHLC foi o hospital onde ocorreu o maior n.º de nascimentos de crianças filhas de mães seropositivas. Fonte: Grupo de Trabalho sobre infeção VIH na Criança da Sociedade Portuguesa de infecciologia Pediátrica.
A gravidez e a seropositividade dimensiona os papeis e as relações da mulher num novo contexto; torna-a mais dependente de apoio de um sistema social e cria-lhe necessidades de atenção e suporte por parte dos outros. O projecto surge daurgência de criar novas respostas adaptadas a este tipo de problemática, desenvolvendo um apoio psicossocial personalizado e global à mulher grávida/mãe com VIH, prevenindo a transmissão vertical. As mulheres grávidas/mães portadoras do vírus VIH são encaminhadas pela MAC- CHLC em situação de vulnerabilidade social e clínica. Promove-se uma resposta adaptada às necessidades garantindo o acesso aos cuidados de saúde e à adesão à terapêutica anti retrovírica. )
Tem subjacente o apoio psicossocial individual às mulheres grávidas portadoras do VIH e/ou casal, tendo em conta a promoção dos direitos das mulheres, o direito de decisão de escolha, bem como acesso aos cuidados de saúde e protecção social; A intervenção é desenvolvida sobretudo no domicilio, sendo que em situações de maior vulnerabilidade socioemocional ou quando é solicitado pelas mulheres realiza-se também acompanhamento psicossocial em contexto de gabinete; São realizados grupos de auto-ajuda com as grávidas/mães portadoras de VIH, em parceria com a equipa da MAC e a Associação Passo a Passo. O Projeto não tem área geográfica de abrangência.
População Alvo O projeto tem previsto acompanhar anualmente 50 mulheres portadoras do vírus de VIH/SIDA. No entanto dado o número elevado de sinalizações, tem vindo a alargar a sua resposta. Acompanha em média 65 mulheres/ano. No ano 2013/2014 a consulta de Infertilidade/ patologia crónica da MAC sinalizou-nos 3 homens portadores de VIH/SIDA. Contribuir para diminuição da transmissão vertical mãe/filho do VIH; Acompanhar 50 grávidas /mães (ano) portadoras do VIH/SIDA; Prevenir a gravidez não desejada; Promover a adesão aos cuidados prénatais; Promover a adesão ao uso do preservativo; Promover direitos das mulheres para a melhoria da autonomia e decisão; Promover a criação de uma rede de suporte social; Prestar apoio psicossocial; Envolver os companheiros/maridos.
Equipa multidisciplinar Associação Passo a Passo : Assistente Social, Psicóloga, Educadora de Infância, Ajudante Familiar; com supervisão semanal realizada por uma terapeuta familiar. MAC : Obstetra, Assistente Social, Nutricionista, Enfermeira.
Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC); AMCV; Ajuda de Berço; Hospital de Santa Maria CHLN; Hospital Beatriz Ângelo (2012); Banco Alimentar Contra a Fome; Farmácias.
Mulheres= 247 e 3 homens Média Idades :27 anos de idade; Máx: 41 anos; Mín: - 19 anos 70% etnia negra; 35% não tem companheiro/marido; 53% ensino básico incompleto; 46% desempregadas; 80% tem dificuldades socioeconómicas; 56% vivem nas zonas limítrofes de Lisboa; 53% não tem apoio familiar; 74% gravidez não desejada/ não planeada; 55 % praticas inadequadas de planeamento familiar; 61,4% relações sexuais desprotegidas; 75,4% omite o seu estado de saúde a outros; 55% teve conhecimento do VIH na última gravidez; 90% já tem filhos; 15% vitimas de violência doméstica.
O apoio social e extra-hospitalar que é dado às mulheres infetadas pelo VIH/SIDA, através da parceria estabelecida entre um hospital público (MAC-CHL) e uma IPSS (Passo a Passo) revela-se uma prática de sucesso inovadora e essencial para dar resposta a uma população vulnerável não só pela doença mas também pelos contextos sociais desfavorecidos em que se inserem. O baixo estatuto social a que pertencem as mulheres acompanhadas afeta-as de forma negativa, colocando-as numa situação de marginalidade. A existência de um projeto que se constitua como referência de suporte social revela-se essencial para acederem aos cuidados de saúde e para a diminuição da taxa da transmissão vertical mãe-filho.
PROTOCOLO CLINICO A terapêutica anti retrovírica é um pilar fundamental na prevenção da transmissão mãe-filho. Mais do que 90% das nossas grávidas atingem carga viral indetetável antes do parto. Com boa adesão à terapêutica, o parto pode ser eutócico. O recém-nascido é vigiado em consulta de pediatria, sendo o follow-up até aos 18 meses. ( Cristina Guerreiro, MAC: 2014) PROTOCOLO SOCIAL Receção da sinalização; Abertura do processo psicossocial de cada mulher; Entrevista psicossocial à grávida/mãe portadora de VIH e/ou ao casal; Plano de intervenção especifico para cada mulher; Intervenção social no domicilio; Apoio psicológico/aconselhamento; Acompanhamento a consultas; Reuniões periódicas com as entidades de saúde e outras entidades; Articulação Pós-parto com a consulta de pediatria da MAC; Planeamento familiar; Desbloqueamento de situações ético-legais; Enquadramento jurídico;
0% transmissão vertical, resultante da adesão às consultas pré-natais; 100% de adesão das mulheres às consultas de infeciologia e às terapêuticas retrovirais; 70% envolvimento/encaminhamento dos maridos/ companheiros para realizar o rastreio do VIH/SIDA; 95% foram apoiadas socialmente; 70% das mulheres autonomizaram-se O baixo e fraco estatuto social a que pertencem grande número das mulheres afecta de forma negativa as suas relações com a sociedade atirando-as para a estigmatização. O projeto: permite encontrar respostas adequadas para as necessidades de populações vulneráveis que vivem com VIH e que de outra forma não conseguem aceder ao sistema de saúde; ilustra o êxito de uma parceria entre um hospital público e uma IPSS no apoio à mulher grávida/mãe seropositiva; apoia a grávida/mãe seropositiva no seu percurso social e pessoal, melhora a sua qualidade de vida, independentemente da sua origem étnica, orientação sexual, cultural ou crença religiosa.