Actividade Física, Saúde e Qualidade de Vida



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Transcrição:

Actividade Física, Saúde e Qualidade de Vida Marta Marques, Maria João Gouveia e Isabel Leal 1 Instituto Superior de Psicologia Aplicada Resumo: Actualmente, é consensual a relevância da prática de actividade física regular para a saúde e bem-estar físico e psicológico dos indivíduos. A presente comunicação procura abordar os principais benefícios da prática de actividade física para a saúde e qualidade de vida. São apresentadas as recomendações actuais de prática de actividade física regular e alguns dados relativos ao sedentarismo. Por fim, são explorados alguns programas de promoção da prática de actividade física de lazer, ao nível comunitário. 1. Promoção de Actividade Física Porquê? A OMS estima que a inactividade física contribui para cerca de 2 milhões de mortes anuais no mundo. Simultâneamente calcula também que 60% da população mundial não pratica actividade física suficiente (WHO, 2006). Os estilos de vida sedentários, constituem assim um dos maiores problemas de saúde pública com o qual as sociedades ocidentais se debatem. O sedentarismo, contribui para a ocorrência de doenças crónicas, mortes prematuras e invalidez, o que leva a graves custos económicos e sociais. Por outro lado, o aumento da esperança de vida levou ao questionamento dos nossos comportamentos actuais - envelhecer e morrer com saúde é um desejo comum. De facto, a qualidade de vida é hoje um termo comum e uma preocupação que reside em todos nós. Desta forma, a promoção de estilos de vida saudáveis revela-se como uma necessidade urgente e um dos maiores desafios para as sociedades ocidentais. 2. Actividade Física, Saúde e Qualidade de Vida Definições: Actividade Física, define-se como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em dispêndio energético. Qualquer actividade de lazer, ocupacional e doméstica poderá ser incluída nesta definição. 1 Correspondência para Autores: psicologia.desporto@ispa.pt

As actividades físicas de lazer, são associadas a uma baixa competitividade, e prendem-se com actividades como os passeios a pé, de bicicleta, canoagem, o jogging, entre outras actividades que são realizadas no tempo livre. Actualmente é consensual que a prática de actividade física regular contribui para a Saúde dos indivíduos e consequentemente, para a nossa Qualidade de Vida. Será por isso importante definir estes conceitos. A Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948, definiu saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social, total, e não apenas a ausência de doença ou incapacidade, enfatizando a sua importância para a felicidade, a paz e a segurança. Mais recentemente, a OMS acrescenta uma perspectiva ecológica à saúde, referindo que é a extensão em que individuo ou grupo é capaz, por um lado de realizar as suas aspirações e satisfazer as suas necessidades e, por outro, de modificar ou lidar com o meio envolvente (p. 75, Ribeiro, 2005). A OMS considera ainda que a saúde é uma dimensão da nossa qualidade de vida. A Qualidade de Vida é um conceito de difícil definição, pela sua abrangência e variação inter-cultural, de uma forma geral pode se definir como o grau de coincidência entre a vida real e as expectativas do indivíduo, reflectindo a satisfação de objectivos e sonhos próprios de cada indivíduo (p. 22, Calmeiro & Matos, 2004). 3. Recomendações para a Prática de Actividade Física: Para que a prática de actividade física tenha efeitos benéficos na nossa saúde e bem-estar, é necessário que esta seja efectuada de forma regular. As recomendações actuais para esta prática, nos adultos, são a) Prática de actividade física moderada, pelo menos 5 dias por semana, num mínimo de 30 minutos. Por actividade moderada entenda-se uma actividade que requer 3 a 6 vezes mais energia que em repouso. Pode incluir actividades como andar a pé, dançar, subir escadas, fazer tarefas domésticas, brincar com as crianças, etc. b) Prática de Actividade Física Vigorosa, pelo menos 3 dias por semana, num mínimo de 60 minutos. Por actividade vigorosa, entenda-se uma actividade que requer 7 vezes mais energia que em repouso. São exemplo de actividades físicas de intensidade vigorosa, o jogging, a canoagem, andar de bicicleta, a natação, etc.

Para que se possa potenciar os benefícios inerentes à prática de exercício, deverão conjugar-se ambas as recomendações. Isto significa portanto que a uma preocupação de se realizar alguma forma de actividade física em quase todos os dias da semana, em 3 desses dias a actividade realizada deverá ser mais intensa. 4. Benefícios da Prática de Actividade Física: São vários os benefícios físicos e psicológicos para os quais existe suficiente comprovação empírica (WHO, 2006; Berger et al., 2006). Físicos: a) Redução do risco de ocorrência de Doenças Coronárias b) Prevenção/Redução da Hipertensão; c) Papel importante no controlo do excesso de peso e prevenção da obesidade d) Prevenção da Diabetes do tipo II e) Papel importante nalguns tipos de cancro, nomeadamente do cólon f) Saúde Muscular e Esquelética e redução do risco de ocorrência de Osteoporose. Psicológicos: a) Melhoria dos Estados de Humor: Redução da tensão, depressão, raiva e confusão, acréscimo da vitalidade, vigor e clareza. b) Técnica de Redução de Stresse c) Oportunidade de experienciar Prazer d) Reforço das Auto-Percepções (auto-estima e auto-conceito) e) Benefícios Psicoterapêuticos, nomeadamente no tratamento da depressão e ansiedade. Outros benefícios associados à prática de exercício e de actividades físicas são: Económicos: Os custos para os Governos dos Países Ocidentais, com as doenças crónicas, morte prematura e baixa qualidade de vida, assumem grandes proporções. Aumentar os níveis de prática de actividade física das populações, pode conduzir a uma

redução destes custos, devido ao papel fundamental que esta prática tem na diminuição da ocorrência das doenças físicas e psicológicas já referidas. Sociais: A prática de actividade física, pode potencializar o contacto entre indivíduos, estabelecimento de relações de cooperação e até mesmo a redução de comportamentos anti-sociais e do isolamento, com alguma incidência em diversos grupos, nomeadamente jovens e idosos. Ambientais: A prática de actividade física, pode proporcionar uma maior utilização dos espaços exteriores, potencializando a utilização de certas áreas e reabilitação de outras (passeios marítimos, construção de espaços verdes, pistas para ciclistas), protecção do ambiente (zonas estritamente pedestres, uso de bicicleta e outros meios de transporte não poluentes) e o contacto com a natureza (exs.: canoagem, trecking,etc.). 6. Programas Comunitários de Promoção da Prática de Actividade Física: As intervenções comunitárias, poderão ter um maior impacto na saúde pública, uma vez que envolvem uma maior percentagem da população do que as intervenções individuais ou grupais. Estas intervenções podem incluir a consciencialização e envolvimento dos membros da comunidade e modificação do ambiente físico. Os programas de intervenção comunitária implementados têm vindo a aumentar, quer ao nível internacional, nacional ou local. A título de exemplo, A OMS, criou a Iniciativa Move for Health, que procura a promoção da prática de actividade física e estilos de vida saudaveis em todo o mundo. Um dos eventos é o Move for Health Day, que é recomendado a todos os Estados Membros, e é realizado anualmente. Em Portugal, destaca-se o programa Mexa-se que envolve recursos nacionais, regionais e locais, na promoção da prática de actividade física, de como é exemplo o Mexa-se na Marginal, realizado anualmente e consistindo no encerramento do trânsito na mesma, no Concelho de Oeiras, para a realização de exercicio.

Sites recomendados: www.who.int www.ocde.org www.americanheart.org www.activeliving.com www.mexa-se.idesporto.pt www.cdc.gov www.acsm.org Referências: Berger, B., Pargman, D. & Weinberg, R.S. (2006). Foundations of Exercise Psychology (2 nd Ed. Rev). USA: Fitness Information Technology. Calmeiro, L. & Matos, M.G. (2004). Psicologia: Exercício e Saúde. Lisboa: Visão e Contextos. Pais-Ribeiro, J.L. (2005). Introdução à Psicologia da Saúde. Coimbra: Quarteto, colecção: Psicologias. WHO (2006). Physical activity. Consultado em 10 de Dezembro de 2006 através de http://www.who.int/hpr/physactiv/health.shtml