Uma foresta de interesses A UU L AL A MÓDULO 18 Doutor Armando é o dono de uma mineradora e irmão mais veho de Fabinho, presidente do Conseho Municipa do Meio Ambiente da pequena cidade de Júpiter da Serra. Armando é pessoa infuente no ugar. Jamais quis candidatar-se a nada, mas participa ativamente das campanhas poíticas. Sua empresa, a Mineração Quadranguar, cresceu exporando minério das montanhas ocais. - Fabinho, acabei de assinar um novo contrato para exportar mais e vou ter que ampiar a área de produção. Preciso extrair minério na região da Matinha. Você sabe que quaquer pedido nesse sentido, antes de dar entrada nos órgãos estaduais e federais, tem que ter a iberação do Conseho Municipa. - E eu, como presidente do Conseho, antes de assinar preciso sentir o que a comunidade deseja. Depois, vai ser preciso conseguir a permissão do prefeito. - Não creio que ee seja contra, disse Armando. A mineradora vai gerar mais empregos e impostos para o município. - É... desde que não seja necessário destruir o pouco que nos resta. Naquee mesmo dia, doutor Armando, acompanhado de Fabinho, dirige-se ao gabinete do prefeito, para expor o seu projeto. - Bom dia, doutor Armando. Como vai, Fabinho? Podemos ir diretamente ao assunto? Cenatexto
A U L A - Bom dia, Sr. prefeito. O Armando está querendo ampiar a mineradora. Pode ser mais uma grande fonte de renda para o município. Mas impica mexer com a Matinha. - É, Faustino, são mais cem empregos para a popuação e um reforço bruta para o caixa da prefeitura. Você sabe que o imposto sobre o minério é troço vioento! - Caro que eu sei, doutor Armando. O diabo é o que eu já comentei com o Fabinho: o pessoa da ecoogia não dorme no ponto. Se um moeque chuta o rabo de um sapo, ees botam a boca no trombone. Agora imagina, tocar, nem que seja de eve, na Matinha. Seria o bastante para aquee jornaeco da oposição pegar no meu pé e não argar mais. E não esqueça que o diretor do jorna faz parte do Conseho do Meio Ambiente. - Eu conheço a figura. É um sujeito metido a faar difíci, observa Armando. De vez em quando ee me critica no seu pasquim, mas eu nem igo, porque a opinião dee não tem a menor repercussão. - Engano seu, meu irmão. O Wani é um grande profissiona e o modo como ee escreve impressiona, provoca um certo efeito. Seria interessante que ee tomasse conhecimento do projeto, até porque poderia divugá-o peo seu jorna. - Se ee resover se opor, o seu projeto vai ter que enfrentar toda a opinião púbica da cidade, frisa Faustino. Fabinho se despede. Faustino e Armando continuam a conversa. Mas, doutor Armando, que garantias o senhor me dá de que não vai destruir toda a Matinha? - Já pensando nisso, o projeto prevê a formação de uma reserva ecoógica. Você vai ver que nenhum arauto do meio ambiente vai ter razão de criticar o projeto. O Prefeito parece hesitante: - E o jornaista? - Vou aproveitar para visitá-o agora, porque essas questões deicadas a gente deve atacar em primeiro ugar. Na redação, o Wani não cabe em si de espanto. Podia esperar quaquer um, menos o doutor Armando, a quem o seu jorna não dá sossego. - É uma grande surpresa, doutor Armando. A que devo a visita? - Descupe chegar de repente. Mas trata-se de um assunto de extrema importância para mim e, tenho certeza, de seu interesse. O doutor Armando vai ogo dizendo o que é o projeto, dando pormenores, até escarecer onde entra o jornaista. - Pois é, seu Wani, um projeto dessa envergadura tem que chegar à opinião púbica, coisa que só seu jorna pode fazer. - Doutor, o senhor acha que nosso jornazinho consegue tudo isso? - Mas é caro. Conhecendo e admirando o seu trabaho, tenho certeza de que é o mehor caminho para divugar o projeto. - Puxa, doutor, eu nunca pensei... - Como, nunca pensou? Então, só porque sou homem de negócios não sei dar vaor às etras? Pois ohe, para mim a economia, a poítica e a cutura devem manter a mais estreita igação. E digo mais: sem o auxíio de inteectuais do seu porte, nada se pode fazer em pro do desenvovimento. A conversa vai por aí. Na saída, Wani, que, já agora, não cabe em si de vaidade, está pensando em promover um grande encontro para discutir o projeto com a comunidade.
Doutor Armando faou arauto do meio ambiente. A paavra em destaque está registrada assim no dicionário: arauto s.m. 1. Nas monarquias da Idade Média, oficia que fazia as procamações soenes, conferia títuos de nobreza, transmitia mensagens, anunciava a guerra e procamava a paz; 2. Emissário, mensageiro; 3. P. ext. Defensor, utador. Dicionário A U L A 1. Qua o sentido da paavra arauto na Cenatexto?... Doutor Armando embra que o jornaista o critica no seu pasquim. Você conhece essa paavra? Observe como o dicionário a define: pasquim. s.m. 1. Sátira afixada em ugar púbico. 2. Jorna ou panfeto difamador. 2. Peo sentido da paavra pasquim, você acha que o doutor Armando apreciava o jorna? Expique....... Na década de 70, quando a imprensa no Brasi padecia por fata de iberdade, houve um jorna chamado Pasquim, fundado por inteectuais, que combateu o regime miitar e foi muito importante na renovação da inguagem jornaística do país. Fabinho, o irmão de doutor Armando, é presidente do Conseho Municipa do Meio Ambiente, que se ocupa da ecoogia. Veja agora o que significa essa paavra: ecoogia. s.f. 1. Parte da bioogia que estuda as reações entre os seres vivos e o meio ou ambiente em que vivem, bem como as suas infuências mútuas; mesoogia. 2. Ramo das ciências humanas que estuda a estrutura e o desenvovimento das comunidades humanas em suas reações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ee, assim como novos aspectos que os processos tecnoógicos ou os sistemas de organização socia possam acarretar para as condições de vida do homem. 3. Em qua dos dois sentidos a paavra ecoogia foi usada na Cenatexto? Escareça:... 4. O prefeito chamou o jorna da oposição de jornaeco. Não se tratava de um eogio ao jorna. Expique o que ee queria dizer com essa paavra....
Entendimento A U L A 1. O títuo da cenatexto de hoje é: Uma foresta de interesses. Diga quais eram os interesses que estavam envovidos? 2. Por que o prefeito tinha medo de mexer na Matinha? Que impicações teria esse ato? 3. O Doutor Armando, na conversa com Fabinho e Faustino, refere-se de maneira bastante dura ao jornaista. Entretanto, ao visitá-o, usa expressões muito amáveis. Expique a mudança ocorrida. Reescritura Reeia agora esta faa do prefeito: O diabo é o que eu já comentei com o Fabinho: o pessoa da ecoogia não dorme no ponto. Se um moeque chuta o rabo de um sapo, ees botam a boca no trombone. Agora imagina, tocar, nem que seja de eve, na Matinha. Seria o bastante para aquee jornaeco da oposição pegar no meu pé e não argar mais. E não esqueça que o diretor do jorna faz parte do Conseho do Meio Ambiente. Como você notou, o prefeito está apreensivo em reação às impicações do projeto, expressando-se de modo bastante informa. Agora imagine como seria a faa dee, se, mais tranqüio, usasse uma inguagem mais forma. O início já está pronto. Continue: A meu ver, a principa questão reside na forte atuação dos ecoogistas
Como você já viu, o advérbio é uma casse de paavras que modifica o verbo ou o adjetivo e até outro advérbio. Ee acrescenta idéias reativas a tempo, modo, ugar, negação, afirmação, dúvida, intensidade, certeza. Agumas vezes, mais de uma paavra iniciadas por uma preposição têm a mesma função de um advérbio. Nesse caso, recebem o nome de ocução adverbia. Veja a frase: Aprofundando A U L A O projeto vai revoucionar para sempre a vida nesta cidade. A expressão para sempre é uma ocução adverbia de tempo. E também serve como um adjunto adverbia do verbo revoucionar. Anaise as frases abaixo e indique os casos em que temos um advérbio ou uma ocução adverbia. Siga o exempo: Podemos ir diretamente ao assunto? - Diretamente: advérbio de modo. a) Lá será a reserva ecoógica. b) O doutor Armando mostrou-se amáve demais. c) O doutor Armando chegou de repente. d) O doutor Armando não era aguardado por Wani. e) Fabinho saiu depressa. f) Doutor Armando expicou, passo a passo, o seu projeto. g) De uma assentada, doutor Armando resoveu todos os probemas. h) A comunidade poderá opinar à vontade. De acordo com o momento histórico em que vivem, ou seja, de acordo com cada época, os artistas agem e refetem na sua arte as concepções, as idéias que têm de si e de sua reaidade. Em Literatura, essas épocas que correspondem a determinados períodos recebem o nome de escoas iterárias. Agora, você vai saber sobre a primeira escoa iterária a ter início no Brasi: o Barroco. Arte e vida
A U L A Barroco Ao mesmo tempo em que o desenvovimento científico se espahava pea Europa do sécuo XVI, por causa das grandes invenções e das grandes navegações, também procurava-se restaurar a cutura medieva num momento em que a reigiosidade era muito importante. Chegou-se então a um confito: por um ado, vaorizava-se o homem e suas invenções, sua capacidade criativa; por outro, vaorizava-se a divindade, a reigião e se fazia a tentativa de coocar Deus novamente no centro das atenções. O artista barroco, fruto desse confito, coocou na sua arte essa duaidade entre o céu e a Terra. Características do Barroco Cuto dos contrastes: o estio Barroco gosta de apresentar contrastes, ou seja, opostos difíceis de conciiar, idéias contrárias coocadas ado a ado: viver e morrer, caro e escuro, bem e ma, espírito e carne, pecado e perdão. Dá-se a isso o nome de antítese. Exempo: Muitos por vias erradas/ têm acertos mui perfeitos, muitos por meios direitos/ não dão sem erro as passadas. Dúvida, tormento: o pensamento Barroco tem poucas certezas e muitas dúvidas. Há uma uta íntima entre o prazer de viver e a repressão exercida principamente pea doutrina reigiosa. Exempo: O prazer com a pena se embaraça; / porém quando um com outro mais porfia, o gosto corre, a dor apenas passa. Brevidade da vida: para os artistas do estio Barroco a vida é breve e está sempre prestes a terminar. O tempo do ser humano está sempre se esgotando. O Barroco é sempre pessimista. Exempo: Goza, goza da for da mocidade, /que o tempo trota a igeira, imprime em toda a for sua pisada. Exagero: ao contrário do artista Cássico, que busca o equiíbrio, o artista Barroco é um exagerado que, portanto, tende ao desequiíbrio tota. Exempo: Ardor em coração firme nascido! Pranto por beos ohos derramado! Incêndio em mares de água disfarçado! Rio de neve em fogo convertido! Principais autores do Barroco no Brasi Gregório de Matos nasceu na Bahia, em 1633 e morreu em 1696. Estudou em Coimbra, Portuga, onde se formou em Direito. De vota à Bahia, tenta seguir a carreira ecesiástica, mas seu modo de viver, muito ivre para a época, causou-he probemas: é deportado para Angoa. Quando vota ao Brasi fica sem o direito de retornar à Bahia, indo morar no Recife. Escreveu poemas reigiosos, íricos e satíricos. Foi apeidado de Boca do Inferno por causa de sua íngua feroz. Veja este poema de Gregório de Matos, de conteúdo reigioso, cheio de idéias confitantes, de antíteses.
A Jesus Cristo Nosso Senhor Pequei, Senhor! Mas não porque hei pecado da vota ata cemência me despedido; antes, quanto mais tenho deinqüido, vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, a abrandar-vos sobeja um só gemido, que a mesma cupa que vos há ofendido, vos tem para o perdão isonjeado. Se uma oveha perdida, já cobrada, gória ta e ta prazer tão repentino vos deu, como afirmais na Sacra História, Eu sou, Senhor, oveha desgarrada. Cobrai-a, e não queirais, Pastor Divino, Perder na vossa oveha a vossa gória. Fonte: Antônio Cândido/J. Aderado Casteo. Presença da iteratura brasieira. São Pauo/Rio de Janeiro, Dife, 980. Pág. 60. Peo fato de o texto ter sido escrito há mais de 300 anos, muitas expressões podem ser suas desconhecidas. Vamos dar o significado de agumas paavras. despir: irar: isonjear: desgarrada: deinqüir: abrandar: Sacra História: cobrar: abandonar deixar com raiva agradar perdida pecar amoecer, acamar Bíbia recuperar, savar A U L A Aqui o autor faz referências à Paráboa do Fiho Pródigo. Se você não a conhece, é fundamenta para o entendimento do texto que a eia, na Bíbia, no Evangeho de Lucas, capítuo 15, versícuos 11 a 32. Outro autor importante do período é o Padre Vieira, que nasceu em Lisboa em 1608, mas aos 6 anos mudou-se para o Brasi. Na Bahia, recebeu instrução básica e ingressou na Companhia de Jesus, ordenando-se padre jesuíta aos 26 anos de idade. Sua fama de grande orador atravessou o mar e chegou a Portuga, onde constantemente pregava para a Corte. Foi um gigante da iteratura da época. Seus Sermões são ainda hoje um exempo de exceente inguagem iterária.