Edição 37 (Março2014) Cenário Econômico: PIB brasileiro cresce 2,3% em 2013 e chega a R$ 4,8 trilhões A economia brasileira cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2013, na comparação com os três meses anteriores, evitando que o País caísse em recessão técnica no final do ano passado O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2013, na comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quintafeira. O valor total das riquezas geradas no Brasil no ano passado alcançou R$ 4,84 trilhões. A economia brasileira cresceu 0,7% no quarto trimestre de 2013, na comparação com os três meses anteriores, evitando que o País caísse em recessão técnica no final do ano passado. Em relação ao quarto trimestre de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) do país registrou crescimento de 1,9%. O país poderia ter entrado em recessão técnica - quando há retração por dois trimestres seguidos - no final do ano passado porque no terceiro trimestre de 2013 o PIB havia encolhido 0,5% sobre o período imediatamente anterior. A última vez que o país viveu essa situação foi no final de 2008 e início de 2009, auge da crise financeira internacional. O resultado do trimestre passado sobre os três meses anteriores veio com a expansão do setor de serviços (0,7%) e do consumo das famílias (0,7%) e do governo (0,8%). Nesta comparação, no entanto, a agropecuária ficou estagnada e a indústria encolheu 0,2%. O fim de 2013 havia surpreendido pelos fracos resultados na indústria e no varejo, que também jogaram água fria sobre as expectativas de recuperação em 2014, um ano eleitoral e que pode dificultar ainda mais a vida da presidente Dilma Rousseff, que vai tentar a reeleição. Em 2013 como um todo, a Formação Bruta de Capital Fixo - medida de investimentos - foi a boa notícia, com crescimento de 6,3% sobre o ano anterior. Também se destacou o setor agropecuário, com alta de 7% no período, mas que tem um peso relativo menor no PIB. Para 2014, os especialistas, segundo última pesquisa Focus do Banco Central, apotam que o PIB deve crescer ainda menos, apenas 1,67%, expectativas que vêm se deteriorando a cada dia. No final do ano passado, elas indicavam crescimento de 2%
Sucroenergético: Apesar do maior aumento de oferta de etanol registrado em todos os tempos em uma única safra, e do volume recorde de cana processada no país na safra 2013/2014, a procura aquecida pelo etanol nas bombas resultou em um aumento no preço do produto entregue pelas usinas nas últimas semanas. O impacto vem sendo notado pelo consumidor mesmo com um estoque de etanol para a entressafra significativamente maior do que o volume disponível durante a entressafra de um ano atrás. Dados apurados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e também apurados e publicados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mostram que o estoque de etanol disponível no início de fevereiro, ou seja, no meio da entressafra que ocorre entre dezembro e março, era mais de 10% superior ao observado no mesmo período um ano atrás. Apesar do volume disponível mais elevado, a demanda pelo consumidor tem sido ainda maior, forçando a alta nos preços. É o mesmo efeito que ocorre pontualmente com outros produtos agrícolas, em períodos de baixa ou nenhuma produção. O etanol consumido hoje foi produzido durante o período de safra, que terminou no final de novembro ou início de dezembro para a grande maioria das usinas do Centro- Sul. Até o início da nova safra, em abril, o consumidor será abastecido por etanol estocado enquanto havia produção, explica o diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues. Dados apurados pela UNICA, o MAPA e demais associações de produtores de etanol do país, confirmam a safra recorde de cana-de-açúcar este ano, que irá atingir cerca de 650 milhões de toneladas, 11% superior ao volume total da safra anterior. O aumento na oferta de cana que levou à produção mais alta foi de 65 milhões de toneladas, praticamente todo ele direcionado para a produção adicional de etanol. O aumento de moagem que ocorreu no Brasil devido à maior oferta de cana é superior a toda a produção de cana-de-açúcar de importantes países produtores. Por exemplo, só os 65 milhões de toneladas adicionais representam 2,5 vezes toda a produção da Austrália e 3,5 vezes a produção da África do Sul, explica Rodrigues. Graças à disponibilidade maior de cana, a produção de etanol aumentou quase 20% no país, atingindo quase 28 bilhões de litros na atual safra. O incremento de oferta do biocombustível foi superior a 4 bilhões de litros, enquanto as exportações caíram quase 1 bilhão de litros, ampliando ainda mais a oferta de etanol para o mercado interno.
No total, o aumento da oferta de etanol para o mercado doméstico superou 5 bilhões de litros. Foi o maior incremento de oferta interna em um único ano já visto no Brasil, o que contribuiu significativamente para o mercado interno de combustíveis, disse o diretor da UNICA. Ele destaca que esse aumento de oferta foi suficiente para atender todo o crescimento do consumo de combustíveis para veículos leves no País, o que evitou novas importações de gasolina. No ano safra 2012/2013, as importações de gasolina atingiram 4,2 bilhões de litros segundo a Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), gerando um déficit de US$3,2 bilhões na balança comercial brasileira. Graças ao aumento na oferta de etanol, também foi possível retornar a mistura de etanol anidro na gasolina ao patamar de 25% a partir de maio de 2013. Isso permitiu um ganho adicional de 10% na capacidade brasileira de refino de gasolina, o que representa mais de 200 milhões de litros adicionais oferecidos mensalmente no mercado doméstico. O aumento recorde de produção registrado pelo setor sucroenergético na atual safra, atingido apesar da falta de rentabilidade para os produtores, é um reflexo do esforço permanente do setor para reduzir a capacidade ociosa nas usinas Estiagem afeta a produção de cana em São Paulo A falta de chuva prejudicou o desenvolvimento dos canaviais na região de Araçatuba, em São Paulo. Já tem agricultor preocupado com o fechamento das contas no fim da safra. Em uma propriedade é bem visível o que a falta de água causou à plantação. As folhas estão bem amareladas e miúdas. A planta cresceu menos da metade do esperado para esta época do ano e a seca atingiu a lavoura exatamente no período de desenvolvimento, entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Soja: O clima esteve mais favorável às lavouras de soja na semana passada. Chuvas foram registradas em quase todas as regiões produtoras, mas o volume hídrico ainda é deficitário em alguns estados, como São Paulo e Minas Gerais. Segundo pesquisadores do Cepea, no Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as chuvas vieram em bons volumes, mas, para os dois primeiros estados, ainda há necessidade de que as precipitações sejam mais constantes para que não prejudique o desenvolvimento do grão da atual safra. Segundo a Emater/RS, as chuvas das últimas semanas favoreceram a manutenção da umidade do solo das lavoras gaúchas. Assim, o grão tem se
desenvolvido de forma satisfatória. Até o último dia 20, da área semeada, 1% já havia sido colhida. Para o Paraná, de acordo com o Deral/Seab, até o dia 16, cerca de 32% da área de soja safra 2013/14 já havia sido colhida. (Fonte: CEPEA) Milho: Seca causou perdas em 31% das lavouras de milho em Minas Gerais Nesta quarta-feira (26), os contratos do milho negociados na BM&F trabalham do lado positivo da tabela. As preocupações com o clima em importantes regiões produtoras de milho permanecem sendo o principal fator de suporte aos preços no mercado futuro e interno. O tempo seco comprometeu boa parte da safra de verão, principalmente, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Somente no Vale do Paranapanema (SP), as perdas na produtividade das lavouras na primeira safra podem ser superiores a 60%. A evolução do plantio da safrinha também sendo comprometido pelas adversidades climáticas, uma vez que, em algumas localidades, como o Oeste do Paraná, as chuvas ainda são esparsas e em alguns municípios de Mato Grosso já decretaram estado de emergência em função do excesso de precipitações. Em muitas regiões, o período ideal de plantio já se encerrou ou termina no final dessa semana. No entanto, produtores relatam que, mesmo com o risco climático maior, irão fazer a semeadura do grão após esse prazo, pois as sementes e insumos já foram adquiridos. Para o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, mais da metade da safrinha poderá ser plantada fora da janela ideal. Já a demanda pelo produto permanece aquecida no mercado interno, porém os agricultores estão mais cautelosos nas vendas. Ainda na visão consultor, a oferta de milho ainda é baixa e o espaço para baixas nos preços é pequeno, em virtude, dos problemas climáticos. Para o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, as vendas estão abaixo do volume costumeiro, especialmente, no mercado da região Sudeste. "É um ano que ficou aberto em relação aos preços, nos últimos anos, os embarques de milho brasileiro estão crescendo, os exportadores estão com preços abertos para junho, julho e agosto. Há uma competição entre mercado interno e mercado externo", ressalta Molinari.
As principais posições do milho negociadas na BM&F registram valorizações de pouco mais de 0,15%. O contrato março/14 é negociado a R$ 34,00. Já no mercado físico, os preços giram em torno de R$ 35,50 em Campinas (SP) CIF, em Campo Mourão (PR) a R$ 27,00. Em Chicago, os futuros do milho operam com leves ganhos nesta quarta-feira (26). Por volta das 1209 (horário de Brasília) as principais posições da commodity exibiam altas entre 0,50 e 1,00 pontos. O contrato março/14 era negociado a US$ 4,56 por bushel. A situação climática no Brasil e na Argentina permanece sendo observadas pelo mercado internacional de grãos, assim como, a crise política e econômica na Ucrânia, dando suporte aos preços futuros. Além disso, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou nesta quarta-feira a venda de 101.600 toneladas de milho norte-americano para destinos não revelados. O volume deverá ser entregue durante a temporada 2013/14. Ainda de acordo com analistas, o mercado ainda busca se consolidar depois das projeções iniciais de aumento na produção de milho nos Estados Unidos na temporada 2014/15 e na redução da área cultivada. As informações foram divulgadas na última semana, durante o Fórum Anual Outlook.