CONFLITOS DE INTERESSE:



Documentos relacionados
Anfetaminas A anfetamina é uma droga sintética de efeito estimulante da atividade mental. A denominação anfetaminas é atribuída a todo um grupo de

Drogas de Abuso. Equipe de Biologia

MACONHA: POR QUE NÃO LIBERAR?

AS DROGAS E SEUS EFEITOS NO ORGANISMO

Há 18 anos a Dana Alliance for Brain Initiatives, tem por objetivo ampliar a consciência pública sobre a importância e os avanços das pesquisas sobre

Os Benefícios da Atividade Física no Tratamento do Transtorno no Uso de Drogas

Dolosal. cloridrato de petidina. Solução injetável 50 mg/ml. Cristália Prod. Quím. Farm. Ltda. MODELO DE BULA PARA O PACIENTE

DORNOT (cloridrato de petidina)

Comunidade Pastoral ADOECIDOS PELA FÉ?

FARMACOCINÉTICA FARMACODINÂMICA FARMACOCINÉTICA CONCEITOS PRELIMINARES EVENTOS ADVERSOS DE MEDICAMENTOS EAM. Ação do medicamento na molécula alvo;

AMOR, SEXO E DROGAS. Facilitadora: Claudia Pedral. Abril/11

Cocaína. COCAÍNA Histórico. Cocaína. Cocaína. Cocaína

FapMagazine Página 1

Psicopatologia do Uso Abusivo de Álcool e Outras Drogas

A D R E N A L I N A a molécula da ação

DROGAS VASODILATADORAS E VASOATIVAS. Profª EnfªLuzia Bonfim.

FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE PIRACICABA - UNICAMP

ANESTESIA NO PACIENTE SOB EFEITO DE DROGAS SINTÉTICAS. ECSTASY

PRINCIPAIS SINTOMAS E SINAIS DE CONDUTA DOS USUÁRIOS PESADOS DE DROGAS

Benefícios Fisiológicos

Faculdades Integradas de Taquara

Aperfeiçoamento em Técnicas para Fiscalização do uso de Álcool e outras Drogas no Trânsito Brasileiro

Aperfeiçoamento em Técnicas para Fiscalização do uso de Álcool e outras Drogas no Trânsito Brasileiro

Biofísica Estudo Dirigido: Mecanismo de Ação de Drogas Prof. Dr. Walter F. de Azevedo Jr Dr. Walter F. de Azevedo Jr.

Pressão Arterial. Profª. Claudia Witzel

DROGAS. Cláudia Basílio AGRUPAMENTO DE ESCOLAS D. NUNO ÁLVARES PEREIRA. Tomar, Maio de 2011 MESTRADO EM ENFERMAGEM DE SAÚDE MENTAL

Inteligência Emocional + Coaching = Alta Performance Pessoal e Profissional

USO DE ANESTÉSICOS LOCAIS EM PACIENTES COM ALTERAÇÕES CARDIOVASCULARES. COMO SELECIONAR UMA BASE ANESTÉSICA?

Dependência Química Transtorno por Uso de Substâncias Por Silvia Tavares Cabral

AFFRON 30 cápsulas 13/11/2017

Sistema Nervoso Cap. 13. Prof. Tatiana Setembro / 2016

NEUROTRANSMISSORES MÓDULO 401/2012. Maria Dilma Teodoro

Desenvolvidos na década de 60, os primeiros foram clordiazepóxido e diazepam.

IMIPRAMINA HCL. Antidepressivo Tricíclico

Coordenação Nervosa Cap. 10. Prof. Tatiana Outubro/ 2018

Medicações de Emergências. Prof.º Enfº Diógenes Trevizan Especialista em Docência

I Características Técnicas e Funcionais do Curso

Classificação e Características do Tecido Nervoso

CRACK. Alexandre de Araújo Pereira. Psiquiatra Mestre em Educação Médica ENSP/UECE Docente da Faculdade de Ciências Médicas UNIFENAS BH/ IPEMED

Os Benefícios da Atividade Física no Tratamento da Dependência Química. Benefícios Fisiológicos

PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM EM UTI E URGÊNCIA/ EMERGÊNCIA

1-Estimulantes psicomotores. 1.3-metilxantinas: cafeína, teobrobina, teofilina

Efeitos Neuropsicológicos ao longo da vida. Maria Alice Fontes, Psy. Ph.D.

Prof: Dr. Robson Azevedo Pimentel Psiquiatra da Clínica Jorge Jaber

CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS

III Jornada Regional sobre drogas ABEAD/MPPE ENTENDENDO O TABAGISMO: A DEPENDÊNCIA E O TRATAMENTO

SISTEMA LÍMBICO AS BASES NEURAIS DA EMOÇÃO

Centro Universitário Maurício de Nassau Curso de Psicologia Disciplina de Neurofisiologia

Toxicologia dos fármacos e drogas que causam dependência. Unidade C Toxicologia Ambiental

Transtornos relacionados ao uso de substâncias

do reconhecimento de expressões faciais. Outras abordagens teóricas

ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA NÃO INVASIVA. Maria da Graça Lopes Tarragó 2013

Neste texto você vai estudar:

Drogas do Sistema Nervoso Central

Aluno(a): N o : Turma:

A morfina é um opióide natural derivado do fenantreno. A morfina é a droga utilizada como medida central para comparação entre opióides.

Organização de serviços. Coordenação: prof. Dr. Ronaldo Laranjeira Apresentação: Dr. Elton P. Rezende UNIAD INPAD Unifesp

ECSTASY FARMACOLOGIA E COMPLICAÇÕES RELACIONADAS AO CONSUMO MARCELO RIBEIRO UNIDADE DE PESQUISA EM ÁLCOOL E DROGAS (UNIAD)

Drogas Vasoativas. Drogas Vasoativas. ticos. Agentes Simpatomiméticos. ticos. ricos, São substâncias que apresentam efeitos vasculares periféricos,

Depressão e Exercício

Estresse: Teu Gênero é Feminino... Dr. Renato M.E. Sabbatini Faculdade de Ciências Médicas UNICAMP

BIOQUÍMICA DA DEPRESSÃO

DROGAS DE ABUSO. Carlos Eduardo Biólogo Neuropsicólogo Mestre-Farmacologia UFC

Álcool e Drogas na Terceira Idade. UNIAD/UNIFESP Elton Pereira Rezende GERP.13

Como a cocaína é consumida Os efeitos imediatos e tardios do consumo contínuo da cocaína Outros nomes para a cocaína Classificação do tipo de droga

Aspectos psicossociais relacionados ao uso de drogas na adolescência

O que são drogas? Drogas Naturais Drogas Sintéticas Drogas Semi-sintéticas. Drogas. Prof. Thiago Lins do Nascimento.

CONCEITO FALHA CIRCULATÓRIA HIPOPERFUSÃO HIPÓXIA

Sistema Límbico. Prof. Gerardo Cristino. Aula disponível em:


Os danos neuropsicológicos causados pelo uso crônico do crack

Curso de Formação de Terapeutas em Dependência Química 2018 MÓDULO I

P ERGUNTAR ( o máximo possível):

DIVISÕES DO SISTEMA NERVOSO ENCÉFALO AUTÔNOMO VOLUNTÁRIO

DROGAS DE ABUSO. Profa. Dra. Eline Matheus

FORMA FARMACÊUTICA E APRESENTAÇÃO Solução oral. Embalagem contendo um frasco com 120 ml. Acompanhado do copo de medida.

ENFERMAGEM SAÚDE DO IDOSO. Aula 8. Profª. Tatiane da Silva Campos

Clínica Neurofuncional

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR

Alcoolismo. Os problemas ligados ao álcool têm vindo a assumir uma gravidade crescente.

Dra Marcella Rabassi de Lima Endocrinologista pediatra-fepe

AULA 7 BENZODIAZEPÍNICOS E HIPNÓTICOS FARMACOTERAPIA DOS DISTÚRBIOS NEUROLÓGICOS. Prof. Márcio Batista

Encéfalo. Aula 3-Fisiologia Fisiologia do Sistema Nervoso Central. Recebe informações da periferia e gera respostas motoras e comportamentais.

Antipsicóticos 27/05/2017. Tratamento farmacológico. Redução da internação. Convivio na sociedade. Variedade de transtornos mentais

Tipos de DROGAS. sob controle internacional

Sistema Involuntário. Controla e Modula as Funções Viscerais. Neurônio Pré Ganglionar. Neurônio Pós Ganglionar. Parassimpático.

Capítulo. Alterações da Glicemia 18 e Diabetes Mellittus. Capítulo 18. Alterações da Glicemia e Diabetes Mellitus 1. OBJETIVOS

Afinal de contas, o que é ansiedade? Mas ser ansioso não é normal? Ansiedade é uma doença?

Como a droga é consumido

DROGAS Na ADOLESCÊNCIA

Transcrição:

CONFLITOS DE INTERESSE: Altair Marcelo Tavares, MD Psiquiatra Psicogeriatra Psicoterapeuta Diretor de Comunicação do Curso de Especialização em Psiquiatria do Centro de Estudos Cyro Martins - CCYM

O PREÇO DO CRACK: A NEUROIMAGEM DA DEPENDÊNCIA

Breve histórico: Álcool = registros de uso há cerca de 10.000 anos. Cannabis = registros de uso há mais de 8.000 anos. Ópiun = registros de uso há cerca de 6.000 anos. Morfina = isolada em 1804 Heroína = sintetizada em 1874 Cocaína = registros de uso há mais de 5.000 anos. crack apareceu nos EUA em 1985, New York, L.A., Miami. No Brasil conhecido nos anos de 1990, em São Paulo.

O crack = conversão do cloridrato de cocaína para base livre. C17H21NO4 + H2O + NaHCO3 = Forma mais viciante e a mais viciante das drogas. 6 x + potente que a cocaína. Dependência ao 1º contato. Absorção instantânea 10 a 15 segundos, seus efeitos podem durar de 5 a 15 minutos (CARLINI et al., 2001). O rápido efeito está associado à velocidade com que a droga afeta o organismo e não com a quantidade ingerida pelo usuário. (LAMBERT; KINSLEY, 2006).

26 capitais, o Distrito Federal, nove regiões metropolitanas e municípios de médio e pequeno porte. 14% com antecedentes de envolvimento em assalto/roubo (9,2%), furto/fraude/invasão de domicílio (8,5%) e tráfico ou produção de drogas (5,5%). 98% dos municípios pesquisados existiam problemas relacionados com o crack, inclusive naqueles com menos de 20.000 habitantes. (Confederação Nacional dos Municípios Brasileiros,2011).

Neurotransmissores - O crack inibe a recaptação pré-sináptica de dopamina, noradrenalina e serotonina - que são responsáveis pelo pensamento, planejamento, controle de impulsos. Sensações de prazer e poder - ficam acumulados. Cérebro: o crack destrói as áreas responsáveis pelo planejamento e controle dos impulsos. Ocorre prejuízo nas funções cognitivas - déficits de atenção, concentração, memória e aprendizagem, formação de conceitos e funções executivas; duradouros ou mesmo irreversíveis. (RODRIGUES; CAMINHA; HORTA, 2006).

Efeitos: euforia, suor, taquicardia, calafrios, diminuição da fadiga, hipertensão arterial, vaso espasmos, pupilas dilatadas, olhos protusos, tremores, crises convulsivas. Uso contínuo: isquemias, infarto do miocárdio, arritmias, lesão neuronal, atrofia cortical, perturbações comportamentais, agressividade, alucinações, delírios, comportamento bizarro, hipervigilância, morte. (RODRIGUES; CAMINHA; HORTA, 2006).

O crack atua diretamente no Sistema de Recompensa Cerebral (SRC) - centro do prazer - composto pelo córtex pré-frontal, núcleo accumbens e área tegumentar ventral. Responsável pelas recompensas naturais advindas de comportamentos repetitivos que causam prazer. (FIGLIE; BORDIN; LARANJEIRA, 2004). Comportamento Crítica recompensa memória

DANOS: O abuso de cocaína/crack está associado com importante parcela dos acidentes vasculares cerebrais, vasculites do SNC, edema extensos, demência, alterações comportamentais e convulsões em pacientes jovens.

Crack adulterado potencializa os danos. O estudo com fios de cabelo de 100 usuários de crack - Cratod - SP, 2016 Adulterantes encontrados: 1 - lidocaína (em 92% das amostras). 2 - fenacetina (69%) - analgésico e anti-inflamatório ilegal no Brasil, associado a insuficiência renal, nefrite e câncer. 3- levamisol (31%) - vermífugo associado à diminuição dos glóbulos brancos, potencializa incidência de CA de nariz e orelha. 4 - benzocaína (19%) 5 -procaína (5%) 6 - hidroxizina (2%).

Alterações neurobiológicas do uso de crack: 1. Diminui o consumo de glicose pelo cérebro no uso continuado. 2. Diminuição aguda do fluxo sanguíneo para o córtex pré-frontal e núcleos da base (comportamentos e recompensa) = gera maior dependência. 3. Diminuição de receptores dopaminérgicos. 4. Diminuição da integridade da substância branca na região do córtex frontal (impulsividade).

Neuroimagem do crack/cocaína:

A imagem do crack - Morte anunciada: Um em cada três usuários de crack morre nos primeiros cinco anos de consumo da droga. Unifesp 2010.

A IMAGEM DO CRACK

MUITO OBRIGADO