ENSAIOS E CIÊNCIA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, AGRÁRIAS E DA SAÚDE



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Transcrição:

ENSAIOS E CIÊNCIA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS, AGRÁRIAS E DA SAÚDE PLANTAS MEDICINAIS Uso e cultivo domiciliar no município de Bauru-SP Lilian Cristiane Pisano, Giovana de Azevedo Paiva, Gleice dos Santos Pizelli e Jackeline Duim Ferreira Faculdade Anhanguera de Bauru RESUMO: O uso de plantas medicinais é uma prática secular, baseada no conhecimento popular. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, grande parte da população utiliza desses recursos com a finalidade de suprir necessidades de assistência médica privada. Essas plantas são utilizadas no tratamento de enfermidades e prevenção de doenças, no entanto, grande parte da população faz uso sem conhecimento científico, ou seja, sem orientação de profissionais. O uso incorreto e indiscriminado pode trazer problemas à saúde humana, já que essas possuem princípios tóxicos. Para avaliar o uso e cultivo das plantas medicinais no município de Bauru, foi aplicado um questionário, em três bairros de classe média do município, sendo eles: Parque Granja Cecília, Parque Nova Bauru e Jardim Bela Vista, com objetivo de investigar o uso e cultivo domiciliar de fitoterápicos como tratamento inicial às enfermidades. Dos 300 entrevistados, 64,67% disseram fazer uso de plantas medicinais. Das pessoas que fazem uso de plantas medicinais, 41% utilizam para tratamento de enfermidade, enquanto 10% usam como meio preventivo. Os demais motivos estão distribuídos em hábito 27%, por não fazer mal a saúde 16% e 6% por ser um tratamento barato. PALAVRAS-CHAVE: Plantas medicinais, fitoterápicos, medicina popular. KEYWORDS: Herbs, herbal remedies, folk medicine. ABSTRACT: The use of medicinal plants is a secular practice, based on popular knowledge. According to World Health Organization, most of the population uses these resources in order to meet the needs of private healthcare. These plants are used in the treatment of diseases and prevention of disease, however, most of the population without scientific uses, ie, without orientation of professionals. The indiscriminate and incorrect use can cause problems to human health, since these are toxic principles. To evaluate the use and cultivation of medicinal plants in the city of Bauru, a questionnaire was administered in three middle-class neighborhoods of the city, namely: Cecilia Park Farm, Park and Garden New Bauru Bela Vista, in order to investigate the use and home cultivation of herbal medicines as an initial treatment to disease, 300 interviews were conducted, 64.67% of these make use of medicinal plants. 41% use for the treatment of disease, while 10% do as preventive measure. The other reasons are distributed in 27% habit, not to harm the health 16% and 6% for being an inexpensive treatment. Artigo Original Recebido em: 24/07/2012 Avaliado em: 13/08/2012 Publicado em: 14/05/2014 Publicação Anhanguera Educacional Ltda. Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE Correspondência Sistema Anhanguera de Revistas Eletrônicas - SARE rc.ipade@anhanguera.com v.16 n.6 2012 p.141-150

Plantas Medicinais - Uso e cultivo domiciliar no município de Bauru-SP 1. INTRODUÇÃO O desenvolvimento histórico das sociedades humanas esteve ligado ao uso dos recursos naturais que os povos possuíam ao seu dispor, foram desses recursos selecionados as plantas, úteis para suprir as mais diversas necessidades alimentares, produção de venenos, preparação de remédios, entre outros (CUNHA 2005). As plantas medicinais são as mais antigas armas utilizadas no tratamento de enfermidades, elas assumem em nossa sociedade um significado importante principalmente quando destacado seu potencial genético para o desenvolvimento de novas drogas, no ramo farmacêutico através de sua comercialização e como um acesso primário à saúde (SILVA 2002). Além disso, nos países industrializados, o interesse pelas terapias naturais tem aumentado significativamente, expandindo assim o uso de plantas medicinais e fitoterápicas (WHO, 2001 apud BRASIL, 2006). No Brasil com clima tropical, existem diversas espécies de plantas medicinais de uso local, muitas delas são produzidas em residências promovendo um custo-benefício para a população (SANTOS, 1995). População essa que apresenta diversas opiniões e valores sobre a medicina popular. Trata-se de conhecimentos e práticas, que são respeitadas pela população e incorporadas nos hábitos, nas tradições e nos costumes. Isso pode ser comprovado através de dados da Organização Mundial de Saúde que afirma que 80% da população dos países em desenvolvimento utilizam-se da medicina popular. Muitas vezes o conhecimento sobre plantas medicinais é o único recurso terapêutico de muitas comunidades, mas atualmente ocorre o uso associado com medicamentos sintéticos, com isso parte da cultura popular foi depreciada (REZENDE, 2002). Essas populações dependem, em grande parte, dos chamados profissionais tradicionais para a cura de seus problemas de saúde, pelas dificuldades no acesso á assistência médica que não tem suas necessidades atendidas, especialmente à alopática, sejam por questões de entendimento sobre a realidade social ou até mesmo por aspectos culturais (SILVA, 2002), que são parcialmente supridas pelo uso das plantas medicinais e também por opção pessoal (REZENDE, 2002). O aproveitamento correto e adequado dos princípios ativos das plantas medicinais exige o preparo correto, para cada parte a ser usada ou doença a ser tratada, existe uma forma de uso mais adequada (ARNOUS, 2005). No entanto, é comum uma espécie apresentar várias designações, além de apresentarem substâncias tóxicas responsáveis pelos acidentes domésticos que resultam nas intoxicações pelo uso inadequado. Em 2007 um estudo realizado em uma comunidade no interior do estado de São Paulo, observou que 31,25% das plantas medicinais foram utilizadas de modo contrário à sua finalidade (MACEDO, 2007). 142 Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde

Lilian Cristiane Pisano, Giovana de Azevedo Paiva, Gleice dos Santos Pizelli e Jackeline Duim Ferreira Fato como esse, reforça a importância da informação e orientação que deve ser prestada a população. Os serviços públicos podem contribuir através de estratégias e programas que tragam conhecimentos às comunidades que fazem uso da fitoterapia (FERREIRA, 2006). 2. OBJETIVO 2.1 Objetivo Geral Analisar o interesse pelo uso e cultivo de plantas medicinais, relacionando com o perfil socioeconômico dos moradores de três bairros do município de Bauru SP. 2.2 Objetivos Específicos Verificar o uso de plantas medicinais em comunidades urbanas do município; Analisar o interesse em cultivo de plantas medicinais pelos moradores dos diferentes Bairros do município; Identificar os moradores que recorre aos fitoterápicos como tratamento inicial às enfermidades; Comparar o uso de plantas medicinais com a presença de plano de saúde ou posto de saúde no Bairro. 3. METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo-descritivo (CERVO et al, 2010), no qual os dados foram obtidos por meio de visitas domiciliares. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de um questionário formulado pelos próprios autores do projeto, contendo 08 questões abertas e 3 fechadas as quais abordam idade, profissão, se faz uso de plantas medicinais, o motivo que levou ao uso, quem recomendou e se possui plano de saúde e posto de saúde no bairro. Foram selecionados três bairros no Município de Bauru, sendo dois bairros de classe média-baixa (Parque Granja Cecília e Parque Nova Bauru) e um bairro de classe média (Jardim Bela Vista) os quais serviram de amostras para a aplicação do questionário (Figura 1). Para cada bairro foram selecionados 100 domicílios aleatoriamente. Como critério de inclusão participou da entrevista os moradores maiores de 18 anos que aceitaram participar da pesquisa assinando o termo de consentimento livre e esclarecido. Além disso, estabelecimentos comerciais, instituições de ensino e edificações em construção não fizeram parte da pesquisa mesmo quando utilizados como moradia. v.16 n.6 2012 p.141-150 143

Plantas Medicinais - Uso e cultivo domiciliar no município de Bauru-SP Figura 1: Bairros amostrados no Município de Bauru-SP. 4. DESENVOLVIMENTO O consumo de plantas medicinais no Brasil é amplo, contudo, existem informações incorretas relativas a essa prática, tanto na população com baixo grau de instrução, quanto por indivíduos com informação superior, gerando uso incorreto das mesmas, o que muitas vezes resulta no agravamento de patologias já existentes (SILVA 2004). Macedo et al (2007) analisou a ocorrência do uso de plantas medicinais por moradores de um bairro do município de Marília-SP. Foram entrevistados moradores de 150 residências. Os resultados mostraram que 19,34% dos moradores cultivavam plantas medicinais. A indicação do uso foi de 55,17% por amigos/parentes, 13,79% por TV/Rádio, 13,79% por cultura/crenças, 6,89% não responderam e apenas 10,34% por prescrição médica. Das plantas medicinais encontradas, 31,25% eram utilizados de modo contrário à sua finalidade. Dos moradores entrevistados, 41,37%apresentavam idade acima de 46 anos e 31,03% possuía ensino superior completo. No Estado de Minas Gerais, foi realizado um levantamento etnobotânico para analisar as principais formas de utilização das plantas na região. Levantaram-se em 37 áreas de amostragens, 527 indivíduos, pertencentes a 55 famílias, 115 gêneros e 167 espécies. As principais formas de consumo nessa região são os chás, em infusão. Sendo que os mais consumidos são aqueles relacionados á cura de enfermidades. Além disso, observou-se que na população de baixa renda os remédios quimioterápicos estão sendo substituídos pelos fitoterápicos para a cura dessas enfermidades (RODRIGUES, 2001). 144 Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde

Lilian Cristiane Pisano, Giovana de Azevedo Paiva, Gleice dos Santos Pizelli e Jackeline Duim Ferreira Ainda no Estado de Minas Gerais, foram realizadas 500 entrevistadas incluindo a zona urbana do Município de Datas/MG e os Distritos da zona rural com o objetivo de verificar o conhecimento e o uso popular de plantas medicinais, estimar a satisfação com esta terapia e identificar meios de obtenção e utilização. Destes, 83,6% acreditam que o tratamento com plantas medicinais seja eficaz e 78,5 % das pessoas cultivam algumas plantas medicinais em seus quintais e jardins. Na maioria dos entrevistados (72%), foi verificada economia de baixa renda. No entanto, não há informação suficiente em relação às formas de preparo das plantas medicinais revelando o fato de que na maioria das vezes a planta é utilizada de forma errônea (ARNOUS, 2005). Já no Estado do Paraná, município de Guamirim, foi realizado um levantamento das plantas medicinais utilizadas pela comunidade rural a fim de conhecer o uso, parte usada e forma de preparo dessas plantas medicinais. Através de questionários foram selecionados 18 propriedades com cultivo de plantas medicinais. Foram coletadas 49 espécies de plantas que geralmente são utilizadas para a cura de problemas estomacais e usadas como calmante. (JACOBY, 2002). Mais ao sul do Brasil, no município de Porto Alegre/RS foi realizado um levantamento das plantas utilizadas como medicinais por moradores do bairro Ponta Grossa. As entrevistas, em forma de questionário, apontaram que os moradores que não têm o hábito do cultivo ou jardim próprio, obtêm as plantas com vizinhos ou parentes. Os chás também aparecem como a principal forma de utilização. As doenças e/ ou sintomas mais mencionados foram os relacionados ao aparelho digestório e respiratório. 5. RESULTADOS Dos 300 moradores entrevistados, 69% são do sexo feminino e 31% do sexo masculino. O maior número de mulheres pode ter ocorrido em conseqüência do horário em que as entrevistas foram realizadas (9 h às 12 h e 14h às 17h). As pessoas entrevistadas apresentaram idade entre 18 e 87 anos. Dentre elas 64,67 %, declararam fazer uso de algum tipo de planta medicinal (Figura 2). No estudo realizado no Município de Bauru - SP por Annichino et al (1986), apenas 10,8% da população estudada não faziam uso de plantas medicinais. Contrariando esses dados, no estudo de Macedo et al (2007), 80,66% dos entrevistados não faziam uso de plantas medicinais. v.16 n.6 2012 p.141-150 145

Plantas Medicinais - Uso e cultivo domiciliar no município de Bauru-SP Figura 2: Uso de plantas medicinais nos três bairros amostrados do Município de Bauru-SP. No presente estudo, o cultivo foi mencionado por 46 moradores (15,35%), comparado com a pesquisa de Vendruscolo & Mentz (2006) 86,2% dos moradores cultivavam as plantas em seus domicílios. Para os que declararam fazer uso das plantas medicinais 40,7% utilizam para tratamento de enfermidades e 9,8% como meio preventivo a alguma patologia, ou seja, 50,5% dos entrevistados na atual pesquisa fazem uso por motivos de saúde. Dados semelhantes foram encontrados em estudo realizado no interior do Estado do Paraná,no qual a comunidade utiliza das plantas para diferentes tratamentos entre eles, estômago, gripe e garganta (JACOBY, 2002). Os demais motivos encontrados, no que se refere ao uso de plantas medicinais, estão distribuídos em hábito 26,8%; 15,96% por não fazer mal a saúde e 6,18% por ser um tratamento mais barato (Figura 3). Figura 3: Motivo pelo uso de plantas medicinais nos bairros amostrados do Município de Bauru-SP 146 Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde

Lilian Cristiane Pisano, Giovana de Azevedo Paiva, Gleice dos Santos Pizelli e Jackeline Duim Ferreira O bairro Jardim Bela Vista, mesmo possuindo renda maior que os demais, 70% dos moradores entrevistados fazem uso de plantas medicinais mesmo possuindo plano de saúde (33%). O estudo de Macedo et al. (2007), observa fator semelhante, onde a maior utilização ocorreu entre os indivíduos cuja renda familiar excedia cinco salários mínimos. O bairro Parque Granja Cecília e o Parque Nova Bauru aparecem em segundo lugar com a mesma quantidade de entrevistados que utilizam plantas medicinais (62%). No entanto, o bairro Parque Nova Bauru, o qual é caracterizado por moradores de baixa renda, 67% dos entrevistados possuem plano de saúde (Figura 4 ). Esse fator pode estar relacionado à ausência de serviço público de saúde. A mesma característica se repete no bairro Parque Granja Cecília que apresenta 54% dos moradores com investimento em Plano de Saúde. Porém, mesmo possuindo plano de saúde, os moradores recorrem às plantas medicinais como tratamento de enfermidades, e esse dado não é caracterizado por ser mais barato, já que apenas 6% declararam fazer uso por ter um custo menor. No trabalho realizado por Arnous et al (2005), a economia de baixa renda também esteve presente na maioria dos entrevistados e nesse caso os autores sugerem que isso esteja relacionado a tratamentos de baixo custo ou que não façam mal à saúde. Apenas o bairro Jardim Bela Vista possui posto de saúde, e dentre os entrevistados, 37% recorrem às plantas medicinais para tratamento de enfermidades, contra 47% do bairro Parque Nova Bauru, que não possui posto de saúde. Quanto à presença de Posto de Saúde no Bairro, 67% dos entrevistados não possuem postos de saúde, 12% possuem, mas não freqüentam e 21% possuem postos de saúde e freqüentam (Figura 5). Figura 4: Moradores que fazem uso de plantas medicinais mesmo possuindo Plano de Saúde v.16 n.6 2012 p.141-150 147

Plantas Medicinais - Uso e cultivo domiciliar no município de Bauru-SP Figura 5: Moradores que possuem posto de saúde nos três bairros amostrados do Município de Bauru SP. Quanto às indicações que levaram o entrevistado ao uso, 72,16% refere-se á parentes, (Figura 6). Arnous et al (2005) observou que dos entrevistados do município de Datas- MG, 84,5% afirmaram ter aprendido sobre as plantas medicinais pela indicação de seus ascendentes a mesma observação foi feita por Macedo et al (2007). A indicação por um profissional da saúde (farmacêutico, médico) é de menor relevância, nesse caso apenas 1% da amostra de moradores relatou ter obtido a indicação de um médico e apenas 6% tiveram a indicação de um farmacêutico. No trabalho realizado por Arnous et al (2005) apenas 0,2% relatou ter aprendido com um profissional de saúde. As demais formas de indicação referem-se principalmente à revista e internet com 6% dos casos seguido por amigos 9%. Os meios de comunicação mais freqüentes observados por Macedo et al (2007) foram Tv/Rádio (13,79%). Figura 6: Indicação para uso de Plantas Medicinais nos bairros amostrados do Município de Bauru-SP 148 Ensaios e Ciência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Lilian Cristiane Pisano, Giovana de Azevedo Paiva, Gleice dos Santos Pizelli e Jackeline Duim Ferreira No presente estudo, o cultivo de plantas medicinais não se apresentou como a principal forma de obtenção dessas pela comunidade. Isso pode ter ocorrido devido ao aumento do comércio informal de plantas medicinais, além do maior acesso da população aos medicamentos industrializados. Sendo a internet atualmente o maior meio de informação, nesse caso em especial, não foi uma ferramenta muito utilizada para aquisição de informações sobre o tema aqui pesquisado. As indicações transmitidas de pessoa a pessoa tiveram maior poder de influência até mesmo em comunidades com rendas mais favorecidas. Um dos fatores preocupantes é quanto ao tratamento de enfermidades, observa-se que mesmo tendo acesso à saúde pública ou privada, a comunidade opta por recorrer às plantas medicinais o que, quando feito de forma indiscriminada, pode provocar agravamento da enfermidade existente. REFERÊNCIAS ANNICHINO G.P. et al: Medicina caseira em sete localidades da região de Bauru, SP. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/csp/v2n2/v2n2a04.pdf>. Acesso em 02 de mai. 2014. ARNOUS, A.H. SANTOS, A.S; BEINNER, R.P.C Plantas Medicinais de uso Caseiro - Conhecimento Popular e Interesse por cultivo comunitário, 2005. Disponível em: < www.ccs.uel. br/espacoparasaude/v6n2/plantamedicinal.pdf> Acesso em 19 de dez. de 2010. BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em <http://www.ibge.gov.br/ home/estatistica/pesquisas/pesquisas.php>. Acesso em 17 jan. 2011.. Ministério da Saúde: Política Nacional de Plantas medicinais e Fitoterápicos, 2006. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_fitoterapicos.pdf >. Acesso 03 mai. 2011. CERVO A. L. et al. Metodologia Científica. 6. ed. São Paulo:Pearson, 2010. CUNHA, A. P. Farmacognosia e Fitoquímica: Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 2005. FERREIRA, M.G.R. Aspectos Sociais da Fitoterapia: EMBRAPA, agosto de 2006. Disponível em: < http://www.cpafro.embrapa.br/media/arquivos/publicacoes/doc102_fitoterapia_.pdf>. Acesso em 17 dez. 2010. JACOBY, C; COELHO, E. M, ett all. Plantas Medicinais utilizadas pela comunidade rural de Guamirim, município de Irati, PR, 2002. Disponível em: < http://www.unicentro.br/editora/ revistas/recen/v4n1/plantas.pdf>.acesso em 17 jan. 2011. MACEDO, A.F.; Oshiiwa, M.; Guarido, C.F. Ocorrência do uso de plantas medicinais por moradores de um bairro do município de Marília, SP. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada. Marília, v. 28, n.1, p.123-128, 2007. Disponível em <http://www.fcfar.unesp.br/revista_ pdfs/vol28n1/trab15.pdf>. Acesso em 05 set. 2014. REZENDE, H.A. COCCO, M.I.M. A utilização de fitoterapia no cotidiano de uma população rural. Rev Esc Enferm. USP 2002; 36(3): 282-8. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/reeusp/ v36n3/v36n3a10> Acesso em 12 ago. 2011. RODRIGUES, V.E.G, CARVALHO, D.A. Levantamento Etnobotânico de Plantas Medicinais no Domínio do Cerrado na Região do Alto Rio Grande Minas Gerais. Revista Ciência e Agrotecnologia. Lavras, v.25, n.1, p.102-123, jan/fev, 2001. Disponível em: <http://www.agencia. cnptia.embrapa.br/recursos/flo_etnob_cerrado_mgid-0zwhltlegy.pdf>. Acesso em 19 jan. v.16 n.6 2012 p.141-150 149

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