Propriedade Intelectual nº. 40



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Transcrição:

Intelectual nº. 40 Destaques Marca Soriflux pode causar confusão com a marca Sorine Precedência de nome empresarial não assegura registro de marca Expressão Ecoplex imita o produto Epocler Propaganda comparativa não viola normas concorrenciais e marcárias Expressão Número 1 não detém proteção exclusiva Itaipava pode continuar utilizando a cor vermelha em suas latas Marca Soriflux pode causar confusão com a marca Sorine A Segunda Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina ( TJSC ) determinou que a MDC Pharma se abstenha de utilizar sua marca Soriflux. A Aché Laboratórios Farmacêuticos ajuizou ação em face da MDC Pharma, alegando imitação da sua marca Sorine. O Relator do Recurso entendeu pela possibilidade de confusão entre as marcas, principalmente pelo fato de que suas embalagens são muito semelhantes. O Relator afirmou que a simples comparação das marcas não seria capaz de ensejar a confusão no público consumidor, no entanto, seu uso em embalagens semelhantes, para dois produtos no mesmo segmento de mercado, caracterizaria a concorrência desleal. FONTE: TJSC, Apelação nº 2010.045300-6, 2ª Câmara de Direito Comercial, Des. Rel. Luiz Fernando Boller, j. em 16.12.2014. Este Boletim foi redigido meramente para fins de informação e debate, não devendo ser considerado uma opinião legal para qualquer operação ou negócio específico. 2015. Direitos autorais reservados a Pinheiro Neto Advogados. BOLETIM DE PROPRIEDADE INTELECTUAL é elaborado pelo Time de Propriedade Intelectual de PINHEIRO NETO ADVOGADOS.

Expressão Ecoplex imita o produto Epocler A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ( TJSP ) determinou a retirada do mercado do produto Ecoplex, por entender existente a imitação da marca Epocler, sua concorrente no mercado. A Hypermarcas, detentora da marca Epocler, ajuizou ação em face da Ecofitus Laboratório, responsável pela marca Ecoplex, alegando concorrência desleal por parte da Ecofitus, ao lançar um produto com os mesmos princípios ativos e com grande semelhança gráfica e fonética com relação a seu produto Epocler. Em primeira instância a ação foi julgada improcedente. No entanto, o TJSP reformou a sentença, determinando a retirada do mercado de todos os produtos com a marca Ecoplex, bem como o pagamento de indenização por danos morais e materiais. No julgado, o Relator do recurso entendeu que pela simples análise dos produtos pode-se notar clara imitação gráfica e fonética da marca, bem como do recipiente que envolve o produto. Por aturarem no mesmo segmento de mercado e possuírem os mesmos princípios ativos, o TJSP entendeu que a conduta caracterizou prática anticoncorrencial, ensejando a reparação pelos danos sofridos pela Hypermarcas. FONTE: Jornal Valor Econômico, Caderno Legislação e Tributos, edição de 11.11.2014, p. E1 Propaganda comparativa não viola normas concorrenciais e marcárias A Primeira Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ( TJSP ) entendeu que a propaganda comparativa entre produtos removedores de manchas em roupas não viola as normas concorrenciais e de proteção às marcas. A Unilever Brasil Ltda., detentora da marca de sabão em pó OMO ajuizou ação em face da Reckitt Benckiser Brasil Ltda., detentora da marca VANISH. A Reckitt passou a veicular um comercial por meio do qual mulheres realizavam um teste comparativo entre os produtos OMO e VANISH, -2-

buscando demonstrar qual deles removia de forma mais eficaz as manchas em roupas sujas. Em primeiro grau o Juiz concedeu liminar à Unilever para impedir a veiculação da propaganda comparativa. No entanto, o Relator do recurso, Desembargador Ênio Zuliani, reverteu a decisão entendendo que não cabe ao Judiciário interferir em testes que visam demonstrar ao consumidor qual produto clareia melhor suas roupas, afastando qualquer violação ao direito marcário ou às normas concorrenciais. FONTE: TJSP, Agravo de Instrumento nº 2141242-25.2014.8.26.0000, 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, Des. Rel. Enio Zuliani, j. em 8.10.2014 Precedência de nome empresarial não assegura registro de marca A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça ( STJ ) entendeu que a precedência de nome empresarial não assegura o direito ao registro de marca. A Sociedade Multimed Distribuidora de Medicamentos Ltda. ajuizou demanda visando à concessão de registro de sua marca com fundamento no anterior registro de seu nome comercial. A Multimed aduziu que, em decorrência do registro de seus atos constitutivos perante a Junta Comercial, sua marca não poderia ser impedida de ser concedida em decorrência de registro anterior de outra marca semelhante, registrada para o mesmo segmento de atuação no mercado. O Relator do recurso entendeu que a competência para registro dos atos constitutivos das Sociedades, qual seja, as Juntas Comerciais, é distinta da competência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, motivo pelo qual o registro dos atos constitutivos da empresa não lhe confere direito futuro de registrar sua marca. FONTE: STJ, REsp 1.184.867/SC, Quarta Turma, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. em 15.5.2014-3-

Expressão Número 1 não detém proteção exclusiva A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça ( STJ ) entendeu que a expressão número 1 não pode ser usada exclusivamente pela Sociedade Ambev para promoção de sua marca de cervejas Brahma. A Ambev ajuizou ação de indenização em face da Sociedade Der Braumeister Ltda. alegando concorrência desleal em decorrência do uso da expressão cervejaria número 1 de São Paulo pela Braumeister. Aduziu a Ambev que a expressão seria de seu uso exclusivo, pois identificaria sua marca de cervejas Brahma em todo o país. Em primeira instância a ação foi julgada improcedente. No entanto, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ( TJSP ) reformou a sentença por entender que a expressão utilizada pela Braumeister guardaria semelhança com a expressão utilizada pela Ambev, o que poderia causar confusão no público consumidor. Entretanto, o STJ reformou o entendimento do TJSP. O Relator do recurso, Ministro Sanseverino, entendeu que a expressão número 1, utilizada na cerveja Brahma, não está sujeita a registro de marca porquanto é de uso comum, meramente indicativa da qualidade de um produto. Sem prejuízo, o Relator entendeu, ainda, que ambas as marcas não guardam similitude, sobretudo por identificarem serviços distintos. FONTE: STJ, REsp 1.341.029/SP, Terceira Turma, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. em 09.09.2014-4-

Itaipava pode continuar utilizando a cor vermelha em suas latas A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça ( STJ ) entendeu que a Cervejaria Petrópolis, detentora da marca Itaipava, pode utilizar a cor vermelha em suas latas de cerveja. A Ambev, detentora da marca Brahma, ajuizou ação contra a Cervejaria Petrópolis alegando que a utilização da cor vermelha nas latas de Itaipava causaria confusão no público consumidor com relação às suas latas de Brahma, também vermelhas. No entanto, o relator do recurso no STJ entendeu que, em decorrência da previsão na Lei da Propriedade Industrial que cores não podem ser registradas como marca, a Cervejaria Petrópolis pode continuar a utilizar suas latas vermelhas, o que caracterizaria simples elemento neutro de marketing das empresas. FONTE: STJ, REsp 1.376.264/RJ, Terceira Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, j. em 09.12.2014 O Boletim de Propriedade Intelectual é desenvolvido pelos profissionais que integram a Equipe de Propriedade Intelectual de Pinheiro Neto Advogados. Coordenador do Boletim: José Mauro Decoussau Machado Colaboraram com esta edição: Márcio Junqueira Leite e Victor Dotti -5-