1 ROSENTHAL E SARFATIS METTA ADVOGADOS INFORMATIVO JURÍDICO NÚMERO 62, ANO VI JANEIRO DE 2014 I REGIME ESPECIAL PERMITE A REDUÇÃO DOS CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS NA IMPORTAÇÃO É possível a suspensão do lançamento do ICMS devido na importação para o momento em que ocorrer a saída interestadual da mercadoria. Confira mais detalhes na página2. II A EXIGÊNCIA DE QUITAÇÃO DO ISS-OBRA É ILEGAL Exigir prova de quitação do ISS para conceder o Habite-se é absolutamente ilegal e inconstitucional. Saiba mais na página 3. III COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA ENTRE O FISCO E OS CONTRIBUINTES PAULISTANOS DEC Domicílio Eletrônico do Contribuinte traz agilidade aos processos fiscalizatórios e novas obrigações aos contribuintes. O artigo completo está na página 4. IV RECEITA FEDERAL ALTERA REGRAS ADUANEIRAS PARA ADMISSÕES TEMPORÁRIAS
2 Prazo máximo de 100 meses para utilização econômica de bens. Mais detalhes na página 5. 1 REGIME ESPECIAL PERMITE A REDUÇÃO DOS CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS NA IMPORTAÇÃO EM SÃO PAULO A Portaria CAT 108/2013 permite a redução dos créditos irrecuperáveis de ICMS, acumulados nas operações de entrada de mercadoria importada (ou de conteúdo importado superior a 40%) no território paulista. O aumento do acúmulo de créditos se dá, geralmente, pois o importador de mercadorias, cuja entrada se dê em São Paulo, está sujeito ao recolhimento do ICMS à alíquota de 18%. Porém, no momento da saída interestadual das mercadorias importadas, o ICMS é devido à alíquota de apenas 4%. Tal problema pode ser solucionado mediante a solicitação de regime especial. Com isso, ficaria autorizada a suspensão do lançamento do ICMS devido na importação (desembaraço aduaneiro) para o momento em que ocorrer a saída interestadual das mercadorias, no percentual necessário à evitar o acúmulo de créditos do imposto. Desse modo, haverá uma diminuição considerável dos créditos acumulados, o que levará a uma melhoria significativa no fluxo de caixa as empresas.
3 O pedido de regime especial deverá ser instruído dos dados e estudos muito bem elaborados, sendo que o contribuinte deverá cumprir uma série de exigências administrativas. A decisão quanto à concessão ou não do regime especial cabe ao Diretor Executivo da Administração Tributária, que também estabelecerá o percentual de suspensão do ICMS. Somente após a homologação do demonstrativo de créditos acumulados é que o contribuinte poderá utilizá-los livremente (na forma da lei). Vale lembrar que o processo para a utilização dos créditos continua sendo moroso e burocrático, e está sujeito à homologação da Secretaria da Fazenda. O escritório tem boa experiência nesse sentido e poderá assessorar seus clientes em todas as etapas do procedimento. 1I A EXIGÊNCIA DE QUITAÇÃO DO ISS-OBRA É ILEGAL É muito comum que Municípios condicionem a concessão do Habite-se a um certificado de quitação do ISS devido em uma construção civil. Trata-se de prática absolutamente ilegal e inconstitucional. O Habite-se deve ser concedido àqueles empreendimentos cuja obra foi concluída de forma regular, em conformidade com as exigências legais do ponto de vista da construção (atendendo ao alvará emitido). Por outro lado, a recusa em fornecê-lo sem fundamentos técnicos, mas sim, com base na exigência de suposto débito de ISS representa clara forma de coação para cobrança de tributo. Ou seja, não se pode misturar questões técnicas de segurança do imóvel com questões tributárias.
4 Destaca-se que os Tribunais do país já possuem entendimento solidificado sobre o assunto, sendo reconhecido de que a Constituição veda a instituição de impostos com efeitos de confisco, como também a coação do contribuinte, sob qualquer forma, para o pagamento de tributos. Para isso o Fisco conta com a execução fiscal, não podendo prejudicar o negócio de um contribuinte para forçá-lo recolher impostos. O próprio STF já consolidou este posicionamento em 3 súmulas, as quais, em resumo, reconhecem como inadmissível que o Poder Público utilize de meios gravosos e indiretos de coerção estatal destinados a compelir o contribuinte inadimplente a pagar o tributo. Desse modo, as construtoras que se virem diante dessa coação, agora no foco dos noticiários por conta de suposto esquema de pagamento de propinas, poderão socorrer-se do Judiciário. III COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA ENTRE O FISCO E OS CONTRIBUINTES PAULISTANOS Desde meados de 2012 a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo SEFAZ/SP vem utilizando o DEC Domicílio Eletrônico do Contribuinte, para se comunicar com os contribuintes estaduais, onde são disponibilizadas intimações e notificações, dentre outras.
5 O acesso é restrito apenas aos usuários autorizados e portadores de certificado digital e-cnpj ou e-cpf, devidamente credenciados e habilitados no site da SEFAZ/SP, para garantir o sigilo, a identificação, a autenticidade e a integridade das comunicações. Importante destacar, que, o credenciamento ao DEC é único por empresa, valendo apenas um cadastro para todas as filiais. Com o DEC, a SEFAZ/SP visa dar celeridade à tramitação dos processos administrativos fiscalizatórios, o que realmente vem acontecendo. No entanto, o DEC traz aos contribuintes estaduais uma nova obrigação, que é o dever de consultar semanalmente as suas caixas postais eletrônicas, a fim de verificar se houve alguma comunicação por parte da SEFAZ/SP. Isso, pois, todas as mensagens serão consideradas automaticamente recebidas pelos contribuintes após 10 dias corridos do referido envio, independentemente do contribuinte ter ou não acessado sua caixa postal eletrônica. Sabe-se que essa rotina ainda não está disseminada nas empresas, o que tem gerado diversos prejuízos, como perda de prazos para defesa e manifestações em procedimentos fiscais. Nesse sentido, serve esse artigo para reforçar a urgência dessa prática nas empresas. IV RECEITA FEDERAL ALTERA REGRAS ADUANEIRAS PARA ADMISSÕES TEMPORÁRIAS
6 No último mês a Receita Federal publicou alterações no Regulamento Aduaneiro referente à admissão temporária de bens para utilização econômica. Nesse caso o bem não é nacionalizado, mas apenas importado temporariamente para um uso geralmente específico. Da mesma forma, os tributos são calculados de acordo com diversas variáveis ligadas ao bem e ao seu tempo de permanência no País. De acordo com as novas regras, o regime será concedido pelo período constante no contrato de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, pactuado entre a pessoa responsável pela importação e a pessoa estrangeira, podendo tal regime ser estendido na medida do prazo estabelecido em contrato, Todavia, o prazo máximo é de 100 meses. Assim, antes do encerramento do referido prazo, o beneficiário deverá promover a revogação do regime anterior, oportunidade em que ainda será permitida a transferência para outro regime aduaneiro especial, até mesmo a concessão de nova admissão temporária, que poderá ser realizada sem a efetiva saída física dos bens do território nacional.