ANAIS DA CERSC RIO DE JANEIRO 2009
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO Brasília SBN Quadra 1 Bloco B n o 14, 15 o ao 18 o andar Edifício Confederação Nacional do Comércio CEP 70041-902 PABX (61) 3329-9500 3329-9501 E-mail: cncdf@cnc.com.br Rio de Janeiro Avenida General Justo, 307 CEP 20021-130 Rio de Janeiro Tel.: (21) 3804-9341 3804-9241 Fax (21) 2544-9279 E-mail: cncrj@cnc.com.br Web site: www.portaldocomercio.org.br Publicação Projeto gráfico: Coordenação de Documentação e Informação/Unidade de Programação Visual Produção: Divisão Sindical Impressão: Gráfica MCE CNC. Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio Anais da Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio 2008. Rio de Janeiro: Confederação Nacional do Comércio, 2009. 150 p. 1. Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio. I Confederação Nacional do Comércio
APRESENTAÇÃO A Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC, criada em 1991, cumpre, no âmbito do Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio Sicomercio, função antes exercida pela Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho, extinta com o advento da Constituição da República de 1988, que vedou a interferência do Estado (leia-se Poder Executivo) na organização sindical. Como órgão auxiliar do sistema, a CERSC responde a consultas de empresas e entidades sindicais do comércio, realizando, no primeiro caso, enquadramento individual e, no segundo, enquadramento coletivo. Opina também a CERSC, quando consultada, acerca de conflitos de representação revelados por entidades integrantes do SICOMERCIO. A CERSC é constituída de sete membros efetivos e sete suplentes, com mandato de três anos, designados pelo Presidente da Diretoria da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Em 08 de julho de 2008 foram empossados os membros titulares e suplentes que integrarão a Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio no triênio 2008/2011. São eles: Titulares: Carlos Fernando Amaral (Presidente), Natan Schiper (Vice-Presidente), Daniel Mansano, Francisco Valdeci de Sousa Cavalcante, Lázaro Luiz Gonzaga, Luciano Figliolia (in memoriam), Joel Carlos Köbe e Walace Garroux Sampaio. Suplentes: Edno Bressan, Edy Elly Bender Kohnert Siedler, João de Barros e Silva, José Domingues Vinhal, José Epaminondas Costa, Luso Soares da Costa e Manoel Jorge Vieira Colares.
A Divisão Sindical da CNC, órgão de assessoramento da CERSC, promove suporte administrativo e técnico, inclusive, por meio da elaboração de pareceres e estudos técnicos, com vistas a subsidiar a Comissão no referente à apreciação e resposta às consultas formuladas. Divisão Sindical
SUMÁRIO PARECERES 1. Processo nº 1.398 Enquadramento sindical de supermercados... 7 2. Processo nº 1.400 Enquadramento sindical de empresa de locação de mão-de-obra (analistas de sistemas e programadores), serviços e desenvolvimento de software... 14 3. Processo nº 1.416 Enquadramento sindical de incorporadora de empreendimento imobiliário... 23 4. Processo nº 1.419 Enquadramento sindical de empresa que administra empreendimentos imobiliários (administração de centros comerciais)... 32 5. Processo nº 1.420 Enquadramento sindical de empresa que comercializa resíduos e sucata metálica... 39 6. Processo nº 1.423 Enquadramento sindical de empresa que comercializa aparelhos para surdez, recuperação e apoio das funções vitais humanas... 43 7. Processo nº 1.424 Conflito de representação entre sindicato estadual específico e sindicato municipal eclético.. 50 8. Processo nº 1.425 Enquadramento sindical da atividade de comercialização de equipamentos de informática e conflito de representação... 55 9. Processo nº 1.426 Enquadramento sindical de empresa prestadora de serviços de filmagem... 61 10. Processo nº 1.427 Enquadramento sindical de empresa de turismo... 65
11. Processo nº 1.429 Enquadramento sindical de flats, flats-hotéis, hotéis-residence, lofts, apart-hotéis, apart services condominiais, condohotéis e similares... 71 12. Processo nº 1.433 Enquadramento sindical de empresa que administra centro de convenções... 79 13. Processo nº 1.435 Enquadramento sindical de empresa que comercializa produtos capilares... 83 14. Processo nº 1.436 Enquadramento sindical de empresa distribuidora de cartões telefônicos... 87 15. Processo nº 1.437 Enquadramento sindical (coletivo) de entidade representante de empresas locadoras de veículos automotores... 92 ANEXOS Glossário... 101 Quadro de Atividades e Profissões * (art. 577 da CLT)... 105 Índice Remissivo... 145 * Recepcionado pela Constituição Federal de 1988 (STF Ac. de 17.10.1991 no RMS 21.305-1, in Rev. LTr., São Paulo, jan. 1992, págs. 13 e 14).
Processo CERSC nº 1.398 Origem: Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SINDILOJAS-RIO) Rio de Janeiro, 14 de novembro de 2007. Assunto: consulta. Enquadramento sindical de supermercados. R E L A T Ó R I O O SINDICATO DOS LOJISTAS DO COMÉRCIO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO (SINDILOJAS-RIO) encaminha consulta acerca do enquadramento sindical de supermercados no município do Rio de Janeiro. Noticia o consulente que muitas empresas, no município do Rio de Janeiro, como Carrefour, Sendas, Extra e Wall Mart, deixaram de se limitar a comercializar gêneros alimentícios, passando a atuar como verdadeiras lojas de departamentos, já que vendem, dentro do mix de produtos, entre outros, artigos de vestuário, adornos e acessórios, bem como louças finas, artigos de cama, mesa e banho e congêneres, que, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, integram a categoria econômica dos lojistas do comércio, do 2º grupo, comércio varejista, do plano da Confederação Nacional do Comércio CNC (grifos nossos). Com base em precedente da CERSC, o consulente indaga ainda, se a hipótese em tela seria de múltiplo enquadramento, tendo em conta que as atividades desempenhadas pelas referidas empresas estariam enquadradas em, pelo menos, 2 (duas) categorias ANAIS DA CERSC 7
econômicas distintas do 2º grupo do plano do comércio comércio varejista, quais sejam: 1) comércio varejista de gêneros alimentícios; e 2) lojistas do comércio. P A R E C E R À luz da Constituição da República (art. 8º, II), o enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões que complementa a CLT foi recepcionado pela Carta Política, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/1135). No ponto, é importante ressaltar que a consulta em questão foi formulada em tese e, portanto, nesse sentido se dará o enquadramento em questão. Vale dizer, não está se tratando de empresa específica (caso concreto), hipótese em que seria possível o exame de seu contrato social, notadamente do objeto social com vistas à definição do enquadramento sindical. Pelo contrário, foram citadas algumas empresas Carrefour, Wall Mart, Extra, Sendas como forma de exemplificar a atividade que se pretende enquadrar, qual seja, a atividade desempenhada pelas empresas de supermercados. Na esteira desses fatos, passamos à análise acerca do enquadramento sindical dessa espécie de empresa supermercado. Em primeiro plano, é preciso definir a atividade praticada por essas empresas. Para tanto, trazemos à colação o conceito de supermercado extraído do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Editora Objetiva, 1ª Edição, 2001: Supermercado: grande estabelecimento comercial de autoserviço onde se exibem à venda mercadorias variadas (gêneros ali- 8 ANAIS DA CERSC
mentícios, artigos para limpeza doméstica e higiene pessoal, bebidas, artigos para casa etc.). Segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SUPERMERCADOS (ABRAS), hoje, há três tipos de classificações para supermercado: 1) Compacto: com área de vendas de 250 a 1.000 metros quadrados, 7 mil itens, de 2 a 7 check-outs, e com as seções de mercearia, hortifruti, açougue, frios e laticínios e bazar; 2) Convencional: de 1.001 a 2.500 metros quadrados de área de vendas, média de 12 mil itens, de 8 a 20 check-outs, e com as seções de mercearia, hortifruti, açougue, frios e laticínios, peixaria, padaria e bazar; e 3) Grande: de 2.500 a 5.000 metros quadrados de área de vendas, média de 20 mil itens, e de 21 a 30 check-outs, com as seções de mercearia, hortifruti, açougue, frios e laticínios, peixaria, padaria, bazar e eletroeletrônicos. (Informações extraídas do site www.abrasnet.com.br) Ainda com base nos dados fornecidos pela ABRAS, temos o conceito de hipermercado: Loja de auto-serviço que tem uma área de vendas superior a 5.000 metros quadrados, mais de 50 check-outs e uma média de 45 mil itens à venda. Contando com as seções de mercearia, hortifruti, açougue, frios e laticínios, peixaria, padaria, bazar, eletroeletrônicos e têxteis. A corroborar, transcrevemos os conceitos de supermercados, lojas de departamentos ou de variedades lojas que comercializam um mix de produtos extraídos da monografia Sistema de Informação para Gestão Econômica no Comércio Varejista: um Estudo dos Principais Modelos de Decisões Envolvidos; de Antônio Carlos Machado; Universidade de São Paulo: Supermercados são lojas que exploram o auto-serviço, onde o próprio consumidor se encarrega de escolher os produtos nas prateleiras (gôndolas), mantendo relacionamento com os funcionários ANAIS DA CERSC 9
de estabelecimento somente no momento do acerto de contas no caixa. Os supermercados se caracterizam ainda, por comercializarem, basicamente, produtos alimentícios, e por imprimirem uma significativa velocidade no giro dos estoques com o objetivo de compensarem a estreita rentabilidade sobre as vendas (em média 2%). Estes tipos de estabelecimentos varejistas dispõem de uma grande variedade de produtos, chegando em média, a 19,75 mil itens de venda. Uma derivação do conceito de supermercados são os hipermercados. São instalações físicas semelhantes, onde também se aplica o auto-serviço, porém, há uma ampliação nos tipos de itens à venda com a introdução de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, áudio e vídeo, vestuário, entre outros. Os hipermercados normalmente se instalam em grandes avenidas ou às margens de rodovias, afastando-se assim, dos centros comerciais e, indiretamente, provocando uma seleção do seu público-alvo. Departamentos são lojas onde há, também, uma grande variedade de itens à venda, com menor ou praticamente nula participação dos produtos alimentícios. Os produtos são dispostos de forma departamentalizada, podendo ser praticado tanto o autoserviço, como o atendimento personalizado ao consumidor. Variedades são lojas onde se comercializam miudezas em geral. Os produtos deste comércio se caracterizam pelo baixo valor unitário. A forma de apresentação das lojas segue os conceitos das lojas departamentalizadas. Pelo exame dos conceitos trazidos à colação, resta claro que a atividade preponderante dos supermercados é a comercialização no varejo de gêneros alimentícios. O enquadramento sindical tem por base a atividade preponderante desempenhada pela empresa. Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade do produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente, em regime de conexão funcional ( 2º do art. 581, CLT). 10 ANAIS DA CERSC
Observa-se que, a par do mix de produtos oferecidos, os supermercados ainda se caracterizam por comercializarem, basicamente, gêneros alimentícios. A comercialização desses outros produtos constitui atividade complementar. Esses itens podem ser acrescentados e até posteriormente, suprimidos, vez que isso em nada altera ou desnatura a atividade efetivamente praticada pela empresa (preponderante). É importante notar que a distinção entre os diversos tipos de supermercados compacto, convencional, grande e até entre os supermercados e as demais empresas do segmento do comércio varejista de gêneros alimentícios quitandas, mercearias, mercados se dá em razão de seu porte e não da natureza da atividade. Todas essas empresas têm como atividade preponderante a comercialização no varejo de gêneros alimentícios e, por isso, integram a categoria econômica comércio varejista de gêneros alimentícios, distinguindo-se, apenas, no referente à quantidade e à variedade dos itens postos à venda, ao número de caixas etc. No entanto, cumpre frisar mais uma vez que esses dados diferenciadores não servem de critério para descaracterizar a atividade preponderante das empresas de supermercados. Servem tão somente como indicadores de seu porte. Tanto é assim que podemos ter mini, super e até hipermercados. Desse modo, não há que se falar em múltiplo enquadramento em pelo menos, 2 (duas) categorias econômicas distintas do 2º grupo do plano do comércio comércio varejista, quais sejam: 1) comércio varejista de gêneros alimentícios; e 2) lojistas do comércio, como sugerido pelo consulente. No caso, resta claro que a comercialização no varejo de gêneros alimentícios constitui a atividade preponderante dos supermercados. A comercialização de outros itens é atividade meramente complementar (atividade absorvida) pelo comércio varejista de gêneros alimentícios (atividade preponderante). ANAIS DA CERSC 11
Por fim, merece destaque ainda o fato de que não se trata sequer de categoria autônoma o que poderia ensejar possibilidade de dissociação, nos termos do art. 571 da CLT, haja vista que supermercado não constitui categoria econômica, mas sim simples porte de empresa que pratica o comércio varejista de gêneros alimentícios. Esse foi o posicionamento firmado pela CERSC nos autos dos seguintes processos: 1) nº 1018, pedido de registro no SICOMERCIO do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios, Mercados, Minimercados, Supermercados e Hipermercados de Curitiba, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral do Paraná, decisão proferida em 26/01/2000, deferindo o registro pleiteado; 2) nº 1186, consulta formulada pela Federação do Comércio do Estado do Pará, decisão proferida em 08/10/2002; e 3) nº 1151, pedido de registro no SICOMERCIO do Sindicato dos Supermercados do Distrito Federal, decisão proferida em 16/ 09/2003, não acolhendo o referido pleito, visto que supermercado não constitui categoria econômica, mas sim simples porte de empresa que prática o comércio varejista de gêneros alimentícios. Ante o exposto, os supermercados (considerados aqui os autoserviços, mini, hipermercados etc.) estão inseridos na categoria econômica comércio varejista de gêneros alimentícios, integrante do 2º grupo do plano da CNC comércio varejista. C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que toca ao enquadramento sindical das empresas de supermercados, considerando 1) que a consulta em questão foi formulada em tese; e 2) que a atividade preponderante dessa espécie de empresa é a comercialização no varejo de gêneros alimentícios; sugerimos seu enquadramento na categoria 12 ANAIS DA CERSC
econômica comércio varejista de gêneros alimentícios, integrante do 2º grupo do plano da CNC comércio varejista. É o parecer, S.M.J. Lidiane Duarte Nogueira Advogada ANAIS DA CERSC 13
Processo CERSC nº 1400 Origem: Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 2007. Assunto: enquadramento sindical de empresa de locação de mãode-obra de analista de sistemas e programadores, serviços e desenvolvimento de software duplo enquadramento 3º Grupo Plano da CNC Agentes Autônomos do Comércio. R E L A T Ó R I O A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DE MINAS GE- RAIS Fecomércio/MG solicita consulta à Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC sobre o enquadramento sindical da empresa TTY2000 Tecnologia e Sistemas Ltda. cuja atividade seria a de locação de mão de obra de analista de sistemas e programadores, prestação de serviços de informática, consultoria e representação de programas, desenvolvimento de software para uso próprio ou de terceiros, equipamentos e acessórios para computação sem o emprego de peças ou materiais (fls. 01). Informa, ainda, a Fecomércio/MG que, no estado de Minas Gerais, existe o Sindicato das Empresas de Processamento de Dados, Informática, Software e Serviços em Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais SINDINFOR/MG, representando a categoria econômica das empresas de processamento de dados, informática, software e serviços em tecnologia da informação. 14 ANAIS DA CERSC
Esta assessoria, verificando a ausência do contrato social, bem assim de outras informações que permitissem melhor análise da consulta formulada, solicitou que a Fecomércio/MG diligenciasse junto à empresa no sentido de que fosse anexado seu contrato social, bem assim que a mesma respondesse algumas perguntas por nós formuladas (fls. 02). Posteriormente, a Fecomércio/MG repassou as respostas prestadas pela empresa (fls. 05), esclarecendo, posteriormente, que, muito embora o contrato social ainda não tinha sido remetido, pelas informações atualizadas da Junta Comercial de Minas Gerais, o objeto social estava de acordo com aquele por ela informado (fls. 07). P A R E C E R O enquadramento sindical, à luz da Constituição da República CR (art. 8º, II), deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Convém lembrar que o referido Quadro de Atividades e Profissões que complementa o art. 577 da CLT foi recepcionado pela Constituição da República, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/1135). Além disso, o enquadramento sindical deve obedecer a critérios próprios, inclusive tendo como base as atividades exercidas pela empresa, não se coadunando, portanto, com a manifestação de vontade do interessado em integrar esta ou aquela categoria. Daí porque o mesmo deve ser definido em função do que a empresa realmente desenvolve como atividade. Nesse passo, tal definição somente é obtida com a confrontação de seus atos constitutivos, notadamente de seu objeto social, com aquela que seria a atividade por ela exteriorizada. ANAIS DA CERSC 15
A informação prestada pela Fecomércio/MG nos dá conta de que a empresa autodenominada TTY2000 Tecnologia e Sistemas Ltda. exerce a atividade econômica de: locação de mão de obra de analista de sistemas e programadores, prestação de serviços de informática, consultoria e representação de programas, desenvolvimento de software para uso próprio ou de terceiros, equipamentos e acessórios para computação sem o emprego de peças ou materiais. Muito embora a consulta não tenha sido acompanhada do contrato social, (apesar de diligência nesse sentido fls. 01) o fato é que, diante das respostas repassadas à CERSC pela Fecomércio/ MG e obtidas junto à empresa, entendemos que sua falta, salvo engano, não impedirá o estudo para fins de enquadramento sindical, principalmente diante dos termos das respostas a seguir transcritas: 1. Existe, dentre as arroladas, atividade principal? Sim, o desenvolvimento de sistemas específicos para os clientes. 2. Em caso contrário, as atividades são exercitadas concomitantemente ou existe regime de preponderância entre cada uma delas? As de maior volume são: locação de mão-de-obra de analistas de sistema e programadores e o desenvolvimento de sistemas específicos. 3. No que pertine ao desenvolvimento de software o mesmo se dá para posterior venda a terceiros? Não, como eu já disse, são específicos: levantamos as necessidades do cliente, desenvolvemos e implantamos o sistema sob medida. 4. Existe venda de software pronto para terceiros? Não, não temos produtos de prateleira (ou seja, softwares prontos). 16 ANAIS DA CERSC
5. Esclarecer o sentido da expressão equipamentos e acessórios para computação sem o emprego de peças ou materiais. Seria o caso de venda? Não, apenas de representação. 6. Informar, se possível, o percentual financeiro correspondente a cada atividade secundária, dentre as atividades citadas na consulta. Atualmente, 100% do faturamento está estribado nas atividades listadas na pergunta 2. Com efeito, desde logo podemos afirmar que a empresa em questão exerce, efetivamente, de forma maciça uma vez que corresponde a 100% (cem) por cento de seu faturamento as atividades de locação de mão-de-obra de analistas de sistema e programadores e o desenvolvimento de sistemas específicos (software). Nesse caso, o critério de preponderância foi encontrado, na medida em que, ao se conjugar as informações atinentes ao faturamento da empresa com a natureza das funções efetivamente exercidas, uma vez que caracterizaram a unidade do produto, da operação ou do objetivo final, para o qual todas as demais atividades arroladas convergem, exclusivamente, em regime de conexão funcional o fornecimento de serviços de mão-de-obra e o desenvolvimento de software (sistemas específicos) para terceiros espécies de prestação de serviços voltados para o mercado de informática. Contudo, o enquadramento sindical será realizado levando-se em consideração essas duas atividades que, como bem salientado na resposta à questão de número 6 (seis), correspondem a 100% (cem por cento) do faturamento da empresa objeto de consulta. A atividade de locação de mão-de-obra de analistas de sistema e programadores, apesar de merecer enquadramento sindical, não se encontra expressamente prevista no Quadro de Atividades e Profissões que complementa o art. 577 da CLT, o ANAIS DA CERSC 17
que não permite o enquadramento pelo critério da especificidade (art. 570, da CLT). A locação de mão-de-obra é uma espécie de prestação de serviço que se exterioriza através de um contrato regulamentado pela Lei nº 6.019/74 que dispõe sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas e dá outras providências. Pela exegese do artigo 1º da referida lei, podemos considerar que existe a locação de mão-de-obra, quando uma empresa locadora coloca seus empregados à disposição da locatária para executar trabalhos temporários, em local por esta determinada. Observe que o pessoal locado continua mantendo a condição de empregado na locadora, sendo por esta remunerada. Contudo, como anteriormente asseverado, a referida atividade não se encontra contemplada no Quadro de Atividades e Profissões, muito embora o Decreto nº 73.841/74 que regulamenta a Lei nº 6.019/74, em seu artigo 40, expressamente determinava que: Mediante proposta da Comissão de Enquadramento Sindical do Departamento Nacional de Trabalho, o Ministro do Trabalho incluirá as empresas de trabalho temporário e os trabalhadores temporários em categorias existentes ou criará categorias específicas no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho. Desse modo, utilizaremos o critério da conexão ou similaridade, nos termos previstos no parágrafo único do art. 570 da CLT, para fins de verificar a possibilidade de integrar tal atividade em alguma das categorias econômicas integrantes do Plano do Comércio identificadas no dito Quadro de Atividades e Profissões. Vejamos os conceitos de conexão e similaridade extraídos da publicação Enquadramento Sindical no SICOMERCIO: CONEXIDADE (CONEXÃO) (v. similaridade): critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1. Conexas são as atividades que, não sendo semelhantes, complementam-se, como as várias atividades 18 ANAIS DA CERSC
existentes na construção civil, por exemplo: alvenaria hidráulica, esquadrias, pastilhas, pintura, parte elétrica etc. (Sergio Pinto Martins); 2. A conexidade pressupõe a complementariedade das notas definidoras de duas ou mais realidades (Wilson de Souza Campos Batalha); 3. Por conexa, entende-se uma relação observada nos fatos da vida real entre pessoas que concorrem para o mesmo fim (Evaristo de Moraes Filho). (...) SIMILARIDADE (v. conexidade): Critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1) Similares são as atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem. (Sergio Pinto Martins); 2) A similaridade pressupõe que sejam as mesmas algumas notas definidoras de duas ou mais realidades, desde que sejam relevantes e não meramente acidentais. (Wilson de Souza Campos Batalha); 3) Com similar, quer se significar a existência de uma certa analogia entre as profissões. (Evaristo de Moraes Filho). Ressalvamos, ainda, que a atividade de locação de mão-deobra de analistas de sistema e programadores não está necessariamente vinculada àquela relativa ao desenvolvimento de software para uso próprio ou de terceiros. Isto porque em pesquisa no endereço eletrônico da empresa <http:// www.tty2000.com.br.> restou esclarecido que a mesma dispõe de um banco de dados onde estão catalogados profissionais possibilitando a composição de equipes para atender as mais diversas necessidades, de acordo com o perfil solicitado pelo cliente. (documento anexo) Vale dizer, a empresa disponibiliza mão-de-obra especializada para desenvolver, manter e implantar o software nas instalações do cliente e/ou executar trabalhos temporários dentro das necessidades contratadas pelo terceiro. ANAIS DA CERSC 19
Levando-se em conta o fato de que a atividade de locação de mão-de-obra de analistas de sistema e programadores constitui prestação de serviços disponibilizado para aquele que contrata seus serviços, merece enquadramento, por similaridade, na categoria econômica empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, integrante do 3º grupo agentes autônomos do comércio do plano da CNC. Inúmeras decisões da extinta Comissão de Enquadramento Sindical CES, citada por José Carlos Arouca no seu Dicionário de Enquadramento Sindical, LTr., Vol. II, página 18, analisando casos análogos corroboram as assertivas anteriormente lançadas, senão vejamos: No atual Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT não existe especificamente a atividade de locadora de serviços ; entretanto, à luz do disposto no parágrafo único do citado artigo e considerando o critério de categorias similares ou conexas, possível sua integração na categoria econômica empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, do 3º grupo agentes autônomos do comércio (Proc. MTb 316.722/72, Rel. Paulo Roberto de Carvalho, DOU 22.6.76, pág. 8.669). Considerando que a empresa tem como objetivo social a locação de mão-de-obra, seu enquadramento faz-se na categoria econômica empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas (Proc. MTb 319.453/82, Rel. Lúcio Henriques de Menezes, DOU 17.5.84, pág. 7.001). Já com relação a atividade de desenvolvimento de software (sistemas específicos) para uso próprio ou de terceiros podemos constatar, pelas respostas às indagações formuladas que o software é elaborado sob medida e diretamente para o consumidor final. Convém destacar, a título de esclarecimento, que a atividade de informática é dividida em dois segmentos: hardware (máquinas e equipamentos) e software (programas ou aplicativos que orientam o funcionamento do computador). 20 ANAIS DA CERSC
O desenvolvimento do software pela empresa em questão abrange o estudo e sua elaboração dentro das especificações ditadas por aquele que o encomendou, o que não deixa de caracterizar uma espécie de prestação de serviço, uma vez que o programa somente é criado em função da necessidade do cliente. A hipótese específica difere da revenda de programa pré-elaborado a consumidor indeterminado (comércio atacadista) ou a venda do mesmo diretamente para o consumidor final (comércio varejista) sendo que, para fins de maior aprofundamento na questão, recomendamos a leitura de Trabalho Técnico elaborado por essa Divisão Sindical, intitulado: A Informática e seu Enquadramento Sindical, que segue em anexo ao presente parecer. Nesse caso em se tratando de software elaborado sob medida e diretamente para consumidor final, a atividade está enquadrada na categoria econômica empresa de processamento de dados, integrante do 3º grupo agentes autônomos do comércio do plano da CNC. Definido o duplo enquadramento sindical da empresa TTY2000 Tecnologia e Sistemas Ltda., cabe-nos tecer algumas considerações sobre o Sindicato das Empresas de Processamento de Dados, Informática, Software e Serviços em Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais SINDINFOR/MG. Referida entidade sindical, originalmente denominava-se Sindicato das Empresas de Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais, representante da categoria econômica das empresas de processamento de dados, com registro obtido junto ao Ministério do Trabalho e Emprego MTE, sem impugnação, em 23.07.1991 (data da publicação no DOU). Em 09.12.2002 foi protocolado seu pedido de registro de alteração estatutária a fim de contemplar sua denominação atual: Sindicato das Empresas de Processamento de Dados, Informática, Software e Serviços em Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais SINDINFOR/MG e ampliação de representação para a categoria econômica das empresas de ANAIS DA CERSC 21
processamento de dados, informática, software e serviços em tecnologia da informação, registro esse obtido, sem impugnação, em 05.01.2004 (data da publicação DOU), conforme demonstram os inclusos documentos obtidos no endereço eletrônico do MTE. Cabe aqui salientar, por oportuno, que não existe registro formalizado do aludido sindicato perante o Sicomercio, tão pouco até a presente data não se tem notícia de que o mesmo está filiado à Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais. C O N C L U S Ã O Nessas condições, podemos concluir que a empresa TTY2000 Tecnologia e Sistemas Ltda. tem seu enquadramento definido no 3º grupo agentes autônomos do comércio do plano da CNC da seguinte forma: 1. Na categoria econômica das empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisas, relativamente a atividade de locação de mão-de-obra de analistas de sistema e programadores. 2. Na categoria econômica de empresa de processamento de dados, relativamente à atividade de desenvolvimento de software para uso próprio ou de terceiros. É o parecer S.M.J. Roberto Lopes Advogado 22 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.416 Origem: Coimex Capital Empreendimentos Imobiliários Ltda. Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2008. Assunto: consulta. Enquadramento sindical. Atividade preponderante. Incorporação imobiliária. R E L A T Ó R I O A empresa Coimex Capital Empreendimentos Imobiliários Ltda., formula consulta acerca de seu enquadramento sindical. Inicialmente, afirmou-se que a sua atividade principal seria a incorporação de empreendimento imobiliário (fls. 02). A fim de obter maiores esclarecimentos, em 12 de dezembro de 2007, por meio eletrônico, solicitamos o encaminhamento de seus atos constitutivos, ou de seu alvará de licença de localização, possibilitando, assim, o exame de seu objeto social e a correta análise da questão ora suscitada (fls. 01). Em resposta, no dia 8 de janeiro de 2008 foi remetida cópia do contrato social da empresa (fls.03/06), no qual constam como objeto social da empresa as seguintes atividades: a) incorporação e construção de empreendimentos imobiliários constituídos de unidades autônomas, na forma da Lei nº 4.591/64 e do Código Civil em vigor, em imóveis próprios ou de terceiros, e a alienação a terceiros de unidades autônomas que o comporão; b) estudo, pesquisa e desenvolvimento de projetos imobiliários para realização de empreendimentos imobiliários; ANAIS DA CERSC 23
c) estruturação de projetos financeiros, envolvendo a realização de empreendimentos imobiliários e alienação a terceiros das unidades que o comporão; d) administração e gerenciamento de projetos e empreendimentos imobiliários, incluindo a administração da carteira de recebíveis; e) compra e venda de bens imóveis destinados à realização de empreendimentos imobiliários e alocação de bens imóveis; e f) participação em outras sociedades, como sócia ou acionista. Ante o rol de atividades que integram o objeto social, em 15 de janeiro de 2008, para exata identificação de sua atividade preponderante, foram formuladas as seguintes questões à consulente (fls. 07/08): 1) A Coimex desenvolve todas as atividades arroladas no citado art. 4º? 2) Em caso negativo, qual a atividade efetivamente praticada pela empresa? 3) A empresa desempenha atividade ligada ao setor da construção civil? Em resposta à citada diligência extraída, por meio eletrônico, no referente ao seu objeto social, restou esclarecido que: 1) A Coimex não desenvolve todas as atividades arroladas no citado art. 4º; 2) Dos itens do artigo 4º, a Coimex não pratica: (i) a construção civil (item a ) e (ii) o estudo, pesquisa e desenvolvimento de projetos imobiliários para realização de empreendimentos imobiliários (item b ); e que realiza todos os demais; 3) A empresa não desempenha atividade ligada ao setor da construção civil; e 4) A incorporação imobiliária é a atividade preponderante da Coimex Capital. 24 ANAIS DA CERSC
Por derradeiro, para regular instrução do processo, realizamos busca no site do GRUPO COIMEX, constituído dentre outras empresas, pela consulente COIMEX CAPITAL, ora consulente. Conforme noticiado no referido site, essa empresa é voltada para a incorporação imobiliária. Vejamos: Somados, os fatores resultaram na criação da mais nova empresa do Grupo, a Coimex Capital, voltada para a incorporação imobiliária. Com a missão de desenvolver empreendimentos imobiliários com padrão de qualidade, sem deixar de lado a responsabilidade sócio-ambiental e as boas práticas de governança corporativa, a Coimex Capital tem como foco os mercados do Espírito Santo e de São Paulo (Grupo Coimex investe no segmento imobiliário 26/02/2007). P A R E C E R À luz da Constituição Federal (art. 8º, II), o enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões que complementa a CLT foi recepcionado pela Constituição da República, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305- DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/ 1135). O que define o enquadramento sindical é a atividade preponderante da empresa, nos termos do disposto no 2º do art. 581. 2º Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade de produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais atividades convirjam, exclusivamente em regime de conexão funcional. ANAIS DA CERSC 25
Desse modo, para que se proceda ao enquadramento sindical da consulente, primeiro, é preciso definir a atividade preponderante por ela desempenhada pela empresa consulente. Para tanto, cumpre-nos, em primeiro plano, verificar, qual seu objeto social: a) incorporação e construção de empreendimentos imobiliários constituídos de unidades autônomas, na forma da Lei nº 4.591/64 e do Código Civil em vigor, em imóveis próprios ou de terceiros, e a alienação a terceiros de unidades autônomas que o comporão; b) o estudo, pesquisa e desenvolvimento de projetos imobiliários para realização de empreendimentos imobiliários; c) a estruturação de projetos financeiros, envolvendo a realização de empreendimentos imobiliários e alienação a terceiros das unidades que o comporão; d) administração e gerenciamento de projetos e empreendimentos imobiliários, incluindo a administração da carteira de recebíveis; e) a compra e venda de bens imóveis destinados à realização de empreendimentos imobiliários e alocação de bens imóveis; e f) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista. Pelo que se depreende dessa análise bem como das diligências constantes dos autos, observa-se que a empresa consulente tem por atividade preponderante a realização de empreendimentos imobiliários, notadamente a incorporação imobiliária. Saliente-se, no ponto, que para identificar a atividade preponderante da consulente, deve-se levar em conta, além do seu objeto social, as informações prestadas pelo seu patrono às fls. 07/08. Vê-se que o patrono da consulente é claro ao afirmar que a Comiex Empreendimentos Imobiliários Ltda. não pratica 1) construção civil e 2) estudo, pesquisa e desenvolvimento de proje- 26 ANAIS DA CERSC
tos imobiliários para realização de empreendimentos imobiliários, atividades constantes dos itens a e b do seu objeto social. Por outro lado, ressalva que a empresa realiza todas as demais atividades arroladas no contrato social da empresa quais sejam: 1) a incorporação de empreendimentos imobiliários constituídos de unidades autônomas, na forma da Lei nº 4.591/64 e do Código Civil em vigor, em imóveis próprios ou de terceiros, e a alienação a terceiros de unidades autônomas que o comporão; 2) a estruturação de projetos financeiros, envolvendo a realização de empreendimentos imobiliários e alienação a terceiros das unidades que o comporão; 3) a administração e gerenciamento de projetos e empreendimentos imobiliários, incluindo a administração da carteira de recebíveis; 4) a compra e venda de bens imóveis destinados à realização de empreendimentos imobiliários e alocação de bens imóveis; e 5) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista. Ao final, conclui que: Desta forma, resta caracterizada a incorporação imobiliária como atividade preponderante da Coimex Capital. Como se vê, todas aquelas atividades elencadas no seu objeto social compra e venda de imóveis, estruturação de projetos financeiros, administração de projetos imobiliários convergem em regime de conexão funcional para a atividade preponderante que é a incorporação imobiliária. Vale dizer, todas essas atividades são absorvidas pela incorporação imobiliária. A par disso, tem-se ainda a informação extraída do site no sentido de que a empresa é voltada para a incorporação imobiliária. Identificada, portanto, a atividade preponderante da empresa incorporação imobiliária passamos a conceituar essa atividade econômica, a fim de definir seu enquadramento sindical. A atividade de incorporação imobiliária está disciplinada na Lei nº 4.591/64, que dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias. ANAIS DA CERSC 27
O art. 28 do citado diploma legal determina que considera-se incorporação imobiliária a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas. Como se depreende do texto legal, a incorporação imobiliária constitui um conjunto de atividades através das quais uma pessoa física ou jurídica constrói uma edificação e promove a alienação total ou parcial das unidades autônomas que a compõem. Por conta disso, tem-se como incorporadora a empresa que promove ou administra incorporações imobiliárias atividade essa praticada de forma preponderante pela consulente. A corroborar com essa assertiva, trazemos à colação o conceito de incorporação extraído da obra Vocabulário Jurídico, de Plácido e Silva, Editora Forense, 2001: Incorporação. Na terminologia dos negócios é aplicada a expressão para designar a iniciativa tomada por alguém com o intuito de realizar a construção do edifício de apartamentos sob o regime de condomínio, promovendo a colocação dos mesmos apartamentos entre pessoas que se mostrem interessadas em sua aquisição. A incorporação, neste aspecto, mostra-se em realidade, a instituição de prédio em condomínio apresentando-se o encarregado dessa incorporação verdadeiro fundador ou instituidor, em similar situação ao incorporador da sociedade anônima. Ocorre que a atividade econômica em foco incorporação imobiliária, apesar de merecer enquadramento sindical, não se encontra expressamente prevista no Quadro de Atividades e Profissões que complementa o art. 577 da CLT, o que não permite o enquadramento pelo critério da especificidade (art. 570, da CLT). Todavia, considerando o critério de conexão previsto no parágrafo único do art. 570 da CLT, pode-se enquadrar a atividade de incorporação imobiliária na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e 28 ANAIS DA CERSC
comerciais, integrante do 5º grupo do plano do comércio turismo e hospitalidade. No ponto, merece destaque o conceito de conexão constante da publicação Enquadramento Sindical no SICOMERCIO: CONEXIDADE (CONEXÃO) (v. similaridade): critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1. Conexas são as atividades que, não sendo semelhantes, complementam-se, como as várias atividades existentes na construção civil, por exemplo: alvenaria hidráulica, esquadrias, pastilhas, pintura, parte elétrica etc. (Sergio Pinto Martins); 2. A conexidade pressupõe a complementariedade das notas definidoras de duas ou mais realidades (Wilson de Souza Campos Batalha); 3. Por conexa, entende-se uma relação observada nos fatos da vida real entre pessoas que concorrem para o mesmo fim (Evaristo de Moraes Filho). Desse modo, tendo em conta os conceitos trazidos à colação atinentes à incorporação imobiliária, e, ressalvado o fato de que a empresa não pratica atividade ligada à construção civil afeta ao plano da indústria, vê-se que a atividade em questão apesar de não estar prevista de forma expressa no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT pode ser enquadrada por conexão na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais. Frise-se, por oportuno, que essa atividade já vem sendo contemplada pelos sindicatos que representam a citada categoria econômica. No SICOMERCIO, por exemplo, com registro deferido, temos 2 (dois) sindicatos representativos da categoria empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais, que também representam a atividade de incorporação imobiliária: 1) Processo CERSC nº 147 referente ao Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação, Administração, Incorporação e ANAIS DA CERSC 29
Loteamentos de Imóveis e dos Edifícios em Condomínios Residenciais e Comerciais do Paraná SECOVI-PR. Decisão proferida em 8 de outubro de 2002, deferindo a alteração de denominação e representação da entidade representante da categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis próprios ou de terceiros e de condomínios das incorporadoras de imóveis próprios ou de terceiros e condomínios das incorporadoras de imóveis das loteadoras, das urbanizadoras, dos edifícios em condomínios residenciais e comerciais e shopping centers, integrante do 5º grupo turismo e hospitalidade do plano da CNC; e 2) Processo CERSC nº 1.272 referente ao Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação, Administração, Incorporação e Loteamentos de Imóveis e dos Edifícios em Condomínios Residenciais e Comerciais de Santa Catarina SECOVI-SC. Decisão proferida em 8 de janeiro de 2008, deferindo a alteração de denominação e representação da entidade representante da categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis próprios ou de terceiros e condomínios das incorporadoras de imóveis, das loteadoras, das colonizadoras, das urbanizadoras, dos condomínios residenciais e comerciais e shopping centers, integrante do 5º grupo turismo e hospitalidade do plano da CNC. C O N C L U S Ã O Em face do exposto, considerando 1) que a atividade preponderante da consulente consiste na incorporação imobiliária; 2) que não há previsão expressa da atividade econômica por ela desenvolvida no Quadro de Atividades e Profissões, a que se refere o art. 577 da CLT; e 3) o critério de conexão, previsto no parágrafo único do art. 570 da CLT; sugerimos o enquadramento sindical da empresa Coimex Capital Empreendimentos Imobiliários Ltda. na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e 30 ANAIS DA CERSC
administração de imóveis residenciais e comerciais integrante do 5º grupo do plano do comércio turismo e hospitalidade. É o parecer, S.M.J. Lidiane Duarte Nogueira Advogada ANAIS DA CERSC 31
Processo CERSC nº 1.419 Origem: POLLOSHOP Participações e Empreendimentos Ltda. Rio de Janeiro, 24 de abril de 2008. Assunto: consulta. Enquadramento sindical. Shopping de descontos. Outlet. Empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais. R E L A T Ó R I O A empresa POLLOSHOP Participações e Empreendimentos Ltda., encaminha consulta acerca de seu enquadramento sindical. A consulta foi instruída com: 1. Cópia do cartão do CNPJ da empresa no qual consta como código e descrição da atividade econômica principal 41.10-7-00 Incorporação de empreendimentos imobiliários; e 2. Cópia da cláusula quarta do contrato social pelo qual a sociedade tem por objeto: 1) promoção e administração de eventos comerciais e culturais; 2) venda de locação temporária de espaços físicos de dependências de terceiros, contratadas para tal fim; 3) participação em eventos e promoções de terceiros; empreendimentos comerciais; 4) serviços de promoção e organização de eventos e/ou cursos; 5) participação societária em empresas de idêntico objeto social; 6) administração de bens móveis e imóveis próprios ou de terceiros; Ante o rol de atividades que integram o objeto social da consulente, em 02 de abril de 2008, para exata identificação de 32 ANAIS DA CERSC
sua atividade preponderante, por meio eletrônico, foram formuladas as seguintes questões: 1. A Polloshop desenvolve todas as atividades arroladas no citado art. 4º? 2. Em caso negativo, qual a atividade efetivamente praticada pela empresa? 3. A empresa desempenha atividade ligada ao setor da construção civil? Em resposta à diligência extraída, em 10 de abril de 2008, a consulente esclareceu que: 1. Sim, todas as atividades lá descritas fazem parte daquelas desenvolvidas pelo Polloshop. Esclarecemos que algumas delas são bastante parecidas, mas, para uma maior abrangência são discriminadas de forma um pouco diferenciada. De toda forma, a atividade preponderante é locação temporária de espaços físicos de dependência comerciais próprias ou de terceiros e administração de centros comerciais (grifo nosso). 2. Prejudicada; 3. Não. É a Embrasad (outra empresa) que desenvolve atividade de construção civil. A par da diligência extraída, a fim de complementar a instrução do processo em análise, trazemos ainda à colação notícia extraída do site da empresa. Vejamos: A partir do início dos anos 90, graças a abertura do mercado nacional e ao advento da globalização, o perfil do consumidor brasileiro experimentou uma série de mudanças. Com o aumento da oferta de produtos e serviços, o consumidor, agora mais crítico e consciente, passou a optar por locais que aliassem variedade, qualidade, preço, comodidade e segurança. Com a difícil missão de oferecer tudo o que este novo consumidor exigia, em 29 de julho de 1995 foi inaugurado o PolloShop. O ANAIS DA CERSC 33
primeiro shopping de descontos do Paraná, com mais de 200 lojas em um amplo mix de produtos. Considerado pela imprensa especializada e por economistas do Paraná um fenômeno de público e de vendas, o PolloShop lota seus corredores desde quando inaugurou. Conquistando cada vez mais a confiança e a fidelidade de uma clientela selecionada, que encontra no variado mix, produtos de alta qualidade a preços menores, o PolloShop passou a ser visto como referência comercial para a população de Curitiba. A antiga fórmula usada pelos varejistas CUSTO + LUCRO = PREÇO, no PolloShop foi revista e transformada para PREÇO CUS- TO = LUCRO. Ou seja, o baixo custo de instalação e manutenção garante o lucro e permite ao lojista vender sempre mais barato, tornando seus produtos acessíveis a um maior público consumidor. (...) Para assegurar os melhores preços aos seus clientes, o empreendimento conta com um grande diferencial: a inexistência de custos obrigatórios dos shoppings tradicionais. (...) Outro diferencial do PolloShop é a relação de parceria entre os empreendedores e lojistas, cujo único objetivo é consolidar o sucesso de ambas as partes. Esta fórmula resulta na fidelização do cliente, comprovada ano a ano através de inúmeras pesquisas. P A R E C E R À luz da Constituição Federal (art. 8º, II), o enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. 34 ANAIS DA CERSC
Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões que complementa a CLT foi recepcionado pela Constituição da República, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305- DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/ 1135). O que define o enquadramento sindical é a atividade preponderante da empresa, nos termos do disposto no 2º do art. 581. Desse modo, para que se proceda ao enquadramento sindical da consulente, primeiro, é preciso definir a atividade preponderante por ela desempenhada pela empresa consulente. Para tanto, cumpre-nos analisar seu objeto social: 1. Promoção e administração de eventos comerciais e culturais; 2. Venda de locação temporária de espaços físicos de dependências de terceiros, contratadas para tal fim; 3. Participação em eventos e promoções de terceiros; 4. Empreendimentos comerciais; 5. Serviços de promoção e organização de eventos e/ou cursos; 6. Participação societária em empresas de idêntico objeto social; 7. Administração de bens móveis e imóveis próprios ou de terceiros; Segundo informação prestada pela consulente, todas as atividades lá descritas fazem parte daquelas desenvolvidas pelo Polloshop. No entanto, afirma que a atividade preponderante é locação temporária de espaços físicos de dependência comerciais próprias ou de terceiros e administração de centros comerciais o que ensejaria o enquadramento na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e adminis- ANAIS DA CERSC 35
tração de imóveis residenciais e comerciais, integrante do 5º grupo do plano da CNC turismo e hospitalidade. A par disso, é importante lembrar que pelas informações extraídas do site www.polloshop.com.br, resta claro que a empresa consulente constitui um shopping de descontos também chamados de outlets espécie de shopping center. De acordo com a ABRASCE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SHOPPING CENTERS (www.abrasce.com.br), o shopping center constitui um centro comercial planejado, sob administração única e centralizada, composto de lojas destinadas à exploração de ramos diversificados de comércio, e que permaneçam, na sua maior parte, objeto de locação, ficando os locatários sujeitos a normas contratuais padronizadas que visam à conservação do equilíbrio da oferta e da funcionalidade, assegurando a convivência integrada e oferecendo aos usuários estacionamento permanente. Para ABRASCE, existem diversas classificações para shopping center, por exemplo: Comunitário: oferece um sortimento amplo de vestuário e outras mercadorias. Entre as âncoras mais comuns, estão os supermercados e lojas de departamentos de descontos. Entre os lojistas do shopping comunitário, algumas vezes encontram-se varejistas de off-price vendendo itens como roupas, objetos e móveis para casa, brinquedos, artigos eletrônicos ou para esporte. Vizinhança: é projetado para oferecer conveniência na compra das necessidades do dia-a-dia dos consumidores. Tem como âncora um supermercado. A âncora tem o apoio de lojas oferecendo outros artigos de conveniência. Especializado: voltado para um mix específico de lojas de um determinado grupo de atividades, tais como moda, decoração, náutica, esportes ou automóveis. Festival Center: está quase sempre localizado em áreas turísticas e é basicamente voltado para atividades de lazer, com restaurantes, fast-food, cinemas e outras diversões. 36 ANAIS DA CERSC
Outlet: consiste, em sua maior parte de lojas de fabricantes vendendo suas próprias marcas com desconto, além de varejistas de off-price. Na realidade, o shopping center, uma vez construído, pode dar origem a dois empreendimentos distintos: 1. o primeiro reúne um investimento imobiliário que administra e promove o marketing conjunto e aluga as lojas para que se processe o segundo negócio, que é o de vendas a varejo ou por atacado; e 2. a outra modalidade inclui a venda das lojas, cujos proprietários alugam ou desenvolvem seus próprios negócios e exercem a administração sob a forma de condomínio, mantendo as mesmas características físicas e ambientais que tipificam os shopping centers. Nesse tipo de organização, é preciso conciliar interesses de diferentes ramos de negócio, que têm, cada qual, política de compra e venda particular e filosofia comercial peculiar. Isso sem falar em outros tipos de pontos de venda, como quiosques e boxes que se distribuem ao longo dos corredores internos dos shoppings. Tem-se, portanto, que a empresa consulente promove e administra empreendimentos imobiliários procedendo à locação temporária de espaços físicos de dependência comerciais próprias ou de terceiros e à administração de centros comerciais, o que resulta no seu enquadramento sindical na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais, integrante do 5º grupo turismo e hospitalidade do plano da CNC. Por fim, cumpre esclarecer que o enquadramento das administradoras de shopping centers também se dá na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais, integrante do 5º grupo turismo e hospitalidade do plano da CNC. ANAIS DA CERSC 37
C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que diz respeito ao enquadramento sindical que a atividade preponderante de POLLOSHOP Participações e Empreendimentos Ltda. consiste na locação temporária de espaços físicos de dependências comerciais próprias ou de terceiros e na administração de centros comerciais; sugerimos o enquadramento sindical da empresa na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais integrante do 5º grupo do plano do comércio turismo e hospitalidade. É o parecer, S.M.J. Lidiane Duarte Nogueira Advogada 38 ANAIS DA CERSC
Processo 1.420 Origem: Real Contabilidade e Assessoria Ltda. Rio de Janeiro, 12 de maio de 2008. Assunto: consulta sobre enquadramento sindical da empresa Fernando Mattar Monte Mor-ME. R E L A T Ó R I O A Consulente, empresa FERNANDO MATTAR MONT MOR-ME, situada na cidade de Monte Mor, Estado de São Paulo, representada pelo Escritório de Contabilidade REAL CONTABILIDADE E ASSES- SORIA LTDA., formula consulta por escrito, em carta subscrita pelo seu contador, Sr. Gabriel de Castro Jolo, dirigida à CERSC, sobre enquadramento sindical profissional e patronal. Acrescenta na carta datada de 25 de abril de 2008 alguns dados, que foram ampliados em telefonema efetuado em 07 de maio de 2008, com o próprio titular e com a funcionária da REAL, Srta. Norlandi, como sendo uma empresa que está iniciando a operação, com capital de 5.000 reais, localizada nas cercanias de Campinas, SP. Nenhum sindicato patronal do comércio tem sede na cidade. O Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Capivari e região (Capivari, Rafart, Mombuca, Monte Mor e Elias Fausto), tem a cidade de Monte Mor na sua base territorial, sendo seu Presidente o Sr. Eder Roberto Antonelli, tel. 19-3491-5588, contatado na mesma data. Este Sindicato ainda não é filiado à Fecomércio/SP, mas está com a documentação parcialmente pronta. ANAIS DA CERSC 39
Os trabalhadores do comércio da cidade são representados pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Santa Bárbara, sendo Presidente o Sr. Adilson Pigatto que tem a cidade de Monte Mor na sua base territorial. Restou apurado que o maior interesse da Consulente é enquadrar seus empregados, mas foi-lhe explicado nessa ligação telefônica que não podemos enquadrar sindicalmente os trabalhadores, que tem meios de consultar os próprios sindicatos específicos ou ecléticos, paritários, previstos na Consolidação das Leis do Trabalho, no Artigo 577 e seu Quadro anexo de categorias econômicas e profissionais. P A R E C E R O enquadramento sindical até a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 05 de Outubro de 1988, era feito pela CES, Comissão de Enquadramento Sindical do então Ministério do Trabalho. Com a extinção desse serviço, a tarefa passou a ser feita pelas Confederações Sindicais, e a CNC, Confederação Nacional do Comércio, mantém, desde então, a CERSC, Comissão de Enquadramento Sindical do Comércio para tal mister, respondendo, sempre, de bom grado, às consultas específicas e concretas. Esclarecemos de início, que a CERSC não faz enquadramento sindical profissional, ratificando o que dissemos por telefone ao titular da REAL CONTABILIDADE E ASSESSORIA, Sr. Gabriel, bem como à funcionária Srta. Norlandi, porque os profissionais, empregados, têm sua própria Confederação e Federações, como também os Sindicatos próprios. A ambos foi explicado que, encontrando-se a categoria econômica específica, encontramos, também, a categoria profissional, devido ao sistema da paridade adotado no Art.577 da CLT, explicitado no Quadro Anexo das categorias econômicas e profissionais. 40 ANAIS DA CERSC
A atividade econômica declarada pela empresa é classificação e comercialização ao atacado, de resíduos e sucatas metálicas. Entendemos que a Consulente compra no varejo, de pessoas físicas e de pessoas jurídicas, diversos tipos de sucatas metálicas, bem como resíduos delas, e vende, separadamente, as mesmas após prensagem em blocos ou fardos de médio peso. O CNAE fornecido por ela na carta de consulta é: 46.87.-7-03, comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicos. Registre-se que o CNAE não é fonte de consulta para enquadramento sindical, mas, se mencionado pela Consulente, temos de abri-lo para maior e melhor conhecimento e discernimento do conteúdo da descrição. Informou por intermédio de ligação telefônica, o Presidente do Sindicato Patronal de Capivari, que as negociações sindicais dos empregadores e empregados no comércio da cidade de Monte Mor, são iniciadas pelas respectivas federações, incluindo a Fecomércio/ SP, junto com os respectivos sindicatos. Este fato foi confirmado com um dos advogados daquela federação. Informa ainda o Presidente do citado Sindicato, Sr. Eder Roberto Antonelli que o Sindicato está em contato com a Fecomércio/SP tendo como objetivo maior a filiação do mesmo àquela Federação. Se o sindicato ampliar sua representatividade acrescentando comércio varejista de sucatas, só o futuro dirá. Tendo em vista a proibição celetista de um sindicato representar mais de um grupo, varejista x atacadista, bem como ser o Sindicato de Capivari varejista e a Consulente ter comércio atacadista, a solução é filiação à Fecomércio/SP, caso assim decida. ANAIS DA CERSC 41
C O N C L U S Ã O Ante o exposto, submetemos à análise e julgamento da CERSC o parecer acima, que se aprovado, será a resposta a ser remetida à Consulente: Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo, sito à rua Rui Barbosa, 95 conj. 51/52 Bela Vista São Paulo-SP, CEP 013226-010, fone (11) 3251-0277. Aproveitamos para lembrar à Consulente que o recolhimento da contribuição sindical patronal, vai de 1º a 31 de janeiro, e para os autônomos todo o mês de fevereiro, sendo que para as empresas fundadas no ano, fora destes meses, o pagamento da contribuição sindical é integral. É o parecer, S.M.J. Eugenio Garcia Advogado 42 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1423 Origem: Fecomércio/RJ Rio de Janeiro, 23 de junho de 2008. Assunto: enquadramento sindical da empresa Centro Auditivo Telex S.A. Pauta. R E L A T Ó R I O A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro solicita análise e parecer acerca do enquadramento sindical da empresa Centro Auditivo Telex S.A., conforme formulário de consulta preenchido no site da Federação. Para tanto, encaminha: Formulário de consulta à Fecomércio/RJ preenchido pela empresa, fls. 2/3; Estatuto social da empresa, fls. 05/07; Ata da assembléia geral ordinária de 29/4/2006, fls. 04. P A R E C E R Consoante a Constituição da República de 1988 (art. 8, II), o enquadramento sindical fundamenta-se na categoria profissional ou econômica, de acordo com o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. ANAIS DA CERSC 43
Oportuno destacar que o Quadro acima referido que complementa a CLT foi recepcionado pela Constituição da República, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305- DF, Tribunal Pleno, Rel, Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/ 1135). Nesse passo, a fim de definir o enquadramento sindical da empresa, há que se identificar a atividade econômica por ela praticada, no caso, recorrendo primeiramente ao estatuto social, às fls. 05/07. De acordo com o artigo terceiro do estatuto, a sociedade tem por objetivo: a fabricação de aparelhos para surdez (equipados ou não com pilhas) e de aparelhos de recuperação e ou apoio das funções vitais humanas; importação, exportação e o comércio varejista de aparelhos para surdez, de aparelhos de medição de capacidade auditiva, de aparelhos e equipamentos odontológicos, de aparelhos e equipamentos médicos e hospitalares; assim como seus acessórios e peças; modelagem e montagem de aparelhos para surdez; assistência técnica e manutenção de máquinas, aparelhos e equipamentos de audição de capacidade auditiva. O formulário de consulta disponibilizado pela Fecomércio/RJ e preenchido pela empresa acrescenta, ainda, o que se segue: 1) Objeto social da empresa nos exatos termos constantes no contrato social da empresa: a sociedade tem por objeto a fabricação de aparelhos de surdez (equipado ou não com pilhas) e de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas; importação, exportação e o comércio atacadista e varejista de aparelhos para surdez, de aparelhos de medição de capacidade auditiva, de aparelhos e equipamentos odontológicos, de aparelhos e equipamentos médicos e hospitalares; assim como seus acessórios e peças; modelagem e montagem de aparelhos para surdez, assistência técnica e manut.. 44 ANAIS DA CERSC
2) Se houver atividade preponderante, favor esclarecer, também, como ocorre a relação de preponderância: comércio de aparelhos auditivos. 3) Mencionar, dentre as atividades constantes do contrato social, quais, efetivamente, são desenvolvidas pela empresa: comércio atacadista e varejista de aparelhos para surdez, fabricação de aparelhos para surdez (equipados ou não com pilhas) e de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas. 4) Mencionar se a atividade da empresa é varejista ou atacadista e discriminar também qual produto é comercializado por ela: comércio varejista e atacadista. 5) Informar se a empresa já é associada ou recolhe contribuição para algum sindicato patronal: Sindicato dos Lojistas do Comércio Município RJ (CNPJ 33.649.542/001-49). Buscamos, também, subsídios complementares (fls. 08), por meio eletrônico, junto à consulente, em 27 de maio de 2008, os quais foram respondidos (fls. 09), conforme a seguir: a) No que pertine à fabricação, pelo Centro Auditivo Telex S/A, de aparelhos para surdez (equipados ou não com pilhas) e de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas a mesma se dá para posterior venda a terceiros ou, também, diretamente ao consumidor final (usuário)? R.: Acontece de ambas as formas. Eles possuem lojas próprias que comercializam o produto diretamente para o consumidor final. Neste caso, o momento da fabricação se dá quando há a finalização da venda, atendendo a necessidade específica do cliente. Há, também, lojas franqueadas onde a fabricação do produto, por eles, se dá da mesma forma, após a finalização da venda ao consumidor final, porém, o produto é entregue diretamente ao franqueado com emissão de nota fiscal para ele. ANAIS DA CERSC 45
b) No que pertine à importação e exportação de aparelhos para surdez, de aparelhos de medição de capacidade auditiva, de aparelhos e equipamentos odontológicos, de aparelhos e equipamentos médicos e hospitalares; assim como seus acessórios e peças; modelagem e montagem de aparelhos para surdez se dá para comercialização somente para terceiros ou, também, diretamente ao consumidor final (usuário). R.: Eles apenas desenvolvem a atividade de importação. Ela se dá conforme a necessidade do cliente. Obviamente que há um estoque de produtos importados para atender o consumidor de forma imediata, porém, essa aquisição se dá de modo a reabastecer as peças/aparelhos que são constantemente utilizados conforme a requisição dos produtos. Ela ocorre tanto para o franqueado como para a loja própria. c) Se a empresa, no exercício dessas atividades, funciona como distribuidora para pontos de vendas e/ou franquias? R.: Sim. d) Indique o percentual financeiro correspondente a cada uma das atividades (a e b). R.: As duas são 100%. Tudo que é vendido é importado. Eles importam os produtos para, seguidamente, promover a fabricação conforme a necessidade do cliente. As atividades são interligadas, logo, não há diferenciação no percentual financeiro. Ainda, em complemento à instrução do processo em análise, extraímos dos sites da Empresa e da Associação Brasileira de Franchinsing ABF, fls.11/12 e 13, o seguinte: Natureza jurídica da empresa: sociedade anônima fechada, multinacional Unidades próprias = 8 Unidades franqueadas (varejo) = 54 46 ANAIS DA CERSC
Capital para instalação de franqueadas: de 45.000 a 80.000 Pela análise das informações disponíveis, a princípio, poder-seia aventar a hipótese de múltiplo enquadramento em face das inúmeras atividades descritas. Contudo, tal entendimento dificulta o funcionamento da empresa, no que pertine ao cumprimento simultâneo de instrumentos coletivos de trabalho. Convém lembrar o conceito de preponderância para efeito de enquadramento sindical, balizado na unidade do produto, cujas demais atividades concorram para essa unidade, ou seja, objetivo final empresarial. A par dessas informações, procuramos definir, primeiramente, quais as atividades praticadas pela empresa, a saber: fabricação de aparelhos para surdez e ou de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas; importação de aparelhos para surdez e ou de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas, para venda ao consumidor, através de lojas próprias ou de franqueados, inclusive insumos que concorrem para unidade do produto; venda ao consumidor de aparelhos para surdez e ou de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas, assim como de produtos importados, através de lojas próprias ou de franqueados; serviços de assistência técnica e manutenção de produtos. No que tange aos produtos de fabricação própria (exclusivo), e respectiva venda para revenda, diretamente ou através de lojas próprias, o enquadramento se dá no plano da Indústria. Encontra-se, também às fls.10, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica da empresa que classifica a atividade desenvolvida como industrial: código CNAE nº 32.50-7-03 e 32.50-7-04 fabricação de aparelhos e utensílios para correção de defeitos físicos e aparelhos ortopédicos em geral sob encomenda ou não, respectivamente. Oportuno registrar que, embora se ANAIS DA CERSC 47
constitua em relevante elemento para análise de um determinado caso concreto, a CNAE não define o enquadramento sindical, por tratar-se de mera classificação adotada para fim fiscal e estatístico. Quanto ao segundo item, atividade econômica de importação de produtos de terceiros, manifesta-se através da venda ou distribuição para revenda, por atacado, diretamente ou através de lojas próprias, cujo enquadramento se dá no Plano do Comércio. Cabe esclarecer que, no caso de produtos importados para utilização como insumos na linha de produção ou montagem, convergindo para unidade do produto fabricado, remanesce a atividade original, no caso industrial. No que toca à venda ao consumidor final, de produtos da linha de produção (exclusivos), notadamente quanto aos adquiridos de terceiros (importados), através de lojas próprias, ou de franqueados, vê-se afastado o fator venda de produtos exclusivos, portanto descaracterizada a atividade como acessória da matriz, fato esse que nos leva a entender que essa atividade manifesta-se plenamente na comercialização de produtos no varejo, do Plano da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Contudo, a análise para fins de enquadramento sindical se dará caso a caso, motivo pelo qual deixamos de fazê-lo nessa oportunidade. Por último, em relação à prestação de serviços de assistência técnica e manutenção dos mesmos produtos comercializados no varejo, entendemos que o enquadramento sindical acompanharia a atividade principal do estabelecimento, devendo ser analisado, também, caso a caso. C O N C L U S Ã O Em face do exposto e, levando-se em consideração que a análise versa sobre o enquadramento sindical específico da em- 48 ANAIS DA CERSC
presa Centro Auditivo Telex S.A, concluímos pelo seu duplo enquadramento sindical, a saber: 1. fabricação de aparelhos para surdez (equipados ou não com pilhas) e de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas, no Plano da Confederação Nacional da Indústria. Nessa circunstância a comercialização e/ou distribuição de produtos é conseqüência natural da produção; importação de insumos destinados à linha de produção ou montagem da unidade do produto, enquadra-se no Plano da Confederação Nacional da Indústria; 2. venda para revenda de aparelhos para surdez e ou de aparelhos para recuperação e ou apoio das funções vitais humanas, produzidos por terceiros (produtos importados), enquadra-se no 1º grupo comércio atacadista do Plano da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Com relação ao item 2, vale destacar que não há previsão de categoria específica (art. 577 da CLT). Nesse ponto a representação sindical estará adstrita ao sindicato eclético do comércio atacadista, com abrangência no município do Rio de Janeiro. Na hipótese de categoria econômica inorganizada, em primeiro grau, caberá à Fecomércio/RJ tal representação. É o parecer S.M.J. Marli Florido Assessora Sindical ANAIS DA CERSC 49
Processo CERSC nº 1424 Origem: SINDIÓPTICA-GO Rio de Janeiro, 30 de julho 2008. Assunto: Conflito de Representação entre Sindicatos Específicos Estaduais e Sindicatos Ecléticos Municipais. R E L A T Ó R I O O Sindicato do Comércio Varejista de Óptica, Jóias, Relógios, Cine-foto e Bijouterias do Estado de Goiás, SINDIÓPTICA-GO, envia consulta a esta Comissão objetivando solucionar conflito de representação existente entre a consulente e o Sindicato do Comércio Varejista de Anápolis, no tocante a empresa localizada naquele município. Em atenção à consulta, foram solicitadas maiores informações para uma melhor análise do caso concreto. As informações foram devidamente prestadas. P A R E C E R Analisando a documentação enviada, resta-se evidenciado que a consulente busca solução para o conflito de representação existente entre o sindicato específico estadual (SINDIOPTICA-GO) e o eclético municipal (Sindicato do Comércio Varejista de Anápolis-GO), em face da empresa FUJIOKA ELETRO IMAGEM S.A. que abriu filial na cidade de Anápolis. 50 ANAIS DA CERSC
Trata-se, no caso, de entidades que detém diferentes especificidades em suas respectivas representações: a municipal (eclética) se caracteriza pela especificidade territorial; a estadual (específica), por sua vez, se caracteriza pela especificidade da categoria representada. Diante desse quadro, cumpre definir qual especificidade deve prevalecer: a relativa ao território ou a referente à categoria representada. Nos socorremos, nesse momento, do art. 570 da CLT que diz: Art. 570. Os sindicatos constituir-se-ão, normalmente, por categorias econômicas ou profissionais específicas, na conformidade da discriminação do Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o Art. 577, ou segundo as subdivisões que, sob proposta da Comissão do Enquadramento Sindical, de que trata o Art. 576, forem criadas pelo Ministro do Trabalho. Parágrafo único. Quando os exercentes de quaisquer atividades ou profissões se constituírem, seja número reduzido, seja pela natureza mesma dessas atividades ou profissões, seja pelas afinidades existenciais entre elas, em condições tais que não possam sindicalizar eficientemente pelo critério de especificidade de categoria, é-lhes permitido sindicalizar-se pelo critério de categorias similares ou conexas, entendendo-se como tais as que se acham compreendidas nos limites de cada grupo constante do Quadro de Atividades e Profissões (grifamos). Pela legislação vigente, a regra para a constituição de um sindicato é a especificidade da categoria, sendo o ecletismo, portanto, uma exceção. Tal situação se dá pelo fato de que o sindicalismo empresarial nasce da solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas, semelhantes ou conexas, conforme podemos extrair do 1º, do art. 511, da CLT. Ou seja, a criação do ente sindical advém das peculiaridades de cada categoria econômica. ANAIS DA CERSC 51
Cumpre destacar que, muitas vezes, determinadas atividades econômicas são regidas por leis próprias, que são comuns apenas àqueles que atuam em um determinado ramo empresarial, por isso a necessidade da especificidade na representação. É o sindicato específico que vai ter acesso direto aos anseios de sua categoria. Em contrapartida, um sindicato eclético, por sua natureza, acaba não alcançando o mesmo sucesso, tanto é assim que comumente ocorre desmembramento de sindicatos ecléticos em específicos, não sendo permitido o caminho inverso, pois não faria sentido o desmembramento de uma entidade regra, para uma entidade exceção. Segue decisão do Supremo Tribunal Federal, na qual observouse a possibilidade do desmembramento sindical para a criação de entidade específica: A liberdade de associação, observada, relativamente às entidades sindicais, a base territorial mínima a área de um município, é predicado do Estado Democrático de Direito. Recepção da Consolidação das Leis do Trabalho pela Carta da República de 1988, no que, viabilizados o agrupamento de atividades profissionais e a dissociação, visando a formar sindicato específico. (RMS24.069, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 22-3-05, DJ de 24-6-05) (grifamos). Resta evidente, portanto, que a Lei considera a prevalência da especificidade face ao ecletismo. A situação do conflito de representatividade entre entidade estadual específica e municipal eclética já foi objeto de análise dessa CERSC no processo nº 1.104/2001, onde se considerou que, diante desse tipo de conflito, prevalece a entidade estadual em detrimento da municipal (cópia da decisão anexa). Dito isso, passamos a analisar o caso concreto, ou seja, o enquadramento da empresa objeto da disputa que originou a presente consulta. 52 ANAIS DA CERSC
Conforme contrato social enviado, percebe-se que a empresa FUJIOKA ELETRO IMAGEM S.A. tem como objeto as seguintes atividades: 1 O comércio de: equipamentos e materiais fotográficos e de laboratórios analógicos e digitais; equipamentos para laboratório óptico, produtos ópticos; eletroeletrônicos em geral; eletrodomésticos em geral; aparelhos de som, vídeo e imagem; instrumentos musicais; relógios; equipamentos e materiais de informática; telefonia e telecomunicação; calculadoras; canetas; materiais para escritório; artigos para refrigeração; pilhas e baterias; fitas, CDs, DVDs virgens ou gravados; brinquedos; além de todo o universo de acessórios para os produtos que compõem a linha de comercialização(...). Através de contato telefônico foi informado que a atividade preponderante da empresa é a comercialização de material óptico, o que se coaduna com a representação da mesma pela consulente, conforme podemos extrair de decisão proferida para situação análoga pela extinta CES Comissão de Enquadramento Sindical do então Ministério do Trabalho, in Dicionários Enquadramento Sindical, Volume II, 1986, José Carlos Arouca, editora LTr, pág. 145, senão vejamos: Considerando que dentre as atividades da empresa prepondera a que se dedica à venda de material óptico, resolve a CES opinar no sentido de que a mesma seja enquadrada na categoria econômica comércio varejista de material óptico, fotográfico e cinematográfico, do 2º grupo comércio varejista, do plano da CNC, e seus empregados, salvo diferenciados, na paritária categoria profissional. (Proc. Mtb 321.218/83, Rel. Roberval Luiz Caldas Simas, DOU 24.10.84, pág. 15.581) Dessa forma, a representação sindical da empresa FUJIOKA ELETRO IMAGES S.A. deve ser exercida pela entidade que representa a atividade de forma mais específica, que, no presente caso, é a entidade estadual. ANAIS DA CERSC 53
C O N C L U S Ã O Diante de todo o exposto, e em atenção a precedente dessa Comissão, que considerou a prevalência da entidade estadual específica em detrimento da entidade municipal eclética (Processo CERSC nº 1.104/2001) e, considerando o fato de a atividade exercida pela empresa estar dentro da área de representação da entidade estadual específica, opinamos pelo seu enquadramento na categoria econômica comércio varejista de material óptico, fotográfico e cinematográfico, do 2º grupo comércio varejista, do plano da CNC. É o parecer, S.M.J. Alain Alpin Mac Gregor Advogado 54 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.425 Origem: Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2008. Assunto: consulta. Enquadramento sindical de equipamentos de informática. R E L A T Ó R I O Trata-se de consulta formulada à CERSC pelo Presidente do Conselho Arbitral, órgão da FECOMÉRCIO/SP, Sr. Euclides Carli, acerca da real representação da categoria de equipamentos de informática, alvo de disputa por dois sindicatos filiados à Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Vale dizer, em 10 de janeiro de 2008, o Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo (SINCOELÉTRICO) encaminhou ofício ao presidente do Conselho Arbitral solicitando esclarecimentos sobre a representação do comércio varejista de equipamentos de informática no Estado de São Paulo. Em 14 de fevereiro de 2008 foi elaborado parecer pela assessoria jurídica da Federação que concluiu no sentido que a representação de equipamento de informática formulada pelo SINCOELÉTRICO pertence única e exclusivamente ao Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção, Maquinismos, Ferragens, Tintas, Louças e Vidros da Grande São Paulo (SINCOMAVI). Encaminhado o referido parecer ao sindicato consulente (SINCOELÉTRICO), em 19 de março de 2008, essa entidade ANAIS DA CERSC 55
formulou pedido de reconsideração ao Conselho Arbitral da Fecomércio/SP. Ante o exposto, o órgão arbitral, por meio de seu Presidente, Sr. Euclides Carli, formulou a presente consulta à CERSC acerca da real representação da categoria de equipamentos de informática, alvo de disputa pelos 2 (dois) mencionados sindicatos filiados à Federação, quais sejam: SINCOELÉTRICO e SINCOMAVI. P A R E C E R Em primeiro plano, cumpre tecer algumas considerações acerca da competência da CERSC para apreciar e dirimir conflitos de representação entre as entidades filiadas ao SICOMERCIO. O inciso III do art. 1º do Regimento Interno da CERSC estabelece que constitui atribuição desse órgão opinar sobre conflitos de interesse entre duas ou mais entidades sindicais, que disputem a representação na mesma base territorial. O inciso IV do mesmo diploma, por sua vez, dispõe que compete à CERSC resolver as consultas sobre enquadramento sindical formuladas pelas empresas comerciais e pelas federações, inclusive pelas que possuam órgãos estruturados em condições de conceder o registro sindical. A solicitação formulada nos presentes autos é de emissão de solução de consulta com vistas a esclarecer e, com isso, instruir a decisão do Conselho Arbitral da Federação, o que conforme bem salientado às fls. 27, se coaduna perfeitamente com o disposto no citado inciso III do art. 1º do Regimento Interno desta Comissão. Nesse sentido resta caracterizada a competência da CERSC para opinar sobre a consulta formulada. Ultrapassado esse ponto, cabe agora analisar a questão atinente ao enquadramento sindical da categoria econômica comércio varejista de equipamentos de informática. 56 ANAIS DA CERSC
À luz da Constituição Federal (art. 8º, II), o enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões que complementa a CLT foi recepcionado pela Constituição da República, como decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/1135). A atividade econômica em foco, apesar de merecer enquadramento sindical, não se encontra expressamente prevista no Quadro de Atividades e Profissões que complementa o art. 577 da CLT, o que, por conseqüência, não permite o enquadramento pelo critério da especificidade (art. 570, da CLT). A atividade de informática pode ser dividida em dois segmentos: hardware e software. O primeiro, indicando máquinas e equipamentos. O segundo, designando programas ou aplicativos que orientam o funcionamento do computador. O sistema computacional nada mais é de que o conjunto composto pelo somatório desses recursos físicos (hardware) e lógicos (software). Logo, por equipamentos de informática pode-se entender não só o conjunto de circuitos eletrônicos e os equipamentos que auxiliam no processamento de dados (mouses, impressoras, disco rígido, CPU, unidades de disco etc.), mas também os programas de computador. Na linguagem coloquial, o computador é o aparelho eletrônico capaz de efetuar operações importantes, como operações lógicas e matemáticas, sem intervenção de um operador humano durante seu funcionamento. Geralmente, o termo é usado para descrever o conjunto de aparelhos que funcionam junto com o sistema como monitor de vídeo, impressora, CD-ROM drive, teclado, mouse etc. No que diz respeito à evolução da informática ponto nodal para enquadramento dessa atividade, cabe lembrar que o ANAIS DA CERSC 57
surgimento desses aparelhos se deu nos anos 40/50 (1ª geração), evoluindo até o que, hoje, chamamos de equipamentos de 4ª geração (chips de silício microprocessadores). Como se vê, a comercialização desses aparelhos eletrônicos trata-se de recente atividade econômica, o que justifica a sua não contemplação pelo Quadro de Atividades e Profissões, a que se refere o art. 577 da CLT, inviabilizando assim, o enquadramento pelo critério da especificidade. Entretanto, considerando o critério de similaridade previsto no parágrafo único do art. 570 da CLT, pode-se enquadrar a atividade comércio varejista de equipamentos de informática, na categoria econômica comércio varejista de material elétrico e aparelhos eletrodomésticos, integrante do 2º grupo do plano do comércio comércio varejista. No ponto, merece destaque o conceito de similaridade constante da publicação Enquadramento Sindical no SICOMERCIO: SIMILARIDADE (v. conexidade): critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1) Similares são as atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem (Sergio Pinto Martins); 2) A similaridade pressupõe que sejam as mesmas algumas notas definidoras de duas ou mais realidades, desde que sejam relevantes e não meramente acidentais (Wilson de Souza Campos Batalha); 3) Com similar, quer se significar a existência de uma certa analogia entre as profissões (Evaristo de Moraes Filho). No que toca à jurisprudência sobre a matéria, no mesmo sentido são as decisões proferidas pela extinta CES, extraídas da publicação Enquadramento Sindical, Jurisprudência, Volume II, Ltr, 1986: Considerando que a empresa dedica-se exclusivamente à venda de microcomputadores no varejo, resolve a CES opinar pelo seu 58 ANAIS DA CERSC
enquadramento na categoria econômica por similitude, comércio varejista de material elétrico e aparelhos eletrodomésticos, do 2º grupo comércio varejista do plano da CNC e de seus empregados, exceção feita aos diferenciados, na paritária categoria profissional. (Proc. Mtb 437/84, Rel. Geraldo Mugayar, DOU 21.3.85, pág. 5.146). Por analogia, apenas como título ilustrativo, considerando a atividade atinente à fabricação de equipamentos de informática, trazemos à colação decisões proferidas pela extinta CES, no sentido de que, quando a atividade da empresa está voltada à industrialização de aparelhos eletrônicos (computadores), seu enquadramento fazse na categoria indústria de aparelhos elétricos, eletrônicos e similares : Considerando que a atividade da empresa está voltada à industrialização de aparelhos eletrônicos (computadores), seu enquadramento faz-se na categoria indústria de aparelhos elétricos, eletrônicos e similares.(proc. Mtb 316.537/84, Rel. Márcio Luiz Borges, DOU 7.6.84, pág.8.151). Definido o enquadramento sindical, passamos a tratar da questão referente à representação sindical da categoria econômica na qual se enquadra a referida atividade. Isso porque, como exposto no relatório, no Estado de São Paulo, a categoria econômica comércio varejista de equipamentos de informática é alvo de disputa por 2 (dois) sindicatos filiados à Federação: SINCOELÉTRICO e SINCOMAVI. Assim, no que toca à representação sindical, considerando que o SINCOELÉTRICO representa a categoria econômica comércio varejista de material elétrico e aparelhos eletrodomésticos, integrante do 2º grupo do plano da CNC comércio varejista, no Estado de São Paulo, resta claro ser essa entidade a legítima representante da categoria econômica comércio varejista de equipamentos de informática. ANAIS DA CERSC 59
C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que diz respeito ao enquadramento sindical da categoria econômica comércio varejista de equipamentos de informática, considerando 1) a ausência de previsão expressa da atividade econômica por elas desenvolvida no Quadro de Atividades e Profissões, a que se refere o art. 577 da CLT; 2) a jurisprudência da extinta CES; e 3) o critério de similaridade, previsto no parágrafo único do art. 570 da CLT; sugerimos seu enquadramento na categoria econômica comércio varejista de material elétrico e aparelhos eletrodomésticos, integrante do 2º grupo do plano da CNC comércio varejista. No que toca à representação sindical dessa categoria econômica, restou demonstrado que no Estado de São Paulo, o legítimo representante da categoria econômica comércio varejista de equipamentos de informática é o Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico e Aparelhos Eletrodomésticos no Estado de São Paulo (SINCOELÉTRICO). É o parecer, S.M.J. Lidiane Duarte Nogueira Advogada 60 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.426 Origem: Joedson Magalhães Casas (Contador) Rio de Janeiro, 16 de junho de 2008. Assunto: consulta sobre enquadramento sindical da empresa Cláudio Jonas Oliveira-ME (ACJDF FOTO E VIDEO). R E L A T Ó R I O A Consulente, empresa CLAUDIO JONAS OLIVEIRA ME (ACJDF FOTO E VIDEO), estabelecida no Município do Rio de Janeiro, formula consulta por escrito, em correio eletrônico subscrita pelo seu contador, Sr. Joedson Magalhães Casas, dirigida à CERSC, sobre enquadramento sindical patronal. Acrescenta nos correios eletrônicos de 11 e 13 de junho de 2008 alguns dados, que foram ampliados em telefonema efetuado em 13 de junho de 2008, com o próprio titular do escritório de contabilidade. Na realidade sua pergunta no item 4 do primeiro correio eletrônico é simples: Para qual Sindicato Patronal esta empresa deve contribuir? Com certeza refere-se à contribuição sindical patronal. ANAIS DA CERSC 61
P A R E C E R O enquadramento sindical até a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 05 de Outubro de 1988, era feito pela CES, Comissão de Enquadramento Sindical do então Ministério do Trabalho. Com a extinção desse serviço, a tarefa passou a ser feita pelas Confederações Sindicais, e a CNC, Confederação Nacional do Comércio, mantém, desde então, a CERSC, Comissão de Enquadramento Sindical do Comércio para tal mister, respondendo, sempre, de bom grado, às consultas sobre o plano de comércio patronal, específicas e concretas. A atividade econômica declarada pela empresa é dupla: Atividade principal: CNAE 46.49-4-07 comércio atacadista de filmes, CDs, DVDs, fitas e discos; Atividade secundária: CNAE 59.11-1-99 atividades de produção cinematográfica, de vídeos, e de programas de televisão não especificados. As atividades descritas estão corretamente transcritas do CNAE. Registre-se que o CNAE não é fonte de consulta para enquadramento sindical, mas, se mencionado pela Consulente, temos de abri-lo para maior e melhor conhecimento e discernimento do conteúdo da descrição. Informa a Consulente, tanto no primeiro correio eletrônico como no segundo, que abandonou a atividade principal e vai operar somente com a atividade secundária. Informa, ainda, que não quer modificar o contrato social e os registros devido ao custo elevado. 62 ANAIS DA CERSC
Ora, no Município do Rio de Janeiro não existe Sindicato específico de produtores cinematográficos, categoria que é representada pela categoria econômica de fotógrafos pertencentes ao 3º grupo do plano básico do comércio da CNC. Também não existe neste município Sindicato atacadista de comércio de filmes, CDs, DVDs, fitas e discos, embora exista a categoria econômica de comércio atacadista de aparelhos e materiais ópticos, fotográficos e cinematográficos, 1º grupo do plano básico da CNC, no Quadro das Categorias Econômicas, anexo ao Artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho. Como se trata de microempresa, ME, com capital social verificado de 5.000 reais, em qualquer Sindicato ou Federação recolherá a Consulente o mínimo de contribuição sindical para o ano 2008, que é de R$118,36. Tendo em vista que a Consulente não vai praticar atividade atacadista e como não existe Sindicato específico para a atividade que efetivamente irá praticar, a indicação para o recolhimento da contribuição sindical, fica restrita à Federação do Comércio do Estado. C O N C L U S Ã O Ante o exposto, submetemos à análise e julgamento da CERSC o parecer acima, que se aprovado, será a resposta a ser remetida à Consulente: A Consulente deverá recolher sua contribuição sindical para a FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no endereço: Rua Marquês de Abrantes nº 99, cep 22.230-060, Flamengo, fone 3138-1010/1117/1119, www.fecomercio-rj.org.rj e correio eletrônico: diretoria@fecomercio-rj.org.br. Aproveitamos para lembrar à Consulente que o recolhimento da contribuição sindical patronal, vai de 1º a 31 de janeiro, e para os ANAIS DA CERSC 63
autônomos todo o mês de fevereiro, sendo que para as empresas criadas ou fundadas no ano fora destes meses, o pagamento da contribuição sindical é integral. É o parecer, S.M.J. Eugenio Garcia Advogado 64 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1427 Origem: Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais Rio de Janeiro, 25 de junho de 2008. Assunto: enquadramento sindical da Empresa BELOTUR Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte no 3º Grupo do Plano da CNC Agentes Autônomos do Comércio. R E L A T Ó R I O A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DE MINAS GE- RAIS solicita consulta à Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio CERSC, sobre o enquadramento sindical da empresa BELOTUR Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte cuja atividade é prestação de serviço e assessoramento ligada a área de turismo. A consulta veio acompanhada dos seguintes documentos: I. Extrato da Reunião na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Seção de Relações do Trabalho, no dia 13/06/2008, entre o suscitante Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de Minas Gerais e suscitados BELOTUR Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte e Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais, relativa ao processo nº 46211.005018/ 2008-89 que pretende realizar o enquadramento da empresa BELOTUR; II. Cadastro datado de 11/06/2008 proveniente da Junta Comercial de Minas Gerais, concernente à empresa BELOTUR; III. Arts. 1º a 11º do Estatuto social da empresa BELOTUR. ANAIS DA CERSC 65
P A R E C E R A consulta decorre de dúvida proveniente da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais MG e Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, no Setor de Relações Trabalhistas, quanto ao enquadramento sindical da empresa BELOTUR Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte. Inicialmente, considerando as indagações formuladas, verificamos pelo estatuto social acostado às fls. 09 e 10, o que segue: Art. 1º Sob a denominação de Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S/A BELOTUR, acha-se constituída uma Sociedade Anônima, criada pelo artigo 14 da Lei Municipal nº 3237, de 11 de agosto de 1980, que é uma empresa pública da administração indireta municipal, com personalidade jurídica de direito privado, patrimônio próprio e autonomia administrativa, técnica e financeira, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e reger-se-á por este Estatuto... Ressaltamos que a empresa BELOTUR tem característica de empresa pública de administração indireta municipal. É importante pontuar a distinção entre as empresas públicas que prestam serviço público e empresas públicas que exercem atividade econômica, concorrendo com empresa privada. Reportamos ao esclarecedor posicionamento do Ministro Carlos Velloso, quanto do julgamento do STF do RE nº 220.907-RO, in verbis: É preciso distinguir as empresas públicas que exploram atividades econômicas, que se sujeitam ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias (CF., art. 173, 1º), daquelas empresas públicas prestadoras de serviços públicos, cuja natureza jurídica é de autarquia, às quais não têm aplicação o disposto no 1º do art. 173 da Constituição, sujeitando-se tais empresas prestadoras de serviço público, inclusive, à responsabilidade objetiva (C.F., art. 37, 6º). 66 ANAIS DA CERSC
Com este clareamento jurídico, podemos notar o posicionamento do STF, que adstrito de comentários, faz a distinção entre empresa pública prestadora de serviço público da empresa pública que exerce atividade econômica. Sobre o tema, reproduzimos outra decisão oriunda de medida cautelar da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.552, que esclareceu ainda mais a questão. Citamos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ADVOGADOS. ADVOGADO-EMPRE- GADO. EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA. Medida Provisória 1.522-2, de 1996, artigo 3º, Lei 8.906/94, arts. 18 a 21. CF., art. 173, 1º. I As empresas públicas, as sociedades de economia mista e outras entidades que exploram atividades econômicas em sentido estrito, sem monopólio, estão sujeitas ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. C.F., art. 173, 1º. (STF, ADIn nº 1552, Rel. Ministro Carlos Velloso). Assim, é correto dizer que as empresas públicas, as sociedades de economia mista e quaisquer outras entidades que explorem atividade econômica, sem monopólio, estarão sujeitas à legislação trabalhista das empresas privadas, visto que são concorrentes, nos termos do 1º do art. 173 da CF: Art. 173... 1º A empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividades econômicas sujeitam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. ENQUADRAMENTO SINDICAL Sanado o ponto relativo ao pagamento da Contribuição Sindical e passando para a análise dos documentos acostados, verificamos no objeto social da empresa BELOTUR, que exerce sua função ANAIS DA CERSC 67
em verdadeira parceria com a Secretaria de Turismo de Belo Horizonte é de fomentar o turismo na região, sem trabalhar propriamente com o turismo. Ou seja, no extrato proveniente da Junta Comercial de Minas Gerais, consta como atividade da empresa, a produção e promoção de eventos esportivos e ainda artes cênicas, espetáculos e atividades complementares não especificadas anteriormente, verdadeira atividade de prestação de serviços (assessoramento). Deste modo, pinçamos do estatuto social da empresa algumas atividades que corroboram tal assertiva. Vejamos: I Planejar, implantar, administrar, supervisionar e fiscalizar as unidades e complexos turísticos; II Licitar e contratar a concessão de exploração das unidades e complexos turísticos; III Realizar pesquisas, estudos, levantamentos e demais medidas concernentes à instituição de Áreas Especiais e locais de interesse turístico; IV Promover os recursos turísticos de Belo Horizonte nos mercados estadual, nacional e no exterior fomentando sua comercialização pela iniciativa privada; V Promover eventos culturais, artísticos e sociais que atendam à demanda de recreação e lazer no Município; VI Desenvolver a ação do Município relativamente aos serviços turísticos locais, através de fomento à iniciativa privada pela concessão de estímulos, proposições de sugestões e a elaboração de estudos planos e programas; VII Promover e administrar direta e indiretamente, eventos que possam atrair correntes turísticas para o Município; VIII Prestar serviços de sua especialidade a órgãos e entidades da administração pública e a particulares, mediante remuneração; 68 ANAIS DA CERSC
XI Manter sistema de informação e publicações turísticas relativas à cidade de Belo Horizonte; X Praticar toda e qualquer ação direta ou indiretamente relacionada com o desenvolvimento turístico, recreativo e de lazer de Belo Horizonte. Está claro, portanto, que tais atividades não são relativas à exploração da atividade turística e que, de acordo com o relatado pela empresa BELOTUR na ata de reunião na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais, em de 13 de junho de 2008, que esta realiza confecção de folder de turismo, organiza locais para propaganda e serve como agente regulador da Prefeitura auferindo renda através dos repasses advindos do Município de Belo Horizonte. Sendo assim, apesar da empresa consulente aparentar ser do setor de turismo (não vende pacotes turísticos, passagens aéreas ou hospedagem), ela age como entidade que auxilia a administração pública a realizar o fomento da atividade turística, esta sim, acreditamos que deva ser realizada pelas empresas agenciadoras de turismo local. Isto posto, de acordo com a atividade preponderante da empresa BELOTUR, deverá ser enquadrada no 3º Grupo do Plano do Comércio Agentes Autônomos do Comércio categoria econômica de empresas de assessoramento, perícias, informações e pesquisa. A representação sindical da empresa consulente, à vista de seu enquadramento sindical, tocará a entidade específica, se houver, no âmbito do município de Belo Horizonte. Na hipótese de inexistir sindicato, portanto estando desorganizada a categoria, sua representação passará a respectiva Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais, em razão do que estabelece o art. 591 da CLT. ANAIS DA CERSC 69
C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que diz respeito ao enquadramento sindical, das empresas prestadoras de serviço, considerando 1) que a atividade desempenhada pela empresa BELOTUR não é de exploração de turismo; e 2) que a atividade econômica da empresa é planejamento, assessoramento e prestação de serviços, atividade essa que é integrante do 3º grupo do plano do comércio agentes autônomos, do plano constante do Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT. É o parecer, S.M.J. Inez Balbino Petterle Advogada 70 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1429 Origem: Secretaria Geral. Rio de Janeiro, 26 de junho de 2008. Assunto: enquadramento sindical. Flats, flats-hotéis, hotéis-residence, lofts, aparts-hotéis, apart services condominiais, condohotéis e similares. SECOVI/SP. Prejuízo face ao PL nº 3118/2008. Pertinência. R E L A T Ó R I O O Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo SECOVI-SP, envia ofício a essa Confederação, solicitando seu apoio junto ao Ministério de Turismo e às Comissões de Turismo e Desporto; Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Constituição e Justiça e Cidadania; e de Trabalho, Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação, por onde irá tramitar o PL nº 3118/2008 que dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, definindo atribuições do Governo Federal no planejamento, desenvolvimento e estímulo ao setor turístico, e, da outra, providências. A solicitação de apoio do SECOVI-SP se dá em função de o mesmo vislumbrar grandes prejuízos para o setor que representa e em sua própria representação, em virtude de determinadas alterações pretendidas pelo PL apontado. Por conta disso, roga pela intervenção dessa entidade de Grau Superior para que não ocorra uma invasão, por parte da nova lei, não apenas no campo social, mas, também, na Organização Sindical de atividades enquadradas no 5º Grupo do Plano da CNC. ANAIS DA CERSC 71
Dessa forma, a Sra. Secretária Geral, por cautela, analisando a situação apresentada pelo sindicato, submete à CERSC a definição do enquadramento sindical da atividade econômica dos Flats, Flats- Hotéis, Hotéis-Residence, Lofts, Aparts-Hotéis, Apart Services Condominiais, Condohotéis e Similares, bem como possíveis aspectos políticos relacionados ao caso, para que, com esses subsídios, a CNC possa se posicionar. P A R E C E R Inicialmente destacamos que a organização sindical está regulada por lei e é estruturada em categorias cuja existência constitui pressuposto para associação em sindicatos, nos termos do art. 511 da CLT. O enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos, quadro esse recepcionado pela Constituição Federal, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1.131/1.135). Dito isso, passamos a analisar o enquadramento sindical dos Flats, Flats-Hotéis, Hotéis-Residence, Lofts, Apart-Hotéis, Apart Services Condominiais, Condohotéis e Similares. Empreendimentos ou estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços oferecidos aos hóspedes podem ser denominados apart-hotéis, hotéis residência, residenciais com serviços, flats etc. Cumpre esclarecer que os estabelecimentos comerciais em questão são empreendimentos imobiliários em forma de condomínio onde os apartamentos ou unidades habitacionais são construídos 72 ANAIS DA CERSC
para utilização mista, isto é, são utilizados tanto como moradias, oferecendo todos os serviços típicos de hotelaria aos eventuais moradores, quanto à locação temporária por períodos indeterminados, como acontece num hotel. Percebe-se assim que as atividades econômicas em questão são constituídas como edifícios multidisciplinares como a maioria dos edifícios, porém com a peculiaridade de oferecerem algum tipo de serviço ao morador temporário ou não, como por exemplo, o serviço de lavagem de roupa, de mensageiro, de arrumadeira dentre outros. A diferença básica entre esses empreendimentos ou estabelecimentos que se assemelham, e um hotel, é que, no primeiro caso, a unidade tem um proprietário particular, que pode ocupá-lo ou destiná-lo à hospedagem e paga condomínio mensal pela sua utilização, situação que não ocorre com um hotel. Os Flats, Flats-Hotéis, Hotéis-Residence, Lofts, Apart- Hotéis, Apart Services Condominiais, Condohotéis e Similares se distinguem apenas com relação ao tipo de ocupação, podendo ser divididos, a título ilustrativo, em três formas: Residencial Funciona como uma residência, onde se oferece aos condôminos alguns serviços também disponibilizados na atividade de hotelaria, sendo permitida, ao proprietário, sua locação a terceiros; Residencial com Hotel Além das unidades residenciais com ocupantes permanentes, existem unidades que integram um pool de ocupação por meio de hospedagem; Hotel residência São aqueles que apresentam apenas os serviços de hospedagem e que normalmente são administrados por uma operadora, sendo denominados, também de Condo-hotéis, ou hotéis em condomínio. Em todos esses casos, podem ter função exclusivamente residencial ou então residencial/comercial. Um exemplo que se enquadra na situação de exclusivamente residencial é a dos empreendimentos voltados para pessoas da tercei- ANAIS DA CERSC 73
ra idade, onde, em sua estrutura, são oferecidos aos ocupantes, além dos serviços básicos de arrumadeira, lavanderia etc.; também atendimento médico e atividades sociais específicas para essa faixa etária. No tocante a possibilidade de locação das unidades desses tipos de empreendimentos, destacamos que a lei nº 8.245/91 que dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes, reconhece em seu art. 1º, parágrafo único, letra a, item 4, que essa possibilidade existe para os apart-hotéis, hotéis-residência ou equiparados, assim considerados aqueles que prestam serviços regulares a seus usuários e como tais sejam autorizados a funcionar; destacando apenas que a situação permanece regulada pelo Código Civil e pelas leis especiais. Ultrapassada a definição desses tipos de empreendimentos, passamos ao enquadramento sindical da atividade desempenhada pelos mesmos. Para isso, remetemo-nos, nesse caso, à consulta análoga formulada pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Condomínios Residenciais e Comerciais em todo Estado do Rio de Janeiro (processo CERSC nº 914) acerca do enquadramento sindical de apart-hotéis, onde foi proferida pela CERSC, a seguinte decisão: (...) a) Os apart-hotéis têm administração nitidamente hoteleira, como componentes da categoria de hotéis, bares, restaurantes e similares, do quinto grupo do plano da CNC; b) Esclarecer que: 1) somente compõem a categoria de hotéis os apart-hotéis que têm administração tipicamente hoteleira, nela abrangidas as relativas aos hotéis, flats, hotéis residence e assemelhados; 2) não estão abrangidos pela deliberação os aparthotéis que possuam administração não hoteleira, ou seja, os que possuem administração própria, ou os que são administrados por empresas contratadas ou ainda os que são administrados por um 74 ANAIS DA CERSC
pool de empresas, nos termos definidos pelo sindicato interessado, no expediente em evidência, os que integram a categoria econômica de empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis residenciais e comerciais, e são representados pelos Secovis, dentro dos limites das respectivas bases territoriais, respeitados os casos em que porventura tenha havido dissociação com formação de sindicato por categoria específica. A decisão em questão se pautou em parecer técnico lavrado pelo advogado e assessor Ubiracy Cuóco nos autos do referido processo, que faz minuciosa diferenciação feita entre condomínios e flats, apart-hotéis, hotéis residência, residence-service, suite service etc., principalmente no que toca à sua administração. Transcrevemos, assim, alguns trechos relevantes do mencionado parecer: No caso em exame, o gênero é condomínios, na forma expressada na legislação pertinente, mas as especificidades podem ser tantas quantas venham a existir em decorrência do desenvolvimento econômico do Brasil. Os apart-hotéis constituem uma delas. (...) Os apart-hotéis são, indiscutivelmente, modalidades de condomínios, com características próprias que, quando ligadas ao ramo hoteleiro, integram o comércio hoteleiro. (...) O que na realidade pretendeu, foi definir que os apart-hotéis, quando sujeitos à administração hoteleira, integram o setor do comércio hoteleiro. Essa distinção também faz parte do documento apresentado pelo SECOVI. Ele distingue entre os que são administrados por hotéis e os que têm administração própria, autônoma e que compreendem três modalidades diferentes: a) os que têm administração própria, com execução dos serviços por intermédio de empregados do condomínio; b) os que têm administração contratada com empresas administradoras de condomínios; c) ANAIS DA CERSC 75
os que são administrados por um pool de empresas conforme refere o sindicato. Tudo depende do que está contido na convenção que institui o condomínio ou de deliberação da assembléia geral dos condôminos. (...) Evidencia-se que, se o apart-hotel está sujeito à administração hoteleira, integra categoria do grupo do comércio hoteleiro. Nos demais casos, constituem condomínio comum, compondo categoria representada pelo SECOVI. (...) Posto isto, opinamos no sentido de que sejam acolhidas as razões expostas no documento para, esclarecer que a) Somente são considerados como integrantes do ramo do comércio hoteleiro os apart-hotéis que, vinculados a determinado hotel, ou grupo de hotéis, tenham administração nitidamente hoteleira. Tendo administração hoteleira, o apart-hotel integrará categoria do grupo do comércio hoteleiro; b) E os demais apart-hotéis que não se encaixem na situação acima prevista (os três casos acima referidos), integram categorias incluídas na representatividade do SECOVI (de São Paulo e de outros Estados); c) O SECOVI representa, assim, todos os condomínios exceto os relativos apart-hotéis que estejam sob administração nitidamente hoteleira. Trazemos, também, para reforçar a decisão da CERSC acima transcrita, entendimento adotado pela extinta Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho: Apenas os condomínios residenciais e outros, sem objetivo econômico, estão isentos do enquadramento sindical, conforme já decidido por ato ministerial. Já aqueles que têm fins econômicos enquadram-se na categoria empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis do 5º grupo turismo e hospitalidade, do plano da CNC e seus empregados, salvo os diferenciados, na correspondente categoria profissional. (Proc. Mtb. 314.766/83, Rel. Déborah Monteiro Rodrigues, DOU 19.03.84, pág. 3.890)(in Dicionários Ltr, 76 ANAIS DA CERSC
Volume II, Enquadramento Sindical, Jurisprudência, José Carlos Arouca, 1986, p. 53, 66 e 67). Dessa forma, percebe-se que, na maioria dos casos englobados por esses empreendimentos, a representação sindical da categoria é exercida, legitimamente, pelo SECOVI, que, por sua natureza, tem vasta experiência nesse tipo de representação. Analisando o PL nº 3118/2008 o qual se pretende a atuação da CNC, em seu art. 23, item II, letra e, temos que: Art. 23. Os estabelecimentos hoteleiros, para obterem o cadastramento, devem preencher pelo menos um dos seguintes requisitos: (...) II no caso dos empreendimentos ou estabelecimentos conhecidos como condomínio hoteleiro, flat, flat-hotel, hotelresidence, loft, apart-hotel, apart service condominial, condohotel e similares, possuir licença edilícia de construção ou certificado de conclusão de construção, expedidos pela autoridade competente, acompanhados dos seguintes documentos: (...) e) documento comprobatório de enquadramento sindical da categoria na atividade de hotéis, exigível a contar da data de eficácia do segundo dissídio coletivo celebrado na vigência desta Lei (grifamos). Resta evidente na letra e, do inciso II, do art. 23 da proposição, que, em sendo aprovado o PL nº 3118/2008, a representação que hoje é dividida entre as entidades representantes dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares e o SECOVI, passará a ser abrangida apenas pelo primeiro, ceifando do segundo importante área de atuação. ANAIS DA CERSC 77
C O N C L U S Ã O Ante o exposto, concluímos que o enquadramento sindical dos empreendimentos ou estabelecimentos empresariais que explorem ou administrem a prestação de serviços de hospedagem mediante unidades mobiliadas e equipadas e outros serviços oferecidos aos hóspedes Flats, Flats-Hotéis, Hotéis-Residence, Lofts, Apart- Hotéis, Apart Services Condominiais, Condohotéis e Similares deve seguir a decisão proferida pela CERSC no processo nº 914, no sentido que: a) quando tiverem administração nitidamente hoteleira devem integrar a categoria econômica hotéis, restaurantes, bares e similares, do 5º grupo do plano da CNC turismo e hospitalidade; e b) não estão abrangidos por essa categoria econômica Flats, Flats-Hotéis, Hotéis-Residence, Lofts, Apart-Hotéis, Apart Services Condominiais, Condohotéis e Similares que possuam administração não hoteleira, ou seja, os que possuem administração própria, ou os que são administrados por empresas contratadas ou ainda os que são administrados por pool de empresas. Pertinente, portanto, a preocupação do SECOVI no tocante ao PL nº 3118/2008. É o parecer, SMJ. Alain Alpin Mac Gregor Advogado 78 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.433 Origem: FECOMÉRCIO/RJ Rio de Janeiro, 09 de setembro de 2008. Assunto: consulta sobre enquadramento sindical formulada pela empresa CCN Centro de Convenções LTDA. R E L A T Ó R I O A Fecomércio/RJ encaminha à CERSC, através do ofício nº 215/ 08, consulta sobre enquadramento sindical formulada pela empresa CCN Centro de Convenções LTDA., que, segundo informado, desenvolve atividade empresarial de administração do Centro de Convenções, incluindo a locação das áreas do referido Centro para empresas organizadoras de eventos, além do fornecimento de infraestrutura destas áreas. O formulário de fls 2/3 anexado ao processo esclarece (item 24) que o objetivo social da empresa, nos exatos termos do contrato social da empresa é o de construção e exploração do Centro de Convenções da cidade do RJ, incluindo as seguintes atividades: a) construção e operação do Centro de Convenções nos termos da concessão; (A atividade é operação do Centro de Convenções. Esta empresa não constrói nada.) b) arrendamento de parcelas da referida área de construção de qualquer dos empreendimentos. (Não é atividade da empresa.) ANAIS DA CERSC 79
c) aquisição de bens e serviços necessários à consecução das atividades do item anterior; (infra-estrutura das áreas, tais como: instalação de pontos hidráulicos, elétricos, internet, telefonia, retirada de caçamba de lixo etc.). e) exploração, administração e gerenciamento de estacionamento. (Não é atividade da empresa matriz.) Aponta, ainda, o documento em referência (item 25), que a atividade preponderante é a de Administração do Centro de Convenções, que inclui a locação das áreas do Centro de Convenções para empresas organizadoras de eventos, além do fornecimento de infra-estrutura destas áreas, tais como: a instalação de pontos elétricos, hidráulicos, telefone, internet, retirada de caçamba de lixo etc. E, mais adiante (item 26), menciona novamente que, dentre as atividades constantes do contrato social, a atividade desenvolvida pela empresa é a de operação do Centro de Convenções, que compreende a locação das áreas para a realização de eventos e a infra-estrutura destas áreas. Baseando-se em todas as informações prestadas pela empresa CCN Centro de Convenções Ltda., que trazem os subsídios necessários (fls. 2/3), passamos a elaborar o presente parecer. P A R E C E R Como se percebe, a atividade preponderante da empresa diz respeito à administração do centro de convenções do Rio de Janeiro para empresas que organizam eventos, incluindo-se dentro desta atividade o fornecimento de infra-estrutura necessária a essa administração, que são a instalação de pontos elétricos, hidráulicos, telefone, internet, retirada de caçamba de lixo e outras correlatas, ou seja, atividades complementares à preponderante, que é a de administração do centro. 80 ANAIS DA CERSC
De fato, não se vislumbra, no caso, outra hipótese que não seja a de relação de preponderância, conforme os termos do 2º do artigo 581 da Consolidação das Leis do Trabalho, que proclama: 2º. Entende-se por atividade preponderante a que caracterizar a unidade do produto, operação ou objetivo final, para cuja obtenção todas as demais convirjam, exclusivamente em regime de conexão funcional (grifamos). Portanto, entendendo-se que as demais atividades encontramse absorvidas pela preponderante, como visto, cabe, assim, promovermos o enquadramento da atividade de administração do centro de convenções. Segundo o dicionário Wikipédia, Centro de Convenções é o local onde se organizam eventos, palestras, feiras, shows ou congressos. Trata-se de grandes edifícios públicos com espaço bastante para acolher as empresas públicas e privadas em eventos sociais do município e áreas metropolitanas. Os grandes espaços adaptados a feiras são conhecidos como centro de exposições, enquanto o termo centro de convenção é, também por vezes empregado em referência aos locais e centros de exposições. Ora, tratando-se de empresa que se dedica à administração e locação de imóvel, finalidade precípua do Centro de Convenções Ltda., que administra e aluga determinado espaço para que outra empresa possa organizar eventos, entendemos que seu enquadramento se dá na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis, do 5º grupo, turismo e hospitalidade, do plano da CNC. A respeito da matéria, deve-se reproduzir, por necessário, a seguinte decisão da extinta Comissão de Enquadramento Sindical do Ministério do Trabalho CES: Considerando que a empresa tem por atividade preponderante a administração e a locação de lojas, resolve a CES opinar pelo seu enquadramento na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis, do 5º grupo, turismo e hospitalidade, do plano da CNC, e seus empregados, exceção feita ANAIS DA CERSC 81
aos diferenciados, na paritária categoria profissional. (Proc. MTb 7.989/84, Rel. Geraldo Mugayar, DOU 21.3.85, pág. 5.147 In Dicionários Enquadramento Sindical 1986 Editora LTr, pág. 15). C O N C L U S Ã O Desse modo, entendemos que o enquadramento de empresa do setor imobiliário, no caso, o Centro de Convenções Ltda. encontra agasalho na categoria econômica empresas de compra, venda, locação e administração de imóveis, do 5º grupo, turismo e hospitalidade, do plano da CNC, conforme o exposto acima. Registre-se ainda que, tendo em vista tratar-se de empresa sediada no Rio de Janeiro, sua representação caberá ao Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Estado do Rio de Janeiro SECOVI RJ. É o parecer, S.M.J. Guilherme Paes Barreto Brandão Advogado 82 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.435 Origem: FECOMÉRCIO/RJ Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2008. Assunto: consulta sobre enquadramento sindical formulada pela empresa BELLO VISO PRODUTOS DE BELEZA E HIGIENE PESSOAL LTDA. R E L A T Ó R I O A FECOMÉRCIO/RJ encaminha à CERSC, através do ofício nº 282/08, consulta sobre enquadramento sindical formulada pela empresa BELLO VISO PRODUTOS DE BELEZA E HIGIENE PESSOAL LTDA. Instrui a presente consulta o contrato social, bem como o formulário de contato site Fecomércio. Segundo informações constantes do citado formulário (fls. 2 quesito 24), que se encontra, inclusive, em consonância à cláusula segunda do próprio contrato social anexado ao processo (fls. 6/10), a sociedade terá como objetivo social o comércio atacadista, industrialização, beneficiamento de produtos capilares creme para pentear shampoo condicionadores reparadores de pontas, máscaras capilares e afins, distribuição, importação e exportação. O formulário de fls 2/3 anexado ao processo, esclarece (item 25) que inicialmente as atividades serão de comercialização e distribuição e que os produtos serão fabricados em uma indústria especializada na terceirização de fabricação. Em resposta ao quesito nº 26 menciona que, dentre as atividades constantes do contrato social, as efetivamente desenvolvi- ANAIS DA CERSC 83
das pela empresa são: comércio atacadista de produtos capilares creme para pentear shampoo condicionadores reparadores de pontes máscaras capilares e afins e distribuição. A empresa encontra-se em fase de constituição (quesito 28). P A R E C E R Como se sabe, o enquadramento sindical é feito com base nas atividades realmente desenvolvidas pela empresa, e não somente pelo que consta de seu contrato social. No caso em apreço, conforme se verifica, as atividades efetivamente desenvolvidas pela empresa serão de comércio atacadista de produtos capilares creme para pentear shampoo condicionadores reparadores de pontas, máscaras capilares e afins e distribuição. Outro fato relevante que deve ser destacado nesta oportunidade é o de que os produtos não serão sequer fabricados por ela, mas sim por uma indústria especializada na terceirização de fabricação, de acordo com o que informou a consulente (quesito 25). Afasta-se, assim, a existência de duplo enquadramento, no caso em tela. Ora, as atividades exercidas pela referida empresa não se encontram arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho. Entretanto, percebe-se a existência de similaridade entre as atividades comércio atacadista de produtos capilares, creme para pentear, shampoo, condicionadores, reparadores de pontas, máscaras capilares e afins, com as de comércio atacadista de drogas e medicamentos, nas condições de categorias similares. 84 ANAIS DA CERSC
A respeito, é preciso destacar o que preconiza o parágrafo 1º do art. 511 da Consolidação das Leis do Trabalho sobre a identidade de atividades: A solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas, similares ou conexas, constitui o vínculo social básico que se denomina categoria econômica. Do mesmo modo, o parágrafo único do art. 570 da CLT esclarece, a respeito da similaridade (critério utilizado supletivamente para se proceder ao enquadramento de atividades que não são arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões), o seguinte: Art. 570 (...) Parágrafo único. Quando os exercentes de quaisquer atividades ou profissões se constituírem, seja pelo número reduzido, seja pela natureza mesma dessas atividades ou profissões, seja pelas afinidades existente entre elas, em condições tais que não se possam sindicalizar eficientemente pelo critério de especificidade de categoria, é-lhes permitido sindicalizar-se pelo critério de categorias similares ou conexas, entendendo-se como tais as que se acham compreendidas nos limites de cada grupo constante do quadro de atividades e profissões. Conforme nos ensina o ilustre professor e magistrado, Sergio Pinto Martins, similares são as atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem. Evaristo de Moraes também enfatiza que, com similar, quer se significar a existência de uma certa analogia entre as profissões. C O N C L U S Ã O Por estas razões, entendemos que as atividades da empresa BELLO VISO PRODUTOS DE BELEZA E HIGIENE PESSOAL LTDA. en- ANAIS DA CERSC 85
contram-se enquadradas, por similaridade, na categoria econômica Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos, constante do 1º grupo do plano do comércio atacadista do plano da CNC, a exemplo do que foi decidido no processo nº 1.390-07 em matéria análoga, cuja decisão pedimos vênia para anexar ao presente parecer. Registre-se ainda que, tendo em vista que a referida empresa encontra-se sediada no Rio de Janeiro, sua representação caberá ao Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos do Estado do Rio de Janeiro. É o parecer, S.M.J. Guilherme Paes Barreto Brandão Advogado 86 ANAIS DA CERSC
Processo CERSC nº 1.436 Origem: Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 17 de setembro 2008. Assunto: consulta. Enquadramento sindical da empresa RISMED DISTRIBUIDORA LTDA. Distribuição de cartões telefônicos. R E L A T Ó R I O Trata-se de consulta formulada pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro acerca do enquadramento sindical da empresa RISMED DISTRIBUIDORA LTDA., a qual desenvolve atividade empresarial de comércio atacadista de cartões telefônicos (fls. 01). A fim de obter maiores esclarecimentos sobre a atividade desenvolvida pela empresa, em 09 de setembro de 2008, por meio eletrônico, solicitamos a remessa da cópia de seu contrato social (para análise do objeto social) e do cartão do CNPJ. Solicitamos ainda que caso constasse do contrato social mais de uma atividade econômica, fosse especificado se exerce todas as atividades nele arroladas e, em caso negativo, qual a atividade efetivamente exercida pela empresa (fls. 04). Em resposta, em 16 de setembro de 2008, a representanate da empresa encaminhou cópia da cláusula II do contrato social (fls. 06) e cópia do cartão de CNPJ (fls. 07), explicitando ainda, por e-mail, que, embora conste de seus atos constitutivos que o objeto social da empresa consiste na distribuição de cartões telefôni- ANAIS DA CERSC 87
cos, comércio e prestação de serviços de telefonia celular e de telecomunicações em geral, a sociedade pratica apenas a atividade de distribuição de cartões telefônicos e assemelhados como, por exemplo, chips, e que não exerce a atividade prestação de serviços de telefonia celular e de telecomunicações em geral. Por fim, salienta que esses cartões são adquiridos de terceiros (TIM, CLARO, VIVO, OI) para posterior comercialização no atacado. P A R E C E R À luz da Constituição Federal (art. 8º, II), o enquadramento deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, no qual as atividades estão distribuídas por diversos grupos. Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões que complementa a CLT foi recepcionado pela Constituição da República, como decidiu o Supremo Tribunal Federal (RMS 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, RTJ 137, pág. 1131/1135). Em primeiro plano, é importante identificar a atividade preponderante da empresa RISMED, vez que o enquadramento sindical tem por base a atividade preponderante, nos termos do disposto no 2º do art. 581 da CLT. No ponto, considerando que a atividade efetivamente exercida pela empresa é distribuição de cartões telefônicos e assemelhados, tem-se, portanto, como definida a atividade preponderante desempenhada pela empresa, ou seja, a comercialização no atacado de cartões telefônicos e assemelhados, conforme descrição constante, inclusive, de seu cartão do CNPJ. A corroborar, trazemos à colação o conceito de distribuição extraído da obra Vocabulário Jurídico, de Plácido e Silva, 18ª edição, 2001: 88 ANAIS DA CERSC
Distribuição. Também conhecido como contrato de concessão comercial (lato sensu), o contrato de distribuição é o acordo em que o fabricante, oferecendo vantagens especiais, compromete-se a vender continuadamente, seus produtos ao distribuidor, para revenda em zona determinada (Claudinei de Melo). Regula-o a Lei nº 6.729/ 79, que dispõe sobre a concessão comercial entre produtores e distribuidores de veículos automotores de via terrestre. Como se vê a atividade em foco se destina à comercialização para revenda de cartões telefônicos adquiridos de terceiros (operadoras telefônicas), ou seja, comércio por atacado de cartões telefônicos e assemelhados. A fim de sanar toda e qualquer dúvida sobre a questão, cabe, por fim, destacar o conceito de comércio por atacado constante da obra supra mencionada: Atacado: usado no comércio para indicar toda espécie de venda por grosso, isto é, em grandes quantidades, venda esta feita a outros comerciantes que vão revender as mercadorias compradas ou adquiridas. E assim se diz: venda por atacado, armazém de atacado, comércio por atacado. Desse modo, irrefutável é a assertiva de que a atividade preponderante da empresa RISMED é a distribuição (comércio atacadista) de cartões telefônicos e assemelhados. A atividade econômica em foco, apesar de merecer enquadramento sindical, não se encontra expressamente prevista no Quadro de Atividades e Profissões que complementa o art. 577 da CLT, o que, por conseqüência, não permite o enquadramento pelo critério da especificidade (art. 570, da CLT). Por outro lado, também não pode se falar em conexão ou similaridade, nos termos previstos no parágrafo único do art. 570 da CLT, vez que inexiste no referido Quadro atividade conexa ou similar àquela praticada pelas empresas representadas pelo SINDLEQ/PE. Vejamos os conceitos de conexão e similaridade extraídos da publicação Enquadramento Sindical no SICOMERCIO: ANAIS DA CERSC 89
CONEXIDADE (CONEXÃO) (v. similaridade): Critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1. Conexas são as atividades que, não sendo semelhantes, complementam-se, como as várias atividades existentes na construção civil, por exemplo: alvenaria hidráulica, esquadrias, pastilhas, pintura, parte elétrica etc. (Sergio Pinto Martins); 2. A conexidade pressupõe a complementariedade das notas definidoras de duas ou mais realidades (Wilson de Souza Campos Batalha); 3. Por conexa, entende-se uma relação observada nos fatos da vida real entre pessoas que concorrem para o mesmo fim (Evaristo de Moraes Filho). (...) SIMILARIDADE (v. conexidade): Critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1) Similares são as atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem (Sergio Pinto Martins); 2) A similaridade pressupõe que sejam as mesmas algumas notas definidoras de duas ou mais realidades, desde que sejam relevantes e não meramente acidentais (Wilson de Souza Campos Batalha); 3) Como similar, quer se significar a existência de uma certa analogia entre as profissões (Evaristo de Moraes Filho). Ocorre que, a despeito de não haver previsão expressa no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT e de não ser possível a adoção dos critérios legalmente previstos, na hipótese em tela, essa atividade merece representação sindical. Desse modo, a fim de dotá-la da correspondente representação sindical, a atividade preponderante da empresa RISMED distribuição de cartões telefônicos e assemelhados deve ser enquadrada no 1º grupo do plano da CNC comércio atacadista. 90 ANAIS DA CERSC
Por fim, cumpre esclarecer que, considerando que, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, essa categoria se encontra inorganizada em sindicato, sua representação caberia à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro. C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que diz respeito ao enquadramento sindical da empresa RISMED DISTRIBUIDORA LTDA., a qual desenvolve atividade empresarial de distribuição de cartões telefônicos e assemelhados, considerando 1) a ausência de previsão expressa da atividade econômica por ela desenvolvida no Quadro de Atividades e Profissões, a que se refere o art. 577 da CLT; 2) a impossibilidade de aplicação dos critérios de similaridade ou conexidade, previstos no parágrafo único do art. 570 da CLT; 3) a necessidade de representação sindical da atividade em foco; sugerimos seu enquadramento no 1º grupo do plano da CNC comércio atacadista cuja representação, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, deve ser exercida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro. É o parecer, S.M.J. Lidiane Duarte Nogueira Advogada ANAIS DA CERSC 91
Processo CERSC nº 1437 Origem: FECOMÉRCIO/AL Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2008. Assunto: consulta de enquadramento sindical. Empresas locadoras de veículos automotores. Atividade não inserida no Quadro de Atividades e Profissões. 3º Grupo Plano CNC Agentes Autônomos do Comércio. Pauta. R E L A T Ó R I O A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DO ESTADO DE ALAGOAS (FECOMÉRCIO/AL), no sentido de subsidiar posterior análise do pedido de filiação a ela formulado pelo Sindicato das Locadoras de Veículos Automotores do Estado de Alagoas (SINDILOC/AL), encaminha consulta acerca do enquadramento sindical da atividade econômica por ele representada (fls. 01), levando-se em consideração sua inexistência no Quadro de Atividades e Profissões do plano da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A consulta veio acompanhada do estatuto social do SINDILOC/ AL (fls. 02/20), prova de seu registro junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) fls. 21 e cópia de ata da Assembléia Geral que elegeu a Diretoria para mandato bienal referente ao período de 31.08.2008 a 31.08.2010 (fls. 22/23). 92 ANAIS DA CERSC
P A R E C E R Nos termos do art. 8º, inciso II, da Constituição da República (CR), o enquadramento sindical deve ser feito por categoria profissional ou econômica, observado o Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que a distribui por diversos grupos. Convém lembrar que o Quadro de Atividades e Profissões foi recepcionado pela CR, como decidiu o Supremo Tribunal Federal, no Recurso em Mandado de Segurança nº 21.305-DF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio (RTJ 137, pág. 1131/1135). Nesse contexto, o enquadramento sindical constitui relevante instrumento utilizado no Direito Coletivo do Trabalho na medida em que delimita, por exemplo, a área de exercício da representação sindical que, por sua vez, deflagra os efeitos legais decorrentes, tais como: recolhimento e partilha das contribuições sindicais, participação do sindicato nas negociações coletivas de trabalho etc. A par dessas observações, podemos avaliar a necessidade de a resposta identificar o correto enquadramento sindical da atividade representada pelo SINDILOC/AL, posto que validará, ou não, seu ingresso, como filiado, no respectivo órgão representativo de 2º grau. Com efeito, da leitura do estatuto social, observamos que o SINDILOC/AL foi constituído para representar a categoria econômica das empresas de locadoras de veículos automotores, (vide art. 1º fls. 02). A certidão do MTE de fls. 21, datada de 16.06.2008, declara que o sindicato foi registrado, em 25.06.2007 (data da publicação), como representante da categoria econômica das empresas locadoras de veículos automotores. Essa atividade econômica locação de veículos automotores, apesar de merecer enquadramento sindical, não se encontra expressamente prevista no Quadro de Atividades e Profissões, impe- ANAIS DA CERSC 93
dindo, via de regra, o enquadramento pelo critério da especificidade (art. 570, da CLT). Por outro lado, também não pode se falar em conexão (atividades que, não sendo semelhantes, complementam-se) ou similaridade (atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem), nos termos previstos no parágrafo único do art. 570 da CLT, uma vez que inexiste no referido Quadro atividade conexa ou similar àquela praticada pelas empresas representadas pelo SINDILOC/AL. A despeito de não haver previsão expressa no Quadro de Atividades e Profissões e de não ser possível a adoção dos critérios legalmente previstos, na hipótese em tela, essa atividade merece representação sindical. O comércio de serviços atividades sujeitas ao enquadramento sindical constitui setor da atividade produtiva que se desenvolve por meio de relações (contratuais) de cunho patrimonial. Comércio de serviços é toda atividade de prestação de serviços a terceiros, que é antecedida de prévio ajuste contrato de prestação de serviços. No caso, a atividade é de locação de veículos (bem móvel), e, como tal, configura espécie de prestação de serviço onde a empresa disponibiliza, ao interessado, veículo para sua utilização pessoal, mediante o pagamento de diária previamente estabelecida (relação contratual de conteúdo patrimonial). Assim, podemos concluir que a atividade de locação de veículos automotores por constituir prestação de serviço inerente ao setor do comércio, muito embora não esteja prevista expressamente no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT, nem pode ser enquadrada por conexão ou similaridade em qualquer das categorias ali contempladas, merece enquadramento no 3º grupo do plano do comércio de bens, serviços e turismo agentes autônomos do comércio. 94 ANAIS DA CERSC
A assertiva afigura-se correta na medida em que o referido 3º grupo, contempla outras atividades de comércio de serviços também desenvolvidas mediante contrato de prestação de serviço, como, por exemplo, a atividade de locação de fitas gravadas em vídeo cassete (locação de bem móvel). Além disso, convém ressaltar o fato de que a Comissão de Enquadramento e Registro Sindical do Comércio (CERSC) vem definindo que as empresas de locação de veículos automotores têm seu enquadramento sindical definido no 3º Grupo do Plano da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) agentes autônomos do comércio (precedentes: processos CERSC nº 1176/2002, decisão de 09.09.2002 e 1213/2003, decisão de 21.10.2003). Cite-se, por oportuno, que integrados no SICOMERCIO, encontramos os seguintes sindicatos que também representam a categoria econômica objeto de análise: 1. Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná SINDILOC/PR (filiado à FECOMÉRCIO/PR), registro deferido em decisão de 13.10.1998, enquadrada no 3º Grupo Agentes Autônomos do Comércio do Plano da CNC. (Processo CERSC nº 143/92) 2. Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado de São Paulo SINDILOC/SP (filiado à FECOMÉRCIO/SP), registro deferido em decisão de 10.12.2002, como entidade representante da categoria econômica Empresas Locadoras de Veículos Automotores, integrante do 3º grupo Agentes Autônomos do Comércio do plano da CNC. (Processo CERSC nº 865/99) 3. Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores do Estado do Ceará SINDILOCE (filiado a FECOMÉRCIO/CE), registro deferido em decisão de 13.03.2007, como entidade representante da categoria econômica empresas locadoras de veículos automotores, integrante do 3º grupo do plano do comércio agentes autônomos do comércio. (Processo CERSC nº 1057/99) ANAIS DA CERSC 95
Definido o enquadramento sindical da atividade exercida pelas empresas de locação de veículos automotores, categoria econômica cuja representação é exercida pelo SINDILOC/AL, falta, apenas, estabelecer a qual federação o sindicato em questão estaria vinculado. Isto porque, à luz da CLT, o sindicato não pode vincular-se à federação de sua escolha. Pode, até, filiar-se ou não à entidade à qual está enquadrado, mas o enquadramento já estará previamente estabelecido. Igual regra se aplica às empresas em relação aos entes sindicais de 1º grau que as representa (sindicatos). Levando-se em consideração a representação do SINDILOC/ AL e o fato de que a mesma está enquadrada no plano da CNC, encontra-se o mesmo vinculado à Federação do Comércio do Estado de Alagoas (FECOMÉRCIO/AL), entidade estadual eclética, representante do comércio de bens, de serviços e de turismo no Estado de Alagoas. C O N C L U S Ã O Em face do exposto, no que diz respeito ao enquadramento sindical das empresas de locação de veículos automotores, as quais desenvolvem atividade empresarial de prestação de serviço vinculada ao setor do comércio, considerando: 1) a ausência de previsão expressa da atividade econômica no Quadro de Atividades e Profissões a que se refere o art. 577 da CLT; 2) a impossibilidade de aplicação dos critérios de similaridade ou conexidade, previstos no parágrafo único do art. 570 da CLT e 3) o fato de que sua representatividade, em 1º grau, é exercida pelo SINDILOC/AL; sugerimos o enquadramento sindical da atividade de locação de veículos automotores no 3º grupo do plano do comércio de bens, serviços e turismo agentes autônomos do comércio cuja representação, no âmbito do Estado de Alagoas, deve ser exercida, em 2º grau, pela Federação do Comércio do Estado de Alagoas, não ha- 96 ANAIS DA CERSC
vendo, portanto, qualquer impedimento para que a FECOMÉRCIO/ AL aceite o pedido de filiação formulado pelo SINDILOC/AL. É o parecer, S.M.J. Roberto Lopes Advogado ANAIS DA CERSC 97
ANEXOS
GLOSSÁRIO Por meio do enquadramento sindical, empregado e empregador identificam as entidades que os representam, as normas coletivas a que estão sujeitos, bem como o ente beneficiário da contribuição sindical. Apresentamos a seguir conceitos fundamentais sobre esse tema. ATIVIDADE PREPONDERANTE (v. categoria econômica): atividade empresarial que caracteriza a unidade do produto, da operação ou do objetivo final, para qual todas as demais atividades convergem, exclusivamente, em regime de conexão funcional. É a atividade preponderante que define o enquadramento sindical (art. 581, 2º, CLT). CATEGORIA ECONÔMICA: 1. Setor da atividade produtiva (Amauri Mascaro Nascimento); 2. Setor da atividade econômica (idem) (art. 511, 1º, CLT). CATEGORIA PROFISSIONAL: conjunto de trabalhadores que exercem atividade profissional em similitude de condições no âmbito de um mesmo setor da atividade produtiva ou no âmbito de setores similares ou conexos (art. 511, 2º, CLT). A categoria diferenciada nada mais é do que a formação de sindicato por profissão, pois só os trabalhadores podem formá-la (Sergio Pinto Martins). CATEGORIA PROFISSIONAL DIFERENCIADA: conjunto de trabalhadores que exercem profissões ou funções diferenciadas por força de estatuto profissional especial ou em conseqüência de condições de vida profissional singulares (art. 511, 3º, CLT). ANAIS DA CERSC 101
CONEXIDADE (CONEXÃO) (v. similaridade): critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1. Conexas são as atividades que, não sendo semelhantes, complementam-se, como as várias atividades existentes na construção civil, por exemplo: alvenaria hidráulica, esquadrias, pastilhas, pintura, parte elétrica etc. (Sergio Pinto Martins); 2. A conexidade pressupõe a complementariedade das notas definidoras de duas ou mais realidades (Wilson de Souza Campos Batalha); 3. Por conexa, entende-se uma relação observada nos fatos da vida real entre pessoas que concorrem para o mesmo fim (Evaristo de Moraes Filho). DESMEMBRAMENTO DE CATEGORIA: é a subdivisão de categoria econômica ou profissional específica (art. 570, caput, CLT), caracterizando o surgimento de uma nova categoria, em decorrência de seu desenvolvimento socioeconômico. DISSOCIAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO: fenômeno que se dá com as atividades concentradas pelos critérios de similaridade ou conexão (art. 570, 1º, CLT). Qualquer dessas atividades poderá, posteriormente, dissociar-se para se organizar em sindicato específico, desde que ofereça possibilidade de vida associativa regular e de ação sindical eficiente (art. 571, CLT). ENQUADRAMENTO (SINDICAL) INDIVIDUAL: vinculação de empregador, empregado ou trabalhador autônomo a alguma das categorias previstas no Quadro de Atividades e Profissões, em razão da identidade, similaridade ou conexidade. ENQUADRAMENTO (SINDICAL) COLETIVO: ato de colocação [vinculação] de uma associação profissional reconhecida de grau inferior no quadro de outra associação profissional reconhecida de grau superior (Cesarino Junior). 102 ANAIS DA CERSC
SIMILARIDADE (v. conexidade): Critério utilizado supletivamente para proceder ao enquadramento sindical de atividades não arroladas expressamente no Quadro de Atividades e Profissões (art. 511, 1º, CLT). 1) Similares são as atividades que se assemelham, como as que numa categoria pudessem ser agrupadas por empresas que não são do mesmo ramo, mas de ramos que se parecem (Sergio Pinto Martins); 2) A similaridade pressupõe que sejam as mesmas algumas notas definidoras de duas ou mais realidades, desde que sejam relevantes e não meramente acidentais (Wilson de Souza Campos Batalha); 3) Com similar, quer se significar a existência de uma certa analogia entre as profissões (Evaristo de Moraes Filho) REPRESENTAÇÃO ECLÉTICA: Representação sindical, exercida por uma única entidade, de categorias distintas e afins integrantes de um mesmo grupo que compõe o Quadro de Atividades e Profissões (parágrafo único do artigo 570 da CLT). REPRESENTAÇÃO ESPECÍFICA: Representação sindical de uma única categoria específica (art. 570, caput, CLT). ANAIS DA CERSC 103
Quadro de Atividades e Profissões (art. 577 da CLT)