Produção de Extratos Vegetais



Documentos relacionados
PROCESSOS EXTRATIVOS. Profa. Dra. Wânia Vianna 1s/2014

Formas farmacêuticas líquidas - Soluções

DEFUMAÇÃO. Aplicação da defumação. Defumação: DEFUMAÇÃO. Efeito conservante da defumação MECANISMO DE AÇÃO DA FUMAÇA

16/04/2015. Aldeídos, cetonas, ácidos, alcoóis e peróxidos.

PROCESSO DE FERMENTAÇÃO CONTÍNUA ENGENHO NOVO - FERCEN

TECNOLOGIA DE ALIMENTOS

Período de injeção. Período que decorre do início da pulverização no cilindro e o final do escoamento do bocal.

XI- MÉTODOS DE PREPARAÇÃO DAS FORMAS FARMACÊUTICAS DERIVADAS

Comparação da câmara de secagem spray de 3 estágios com a câmara tradicional de 2 estágios.

Utilização do óleo vegetal em motores diesel

Balanço de Massa e Energia Aula 5

DESIGN DE EMBALAGENS PARA ALIMENTOS, FERRAMENTA ESSENCIAL DE COMPETITIVIDADE. Erivan Witamar EW Design Studio

Reconhecimento e explicação da importância da evolução tecnológica no nosso conhecimento atual sobre o Universo.

Universidade Paulista Unip

Processos de gerenciamento de projetos em um projeto

FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTOS QUÍMICOS - FISPQ 1 IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO E DA EMPRESA 2 COMPOSIÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OS INGREDIENTES

PRODUTO: QUIVI LIMPA VIDROS Detergente para limpar e desengordurar superfícies lisas tais como vidros e cristais.

CLORETO DE SÓDIO REFINADO

Manipulação caseira de fitoterápicos. Módulo 5 Farm. Ms. Ana Cimbleris Alkmim

SUMÁRIO. Daniel Bortolin02/02/2015 ÍNDICE: ÁREA. Número 80 Título. Aprovação comunicada para Cintia Kikuchi/BRA/VERITAS; Fernando Cianci/BRA/VERITAS

CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS PELO CONTROLE DA UMIDADE

controlar para crescer NUTRIENTE IDEAL PARA FLORAÇÃO, FRUTIFICAÇÃO E FORMAÇÃO DE SEMENTES FLORAÇÃO

MÉTODOS DE EXTRAÇÃO E FRACIONAMENTO DE EXTRATOS VEGETAIS

Preparação de Soluções

lubrificantes e combustíveis

Modelo TS-243 ESCOVA GIRATÓRIA ARGAN OIL + ION MANUAL DE INSTRUÇÕES

Membranas Biológicas e Transporte

Purificação do Éter Etílico. Felipe Ibanhi Pires Mariane Nozômi Shinzato Raquel Amador Ré

DRÁGEAS COMPRIMIDOS REVESTIDOS

O GRUPO MERCADO COMUM RESOLVE:

Produto para proteger e dar brilho em superfícies de plástico e borrachas

ARGUMENTÁRIO TÉCNICO LIMPEZA DE OBRAS POLÍCROMAS

ME-10 MÉTODOS DE ENSAIO DETERMINAÇÃO DA UMIDADE PELO MÉTODO EXPEDITO ( SPEEDY )

MF-1309.R-2 - MÉTODO DE LIXIVIAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS EM MEIO ÁCIDO - TESTE DE LABORATÓRIO

Fisiologia Vegetal 1. A ÁGUA NA VIDA DAS PLANTAS:

1. DETERMINAÇÃO DE UMIDADE PELO MÉTODO DO AQUECIMENTO DIRETO- TÉCNICA GRAVIMÉTRICA COM EMPREGO DO CALOR

FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) PRATICE LIMPEZA PESADA

1. Introdução As funções da embalagem Classificação das embalagens Principais características dos materiais de embalagem 6

Produção de Biodiesel: Pesquisa de síntese e Purificação. Prof. Dr. José Ribeiro dos Santos Junior UFPI / CRQ-PI


FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos)

EXTRAÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS VEGETAIS. Aula II. Douglas Siqueira de Almeida Chaves

SECÇÂO 1. Identificação da substancia/preparação e da sociedade

Um sistema bem dimensionado permite poupar, em média, 70% a 80% da energia necessária para o aquecimento de água que usamos em casa.

ENERGIA DO HIDROGÊNIO - Célula de Combustível Alcalina

NORMAS INTERNAS DA UTILIZAÇÃO DO HERBÁRIO DO CÂMPUS DE AQUIDAUANA - UFMS/CPAq

Alternativas tecnológicas disponíveis. Variações de custo e de segurança das operações.

Bicos Pulverizadores. Análise da Pulverização. Fabricação da Pulverização. Controle da Pulverização. Sistema de Lubrificação Spraying Systems

MEDIÇÃO DE TEMPERATURA

Revista Brasileira de Energias Renováveis INFLUÊNCIA DA TAXA DE REFLUXO NO PROCESSO DE DESTILAÇÃO PARA OBTENÇÃO DE ETANOL HIDRATADO¹

NHE-375E BOLETIM TÉCNICO. Condutivo Epóxi

Concentração física de minerais

CÓDIGO...: FISPQ-391 REVISÃO..: 08 FOLHA...: 1 / 6 DATA...: 09/2015 FICHA DE INFORMAÇÕES DE SEGURANÇA DE PRODUTO NAFTALENO SULFONATO DE SÓDIO

1 Introdução simulação numérica termoacumulação

Especializados na concepção e produção sob medida de equipamentos de secagem, resfriamento e processamento térmico para a indústria.

Pesquisa de Fosfatase Alcalina em Leite Fluido por Colorimetria


16/09/2015. movimentação de materiais colheita manual e mecânica na quinta transporte refrigerado transporte de gado vivo transporte em tapete rolante

02/ REV.0. Fritadeira Inox 2,5L. Manual de Instruções SOMENTE SOMENTE PARA USO PARA DOMÉSTICO

Água e Soluções Biológicas

Bombas de Vácuo e Compressores de Anel Líquido Nash para Indústrias Químicas

1. Introdução. António Barreto Archer * e João Rui Machado **

Ficha de informação de segurança de produto químico (FISPQ) DESENGORDURANTE MALTEX.

MODIFICADORES DE REOLOGIA:

Química 12º Ano. Unidade 2 Combustíveis, Energia e Ambiente. Actividades de Projecto Laboratorial. Janeiro Jorge R. Frade, Ana Teresa Paiva

2- Composição e informações Sobre Ingredientes:

Genkor. 32 FOOD INGREDIENTS BRASIL Nº Introdução

BIORREATORES E PROCESSOS FERMENTATIVOS

FARMACOGNOSIA. Matéria-Prima Vegetal

X Congresso Brasileiro de Engenharia Química Iniciação Científica

MANUAL DE INSTRUÇÕES. Modelo TS-242 ESCOVA GIRATÓRIA

Chemguard - Sistemas de Espuma. Sistemas de espuma de alta expansão DESCRIÇÃO: SC-119 MÉTODO DE OPERAÇÃO

Profa. Maria Fernanda - Química nandacampos.mendonc@gmail.com

Procedimentos de montagem e instalação

Analisar e aplicar os princípios da extração sólido-líquido e líquido-líquido na separação e purificação de produtos.

SOLUÇÕES SOLUÇÕES MISTURAS

CAPÍTULO 7 PSICROMETRIA. - Dimensionamento de sistemas de acondicionamento térmico para animais e plantas

HIPEX SECANT Abrilhantador Secante para Louças

Departamento de Química Inorgânica 2. SOLUÇÕES

DISPERSÕES. Profa. Kátia Aquino

PROTEÇÃO DE CULTIVOS. Manejo de plantas daninhas IMPORTÂNCIA DA CORRETA APLICAÇÃO DO GLIFOSATO PARA O DESENVOLVIMENTO E A PRODUTIVIDADE DAS CULTURAS

Edital Nº. 04/2009-DIGPE 10 de maio de 2009

FICHA DE INFORMAÇÃO DE SEGURANÇA DE PRODUTO QUÍMICO FISPQ. Compositions Plásticos e Derivados Ltda

Associação Catarinense das Fundações Educacionais ACAFE PARECER RECURSO DISCIPLINA QUÍMICA

OPERAÇÕES E PROCESSOS DA T.A.

QUÍMICA SEGUNDA ETAPA

FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos)

SurTec 722-B Processo de zinco a base de cianeto

RESUMOS TEÓRICOS de QUÍMICA GERAL e EXPERIMENTAL

Sistema de vácuo ICE Condensation Körting. para aplicações em óleo comestível

Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos VEDACIL

Espresso Cod. M0S Edizione 1H10

Box 2. Estado da solução Estado do solvente Estado do soluto Exemplos

FISPQ. Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico AQUATACK RB-900 AQUATACK RB-900. Não disponível. Basile Química Ind. e Com. Ltda.

A escolha dos profissionais.

Controle II. Estudo e sintonia de controladores industriais

4 EJETORES E SISTEMAS DE VÁCUO

1 Separação de Misturas.

FISPQ Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos

Ficha de informação de segurança de produto químico (FISPQ) ÁLCOOL GEL 67% MALTEX

Transcrição:

Produção de Extratos Vegetais Coleta Preparação do Material Vegetal Secagem e Estabilização Moagem Extração Métodos a quente e/ou frio Concentração dos Extratos Fracionamento dos Extratos Solventes (Partição Líquido-Líquido e Extração Ácido- Base) Técnicas Cromatográficas Análise Química Métodos Espectrofotométricos (IR, UV, RMN, etc..) Métodos Espectrométricos (EM)

Produção de Formas Farmacêuticas Derivadas de Plantas Medicinais

Produção de Extratos Vegetais Fatores que Podem Interferir no Processo de Extração grau de divisão da droga vegetal; meio extrator: seletividade do solvente depende da sua polaridade*; agitação; temperatura: pode influenciar de maneira positiva, aumentando a solubilidade de determinado princípio ativo, assim como de maneira negativa, promovendo a degradação de princípios ativos termolábeis. tempo: varia em função do material a ser extraído, do estado de divisão da droga, natureza das substâncias, do solvente empregado, agitação e temperatura. *Exemplo de solventes utilizados em extração de drogas vegetais: Solvente Éter de petróleo, hexano Tolueno, diclorometano, clorofórmio Acetato de etila, n-butanol Etanol, metanol Misturas hidroalcoólicas, água: água acidificada: água alcalinizada: Tipos de substâncias preferencialmente extraídas lipídeos, ceras, pigmentos antraquinonas livres, óleos voláteis, glicosídeos cardioativos flavonóides, cumarinas simples heterosídeos em geral Saponinas, taninos alcalóides saponinas

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia A administração de agentes terapêuticos necessita da sua incorporação em uma forma farmacêutica, caracterizada normalmente pelo seu estado físico de apresentação, constituída de componentes farmacologicamente ativos e de adjuvantes farmacêuticos. A escolha da forma farmacêutica mais apropriada para um produto fitoterápico deve preconizar os seguintes objetivos: manter a eficácia e segurança dos componentes ativos e assegurar sua qualidade; facilitar a aplicação do medicamento, através da via de administração mais apropriada; permitir a administração de dose efetiva do componente ativo, com precisão adequada ao seu emprego seguro e sua adequação a casos específicos; contornar problemas de estabilidade, através da ação de adjuvantes farmacêuticos; adequar as propriedades da forma farmacêutica às necessidades fisiológicas da via de administração, como por exemplo, a adição de tonicizantes, que conferem uma pressão osmótica fisiologicamente compatível com a via ocular e parenteral; direcionar a cedência de princípios ativos, seja quanto ao local mais apropriado para a absorção ou quanto ao perfil de liberação; aumentar o nível de aderência ao tratamento, através de adjuvantes secundários, tais como os adequadores organolépticos, que conferem características sensoriais (gustativas, olfativas e visuais) aceitáveis ao produto. A obtenção de uma forma farmacêutica fitoterápica requer, portanto, já desde o momento de seu planejamento, a existência de conhecimentos suficientes para responder adequadamente a esses critérios, considerando ainda a viabilidade técnica de sua produção, seja em nível oficinal, hospital ou industrial.

Produção de Extratos Vegetais Pós Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Formas Farmacêuticas Sólidas São constituídos por partículas sólidas, de granulometria definida e, na maioria dos casos, destinada a preparações extemporâneas. Ex.: Drogas vegetais moídas empregadas na obtenção de chás, ou por extratos secos destinados à dissolução, a quente ou a frio, em um líquido adequado (água, misturas hidroalcoólicas, óleos, etc.). Ponto crítico: determinação da granulometria. Granulados São obtidos pela aglomeração de matérias-primas pulverizadas e adjuvantes farmacêuticos através do emprego de aglutinantes. A incorporação de matérias-primas vegetais líquidas, tais como óleos fixos e voláteis, sucos, soluções extrativas e extratos na granulação por via úmida é uma alternativa metodológica na obtenção de granulados. Normalmente são destinados a preparações extemporâneas, tais como soluções ou suspensões, preparadas a quente ou a frio. Nesses casos, é altamente recomendável a individualização das doses em embalagens apropriadas. Cápsulas Por definição, é uma forma farmacêutica de dose individualizada, sendo constituída por um invólucro mais ou menos elástico e por um complexo farmacêutico que contém os princípios ativos e os adjuvantes. Esses complexos farmacêuticos podem ser produtos secos, geralmente pós ou granulados, semi-sólidos ou líquidos não aquosos, como óleos ou extratos oleosos. Representam uma das formas farmacêuticas de maior aceitação.

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Comprimidos Formas Farmacêuticas Sólidas São formas farmacêuticas que contém a dose de componentes ativos individualizada na própria forma, obtidas pela compactação de matérias primas sólidas. Representam, portanto, a forma farmacêutica mais compacta de matérias-primas sólidas, com um elevado grau de organização das partículas. Como matérias-primas para a produção de fitoterápicos, podem ser empregados pós e granulados. Normalmente são indicados para administração por via oral. Comprimidos revestidos São representados pelas drágeas, caracterizadas pelo revestimento em múltiplas camadas, constituídas principalmente por sacarose, ou comprimidos peliculados (film tablets), formados por agentes poliméricos sintéticos. Extratos secos São preparações obtidas pela eliminação total da fase líquida através de operação de secagem em pressão atmosférica ou reduzida, por liofilização ou ainda pela incorporação de solução extrativa em matriz sólida, com posterior secagem. Devem ainda representar uma umidade residual máxima de 5%. A declaração dos extratos deve conter, além da denominação da droga, a mistura extrativa que deu origem ao produto, a concentração da substância marcadora e os adjuvantes presentes.

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Formas Farmacêuticas Semi-Sólidas Sólidas Extratos espessos (ou moles) São preparações viscosas a temperatura ambiente, obtidas através da concentração de soluções extrativas até o ponto de formar um massa maleável contendo quantidades variáveis de umidade residual. Segundo a Farmacopéia Brasileira (1988), os extratos moles são definidos como preparações semi-sólidas obtidas por evaporação parcial dos extratos vegetais, adicionadas ou não de adjuvantes farmacêuticos. Esse tipo de extrato está quase que completamente substituído por extratos secos, em razão de sua baixa estabilidade, dificuldade de manuseio e suscetibilidade ao crescimento microbiano. Pomadas ou cremes de consistência elevada São formas farmacêuticas destinadas à aplicação sobre a pele. As matérias-primas vegetais incorporadas abrangem desde as sólidas até as líquidas. De acordo com as características dos componentes de interesse da matéria-prima vegetal empregada, a mesma estará suspensa ou dissolvida na fase aquosa ou oleosa do produto, ou ainda, incorporada à base. Emulsões São obtidas através de metodologias usuais de emulsificação, ou através da dissolução ou suspensão dos extratos nas bases. Supositórios A incorporação dos extratos é feita preferencialmente quando a massa base alcança uma temperatura levemente superior àquela de solidificação.

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Sucos Formas Farmacêuticas Líquidas Termo utilizado para uma ampla variedade de preparações fitoterápicas aquosas obtidas através de diversos métodos. Devido ao meio aquoso, há uma grande necessidade de conservação, especialmente do ponto de vista microbiológico. Extratos Sob ponto de vista amplo, podem referir-se a extratos líquidos, moles ou secos. Os extratos líquidos podem ser obtidos através de diferentes metodologias de extração ou dissolução, através do emprego adequado de solventes ou misturas destes, com o objetivo de retirar, com maior ou menor especificidade, determinados componentes químicos. Sob esse ponto de vista, podemos ter soluções extrativas aquosas, hidroalcoólicas, glicólicas, hidropoliglicólicas ou oleosas. Os extratos líquidos também podem ser preparados pela reconstituição de produtos secos ou concentrados Extratos aquosos Devem ser preparados para uso imediato, devido à susceptibilidade de degradação e contaminação microbiana. O emprego de conservantes pode contornar o problema da contaminação, mas o uso de agentes tamponantes não assegura a estabilização de reações de hidrólise dos componentes. A utilização de drogas estabilizadas não evita a possibilidade de decomposição dos constituintes pelo método de extração ou reconstituição.

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Alcoolatos ou alcoolaturas Formas Farmacêuticas Líquidas São preparados de drogas frescas, excepcionalmente de plantas secas ou drogas vegetais, por maceração em temperatura ambiente, utilizando o etanol como solvente. A metodologia de preparação de alcoolaturas normalmente é empregada para matérias-primas vegetais em que os constituintes a serem extraídos podem ser perdidos ou degradados em operações de secagem ou concentração. Tinturas São definidas como soluções extrativas alcoólicas ou hidroalcoólicas, preparadas a partir de matérias-primas vegetais, ou ainda como extratos de plantas preparados com etanol e misturas hidroalcólicas em várias concentrações. As tinturas podem ser preparadas a partir de plantas classificadas como heróicas e não heróicas. No caso de plantas heróicas, as soluções obtidas a partir da dissolução de extratos secos ou concentrados de extratos líquidos, 100 ml de tintura devem corresponder a 10 g de componentes sólidos solúveis. Para plantas não heróicas, esses mesmos 100 ml devem conter 20 g de matéria sólida dissolvida. As tinturas também podem ser classificadas como simples ou compostas, dependendo do número de espécies vegetais empregadas no seu preparo. Exemplos de tinturas vegetais A partir de planta heróica = tintura de beladona A partir de planta não heróica = tintura de jaborandi

Produção de Extratos Vegetais Formas Farmacêuticas Empregadas em Fitoterapia Extratos fluídos Formas Farmacêuticas Semi-Sólidas Sólidas São preparações líquidas que diferem das tinturas por serem mais concentradas. Nos extratos fluídos, cada mililitro do extrato contém os constituintes ativos de 1g de droga. Podem ser, ainda, obtidas através da dissolução do extrato seco ou diluição do extrato concentrado correspondente. 1 ml do extrato ---- 1 g da droga seca = 1L do extrato ---- 1kg da droga seca Os solventes mais utilizados na preparação de extratos fluídos são água, álcool e glicerina. Extratos obtidos através da extração ou dissolução de drogas vegetais em glicerina são conhecidos por extratos glicólicos. Elixires São preparações líquidas, límpidas, hidroalcoólicas, apresentando teor etanólico de 20 a 50 %. São preparados por dissolução simples dos extratos secos ou concentrados. Xaropes São soluções aquosas com alto teor de sacarose, normalmente superiores a 40% (m/v). São preparadas por dissolução simples dos extratos líquidos ou concentrados, ou através da extração de drogas vegetais (a quente ou a frio), usando o xarope simples (base) como líquido extrator.

Produção de Extratos Vegetais Métodos de Extração de Plantas Medicinais Constituintes Fixos x Constituintes Voláteis Constituintes Fixos: Métodos de extração a frio maceração percolação turborização Métodos de extração a quente Sistemas abertos: Infusão, decocção, digestão Sistemas fechados: sob refluxo e em Soxhlet Constituintes Voláteis: Métodos de extração a frio prensagem extração por solventes enfleurage Métodos de extração a quente fluido super crítico hidrodestilação

Produção de Extratos Vegetais Considerações Gerais sobre a Produção de Extratos para Uso Farmacêutico Alguns fatores devem ser levados em consideração quando se escolhe um sistema solvente de extração: 1 Seletividade do meio extrator 2 Facilidade de Manipulação 3 Custo 4 Economia 5 Segurança / toxicidade 6 Risco de contaminação ambiental Principais limitações do uso de solventes extratores: Propriedades extrativas Adequação tecnológica Inocuidade fisiológica Solventes mais usados para a obtenção de extratos vegetais: Água Etanol Glicerina Propilenoglicol Mistura destes acima

Técnicas de Extração Métodos de Extração de Constituintes Fixos Técnicas de extração a frio: Maceração, percolação, turbo-extração Maceração Operação na qual a extração da matéria-prima vegetal é realizada em recipiente fechado, em temperatura ambiente, durante um período prolongado, sob a agitação ocasional e sem renovação do líquido extrator. A solução extrativa final é chamada de macerado. Podem ocorrer algumas variações nesta operação, visando aumentar a eficiência da extração: maceração dinâmica: maceração feita sob constante agitação mecânica. remaceração: quando a operação é repetida utilizando o mesmo material vegetal, renovando apenas o líquido extrator. Fatores que podem influenciar na eficiência da maceração: vinculados ao material: quantidade, natureza, teor de umidade, tamanho das partículas, capacidade de intumescimento; vinculados ao líquido extrator: seletividade e quantidade; vinculados ao sistema: proporção droga:líquido extrator, temperatura, agitação, ph, tempo de extração.

Técnicas de Extração Vantagem: extração, sem degradação, de substâncias ativas termolábeis. Desvantagens: baixa permeabilidade do solvente à droga, pouco solubilidade dos ativos a frio, saturação do solvente e lentidão do processo. Obs.: Para a obtenção de ativos fotossensível, o recipiente no qual a maceração está ocorrendo deve ser mantido ao abrigo da luz. Percolação A percolação também é conhecida por lixiviação. É uma das técnicas mais eficientes para a extração de componentes ativos de drogas vegetais. Caracteriza-se pela extração exaustiva de substâncias ativas. Consiste em submeter a droga pulverizada, previamente macerada e devidamente armazenada em um recipiente cilíndrico ou cônico (percolador de vidro ou metal), à ação de um solvente que atravessa toda extensão do recipiente, se deslocando de cima para baixo. O produto obtido é denominado de percolado. Diferentemente da maceração, a percolação é uma operação dinâmica, indicada na extração de substâncias ativas presentes em pequenas quantidades, quando estas são poucos solúveis ou ainda quando o preço da droga vegetal é relativamente alto. Podemos classificar a percolação em duas categorias: percolação simples percolação fracionada

Técnicas de Extração Em função do caráter cinético da percolação, a difusão será acentuadamente mais rápida que na maceração, pois o equilíbrio absoluto entre as concentrações dos líquidos intra e extra celular nunca será atingido, uma vez que o solvente é constantemente renovado. Desta maneira é possível obter o esgotamento total da droga vegetal. A extração continuará ocorrendo enquanto houver material para dissolver, e enquanto o solvente for renovado.

Desvantagens: sofre influência da permeabilidade do solvente na droga vegetal, solubilidade a frio dos ativos e gasto de grandes volumes de solvente. Técnicas de Extração Etapas envolvidas na prática da percolação 1 - Pulverização da droga: o grau de tenuidade é variável, e drogas finamente divididas tendem a retardar a velocidade de escoamento do solvente. 2 - Umedecimento: consiste na rehidratação do protoplasto da célula vegetal e normalmente é realizado fora do percolador. O solvente mais usado é o álcool (misturas hidroalcoólicas). 3 Acondicionamento da droga umidecida no percolador: esta é a fase mais delicada do processo de percolação, pois o correto acondicionamento da droga permitirá uma descida vagarosa e regular do solvente ao longo da droga umidecida. Sobre a droga acondicionada, coloca-se um disco perfurado de porcelana, que fará um ligeira pressão sobre a droga, auxiliando a descida do líquido extrator (aumento da pressão hidroestática). 4 - Maceração da droga: é realizada até que se atinja um equilíbrio entre os líquidos extra e intracelular. O tempo de maceração é variável (24-48 hs). 5 - Deslocamento do solvente: o ritmo de deslocamento condicionará a eficiência da percolação, sendo recomendado que a cada 24 hs recolha-se um volume de percolado equivalente a 1 vez e meia o peso da droga introduzida no percolador. A velocidade de escoamento pode ser variada em função da monografia oficial utilizada (USP, Farmacopéia Portuguesa, etc...). Considera-se encerrada a percolação quando o percolado estiver praticamente incolor, sem cheiro e sem sabor da droga. Vantagens: não ocorre a saturação do solvente, o que torna a extração mais eficiente.

Técnicas de Extração Turbo-extração Esta técnica baseia-se na extração com simultânea redução do tamanho das partículas, resultado da aplicação de elevadas forças de cisalhamento. A redução drástica do tamanho das partículas com conseqüente rompimento das células favorece a rápida dissolução das substâncias ativas. Vantagens: simplicidade, rapidez e versatilidade da técnica. Desvantagens: difícil separação da solução extrativa por filtração, geração de calor durante o procedimento, obrigando o operador a controlar a temperatura, impossibilidade de uso para extração de substâncias voláteis, e limitação do uso para matéria-prima vegetal de elevada dureza. Técnicas de extração a quente: As técnicas de extração a quente podem ser divididas em 2 categorias: Extração em sistemas abertos: Infusão, decocção e digestão Extração em sistemas fechados: sob refluxo, em aparelho de Soxhlet

Técnicas de Extração Em Sistemas Abertos Vantagens: o aquecimento torna o processo de extração mais rápido e mais eficiente, uma vez que aumenta a solubilidade de alguns ativos. Desvantagens: perda de ativos voláteis e termolábeis Infusão Consiste na extração, pela permanência, durante certo tempo, do material vegetal em água fervente, em recipiente fechado. É aplicável a partes vegetais de estrutura mole, as quais devem ser contundidas, cortadas ou pulverizadas grosseiramente, conforme sua natureza, a fim de que possa ser mais facilmente penetradas e extraídas pela água. Decocção Consiste na extração dos princípio ativos do material vegetal, durante certo tempo, em um solvente em ebulição (normalmente água). Esta técnica possui emprego restrito, pois muitas substâncias ativas são alteradas por aquecimento prolongado. Costuma-se empregar este tipo de extração com materiais vegetais duros e de natureza lenhosa. Digestão Consiste na maceração do material vegetal, em líquido extrator aquecido a 40-60 C.

Técnicas de Extração Em Sistemas Fechados Vantagens: o aquecimento torna o processo de extração mais rápido e mais eficiente, uma vez que aumenta a solubilidade de alguns ativos, uso de pequenos volumes de solvente. Desvantagens: perda de ativos termolábeis. Extração sob refluxo Consiste em submeter o material vegetal à extração com um solvente em ebulição, em um aparelho dotado de um recipiente, onde será colocado o material e o solvente, acoplado a um condensador, de forma que o solvente evaporado durante o processo seja recuperado e retorne ao conjunto. Extração em aparelho de Soxhlet É utilizada, sobretudo, para extrair sólidos com solventes voláteis, exigindo o emprego do aparelho de Soxhlet. Em cada ciclo de operação, o material vegetal entra em contato com o solvente renovado; assim o processamento possibilita uma extração altamente eficiente, empregando uma quantidade reduzida de solvente, em comparação com as quantidades usadas em outros processos extrativos, para se obter os mesmos resultados qualitativos e quantitativos.

Técnicas de Extração Extração em Aparelho de Soxhlet

Técnicas de Extração Métodos de Extração de Constituintes Voláteis São eles: Extração por solventes orgânicos, prensagem, enfleuragem, hidrodestilção e extração por fluído super-crítico. Extração por Solventes Orgânicos Extração realizada por solventes orgânicos apolares como o éter, éter de petróleo ou hexano e diclorometano ou clorofórmio. Tem como inconveniente a extração de outros componentes lipofílicos, além dos óleos essenciais. Prensagem ou Expressão Método utilizado para a extração de óleos voláteis de frutos cítrico. As cascas dos frutos são prensadas e dessa forma o óleo essencial é extraído. Posteriormente o óleo é separado da emulsão formada com a água através de diversos processos físicos, como a decantação, centrifugação ou destilação fracionada. Também é uma técnica utilizada para a extração de constituintes voláteis que se alteram com o calor. Enfleurage Método utilizado por algumas indústrias de perfumes que usam drogas vegetais com baixo teor de óleos essenciais de alto valor agregado, como é o caso do óleo essencial de pétalas de rosas. Nesse método, as pétalas são colocadas sobre uma camada de gordura e extraídas até seu esgotamento. O óleo é separado da gordura por extração com álcool, e este por fim sobre destilação para a obtenção do óleo purificado.

Técnicas de Extração Hidrodestilação ou Arraste a vapor Método normalmente utilizado para extração de planta fresca. Na hidrodestilação, o vapor de água que passa pelo balão arrasta os constituintes voláteis da amostra a ser destilada. Assim, no balão encontram-se a amostra e água condensada, na fase líquida, e, na fase de vapor, a água e os componentes da amostra volatilizdos. Ao passar pelo condensador, o vapor irá se condensar para um líquido de duas fases: a fase aquosa e a fase orgânica, imiscíveis. O óleo obtido deve sofrer secagem através da filtração do mesmo em sulfato de sódio anidro.

Técnicas de Extração Extração por fluido supercrítico Um fluido supercrítico é qualquer fluido que esteja a uma temperatura acima da sua temperatura crítica e da sua pressão crítica. Nenhuma substância é um fluido supercrítico, mas sim que pode ser levada ao estado supercrítico pelo uso de calor e pressão até superar o seu ponto crítico. No estado supercrítico, as propriedades físico-químicas de um fluido assumem valores intermediários àqueles dos estados líquido e gasoso. Os solventes supercríticos, combinando características desejáveis tanto de líquidos quanto de gases, são ótimos solventes com alta difusividade e baixa viscosidade. Como conseqüência, a extração com fluido supercrítico torna-se um processo rápido e eficiente. Vantagens: - Processamento de materiais a baixas temperaturas, o que é especialmente adequado quando compostos termossensíveis estão presentes. - Possibilidade de fácil recuperação do solvente supercrítico após o processo de extração, apenas pelo ajuste de pressão e/ou temperatura, sendo o mesmo continuamente reciclado. Isto elimina uma das etapas mais dispendiosas dos processos de extração convencionais que é a separação entre produto extraído e solvente orgânico. - Permite a manipulação de grandes quantidades de solventes orgânicos poluidores representa uma dificuldade adicional para o controle ambiental, seja da qualidade do ar, seja dos efluentes líquidos ou rejeitos sólidos. - Como conseqüência positiva da eficiente separação entre soluto e solvente supercrítico tem-se a obtenção de produtos com alto grau de pureza, já que o processo não deixa resíduos de solvente no produto final.

Técnicas de Extração Extração por fluido supercrítico Aplicabilidade da extração por fluido supercrítico em Produtos Naturais Descafeinização de café e chá Extração de corantes e anti-oxidantes naturais de dendê e urucum Redução do teor de nicotina do tabaco Extração de óleos de sementes vegetais e frutas oleaginosas Desterpenação e fracionamento de óleos essenciais de frutas cítricas Extração de aromas e fragâncias de flores, folhas e frutas Obtenção de extrato de lúpulo para fabricação de cerveja