RECUPERADORES DE ESPAÇO Conceito Recuperadores de espaço são usados para recuperar o espaço perdido nas arcadas dentárias. Eles verticalizam os dentes que inclinaram, depois que outros foram perdidos. Os recuperadores de espaço são usados principalmente na dentição mista, após a perda prematura dos molares decíduos, e para posicionar os dentes permanentes que vão ser usados como pilares de próteses. Não devem ser usados para criar espaço que nunca existiu na arcada dentária. Perímetro do Arco Dentário É a distância medida a partir da face distal do segundo molar decíduo (ou face mesial do primeiro molar permanente), seguindo o contorno do arco dentário sobre os pontos de contato e bordos incisais, em uma curva suave, até a face distal do segundo molar decíduo (ou face mesial do primeiro molar permanente), do lado oposto. Perda de Espaço no Arco Dentário É a redução do perímetro do arco dentário. A perda de espaço na arcada dentária é causada geralmente por: Cáries proximais extensas. Perda prematura de dentes decíduos. Indicações Em casos que apresentam por razões ambientais perímetro do arco dentário diminuído. O perímetro do arco dentário torna-se menor, ou pela migração mesial dos molares permanentes, ou pela inclinação lingual dos incisivos permanentes. É importante notar a intercuspidação, a relação molar e de canino, que vai nos dar o lado do arco diminuído. A quantidade de espaço perdido e a ser recuperado, nos é dada por meio da análise da dentição mista. Recuperar o que havia antes é diferente de criar o que nunca existiu.
2 Após localizar onde o arco foi diminuído, deve ser determinado por meio da análise da dentição mista a quantidade exata de espaço a ser recuperado, e os movimentos dentários mais lógicos para se recuperar o espaço perdido. Geralmente necessita-se movimento distal dos molares permanentes. Antes de movimentar os molares distalmente, é preciso entender a natureza dos movimentos que causaram a diminuição do perímetro do arco dentário. Deslizamentos dos Molares Permanentes Tipos de movimentos dentários: Inclinação mesial da coroa dentária. Rotação ou giro-versão. Translação. Primeiros molares permanentes superiores Inclinam-se rapidamente para mesial, por perda de substância coronária dos segundos molares decíduos: Cúspide disto-vestibular mais proeminente no plano oclusal. Rotação mesial da coroa dentária, devido à grande raiz palatina. Cúspide disto-vestibular mais proeminente para vestibular. Quando o segundo molar decíduo superior é perdido antes da erupção do primeiro molar permanente superior, observa-se a translação do primeiro molar permanente superior, durante a sua erupção. Primeiros molares permanentes inferiores Inclinação mesial da coroa dentária. Rotação mesial da coroa dentária. Translação com inclinação lingual, por falta de uma raiz lingual.
3 Recuperação do Espaço O movimento dentário básico na recuperação do espaço é o movimento distal dos primeiros molares permanentes. Estes movimentos dentários, na recuperação do espaço, devem ser feitos inversamente aos movimentos que ocorreram quando o dente deslizou mesialmente. A seleção do aparelho para recuperar espaço, depende da apresentação clínica geral do caso, além dos aspectos de inclinação, rotação, translação, ou uma combinação destas situações existentes. Erros na seleção do aparelho: Fracasso para conseguir os movimentos. Aparelhos muito complicados. Força desnecessária. Corrigir a inclinação e a rotação antes da translação. Inclinação e rotação são corrigidas mais facilmente com molas digitais, do que com bandas ou anéis ortodônticos. O momento clínico em que se vai recuperar o espaço é importante, pois a posição e o estágio de desenvolvimento do segundo molar permanente é um fator limitante na distalização do primeiro molar. Dentição decídua: Quase nunca é necessário. Dentição mista: Perda prematura de dente(s) decíduo(s). Cárie(s) proximal (is) extensa(s). Falta de espaço para erupcionar o(s) permanente(s). Aparelhos Placas ortodônticas corretivas com molas digitais. Tração cervical maxilar. Placa lábio-ativa mandibular ou "bumper".
4 Exemplo de placa ortodôntica corretiva com mola digital, em um caso clínico de ortodontia interceptora em tratamento, vista oclusal maxilar (figuras 19 e 20). Exemplo de tração cervical maxilar, em um caso clínico de ortodontia interceptora tratado (figuras 21, 22, 23 e 24). Também pertencem ao mesmo caso, as figuras 33, 34, 35 e 36.
5 Exemplo de tração cervical maxilar, com puxada combinada, associada à barra transpalatina 6 6; (16 e 26) em um caso clínico de ortodontia interceptora em tratamento (figuras 25, 26, 27, 28, 29 e 30).
6 Exemplo de placa lábio-ativa mandibular ou "bumper", em um caso clínico de ortodontia interceptora em tratamento, vista oclusal da arcada dentária mandibular, mostrando o modelo de estudo inicial e a visão clínica do aparelho instalado (figuras 31 e 32). Exemplo de um caso clínico de ortodontia interceptora tratado, vista oclusal da arcada dentária mandibular, onde utilizou-se "bumper" nesta arcada, no período ativo de tratamento clínico (figuras 33, 34, 35 e 36). Também pertencem ao mesmo caso, as figuras 21, 22, 23 e 24.
7 Trabalho a ser realizado em laboratório, recuperador de espaço, com um par de modelos n.º 2, com dentição mista, com o 6, em inclinação axial mesial e mésio-versão. Mandíbula: Placa ortodôntica recuperadora de espaço, com um grampo ortodôntico de apoio oclusal no V ; um grampo ortodôntico de retenção circunferencial no 6, contornando sua face distal; 2 grampos ortodônticos de retenção circunferenciais nos III III, contornando suas faces distais; e, mola ortodôntica digital no 6, para verticalizá-lo e distalizá-lo. Grampos e mola com fio ortodôntico de 0,7 mm de diâmetro. Batentes em acrílico ou dentes de estoque, nas regiões dos espaços correspondentes às ausências dos IV e dos IV V (figuras 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43 e 44). Também, figuras 45, 46, 47, 48, 49 e 50.
8
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMS, C.P. Diseño y construccion de aparatos ortodôncicos removibles. 1a ed. Buenos Aires, Editorial Mundi, 1969. 164 pág. ARAÚJO, M.C.M. Ortodontia para clínicos. 3a e d. São Paulo, Livraria e Editora Santos, 1986. 286 pág. Mc DONALD, R.E. & AVERY, D.R. Odontopediatria. 6a. ed. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan S.A., 1992. pág. 484-531 MOYERS, R.E. Ortodontia. 3a. ed. Rio de Janeiro, Editora Guanabara Koogan S.A., 1979. 699 pág. PHILLIPS, R.W. Materiais Dentários de Skinner. 1a ed. Rio de Janeiro, Editora Interamericana Ltda., 1978. 546 pág. STRANG, R.H.W. Tratado de Ortodoncia. 3a ed. Buenos Aires, Editorial Bibliográfica Argentina, 1957. 852 pág. TELLES, C.S. Placas Ortodônticas. Anais da Faculdade Nacional de Odontologia, 193-219, 1959. TELLES, C.S. Orientação clínica imediata à perda precoce de molares temporários (o problema e a sua racionalização). Rio de Janeiro, 1960, 44 pág. Tese. TWEED, C.H. Typodont band forming and placememt of bands, in TWEED, C.H. Clinical Orthodontics. 3a. ed. Saint Louis, C.V. Mosby Company, 1966. 2 vol., vol. 1, parte 2, cap. 5, pág. 84-173. Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic Disciplina de Ortodontia 02 de Abril de 2012 Prof. HÉLIO ALMEIDA DE MORAES. Prof. VALMIR VICENTE GIACON 3º Ano - 5º Período 2012.