HISTÓRICO DA LEI DO PISO E PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO Mariza Abreu Consultora em Educação 26.outubro.2015
Histórico da Lei do Piso Nacional do Magistério (I) Constituição Federal de 1988: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: V - valorização dos profissionais do ensino (...) com plano de carreira para o magistério público e piso salarial profissional (...); V - valorização dos profissionais do ensino (...) com planos de carreira para o magistério público e piso salarial profissional (...); (EC nº 19, de 1998)
Histórico da Lei do Piso Nacional do Magistério (II) LDB de 1996, art. 67, caput e incisos: Estatutos e planos de carreira do magistério público: - piso salarial profissional - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho Emendas para inclusão de piso nacional não incorporadas à LDB
Histórico da Lei do Piso Nacional do Magistério (III) Emenda Constitucional 53/2006 (Fundeb): Art. 206: V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VIII -piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. Art. 60, do ADCT, inciso III: e) prazo para fixar, em lei específica, piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica;
Piso nacional para os profissionais da educação escolar pública Meta 18 do PNE: assegurar, no prazo de 2 anos, a existência de planos de carreira para os (as) profissionais da educação básica e superior pública de todos os sistemas de ensino e, para o plano de carreira dos (as) profissionais da educação básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII do art, 26 da Constituição Federal. PLS 127/2014, do Sen. Vital do Rego: Institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação básica pública não pertencentes ao magistério. Igual à Lei 11.738/2008 com valor de 80% do piso do magistério. Em apreciação pelas CCJC e CE do Senado. 5
Histórico da Lei do Piso Nacional do Magistério (IV) Lei 11.494/2007, que regulamenta o Fundeb: Art. 41. O poder público deverá fixar, em lei específica, até 31 de agosto de 2007, piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Projeto de Lei 619/2007, do Poder Executivo: Institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica - piso como remuneração mínima (e não vencimento inicial da carreira) - sem critério de reajuste fixado pela lei - sem composição da jornada de trabalho docente
Histórico da Lei do Piso Nacional do Magistério (V) Lei 11.738 de 16.jul.2008, que cria o piso nacional do magistério: - piso como remuneração mínima até 31/12/2009 e valor abaixo do qual não se pode fixar o vencimento inicial das carreiras, pago aos professores com nível médio/normal, para a jornada de, no máximo, 40 horas semanais, com valores proporcionais às demais jornadas de trabalho - jornada de trabalho com até 2/3 da carga horária para atividades de interação com os educandos - reajuste anual em janeiro pelo crescimento do valor mínimo nacional por aluno/ano dos anos iniciais do ensino fundamental urbano do Fundeb - complementação da União para integralização do pagamento do piso com 10% da complementação da União ao Fundeb
ADI 4167/2008 Apresentada pelos governadores do RS, SC, PR, MS e CE: - Arguição de inconstitucionalidade do piso como vencimento inicial e da composição da jornada de trabalho - Medida cautelar do STF em 17/12/2008, com suspensão da vigência dos dispositivos do piso como vencimento inicial e da composição da jornada de trabalho docente até julgamento do mérito da ADI - Declaração da constitucionalidade pelo STF em 06 e 27/04/2011, sendo a decisão sobre a composição da jornada de trabalho docente sem efeito vinculante Acórdão publicado em 24/08/2011 - Embargos declaratórios dos governadores do RS, SC, MS e CE e, em 27/02/2013, STF declara que o piso é vencimento inicial a partir do julgamento do mérito da ADI em 27/04/2011
O que é decisão sem efeito vinculante? Sem obrigação de outras esferas do Poder Judiciário aplicarem essa decisão Por exemplo, decisão do TJ/RS em declarou a inconstitucionalidade do 4º do art. 2º da Lei 11.738/2008, por maioria, em 26/05/2014 9
ADI 4848/2012 Apresentada pelos governadores do RS, SC, MS, GO, PI e RR: -Arguição de inconstitucionalidade do critério de reajuste do piso nacional - Medida liminar indeferida pelo STF em 13/11/2012 - Manifestação da PGR em 02/05/2014 pela constitucionalidade do critério de reajuste do piso nacional - Desde aquela data, autos conclusos ao relator (ex-ministro Joaquim Barbosa substituído pelo Min. Roberto Barroso)
Polêmicas: piso como vencimento inicial da carreira (I) Necessidade de parâmetros de carreira As diretrizes do CNE (Res. 02/2009 e 05/2010) são muito flexíveis. Dispersão mínima e máxima: diferença entre o vencimento inicial e final da carreira Relação entre o número de alunos e professores na rede de ensino Carga horária contratada e carga horária necessária Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino - SASE
Polêmicas: piso como vencimento inicial da carreira (II) Processos de adequação da carreira: redução da diferença entre níveis de formação na carreira ex: SC e CE pagamento na forma de subsídios ex: no governo anterior, MG eliminação do nível médio da carreira ex: AM
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Polêmicas: composição da jornada docente (I) Diretrizes nacionais: LDB (art. 67,V): período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho Resolução CEB/CNE 3/97 (art. 6º, IV) e I PNE (2001/2010): 20% a 25% de horasatividade Lei do piso de 2008: no máximo 2/3 de interação com o educando Resolução CEB/CNE 2/09 (art. 4º, VII): ampliação paulatina das horas-atividade
Polêmicas: composição da jornada docente (II) Em geral, a hora-aula e, por decorrência, a hora de trabalho dos professores é menor do que a hora-relógio: 50 minutos ou menos. Como calcular o 1/3 de horas-atividade? Em horas-relógio ou em horas-aula? De acordo com a hora-aula (60 minutos, 50 minutos, 45 minutos ou qualquer outra que o sistema ou rede tenha decidido): Parecer CEB/CNE 18/2012 Em horas de 60 minutos, convertidas na horaaula: Decreto 48.724/2011 do RS e Resolução SE 08/2012 de SP
Polêmicas: composição da jornada docente (III) Cálculo do 1/3 de horas- atividade com base na conversão de horas-relógio de 60 minutos em horas-aula de 50 minutos na carga horária de 20 horas semanais 20 hs semanais de 60 min Períodos de trabalho semanal de 50 min Carga horária 20 hs X 60 min = 1.200 min 24 hs X 50 min = 1.200 min semanal Horas-aula 2/3 de horas-aula de 1.200 16 horas-aula X 50 min = 800 min min = 800 min Horasatividade 1/3 de horas-atividade de 4 horas-ativ. X 50 min = 200 min 1.200 min = 400 min Local de -- 4 horas-ativ de 50 min na escola = 200 cumprimento min das horasatividade 4 horas-ativ de 50 min em local a critério do professor = 200 min Total na escola -- 1.000 minutos = 20 horas-trabalho de 50 min
Polêmicas: composição da jornada docente (IV) Cálculo do 1/3 de horas- atividade com base na conversão de horas-relógio de 60 minutos em horas-aula de 50 minutos na carga horária de 40 horas semanais 40 hs semanais de 60 min Períodos de trabalho semanal de 50 min Carga horária 40 hs X 60 min = 2.400 semanal min Horas-aula 2/3 de horas-aula de 2.400 min = 1.600 min Horasatividade 1/3 de horas-atividade de 2.400 min = 800 min Local de cumprimento das horasatividade Total na escola -- 48 hs X 50 min = 2.400 min 32 horas-aula X 50 min = 1.600 min 16 horas-ativ. X 50 min = 800 min -- 8 horas-ativ de 50 min na escola = 400 min 8 horas-ativ de 50 min em local a critério do professor = 400 min 2.000 minutos = 40 horas-trabalho de 50 min
Polêmicas: reajuste anual do piso nacional (I) Segundo a Lei 11.738/08 (art. 5º e par. único), o piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica: deve ser reajustado anualmente no mês de janeiro pelo percentual de crescimento do valor anual mínimo nacional por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano do Fundeb
Polêmicas: reajuste anual do piso nacional (II) De acordo com as últimas estimativas do valor aluno/ano do Fundeb para 2013 e 2014, o reajuste do piso nacional do magistério foi de 13,01% em janeiro de 2015, elevando-o para R$ 1.917,78. Critério atual de reajuste do piso do magistério: valor aluno/ano do Fundeb Estimativa Portaria Interministerial Valor aluno/ano Última de 2013 nº 16 de 17/12/13 R$ 2.022,51 ---- Vigente em 2014 nº 19 de 27/12/13 R$ 2.285,57 13,01% Variação Esse percentual é o dobro da inflação medida pelo INPC acumulado de 6,23% em 2014. Segundo as mesmas portarias interministeriais do Governo Federal, o crescimento da receita do Fundeb foi estimado em 5,5% de 2014 em relação a 2013.
Polêmicas: reajuste anual do piso nacional (III) Ano INPC acumulado do ano anterior % de reajuste do piso nacional do magistério segundo critério vigente 2010 4,11% 7,86% 2011 6,47% 15,84% 2012 6,08% 22,22% 2013 6,20% 7,97% 2014 5,56% 8,32% 2015 6,23% 13,01% Acumulado 2010/2015 34,65% 75,22% Entre 2010 e 2015: piso do magistério reajustado em 75,22% INPC acumulado no mesmo período de 34,65% portanto, ganho real do piso de 47,9% no mesmo período, salário mínimo reajustado em 24,1%
Polêmicas: reajuste anual do piso nacional (IV) Quatro critérios em debate 1) fixado pela Lei 11738/08: reajuste anual em janeiro pelo crescimento do valor mínimo por aluno referente aos anos iniciais do ensino fundamental urbano do Fundeb 2) Proposto pelo PL 3776/08, ainda em tramitação (defendido pela CNM): reajuste anual em janeiro pelo INPC do ano anterior 3) Proposto pela CNTE: reajuste anual em maio pelo INPC + 50% do crescimento nominal da receita do Fundeb nos dois anos anteriores 4) Proposto pelos governadores, com apoio da FNP e Undime: reajuste anual em maio pelo INPC + 50% do crescimento real da receita do Fundeb nos dois anos anteriores
Polêmicas: reajuste anual do piso nacional (V) Projeção do valor do piso nacional do magistério para 2015 segundo os 4 critérios de reajuste em discussão PL 3776/08, do 1º critério 2º critério Valor Atual do Piso 2014 Lei 11.738/08: cresc. valor aluno/ano Fundeb 2014 em relação a 2013 Executivo: INPC 2014 Intermediário: INPC + 50% da Receita Nominal do Intermediário: INPC + 50% da Receita Real do FUNDEB FUNDEB % Valor % Valor % Valor % Valor 1.697,39 13,01% 1.918,16 6,26% 1.803,65 8,99% 1.850,06 6,41% 1.806,16 Elaboração Área técnica da CNM
Valores proporcionais do piso às jornadas semanais de trabalho Carga horária semanal Carga horária mensal Valor do piso segundo o MEC 40 horas 200 horas R$ 1.917,78 30 horas 150 horas R$ 1.438,34 25 horas 125 horas R$ 1.199,24 20 horas 100 horas R$ 959,39 23
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (I) Lei do Piso (art. 4º): A União deve complementar, na forma e no limite do disposto no inciso VI do caput do art. 60 do ADCT e em regulamento, a integralização do pagamento do piso, nos casos em que o ente federado não tenha disponibilidade orçamentária para cumprir o valor fixado. Portanto, esses recursos não são recursos novos e somente podem ser pleiteados pelos governos estaduais e municipais dos Estados já beneficiados com a complementação ao Fundeb hoje são 10: AM, PA, AL, BA, CE, MA, PB, PE, PI e RN. 24
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (II) Até agora não se conseguiu definir as condições que um ente federado deve apresentar a fim de receber recursos federais para pagar o piso nacional do magistério. De 2009 a 2014, não houve complementação da União para integralização do pagamento do piso dos professores. A União retém esses 10% da complementação ao Fundeb durante o ano e os repassa pela matrícula no início do ano seguinte. 25
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (III) Parcela da complementação da União ao Fundeb destinada à integralização do pagamento do piso nacional do magistério 2009 a 2015 (últimas estimativas de cada ano) Recursos da União para complementação do pagamento do piso do magistério (10% da complementação ao Fundeb) 2009 R$ 507.015.000,00 2010 R$ 794.580.006.18 2011 R$ 908.431.083,48 2012 R$ 978.372.817,11 2013 R$ 1.071.273.935,49 2014 R$ 1.075.807.483,03 2015 R$ 1.212.706.685,74 26
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (IV) Propostas de alteração da Lei do piso: PL 3020/2011, do Dep. Nelson Marchezan Jr (PSDB/RS) PL 3941/2012, da Dep. Professora Dorinha (DEM/TO), apensado ao anterior Substitutivo ao PL 3020/2011 da Dep. Fátima Bezerra (PT/RN) aprovado pela CE em 21/11/2013 Parecer pela incompatibilidade e inadequação financeira e orçamentária apresentado na CFT pelos Dep. Afonso Florence (PT/BA) e Enio Verri (PT/PR), mas não apreciado devido a descumprimento de prazo e encaminhado à comissão seguinte, por requerimento do Dep. Nelson Marchezan Jr (PSDB/RS) Desde 29/05/2015, aguarda parecer do relator, Dep. Pedro Cunha Lima (PSDB/PB) na CCJC 27
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (V) Substitutivo da CE/CD: Complementação da União para pagamento do piso nacional do magistério para os entes federados que comprovarem essa necessidade, sem referência ao "limite do disposto no inciso VI do caput do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias" (10% da complementação da União ao Fundeb) presente na Lei vigente Recursos novos? Critérios: 25% dos impostos aplicados em MDE plano de carreira do magistério planilha de custos cedência de professores sem ônus para a educação 28
Polêmicas: complementação da União para pagar o piso (VI) Emenda Substitutiva ao PL 3020/2011 oferecida pelo Dep. Manoel Jr (PMDB/PB) na CFT, por solicitação da CNM Complementação da União para pagamento do piso para os entes federados que comprovarem essa necessidade, independentemente de serem ou não beneficiados com a complementação ao Fundeb Recursos novos, que não os 10% da complementação ao Fundeb, para os demais entes federados Critérios: 25% dos impostos aplicados em MDE, plano de carreira do magistério, planilha de custos, cedência de professores sem ônus para a educação, 20 a 25 alunos por professor na zona urbana e 10 a 15 na zona rural, mais de 70% do Fundeb aplicados no pagamento de profissionais do magistério em exercício 29
PLS 114/2015 Apresentado pela Sen. Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) e distribuído às CE e CAE do Senado Federal, cabendo à última a decisão terminativa Em 20/10/2105, aprovado na CE parecer favorável da relatora, Sen. Ângela Portela (PT/RR) e, desde então, aguarda designação de relator na CAE Valor do piso nacional para 2016 a 2018 INPC de 9,9% e critério da Lei de 12,7% Ano Piso Cresc 2015 1.917,78 2016 2.193,07 14,4% 2017 2.468,36 12,6% 2018 2.743,65 11,2% Fonte: PLS 114/2015 Nos primeiros cinco anos, recursos adicionais para complementação da União: 5% da arrecadação com as loterias administradas pela CEF Não resolve problemas da Lei 11.738/2008: critério de reajuste e complementação da União 30
Síntese das polêmicas a serem resolvidas para viabilizar o piso nacional do magistério No âmbito federal: 1. Piso como vencimento inicial ou remuneração mínima 2. Critério de reajuste do valor do piso 3. Complementação da União para pagamento do piso 4. Composição da jornada: princípio ou percentual na lei federal / calculada em horas relógio ou horas aula No âmbito local: 1. Adequação da dispersão salarial na carreira do magistério público da educação básica 2. Adequação do nº de professores, observando a carga horária necessária e a relação de alunos por professor 31