Supremo Tribunal Federal

Documentos relacionados
A requerente sustenta, mais, em síntese:

DECISÃO. Relatório. 2. A decisão impugnada tem o teor seguinte:

PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Supremo Tribunal Federal

PROVA DISCURSIVA P 2

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAÍBA GÁBINETE DO DESEMBARGADOR JOSÉ RICARDO PORTO

Supremo Tribunal Federal

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL

SENTENÇA. Vistos, etc. CLAUS PETER DE OLIVEIRA WILLI ajuizou a presente AÇÃO ORDINÁRIA contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS.

Supremo Tribunal Federal

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

SÍNTESE DO MEMORIAL:

Número:

Supremo Tribunal Federal

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO AGRAVO DE INSTRUMENTO N /GO (d) R E L A T Ó R I O

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO

SENTENÇA Procedimento Ordinário - Anulação de Débito Fiscal L Fazenda Publica do Estado de São Paulo

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

RESOLUÇÃO Nº CLASSE 19 BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL

RESOLUÇÃO Nº INSTRUÇÃO Nº CLASSE 19 BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL

Supremo Tribunal Federal

2ª VARA DO TRABALHO DE BRASÍLIA - DF TERMO DE AUDIÊNCIA. Processo nº

Superior Tribunal de Justiça

DECISÃO. 1. O assessor Dr. Rodrigo Crelier Zambão da Silva prestou as seguintes informações:

Supremo Tribunal Federal

ESTADO DO AMAZONAS PODER JUDICIÁRIO Comarca Manaus Juízo de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública Municipal

DECISÃO. Relatório. Tem-se do voto condutor do julgado recorrido:

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE PRÓ-REITORIA DE GESTÃO E DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº.

PARECER PGFN/CRJ/Nº 2126 /2011

Supremo Tribunal Federal

/2013/ / (CNJ: )

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

RESOLUÇÃO N. 114/2013/TCE-RO

COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL E FAMÍLIA PROJETO DE LEI Nº 2.804, DE 2011

CONCLUSÃO. Vistos. Juiz(a) de Direito: Dr(a). Fernando Oliveira Camargo. fls. 1

Relator: JARBAS GOMES Órgão Julgador: 11ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº AGRAVANTE: JAQUELINE MACIEL LOURENÇO DA SILVA

Ordem dos Advogados do Brasil Seção do Estado do Rio de Janeiro Procuradoria

Parecer pela denegação do mandado de segurança.

Superior Tribunal de Justiça

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ANTONIO CARLOS MALHEIROS (Presidente) e CAMARGO PEREIRA.

DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO - QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA - EXTINÇÃO DO FEITO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO - ART. 557, DO CPC.

: DES. FEDERAL VLADIMIR SOUZA CARVALHO - 2ª TURMA

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO TOCANTINS

Representante do Ministério Público: MARIA ALZIRA FERREIRA;

: MIN. DIAS TOFFOLI :NATAN DONADON :GILSON CESAR STEFANES :MESA DIRETORA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO

Superior Tribunal de Justiça

Supremo Tribunal Federal

Supremo Tribunal Federal

Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 1ª TURMA RECURSAL JUÍZO A

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE GOIÁS Gabinete do Desembargador Ney Teles de Paula

Supremo Tribunal Federal

Poder Judiciário do Estado da Bahia Vara dos Feitos de Relação de Consumo, Cíveis e Comerciais da Comarca de Central - Bahia

PORTARIA MJ Nº 2.523, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2008 DOU O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso das suas atribuições, resolve:

5Recurso Eleitoral n Zona Eleitoral: Recorrentes:

RIO GRANDE DO NORTE LEI Nº 9.963, DE 27 DE JULHO DE 2015.

ANÁLISE MARCELO BECHARA DE SOUZA HOBAIKA

Vistos etc. Deferida a liminar, foi notificada a autoridade coatora, tendo esta prestado informações e juntado documentos.

Supremo Tribunal Federal

Conselho Nacional de Justiça

Impetrante: CONSELHO FEDERAL DE BIOMEDICINA - CFBM Impetrado: DIRETOR GERAL DO DEPARTAMENTO DE ENSINO DA AERONAUTICA D E C I S Ã O

Superior Tribunal de Justiça

CONCLUSÃO Em 04 de novembro de 2015, faço conclusos estes autos ao MM. Juiz Federal Substituto desta 9ª Vara Cível, Dr. BRUNO CÉSAR LORENCINI.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de. APELAÇÃO CÍVEL COM REVISÃO n /8-00, da Comarca de

Tribunal de Contas da União

Direito Constitucional Dra. Vânia Hack de Ameida

Transcrição:

MEDIDA CAUTELAR EM MANDADO DE SEGURANÇA 32.907 DISTRITO FEDERAL RELATORA IMPTE.(S) ADV.(A/S) IMPDO.(A/S) IMPDO.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. CÁRMEN LÚCIA :MYLENA ACIOLE CASADO DOS ANJOS :FELIPE LOPES DE AMARAL :PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO :UNIÃO :ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO DECISÃO MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. REGISTRO DE PENSÃO CIVIL. EX-SERVIDORA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. MENOR SOB GUARDA. LEI N. 9.717/1998. ALEGADA INOCORRÊNCIA DE DERROGAÇÃO DOS BENEFÍCIOS PREVISTOS NA LEI 8.112/1990. LIMINAR DEFERIDA. PROVIDÊNCIAS PROCESSUAIS. Relatório 1. Mandado de segurança, com requerimento liminar, impetrado por Mylena Aciole Casado dos Anjos, em 22.4.2014, contra ato do Presidente do Tribunal de Contas da União, que determinou a supressão no pagamento de pensão civil à Impetrante, pela decisão da Primeira Câmara do Tribunal de Contas da União no Processo TC n. 003.959/2014-7 (Acórdão n. 997/2014-TCU-1ª Câmara). O caso 2. A Impetrante afirma-se beneficiária de pensão temporária instituída por Ester Casado de Lima, ex-servidora da Superintendência de

Administração do Ministério da Fazenda no Estado de Alagoas. Relata o recebimento de documento do Ministério da Fazenda, datado de 3.4.2014, comunicando o cancelamento do benefício, em obediência à determinação do Tribunal de Contas da União (Acórdão n. 997/2014), no qual assentado que a Lei n. 9.717/1998 teria derrogado o regime de previdência social as categorias de pensão civil destinada, dentre outros, a menor sob guarda, prevista na al. b do inc. II do art. 217 da Lei n. 8.112/1990. 3. Daí o presente mandado de segurança, no qual a Impetrante sustenta que o art. 217, I, da Lei 8112/90 cuida de beneficiários, enquanto que o art. 5º da Lei 9.717/98 trata de benefícios, portanto, as duas normas [teriam] conteúdos diversos, e que não se confund[iriam], até porque o benefício é o direito assegurado, enquanto que o beneficiário é o destinatário deste direito (fl. 4 e 5 da petição inicial). Considera ofensivo aos princípios do contraditório e da ampla defesa a ausência de oportunidade para manifestar-se no processo administrativo sobre a interpretação conferida pelo Tribunal de Contas da União ao dispositivo mencionado, com repercussão da decisão adotada em seu patrimônio jurídico. Alega decadência da competência da Administração Pública para rever seus atos (art. 54 da Lei n. 9.784/1999), considerando-se ter recebido a pensão temporária por quase quatorze (14) anos. 4. Requer liminar para suspender os efeitos do acórdão n. 997/2014, mantendo o pagamento da pensão previdenciária da impetrante, até decisão da presente ação mandamental (fl. 16). No mérito, pede seja cassado o Acórdão n. 997/2014-TCU-1ª Câmara, restabelecendo-se definitivamente o pagamento da pensão até a sua 2

cessação, qual seja: 09.06.2017. Pleiteia, ainda, a concessão do benefício da justiça gratuita. 5. O processo veio-me em conclusão em 23.4.2014. Examinados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 6. Defiro o pedido de justiça gratuita, nos temos do art. 4º da Lei n. 1.060/1950 c/c o art. 62 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. 7. Quanto ao requerimento de liminar, sob a perspectiva da violação ao direito de ampla defesa e contraditório, este Supremo Tribunal assentou que, no exercício específico da competência atribuída pelo art. 71, inc. III, da Constituição da República, o Tribunal de Contas da União não há de interpretar tais dispositivos como obrigação de convocar cada beneficiário a manifestar-se sobre o exercício de seus direitos. Esse entendimento foi consolidado pela Súmula Vinculante n. 3 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão (grifos nossos). Na espécie, põe-se em questão a legalidade do ato inicial de concessão de pensão à Impetrante, o que afasta a regra estabelecida na parte inicial da Súmula Vinculante n. 3. 8. Em casos excepcionais, nos quais o lapso temporal entre a data da aposentadoria e o exame de sua legalidade tenha superado cinco anos, 3

este Supremo Tribunal assenta que, em respeito aos princípios da segurança jurídica e da confiança nos atos praticados pela Administração, deve-se assegurar ao servidor a possibilidade de defender a validade do ato de aposentadoria ou pensão. Fixou-se, no entanto, que a contagem desse prazo se iniciaria na data em que o processo de aposentadoria ou pensão chegasse ao Tribunal de Contas da União (por exemplo, Mandado de Segurança n. 24.781/DF, Relator para acórdão o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 8.6.2011, grifos nossos). No ato impugnado consta expressamente que o ato em análise foi encaminhado para apreciação por esta Corte de Contas há menos de cinco anos (fl. 9 do evento 4). Não se há cogitar, portanto, de violação ao devido processo legal e de seus corolários na espécie vertente. 9. Quanto à alegação de afronta ao direito líquido e certo ao benefício, ao analisar liminares requeridas em impetrações similares à presente, tenho realçado que a questão referente à revogação de benefícios distintos dos previstos no Regime Geral de Previdência Social merece análise mais detida, pois a Constituição da República, em seu art. 227, 3º, inc. II, garante à criança, ao adolescente e ao jovem direitos previdenciários. E o art. 33, 3º, do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que a guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários (grifos nossos). Como exemplo, as decisões proferidas nos Mandados de Segurança n. 31.770/DF, 31.803/DF, 31.927/DF e 32.038/DF. 10. Nessa linha, este Supremo Tribunal reconheceu ao menor sob a guarda do servidor na data da morte do instituidor direito à pensão temporária, sendo irrelevante ser a guarda provisória ou definitiva 4

(Mandado de Segurança n. 25.823/DF, Relator para o acórdão o Ministro Ayres Britto, Plenário, DJe 27.8.2009). 11. Entendeu-se também que a dependência econômica para recebimento da pensão temporária deve estar comprovada, ainda que o beneficiário estivesse sob a guarda do instituidor, pois não se pode inferir que a dependência econômica tenha sido a única causa para a concessão da guarda do requerente ao avós (Mandado de Segurança n. 25.409/DF, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, Plenário, DJe 17.5.2007). 12. Na espécie vertente, consta do ato impugnado que, no processo administrativo referente à concessão da pensão, não consta termo de guarda, mas apenas a Sentença n. 186/2000/PMC/JF/AL, prolatada na ação de justificação de dependência econômica da menor, proposta pela instituidora (fl. 8 do evento 4). Inobstante a Impetrante não tenha instruído o mandado de segurança com esse documento, a referência à decisão judicial assentando a dependência econômica da Impetrante em relação à instituidora da pensão atrai a proteção do 3º do art. 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente em relação à controversa derrogação procedida pelo art. 5º da Lei n. 9.717/1998. Nessa linha, o indeferimento da liminar requerida nesta ação poderia acarretar a ineficácia se a medida viesse a ser deferida somente ao final, pela natureza alimentar das verbas recebidas pela Impetrante. 13. Pelo exposto, defiro a medida liminar requerida, suspendendo os efeitos do Acórdão TCU n. 997/2014, proferido pela Primeira Câmara do Tribunal de Contas da União no Processo n. Processo TC n. 003.959/2014-7, e, consequentemente, determino o restabelecimento da pensão. Enfatizo que o deferimento desta medida liminar não constitui 5

antecipação do julgamento do mérito da ação, não constitui direito nem consolida situação remuneratória. Cumpre-se por ela apenas o resguardo de situação a ser solucionada no julgamento de mérito, a fim de que não se frustrem os objetivos da ação. 14. Notifique-se a autoridade Impetrada para, querendo, prestar informações no prazo máximo de dez dias (art. 7º, inc. I, da Lei n. 12.016/2009 c/c art. 203 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). 15. Intime-se a Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 7º, inc. II, da Lei n. 12.016/2009. 16. Vista ao Procurador-Geral da República (art. 12 da Lei n. 12.016/2009 e art. 205 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Comunique-se, com urgência. Publique-se. Brasília, 24 de abril de 2014. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora 6