AÇÃO RESCISÓRIA 1. Conceito 2. Natureza Jurídica 3. Cabimento no Processo do Trabalho 4. Aplicação do Princípio da Fungibilidade 5. Requisitos 6. Competência 7. Legitimidade Ativa 8. Hipóteses de cabimento da Ação Rescisória 9. Medida Cautelar e Antecipação de Tutela 10. Requisitos da petição inicial 11. Depósito Prévio 12. Prazo 13. Procedimento 14. Recursos cabíveis. 15. Bibliografia.
1. CONCEITO A palavra rescindir originou-se dos vocábulos rescindo, is, scindi, scissum, scindere, que querem dizer quebrar, invalidar ou ab-rogar. Logo, observamos que a partir do próprio nome da ação nos é possível traçar as primeiras linhas de raciocínio quanto ao conceito deste instituto. A ação rescisória tem por objetivo desconstituir uma decisão que, mesmo tendo transitado em julgado, continha um dos vícios elencados taxativamente no art. 485 do CPC, que podem consistir em error in judicando (vício contido no julgamento) ou error in procedendo (vício contido no processo). Como sabemos, as nulidades prejudicam a harmonia social porque atingem a ordem jurídica quando maculando a entrega da prestação jurisdicional. Assim, podemos dizer que a função da Ação Rescisória não é a correção de injustiças cometidas, mas seu objetivo primordial é tão somente corrigir sentença ou acórdão que ofenda a ordem jurídica, assegurando certeza na prestação jurisdicional nas palavras de Sérgio Pinto Martins. 2. NATUREZA JURÍDICA A Ação Rescisória se trata de ação autônoma, e não de recurso. Não pode ser proposta em substituição a qualquer recurso e também não é condição de sua propositura o esgotamento dos meios recursais. (Súmula 514 do STF). Nos dizeres de Eduardo Gabriel Saad, nosso direito positivo não mais tolera qualquer controvérsia sobre a natureza jurídica da rescisória, se ação ou recurso. É ação. Tem a referida ação natureza declaratória e constitutiva. Sua natureza é declaratória porque declara a existência ou não da relação jurídica, a autenticidade ou falsidade de documento que serviu como fundamento da decisão que se pretende rescindir, etc. Pode ter natureza declaratória negativa, quando for julgada incabível. Sua natureza é constitutiva porque cria, extingue ou modifica a relação jurídica por meio de sentença. Quando acolhe o pedido do autor a ação 2
tem natureza constitutiva. Como pode sanar nulidades com a prolação de novo julgamento, tem natureza desconstitutiva com relação às referidas nulidades. Por fim, quando rejeita a pretensão autoral, possui natureza constitutivo-negativa. 3. CABIMENTO NO PROCESSO DO TRABALHO Inicialmente, cumpre afirmar que já houve dúvida quanto ao cabimento da Ação Rescisória no processo do trabalho até a edição do Decreto-Lei nº 229 de 1967, que mudou a redação do art. 836 da CLT, passando a admitir a Ação Rescisória no âmbito da Justiça do Trabalho. Atualmente vige o citado art. 836 da CLT com redação alterada pela Lei 11.495/07, admitindo o cabimento da ação rescisória no processo do trabalho e determinando, ainda, que sua regulamentação observará as disposições do Código de Processo Civil. Logo, apesar de proposta na Justiça do Trabalho, a Ação Rescisória está totalmente submetida às disposições do CPC, salvo no que diz respeito ao depósito de 5% do valor da causa, estabelecido nos arts. 488, II e 494 do CPC, como veremos detalhadamente mais adiante. Nelson Nery Junior afirma que é admissível ação rescisória das decisões de mérito transitadas em julgado proferidas pela Justiça do Trabalho (CLT 836 caput). A ação rescisória ataca a coisa julgada formal, pois já decorreu prazo para interposição de recursos. Não se cogita do acerto ou erro no mérito da decisão, apenas se verificam as condições de validade da própria decisão. Por oportuno, cumpre ressaltar que pelo exercício do juízo rescisório o magistrado ou Tribunal desconstitui a sentença eivada pelo vício demonstrado pelo autor da ação, caso a mesma seja provida. A substituição da antiga decisão pela prolação de uma nova se dá pelo exercício do juízo rescindente. 4. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE Pelo princípio da fungibilidade o magistrado pode analisar uma medida processualmente incorreta apresentada pela parte como se adequada fosse 3
desde que: (i) haja pluralidade de medidas contra um mesmo ato ou decisão e; (ii) exista dúvida jurisprudencial e doutrinária razoável acerca de seu cabimento. É importante frisar, primeiramente, que este princípio é próprio dos recursos. A doutrina se refere a tal princípio, inclusive, como o Princípio da Fungibilidade Recursal. As únicas ações autônomas que admitem a aplicação do princípio da fungibilidade são as ações possessórias. A rescisória, como vimos, é ação e não recurso, razão pela qual descabe a aplicação deste princípio. Ademais, não há pluralidade de meios para que se alcance a rescisão de sentença ou acórdão passados em julgado contendo vícios, tampouco dúvida jurisprudencial ou doutrinária razoável quanto à medida cabível nestas hipóteses. Sendo estes dois requisitos fundamentais para que se admita a fungibilidade, como já dito, conclui-se sem sombra de dúvida que o mesmo não pode ser aplicado pelo julgador no exame da ação rescisória. 5. REQUISITOS Art. 485 caput do CPC Embora o texto do art. 485 do CPC faça menção expressa apenas à sentença, sem dúvida alguma abrange todas as decisões de mérito, o que também inclui os acórdãos. Sobre o assunto, Nelson Nery Junior afirma que o caput do art. 485 do CPC falou menos do que queria dizer porque, além do próprio CPC, em seus arts. 162 e 163, conceituar os acórdãos e distingui-los de sentenças, a doutrina reconhece pacificamente a rescindibilidade dos acórdãos. Assim, para ser cabível a ação rescisória, é imprescindível que tenha sido proferida sentença ou acórdão. Logo, não se pode rescindir despachos de mero expediente, aqueles cuja prática não resulta em prejuízo às partes e pelos quais apenas se dá regular andamento ao processo, sem que sejam analisadas as questões meritórias envolvidas no dissídio. A decisão também deve ser de mérito. O julgamento sem exame de mérito pelas hipóteses elencadas no art. 267 do CPC também transita em julgado, mas não faz coisa julgada material, requisito fundamental para a adequação do pleito de corte rescisório. A ação que apenas faz coisa julgada formal, ou seja, aquela que foi julgada extinta sem exame de mérito, pode ser reapresentada, razão pela qual descabe o manejo da ação rescisória. 4
É necessário, ainda, o trânsito em julgado (Súmula 299 do TST), que se verificará com o decurso do prazo para oferecimento de recursos contra a decisão de mérito proferida pelo juiz ou Tribunal. 6. COMPETÊNCIA A ação rescisória é de competência originária dos Tribunais. Será conhecida e julgada pelos Tribunais Regionais do Trabalho quando a decisão rescindenda foi proferida pelas Varas do Trabalho ou pelo próprio TRT. Quando a decisão que se pretende rescindir tiver sido proferida pelo TST, será o próprio Tribunal Superior do Trabalho competente para processar e julgar a aça rescisória, assim como ocorre com os TRT s. Explica-se tal competência pela existência de múltiplas Turmas/órgãos tanto nos TRT s quanto no TST, que podem julgar ações rescisórias contra seus julgados reciprocamente. A exceção se verifica quando a decisão rescindenda foi proferida pelos Presidentes dos Tribunais Regionais do Trabalho. Neste caso, o TST e não o TRT é competente para processar e julgar a ação rescisória. Logo, conclui-se que o fundamento da competência da rescisória é a sua análise por outro Juízo. Para maiores informações sobre a competência e também sobre a possibilidade jurídica do pedido de rescisão, sugerimos consulta à bibliografia indicada. Órgão prolator da decisão rescindenda Vara do Trabalho TRT Competência para conhecimento e julgamento TRT TRT Presidente do TRT TST SDI 2 TST TST SDI 2 7. LEGITIMIDADE ATIVA Pode propor a ação rescisória aquele que foi parte no processo no qual foi proferida a decisão rescindenda, bem como seu sucesso a título universal ou singular, conforme disposição do art. 487, I do CPC. 5
O terceiro interessado também poderá propor a ação rescisória, mas deverá demonstrar interesse jurídico, e não somente econômico. O litisconsórcio em relação ao pólo ativo da ação rescisória é facultativo, e se estabelece por conveniência. Afinal, não se pode condicionar o exercício do direito constitucional de ação de um dos litigantes à anuência dos demais. Esta é a disposição da Súmula 406, I do TST. Em relação ao pólo passivo, no entanto, o litisconsórcio é necessário, pois a decisão não pode ser diferente para os vários membros de uma comunidade de direitos ou obrigações. Finalmente, a Súmula 407 do TST estabelece que a legitimidade do Ministério Público na proposição de ação rescisória não está adstrita às alíneas a e b do inciso III do art. 487 do CPC, por serem estas hipóteses meramente exemplificativas. Logo, se reconhece que, como Fiscal da Lei, o Ministério Público tem sim, legitimidade para propor ação rescisória quando a decisão for proferida, por exemplo, depois de conluio entre as partes com o intuito de fraudar a Lei. 8. HIPÓTESES DE CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA A ação rescisória poderá ser proposta para rescindir decisão de mérito proferida por juiz ou Tribunal que contiver qualquer dos vícios elencados no art. 485 do CPC. As hipóteses são as seguintes: a) Se a sentença foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz. A prevaricação (Art. 319 do Código Penal) se observa quando o juiz retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou o pratica em desacordo com a Lei, para satisfação de interesse ou sentimento pessoal. Concussão (Art. 316 do Código Penal) significa exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora do exercício das funções, mas em razão dela, vantagem indevida. A corrupção passiva (Art. 317 do Código Penal) importa em solicitar ou receber para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora do exercício das funções, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem. 6
Eduardo Gabriel Saad afirma que ocasionais presentes ou doações, sem grade expressão monetária, a servidor público, não caracterizam a corrupção. Difere o crime de corrupção passiva da concussão porque na primeira há mera solicitação de vantagem indevida, ao passo que no segundo tipo penal observa-se exigência da referida vantagem. Não é necessário reconhecimento prévio pela Justiça do ilícito penal para que seja proposta a rescisória. Tais crimes podem ser provados pelo autor da rescisória, desde que de forma inequívoca. b) Proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente. Da própria leitura do dispositivo se extrai que a incompetência relativa, em razão do lugar, por exemplo, não é causa para propositura de ação rescisória, pois se não argüida por qualquer das partes no momento oportuno, é superada. A decisão do juiz suspeito também não enseja a ação rescisória. Todos os casos nos quais o juiz é impedido de conhecer e analisar a lide estão elencados no art. 134 do CPC. c) Resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei. A colusão pode ser entendida, nas palavras de Sérgio Pinto Martins, como um acordo secreto entre as partes litigantes que praticam atos simulados, com o objetivo de fraudar a lei ou conseguir fim proibido por lei, inclusive prejudicando terceiros. Importante ressaltar que para fins de enquadramento neste inciso III do art. 485 do CPC, não caracteriza dolo processual o simples fato de a parte vencedora haver silenciado a respeito de fatos que não lhe fossem favoráveis. Esta é a disposição da Súmula 403, I do TST. Finalmente, cumpre afirmar que a decisão homologatória de acordo não pode ser objeto de ação rescisória fundada no inciso III do art. 485 do CPC, porque não há, nesta hipótese, parte vencedora ou vencida. No entanto, pode a decisão que homologa acordo ser objeto de ação rescisória se for evidenciado vício ocorrido no processo (Súmula 259 do TST). d) Ofender a coisa julgada A decisão rescindenda e a decisão exeqüenda devem ser claramente dissonantes. Logo, não cabe ação rescisória se for necessária interpretação da 7
decisão para que se configure a lesão à coisa julgada. Esta é a disposição da OJ nº 123 da SDI - 2 do Tribunal Superior do Trabalho. e) Violar literal disposição de lei. O inciso V do art. 485 do CPC fala da Lei em sentido amplo, ou seja, cabe ação rescisória se a sentença que se procura rescindir ofendeu a Constituição Federal, lei ordinária, lei complementar ou tratados internacionais, por exemplo. Assim, conclui-se que a ofensa à Súmula, OJ, acordo coletivo, portarias ou regulamentos internos não enseja a ação rescisória, porque não têm natureza de Lei (OJ nº 25 da SDI-2 do TST). Ademais, deve haver expressa manifestação do dispositivo legal supostamente violado na petição inicial (Sumula 408 do TST). Não pode ser aplicada, portanto, a regra iura novit curia, pela qual a norma jurídica deve ser de conhecimento prévio do magistrado. Não será admitida ação rescisória de o dispositivo legal apontado tiver interpretação controvertida nos Tribunais. Esta é a disposição da Súmula 83, I do TST. Neste sentido também se consolidou o entendimento da Suprema Corte, pela edição da Súmula nº 343. No entanto, sendo constitucional a norma ofendida, o STF admite a ação rescisória, mesmo que a interpretação desta seja controvertida. f) Estiver baseada em prova cuja falsidade for apurada em processo criminal ou na própria ação rescisória. A prova de falsidade documental deve ser apreciada pelo Judiciário, dado o caráter extraordinário da rescisória, que relativiza a coisa julgada. g) Depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável. Não são admitidas surpresas processuais. À parte não é facultado omitir documento existente deliberadamente, apresentando o mesmo quando bem entender, em momento inoportuno. Esta é a razão pela qual deve ser cabalmente demonstrada a impossibilidade de utilização do documento no curso do processo, ou o desconhecimento de sua existência. Logo, entendemos que a redação adequada deste inciso seria prova nova, e não documento novo. Como dissemos, o documento já existia no curso do processo principal, mas não foi utilizado. Não é, portanto, um documento novo, mas uma prova nova. 8
h) Houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença. A confissão de que trata o referido inciso não pode ser aquela decorrente da revelia, porque nesta hipótese não houve qualquer vício de consentimento, quais sejam: erro, dolo ou coação. Isto é o que estabelece a Súmula 404 do TST. i) Fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa. A sentença deve ter admitido fato inexistente, ou desconsiderado um fato efetivamente ocorrido. É indispensável, em ambos os casos, que não tenha havido controvérsia ou pronunciamento judicial sobre o fato. Quanto à fase de execução, a ação rescisória não é cabível contra a decisão que homologa os cálculos após regular fase de liquidação, posto que sua natureza é interlocutória. Por outro lado, a sentença proferida em sede de embargos à execução pode ser rescindida, porque faz coisa julgada material. Também é rescindível o acórdão proferido em Agravo de Petição, que é o recurso cabível das decisões proferidas na fase de execução trabalhista. 9. MEDIDA CAUTELAR E ANTECIPAÇÃO DE TUTELA A Súmula 405, II do TST estabelece que o pedido de tutela antecipada formulado em ação rescisória será recebido como medida cautelar. O art. 489 do CPC, contudo, faz previsão expressa do cabimento do pedido de antecipação de tutela em ação rescisória. Objetiva-se, tanto num caso quanto no outro, a suspensão da execução da decisão rescindenda, conforme previsão do item I da já citada Súmula 405 do TST. Portanto, que são admitidos os pedidos de medida cautelar e de tutela antecipada (art. 273 do CPC) na ação rescisória. 10. REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL A petição inicial da ação rescisória deverá conter todos os elementos indispensáveis estabelecidos pelo art. 282 do Código de Processo Civil. O inciso I do art. 490 do mesmo diploma legal faz previsão de que será indeferida a petição 9
inicial nos casos elencados no art. 295 do CPC, dispositivo este que também é aplicado na análise de inépcia nas demais petições iniciais do processo comum. Também é fundamental a juntada de cópias autenticadas da decisão rescindenda e da sua certidão de trânsito em julgado (Súmula 299, I do TST). Caso não sejam apresentadas, o relator abrirá prazo de 10 dias para que o autor junte tais cópias autenticadas as pessoas jurídicas de direito público não precisam autenticar as cópias a teor do disposto no art. 24 da Lei 10.522/2002 sob pena de indeferimento da petição inicial (Súmula 299, II do TST). Importante ressaltar que a mesma Súmula, em seu item III, estabelece que a juntada destes documentos é pressuposto processual indispensável para ajuizamento da ação rescisória. O trânsito em julgado deve ser anterior à propositura desta ação, pois não se admite a rescisória de forma preventiva. Conforme explicitado anteriormente, é possível a cumulação de pedidos na petição inicial da ação rescisória, por inteligência do art. 488, I do CPC. Assim pode ser requerida a rescisão do julgado viciado (juízo rescisório) e também a realização de um novo julgamento (juízo rescindente). 11. DEPÓSITO PRÉVIO Primeiramente devemos esclarecer que o depósito prévio não se trata de depósito recursal. Apesar da semelhança em sua nomenclatura, o depósito prévio se trata de custas processuais. No entanto, se trata de uma exceção, pois deve ser recolhido previamente, como seu próprio nome sugere, e não ao final, como é a regra do recolhimento de custas no processo do trabalho. Nelson Nery Junior afirma que a rescisória trabalhista tem o regime jurídico do CPC 485-495, salvo quanto ao depósito prévio (CPC 488, II), que é de 20% (vinte por cento) do valor da causa e não de 5% (cinco por cento). Assim, não se aplica o disposto pelo art. 488, II do CPC, mas, antes, deve ser observado o que estabelece a CLT, que faz previsão expressa da necessidade de depósito prévio de 20% sobre o valor da causa, salvo se for provada a miserabilidade jurídica do autor. O depósito prévio de 20% sobre o valor da causa foi introduzido pela Lei nº 11.495/2007, que deu a atual redação para o art. 836 da CLT. 10
12. PRAZO O prazo para propositura da ação rescisória é de dois anos, contados a partir do dia útil subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida no processo, seja de mérito ou não (Súmula 100, I do TST). O referido prazo é decadencial e não prescricional. A Súmula 100 do TST elenca as hipóteses de contagem do prazo decadencial para propositura da ação rescisória. 13. PROCEDIMENTO Distribuída a petição inicial da ação rescisória acompanhada de comprovante do depósito prévio de 20% sobre o valor da causa, contento qualificação das partes, causa de pedir, pedido e valor da causa, e tendo sido cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade, o relator mandará citar a parte contrária. O réu terá prazo de 15 a 30 dias, a critério do magistrado, para contestar a ação. Esta é a disposição do art. 491 do CPC. Quanto ao rito processual, a Súmula 365 do TST estabelece que não será aplicado o rito de Alçada (quando o valor da causa não ultrapassa 2 salários mínimos) na ação rescisória. No entanto, depois da inclusão do art. 852-A na CLT, que estabeleceu o rito sumaríssimo, entendemos que o rito de Alçada foi extinto no processo do trabalho, pois as causas cujo valor seja de até 40 salários mínimos (e não de 2 a 40 salários mínimos), serão sujeitas ao rito sumaríssimo. Importante ressaltar que a revelia, neste caso, não produz confissão ficta, pois a matéria de que trata a ação rescisória é exclusivamente de direito e, por versar sobre vícios contidos em provimento jurisdicional, a questão é também de ordem pública (Súmula 398 do TST). No entanto, é necessário destacarmos que na ação rescisória pode sim, haver a necessidade de instrução processual pela oitiva de testemunhas. Como no caso de ação rescisória que tenha sido proposta para desconstituir julgado proferido por juiz corrupto. A corrupção dificilmente se prova exclusivamente com documentos, sendo importante a análise detida dos fatos ocorridos, para que então se possa verificar a procedência ou não do pedido. 11
Logo, entendemos que há possibilidade de que a controvérsia na ação rescisória não seja exclusivamente de direito, mas também de fato, ao contrário do que sugere a Súmula 398 do TST. Nesta hipótese, o CPC, em seu art. 492, estabelece que o relator delegue competência para o juiz de primeira instância de modo que seja colhida a prova. Os autos devem ser devolvidos no prazo de 45 a 90 dias. Isto se faz necessário, pois, como se sabe, o Tribunal não é o órgão próprio para a colheita de provas testemunhais. Poderá ser proposta a conciliação. Nas palavras de Sérgio Pinto Martins, a ausência da proposta conciliatória não acarreta nulidade, apenas mera irregularidade. Será concedido prazo sucessivo de 10 dias para que autor e réu apresentem razões finais, após o encerramento da instrução processual. Em seguida, o Ministério Público do Trabalho emitirá parecer sobre o caso. Devolvidos os autos, os mesmos serão encaminhados ao gabinete do relator para redação do voto. Após a análise dos autos pelo revisor, a ação rescisória é colocada em pauta de julgamento. Se o julgamento da ação rescisória for feito pelo TRT (nos casos de decisão rescindenda proferida por Vara do Trabalho ou pelo próprio TRT) caberá Recurso Ordinário para o TST, no prazo de 8 dias, conforme estabelece a Sumula 158 do TST. Quanto ao depósito recursal, será o mesmo exigido apenas se a ação rescisória, julgada procedente, impor condenação em pecúnia, devendo ser efetuado no limite e na forma da legislação em vigor, sob pena de deserção, ante ao que dispõe a Súmula 99 do TST. O teto para recolhimento para interposição de Recurso Ordinário em ação rescisória, no entanto, será sempre aquele estabelecido para interposição do recurso de revista. Logo, o teto é único, tanto para a rescisória de competência do TRT, quanto para as ações de competência originária do TST. É cabível a remessa de ofício (reexame necessário) quando a decisão da ação rescisória for contrária a ente público (Súmula 303, II do TST). A execução da decisão proferida em ação rescisória será processada nos autos da ação que lhe deu origem, devendo ser instruída com o acórdão proferido e a sua certidão de trânsito em julgado. 12
14. RECURSOS CABÍVEIS Caberão todos os recursos previstos no processo do trabalho. Se a ação rescisória foi julgada pelo TRT, caberá Recurso Ordinário para a Seção de Dissídios Individuais 2 do TST. Se a rescisória tiver sido julgada originariamente pelo TST (SDI-2) então caberá o recurso de Embargos no TST para a SDI-1 do próprio TST. Os prazos são ambos de 8 dias, conforme previsão da CLT. Sendo denegado seguimento a recurso, caberá Agravo de Instrumento. Estando omissa ou contraditória a sentença da ação rescisória, caberão embargos de declaração. Quanto ao depósito recursal, cumpre ressaltar que o mesmo é devido caso haja condenação em pecúnia, como dito anteriormente, devendo ser observado o limite da condenação, ou o teto do recurso de revista. 15. BIBLIOGRAFIA MARTINS, Sérgio Pinto. DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO. Editora Atlas. 28ª edição. São Paulo, 2008. MARTINS, Sergio Pinto. COMENTÁRIOS ÀS SÚMULAS DO TST. Editora Atlas. 5ª Edição. São Paulo, 2008. NERY JUNIOR, Nelson. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL COMENTADO. Editora RT. 10ª Edição. São Paulo, 2007. PAES DE ALMEIDA, André Luiz. DIREITO DO TRABALHO. Editora Rideel, 6ª edição. São Paulo, 2009. PAES DE ALMEIDA, André Luiz. VADE MECUM TRABALHISTA. Editora Rideel, 1ª edição. São Paulo, 2009. SAAD, Eduardo Gabriel. CLT COMENTADA. Editora LTR. 41ª Edição. São Paulo, 2008. 13