GJBB Nº 70031892250 2009/CÍVEL



Documentos relacionados
RELATÓRIO O SR. DESEMBARGADOR FEDERAL PAULO ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA (RELATOR):

Nº COMARCA DE LAJEADO MUNICÍPIO DE LAJEADO ACÓRDÃO

LUIZ ANTONIO SOARES DESEMBARGADOR FEDERAL RELATOR

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores RUBENS RIHL (Presidente) e JARBAS GOMES. São Paulo, 18 de setembro de 2013.

Superior Tribunal de Justiça

TERCEIRA CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO Nº 10985/ CLASSE CNJ COMARCA DE POXORÉO

CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO ESTADO DE MINAS GERAIS

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO. (Presidente sem voto), FRANCISCO BIANCO E NOGUEIRA DIEFENTHALER. São Paulo, 17 de setembro de 2015.

APELAÇÃO. SEPARAÇÃO. PARTILHA. DERAM PARCIAL PROVIMENTO. Nº COMARCA DE ERECHIM A C Ó R D Ã O

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº AGRAVANTE: JAQUELINE MACIEL LOURENÇO DA SILVA

CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Acórdão: /13/1ª Rito: Sumário PTA/AI:

Nº COMARCA DE PORTO ALEGRE KELLY BORCHARDT GREGORIS CLARO DIGITAL S/A A CÓRDÃO

Nº XXXXXXXXXXXXXX COMARCA DE CAXIAS DO SUL A C Ó R D Ã O

Nº COMARCA DE FELIZ CONSTRUTORA SC LTDA A C Ó R D Ã O

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO 001/2011. Irresignada, a Recorrente interpôs defesa administrativa, que sob mesmo fundamento, foi negada pela instância originária.

A inconstitucionalidade na fixação de alíquotas progressivas para o Imposto sobre transmissão causa mortis e doação.

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DÉCIMA SÉTIMA CÂMARA CÍVEL

ACÓRDÃO. O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores ISRAEL GÓES DOS ANJOS (Presidente sem voto), CARLOS ABRÃO E SERGIO GOMES.

SECRETARIA DE ESTADO DE FAZENDA CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECURSO Nº (23.816) ACORDÃO Nº RECORRENTE COMPANHIA BRASILEIRA DE OFFSHORE

Dados básicos. Ementa: Íntegra

CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Acórdão: /15/3ª Rito: Sumário PTA/AI: Impugnação: 40.

Superior Tribunal de Justiça

ACÓRDÃO. Apelação nº , da Comarca de. Caçapava, em que são apelantes APARÍCIO GALDINO

CÍVEL Nº COMARCA DE PORTO ALEGRE EURO PARTICIPACOES LTDA. MUNICIPIO DE PORTO ALEGRE

ISS. BASE DE CÁLCULO. ATIVIDADES COOPERATIVAS BETINA TREIGER GRUPENMACHER. ADVOGADA. PROFª UFPR

Superior Tribunal de Justiça

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº ( ) COMARCA DE GOIÂNIA AGRAVANTE : ANNA CRISTINA TORRES FIUZA DE ALENCAR RELATOR : DES

JUNTA DE REVISÃO FISCAL

IMPOSTO DE RENDA E O ARTIGO 43 DO CTN

RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº / RS

Supremo Tribunal Federal

Dados Básicos. Ementa. Íntegra

Processo nº E-04 / / 2012 Governo do Estado do Rio de Janeiro Secretaria de Estado de Fazenda Conselho de Contribuintes

Superior Tribunal de Justiça

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL OAB XIII EXAME DE ORDEM C006 DIREITO TRIBUTÁRIO

Superior Tribunal de Justiça

Decisão. Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro Gabinete da Desembargadora Denise Levy Tredler

Superior Tribunal de Justiça

: Município de Cascavel, Prosegur Brasil S.A. Transportadora de Valores e Segurança.

Supremo Tribunal Federal

Superior Tribunal de Justiça

QUINTA CÂMARA CÍVEL Apelação Cível nº Relator: DES. HENRIQUE CARLOS DE ANDRADE FIGUEIRA

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Supremo Tribunal Federal

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

PARTE GERAL FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS DO DIREITO TRIBUTÁRIO, 1

Dados Básicos. Ementa. Íntegra

APELAÇÃO CÍVEL Nº

Nº COMARCA DE PALMEIRA DAS MISSÕES MAUBER MARCELO DOS SANTOS A C Ó R D Ã O

Superior Tribunal de Justiça

NA IMPORTAÇÃO POR NÃO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO ESTADUAL APÓS A EMENDA CONSTITUCIONAL N. 33 DE , CONTINUA NÃO INCIDINDO O ICMS.

5Recurso Eleitoral n Zona Eleitoral: Recorrentes:

PODER JUDICIÁRIO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ACÓRDÃO

Registro: ACÓRDÃO

Poder Judiciário Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios GABINETE DO DESEMBARGADOR SANDOVAL OLIVEIRA E M E N T A A C Ó R D Ã O

Superior Tribunal de Justiça

SENTENÇA Procedimento Ordinário - Anulação de Débito Fiscal L Fazenda Publica do Estado de São Paulo

Conselho Nacional de Justiça

devolutivo. Ao apelado. Transcorrido o prazo, com ou sem contrarrazões, subam ao Eg. Tribunal de Justiça..

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

PARECER Nº 250/2015. Sob esse tema o art. 60 da Consolidação das Leis do Trabalho - Decreto Lei 5452/4, assim dispõe:

Transcrição:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ITCD. IMPOSTO REAL. ALÍQUOTAS PROGRESSÍVAS. DESCABIMENTO. VALOR DO BEM TRANSMITIDO OU DOADO. CRITÉRIO QUE NÃO MENSURA E/OU EXPRESSA A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. TRIBUTO DEVIDO PELA ALÍQUOTA MÍNIMA PARA TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS (ART. 18, I DA LEI 8.821/89). A Constituição Federal subordina todo o sistema tributário nacional a vários princípios, uns gerais e expressos, outros decorrentes, outros, ainda, específicos a determinados impostos. São princípios gerais expressos o da legalidade estrita (art. 150, I), da igualdade tributária (art. 151, II), da personalização do tributo e da capacidade tributária (art. 145, parágrafo 1º), da irretroatividade (art. 150, III, a), da anualidade (art. 150, III b), da ilimitabilidade do tráfego de pessoas e bens (art. 150, V). Entre os decorrentes, destaca-se o princípio da universalidade, que não há de ser próprio tão só para o Imposto de Renda, como dispõe o art. 153, parágrafo 2º, I, mas comum a qualquer tributo, posto que o art. 19, III, veda ao Estado criar distinção entre brasileiros. Determinados impostos, ainda, ficam submetidos a princípios que se podem dizer específicos, como o da progressividade, próprio para o imposto sobre a renda (art. 153, parágrafo 3º, I) e ao IPTU, isto a contar da Emenda Constitucional 29, e os da não cumulatividade e da seletividade, aplicáveis ao IPI e ao ICMS (arts. 153, IV, parágrafo 3º, I e II e 155, II, parágrafo 2º, I e III). Tem-se certo, pois, que salvo expressa vênia constitucional, é vedada a progressividade nos impostos reais posto que, para ficar no caso o valor do bem transmitido ou doado que constitui a base de cálculo do ITCD - não mensura e nem é expressão da capacidade contributiva. Também no ITBI, imposto que tem fato gerador comum a transmissão de bens só que difere na causa, razão porque o Pretório Excelso a seu respeito já proclamou a inconstitucionalidade da progressão. Vê-se, pois, que as disposições dos artigos 18 e 19 da lei 8.821/89 afrontam o princípio constitucional que veda a progressão para os impostos de natureza real, como inegavelmente é o ITCD. Por isso, deixo de aplicá-las ao caso concreto; mas nem por isso as transmissões de bens ou doações hão de ficar à margem e ao largo da tributação, devendo prevalecer a alíquota mínima. 1

Assim, na transmissão causa mortis aplicável a alíquota mínima de 1% (art. 18, I) e para a transmissão por doação, de 3%, também a mínima (art. 19, I), vedada a progressão por conta do valor dos bens transmitidos. Pondero que a lei estadual 8.821/89 dispõe modo diferenciado as alíquotas para as duas espécies de transmissão causa mortis e doação; dá trato seletivo a situações jurídicas que se diferenciam. Agravo parcialmente provido. Unânime. AGRAVO DE INSTRUMENTO 21ª CÂMARA CÍVEL COMARCA DE TRIUNFO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DIVA DE OLIVEIRA KUHN E OUTROS AGRAVANTE AGRAVADO A CÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os Desembargadores integrantes da Vigésima Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos dos votos a seguir transcritos. Custas na forma da lei. Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes Senhores DES. MARCO AURÉLIO HEINZ (PRESIDENTE) E DES.ª LISELENA SCHIFINO ROBLES RIBEIRO. Porto Alegre, 14 de outubro de 2009. DES. GENARO JOSÉ BARONI BORGES, Relator. 2

R E L ATÓRIO DES. GENARO JOSÉ BARONI BORGES (RELATOR) Trata-se de agravo de instrumento interposto pelo ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL contra decisão que reconheceu incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 18 da lei 8.821/89, com a redação dada pela lei 11.074/97, fixando, para o caso dos autos, alíquota para o cálculo do ITCD de 1%, proferida nos autos do inventário ajuizado por DIVA MACHADO DE OLIVEIRA KUHN E OUTROS. O agravante requer que seja determinada a incidência da alíquota de 3% em relação ao excesso de quinhão de herdeiro ADÃO EVAIR MACHADO DE OLIVEIRA e de 2% sobre cada um dos quinhões, preservada a correta aplicação dos artigos 18, II e 19, ambos da lei 8.821/89. O recurso foi recebido, inexistindo pedido de efeito suspensivo. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 90/97). Com vista dos autos, o Ministério Público manifesta-se pelo parcial provimento do recurso. É o relatório. V O TOS DES. GENARO JOSÉ BARONI BORGES (RELATOR) Quanto à inconstitucionalidade do 3º, do art. 12 da Lei 8.821/89, esta Corte já tem entendimento pacificado, prova disso os julgamentos proferidos em 11/08/2003, no Incidente de Inconstitucionalidade nº. 70005713862, onde por maioria de votos o mesmo foi acolhido e, ainda, em 31/05/2004, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 70007457880, 3

julgada procedente, os quais transcrevo as ementas, respectivamente, in verbis: CONSTITUCIONAL. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE TRANSMISSÃO. SUBTRAÇÃO DOS ÔNUS REAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. É inconstitucional o art. 12, 3º, da Lei 8.821/89-RS, que não exclui da base de cálculo do imposto de transmissão os valores de quaisquer dívidas que onerem o bem, título ou crédito transmitido, porque, ignorando a capacidade econômica contributiva objetiva, que somente se inicia após a dedução dos gastos à aquisição, produção, exploração e manutenção da renda e do patrimônio (MIZABEL DERZI), a teor do art. 145, 1º, da CF/88, acaba redundando em confisco (art. 150, IV). 2. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE ACOLHIDO. VOTOS VENCIDOS. ADIN. LEI TRIBUTÁRIA ESTADUAL. IMPOSTO DE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO ITCD. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, DOS ÔNUS QUE GRAVAM O BEM. ART. 12, 3º, DA LEI Nº 8.821/89, DO RIO GRANDE DO SUL, QUE MANDA EXCLUIR, DA BASE DE CÁLCULO DO ITCD, O VALOR DOS ÔNUS REAIS QUE GRAVAM O BEM TRANSMITIDO. INCONSTITUCIONALIDADE. Preliminares de inépcia da inicial e incompetência da Corte rejeitadas, tendo em vista orientação segura do Supremo a respeito da matéria. O art. 140 caput da Carta Estadual, ratificando as disposições do art. 8º, reproduz as normas da Carta Federal, acerca da matéria tributária, ensejando que a Corte Estadual possa conhecer e julgar a matéria, com possibilidade de recurso extraordinário. É inconstitucional o 3º do art. 12 da Lei nº 8.821/ do Estado do RS, por vedar a exclusão, da base de cálculo, do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD), do valor das dívidas que oneram o bem, título ou crédito transmitido, porquanto, a teor do disposto no art. 38 do Código Tributário Nacional, o que se tributa (base de cálculo) é, tão-somente, o valor patrimonial líquido transmitido (ativo menos passivo). Inteligência dos arts. 145, 1º, 155, I, e 150, IV da Carta Federal, dos 4

arts. 38 e 110 Do CTN, e do art. 145, I, da Constituição Estadual. Ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da proibição de confisco e da razoabilidade. Precedente jurisprudencial. Afronta aos artigos 145, 1º e 150, IV da Carta Federal e arts. 8º, 19, caput e 140, caput da Constituição Estadual. Ação Julgada procedente. à análise: Quanto aos artigos 18 e 19 da Lei Estadual nº 8.821/89, passo O artigo 35 do Código Tributário Nacional atribuía aos Estados o IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS E DE DIREITOS A ELES RELATIVOS, sem distinguir se inter vivos ou causa mortis. A Constituição de 88, todavia, cindiu essa espécie tributária: (a) aos Estados e Distrito Federal, a transmissão causa mortis e a doação de quaisquer bens ou direitos; (b) aos Municípios e outra vez ao Distrito Federal, a transmissão a qualquer título, desde que onerosa e entre vivos, de bens imóveis por natureza ou acessão física e de direitos reais sobre imóveis. (artigos 155,I e 156,II). Cuidam-se, é de ver, de impostos de natureza real que têm fato gerador comum - a transmissão de bens; diferem na causa. Pois com relação ao Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) o Pleno do Supremo Tribunal já averbou inconstitucional a progressividade, no julgamento do RE 234105-3/SP, relator o Ministro Carlos Velloso: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE TRANSMISSÃO DE IMÓVEIS INTER VIVOS - ITBI. ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS. CF, art. 156, II, parágrafo 2º, LEI nº 11.154, de 30.12.91, do MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, SP.. Imposto de transmissão de imóveis, inter vivos ITBI: alíquotas progressivas: a Constituição Federal não autoriza a progressividade das alíquotas, realizando- 5

se o princípio da capacidade contributiva proporcionalmente ao preço da venda. R.E. conhecido e provido. Seguiram-se os Recursos Extraordinários números 227033/SP relator o Ministro Moreira Alves e 259339/SP relator o Ministro Sepúlveda Pertence. De concluir, por isso, que também e por identidade de razões, inconstitucional a instituição de alíquotas progressivas para o IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÕES (ITCD), tal como se dá no Estado do Rio Grande do Sul pela lei 8.821 de 27 de janeiro de 1989 - artigos 18 e 19-, nada obstante o que dispõe a Resolução nº 9 do Senado Federal. Nesse sentido já se manifestou o Órgão Especial desta Corte, no Incidente de Inconstitucionalidade 70019099233, declarando a inconstitucionalidade da progressividade da alíquota do ITCD, cuja ementa passo a transcrever: CONSTITUCIONAL. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. ITCD. ALÍQUOTAS. PROGRESSIVIDADE. 1. Não é admissível o incidente de inconstitucionalidade de norma já declarada inconstitucional em ação direta. Incidente conhecido em parte. 2. A progressividade da alíquota do ITCD é inconstitucional, à vista dos artigos 155, 1., IV, c/c art. 145, 1., da CF/88. 3. INCIDENTE JULGADO PROCEDENTE EM PARTE. VOTO VENCIDO. (Incidente de Inconstitucionalidade Nº 70019099233, Tribunal Pleno, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Araken de Assis, Julgado em 25/06/2007) Por isso, não podem ser aplicadas tal como previstas na lei, mas nem por isso as transmissões de bens ou doações hão de ficar à margem e ao largo da tributação, devendo prevalecer a alíquota mínima. Nesse sentido o Agravo de Instrumento nº 70016682155, rel. o Em. Des. Claudir Fidélis Faccenda: 6

SUCESSÕES. INVENTÁRIO. ITCD. IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO "CAUSA MORTIS" E DOAÇÃO, DE QUAISQUER BENS OU DIREITOS. IMPOSTO REAL. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS DA LEI ESTADUAL QUE ESTABELECEU A PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. A Constituição Federal veda a progressividade de alíquotas para os impostos de natureza real, que são aqueles em que a definição do fato gerador leva em consideração apenas a realidade tributável, sem qualquer vinculação com a pessoa e as condições do sujeito passivo. A progressividade de alíquota no ITCD, por ser um imposto real, é inconstitucional. Em razão da inconstitucionalidade da progressividade da alíquota do imposto, deve ser aplicada a menor alíquota prevista. NEGADO SEGUIMENTO AO RECURSO. (Agravo de Instrumento Nº 70016682155, Oitava Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Claudir Fidelis Faccenda, Julgado em 06/09/2006) Assim, na transmissão causa mortis aplicável a alíquota mínima de 1% (art. 18, I) e para a transmissão por doação, de 3%, também a mínima (art. 19, I), vedada a progressão por conta do valor dos bens transmitidos. Pondero que a lei estadual 8.821/89 dispõe modo diferenciado as alíquotas para as duas espécies de transmissão causa mortis e doação; dá trato seletivo a situações jurídicas que se diferenciam. No caso, com razão o Estado sobre o quinhão do herdeiro ADÃO EVAIR MACHADO DE OLIVERA, por cuidar-se de imposto recolhido em face de cessão gratuita dos demais herdeiros em favor daquele, e não transmissão causa mortis, correta a alíquota de 3% sobre o valor dos bens cedidos (fl. 61). Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso. 7

DES. MARCO AURÉLIO HEINZ (PRESIDENTE) - De acordo com o Relator. DES.ª LISELENA SCHIFINO ROBLES RIBEIRO - De acordo com o Relator. DES. MARCO AURÉLIO HEINZ - Presidente - Agravo de Instrumento nº 70031892250, Comarca de Triunfo: "DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME." Julgador(a) de 1º Grau: DIEGO LEONARDO DI MARCO PENEIRO 8