Materiais Refratários



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Transcrição:

Materiais Refratários Componentes: Benete Silva Bruno Vinicius João Paulo Thiago Porto Turma= 6821

Introdução O entrelaçamento histórico entre os processos térmicos de manufatura e a tecnologia dos refratários começa com a descoberta do fogo. A natureza forneceu os primeiros refratários, cadinhos de rocha onde metais eram amolecidos para a confecção das primeiras ferramentas primitivas. Quando o homem começou a dominar o fogo logo descobriu que a queima de argilas permitia que formas estáveis fossem obtidas com essa matéria-prima, caracterizada por elevada resistência mecânica. Objetos de formas variadas com diversas finalidades foram obtidos. Estava-se registrando o nascimento dos ancestrais dos refratários. Estes materiais realmente nasceram com a metalurgia, tendo acompanhado passo a passo a evolução do seu ramo siderúrgico. Hoje, cinco mil anos mais tarde, os refratários são manufaturados a partir de variado elenco de matérias-primas, em centenas de formatos e composições químicas, viabilizando desta forma os processos de manufatura que utilizam altas temperaturas como os que praticamente envolvem a produção de todos os tipos de metais, aços, vidros, químicos, petroquímicos e cerâmicos.

O que são Refratários? São refratários aqueles materiais capazes de suportar elevadas temperaturas. Os materiais refratários por excelência, entre outros, são as cerâmicas. Por exemplo, a fabricação do primeiro avião supersônico de passageiros, o concorde, não teria sido possível sem a utilização de um metal raro no mundo, mas abundante no Brasil, o nióbio: o mais leve dos metais refratários.

Para se confinar as altas temperaturas dentro dos fornos, reatores e inúmeros outros equipamentos é necessário revesti-los com materiais que, além de apresentarem estabilidade, tanto física quanto química às temperaturas, devem possuir ainda outras propriedades. Assim, muitas vezes, têm que ter resistência a quente, à abrasão, à erosão, ao ataque químico por sólidos, líquidos ou gases e às variações bruscas de temperatura. Seu emprego se faz necessário em temperaturas acima de 500 ºC. Conhecidos sob o a designação de Refratários, pertencem ao grupo das Cerâmicas que, juntamente com os Metais e Polímeros, constituem os três grupos em que se dividem os materiais.

Características Na condição de refratário,os materiais devem possuir: Alta refratariedade, capacidade de suportar altas temperaturas sem deformar (acima de 1100ºC) Estabilidade mecânica Estabilidade química Estabilidade dimensional; Estabilidade ao choque térmico; Baixa condutividade térmica; Baixa permeabilidade

Tijolos e placas de concreto de fornos e churrasqueiras. Aplicações de Refratários

Propriedades Mecânicas Na condição de refratário,os materiais devem possuir: Alta refratariedade capacidade de suportar altas temperaturas sem deformar(acima de 1100ºC); Estabilidade mecânica; Estabilidade química; Estabilidade dimensional; Estabilidade ao choque térmico; Baixa condutividade térmica; Baixa permeabilidade. Um exemplo de material refratário é a Alumina (Óxido de alumínio), que é usada em revestimentos de fornos de altas temperaturas (cerca de 2000 C) mantendo praticamente todas as suas características isolantes. Outro exemplo são os cimento ou concretos refratários. Utilizados como revestimento de grandes caldeiras de usinas de açúcar e álcool, panelas de aço, servem para proteger o aço derretido de um lado e a própria caldeira de aço sólido do outro. A cromita,em estado natural, é empregada também como material refratário, capaz de suportar altas temperaturas.

Alto-Forno e o Ferro-Gusa Outra aplicação dos materiais refratários é o Alto-forno, a construção, na siderurgia, de tamanho variável, externamente revestido por metal e internamente com material refratário, onde é fundido o minério de ferro, a fim de transformá-lo em ferro-gusa. O alto-forno baseia-se no fato de que o silício indesejável e outras impurezas, são mais leves do que o ferro fundido, seu produto principal, designado por ferro gusa. O forno é construído na forma semelhante a uma chaminé, numa estrutura alta feita com tijolos refratários. Ao sair do alto forno, o gusa (com teor de carbono entre 3,0 e 4,5%) pode seguir um entre dois caminhos: pode ir para a fundição, para ser usado na fabricação de peças de ferro fundido, ou pode ir para a aciaria, onde pode ser misturado com sucata de aço ou, eventualmente, com outros metais, para se transformar em aço, ou seja, uma liga ferrosa com um teor de carbono de menos de 2,0%.

Exemplos de Alto-Forno 1. Fornalha Cowper 2. Zona de derretimento 3. Zona de redução de óxido ferroso 4. Zona de redução de óxido férrico 5. Zona de pré-aquecimento (garganta) 6. Alimentação de minério, pedra calcária e coque siderúrgico 7. Escapamento de gases 8. Coluna de minério, coque e pedra calcária 9. Remoção de escória 10. Ferro-gusa 11. Chaminé para escoamento dos gases liberados O alto forno é um reator metalúrgico de contra corrente. O alto-forno baseia-se no fato de que o silício indesejável e outras.

Aplicações na Industria Siderurgia - Alto forno a coque e carvão vegetal - Regenerador/duto de ar quente - Coqueria - Carro Torpedo - Panela de gusa - Forno elétrico a arco - Panela de aço - Desgaseificador RH - Sistema de válvula gaveta - Mastro e placa do lingotamento indireto - Forno poço - Calcinação - Sinterização - Distribuidor - Forno panela - VOD - Forno de reaquecimento - Conversor - Tanque de decapagem - Planta de ácido clorídrico e sulfúrico - Misturador de gusa Fundição - Forno Cubilot - Forno Easa - Forno a óleo - Forno elétrico a arco - Forno a indução - Panela - Forno cadinho Ferro-Liga - Forno elétrico de redução - Panela - Forno de calcinação - Conversor para refino - Forno rotativo

A cerâmica A Cerâmica é um dos mais utilizados refratários, qualquer classe de material sólido inorgânico, não-metálico (não confundir com termo ametal) que seja submetido a altas temperaturas (aprox. 540 C) durante manufatura ou uso. Geralmente uma cerâmica é um óxido metálico, boreto, carbeto, ou nitreto. As cerâmicas são comumente dividas em dois grandes grupos: Cerâmica Tradicional - Inclui cerâmica de revestimentos, como ladrilhos, azulejos e também potes, vasos, tijolos e outros objetos que não tem requisitos tão elevados se comparados ao grupo seguinte. Cerâmica Avançada, ou de engenharia - Geralmente são materiais com solicitações maiores e obtidos a partir de matéria prima mais pura. Alguns exemplos são substratos para chips de microprocessadores, cordierita como suporte para catalisador automotivo, ferramentas de corte para usinagem, tijolos refratários para fornos.

CLASSIFICAÇÃO O setor cerâmico é amplo e heterogêneo o que induz a dividi-lo em sub-setores ou segmentos em função de diversos fatores como matérias-primas, propriedades e áreas de utilização. Dessa forma, a seguinte classificação, em geral, é adotada. Cerâmica Vermelha Compreende aqueles materiais com coloração avermelhada empregados na construção civil (tijolos, blocos, telhas, elementos vazados, lajes, tubos cerâmicos e argilas expandidas) e também utensílios de uso doméstico e de adorno. As lajotas muitas vezes são enquadradas neste grupo porém o mais correto é em Materiais de Revestimento. Materiais de Revestimento (Placas Cerâmicas) São aqueles materiais, na forma de placas usados na construção civil para revestimento de paredes, pisos, bancadas e piscinas de ambientes internos e externos. Recebem designações tais como: azulejo, pastilha, porcelanato, grês, lajota, piso, etc.

Cerâmica Branca Este grupo é bastante diversificado, compreendendo materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea transparente e incolor e que eram assim agrupados pela cor branca da massa, necessária por razões estéticas e/ou técnicas. Com o advento dos vidrados opacificados, muitos dos produtos enquadrados neste grupo passaram a ser fabricados, sem prejuízo das características para uma dada aplicação, com matérias-primas com certo grau de impurezas, responsáveis pela coloração. Dessa forma é mais adequado subdividir este grupo em: louça sanitária louça de mesa isoladores elétricos para alta e baixa tensão cerâmica artística (decorativa e utilitária). cerâmica técnica para fins diversos, tais como: químico, elétrico, térmico e mecânico.

Cerâmica de Alta Tecnologia/Cerâmica Avançada O aprofundamento dos conhecimentos da ciência dos materiais proporcionaram ao homem o desenvolvimento de novas tecnologias e aprimoramento das existentes nas mais diferentes áreas, como aeroespacial, eletrônica, nuclear e muitas outras e que passaram a exigir materiais com qualidade excepcionalmente elevada. Tais materiais passaram a ser desenvolvidos a partir de matérias-primas sintéticas de altíssima pureza e por meio de processos rigorosamente controlados. Estes produtos, que podem apresentar os mais diferentes formatos, são fabricados pelo chamado segmento cerâmico de alta tecnologia ou cerâmica avançada. Eles são classificados, de acordo com suas funções, em: eletroeletrônicos, magnéticos, ópticos, químicos, térmicos, mecânicos, biológicos e nucleares. Os produtos deste segmento são de uso intenso e a cada dia tende a se ampliar. Como alguns exemplos, podemos citar: naves espaciais, satélites, usinas nucleares, materiais para implantes em seres humanos, aparelhos de som e de vídeo, suporte de catalisadores para automóveis, sensores (umidade, gases e outros), ferramentas de corte, brinquedos, acendedor de fogão, etc.

A Produção de Cerâmica no Brasil O Brasil dispõe de importantes jazidas de minerais industriais de uso cerâmico, cuja produção está concentrada principalmente nas regiões sudeste e sul, onde estão localizados os maiores pólos cerâmicos do País. Dentre as diversas substâncias minerais consumidas, destacam-se, em face ao volume de produção atingido, as argilas de queima vermelha ou argilas comuns que respondem pelo maior consumo, sendo especialmente utilizadas na cerâmica vermelha e de revestimento, às vezes constituindo a única matéria-prima da massa. Tais argilas são caracterizadas como matérias-primas de baixo valor unitário, fato este que não viabiliza o seu transporte a grandes distâncias, condicionando a instalação de unidades industriais cerâmicas o mais próximo possível das jazidas. No tocante ao mercado consumidor, destaca-se a cerâmica vermelha pelo consumo da ordem de 70 milhões de toneladas por ano (tpa), através de cerca de 11.000 empresas de pequeno porte distribuídas pelo país, sobressaindo os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Bahia, como os principais produtores.

Aplicações Produção Artesanal

Tratamentos Térmicos No que diz respeito ao tratamento térmico para a produção de refratários pode-se destacar dois processos: o processo de sinterização e o de eletrofusão. O processo de eletrofusão envolve o refratário a composição refratária é levada à fusão parcial ou completa das matérias primas atingindo temperaturas da ordem de 2000 a 2500ºC. Posteriormente o produto fundido é vertido em moldes, dando origem às peças refratárias, que em um estágio posterior terá o seu formato e acabamento ajustado segundo as especificações da aplicação com o auxílio de equipamentos de corte e abrasão. Por se tratar de uma peça monolítica obtida a partir de um líquido, este refratário apresenta elevada densidade e baixos níveis de porosidade. A porosidade aliada à composição mineralógica e microestrutural destes refratários garantem um excelente desempenho destes produtos frente à corrosão, no entanto, seu custo de produção, e em alguns casos sua densidade, representam um agravante para a sua aplicação generalizada.

O segundo processo de produção bastante difundida nas indústrias refratárias é o de sinterização convencional em fornos contínuos ou intermitentes. A sinterização envolve temperaturas mais baixas, mas para isso faz uso da utilização de aditivos mineralizadores, para auxiliar na sinterização das partículas e agregados refratários. No caso dos refratários de sílica, o mineralizador mais utilizado é o óxido de cálcio. No processo de sinterização além das variáveis tais como: distribuição de partículas, empacotamento, pressão de compactação etc, a composição química e tempo e temperatura são essenciais para a obtenção de produtos refratários mais (ou menos) resistentes à corrosão. Em se tratando de refratários de sílica, dependendo da temperatura final de queima, taxas de resfriamento e da quantidade de mineralizadores, a composição mineralógica do produto varia significativamente. Dependendo do nível de transformações mineralógicas resultantes deste tratamento pode-se inclusive levar a perda completa da integridade estrutural do refratário, ou resultar em danos parciais como microtrincamento - o que acarreta na criação de porosidade e consequentemente levará a um baixo desempenho do refratário.

Refratários e preocupação com o Meio Ambiente Cada vez mais preocupadas com a questão ambiental, as empresas estão tomando medidas para amenizar os problemas relacionados ao aquecimento global e poluição. Uma prova disso são as medidas de se racionar o uso da água no processo.

A indústria cerâmica, principalmente as que empregam o processo de moagem por via úmida, possuem um elevado consumo de água. O uso racional desta água torna-se não somente uma medida de garantir o abastecimento da indústria como se destacar no mercado como uma empresa capaz de reutilizar os recursos sem agredir o planeta. No processo cerâmico pode-se encontrar o uso da água em várias etapas: no processo de moagem inserida na formulação de massa ou esmalte em 35% por cento, além de ser utilizada para lavagem dos moinhos; no processo de esmaltação para a lavação dos equipamentos sempre quando a troca de referências e conseqüentemente troca de esmaltes e tintas e no processo de corte e polimento, pois os abrasivos necessitam de constante lubrificação para facilitar o corte e aumentar o tempo de vida útil de equipamentos. Incluem-se nesse grupo as empresas que usam o corte por hidrojato.

Objetos como pilhas e baterias são extremamente agressivos ao meio ambiente e à saúde do homem, já que são compostos de produtos químicos de alto nível tóxico. Depois de usados, se jogados no lixo comum, podem causar danos. O Instituto Triângulo, organização não-governamental localizada em Santo André, recebe pilhas e baterias para reciclagem. Para reaproveitá-las, são desencapadas e levadas para fornos industriais em alta temperatura. Depois, os metais que são liberados servem de matéria-prima na produção de refratários, vidros, tintas, cerâmicas e químicas em geral. Outra preocupação que deve existir com o uso de materiais refratários são os danos na poluição do ar, uma fez que a fuligem liberada nos fornos é altamente prejudicial a saúde e tem seus impactos aumentados se as exposição as esses poluentes for longa, que prejudica seriamente os funcionários da empresa e população vizinha. Deve-se utilizar filtros de ar nas fabricas para a contenção desses poluentes.

Principais normas Técnicas NBR 6113: Materiais refratários densos conformados - Determinação da resistência à flexão à temperatura ambiente (1997); NBR 6114 : Materiais refratários conformados - Método para inspeção por atributos (1997); NBR 6115: Materiais refratários isolantes - Determinação da densidade de massa aparente (1996); NBR 6220: Materiais refratários densos conformados - Determinação da densidade de massa aparente, porosidade aparente, absorção e densidade aparente da parte sólida (1997); NBR 8382: Materiais refratários não-conformados - Preparação de corpos-de-prova de concretos para projeção, concretos isolantes, densos e de fluência livre (2001).

Bibliografia http://www.togni.com.br/ http://pt.wikipedia.org/wiki/material_refrat% C3%A1rio http://www.abceram.org.br/asp/abc_51.asp http://www.inovacaotecnologica.com.br/not icias/noticia.php?artigo=010160040217 http://pt.wikipedia.org/wiki/alto-forno