CONTEXTO E DESAFIOS CASEMBRAPA 2014 Março 2014 1
O CENÁRIO DA SAÚDE NO BRASIL A inflação da saúde atingiu o ápice dos últimos cinco anos, em dezembro de 2012, com uma taxa 15,4%, superando em muito a inflação de mercado do mesmo período que foi de 5,4% (IPCA). Alguns fatores contribuíram para esse cenário. OS FATORES DESTE CENÁRIO ENVELHECIMENTO POPULACIONAL População Brasileira envelhece a uma taxa de 3,2% ao ano. O custo médio da saúde por usuário aumenta com a idade. Usuário de planos de saúde é predominantemente envelhecido. BUSCA POR ASSISTÊNCIA DE SAÚDE DE QUALIDADE Entre 2012 e 2013, o número de atendimentos médico-hospitalares cobertos pelos planos de saúde suplementar aumentou e essa variação impacta 2
também nos custos para todo o conjunto de usuários de saúde suplementar. De 2003 a 2013, cerca de 20 milhões de pessoas aderiram a algum plano de saúde particular. O Brasil possui hoje, aproximadamente, 50 milhões de usários de planos de saúde suplementar. ADOÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS E PROCEDIMENTOS MAIS CAROS QUE OS CONVENCIONAIS A inflação da saúde encarece os procedimentos, faz com que os planos reduzam suas margens, busquem constantes intervenções financeiras, aumentem seus valores junto as beneficiários, já sufocados em suas despesas com a saúde, e acumulem prejuízos jamais imaginados anteriormente ( ED. Nº 637 da Revista Unidas.) NOVO ROL DE PROCEDIMENTOS MÉDICOS E MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO DISPONÍVEIS AOS USUÁRIOS DA SAÚDE EM 2014 A cada dois anos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, divulga novo rol de procedimentos e medicamentos que passam ser obrigatórios para as operadoras de saúde. Essas políticas, benéficas para os usuários, acarretam impacto financeiro alto para as empresas de saúde, principalmente as de menor porte e de autogestão. 3
CENÁRIO CASEMBRAPA Reajustes anuais abaixo da inflação da saúde Em quatro anos, a Casembrapa obteve reajuste acumulado de 23%, enquanto que os custos com os procedimentos médico-hospitalares sofreram reajustes de 47%. Nesse período, a Casembrapa passou a desembolsar reservas financeiras para bancar boa parte dos custos de procedimentos usados pelos associados. Inflação e reajustes anuais da saúde Perfil etário de usuário acima da média nacional Seguindo a tendência nacional, a Casembrapa possui mais de 1/3 de seu público com idade igual ou superior a 49 anos (35,11%), como se observa no quadro abaixo. O custo per capita de usuários varia de acordo com a faixa etária. Usuários com idade igual ou superior a 59 anos utilizam serviços médicos e hospitalares com mais frequência. Comparativamente, os custos desses usuários tem um acréscimo de 100% em relação a faixas etárias anteriores (39-43 anos). 4
Coparticipação do associado nos custos da saúde Um levantamento detalhado dos custos com os procedimentos e produtos de uso dos associados Casembrapa mostrou um crescimento de 29% nos custos com despesas de saúde entre 2012 e 2013. O procedimento que mais colaborou para o expressivo aumento foi o item internação, atingindo gastos 55,7% a mais que do ano anterior. Mesmo com os aumentos sucessivos, a coparticipação do associado é baixa. O gráfico a seguir mostra o percentual de desembolso do associado. 5
CONTEXTO FINANCEIRO Modelo de contribuição insuficiente O modelo de Gestão atual do PAM, que estabelece um percentual linear para a cobrança de mensalidade de 2% sobre o valor do salário base do associado, independente do número de dependentes, e mais R$ 95,23 per capita por parte da patrocinadora, não tem sido suficiente para fazer frente aos custos com a saúde. No gráfico receitas x despesas anuais é possível visualizar que entre 2011 e 2012 a Casembrapa passou a desembolsar mais para fazer frente aos gastos com procedimentos, consultas, internações e medicamento do que pode arrecadar. O demonstrativo da Receita/Despesas de 2013 indica um cenário financeiro preocupante, já que na maioria dos meses (11), a arrecadação foi inferior aos custos. 6
A partir de 2011, as reservas da Casembrapa foram sendo utilizadas para o pagamento das despesas com a saúde. Evolução das reservas 7
MEDIDAS DE SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA 8
Diante do contexto atual, a Casembrapa tem atuado no sentido de buscar soluções imediatas para a situação financeira, ao mesmo tempo em que se dedica a propor alternativa sustentável para o Plano de Assistência Médica, mantendo a qualidade e a oferta de serviços de saúde. A Casembrapa iniciou 2013 com o propósito de minimizar o impacto dos sucessivos aumentos dos custos da saúde no seu orçamento. Algumas ações de gestão foram adotadas. A principal delas foi elaborar um novo planejamento estratégico, focado em alguns pontos: AÇÕES DE GESTÃO VISANDO A SUSTENTABILIDADE DO PAM 1. Recuperação das reservas financeiras com a gradual redução da inadimplência (atualmente em 17%) 2. Recuperação dos débitos em aberto. 3. Regularização de inconsistências do PAM perante as normas da ANS* 4. Incremento na auditoria médica. 5. Ações de promoção da saúde. 6. Campanhas educativas sobre o uso racional do Plano para o associado. AJUSTES NO PAM BENEFICIA USUÁRIO O PAM deverá, neste ano, ajustar-se de forma a atender ao que determinam as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar para corrigir algumas inconsistências, que beneficiarão o conjunto de usuários: Forma de cobrança da Coparticipação sobre internações deixará de ser estabelecida em percentual, passando a ser no valor de R$ 140,00 por diária, limitado a quatro diárias (R$ 560,00), independente do período de internação. Manutenção de ex-empregados e aposentados no Plano terá que adotar novas regras. Ou seja, os assistidos passarão a pagar um valor per capita conforme contribuição patronal e não mais o valor fixo de R$ 245,60. 9
PROPOSTA CASEMBRAPA PROPOSTA PARA 2014 Pela necessidade premente de recuperação financeira para fazer frente à estimativa de despesa em 2014, sem necessidade de mudanças estatutárias, propõe-se, num primeiro momento, o reajuste do percentual de contribuição do associado de 2% para e também o aumento da contribuição da patrocinadora de R$ 95,23 para R$ 127,00 per capita. FUTURO Num segundo momento, de forma a garantir a sustentabilidade do Plano, propõe-se a adoção de um modelo de gestão com a cobrança de contribuição com percentual escalonado, ou seja, o percentual cobrado varia de acordo com o número de beneficiários por associado. Esse proposta tem sido debatida com os órgãos responsáveis (Conselho de Administração da Casembrapa, patrocinadora) e reuniões com o representantes dos associados, por meio do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF) para sugestão e aperfeiçoamento. 10