Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira



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Transcrição:

Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira

Pagamentos móveis e Inclusão Financeira 2 Quem é o GVcemf 3 Ambiente Regulatório e Experiências Internacionais Realização: Centro de Estudos em Microfinanças Lauro Emilio Gonzales Farias Adrian Kemmer Cernev Eduardo Henrique Diniz 7 9 Modelos de Negócio para Pagamentos Móveis Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 1

Seminário sobre Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira: nova regulamentação e novos modelos de negócio O Centro de Estudos em Microfinanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP / GVcemf) juntamente com o Instituto Banco Palmas realizou no dia 14 de outubro de 2013, das 8h30 às 17h00, o Seminário sobre Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira. O evento contou com cerca de 100 participantes presenciais e muitos internautas, já que também foi transmitido via web. A transmissão foi pelo site www.microfinancas.com.br e nesse mesmo endereço é possível ter acesso aos áudios e às apresentações dos palestrantes. Quem é o GVcemf O GVcemf tem como foco de atuação a produção de pesquisas nas áreas de microfinanças e inclusão financeira. Os projetos de pesquisa se organizam sob dois temas principais: impacto e tecnologia. Devido aos resultados alcançados desde sua fundação, em 2007, o GVcemf é hoje uma referência nos estudos sobre microfinanças no Brasil, tendo participação em projetos envolvendo governo, organismos multilaterais e o setor privado. A inserção internacional tem se concretizado através de parcerias com universidades, centros de pesquisa, ONG's e fundações, o que tem propiciado maior impulso à geração e disseminação de conhecimento. Administração de Empresas), RAEeletrônica e GVexecutivo que resumiu a essência do encontro: Pretendemos discutir tanto a nova regulamentação de mercado e desses serviços de pagamentos eletrônicos, quanto ouvir todos os envolvidos. O objetivo do seminário foi promover um espaço para debate entre os diferentes atores envolvidos no ecossistema de pagamentos móveis no país, representando uma grande oportunidade para compartilhar suas perspectivas, expectativas e visões de futuro ainda durante a fase de regulamentação específica deste mercado. Foram abordados e discutidos aspectos regulatórios necessários para a emergência de modelos de negócio eficientes e sustentáveis, assim como os possíveis arranjos empresariais, as diferentes propostas de valor a clientes, os novos serviços de pagamento no contexto da mobilidade digital e ainda o potencial transformacional de tais serviços para a inclusão financeira de milhões de brasileiros. A abertura do evento foi realizada pelo prof. Eduardo Diniz, Doutor em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, Professor da EAESP-FGV e Editor-chefe da RAE (Revista de O seminário destinou-se a profissionais atuantes no setor financeiro, em instituições de microfinanças, no setor de telecomunicações, em redes de pagamentos, em empresas de tecnologia, e também a pesquisadores e interessados em geral. Pagamentos Caderno de Inovação Móveis e - Inclusão Novembro Financeira 2013 2

Recentemente fizemos um projeto piloto no Antes da primeira mesa, Diniz sensibilizou a próprio Banco Palma com pagamentos via plateia com uma frase emblemática e celular e recebemos o apoio do Institute For recomendou o artigo Logística da Money Technology e Financial Inclusion, da Distribuição Bancária: Tendências, Universidade da Califórnia. Estamos Oportunidades e Fatores para a Inclusão ansiosos com a nova regulação, a medida Financeira, revista RAE, volume 53. provisória 615, novos arranjos e formatos de pagamentos. Esse evento visa uma A frase é de autoria de Marcos Bader e José discussão dos novos modelos de negócio Roberto Savoia: emergentes no contexto brasileiro, além de trazer experiências da América Latina, quais serão os novos atores e novas atividades que surgirão, complementou prof. Diniz. Baseado nesse possível cenário foi montada a estrutura do evento: Ambiente Regulatório e Experiências Internacionais - Judith Mariscal Avilés (Professora do CIDE - Centro de Investigación y Docencia Económicas e Diretora do Telecom. Research Program, México) Renato Opice Blum (Advogado Especialista em Direito Eletrônico e Presidente do Conselho de Tecnologia de Informação da Fecomércio /SP) Eduardo Henrique Diniz (Professor e Pesquisador da FGV-EAESP e Diretor da RAE - Revista de Administração de Empresas da FGV) Modelos de Negócio para Pagamentos Móveis - Marcelo G. Tangioni (Vice Presidente de Produtos para Divisão Cone Sul da MASTERCARD) Adrian Kemmer Cernev (Professor da FGV-EAESP e Pesquisador do Centro de Estudos em Microfinanças) Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira - João Joaquim de Melo Neto Segundo (Coordenador Geral do Instituto Banco Palmas) Anderson Jorge Lopes Brandao (Pesquisador em Políticas Públicas e Gestão Governamental Universidade de Brasília) Diogo Jamra Tsukumo (Chefe de Gabinete da SENAES - Secretaria Nacional de Economia Solidária) Lauro Emilio Gonzalez Farias (Professor da FGV- EAESP e Coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças) Ambiente Regulatório e Experiências Internacionais Judith Mariscal Avilés Judith Mariscal Avilés (Professora do CIDE - Centro de Investigación y Docencia Económicas e Diretora do Telecom. Research Program, México) veio palestrar sobre as experiências de pagamentos móveis na América Latina. Quero contribuir com uma perspectiva regional de pagamentos móveis, ilustrando com casos do México em política pública. É importante dizer que pagamentos móveis e inclusão financeira tem por trás o fundamento de outorgar capacidade para os mais necessitados, cria mecanismos para diminuir a desigualdade, não só para justiça social mas também para a economia funcionar, disse Judith. Visitei diversos institutos e pude perceber que o sistema informal é muito custoso, é preciso 'bancarizar' os mais pobres. A telefonia móvel se mostra eficaz, pois as Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 3

camadas menos favorecidas têm acesso ao questão de aumentar a confiança, para isso celular. No caso do México, 87% da precisamos que o governo ajude nessa população, mesmo as comunidades mais 'bancarização', pagando os seus distantes estão correndo atrás de empregados por intermédio de cartões, financiamento, via celular. Eles não querem sugeriu. mais esperar. No México, temos modelos aditivos, isto é, para pessoas que já têm Revelou ainda que o governo mexicano tem conta de banco e para aquelas quem não sido ativo nesse processo: criando têm, confirmou. condições regulatórias, oferecendo pagamentos via celular e sucursais não bancárias para pagamentos por transações eletrônicas. Aconteceu uma grande coordenação entre os stakeholders e quem liderou foi a Comissão Nacional Bancária, incluindo o Banco Central, Ministério da Fazenda, operadores bancários e uma agência de governo que se habilitou como Judith contou que o modelo que o México correspondente bancária. A partir de 2007, tem buscado é transformacional, voltado houve um incremento nos pagamentos para aqueles que hoje não têm acesso e, móveis. Até o ano 2000 eles eram pelos pagamentos móveis, terão acesso e praticamente inexistentes. de forma mais barata. Desde a década passada já analisamos modelos de negócio, Ao final da apresentação, mostrou um dentre eles destaco a necessidade de programa piloto que aconteceu em Guaraca, escala. Penso que se não há escala, fica um vilarejo no topo das montanhas, com inviável. Precisamos de uma grande massa poucos habitantes, que não dispunham de crítica. Temos que ter a infraestrutura móvel, serviços financeiros, nem telefonia móvel. mesmo em zonas isoladas. Somente Cuba tem menor penetração de celulares que o Nesse povoado, existia um centro México. O Brasil além de ter o maior número comunitário de telefonia, com telégrafos. O de aparelhos celulares, tem a maior contato se deu por satélites, bancos foram penetração financeira. convidados e foram testados localmente os pagamentos móveis. O governo ofereceu A outra parte destacada foi a regulação, que também um curso de capacitação para as mudou rapidamente nos últimos anos, mas transações financeiras móveis. O Governo ainda não é suficiente. África e Ásia estão está atuando como catalisador de mercado. em estágio mais adiantado que a América Latina, o destaque, nesse caso, é para o Chile. O Paraguai está à frente do México, tanto em 'bancarização' quanto em pagamentos móveis, revelou a professora. O que faz falta? A professora acredita que uma coisa atrai a outra: ou se entra num círculo vicioso ou num virtuoso. Judith trouxe exemplos de zonas rurais no México onde o público nem está 'bancarizado' e nem está familiarizado com telefonia móvel: trata-se de uma Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 4

Para finalizar, Judith deixou a seguinte mensagem: É preciso utilizar os programas de combate à pobreza na 'bancarização' dessa população, pois isso gera escala e se entra num círculo virtuoso. É preciso política regulatória, levar educação financeira para mostrar os benefícios dessa inclusão financeira, disse Judith. Renato informou que em São Paulo, quase metade das varas são digitais e têm a mesma validade jurídica. Estou trazendo uma breve manifestação da vontade, estamos trocando o dinheiro por ordens de transferência e pagamentos, que num primeiro momento era papel e hoje mais e mais em meios eletrônicos de forma digital. Em breve, vamos usar exclusivamente a moeda eletrônica, que passou a ser definida em lei desde o dia 10 de outubro de 2013, de número 12 865, aprovação da medida provisória número 615, avisou em primeira mão. Renato Opice Blum Renato Opice Blum, Advogado Especialista em Direito Eletrônico e Presidente do Conselho de Tecnologia de Informação da Fecomércio /SP, começou sua O advogado apresentação de acha forma inusitada e que a barreira bastante mais difícil esclarecedora, tirou a carteira do bolso e de quebrar disse: todo mundo ainda tem uma carteira, é a da percepção tecnológica, já que não? Em breve, não teremos mais. E o que considera que é mais difícil usar que aceitar temos dentro? Dinheiro... vale lembrar que a tecnologia. Trouxe dados do Brasil: hoje já quando a sociedade começou a transacionar temos 105 milhões de internautas (dos 196 economicamente, havia o escambo, milhões de habitantes). Isso quer dizer que acumulação de riquezas, ouro e depois mais da metade dos brasileiros acessa a dinheiro, só por isso surgiu a carteira... Hoje, WEB, e os brasileiros possuem mais de 260 muito do nosso dinheiro está armazenado milhões de telefones celulares. O Brasil, em plástico (nos cartões), depois o chip apesar de todas as suas dificuldades, tem dentro do dinheiro de plástico (uma mais da metade da população acessando a autorização para efeito jurídico). Eu, por internet e movimentando 24 bilhões de exemplo, tenho uma carteira da OAB para comércio eletrônico anualmente. Já temos identificação profissional e nela uma inúmeras soluções em pagamentos móveis certificação digital. O que vem a ser isso? em funcionamento, mesmo antes da Um programa digital bem pequeno dado a regulamentação, disse. uma única pessoa, que permite que o advogado faça várias coisas: entre na Teremos problemas?, perguntou Sim, receita, mande imposto, faça muitos, que gerarão consequências peticionamento, esclareceu. jurídicas. A tendência é que venha junto a Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 5

certificação digital, essa é a minha percepção, é a primeira vez que estou falando isso. A certificação digital nada mais é que manifestar sua vontade de forma segura, dos pontos de vista técnico e jurídico. O SPB (Sistema de Pagamento Brasileiro) roda e funciona em cima de certificação digital, são trilhões de reais por dia. Proporcionalmente é bem mais seguro. Em novembro desse ano, deve explodir por conta da nova lei. Segurança nos celulares O advogado advertiu que todos os celulares devem ser protegidos por senhas e muitos já estão utilizando a tecnologia do finger print. Disse também que existe uma legislação que prevê crime por invasão de dispositivos informáticos, a chamada lei Carolina Dieckman: Ressalto que é uma lei cheia de buracos porque depende de prova técnica, a pena é baixa, a chance de condenar alguém é mínima. Gosto de usar a seguinte frase: os filhos da treva são sempre mais rápidos que os filhos da luz, por isso, vale mais a precaução, advertiu. Teremos problemas, mas eles serão administráveis, diz Renato Para ilustrar a invasão tecnológica, trouxe um slide bastante significativo que retrata as posses dos Papas Bento XVI e Francisco. Oito anos separaram essa transição, mas a quantidade de celulares na posse do Papa Francisco é impressionante. Esses aparelhos captam e retransmitem imagens rapidamente. Imagina isso em 2016? Não temos muita certeza, mas tudo indica que esse mercado estará muito movimentado, incluindo os aplicativos, que hoje já trazem a opção de pagar com cartão de crédito, outros já nem precisam do cartão, devido a um pré-cadastro. A frase acima, dita por Renato, revela o que acredita o advogado mesmo quando fazemos as mesmas coisas só que de maneiras diferentes, a nossa percepção se altera em relação a segurança, potencial de alcance, e isso tudo é motivo de análises e preocupações. Temos que considerar também que é costume do brasileiro agir 'de sopetão', sem planejamento, sem tentar antecipar problemas. Mas temos que lembrar que dentro desses cartões ou celulares existe dinheiro e assim como nos adaptamos à automação, aos caixas eletrônicos, agora é a vez dos dispositivos móveis. Teremos problemas, sim, e teremos que administrá-los, finalizou. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 6

Modelos de Negócio para Estamos diante de uma oportunidade muito grande de avançar e tornar uma sociedade Pagamentos Móveis mais eficiente e segura. A África lidera com 80% da população adulta, não tendo Marcelo G. Tangioni acesso, na China 900 milhões não têm Quem abriu o segundo acesso à conta bancaria e são mais de 250 bloco de palestras foi milhões no leste asiático. No Brasil, estima- Marcelo G. Tangioni, se 40% da nossa população não seja Vice Presidente de bancarizada. Estudos mais profundos Produtos para Divisão mostram que boa parcela dessa população Cone Sul da Mastercard. um dia já foi bancarizada. Os motivos são Ele contou que a vários: relação não positiva, falta de Mastercard vem educação financeira, dificuldades no investindo nesse atendimento. Temos que tirar dai modelo de pagamento aprendizados, disse. há pelo menos 3 anos. O modelo, apesar de ser incipiente, tem um Marcelo comentou que o potencial de futuro importante, mas é preciso consumo desses 40% da população não determinação, foco e tentativa e erro. Não bancarizada chega a ser o PIB da Colômbia. existem grandes casos de sucesso que Temos mais aparelhos telefônicos que possam se tornar escaláveis e geram população, atualmente são 264 milhões modelos de impacto na economia. No deles, na grande maioria pré- pagos. Temos mundo não passam de 10, de acordo com que pensar em formas de educar pesquisas que realizamos, informou. financeiramente esse consumidor. Quando Os modelos de pagamentos móveis podem falamos dos consumidores C e D, que a ser divididos em dois blocos: pouco tempo participavam de um classe inferior, 50% recebem salário em dinheiro e Bancarizados normalmente possuem 89% realizam pagamentos de contas em cartões de débito e/ou de crédito. Realizam lotéricas, não tem opção de pagamento pagamento de contas, recarga P2P, P2M, remoto e a grande maioria paga em NFC, carteiras digitais, dentre outros. dinheiro. Recebe e paga em dinheiro. Não bancarizados para esse público predomina o modelo pré-pago, basicamente SMS. Esse modelo preza pela inclusão, segurança e conveniência. Utilizam para recarga, pagamento de contas, P2P e P2M.Vale lembrar que 2,5 bilhões de pessoas no mundo não são bancarizadas e 85% das transações são feitas em dinheiro. Isso muda de mercado para mercado. Na América Latina, por exemplo, 250 milhões de adultos (cerca de 65%da população) não são bancarizados. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 7

Como a gente acelera? Foi a pergunta de Marcelo. Ele pensa que a melhor maneira seria garantir a entrada (programas sociais, transferências, salários) já em pagamentos móveis. Vamos usar como exemplo o salário, que representa 60% de entrada de capital. Poderíamos realizar uma aproximação com as empresas para que paguem de forma eletrônica, isso pode acontecer também para os programas sociais. Temos que fazer um esforço logo na entrada e garantir uma rede de estabelecimentos que aceite esse tipo de pagamento. Do ponto de vista de segmentação, sugiro as áreas de alimentação, moradia e transporte, além de garantir cobertura do ponto de vista geográfico, defendeu o vice-presidente da Mastercard. Marcelo citou como exemplo o Programa Zuum (está em 6 cidades), realizado em parceria com a Vivo e com a Caixa. Apesar de ser incipiente,a Mastercard parece acreditar muito nisso. Para um sistema como esse ficar de pé, precisa de um ecossistema eficiente, não adianta só emitir cartão, ter rede de distribuição, redes de recarga. Outro ponto interessante é como o cartão agrega valor ao usuário. O cartão facilita as relações para sacar dinheiro e até para pagamentos. Compras entre 2 celulares não é grande. É mais simples ir num estabelecimento que aceite cartão do que a transação entre dois celulares, disse. A Mastercard possui ainda programas no México, Peru, Itália, Egito e Turquia todos com foco em inclusão financeira. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 8

Brasil Futuro Promissor Após 3 anos de experiência: - O Ecossistema brasileiro vem evoluindo de forma concreta, mas ainda está no começo; - Regulamentação está próxima de ser definida; - A Tecnologia está disponível. Apesar de ser um ponto crítico, sozinha não vai a lugar algum; - Sistemas Financeiros e de Telecomunicações sólidos; - Alta penetração de celulares, e na maioria Pré-pagos; - Oportunidade relevante para todos os participantes da cadeia de valor; - Pagamentos móveis são uma poderosa ferramenta da inclusão; - Processo é evolucionário, não revolucionário; - Comece pelo consumidor: Necessidades, segmentação, educação e usabilidade; - Construa o ecossistema de forma cooperada e garanta alinhamento de visão. Papel do Governo é fundamental; - Coalisão das indústrias: expertise complementares; definição de papeis; modelo de negócios sustentável; - Interoperabilidade, standarização e convergência para garantir escala e massa crítica. Para concluir, Marcelo defendeu que os pagamentos móveis representam uma ferramenta poderosa de inclusão financeira. A maturidade do sistema de pagamentos vai depender, principalmente, de uma participação mais ativa do governo. Mais uma vez eu digo, é um processo evolucionário não revolucionário. Não se trata de um Sprint de 110 m, vai requerer paciência, foco no cliente, experiência do consumidor, usabilidade, construção cooperada do ecossistema e participação do governo e interoperabilidade, finalizou. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira Adrian Kemmer Cernev Adrian Kemmer Cernev, Professor da FGV-EAESP e Pesquisador do Centro de Estudos em Microfinanças, assumiu a palavra como palestrante e, em primeiro lugar, tratou de agradecer ao Banco Palmas, aos patrocinadores, que possibilitaram o evento ser gratuito, como o Pay Pal, Institute for Money Technology & Financial Inclusion, Universidade da Califórnia e Câmara Interbancária de Pagamentos. Além dos nossos apoiadores FGV On Line, Mobile Monday e CorpBusiness. Onde estamos? Adrian entende que o Brasil deixou o estágio de operações isoladas, onde uma empresa faz todos os papeis e está numa fase de alianças estratégicas, num modelo de parcerias entre empresas (banco com operadoras). O terceiro estágio será o da interoperabilidade entre técnica e modelo de negócio. Estamos talvez migrando para a terceira fase, hoje são muitos os projetos oferecidos em parcerias, disse. E foi além: Só faz sentido oferecer em parceria se houver interoperabilidade. Ninguém pergunta se o banco atende uma TED, se está regulada, assim deve ser com os pagamentos móveis, um sistema com multi agentes inter-relacionados. O Banco Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 9

Central deve pensar cuidadosamente nessa Central. O papel do BC deve ser o de criar regulamentação Esse é um momento de meios para integrar e tornar mais eficiente o grandes expectativa para o ano que vem. modelo, sem abrir mão do controle. Não cabe ao BC criar o ecossistema, e sim, dar Panorama Atual respaldo legal. Fica a pergunta: qual modelo de negócio as empresas vão apresentar - Novos modelos de negócio em parceria; daqui para frente?, indagou. - Aprovação da Medida Provisória 615 em 2. Permite transações mas veda crédito 09/setembro/2013 e Lei em 10 de outubro (atividade 100% lastreada) de 2013, de número 12.865 ; 3. Incentiva integração com atual Sistema - Detalhamento pelo BACEN da Financeiro regulamentação administrativa no início de novembro/2013, no Fórum Banco Central Dados de mercado de Inclusão Financeira; Bancário/Financeiro O que esperar da regulamentação e deste mercado a partir de 2013/2014? Regulamentação População economicamente ativa (PEA) de cerca de 110 milhões de brasileiros; Aproximadamente 55 milhões de contas correntes ativas e em uso (50%); Lucro no trimestre da ordem de R$ 17 bilhões; Toda e cada operação deve ser rentável. Setor de Telecomunicações Mais de 270 milhões de linhas celulares ativas (sendo 80% pré-pago); Market share dividido entre 4 grandes operadoras; a menor delas já tem mais clientes que o total de bancarizados; A operação global deve ser rentável (vide 3G e 4G); Do ponto de vista dos usuários, coexistência de dois cenários para dois públicos distintos: Inclusão Fomentada e Adição Incentivada. Perspectiva dos reguladores de mercado: - Regulação e controle Adrian fez o seguinte questionamento: Será - Eficiência que precisamos de dois grandes serviços ou da mesma plataforma adequada a cada Abertura do mercado de pagamentos: público? Vale lembrar que duas plataformas 1. Emergência de um novo player, o PSP têm custo dobrado, penso que desde o (payment service provider, no Brasil início seja inclusivo. Para 2014, devemos chamada instituição de pagamento) favorecer parcerias e modelos O Banco Central tem que gerir isso, interoperáveis. A maturidade do Brasil virá entender qual o papel dessa instituição quando pararmos de falar no Quênia. nesse ecossistema. Num primeiro momento, Apesar de ser extremamente válido e esse novo player não poderá oferecer inspirador, não temos com eles nenhum crédito, no caso, deverá buscar uma ponto de similaridade, o que impede que instituição formal para parceria com o Banco seja replicado. Os 12 milhões do Quênia Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 10

representam os 14 milhões que recebem o Pagamento via celular: Bolsa Família, que alcança 60 milhões de Ajuda no desenvolvimento de todo mundo brasileiros. Uma estratégia muito eficiente que tem celular, para acessar internet, será o pagamento desse benefício pelo jogos, SMS, facebook, as pessoas não celular, dessa forma nos tornaremos o maior precisam mais ir até o banco, ao invés de país em pagamento móvel do mundo. andar com cartões, andam só com o celular, Lembrando que a inclusão financeira gera se tiver facilidades pega fácil, grande milhões de oportunidades. avanço econômico, permite diversidade e inovação. Adrian fez questão de fechar sua apresentação homenageando Massioku Anderson Jorge Fujimoru: Pioneiro dos pagamentos móveis Lopes Brandão que nos deixou esse ano muito O pesquisador em precocemente. Foi ele quem levantou a Políticas Públicas e bandeira dos pagamentos móveis quando Gestão Governamental as pessoas ainda estavam aprendendo a da Universidade de usar o celular direito. Fica aqui o nosso Brasília, Anderson agradecimento à pessoa que ele foi e as Jorge Lopes Brandão, parcerias que realizou no mercado. Na falou sobre sequência convidou Fernando Pantaleão, Pagamentos Móveis e presidente do Pay Pal para compor a mesa. Inclusão Financeira sob um foco diferente do que vinha sido tratado até então: destacou a participação O prof. pediu licença para apresentar um do governo nessa agenda. vídeo de 10 minutos mostrando a opinião dos gestores de bancos comunitários a Iniciou trazendo uma definição sobre respeito da ideia de uma moeda digital via Inclusão Financeira: celular, esse vídeo revela a opinião de gestores de bancos comunitários a respeito Inclusão financeira é o processo de efetivo dessa ideias. acesso e uso pela população de serviços financeiros adequados às suas Pontos positivos: necessidades, contribuindo com sua Pelos depoimentos, apareceram algumas qualidade de vida (BCB, 2011). Essa é a desconfianças: De onde vem esse dinheiro? definição oficial que o Brasil adota, via BCB, Para que inventar outro dinheiro? Os 2011. grandes empreendedores já aceitaram a moeda. Toda a comunidade está aceitando a O dado interessante levantado é que as moeda. Moeda é garantida, tem fundos, famílias brasileiras possuem renda pequena, isenta de taxas, não há dificuldade. Os irregular e imprevisível e que se contassem próprios comerciantes estão tentando com um serviço financeiro adequado educar as pessoas sobre a moeda. poderiam ter um fluxo de caixa mais equilibrado e alongar o horizonte temporal Pontos a considerar: de planejamento financeiro. O material das moedas é frágil, desconfiança por ser um cartão pequeno e Ao contrário do que as pessoas pensam as frágil. famílias pobres poupam, tomam empréstimos e não só para o dia a dia. Eles Fazer entender que quando o pagamento é improvisam seguros, por meio de serviços feito em moeda social o dinheiro fica na financeiros informais como uma estratégia comunidade o que promove o de sobrevivência e reprodução do modo de desenvolvimento local. vida familiar. Portanto, se tivesse serviços Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 11

financeiros formais poderiam ser mais baratos e com maior proteção ao consumidor, defendeu Anderson. Essa desigualdade na distribuição dos serviços financeiros pode deixar os mais pobres em desvantagem. Considerando essa hipótese, as economias monetizadas demandam que serviços financeiros básicos possam ser distribuídos e acessados com facilidade, comodidade e conveniência para o cidadão de baixa renda. Devendo ser entendidos, inclusive, como bens públicos por ampliarem a noção de equidade: A falta de inclusão financeira limitaria a atuação do Banco Central - a alocação de serviços financeiros a mais segmentos populacionais amplia o escopo das decisões da autoridade monetária, alcançando mais pessoas e viabilizando uma política monetária de maior abrangência; Inclusão financeira poderia ter impacto no crescimento econômico e na desigualdade de renda. É um assunto polêmico, dentro da economia algumas correntes acreditam que sim, outras não. O fato é que nenhum país considerado desenvolvido apresenta baixa inclusão financeira, defendeu. Outro fator trazido por Brandão foi o da escassez de serviços financeiros para alcançar os pobres. Governos deveriam promover a inovação no desenvolvimento de serviços financeiros para o público de baixa renda, o Banco Central sempre toca nessa questão de inovação como forma de aumentar a eficiência do sistema financeiro nacional como um todo. É possível buscar serviços financeiros adequados a cada perfil de renda da população; Além disso, defendeu que os pagamentos sociais devem ser transferidos por intermédio do sistema financeiro. Isso traz mais segurança, barateia o serviço. O Bolsa Família nasce com a rede municipal. Países como o México que não tiveram essa sorte, podem beneficiar setores com interesses próprios recorrendo muitas vezes a mecanismos não eletrônicos de pagamento, frequentemente providenciados por repartições públicas. Nesse sentido, a efetividade e o custo para realizar transferências monetárias nas políticas sociais depende do nível de desenvolvimento do sistema financeiro em cada país. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 12

Algumas das principais iniciativas têm sido: AVALIAÇÃO: Característica da agenda Ações do governo focadas em serviços reflexões para debate financeiros: Contas correntes (BCB): Formulação: Contas Correntes: Diagnóstico e discurso político promove» Contas simplificadas pouco uma ação coletiva do mercado e inclusão bancária do MDS da sociedade; para o Bolsa Família; Implementação:» Contas bancárias Preponderância regulatória implica Padronização de normas e restrições programáticas, conflito de tarifas. objetivos entre estabilidade/inclusão e dependência de instrumentos de Cartões (BCB): Padronização de regulação. normas e tarifas; Parcerias ampliam a possibilidade de Microcrédito (MF/MTE): Lei do implementação, mas tem requerido Microcrédito Programa Crescer; aprendizado dos órgãos regulatórios na Microsseguros (Susep) formulação e implementação conjunta regulamentação do microsseguro; (exposição/autonomia e conflitos de Pagamentos móveis (BCB/Mcom): objetivos). Proposta do MDS e experiências do mercado Seria a inclusão financeira uma agenda de Legislação de arranjos de expansão financeira?, questionou Brandão. pagamento. Pesquisa, estudos e relatórios: Diogo Jamra Tsukumo Pesquisa SIPS do Ipea; Diogo Jamra Tsukumo, Pesquisa de Inclusão Financeira do veio apresentar como a MDS; Secretaria Nacional de Relatórios de Inclusão Financeira do Economia Solidária BCB (2009-2011); enxerga o tema da Projetos-piloto do mercado. Inclusão Financeira e Educação Financeira (Coremec/CVM): aproveitou a deixa de Estratégia Nacional de Educação Anderson Brandão: Financeira Planos de ação para seria uma expansão educação financeira nas escolas e para ou inclusão financeira?, públicos específicos; questionou. Proteção do Consumidor (MJ/BCB): Parceria do BCB com Secretaria de Diogo comentou que numa Economia Proteção do consumidor Reformulação Solidária toda forma de organização do de tarifas; trabalho, organização da produção dos Estruturação da Agenda (BCB): trabalhadores é para a geração de bens, Parceria Nacional pela Inclusão serviços, mercadorias. É pautada pela Financeira. autogestão, solidariedade e democracia. No centro da produção está o ser humano e não o capital ou a produção da mercadoria, disse. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 13

Existem duas formas consolidadas no Apresentou alguns exemplos: mundo: - PNI e PAA agricultura familiar - o Estado - trabalho assalariado consolidou-se após comprará esses produtos para distribuir a Revolução Industrial e se expandiu pelo dentro da sua rede. A merenda escolar será mundo, num esquema de subordinação preparada com produtos vindos da patrão/empregado; agricultura familiar. Buscamos a soberania - forma autônoma de produção: alimentar nas nossas escolas e evitar empreendedores, por si só, gerando produtos industrializados que acarretem oportunidades de trabalho; problemas de saúde, defendeu. Outro eixo importante da Economia Solidária é a assessoria. É muito difícil esses grupos viabilizarem os projetos sozinhos, pretendemos oferecer serviços de contabilidade, gestão, tributação e plano de negócios, disse. Finanças solidárias ações integradas para construir arranjos territoriais, além de fomentar a construção de empreendimentos, as redes para melhores estratégias de comercializações, cito como exemplo dos catadores em rede, disse. Cooperativa Catadores de lixo: Diogo continuou: para nós uma verdadeira inclusão financeira demanda democratização para a entrada de novos players no mercado, advindos de setores que foram excluídos: trabalhadores de periferia, bancos comunitários. Precisamos que eles sejam protagonistas e gestores dos seus recursos. A partir da entrada no sistema, poderão se organizar econômica e financeiramente as comunidades, que assumirão a gestão. Isso sim seria uma participação democrática no sistema financeiro, construindo políticas públicas que emancipe pessoas e estas se apropriem de ferramentas, defendeu. A economia solidária visa trabalhar em todo o processo de organização produtiva e processos sociais e tem a formação como eixo central de sua política. Diogo explicou que é preciso colocar os produtos no mercado e está buscando estratégias. Em 2014, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, decretou o fechamento de lixões, tendo como um dos pressupostos a inclusão social de catadores de materiais recicláveis. Grandes geradores de lixo devem pagar pelo serviço de catagem. Hoje, o lixo tem valor e há uma disputa enorme para ver quem é o dono dele. As prefeituras deverão receber pelo serviço de catação, informou. Diogo pensa que os catadores devem se organizar em redes e assim ficarem mais fortes: caso consigam se organizar, o ideal Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 14

será juntar as toneladas de lixo em galpões, para comercializar em escala e obter melhores resultados. Uma informação importante, trazida por Diogo é que eles não conseguem entender qual a parte que lhes cabe do material: eles precisam passar por uma forte educação financeira, entender que o dinheiro não virá aos picados e sim depois da melhor negociação e da maior quantidade recolhida, alertou. O secretário diz estimular os bancos comunitários: fomentamos a criação de bancos comunitários, valorizamos a moeda social, que é uma espécie de proteção de mercado aos produtos desses serviços comunitários. Usar a moeda estimula a compra e produção no território o ciclo fica mais fechado. Diogo acredita que essa é a grande oportunidade do Banco Central para regulamentar parte do sistema financeiro, definindo papeis e colocando regras: essa é uma oportunidade, caso consigamos priorizar setores que foram excluídos e adicionar novos elementos, reforçou. Diogo afirmou que o processo de inclusão financeira tem dois caminhos: ou ser só uma mera expansão novos consumidores ou favorecer a introdução de novos atores. Esse é o debate no qual estamos trabalhando, o de como podemos incidir dentro da regulamentação e facilitar novos players, disse. Para finalizar, Diogo deixou alguns importantes questionamentos: Onde circula a moeda social? Sabemos por onde ela passa? É possível mapear? Ter esse controle? A posse dessas informações é rica e de grande valia. Nessa regulamentação, como será feito o acesso a informação desses pagamentos virtuais, desses fluxos? Quem vai manipular? Será transparente? Qual o perfil desses novos atores? João Joaquim de Melo Neto Segundo João Joaquim de Melo Neto Segundo, Coordenador Geral do Instituto Banco Palmas entrou na sequência para contar a trajetória e ações do Banco Palma, de forma bastante bem humorada, mas fortemente ligada ao dia a dia de comunidades muito carentes do país. Em primeiro lugar quero parabenizar a FGV, uma academia de excelência, por essa iniciativa e por compartilhar, junto com o Banco Palmas, a organização de um evento com esse tema, disse. Lamentou a ausência do Banco Central, que se justificou dizendo estar muito envolvido na regulamentação do setor, mas aproveitou para fazer sua consideração: já que estamos em fase de regulamentação, penso que seria o momento mais adequado para o debate, para ouvir as partes. Foi além: Quero dizer que inicio a minha fala como morador de comunidade e digo: não queremos ser meros usuários, queremos novas ecologiads que envolvam mais pobres. Joaquim acredita que novas tecnologias devem ser instrumentos para diminuir a desigualdade, para gerar trabalhos, renda e empregos na base da pirâmide social. Queremos produzir tecnologia e sermos proprietários desses novos sistemas, e penso que o governo deve cuidar de regulamentar muito bem isso. Para ele, a mão do governo é fundamental para que as novas tecnologias, que são produzidas por novas empresas nascidas na comunidade, não passem para as mãos de poucos e poderosos. Informou que no interior do Ceará, 80% das pessoas não tem conta em banco, isso considerando que Fortaleza é a quinta capital do país. Joaquim ressaltou que a questão vai além da inclusão: eu não Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 15

acredito em inclusão, afinal se em 200 anos, isso não aconteceu, não será agora. A questão não é incluir, e sim, permitir a participação dos mais pobres na construção de um novo arranjo, para que eles sejam serem donos da tecnologia que vierem a produzir e não meros consumidores, enfatizou. citar o Quênia. Vou além, temos que parar de imitar os EUA, e falar como os americanos. Nem eu, nem o povão, entendemos 7 de 10 palavras que utilizam jargões americanos. Por exemplo, a iniciativa recente da Mastercard não foi adiante porque o povo sequer entendeu o nome Mobile, revelou Joaquim. O empresário trouxe exemplos de alguns Há um Brasil lá fora que vocês não municípios do Brasil, como Alcântara-Ma / imaginam, que não sente, não percebe, não Comunidade Quilombola; São João do imagina como nós. É um estado de muita Arraial-Pi / Região das Quebradeiras de pobreza, é preciso até adequar a linguagem, Côco; Santana do Acarau-Ce / Sertão afinal se eles não entenderem, não vão Nordestino Assentamento Santa Luzia; aceitar as novidades. Mesmo acostumados Itarema-Ce /Povoado de Almofala com celulares, se não entenderem, não vão Comunidades dos Índios Tremembés; aceitar, repetiu Joaquim. Irauçuba-Ce / Distrito do Juá-Semi-árido brasileiro; Baia do Sol Ilha do Mosqueiro- Qual o grande problema dos Bancos Pará; Mutirão da Comunidade Inácio Comunitários para assegurar a Inclusão Monteiro Zona Leste (periferia) de São Financeira e Bancária? Paulo Joaquim explica: Os Bancos Comunitários O que estes territórios têm em comum? dependem dos bancos comercias. E essa é nossa armadilha. Fazem-se necessárias Perguntou o empresário e logo respondeu: novas tecnologias de inclusão financeira e Estavam completamente excluídos do bancária que não passem pelos bancos sistema financeiro e bancário. Quando comerciais, disse. muito, contavam um correspondente. Hoje contam com bancos comunitários, sistemas Quais os grandes dois desafios para as locais, trabalham com vários serviços novas plataformas: financeiros e bancários, como moeda social, crédito social, correspondência bancária, 1- Desenvolver um amplo programa de micro seguro, crédito social, crédito para o Educação Financeira para essas novas consumo. Partimos do princípio que não tecnologias. Ensinar a usar e gostar das tem bairro pobre, a comunidade se torna novas tecnologias. Atualmente, os mais pobre porque o dinheiro sai da comunidade, pobres gostam do guichê. Para eles tudo é comprado fora. A intenção do banco representa uma linha direta. As pessoas não comunitário é criar um sistema local de sabem usar o celular não entendem como produção e consumo. A minha roupa, por funciona, como paga, onde fica armazenado exemplo, é da Palma Fashion. Queremos o dinheiro, o que é transferência bancária. produzir e consumir localmente. Os bancos, Apesar de sabermos que as tecnologias estrategicamente, estão localizados dentro vieram para ficar, é preciso investir em de uma associação de moradores ou programas e educação financeira para entidades civis, justamente para isso. incluir todos Hoje o Banco Palmas conta com 103 bancos comunitários. Temos capilaridade em cantos do Brasil que jamais uma agência bancária irá. Concordo com o que disseram, temos que parar de 2- Utilizar as novas tecnologias para promover negócios inclusivos e reduzir as desigualdades. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 16

Atividades do Banco Palma Educação Financeira - Capacitar jovens e criar aplicativos para o desenvolvimento da economia local; Laboratório e Incubadora de Inovação e Pesquisas em Economia Solidária - PALMASLAB - Lá são criados vários aplicativos, gerenciamento de projetos, pesquisas: as grandes empresas podem se juntar com a comunidade numa parceria ganha-ganha, gerando renda e combatendo a desigualdade, disse. Joaquim finalizou a apresentação com uma homenagem a sua esposa, Sandra Magalhães, co-fundadora e coordenadora de projetos do Banco Palmas até maio de 2013. Em junho, Sandra faleceu em decorrência de um câncer de mama. Pagamentos Móveis e Inclusão Financeira 17