VIABILIDADE DA IMPLEMENTAÇÃO DA NORMA DE DESEMPENHO NBR15575 M. Engº Jorge Batlouni Neto Set/2010
NBR 15575 Edifícios habitacionais até cinco pavimentos Desempenho. Parte 1: Requisitos gerais; Parte 2: Requisitos para os sistemas estruturais; Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos internos; Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas; Parte 5: Requisitos para os sistemas de coberturas; Parte 6: Requisitos para os sistemas hidrossanitários.
DESEMPENHO Comportamento em uso de um edifício e de seus sistemas. (nas condições de exposição)
Bom desempenho!
ECONÔMICO LUXO Depende do padrão?
Os níveis de desempenho são especificados durante a fase de projeto. Para implementar os conceitos da norma de desempenho é fundamental uma eficiente coordenação de projetos. Pela Construtora? Pelo Arquiteto? Quem é o responsável legal pelas decisões? Quem vai responder pelo desempenho Inadequado?
IMPORTANTE Para avaliar o desempenho é necessário medi-lo: Ensaios tecnológicos (no laboratório e em campo). Há uma enorme carência destes ensaios. Os catálogos, via de regra, não apresentam as características de desempenho.
PARTE 4 (Sistema de Vedações) SOMBREAMENTO DAS ABERTURAS 11.4. Requisito Sombreamento das aberturas localizadas dos dormitórios em paredes externas Possibilitar o controle da entrada de luz e calor pelas aberturas dos dormitórios localizadas em fachadas. 11.4.1. Critério Sombreamento das aberturas As janelas dos dormitórios, para qualquer região climática, devem ter dispositivos de sombreamento, externos ao vidro (quanto este existir), de forma a permitir o controle do sombreamento, ventilação e escurecimento, a critério do usuário, como por exemplo, venezianas. EXEMPLO 1
Sombreamento das aberturas - É cultural (RJ = SP) vidro x persiana - Cortina interna não atende - Persianas - Venezianas - Brise - Soleil - Vidro serigrafado - Diafragma exemplos
Instituto do Mundo Árabe Paris, Arqto Jean Nouvel
Sombreamento inteligente - diafragmas
Vidro serigrafado
Brise - Soleil 11 TIME SQUARE
Brise - Soleil 11 TIME SQUARE
Brise - Soleil
Painel The New York Times Building Arqto. Renzo Piano (NY)
Painel
Desempenho Acústico NBR 10152 Níveis de ruído para conforto acústico - fixa níveis de ruído para conforto acústico em ambientes diversos. NBR 10151 Acústica Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - fixa condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído. - método para medição do ruído.
PARTE 4 - Sistema de Vedações EXEMPLO 2 12.2. Requisito Níveis de ruído admitidos na habitação (Tabela 17 ruído áereo ensaio de campo, ex.: dormitórios) Tabela 17 Valores recomendados da diferença padronizada de nível ponderada da vedação externa, D 2m,nT,w, para ensaios de campo Elemento D 2m,nT,w db D 2m,nT,w +5 db Vedação externa de dormitórios 25 a 29 30 a 34 Ou seja, uma vedação externa deve isolar no mínimo 25 db.
~ 20 db JANELAS - ponto fraco da vedação - depende da tipologia - índices de redução (Rw) para janelas padronizadas ~ 26 db ~ 15 db
12.2. Requisito Níveis de ruído admitidos na habitação (Tabela 19 ruído áereo ensaio de campo) Tabela 19 Valores recomendados da diferença padronizada de nível ponderada entre ambientes, D nt,w, para ensaio de campo Elemento Parede de salas e cozinhas entre uma unidade habitacional e áreas comuns de trânsito eventual, como corredores, halls e escadaria nos pavimentos-tipo D nt,w db 30 a 34 O ponto fraco da vedação é a porta de entrada: redução aproximada de 17 db (porta comum).
PARTE 3 - Sistema de Pisos Internos EXEMPLO 3 12.2. Requisito Ruído de impacto em piso 12.2.1. Critério Ruído de impacto aéreo para ensaio de campo Tabela 6 Critério e nível de pressão sonora de impacto padronizado ponderado, L nt,w, para ensaios de campo Elemento Laje, ou outro elemento portante, com ou sem contrapiso, sem tratamento acústico L nt,w db < 80
Solução Contra-piso acústico Custo aproximado: R$ 36,00/m²
A propagação de ruído de impacto depende: - da espessura da laje. - dos vãos da laje. - da existência de alvenaria e de suas ligações à estrutura. - da existência de contra-piso. - do tipo de revestimento (carpete, cerâmica, assoalho, etc.). - etc... Os ensaios têm mostrado que a laje sem contra-piso ( laje-zero ) normalmente não atende a norma (< 80 db) e com contra-piso acústico atende com eficiência.
PARTE 3 - Sistema de Pisos Internos EXEMPLO 4 Segurança ao uso 9.2. Requisito resistência ao escorregamento 9.2.1. Critério resistência ao escorregamento Tabela 5 - Coeficiente de atrito dinâmico do piso Coeficiente de atrito dinâmico do piso Situação Área privativa Área comum Declividade 3 % > 0,40 > 0,40 3 % < Declividade 10 % > 0,70 Escadas > 0,70 > 0,85 ou > 0,70 com faixa antiderrapante > 0,85 a cada 10 cm > 0,70 ou com com faixa antiderrapante > 0,85 por degrau Os catálogos apresentam estes coeficientes?
Considerações Finais 1. Estamos aprendendo a especificar os materiais/sistemas com critérios de desempenho (há um longo caminho...). 2. Muitos materiais/sistemas a venda não atingem os níveis mínimos de desempenho. 3. Os fabricantes de materiais e sistemas e suas respectivas associações estão iniciando um processo de caracterização de seus produtos para que as informações técnicas possam ser obtidas nos catálogos. 4. Sem ensaio tecnológico, sem valores confiáveis, é impossível avaliar o desempenho dos produtos no laboratório ou em campo. 5. A norma entrará em processo de revisão e exigência de aplicação será adiada para permitir a adequação de alguns níveis de desempenho requeridos. Também permitirá que projetistas, construtores, fabricantes evoluam nas questões referentes a desempenho. 6. A norma de desempenho, quando aplicada, estabelecerá um novo padrão nas habitações. Ela propiciará separar bons edifícios de edifícios inadequados.