Objecto Técnico. Fátima Pais

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Objecto Técnico Fátima Pais 1

OBJECTOS Naturais Transformados(ou Artefactos) São os objectos que são construídos (transformados) a partir dos naturais para uma utilização prática, para embelezamento ou para cumprir uma função simbólica. Qual a importância dos objectos que nos rodeiam? Os objectos que nos rodeiam explicam muito da nossa história, da nossa cultura, da nossa época,.., dos nossos amigos, da nossa família, da nossa actividade,.. Por isso dizemos que os objectos são companheiros do homem! 2

FUNÇÕES SOCIAIS DOS OBJECTOS Os objectos por viverem connosco e por fazerem parte da nossa sociedade, cumprem diferentes funções sociais: Função Prática Função Estética Função Simbólica predomina. Podem ter simultaneamente as três funções, mas há sempre uma que Função Prática É predominante nos objectos que vão ter uma certa utilidade e que são concebidos para ter uma utilização prática. 3

Função Estética É predominante nos objectos que são concebidos e utilizados sobretudo pela beleza e prazer que nos proporcionam (ao olhar, ao tocar, ao manusear, ) Função Simbólica É predominante nos objectos que são encarados pelo que simbolizam: valores, sentimentos, atitudes. Podem representar um pensamento, um comportamento ou uma identidade. 4

ANÁLISE TÉCNICA DOS OBJECTOS -Como mudou a forma e a estrutura? -Como se passou de um material a outro? Cultura técnica -Como se fabrica? -Com que materiais? - Que ferramentas? - Como se usa? Processo histórico Estética Análise Técnica Conhecimento científico Características de uma cultura -Como se comportam os materiais? -Como reagem os produtos utilizados? -Representa uma cultura popular? Urbana? Rural? -É contemporâneo? Antigo? A análise de um objecto técnico implica termos em conta diversos elementos do conhecimento humano: a cultura técnica, o conhecimento científico, o processo histórico, a estética e as características da cultura onde o objecto foi produzido. 5

Técnicas ANÁLISE Conteúdos Observar Investigar Montar e desmontar Descrever Desenhar Observar Montar Desmontar Experimentar Medir Representar Observar Analisar Investigar Observar Analisar Investigar Observar Analisar Investigar ANÁLISE MORFOLÓGICA ANÁLISE E DESCRIÇÃO FUNCIONAL ANÁLISE TÉCNICA ANÁLISE SOCIAL E HISTÓRICA ANÁLISE ECONÓMICA Como se chama o objecto? Para que serve? Que forma tem? Que dimensões tem? Que características externas apresenta? Que partes o compõem? Como funciona? Quais são os princípios científicos e técnicos que intervêm? Como se utiliza? Apresenta riscos na utilização? De que materiais é feito? Como foi feito? Quando surgiu? Porque surgiu? Quanto custa fazer? Quanto custa manter? 6

CICLO DE VIDA DOS OBJECTOS CONCEPÇÃO FABRICO ABANDONO VENDA DISTRIBUIÇÃO REUTILIZAÇÃO ALTERAÇÃO DO USO RECICLAGEM DAS MATÉRIAS PRIMAS UTILIZAÇÃO FIM DA UTILIZAÇÃO 7

A FORMA E A FUNÇÃO DOS OBJECTOS A forma dos objectos é determinada por: Uso a que se destina Materiais em que é feito Técnicas de fabrico Anatomia dos utilizadores 8

RECONSTRUIR A HISTÓRIA DE UM OBJECTO A RODA Roda Usada em Ur, há 4.000 A.C. Roda grega do século VII A.C. Roda do século IV A.C. Roda de 6 raios, do século III A.C. Roda construída com raios e aro de madeira, de 1907. Roda com raios de metal e aro coberto de borracha. Roda raiada típica dos carros desportivos e de corrida da década de 30. Roda de liga leve e desenho especial construída na década de 70. Roda de metal e pneu faixa branca sem câmara, 1957. 9

Nas sociedades primitivas, cabia às mulheres carregar os objectos domésticos. Mas a necessidade de poder carregar peso além da força humana fez com que os seres humanos começassem a usar animais domesticados, muito mais resistentes, para levar carga. Conta-se que os egípcios colocavam troncos de árvore, como se fossem cilindros, para transportar cargas pesadas. Daí teria surgido o eixo fixo com discos de madeira nas extremidades. O vestígio mais antigo do uso da roda em veículos, foi encontrado num desenho de uma carroça numa placa de argila encontrada na Suméria (Mesopotâmia), de 3.500 a.c. Ao que tudo indica, tratava-se de um carro fúnebre com rodas compostas: duas tábuas arredondadas presas de ambos os lados de uma tábua central. Em 2.000 a.c., os sumérios colocaram raios no lugar da estrutura maciça. Esse projecto, mais apropriado para ser atrelado à rapidez do cavalo do que à força do boi, foi aplicado primeiro nos carros de guerra. Numa peça encontrada na Mesopotâmia, de 2.500 a.c., o aro era preso à roda com pregos de cobre. Os aros de metal apareceram 500 anos mais tarde. Por volta de 1870, foram introduzidos os raios de arame na roda de bicicleta. Na década seguinte já se usava o pneu de borracha, cheio de ar, com uma cobertura de couro, para cobrir as rodas. Mais tarde vieram os aros de madeira, os de ferro fundido e, no início do século XX, os de aço. Todos são usados nas rodas de diferentes veículos até os dias de hoje. 10

ALGUMAS APLICAÇÕES TÉCNICAS DA RODA AEROGERADOR ROLAMENTO ENGRENAGENS CADERNAL TURBINA PARAFUSO ARQUIMEDES 11