Vânia Cristina Alves Cunha

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Transcrição:

Vânia Cristina Alves Cunha

Carmo do Paranaíba, localiza-se na região Macrorregional Noroeste e Microrregional de Patos de Minas. População de 30.861 habitantes. Atividade econômica predominante é a cafeicultura. Figura 01: Localização geográfica do município de Carmo do Paranaíba na microrregião de Patos de Minas. IBGE, 2017 2

Atenção Primária: Equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), Equipes de Saúde Bucal (ESB) e Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF II). Atenção Secundária: Centros de Atenção Psicossocial (CAPS I) e CAPS álcool e outras drogas (CAPS AD II Regional), Policlínica Municipal da Saúde, Unidade de Pronto Atendimento (UPA tipo I Regional), Centro de Especialidades Odontológicas (CEO tipo I Regional), Farmácias Municipais, Clínica de Fisioterapia, Serviço de Lavanderia e serviços contratados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atenção Terciária: Tratamento Fora Domicílio (TFD). 3

Criado em 2014 pela enfermeira/psiquiatra do CAPS I. A partir da necessidade de estruturar a rede de saúde mental do município. O CAPS I foi habilitado em 2005 e atualmente é referência municipal e regional em saúde mental. Possui sede própria (2013), equipe consolidada e efetiva, assistência consonante com normas do Ministério da Saúde. BRASIL, 2011; 2017.

Manter um grupo de apoio para promoção da saúde mental e manejo supervisionado dos casos clínico-psiquiátricos da população de Carmo do Paranaíba/MG. Imagem 01: Plenária de Reuniões Câmara Municipal de Carmo do Paranaíba/MG 5

Realizar educação continuada. Melhorar a interlocução e o relacionamento interpessoal dos profissionais de saúde/intersetorialidade com a população atendida. Diminuir o estigma sobre os pacientes com transtornos mentais gerais e decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Aprimorar a Política de Humanização dentro dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). 6

REDE LOCAL DE SAÚDE: Gestora de Saúde; CAPS I; CAPS AD II Regional; ESF, NASF; Coordenadores (Ambulatório de Psiquiatria Infanto juvenil/adulto; Atenção Primária à Saúde; UPA); Cirurgião Dentista (Saúde Bucal) e Assistente Social (SMS). INTERSETORIALIDADE: Gestora Secretaria de Desenvolvimento Social/Secretaria de Educação; CRAS (Centro Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializada de Assistência Social); Conselheiros tutelares, Programa Bolsa Família; Casa do Aconchego; APAE (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais) e do SERDI (Serviço Especializado de Reabilitação em Deficiência Intelectual); CAC (Centro de Atendimento ao Cidadão); Diretora, Assistente Social (Escola Estadual de Educação Especial). 7

Primeiras segundas-feiras: ESF Alvorada, ESF Paraíso I, ESF Paraíso II e ESF Quintinos. Segundas segundas-feiras do mês: ESF Rosário, ESF Santa Cruz I, ESF Santa Cruz II. Terceiras segundas-feiras do mês: ESF Paranaíba I, ESF Paranaíba II, ESF Niterói. Quartas segundas-feiras do mês: Intersetorialidade. 8

Entrega de listas de todos os pacientes em tratamento na rede de saúde mental especializada às equipes das ESF. Relatórios de altas dos CAPS. Solidificação de vínculos - saúde/intersetorialidade. Apoio matricial/projeto Terapêutico Singular (PTS). Lista de presença e registro sistematizado dos encontros. Disponibilização de materiais científicos. Aplicação do Protocolo de Saúde Mental do município. Visitas domiciliares compartilhadas Construção PTS. Matriciamento/Busca ativa. SILVA et al, 2013; MACHADO, CAMATTA, 2013. 9

Aumento da oferta de acolhimento nas ESF/NASF. Maior interlocução e o relacionamento interpessoal. Diminuição encaminhamentos para a psiquiatria. Diminuição de internações psiquiátricas e em Comunidades Terapêuticas/Clínicas. Priorização das terapias integrativas do NASF. Diminuição do estigma. Participação do Psiquiatra Ambulatório de Psiquiatria adulto e do CAPS AD II Regional. 10

Aumento da escuta, do acolhimento, do vínculo, da contratualidade e da assistência/coresponsabilização nas ESF. Diminuição - uso de psicotrópicos/internações psiquiátricas. Desinstitucionalização dos pacientes do CAPS I. Reinserção social dos pacientes nos serviços locais de saúde e na intersetorialidade. Elaboração do Plano Municipal de Saúde Mental. Participação de novos atores da intersetorialidade: Judiciário e Ministério Público. 11

Maior número de altas do CAPS I. Melhora do sistema de referência e contra referência de todos os serviços envolvidos. Diminuição do número de psicotrópicos/caps I e de internações psiquiátricas CAPS I/ESF. Seguimento do Protocolo Municipal de Saúde Mental. Evolução do relacionamento interpessoal entre as equipes de saúde e intersetorialidade. 12

Consolidação da rede de saúde mental no município. Parcerias com Centros Universitários. Integralidade da assistência. Divulgação na mídia sobre os benefícios alcançados (publicação deste projeto como Experiência Exitosa pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS/MG); 13

Apoio da gestão. Interesse dos profissionais da saúde mental em capacitar. Disponibilidade dos profissionais da rede local de saúde e da intersetorialidade. Sala exclusiva para reuniões do NASME na SMS e na Plenária da Câmara Municipal. Rotatividade de profissionais na atenção primária. Ausência de profissionais até final da reunião. Pouca participação do público da intersetorialidade, principalmente da Secretaria de Educação e dos Conselheiros Tutelares. Às vezes, pouco tempo para a capacitação. 14

ALVES, V. C.; VELASQUE, M. A; BANDEIRA, G. S. A contribuição do apoio matricial em saúde mental para o fortalecimento da intersetorialidade. 2013. BRAISL. Ministério da Saúde. Portaria 3088 de 23/12/2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde para você: saúde mental. Centro de Atenção Psicossocial. Brasília, 2017. INSTITUO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Panorama Carmo do Paranaíba. Brasília, 2017. MACHADO, D. K. S. ; CAMATTA, M. W. Apoio matricial como ferramenta de articulação entre a saúde mental e a atenção primária à saúde. Cad. Saúde Colet., 21 (2): 224-32. Rio de Janeiro, 2013. SILVA, E. P. et. Al. Projeto Terapêutico Singular como Estratégia de Prática da Multiprofissionalidade nas Ações de Saúde. R bras ci Saúde, 17(2):197-202. Paraíba, 2013. 15

Muito obrigada. vaniacenf@yahoo.com.br 16