Aula 5. Relações básicas: volume, densidade e velocidade

Documentos relacionados
Aula 7. Relações básicas: volume, densidade e velocidade

Aula 7. Relações básicas: volume, densidade e velocidade

Aula 7. Relações básicas: volume, densidade e velocidade

A Teoria do Fluxo de Tráfego

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 1 0 semestre de Aula 15. Controle semafórico

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 15. Controle semafórico

Aspectos teóricos do fluxo de tráfego

Características do Tráfego

Capítulo 3 FLUXO DE VEÍCULOS. Tecnologia dos Transportes

FLUXO DE VEÍCULOS. Prof. Dr. Renato da Silva Lima (35) Fluxo de Veículos

ANÁLISE DE CAPACIDADE E NÍVEL DE SERVIÇO DE RODOVIAS DE PISTA SIMPLES

Curso de Engenharia Civil

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 4. Características do tráfego (cont.

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 1 0 semestre de Aula 5. Características do tráfego (cont.

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 1 0 semestre de Aula 7. Sinalização semafórica: definições

Cálculo da Capacidade

TECNOLOGIA E ECONOMIA DOS TRANSPORTES. Aula 03 Elementos de Programação Semafórica

Fís. Semana. Leonardo Gomes (Arthur Vieira)

Aula 11. Sinalização semafórica: programação semafórica

Aula 25. Segurança de trânsito (parte 4 de 4)

Aula 11. Sinalização semafórica: programação semafórica

Aula 8. Sinalização semafórica: programação semafórica

Fís. Semana. Leonardo Gomes (Arthur Vieira)

Curso de Física 1. Aula 9 - Movimento Retilíneo Uniforme. Afonso Henriques Silva Leite Curso de Física de Abril de 2016 IFMS

Estudo da otimização do fluxo de comboio de veículos

ANÁLISE DE CAPACIDADE E NÍVEL DE SERVIÇO DE RODOVIAS DO TIPO PISTA DUPLA EXPRESSA (FREEWAY)

>80km/h. 80km/h (50mph) (redução básica devido ao padrão de projeto) = largura de faixa e obstrução lateral Ver Tabela 3-2 e f v p

O cálculo do entreverdes conforme o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito

A Derivada. Derivadas Aula 16. Alexandre Nolasco de Carvalho Universidade de São Paulo São Carlos SP, Brazil

EXERCÍCIO: ONDAS DE CONGESTIONAMENTO

AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE SERVIÇO DA AVENIDA CASTELO BRANCO EM JUAZEIRO DO NORTE CE

Engenharia Mecânica Física

CAPÍTULO 11 TWO LANES

EXERCÍCIOS EXTRAS 2ª SÉRIE

Oferta de Transportes: Ciclo Veicular, Dimensionamento de Frotas

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 1 0 semestre de Aula 3. Características do tráfego

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 3. Características do tráfego

EXERCÍCIOS RODOVIAS DE PISTA DUPLA CONVENCIONAIS

MOBILIDADE E SISTEMAS DE TRANSPORTES PLANEJAMENTO DA OFERTA DE. Prof. Dr. Daniel Caetano

Aula 23. Segurança de trânsito (parte 3 de 4)

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 1 0 semestre de Aula 8. Sinalização horizontal

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 8. Sinalização horizontal

PLANEJAMENTO DE TRANSPORTES

Unidade 5: Força e movimento

CAPÍTULO 10 CAPACIDADE - MULTILANE

INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 8. Sinalização horizontal

PTR 2378 Projeto de infra-estrutura de vias de transportes terrestres

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de Aula 4. Sinalização vertical

Teoria Cinética dos Gases

Se da = vdt, então você pode dizer que da=dx. (lembre-se da definição da velocidade): A área total sob a reta, será igual à soma de todas as pequenas


Avaliação do impacto de veículos pesados na qualidade de serviço de rodovias de pista dupla usando dados empíricos

CURVAS HORIZONTAIS CIRCULARES: DETERMINAÇÃO DO Rmin

VERSÃO PARA IMPRESSÃO

1 o sem estre de 2018

Procedimento para a Implantação de Sinalização de Regulamentação de Velocidades nas Rodovias Estaduais

Lista de Exercícios MU Prof.Damato (Física).

FÍSICA A Aula 12 Os movimentos variáveis.

CAPÍTULO 09 ESTUDOS DE CAPACIDADE - INTRODUÇÃO

IMPLANTAÇÃO DE FAIXA ADICIONAL NA MG-354 NO TRECHO DE PATOS DE MINAS A PRESIDENTE OLEGARIO

Colégio XIX de Março Educação do jeito que deve ser

Micro-simulação de veículos e peões

CAPÍTULO 10 CAPACIDADE - MULTILANE

Aula 17. Sinalização semafórica: exercícios sobre programação semafórica (cont.)

Aula 1. A Engenharia de Tráfego A organização do trânsito no Brasil Elementos do Tráfego

4. ELEMENTOS DAS PLACAS

Movimento Uniformemente Variado (M.U.V.)

Curso de Engenharia Civil. Física Geral e Experimental I Movimento Prof.a: Msd. Érica Muniz 1 Período

Pesquisa Operacional Introdução. Profa. Alessandra Martins Coelho

FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES DE MATEMÁTICA FUNDAÇÃO CECIERJ / SEEDUC-RJ

Correntes de Tráfego. Grandezas e Relações Fundamentais

CAPACIDADE E RELAÇÃO FLUXO-VELOCIDADE EM AUTOESTRADAS E RODOVIAS DE PISTA DUPLA PAULISTAS

Cursinho TRIU 22/04/2010. Física Mecânica Aula 1. Cinemática Escalar Exercícios Resolução

Instrumentação Eletroeletrônica. Prof. Afrânio Ornelas Ruas Vilela

LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO PARA ENGENHARIA INTRODUÇÃO À LÓGICA DE PROGRAMAÇÃO PARTE I. Prof. Dr. Daniel Caetano

Introdução à Cinemática Escalar, Movimento Uniforme (MU) e Movimento Uniformemente Variado (MUV)

POR FAVOR, SEMPRE DESLIGUEM CELULARES e computadores!!!

Cálculo Numérico. Profº Ms Ademilson Teixeira IFSC

Método dos Mínimos Quadrados

Conceitos Essenciais da Cinemática 1

Transcrição:

Universidade Presbiteriana Mackenzie Escola de Engenharia Depto. de Engenharia Civil 2 0 semestre de 2018 Aula 5 Relações básicas: volume, densidade e velocidade

5.1. Relações básicas: modelo linear de Greenshields modelos são formas de se reproduzir experimentalmente a realidade existem os modelos em escala, os matemáticos e os simuladores computacionais Exemplo de tela do simulador microscópico (Vissim) Fonte: Traffic Technology

5.1. Relações básicas: modelo linear de Greenshields (cont.) As situações apresentadas a seguir são generalizações do modelo matemático pioneiro na teoria do fluxo de tráfego, estabelecido por Greenshields em 1934, nos Estados Unidos

5.1. Relações básicas: modelo linear de Greenshields (cont.) trata-se de modelo teórico, cujo objeto é a corrente de tráfego como um todo, ou seja, considera que as correntes de tráfego são um meio contínuo foi idealizado para aplicação em situações de fluxo ininterrupto (vias expressas e rodovias) parte do embasamento teórico vem das leis da hidrodinâmica (conhecido como Analogia Hidrodinâmica do Tráfego)

5.1. Relações básicas: modelo linear de Greenshields (cont.) desde Greenshields e seu modelo macroscópico, vários outros modelos de simulação do fluxo de tráfego surgiram, aproximando-se cada vez mais da realidade surgiram, também, modelos com outras abordagens, como as microscópicas, relativas às interações entre veículos determinados dentro de um fluxo de tráfego e as mesoscópicas, que analisam os comportamentos dos pelotões de veículos que se formam no deslocamento em uma via (por exemplo, o SIRI)

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo o modelo de Greenshields permite uma abordagem didática do comportamento do tráfego para tanto usamos as variáveis densidade, espaçamento, intervalo e suas associações com a capacidade veicular nos exemplos a seguir usaremos o conceito de regime normal e de regime forçado (ou saturado), em diferentes graus

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo (cont.) Densidade (D) = distribuição dos veículos em um trecho de via D = N / L onde N = número de veículos L = extensão ou trecho considerado normalmente D é expressa em veíc/km

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo (cont.) Exemplo de baixa densidade

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo (cont.) Exemplo de alta densidade

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo (cont.) Espaçamento (E) = distância entre as partes dianteiras de 2 veículos sucessivos, na mesma faixa D = 1 / E onde E = espaçamento médio dos veículos em um trecho de via, em um determinado período de tempo (unidade de E = m/veíc) E

5.2. Densidade, espaçamento, intervalo (cont.) Intervalo (I) = tempo decorrido entre as passagens de 2 veículos sucessivos por uma seção de via, na mesma faixa densidade, intervalo e espaçamento são variáveis de difícil mensuração embora seja possível relacionar essas variáveis à capacidade, em geral esta última é obtida por outras formas (modelos matemáticos, tabelas ou coletas de dados em campo)

5.3. Relação Velocidade X Densidade Consideremos um trecho com extensão L ; N veículos trafegando com velocidade V (V>0) e uma seção A da via, conforme figura abaixo L A V

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) em um determinado intervalo I, todos os veículos terão passado pela seção A, ou seja, I = L / V sabemos que F = N / I (o fluxo é a quantidade de veículos que passa em uma seção, em um determinado período de tempo) portanto: F = N / I = N / (L / V) = N / L. V = D. V ou seja, F = V. D

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) A partir de analogia com a teoria da hidrodinâmica, foi estabelecida por Greenshields a equação da continuidade do fluxo de tráfego, também conhecida como relação fundamental do tráfego Volume = Fluxo = Velocidade x Densidade de (1), temos: F = V x D (1) F = V / E

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) Fluxo Livre: situação em que um veículo não recebe nenhuma influência em seu deslocamento devido à presença de outro veículo Velocidade Livre: usualmente considerada como o limite superior da velocidade regulamentada para a via

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) O modelo linear de Greenshields está representado na figura abaixo Equação da reta: D / D sat + V / V l = 1

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) Representação mais realista da relação Velocidade (V) X Densidade (K) Fonte: Leutzbach

5.3. Relação Velocidade X Densidade (cont.) a representação matemática do modelo de Greenshields é: V = V livre ( 1 D / D sat ) (2) igualando-se (1) e (2), temos: F = V livre. D (V livre /D sat ). D 2 (3) a expressão (3) permite representar as relações Fluxo X Densidade e Fluxo X Velocidade

5.4. Relação Fluxo X Densidade

5.5. Relação Fluxo X Velocidade Analogamente a 5.4, temos:

5.5. Relação Fluxo X Velocidade (cont.) fluxo normal fluxo de desmanche de fila fluxo forçado Diagrama Velocidade X Fluxo fonte: Highway Capacity Manual (HCM), 2010

5.5. Relação Fluxo X Velocidade (cont.) Dados obtidos por meio de radares de velocidade da Av. 23 de Maio (fonte CET, Nota Técnica 220)

5.6. Níveis de serviço de tráfego como visto na Aula 5, o nível de serviço reflete a qualidade do tráfego representa a forma como o usuário percebe as condições de tráfego a forma consagrada de avaliação é a do HCM Highway Capacity Manual, publicação americana a classificação de nível de serviço mais citada na bibliografia técnica é a estabelecida para vias de fluxo ininterrupto pelo HCM, dividida em seis níveis (de A a F)

LOS = Level of Service, ou nível de serviço 5.6. Níveis de serviço de tráfego (cont.) Classificação de nível de serviço do HCM 2010

5.6. Níveis de serviço de tráfego (cont.) Classificação de nível de serviço do HCM 2010 Nível de Serviço Densidade (CP/km/fx) A até 17,7 B > 17,7 20,1 C > 20,1 41,8 D > 41,8 56,3 E > 56,3 72,4 F > 72,4 a demanda excede a capacidade Densidade medida em carro de passeio (cp) / km / faixa (fx)

5.6. Níveis de serviço de tráfego (cont.) A densidade de 72,4 cp/km/fx (início do Nível F ) equivale a um espaçamento de 13,8 m entre os carros, conforme mostra a figura abaixo 5 m 13,8 m

5.6. Níveis de serviço de tráfego (cont.) Relação entre as razões velocidade sobre velocidade livre e fluxo sobre capacidade, com a indicação da faixas de nível de serviço correspondentes fonte: adaptado de Wlastermiller de Senço

5.8. Relações básicas - resumo fonte: adaptado de José Reynaldo A. Setti

5.9. Exercício Resolução do problema do Provão 1996