Fls. 22 21 Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta nº 206 - Data 11 de julho de 2014 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF REFORMA A SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/8ªRF/DISIT Nº 162, DE 15/04/2010. RETENÇÃO. PAGAMENTO DE PESSOA JURÍDICA A PESSOA FÍSICA POR REALIZAÇÃO DE COMPRA EM REDE CONVENIADA. O pagamento por pessoa jurídica de benefícios e bônus, em espécie ou na forma de bens ou direitos, a clientes (pessoas físicas) por efetuarem compras junto a empresas conveniadas à pessoa jurídica pagadora está sujeito à retenção e ao recolhimento de IRRF, calculado na forma do art. 620 do RIR/1999, com utilização da tabela progressiva mensal. RETENÇÃO. PAGAMENTO DE PESSOA JURÍDICA A OUTRA PESSOA JURÍDICA A TÍTULO DE COMISSÕES RELATIVAS À ADMINISTRAÇÃO DE CONVÊNIOS. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais. Deve a pessoa jurídica que efetuar o pagamento realizar a retenção. RETENÇÃO INVERTIDA. PESSOA JURÍDICA ADMINISTRADORA DE CONVÊNIOS QUE RECEBE O VALOR DAS TRANSAÇÕES E O REPASSA ÀS EMPRESAS CONVENIADAS. Caso o valor das transações realizadas junto às empresas conveniadas seja entregue pelos clientes à pessoa jurídica administradora do convênio, que desconta sua comissão antes de entregar o valor das transações às empresas conveniadas que as realizaram, o recolhimento do IRRF sobre as importâncias pagas a título de comissão pelas empresas conveniadas à pessoa jurídica prestadora dos serviços de administração de convênios deve ser efetuado, com aplicação de alíquota de um e meio por cento, pela própria pessoa jurídica prestadora. Isto é, neste caso a pessoa jurídica que recebe a comissão deve realizar a retenção. Dispositivos Legais: Arts. 37, 38, 620, 639, 651 e 994 do Decreto n 3.000, de 26/03/1999; itens 1, caput e h, 2 e 2.1 da Instrução Normativa SRF nº 153, de 05/11/1987, com redação da Instrução Normativa SRF n 107, de 26/11/1991. 1
Fls. 23 Relatório (...) Fundamentos 5. A consulente protocolou consulta em 25/09/2009 limitando-se a indagar quais os códigos de receita a serem indicados em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) nas situações que descrevia. A consulta foi declarada ineficaz, por se tratar de matéria não alcançada pelo instituto da consulta sobre a interpretação da legislação tributária. 6. Em 11/12/2009, a consulente apresentou, nos termos regulamentares, nova consulta. Ainda que com nítidos reflexos operacionais, a nova consulta apresenta fundamentos normativos e, assim, foi solucionada pela Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 15/04/2010. 6.1 Porém, a Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 2010, de sua interpretação da legislação pertinente conclui, equivocadamente, ser o código 9385 o correto para a execução da retenção relativa ao pagamento a título de benefícios e bônus (denominação utilizada pela petição) que a pessoa jurídica consulente efetua a pessoas físicas (seus clientes) quando estas, de livre e espontânea vontade, efetuam compras nas empresas a ela conveniadas. 6.2 Quanto à retenção de imposto de renda retido na fonte (IRRF) tocante ao valor de pagamento realizado à consulente por pessoa jurídica a título de comissão relativa à administração de convênio, a Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 2010, deixou de esclarecer que, caso o valor das compras realizadas junto às empresas conveniadas seja entregue pelas pessoas físicas à consulente (pessoa jurídica administradora do convênio), que desconta suas comissões antes de entregar o valor da compra à empresa conveniada que efetivou a venda, tal retenção deve ser efetuada pela pessoa jurídica que recebe tais comissões, ou seja, pela própria consulente. 6.3 Portanto, procede-se aqui à reforma da Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 15/04/2010. 6.4 Deve a consulente atentar, pois, às disposições do art. 17 da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, diploma ora vigente que consolida as normas aplicáveis para a formulação e solução de consultas, que assim coloca: Na hipótese de alteração de entendimento expresso em Solução de Consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. (grifou-se). 7. Cumpre observar que a consulente não anexou e não detalhou as disposições do contrato que firma com outras pessoas jurídicas nas operações que descreve, tampouco apresenta ou descreve detalhadamente o contrato que firma com pessoas físicas. Esta solução 2
Fls. 24 de consulta, portanto, funda-se unicamente nas informações que a consulente fez constar da petição inicial. 8. Os arts. 37 e 38 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999)- assim dispõem: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º 1º). (...) Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. (grifou-se) 9. Desta maneira, os chamados benefícios e bônus em porcentagem do valor das compras, pagos pela consulente a seus clientes pessoas físicas por efetuarem compras nas empresas com ela conveniadas, uma vez que constituem rendimentos dessas pessoas físicas, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda na fonte (IRRF) de que trata o art. 639 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999), o qual, com base nos arts.3º, 4º, e 7º, inciso II, da Lei nº 7.713, de 1988, prevê que: Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, quaisquer outros rendimentos pagos por pessoa jurídica a pessoa física, para os quais não haja incidência específica e não estejam incluídos entre aqueles tributados exclusivamente na fonte (grifou-se). 9.1 Ressalte-se que os referidos rendimentos das pessoas físicas, clientes da consulente, não se encontram relacionados entre os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, tampouco entre os rendimentos sujeitos à tributação definitiva de que tratam, respectivamente, os arts. 6º e 8º da IN SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001. 10. Portanto, cabe à consulente efetuar a retenção e o recolhimento do IRRF, calculado na forma do art. 620 do RIR/1999, mediante a utilização da tabela progressiva mensal, sobre os valores de benefícios e bônus que entregar a seus clientes (pessoas físicas) por efetuarem suas compras nas empresas a ela conveniadas. 10.1 Tendo em vista que tais benefícios e bônus são pagos pela consulente em cumprimento a disposições do contrato por ela firmado com seu cliente, o qual prevê contrapartida a este cliente por efetuar compras junto aos integrantes da rede conveniada da consulente, ou seja, prevê remuneração da pessoa física por efetuar compra nessa rede de empresas, as retenções sobre tais pagamentos devem ser realizadas sob indicação do código 0588 no Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), dado inexistente código específico. 3
Fls. 25 11. Deve-se ter claro, ainda, que, conhecidas as disposições do art.994 do RIR/99, bem como do art.3º, 4º da Lei nº 7.713, de 1988, o pagamento dos referidos benefícios e bônus está sujeito à retenção de imposto de renda na fonte não apenas se efetuado em espécie, mas igualmente se efetuado por meio da entrega de bens ou de direitos, caso em que o cálculo da retenção, a ser realizado também na forma do art.620 do RIR/1999, mediante a utilização da tabela progressiva mensal, e sob código 0588, deve ter por base o valor que esses bens ou direitos tiverem na data da entrega. 12. Não é excessivo destacar, do mesmo modo, que os benefícios e bônus descritos pela consulente não constituem descontos concedidos na operação de compra e venda pela pessoa jurídica vendedora à pessoa física compradora, mas de prestação paga por terceira pessoa (a aqui consulente) à pessoa física compradora em razão da realização de aquisição junto a uma empresa de sua rede credenciada. 13. Quanto aos pagamentos que pessoa jurídica efetua a outra pessoa jurídica, a título de prestação de serviços, transcreve-se o art. 651 do RIR/99, que dispõe sobre a tributação na fonte das comissões pagas ou creditadas: Art. 651. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de um e meio por cento, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas (Lei nº 7.450, de 1985, art. 53, Decreto- Lei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, art. 8º, e Lei nº 9.064, de 1995, art. 6º) I - a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; (...) 2º O imposto descontado na forma desta Seção será considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica. (grifou-se) 13.1 Portanto, como já bem destacou a Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 2010, o recolhimento do IRRF sobre o valor das comissões pagas pelas empresas conveniadas à consulente deve, em regra, ser efetuado pelas próprias fontes pagadoras, ou seja, pelas empresas conveniadas. Esta retenção deve se dar com indicação do código 8045 no respectivo Darf (ADE Corat nº 09/02). 14. Entretanto, a Solução de Consulta SRRF08/Disit n 162, de 2010, não contemplou a hipótese de o valor das compras realizadas junto às empresas conveniadas ser entregue pelas pessoas físicas à consulente (pessoa jurídica administradora do convênio). 14.1 Para analisar essa hipótese, cabe observar as previsões da Instrução Normativa SRF nº 153, de 05/11/1987, com redação trazida pela IN SRF nº 107, de 26.11.1991, em seus itens 1, h, 2 e 2.1: 1. O recolhimento do imposto de renda previsto no inciso I do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, será efetuado pela pessoa jurídica que receber de outras pessoas jurídicas importâncias a título de comissões e corretagens relativas a: a) colocação ou negociação de títulos de renda fixa; b) operações realizadas em Bolsas de valores e em Bolsas de Mercadorias; c) distribuição de emissão de valores mobiliários, quando a pessoa jurídica atuar como agente da companhia emissora; d) operações de câmbio; 4
Fls. 26 e) vendas de passagens, excursões ou viagens. f) administração de cartão de crédito; g) prestação de serviços de distribuição de refeições pelo sistema de refeiçõesconvênio. h) prestação de serviços de administração de convênios. (acrescentado pela Instrução Normativa nº 107 de 26.11.1991. 2. As pessoas jurídicas que pagarem ou creditarem as comissões e corretagens referidas no item 1 ficam desobrigadas de efetuar a retenção do imposto. 2.1 - Neste caso, a beneficiária da comissão ou corretagem deverá fazer constar de documento comprobatório o valor do imposto que assume a responsabilidade de recolher. (...) (grifou-se) 14.2 Das disposições do caput do item 1 da Instrução Normativa SRF nº 153, de 1987, bem como das hipóteses que este relaciona em seus incisos a a g (todas relativas a situações em que todo o valor da transação transita pela pessoa jurídica que recebe a comissão), conclui-se, em face das disposições do inciso h acima transcrito, e conhecidas as expressas disposições do art. 651, I, do RIR/99 relativas à obrigação da pessoa jurídica que realiza o pagamento de comissão efetivar a retenção de IRRF, que apenas nos casos em que o valor total das transações realizadas junto às empresas conveniadas seja entregue pelos clientes à pessoa jurídica administradora do convênio (que, então, desconta suas comissões antes de entregar o valor à empresa conveniada que efetivou a transação) o recolhimento do IRRF sobre as importâncias pagas a título de comissão pelas empresas conveniadas à pessoa jurídica prestadora dos serviços de administração de convênios deve ser efetuado pela própria pessoa jurídica prestadora, à alíquota de 1,5%. Caso viva situação dessa natureza, a consulente deve efetuar a retenção sobre o valor da comissão que recebe, indicando código 8045 no respectivo Darf (ADE Corat nº 09/02). 14.2.1 Note-se que, por disposição do art.15 da IN RFB nº 1216, de 2011, mesmo neste caso é às empresas conveniadas que, de posse do documento de que trata o acima transcrito item 2.1 da IN SRF nº 153, de 1987, cabe informar em Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) a realização da retenção, embora não tenha cabido a elas, e sim à pessoa jurídica prestadora de serviços de administração de convênios, efetuar o recolhimento do IRRF. 15. Por fim, cumpre observar que observação dos sistemas informatizados da RFB indica que houve baixa do cadastro da pessoa jurídica consulente em 01/04/2013. Tal baixa, no entanto, em nada toca à eficácia da consulta. Não obstante ora a sociedade se encontre com cadastro baixado, deve ser efetivada a devida retificação de seus procedimentos tocantes ao objeto da presente consulta que tenham se dado em desacordo com as orientações apresentadas por esta solução, com observação das disposições do art.10, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 1.396, de 2013. Conclusão 16. Diante do exposto, propõe-se que a consulta seja solucionada esclarecendo-se à consulente que o pagamento, por previsão contratual, de benefícios e bônus, em espécie ou na forma de bens ou direitos, a seus clientes (pessoas físicas) em contrapartida a efetuarem compras nas empresas a ela conveniadas, está sujeito à retenção e ao recolhimento de IRRF, 5
Fls. 27 calculado na forma do art. 620 do RIR/1999, mediante a utilização da tabela progressiva mensal. Dado inexistente código específico, tal retenção deve ser efetuada sob código 0588. 16.1 Por sua vez, os pagamentos a ela realizados por pessoa jurídica, a título de prestação de serviços de administração de convênios (em porcentual do valor das vendas que esta pessoa jurídica conveniada realizou a clientes da consulente), estão sujeitos à retenção de IRRF à alíquota de 1,5% (um e meio por cento). Cabe à pessoa jurídica que realiza tal pagamento efetuar essa retenção, utilizando código 8045. 16.1.1 No entanto, caso o valor das compras realizadas junto às empresas conveniadas seja entregue pelas pessoas físicas à consulente (pessoa jurídica administradora do convênio), a qual, então, desconta sua comissão antes de entregar o valor da compra à empresa conveniada que efetivou a venda, deve a consulente ter claro que o recolhimento do IRRF sobre tais importâncias que recebe das empresas conveniadas a título de comissão deve ser efetuado, sob código 8045, por ela própria. Isto é, neste caso cabe à pessoa jurídica que recebe a comissão realizar a retenção de IRRF, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento). 16.2 Propõe-se, pois, que seja reformada a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 162, de 15/04/2010. À consideração do Chefe da Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal. GASTÃO ALVES DE ALENCAR GIL Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB) De acordo. À consideração da Coordenadora da Cotir. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Auditor-Fiscal da RFB Chefe da Disit08 De acordo. Ao Coordenador-Geral da para aprovação. CLÁUDIA LUCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA Auditora-Fiscal da RFB Coordenadora da Cotir Ordem de Intimação Aprovo a Solução de Consulta. Divulgue-se e publique-se nos termos do art. 27 da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013. Dê-se ciência ao consulente. FERNANDO MOMBELLI Auditor-Fiscal da RFB Coordenador-Geral da 6