ICMS/SC - Industrialização - Procedimentos fiscais 3 de Junho de 2013 Em face da publicação da Resolução CGSN nº 94/2011 - DOU 1 de 01.12.2011, este procedimento foi colocado em manutenção, porém após análise foi constatado que o referido ato não alterou o seu conteúdo. ICMS/SC - Industrialização - Procedimentos fiscais Sumário 1. Introdução 2. Conceito de industrialização 3. Suspensão do IPI 4. Suspensão do ICMS 5. Operações com insumos, aves e suínos entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul 6. Operações com sementes de eucalipto 7. Remessa de milho em grão e farelo de soja do Estado do Rio Grande do Sul para industrialização neste Estado 8. Operação triangular de industrialização 8.1 Pelo estabelecimento fornecedor 8.2 Pelo estabelecimento industrializador 8.3 Trânsito por mais de um estabelecimento industrializador 8.4 Remessa de produtos agropecuários para industrialização 9. Interpretação da Sefaz sobre a aplicação do diferimento cujo industrializador é optante do Simples Nacional 10. Exemplos 10.1. Nota fiscal de remessa para industrialização 10.2 Escrituração da nota fiscal de remessa 10.3 Nota fiscal relativa à industrialização efetuada por outra empresa 10.4 Escrituração da nota fiscal de retorno 1. Introdução A remessa para industrialização é a operação em que o contribuinte promove a saída de mercadorias, matériasprimas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem para que o processo (transformação, beneficiamento etc.) seja executado no estabelecimento do destinatário (industrializador). Verificaremos, neste texto, os procedimentos fiscais previstos no RICMS-SC/2001 a serem observados pelos contribuintes do ICMS, nas operações de remessa e de retorno de mercadorias para fins de industrialização. A seguir, apresentamos a forma operacional da remessa e do retorno de mercadorias para industrialização:
2. Conceito de industrialização Para conceituar a operação de industrialização, nos basearemos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI. Caracteriza-se como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a que: a) exercida sobre matéria-prima ou produto intermediário, resulte na obtenção de espécie nova (transformação); b) modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); c) reúna produtos, peças ou partes, daí resultando produto novo ou unidade autônoma, ainda que sujeita à mesma classificação fiscal (montagem); d) altere a apresentação do produto, mediante a colocação de embalagem, ainda que em substituição da original, exceto se a embalagem colocada for utilizada apenas para o transporte do produto (acondicionamento ou reacondicionamento); e) exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto inutilizado ou deteriorado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). São irrelevantes para caracterizar a operação como industrialização o processo ou o método utilizado para obtenção do produto e a localização e as condições das instalações ou dos equipamentos empregados. ( RIPI/2010, art. 4º) 3. Suspensão do IPI Poderão sair com suspensão do imposto: a) as matérias-primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados à industrialização, desde que os produtos industrializados sejam enviados ao estabelecimento remetente daqueles insumos;
b) os produtos que, industrializados na forma da letra "a" e em cuja operação o executor da encomenda não tenha utilizado produtos de sua industrialização ou importação, forem remetidos ao estabelecimento de origem e desde que sejam por este destinados: b.1) a comércio; ou b.2) a emprego, como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, em nova industrialização que dê origem a saída de produto tributado. ( RIPI/2010, art. 43, VI e VII) 4. Suspensão do ICMS Está suspensa a exigibilidade do imposto na saída de qualquer mercadoria para industrialização, desde que retorne ao estabelecimento de origem no prazo de 180 dias contados da data da saída, observado o seguinte: a) o prazo poderá ser prorrogado uma vez pelo Gerente Regional da Fazenda Estadual, por igual período, mediante requerimento fundamentado do contribuinte; b) o benefício não se aplica, nas operações interestaduais, à saída de sucata ou resíduo e de produto primário de origem animal, vegetal ou mineral, salvo se a remessa for feita nos termos de protocolos celebrados entre os Estados interessados. Observe-se que o retorno de mercadoria recebida nas condições mencionadas é feito também com suspensão do pagamento do ICMS. Contudo, em relação à parcela do valor acrescido, nas operações internas haverá diferimento do pagamento do ICMS nos termos do RICMS-SC/2001, Anexo 3, art. 8º, X, salvo se a encomenda for feita por nãocontribuinte ou por qualquer empresa para uso e consumo no seu estabelecimento. ( RICMS-SC/2001, Anexo 2, art. 27, I) 5. Operações com insumos, aves e suínos entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul A suspensão do ICMS prevista no item 4 aplica-se às operações com insumos, aves e suínos promovidas pelos estabelecimentos abaixo indicados da Diplomata S.A. Industrial e Comercial e produtores estabelecidos no Rio Grande do Sul, que entre si mantêm contrato de integração e parceria: a) filiais situadas no Município de Xaxim, inscritas no Cadastro de Contribuintes do imposto (CCICMS) sob números 254.673.813 e 254.719.317; b) filial situada no Município de Guarujá do Sul, inscrita no CCICMS sob número 255.186.517; A suspensão abrangerá as operações ocorridas no período compreendido entre 1º.08.2008 e 31.12.2011. Devem ser observados os procedimentos de emissão de nota fiscal para esta operação. ( RICMS-SC/2001, Anexo 2, arts. 165 a 171) 6. Operações com sementes de eucalipto A suspensão do ICMS prevista no item 4 aplica-se às operações com sementes de eucalipto promovidas por produtores rurais estabelecidos nos Estados de Santa Catarina e São Paulo, para fins de industrialização através do processo de peletização, em estabelecimento industrial situado no Estado do Rio Grande do Sul. A suspensão prevista neste item fica condicionada: a) ao retorno para o produtor rural, no prazo de 180 dias, contados da data da respectiva saída; b) à regularidade e à idoneidade fiscal da operação e ao cumprimento da legislação fiscal de regência; c) ao destaque e ao recolhimento do ICMS sobre o valor da industrialização efetuada pelo estabelecimento industrial. Devem ser observados os procedimentos de emissão de nota fiscal para esta operação.
( RICMS-SC/2001, Anexo 2, arts. 172 a 174 ) 7. Remessa de milho em grão e farelo de soja do Estado do Rio Grande do Sul para industrialização neste Estado A suspensão do imposto aplica-se à saída em retorno, aos estabelecimentos encomendantes abaixo indicados da Cooperativa de Produção e Consumo Concórdia (Coperdia), situados no Estado do Rio Grande do Sul, de milho em grão e farelo de soja utilizados na fabricação de ração para suíno, promovida pelo estabelecimento da própria empresa, situado no município de Concórdia, inscrição no CCICMS nº 254.023.257, desde que atendido o disposto a seguir: a) filial Aratiba, inscrição estadual nº 004/0009939; b) filial Severiano de Almeida, inscrição estadual nº 230/005039; c) filial Gaurama, inscrição estadual nº 051/0010377; d) filial Três Arroios, inscrição estadual nº 321/0003051; e) Filial Capo-Erê, inscrição estadual no 039/0136816; A suspensão prevista neste tópico: a) aplica-se somente às operações com milho em grão e farelo de soja remetidos com suspensão do imposto pelos estabelecimentos relacionados neste tópico, no período compreendido entre 1.08.2006 a 31.10.2012; b) fica condicionada a que o retorno para os estabelecimentos encomendantes seja efetuado no prazo de 120 dias improrrogáveis, contados da data da respectiva saída; c) está condicionada à regularidade e à idoneidade fiscal da operação e ao cumprimento da legislação tributária. Na saída dos produtos industrializados em retorno ao estabelecimento encomendante, o industrializador emitirá nota fiscal, na qual deverão constar, além dos demais requisitos, a natureza da operação "Retorno de Industrialização por Encomenda", e, ainda: a) o valor da mercadoria recebida para industrialização e o valor adicionado, destacando deste o das mercadorias empregadas e demais importâncias debitadas; b) o destaque do imposto relativo ao valor adicionado pelo industrializador; c) no campo Informações Complementares: c.1) o número, a série e a data da Nota Fiscal pela qual foram recebidas as mercadorias em seu estabelecimento para industrialização, bem como o nome, o endereço e os números das inscrições, federal e estadual, do seu emitente; c.2) a expressão "Procedimento autorizado pelo Protocolo ICMS nº 25/2006 ". O número do Protocolo ICMS nº 25/2006 deverá ser indicado em todos os documentos fiscais emitidos nos termos deste tópico. ( RICMS-SC/2001, Anexo 2, arts. 157 a 159, na redação dada pela alteração nº 2.488, publicada através do Decreto nº 3.599/2010 ) 8. Operação triangular de industrialização Nas operações em que um estabelecimento encomende a industrialização de mercadorias, fornecendo matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de terceiro, os quais, sem transitar pelo estabelecimento adquirente, sejam entregues pelo fornecedor diretamente ao industrializador, serão observados os procedimentos descritos a seguir. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 71 ) 8.1 Pelo estabelecimento fornecedor O estabelecimento fornecedor deverá: a) emitir Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, com destaque do imposto, se devido, em nome do estabelecimento adquirente, autor da encomenda, consignando, além dos demais requisitos exigidos, o nome, o endereço e os
números de inscrição no CCICMS e no CNPJ do estabelecimento em que os produtos serão entregues, bem como a circunstância de que se destinam à industrialização; b) emitir Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, para acompanhar o transporte das mercadorias, sem destaque do imposto, em nome do estabelecimento industrializador, consignando, além dos demais requisitos exigidos, o número, a série e a data da Nota Fiscal referida na letra "a" e o nome, o endereço e os números de inscrição no CCICMS e no CNPJ do adquirente. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 71, I) 8.2 Pelo estabelecimento industrializador O estabelecimento industrializador, na saída do produto industrializado com destino ao adquirente, autor da encomenda, deverá emitir Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A consignando, além dos demais requisitos exigidos, as seguintes indicações: a) o nome, o endereço e os números de inscrição no CCICMS e no CNPJ do fornecedor; b) o número, a série e a data da nota fiscal emitida pelo fornecedor; c) o valor da mercadoria recebida para industrialização e o valor das mercadorias empregadas; d) o destaque do ICMS, se devido, calculado sobre o valor total cobrado do autor da encomenda. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 71, II) 8.3 Trânsito por mais de um estabelecimento industrializador Nas situações em que as mercadorias tiverem que transitar por mais de um estabelecimento industrializador antes de serem entregues ao adquirente, autor de encomenda, cada industrializador deverá: a) emitir Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, para acompanhar o transporte das mercadorias ao industrializador seguinte, sem destaque do ICMS, consignando, além dos demais requisitos exigidos, as seguintes indicações: a.1) que a remessa se destina a industrialização por conta e ordem do adquirente, autor da encomenda, que será qualificado nessa nota; a.2) do número, da série e da data da nota fiscal relativa às mercadorias recebidas em seu estabelecimento e o nome, o endereço e os números de inscrição no CCICMS e no CNPJ de seu emitente; b) emitir Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, em nome do estabelecimento adquirente, autor da encomenda, consignando, além dos demais requisitos exigidos, as seguintes indicações: b.1) o número, a série e a data da Nota Fiscal relativa às mercadorias recebidas em seu estabelecimento e o nome, o endereço e os números de inscrição no CCICMS e no CNPJ do seu emitente; b.2) o número, a série e a data da Nota Fiscal referida na letra "a"; b.3) o valor das mercadorias recebidas para industrialização e o valor total cobrado do autor da encomenda, destacando deste o valor das mercadorias empregadas; b.4) o destaque do ICMS, quando devido, calculado sobre o valor total cobrado do autor da encomenda. ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 72 ) 8.4 Remessa de produtos agropecuários para industrialização Na remessa de produtos agropecuários, por produtor inscrito no Registro Sumário de Produtor (RSP), para industrialização em estabelecimento de terceiro, situado em Santa Catarina, quando o produto resultante da industrialização destinar-se ao consumo próprio do remetente, será observado o seguinte: a) o produtor emitirá Nota Fiscal de Produtor para acompanhar o transporte dos produtos; b) o estabelecimento industrializador emitirá, como contranota, Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, para fins de entrada consignando, como natureza da operação, "Entrada para industrialização por encomenda". Na remessa do produto industrializado, o estabelecimento industrializador emitirá: a) Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, consignando, como natureza da operação, "Industrialização efetuada para outras empresas";
b) relativamente à mercadoria que eventualmente permanecer no seu estabelecimento a título de pagamento pela industrialização: b.1) Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, para fins de entrada, consignando, como natureza da operação, "Compras para industrialização ou comercialização"; b.2) Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, consignando, como natureza da operação, "Industrialização efetuada para outras empresas", mencionando no corpo do documento "Remessa simbólica de mercadoria recebida para industrialização, que permanece no estabelecimento industrializador" e indicando o número e a série da Nota Fiscal referida no subitem "b.1". ( RICMS-SC/2001, Anexo 6, art. 73 ) 9. Interpretação da Sefaz sobre a aplicação do diferimento cujo industrializador é optante do Simples Nacional Desde 21.12.2009 foi divulgada a interpretação da Sefaz sobre a tributação nos casos da aplicação do diferimento do imposto do valor acrescido na hipótese de retorno de industrialização de mercadorias para conserto, reparo ou industrialização onde o estabelecimento industrializador é optante do Simples Nacional. A empresa que realizar o reparo, o conserto ou a industrialização, por ocasião da apuração relativa ao Simples Nacional deverá segregar a receita bruta conforme disposto na Resolução CGSN nº 05/2007, art. 3º ; aplicando na parcela de sua receita bruta proveniente de operações submetidas ao diferimento previsto no RICMS/SC, Anexo 3, art. 8º, X, os percentuais previstos na tabela 9, da Seção II do Anexo II da Resolução CGSN nº 05/2007, posto que os percentuais constante dessa tabela excluem o imposto estadual. De acordo com a interpretação, aplica-se o diferimento do imposto na parcela do valor acrescido, nos casos de retorno de mercadoria recebida para conserto, reparo ou industrialização de estabelecimento industrializador optante pelo Simples Nacional desde que o destinatário seja contribuinte do imposto e dê posterior saída desta mercadoria. O Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) criou a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo do Simples Nacional as operações de circulação de mercadorias submetidas à substituição tributária, para frente ou para trás, no âmbito do ICMS. Os demais tributos devidos pelos Supersimples deverão ser apurados na forma prevista na legislação. (Resolução Normativa SEF/Copat nº 63/2009 ) 10. Exemplos Suponhamos que determinada empresa industrial remeta 500 caixas de suco de abacaxi, com 12 garrafas de 370 ml em cada caixa (valor por caixa = R$ 12,00), para serem acondicionadas em embalagens promocionais "Pague 2 e leve 3". O industrializador, para realização da operação, empregará no respectivo processo 1.000 kg de papel celofane, que adquiriu de terceiros ao preço de R$ 2,00/kg, e cobrará R$ 2.000,00 pela mão-de-obra empregada. Assim, temos os seguintes elementos: Remessa das mercadorias (500 cx. X R$ 12,00) R$ 6.000,00 Material aplicado na industrialização (1.000 kg/papel X R$ 2,00) R$ 2.000,00 Mão-de-obra cobrada na execução do serviço R$ 2.000,00 Vejamos como fica a emissão e a escrituração das notas fiscais de remessa e de retorno das mercadorias. 10.1. Nota fiscal de remessa para industrialização NOTA FISCAL DE REMESSA PARA INDUSTRIALIZAÇÃO
10.2 Escrituração da nota fiscal de remessa ESCRITURAÇÃO DA NOTA FISCAL DE REMESSA
10.3 Nota fiscal relativa à industrialização efetuada por outra empresa NOTA FISCAL RELATIVA À INDUSTRIALIZAÇÃO EFETUADA POR OUTRA EMPRESA
10.4 Escrituração da nota fiscal de retorno Escrituração da nota fiscal de retorno Legislação Referenciada RICMS-SC/2001 Decreto nº 3.599/2010 Protocolo ICMS nº 25/2006 Resolução CGSN nº 05/2007 Resolução Normativa SEF/Copat nº 63/2009 RIPI/2010 Sobre a IOB Política de Privacidade Copyright 2009 IOB Todos os direitos reservados