MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS, COOPERAÇÃO E COMUNIDADES SÍNTESE DAS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES INTRODUÇÃO O Iº Encontro dos Órgãos de Comunicação e Informação de Caboverdianos na Diáspora, realizado na cidade do Mindelo, entre 14 e 17 de Dezembro de 2004, contou com a participação de 30 responsáveis vindos de 10 países de emigração caboverdiana da África, da América da Europa, e ainda cerca de 10 participantes residentes em Cabo Verde. Teve por objectivos: partilhar perspectivas de abordagem sobre a informação e comunicação na diáspora; avaliar a qualidade de intervenção dos meios de informação e comunicação na diáspora; apresentar recomendações que contribuam para uma melhor informação e comunicação na diáspora; promover e reforçar parcerias entre o IC e os responsáveis dos meios de informação e comunicação na diáspora. Este Encontro constituiu um momento particular de intensa reflexão sobre os problemas e desafios da informação e comunicação na diáspora, bem como de busca comum de soluções num contexto marcado por profundas transformações tecnológicas do qual resultaram as seguintes conclusões e recomendações. 1º Encontro dos Responsáveis de Comunicação e Informação na Diáspora: Conclusões e Recomendações 1
CONCLUSÕES a. Apesar de existirem iniciativas importantes, é necessário investir mais na informação e comunicação para estimular os contactos entre os emigrantes e Cabo Verde, já que ainda há muita informação de interesse para o emigrante que não é divulgada; b. As novas tecnologias revolucionaram a situação nos meios de comunicação social, pondo à nossa disposição possibilidades de divulgar informações que, há alguns anos, eram impensáveis, quebrando algum isolamento; c. Hoje, há muitos emigrantes que têm acesso a Web sites, Jornais, Rádios e Televisões. Estes terão, portanto, menos problemas de informação e comunicação com Cabo Verde e com as outras comunidades; d. Apesar da Imprensa continuar a ter um papel importante na informação à diáspora, a Rádio e a Televisão são os meios de comunicação que mais e melhor chegam junto dos emigrantes e, por isso, têm servido para o esclarecimento das comunidades na Diáspora; e. É preciso uma instituição que reúna e disponibilize todas as informações para o emigrante para todos os meios de comunicação; f. O Instituto das Comunidades (IC) não tem vocação para ser produtor de informação, mas sim um facilitador de meios. Deve provocar e estimular a procura de respostas para os problemas, proporcionando o estabelecimento de parcerias estratégicas entre empresas e órgãos de comunicação social; g. O projecto «Initiative África», da People TV, é uma experiência interessante que deve ser divulgada, porque contém pistas que podem ser exploradas em benefício da informação para as comunidades caboverdianas; h. É lamentável que nem todas as iniciativas de informação provenientes da diáspora não tenham eco em Cabo Verde; i. A imagem de Cabo Verde e das comunidades caboverdianas precisa ser mais trabalhada, tanto em Cabo Verde como nos países de acolhimento, no sentido da valorização do Caboverdiano e das suas iniciativas positivas; 1º Encontro dos Responsáveis de Comunicação e Informação na Diáspora: Conclusões e Recomendações 2
j. O movimento associativo constitui um elemento essencial na produção e divulgação da informação e no desenvolvimento da comunicação; k. Em muitos países não se conseguiu, ainda, criar rádios comunitários, principalmente, devido a dificuldades organizacionais; l. A média on-line tem as vantagens de ser mais barata e de ser acessível em tempo real; m. Não existe uma política clara e definida de informação e comunicação para a Nação Global Caboverdiana; RECOMENDAÇÕES AO GOVERNO DE CABO VERDE 1. É necessário definir uma política clara para a comunicação e informação para a Nação Global Caboverdiana. 2. Criar condições para tornar disponíveis informações aos meios de comunicação da diáspora. 3. Capacitar a Inforpress transformando-a numa verdadeira Agência de informação com uma forte vertente virada para as comunidades caboverdianas. 4. Promover, na diáspora, a criação de Rádios Comunitárias dirigidas aos caboverdianos. 5. Promover a comunicação entre os meios de comunicação existentes no seio das comunidades e Cabo Verde, não apenas trocas de informações. 6. Facilitar o acesso as novas tecnologias de informação, evitando assim, a info-exclusão. 7. Criar condições para que os meios de comunicação tenham melhores condições de trabalho. 8. Intervir junto da CPLP no sentido de introduzir a problemática da informação e comunicação na sua agenda. 9. Melhor aproveitamento da CPLP para facilitar a formação de agentes de Comunicação. 10. Criar o programa radiofónico Cabo Verde Global. 1º Encontro dos Responsáveis de Comunicação e Informação na Diáspora: Conclusões e Recomendações 3
11. Criar uma central de produção de informação pensada para a diáspora. RECOMENDAÇÕES AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO DE CABO VERDE 12. Produzir e disponibilizar aos meios de comunicação da diáspora informações específicas direccionadas para os emigrantes. 13. Direccionar melhor a informação para os emigrantes, tendo em consideração os interesses específicos de cada comunidade e a sua possibilidade de acesso à mensagem que lhe é destinada. 14. Uma parte das iniciativas de programas de rádio tem a sua origem nos estudantes, por isso, recomenda-se que os meios de comunicação e as instituições direccionem as suas atenções no sentido de aproveitar as suas potencialidades neste processo. RECOMENDAÇÕES AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO DA DIÁSPORA 15. Produzir e disponibilizar aos meios de comunicação em Cabo Verde informações sobre as comunidades. 16. Criar formas de levar a informação aos que não têm acesso a Web sites, Jornais, Rádios e Televisões. 17. A Rádio e a Televisão devem divulgar a informação que mais interessa às comunidades. 18. Tornar eficaz a divulgação da informação para os emigrantes. 19. Utilizar outras línguas que não apenas o crioulo na comunicação, mas também a língua do país de acolhimento. 20. Promover uma atitude pró-activa do emigrante perante a informação. 21. Criar um canal de Televisão destinada à comunidade caboverdiana nos EUA. 1º Encontro dos Responsáveis de Comunicação e Informação na Diáspora: Conclusões e Recomendações 4
22. Produzir uma informação que promova a dupla cidadania nos países de acolhimento e em Cabo Verde. 23. Os meios de comunicação social na Europa e as associações devem organizar-se em federações, ou em outras formas, com o intuito de obter fundos da União Europeia. 24. Os profissionais dos meios de comunicação devem conhecer muito bem as legislações dos países de acolhimento, nesta área, para poderem tirar benefícios das condições estabelecidas. 25. Os órgãos de Comunicação na Diáspora com mais experiência deveriam encontrar formas de apoiarem os que ainda estão a iniciar. RECOMENDAÇÕES AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO DA NAÇÃO CABOVERDIANA 26. Os profissionais de comunicação social de Cabo Verde e da Diáspora devem dar maior atenção às iniciativas positivas de caboverdianos tanto no seio da Diáspora como em Cabo Verde. 27. Devem dar uma imagem positiva e valorativa dos cidadãos caboverdianos. Recomenda-se aos participantes do Encontro: a. A criação de um grupo de monitorização e seguimento das recomendações, através da continuação de contactos. b. A divulgação destas recomendações com vista a obter apoios para a sua materialização. A COMISSÃO DE REDACÇÃO José Mário Barros Júlio Santos Rocha Aleida Monteiro 1º Encontro dos Responsáveis de Comunicação e Informação na Diáspora: Conclusões e Recomendações 5