Escola Secundária de Oliveira do Douro A tecnologia e a ética Eutanásia João Manuel Monteiro dos Santos Nº11 11ºC Trabalho para a disciplina de Filosofia Oliveira do Douro, 14 de Maio de 2007
Sumário B Bibliografia... 8 C Conclusão... 7 D Desenvolvimento... 4 I Introdução... 3 2
Introdução Seleccionei para tema de investigação a temática da eutanásia, por ser um tema complexo, bastante controverso e em constante debate na sociedade em que vivemos, pois à medida que a ciência evolui, mais questões são levantadas no confronto entre ética e tecnologia. Eutanásia pode ser definida como um acto voluntário de uma pessoa que sofrendo uma grave doença e não vendo dignidade nu sentido para a continuação da sua vida, decide pedir a alguém que lhe seja concedido o direito à morte. As situações mais comuns reportam-se a pacientes que estão totalmente dependentes nas suas funções mais elementares, sofrem de grandes dores ou têm a perspectiva de uma morte muito dolorosa. Este conceito está intrinsecamente ligado com as nossas vivências em sociedade, às nossas crenças religiosas, à nossa moral, ética e à maneira como encaramos a morte. Desde o dia em que nascemos, a nossa vida é influenciada pelo meio em que vivemos, pela forma como fomos educados e pela maneira como nos relacionamos com os outros. Tudo isto faz com que a nossa personalidade seja única e não existam duas pessoas iguais. Por este motivo, é muito complicado existir um consenso para um tema tão controverso como a eutanásia. A problemática dos avanços da medicina, que, nos últimos cinquenta anos têm sido enormes, e por isso, deixam sempre na dúvida se poderá, num futuro muito próximo, existir uma cura para uma doença que até esse dia tivesse levado muita gente à prática da eutanásia. Será que vale a pena esperar? Em caso de doentes em coma vegetativo, existem máquinas que substituem praticamente todas as funções vitais do ser humano. Até que ponto é que o ser humano pode interferir na sua própria natureza? Até que ponto podemos adiar a morte? Até quando conseguirão os avanços tecnológicos prolongar a vida de um ser humano? O Homem é um ser que vive em sociedade e que durante a sua vida se encontra em diversos grupos. São as diferenças culturais e as suas especificidades que trazem as diferentes teorias e opiniões sobre a eutanásia. Esta diferença faz com que a sua legislação seja diferente de país para país, de acordo com as suas mentalidades e com a maneira como a morte é vista. 3
Desenvolvimento Desde a antiguidade que ouvimos histórias em que alguns povos já eram praticantes da eutanásia. Esta discussão em torno dos valores culturais, éticos e religiosos já remonta à Grécia Antiga. Platão e Sócrates, entre outros, defendiam que o sofrimento provocado pela doença justificava o suicídio do enfermo. Já Aristóteles e Hipócrates, entre outros, eram contra a prática desse acto. A discussão sobre a eutanásia atravessou toda a história da humanidade. Durante todo este tempo existiram/existem argumentos a favor e contra que vão de encontro às nossas vivências, crenças e pela maneira que vemos a morte. As pessoas a favor defendiam/defendem que o doente tem direito a morrer com dignidade as pessoas contra afirmavam/afirmam que só Deus pode decidir quando morremos. Eutanásia é a prática pela qual uma pessoa, em perfeita consciência, devido a muito sofrimento e não encontrando nenhuma razão para continuar a viver, decide pôr fim à sua vida, duma forma não dolorosa, pois sofre duma doença incurável. Neste momento, a eutanásia representa uma questão de bioética e biodireito. É um assunto bastante controverso, recheado de prós e contras, provocando um dilema, e de teorias que se vão alterando ao longo do tempo mas que se regem todas pelo valor da vida humana. Eutanásia é um conceito muito vasto e existem alguns outros conceitos intrinsecamente ligados a ela, como a distanásia, a ortotanásia, a própria morte e a dignidade humana. Neste momento existem vários tipos de eutanásia, a activa e a passiva: Eutanásia activa é a prática pela qual o doente decide pôr termo à sua vida pedindo a um profissional que o ajude a concretizá-la. A Eutanásia passiva não provoca deliberadamente a morte, mas são interrompidos todos os cuidados médicos e não só, que, à medida que o tempo passa, o doente acabará por falecer. Importantes também são os conceitos de distanásia e ortotanásia: A distanásia defende que devem ser tomadas todas as medidas que visem prolongar a vida de um ser humano mesmo que este esteja a sofrer e que não exista possibilidade de cura. 4
A ortotanásia opõe-se à distanásia, na medida em que defende o momento natural da morte de um indivíduo. Significa que se deve deixar morrer um ser humano em paz, sem que se promova e acelere esse processo de deixar a vida. Deve-se distinguir ortotanásia de eutanásia passiva, pois este último não deixa de fornecer os cuidados necessários ao doente para que este sobreviva de forma deliberada. A ortotanásia defende que estes cuidados devem ser interrompidos totalmente num determinado momento da vida do doente. Existem ainda dois conceitos bastante importantes que estão relacionados com a eutanásia e que são, talvez, a causa de este tema ser tão controverso: a morte e a dignidade humana. A morte é o fim ou interrupção definitiva da vida, é o fim da existência de um ser que respira, que se move, que tem sentimentos e emoções. A morte de um familiar ou amigo é sempre uma vivência dolorosa e por este motivo nem todas as pessoas conseguem compreender o facto de alguém querer pôr termo à vida e que exista alguém que esteja disposto a ajudar a fazê-lo. A dignidade humana vem acompanhada pelo respeito, honra e consciência que cada um de nós tem enquanto cidadão e ser humano. São as nossas características que nos tornam diferentes e únicos. Esta dignidade constrói-se através dos valores essenciais da sociedade em que estamos inseridos. No caso em que um ser humano em estado terminal queira recorrer à eutanásia, este tem direito à sua dignidade e ela passa por ser este ser tratado como um ser humano saudável e não por um que já estivesse sem vida. A eutanásia é um tema em constante debate pois existem pessoas que defendem que os doentes tem direito a morrer com dignidade mas existem outras que defendem que os homens não têm direito de pôr termo à vida. Este debate tem levantado aspectos importantes, pessoais, científicos, educacionais, religiosos, sociais e económicos na medida que se discute os direitos dos indivíduos e do acto de cidadania. Argumentos a Favor 5
Para as pessoas que defendam a eutanásia, acreditem que esta é a maneira de pôr termo ao sofrimento e a possibilidade de o doente ter direito a escolha e morrer com dignidade. Este tipo de raciocínio defende a autonomia individual e o seu direito de escolha da vida e na morte. Não se rege pelos códigos e regras da sociedade mas sim pelos direitos individuais dos seres que vivem em sociedade. Os que defendem a eutanásia não defendem a morte mas sim o direito à opção de escolha, estes afirmam que esta é a única maneira de o doente manter a dignidade pois mantê-lo vivo sem existir possibilidade de cura e em grande sofrimento é condenar estas pessoas a uma subvida. Argumentos contra A evolução das sociedades humanas é feita no sentido de preservar a vida humana independentemente das condições do seu ser. O valor da vida jamais pode ser posto em causa, pois mesmo que exista um pedido é sempre a morte de alguém. Quem a ajuda está a cometer um homicídio ou assassinato. Para as pessoas com crenças religiosas a eutanásia é a usurpação do direito da vida humana e este direito está apenas reservado a deus, só ele tem o direito de decidir de tirar a vida a alguém. Do ponto de vista médica, tendo em conta o juramento de Hipócrates, que considera a vida como um dom sagrado, o médico não pode ser juiz da vida ou da morte de alguém por isso a eutanásia é considerada homicídio. Por causa deste juramento, cabe aos médicos assistir e fornecer todo o tipo de cuidados necessários a sobrevivência do doente. Mesmo que se compreenda que um ser humano, ao se encontrar em plena agonia e num terrível sofrimento deseje morrer, a mentalidade da sociedade em que vivemos não está de todo preparada para a prática da eutanásia. Nos Países Baixos, a eutanásia já se encontra legalizada enquanto que em Portugal ainda não existe qualquer tipo de legislação. Vivemos num país de fortes crenças religiosas e por este motivo, para a maioria das famílias não existe a opção à eutanásia, pois para eles só ao Criador cabe a decisão de tirar a vida. 6
Conclusão Apesar de todos estes avanços tecnológicos, os médicos ainda não conseguem saber ao certo se um doente, em coma, irá ou não acordar. Isto porque eles ainda não encontraram, nos casos em que o doente acordou, um padrão que os ajude a explicar porque razão alguns acordam e outros não. Neste facto reside uma das grandes problemáticas da eutanásia, a dúvida, se valerá a pena um doente esperar por uma cura que poderá nunca surgir. As pessoas que são contra a eutanásia defendem que essa espera vale a pena pois a ciência encontra-se em constante mutação e todos os dias são feitas novas descobertas que seriam inimagináveis alguns anos atrás. Os defensores alegam que a dignidade do ser humano é o mais importante e que esta não pode ser posta nunca em causa. O Homem deve poder escolher morrer com honra se essa for a sua vontade. Este vai ser sempre um tema controverso, para o qual nunca vai existir um consenso independentemente do facto de no futuro poder existir uma lei que regulamente a prática da eutanásia em Portugal. Pensamos todos de forma diferente mas infelizmente todos vivemos numa sociedade de certezas absolutas quando a vida é muito mais que isso Por isso o consenso sobre este tema é tão difícil de se conseguir. 7
Bibliografia Wikipedia. http://pt.wikipedia.org/wiki/eutan%c3%a1sia (consultado a 25 de Abril de 2007) Sapo. http://eutanasia.no.sapo.pt (consultado a 25 de Abril de 2007) Aldeia. http://eutanasia.aaldeia.net/ (consultado a 1 de Maio de 2007) 8