TRANSCRIÇÃO DE STORYTELLING PROCESSO RIDE TEST SUB-PROCESSO EXECUÇÃO DE RIDE TEST DESCRIÇÃO TRANSCRIÇÃO DO STORYTELLING DA EXECUÇÃO DE RIDE TEST: DE CAMINHÕES E ÔNIBUS (VOLKSWAGEN) DE VEÍCULOS LEVES COM CARGA (VOLKSWAGEN E PEUGEOT)
CARLOS ADAIR DE MORAES ROTEIRO DE STORYTELLING PROCESSO RIDE TEST SUB-PROCESSO: EXECUÇÃO DE RIDE TEST MONTADORA: VOLKSWAGEN / PEUGEOT TIPO DE VEÍCULO: LEVE COM CARGA / PESADO (CAMINHÕES E ÔNIBUS) ENTREVISTADO INÍCIO DA ATIVIDADE PRINCIPAIS PONTOS A SEREM ABORDADOS Como se inicia a execução do Ride Test? ASSUNTOS COMPONENTES E INFRAESTRUTURA NECESSÁRIOS PARA ESTA ATIVIDADE DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE TÉRMINO DA ATIVIDADE Qual seria o checklist que deve ser feito antes de sair para um Ride Test? Que documentos devem ser consultados para a execução do Ride Test? Qual a sequência de testes de avaliação que deve ser seguida? O que deve ser observado em cada tipo de teste? Quais os tipos de piso em que o Ride Test é executado? No final dos testes o que deve ser realizado? Como ficam documentadas todas as alterações ocorridas neste processo?
PROCESSO RIDE TEST SUB-PROCESSO: EXECUÇÃO DE RIDE TEST MONTADORA: VOLKSWAGEN / PEUGEOT TIPO DE VEÍCULO: LEVE COM CARGA / PESADO (CAMINHÕES E ÔNIBUS) TRANSCRIÇÃO DO STORYTELLING Veículos leves com carga: Carro com até duas pessoas é considerado vazio. Com relação a carro carregado, só fazemos no fim do Ride Test. Porque você tem que carregar o carro, é uma condição diferente, em que o usuário tem um pouco mais de cuidado. Uma vez acertado o código com o carro vazio, carregamos o carro e fazemos nova avaliação, para ver se não ocorre nenhum absurdo no carro. Pode ser que carrego o carro e começa a dar batente de compressão. Coisa que vazio não deu e começou a pegar. Ou aparece uma movimentação no carregado, porque no carregado sua massa é maior, ela vai te arremessar mais, normalmente isso acontece na traseira. Precisa avaliar isso, se isso está ruim, ou está num ponto aceitável, ou seja, o carro está carregado, tem uma movimentação um pouquinho maior, mas bem controlada, então ok. Se contudo, achamos que não ficou bom, que está num ponto em que pode haver reclamação, então tem que se mexer. Então um dia antes carregamos o carro, antes de terminar o Ride, normalmente faço assim. Se o Ride vai terminar na sexta, na quinta carregamos o carro, damos uma andada e vemos se realmente está ok, para dar tempo de dar uma mexida, descarregar, e depois rodar vazio, ver se ficou bom. Carro carregado então normalmente é no fim, não se começa com carro carregado.
Caminhões: Caminhão tem um adendo. Não se pega serra, só se roda na Dutra, porque caminhão você roda com ele carregado. Caminhão já começa carregado. O acerto é mais ou menos igual, tem as mesmas etapas. Só que numa lombada, caminhão se passa a zero por hora, caminhão nem 10 km/h dá. Caminhão dificilmente o motorista erra uma lombada, pois vem com mais cuidado também, pois o carro está carregado. Então trecho de lombada você até passa, mas não dá para verificar grandes coisas na lombada. O forte da coisa é na estrada. É o piso irregular, é o asfalto liso com pequenas deformações. Você vê muito mais movimentações, como esse caminhão se movimenta, o roll, mudança de faixa, pois você muda de faixa. Você não vai para a serra. Não quer dizer que caminhão não faça serra. Mas fazendo um acerto desses na estrada está ok. Entramos em paralelepípedo também para ver se transmite ou não. O acerto é praticamente o mesmo do que para automóveis. Eles querem um roll bom, que não tenha tanta aspereza, trepidação, vibração, caminhão também quer tudo isso. Você faz então praticamente os mesmos acertos, só que em trechos diferentes, trechos menores. Roda mais longo na estrada, você vai buscando mais coisas na estrada, enquanto que automóvel roda menos na estrada, mas é mais diversificado. Apesar de que com caminhão entramos um pouco na terra também, não na mesma terra que pessoal com automóvel entra, uma outra terra. Uma terra um pouco mais perto, não tão severa quanto a que entra com o automóvel.
Ônibus: Ônibus é o mesmo acerto, nas mesmas condições, mesmo local. O diferencial está entre ônibus e caminhão, um acerto diferente. No caso temos que verificar bem o vazio no ônibus, porque tem pessoas entrando o tempo todo. Fazemos carregado primeiro, totalmente carregado, depois tiramos meia carga do ônibus, e depois andamos com ele vazio. É comum acontecer que depois que acertou tudo, e vamos rodar com ele vazio, termos um desconforto grande na traseira do carro. Pois a traseira do ônibus é o pior lugar que tem. É o lugar que arremessa, que é mais duro. O melhor lugar é o meio do ônibus, entre o meio e o motorista ficam os melhores lugares, pois seu ponto de movimentação é menor. Nesse caso verificamos se os arremessos são grandes, se são coisas que estão perturbando, se estamos sentindo um desconforto grande. Se sim, então temos que mexer. Muitas vezes o problema não é do amortecedor, está na mola. Porque normalmente os ônibus trabalham com dois estágios. Um estágio para vazio (primeiro estágio), um estágio para carregado (segundo estágio), em que está tudo flexionado ali, a carga está em cima, e então está trabalhando tudo em cima de um conjunto. E às vezes, no primeiro estágio ele está duro ou já está muito perto do segundo estágio. Qualquer movimentação ele flexiona a lâmina e ela já pega no segundo estágio, e ocorrem aquelas trancadas nas costas, te arremessam do banco, terrível. Então tem que chamar o moleiro. Muitas vezes tiro até o amortecedor. Não tem nem carga de amortecedor que está segurando isso. Está muito ruim, está muito perto.
Chama-se o moleiro, mostra-se o problema, já verificam uma solução, no momento, para arrumar lá, tirar uma lâmina. Leva-se o feixe no moleiro, para ele dar uma acertada, para depois configurar isso na fábrica dele já acertado. Isso é um tipo de quebra-galho, quando é possível fazer isso. Senão ele tem que recalcular isso, mandar de volta. Talvez até tenhamos que passar lá um dia, dois dias, para ver se vazio ficou bom mesmo, não tem problema, mas aí já está dependendo do moleiro. E isso acontece com freqüência, pois vazio no ônibus é meio complicado. Por isso quando se está acertando o ônibus, no carregado, tem que tomar um certo cuidado de não prender demais o ônibus, deixar o ônibus muito preso, porque quando ficar vazio, essa curva vai segurar também, então vai piorar isso. Então tem que ver uma condição boa, em que ele não arremesse demais no carregado, e se tiver arremessando, você não segurar muito também, porque isso depois vai dar problema no vazio. Além da mola, o problema pode também estar no amortecedor. Algumas vezes temos que mexer no próprio amortecedor. Às vezes tração, às vezes compressão. Tem que dar uma mexidinha para melhorar o vazio. Normalmente se mexe de média para alta. De média para alta você tem que dar uma aliviada. Tem casos de você ter no vazio um arremesso de lançamento em que a mola estava boa, mas o amortecedor estava segurando demais. O ônibus dá a movimentação, o amortecedor segura e você toma uma trancada que você dá aquela pancada. Então tem que dar uma soltadinha. Então depende do que ocorre no ônibus. Principalmente o ônibus, porque o ônibus é mais chato de acertar. E principalmente o ônibus urbano, porque ele trabalha pegando uma pessoa, duas pessoas, três pessoas. Já o ônibus rodoviário é mais tranquilo, não tem grandes problemas.
Diferenças entre as montadoras: Com relação a diferenças entre montadoras, no que se refere a caminhões e ônibus, a Mercedes Benz usa o mesmo trecho que a Volkswagen está fazendo. Sai daqui para fazer o Ride lá no Rio, usa a Dutra e faz o mesmo trajeto. O acerto é praticamente o mesmo entre as montadoras. Todo mundo quer a mesma coisa: um bom rendre, que não tenha roll e que tenha uma absorção que passe nas nuvens. Todo mundo quer, mas nem sempre consegue. Ponto importante a ser verificado durante um Ride Test em geral: Se eu tenho uma caída de roda absurda, uma pancada, eu não vou ficar mexendo em baixa. Porque também está ruim em baixa, eu sei que está ruim e eu vou ter que mexer, mas eu vi uma coisa muito pior. Então vou chegar, tirar o amortecedor, desmontar. E verificar se meu anel no pistão está perfeito, se não teve nada ali, alguma coisa errada que foi montada, qualquer problema. Vamos mudar para a segunda câmara que é maior e ver se resolve. Vou também verificar o carro. Se o carro não está com alguma abertura. Se a atitude do carro está muito alta e já estou entrando em stop hidráulico, se tem algum problema. Pois posso ter algum problema no carro também. Então tem que verificar tudo isso. Não adianta ficar trabalhando se estou com uma coisa ruim e vai ficar batendo, batendo, pois vamos perder muito tempo. Já vai estar meio caminho andado com esses acertos, mas não dá para você ficar passando em lombada e batendo, batendo, é até ruim para trabalhar. Então é importante olhar o carro como um todo. Sempre vejo isso, se tem alguma coisa muito absurda, para às vezes partir para cima disso. Porque às vezes você pode até ter que parar o Ride. Se a pessoa tem que desenvolver uma mola nova e ela não tem, a coisa está tão ruim, tem que parar, e ela tem então que resolver o projeto dela, e refazer.
Do protótipo para o carro novo: Às vezes o carro pesava 100 kgs a mais e agora não pesa mais. Se eu tiro 100 kgs, vou ter mais movimentação no carro, vou ter que acertar. Não fazer um acerto desde aquele do início, mas alguma coisa vou ter que parar. Talvez tenha que dar uma mexidinha na tração, de média. Ou pode ser até que ele começou a rolar mais também com essa mexida que fizeram. O protótipo é um ponto de partida. Esse protótipo vai ser mexido sem estarmos mexendo nele. Eles vão corrigir esse aumento de peso, e pode surgir uma idéia de uma mola que acham que é melhor, ou a pessoa calculou, e acha que essa mola pode quebrar porque a tensão dela está no limite, e vem com uma nova mola.