Legislação, Doutrina e Jurisprudência ÚLTIMO DIÁRIO PESQUISADO 29/04/2015 ANO: 49 2015 FECHAMENTO: 29/04/2015 EXPEDIÇÃO: 03/05/2015 PÁGINAS: 174/169 FASCÍCULO Nº: 17 Sumário TRABALHO ENUNCIADO Aprovação Portaria 10 SRT...170 ESTRANGEIROS Concessão de Visto Resolução Normativa 116 CNI...170 RELAÇÕES DO TRABALHO Enunciados Portaria 10 SRT...170 SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional Orientação...173 SINDICALIZADO Conceito Enunciado 64 SRT...170 SISTEMA HOMOLOGNET Implantação pelo MTE Portaria 107 SRTE-MG...169 JURISPRUDÊNCIA FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO É da reclamada o ônus de provar a regularidade dos depósitos do FGTS, porquanto detém a documentação do contrato e, por decorrência, a melhor aptidão para a prova...169 TERCEIRIZAÇÃO Ainda que lícita a terceirização, caso ocorra lesão aos direitos do trabalhador, por omissão da tomadora dos serviços, está configurada a responsabilidade subsidiária...169 LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 174
TRABALHO FASCÍCULO 17/2015 COAD TRABALHO ORIENTAÇÃO SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional Empresa deve elaborar PCMSO para preservar a saúde dos empregados Neste Comentário, vamos analisar a obrigatoriedade da elaboração e implementação do PCMSO Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, bem como as diretrizes gerais a serem observadas na sua execução. O PCMSO é um programa que especifica procedimentos e condutas a serem adotados pelas empresas em função dos riscos aos quais os empregados se expõem no ambiente de trabalho. 1. FINALIDADE DO PROGRAMA O PCMSO tem como objetivo a preservação da saúde dos empregados, em função dos riscos existentes no ambiente de trabalho e de doenças profissionais. As diretrizes e os parâmetros mínimos para funcionamento do PCMSO foram estabelecidos pela Norma Regulamentadora 7, conhecida como NR-7. Contudo, essas condições podem ser ampliadas mediante negociação coletiva do trabalho. O Programa será realizado através de profissional competente que desenvolverá um estudo para reconhecimento prévio dos riscos ocupacionais existentes em cada local de trabalho. Trata-se de uma pesquisa de campo feita através de visitas aos locais de trabalho para análise dos processos produtivos, postos de trabalho, informações sobre ocorrências de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, atas da Cipa Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e mapas de risco. Com base nesse estudo, o médico vai confeccionar o programa e estabelecer os exames clínicos e complementares específicos para a prevenção ou detecção precoce dos agravos à saúde dos empregados da empresa. Enfim, a empresa deverá planejar e implementar o seu PCMSO com base no risco que a atividade desenvolvida possa provocar à saúde dos seus empregados. A prevenção deve observar a relação saúde x trabalho. 1.1 ESTRUTURA A legislação não fixou nenhum modelo padrão para a elaboração do programa. A complexidade do Programa depende basicamente dos riscos existentes em cada empresa, das exigências físicas e psíquicas das atividades desenvolvidas e das características de cada grupo de empregados. Isto significa dizer que, para algumas empresas, o Programa pode se resumir à simples realização de avaliações clínicas de rotina; em outras, entretanto, poderá ser muito complexo, contendo avaliações clínicas especiais, exames toxicológicos com curta periodicidade, avaliações epidemiológicas, dentre outras providências. 2. EMPRESAS OBRIGADAS Todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados estão obrigados a elaborar e implementar o PCMSO. 2.1. PRESTADORAS DE SERVIÇOS A empresa que contratar mão de obra por intermédio de empresa prestadora de serviços deverá informar a esta os riscos decorrentes da execução do trabalho, auxiliando inclusive na elaboração e implementação do PCMSO no local onde o serviço for prestado. Em outras palavras, quando o serviço for prestado fora da sede da tomadora do serviço, a empresa prestadora do serviço é que vai implementar o PCMSO no local onde ele estiver sendo realizado. 3. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA É da inteira responsabilidade do empregador: a) garantir a elaboração e a efetiva implementação do PCMSO, zelando pela sua eficácia; b) custear, sem ônus para o empregado, todos os procedimentos relacionados ao PCMSO; c) indicar, dentre os médicos do Sesmt Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho da empresa, um coordenador responsável pela execução do PCMSO. 3.1. MÉDICO COORDENADOR RESPONSÁVEL No caso de a empresa estar dispensada de manter o Sesmt, o médico responsável para coordenar o PCMSO poderá ser um médico especializado em medicina do trabalho contratado ou não como empregado. Se na localidade onde estiver situada a empresa não existir médico do trabalho, poderá ser contratado médico de outra especialidade para coordenar o PCMSO. A Secretaria de Inspeção do Trabalho, através do Precedente Administrativo 94/2009, ratificou a determinação que o PCMSO, desde que atendidos os requisitos normativos, pode ser elaborado por qualquer Médico do Trabalho, não havendo obrigatoriedade de ser integrante do SESMT, nem mesmo de ser empregado. Quando houver SESMT com médico, ele é quem deve coordenar e executar o PCMSO. 3.1.1. Atribuições Ao médico coordenador do PCMSO compete: a) realizar os exames médicos ou encarregar os mesmos a profissional médico familiarizado com os princípios de patologia ocupacional e suas causas, bem como com o ambiente, as condições de trabalho e os riscos a que está ou será exposto cada empregado da empresa a ser examinado; b) encarregar-se dos exames complementares, profissionais e/ou entidades devidamente capacitados, equipados e qualificados. O profissional encarregado pelo médico coordenador de realizar os exames médicos, uma vez que pratica ato médico e assina o ASO Atestado de Saúde Ocupacional, deve estar registrado no CRM Conselho Regional de Medicina da Unidade da Federação em que atua. Quando o médico coordenador do PCMSO delegar a outro profissional a realização dos exames, recomenda-se que esse ato seja feito por escrito, e este documento fique arquivado na empresa. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 173
COAD FASCÍCULO 17/2015 TRABALHO 3.2. EMPRESAS DESOBRIGADAS DE INDICAR MÉDICO COOR- DENADOR Estão desobrigadas de indicar médico coordenador do PCMSO as empresas: a) com até 25 empregados, desde que enquadradas no grau de risco 1ou2; b) com até 10 empregados, desde que enquadradas no grau de risco 3ou4. Mediante negociação coletiva de trabalho, também poderão ficar dispensadas de indicar médico coordenador as empresas cujo número de empregados esteja compreendido entre: a) 26 e 50, se enquadradas no grau de risco 1 ou 2; b) 11 e 20, se enquadradas no grau de risco 3 ou 4. Na hipótese da letra b, a negociação coletiva deverá ser obrigatoriamente assistida por profissional do órgão competente em segurança e saúde no trabalho. Todavia, as empresas mencionadas neste item poderão ficar obrigadas à indicação de médico responsável pelo PCMSO por determinação da SRTE Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, com base em parecer técnico conclusivo da autoridade regional competente em matéria de segurança e saúde do trabalhador, ou em decorrência de negociação coletiva, quando suas condições de trabalho representarem potencial de risco grave aos respectivos empregados. O fato de a empresa estar dispensada de manter médico coordenador do PCMSO não significa dizer que ela está desobrigada de realizar os exames médicos que analisaremos a seguir. Essas empresas devem realizar os exames médicos de seus empregados através de médico que necessariamente conheça o local de trabalho. Isto porque, sem a análise do local de trabalho, é impossível uma avaliação adequada da saúde do trabalhador. 4. EXAMES MÉDICOS Tendo em vista que o PCMSO deve ter caráter de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce dos agravos à saúde relacionados ao trabalho, inclusive de natureza subclínica (situação em que o trabalhador adoece sem a manifestação de sintomas), além da constatação da existência de casos de doenças profissionais ou danos irreversíveis à saúde do trabalhador, a NR-7, para fins do desenvolvimento do programa, estabeleceu que fossem realizados os seguintes exames médicos, sem ônus para os empregados: a) admissional; b) periódico; c) de retorno ao trabalho; d) de mudança de função; e e) demissional. 4.1. O QUE COMPREENDEM OS EXAMES Os exames mencionados anteriormente compreendem: a) avaliação clínica, abrangendo anamnese ocupacional (que é uma entrevista realizada pelo médico com a intenção de diagnosticar uma doença) e exames físico e mental; b) exames complementares a critério do médico. Os exames médicos complementares solicitados pelo médico do trabalho também devem ser custeados pela empresa. 4.2. ADMISSIONAL OU PRÉ-ADMISSIONAL Após a realização do processo de recrutamento e seleção, o próximo passo da empresa é encaminhar o candidato selecionado à realização do exame médico, quando então vai ser determinada a sua admissão ou não. O exame médico admissional deve ser realizado antes de o empregado assumir suas funções, não sendo fixado na legislação um prazo de antecedência para a realização do mesmo. Isto porque, caso o exame médico seja satisfatório, a empresa poderá, se assim desejar, contratar o candidato, ou, no caso do mesmo ser considerado inapto, a empresa recorre a um dos demais candidatos já aprovado no processo de recrutamento e seleção e o encaminha para o exame médico. 4.3. PERIÓDICO A avaliação clínica no exame médico periódico deve observar os seguintes prazos: a) anualmente, para os empregados menores de 18 anos e maiores de 45 anos de idade; b) a cada 2 anos, para os empregados entre 18 e 45 anos de idade. 4.3.1. Doenças Ocupacionais e Crônicas No caso de trabalhadores expostos a riscos ou situações de trabalho que impliquem o desencadeamento ou agravamento de doença ocupacional, ou, ainda, para aqueles que sejam portadores de doenças crônicas, os exames devem respeitar a seguinte periodicidade: a) a cada ano ou a intervalos menores, a critério do médico encarregado, ou se notificado pelo médico agente da inspeção do trabalho, ou, ainda, como resultado de negociação coletiva do trabalho; e b) a cada 6 meses, para os trabalhadores expostos a condições hiperbáricas (sujeito à pressão superior à pressão atmosférica). 4.4. RETORNO AO TRABALHO O exame médico de retorno ao trabalho somente será obrigatório quando o empregado ficar afastado da atividade por período igual ou superior a 30 dias, em virtude de: a) doença ou acidente, de natureza ocupacional ou não; ou b) parto. Esse exame deve ser realizado, obrigatoriamente, no primeiro dia de volta ao trabalho. 4.5. MUDANÇA DE FUNÇÃO Esse exame somente será obrigatório quando a nova função expuser o empregado a riscos diferentes daqueles a que estava exposto antes da mudança. O referido exame deverá ser realizado antes de o empregado passar a exercer a nova função. 4.6. DEMISSIONAL O exame médico demissional poderá deixar de ser exigido, dependendo da data em que o empregado realizou seu último exame. Com base na legislação, ficou definido que o exame médico demissional deve ser realizado, obrigatoriamente, até a data da homologação da rescisão do contrato de trabalho, desde que o último exame tenha ocorrido há mais de: a) 135 dias, quando se tratar de empresas com grau de risco 1 ou 2, podendo esse prazo ser ampliado por mais 135 dias em decorrência de negociação coletiva; b) 90 dias, no caso de empresas enquadradas em grau de risco 3 ou 4 esse prazo também poderá ser ampliado por até mais 90 dias, em decorrência de negociação coletiva. 4.6.1. Negociação Coletiva A negociação coletiva deverá, obrigatoriamente, ser assistida por profissional indicado de comum acordo entre as partes ou por profissional do órgão local competente em segurança e saúde do trabalho. Entretanto, por determinação do SRTE, com base em parecer técnico conclusivo da autoridade regional competente em matéria de segurança e saúde do trabalhador, ou em decorrência de negocia- LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 172
TRABALHO FASCÍCULO 17/2015 COAD ção coletiva, as empresas poderão ser obrigadas a realizar o exame médico demissional independentemente da época de realização de qualquer exame, quando suas condições representarem potencial de risco grave aos empregados. 4.7. TESTE DO VÍRUS HIV Considerando que é proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso à relação de emprego ou a sua manutenção, o MTE Ministério do Trabalho e Emprego determinou que não é permitida, de forma direta ou indireta, nos exames médicos por ocasião da admissão, mudança de função, avaliação periódica, retorno, demissão ou outros ligados à relação de emprego, a realização de teste para detectar no trabalhador a presença do HIV Vírus da Imunodeficiência Humana, doença mais conhecida no Brasil como AIDS. 5. ATESTADO DE SAÚDE OCUPACIONAL Para cada exame médico realizado pelo PCMSO deverá ser emitido, em duas vias, o ASO Atestado de Saúde Ocupacional. A primeira via do ASO deve ficar à disposição da fiscalização do trabalho, devidamente arquivada no local de trabalho, inclusive nas frentes de trabalho ou canteiros de obras. A segunda via do atestado deve ser obrigatoriamente entregue ao empregado, mediante recibo na primeira via. 5.1. REQUISITOS MÍNIMOS O atestado médico deverá conter, no mínimo: a) nome completo do empregado, o número de registro de sua identidade e sua função; b) os riscos ocupacionais específicos existentes, ou a ausência deles, na atividade do empregado, conforme instruções técnicas expedidas pela SSST Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho; c) indicação dos procedimentos médicos a que foi submetido o empregado, inclusive os exames complementares e a data em que foram realizados; d) nome do médico coordenador, quando houver, com o respectivo CRM; e) definição de apto ou inapto para a função específica que o trabalhador vai exercer, exerce ou exerceu; f) nome do médico encarregado do exame e endereço ou forma de contrato; g) data e assinatura do médico encarregado do exame e carimbo contendo seu número de inscrição no CRM. 5.2. PRONTUÁRIO OU FICHA CLÍNICA Os dados obtidos nos exames médicos, incluindo avaliação clínica e exames complementares, as conclusões e as medidas aplicadas deverão ser registrados em prontuário clínico individual, que ficará sob a responsabilidade do médico coordenador do PCMSO, ou seu sucessor, quando for o caso. O prontuário médico é um documento que contém informações confidenciais da saúde da pessoa, por essa razão o seu arquivamento deve ser feito de modo a garantir o sigilo das mesmas. Esse documento deverá ser arquivado, no mínimo, pelo período de 20 anos contados a partir do desligamento do empregado. 6. DOENÇAS PROFISSIONAIS Uma vez constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, o médico coordenador ou encarregado do PCMSO deverá tomar as seguintes medidas: a) solicitar à empresa a emissão da CAT Comunicação de Acidentes do Trabalho; b) indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição de conduta previdenciária em relação ao trabalho; d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. 7. RELATÓRIO ANUAL Deve ser elaborado um relatório anual do PCMSO com o planejamento das ações de saúde a serem executadas durante o ano. Nesse relatório devem ser discriminados, por setor da empresa, o número e a natureza dos exames médicos, incluídas avaliações clínicas e exames complementares, estatísticas de resultados, considerados anormais, bem como o planejamento para o próximo ano. 7.1. CIPA O relatório anual deve ser apresentado e discutido nas reuniões da Cipa, quando a empresa for obrigada a mantê-las, permanecendo uma cópia do mesmo anexada ao livro de atas. 7.2. ARMAZENAMENTO DAS INFORMAÇÕES O relatório anual pode ser armazenado sob a forma de arquivo informatizado desde que propicie o imediato acesso por parte do agente de inspeção do trabalho. 7.3. DISPENSA DE ELABORAÇÃO Estão dispensadas de elaborar o relatório anual as empresas desobrigadas de indicar médico coordenador do PCMSO. Nestas empresas, recomenda-se a elaboração de um relatório anual contendo, minimamente: a relação dos exames com os respectivos tipos, datas de realização e resultados (conforme o ASO). 7.4. REGISTRO OU ENVIO Não há necessidade de registro ou envio do relatório anual à SRTE, ou a qualquer órgão vinculado ao MTE. 8. PRIMEIROS SOCORROS Em todos os estabelecimentos deve ser mantido material necessário à prestação de primeiros socorros, guardado em local adequado sob os cuidados de pessoa devidamente treinada para esse fim. O equipamento destinado à prestação do socorro deve ser apropriado às características da atividade desenvolvida na empresa. A NR-7 não define quais são os materiais necessários à prestação de primeiros socorros, sendo conveniente que este fato seja verificado junto ao médico coordenador do Programa ou ao sindicato da categoria, caso exista essa previsão no acordo coletivo. 9. PENALIDADE O não cumprimento das normas relativas ao PCMSO sujeita a empresa, conforme a gravidade da infração, à penalidade que varia de R$ 402,23 a R$ 4.024.43. Em caso de reincidência, embaraço ou resistência à fiscalização, emprego de artifício ou simulação com o objetivo de fraudar a lei, a multa será aplicada em seu valor máximo que corresponde a R$ 4.024,43. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL: Portaria 290 MTb, de 11-4-97 (Informativo 16/97); Portaria 1.246 MTE, de 28-5-2010 (Fascículo 22/2010); Portaria 3.214 MTb, de 8-6-78 Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho NR-7 e 28 (Portal COAD); Ato Declaratório 10 SIT, de 3-8-2009 Precedente Administrativo 94 (Fascículo 32/2009). LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 171
COAD FASCÍCULO 17/2015 TRABALHO PORTARIA 10 SRT, DE 24-4-2015 (DO-U DE 28-4-2015) RELAÇÕES DO TRABALHO Enunciados SRT altera Enunciados 61 e 62 que esclarecem questões sindicais A SRT SECRETARIA DE RELAÇÕES DO TRABALHO, através do ato em referência, altera o Enunciado 61 SRT/2014, aprovado pela Portaria 7 SRT, de 15-10-2014 (Fascículo 42/2014), que dispõe sobre mediação para resolução de conflitos de representação sindical, e renumera o Enunciado 62 SRT/2015, aprovado pelo Despacho S/N SRT, de 19-3-2015 (Fascículo 12/2015), relativo ao esclarecimento do termo sindicalizado, que passa a ser denominado Enunciado 64 SRT/2015. Eis o novo teor do Enunciado 61: MEDIAÇÃO. CONFLITO DE REPRESENTAÇÃO SIN- DICAL. A mediação para resolução de conflitos de representação sindical, a que se refere o art. 24 da Portaria nº 326/2013, deverá seguir os seguintes procedimentos elencados neste enunciado: Esclarecimento COAD: O artigo 24 da Portaria 326 MTE/ 2013 (Fascículo 10/2013) dispõe que, a qualquer tempo, as entidades sindicais envolvidas em conflito de representação poderão solicitar à SRT ou às SRTE Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego e Gerências a realização de mediação. I ( ) II ( ) III ( ) IV Havendo acordo entre as entidades sindicais interessadas sobre a resolução do conflito, a SRT fará análise do acordado e, verificando que o resultado não envolve base e/ou categoria além do que já são representados pelos interessados, e atendido o art. 511 da Consolidação das Leis do Trabalho, a SRT publicará no DOU o resultado da mediação, informando a representação final de cada entidade para que, no prazo estabelecido na ata lavrada conforme art. 4º do art. 23 da Portaria nº 326/2013 sejam apresentados os estatutos contendo os elementos identificadores da nova representação sindical acordada; (NR) Esclarecimentos COAD: O artigo 511 da CLT Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei 5.452/43 (Portal COAD), determina que é lícita a associação para fins de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou profissionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou profissionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou profissão ou atividades ou profissões similares ou conexas. O 4º doartigo 23 da Portaria 326 MTE/2013 estabelece que, na hipótese de acordo entre as partes, na ata deverá constar objetivamente a representação de cada entidade envolvida resultante do acordo e o prazo para apresentação, ao MTE, de estatutos que contenham os elementos identificadores da nova representação. V ( ) VI ( ) Os procedimentos elencados acima deverão ser aplicados, integralmente, nos casos em que a contenda entre as partes envolvidas for pré-existente. Na hipótese do conflito envolver entidade cujo processo ainda se encontre em trâmite na Secretaria de Relações do Trabalho, não se aplica o item IV. Ref.: Art. 24 da Portaria nº 326, de 1º de março de 2013. RESOLUÇÃO NORMATIVA 116 CNI, DE 8-4-2015 (DO-U DE 27-4-2015) ESTRANGEIROS Concessão de Visto CNI disciplina concessão de visto aos estrangeiros O CNI Conselho Nacional de Imigração, por meio do ato em referência, revoga a Resolução Normativa 101 CNI, de 23-4-2013 (Fascículo 17/2013), para disciplinar novas regras concernentes à concessão de visto temporário ao estrangeiro que pretenda vir ao Brasil em viagem cultural ou em missão de estudos, bem como divulga o Termo de Compromisso, para fins de realização de pesquisas no país. O visto temporário poderá ser concedido, pela autoridade consular brasileira, ao cientista, ao pesquisador, ao professor e ao profissional estrangeiro para participar de conferências, seminários, congressos ou reuniões, caracterizados como eventos certos e determinados, por período que não ultrapasse 30 dias, quando receber pró-labore por suas atividades. Poderá ser concedido o visto de turista ao cientista, ao pesquisador, ao professor e ao profissional estrangeiro que se enquadre nas situações citadas anteriormente, desde que não receba remuneração por suas atividades, mesmo que obtenha ressarcimento das despesas de estada, diretamente ou por intermédio de diárias. Cientistas, pesquisadores, professores ou profissionais estrangeiros sob contrato de trabalho ou aprovados em concurso público, junto à instituição brasileira de ensino e/ou de pesquisa, estarão sujeitos apenas à autorização do Ministério do Trabalho e Emprego para concessão de visto de trabalho. O visto temporário de estudante poderá ser concedido ao estudante de qualquer nível de graduação ou pós-graduação, inclusive àqueles que participam de programas denominados sanduíche, com ou sem bolsa concedida pelo governo brasileiro. Caso não seja contemplado com bolsa de estudo, o estudante estrangeiro deverá comprovar, junto à autoridade consular brasileira, que possui seguro-saúde, dispõe de recursos suficientes para manter-se durante o período de estudo e que se encontra matriculado ou formalmente aceito em instituição de ensino ou de pesquisa no Brasil. LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 170
TRABALHO/JURISPRUDÊNCIA FASCÍCULO 17/2015 COAD PORTARIA 107 SRTE-MG, DE 27-4-2015 (DO-U DE 28-4-2015) SISTEMA HOMOLOGNET Implantação pelo MTE SRTE-MG torna obrigatória a utilização do homolognet em Araxá A SRTE-MG SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO TRA- BALHO E EMPREGO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, por meio do ato em referência, estabelece a obrigatoriedade da utilização do Sistema Homolognet, a partir de 1-6-2015, na Agência Regional do Trabalho e Emprego de Araxá, em Minas Gerais, para fins de assistência à homologação da rescisão do contrato de trabalho. JURISPRUDÊNCIA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO AUSÊN- CIA DO AUTOR ATESTADO MÉDICO REQUISITOS Deixando de constar do atestado médico apresentado a declaração da impossibilidade de locomoção e o horário em que realizado o atendimento, o documento não se presta para o fim de justificar a ausência da parte à audiência para a qual havia sido devidamente intimada para prestar depoimento pessoal. Inteligência da Súmula nº 122 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho. (TRT-1ª R. RO 808-62.2010.5.01.0014 Rel. Des. Nelson Tomaz Braga Publ. em 21-1-2015) @150472 CONTRATO TEMPORÁRIO MULTIPLICIDADE FRAUDE CARACTERIZADA RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA A multiplicidade de contratos temporários, se sucedendo ao longo de quase três anos, com o mesmo tomador, descaracteriza o trabalho temporário e configura a fraude, em conjunto com a empresa de trabalho temporário. Não há como desonerá-lo da responsabilização subsidiária, inclusive por ser o real beneficiário da força de trabalho do empregado. (TRT-1ª R. RO 1366-82.2012.5.01. 0040 Relª Desª Angela Fiorencio Soares da Cunha Publ. em 21-1-2015) @150465 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FATO GERADOR PAGAMENTO COM ATRASO ATUALIZAÇÃO MONETÁ- RIA DEVIDA A teor do artigo 30 da Lei nº 8.212/91, o fato gerador da obrigação tributária previdenciária não é a sentença condenatória nem o seu trânsito em julgado, mas o momento em que o salário, ou qualquer outra quantia, é devido pela contraprestação do trabalho, razão pela qual se pago com atraso, é devida a atualização monetária, juros e multas, em conformidade com a legislação previdenciária que rege a matéria. Sem razão, nesses termos, a Agravante, considerando-se que o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorre no momento do efetivo período da prestação do trabalho, incidindo juros de mora desde a época das competências apuradas. (TRT-1ª R. AP 102400-42.2009.5.01.0061 Rel. Des. José Antonio Piton Publ. em 27-1-2015) @150467 DANO MORAL ASSALTOS NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA INDENIZAÇÃO DEVIDA Evidenciada a ocorrência de danos morais sofridos por ocasião dos assaltos ocorridos nas dependências da empresa, quando a empregada estava no exercício das atividades laborais, encontram-se presentes os pressupostos para impor ao empregador a obrigação de indenizar. (TRT-4ª R. RO 889-74.2013.5.04.0029 Rel. Des. Ricardo Carvalho Fraga Publ. em 29-1-2015) @150497 EMPREGADO PÚBLICO CONVERSÃO DE EMPREGO EM CARGO EFEITOS JURÍDICOS SOBRE O CONTRATO DE TRABALHO A conversão de regime celetista para estatutário provoca a rescisão do contrato de trabalho mas não gera todos os efeitos de uma terminação normal, por iniciativa do patrão. A baixa do contrato na CTPS é possível porque se trata agora de relação institucional de emprego com o ente público. Da mesma forma, os depósitos do FGTS podem ser levantados pelo empregado. (TRT-1ª R. RO 10013-42.2014.5.01.0284 Rel. Des. José Geraldo da Fonseca Publ. em 16-1-2015) @150459 FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO RE- GULARIDADE DOS DEPÓSITOS ÔNUS DA PROVA Esta Relatora entende ser da reclamada o ônus de comprovar a regularidade dos depósitos do FGTS na conta vinculada do trabalhador, porquanto detém a documentação do contrato e, por decorrência, a melhor aptidão para a prova. Essas diferenças, contudo, poderão ter saldo zero, pois devem ser apuradas em liquidação de sentença. No caso, considerando que a empresa não trouxe aos autos os extratos do FGTS ou qualquer outro documento apto a comprovar tal recolhimento, presume-se pela existência de diferenças em prol do trabalhador. Recurso não provido. (TRT-4ª R. RO 20041-65.2013.5.04.0205 Relª Desª Maria Madalena Telesca Publ. em 29-1-2015) @150494 TERCEIRIZAÇÃO LESÃO AOS DIREITOS DO TRABA- LHADOR RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA A terceirização é evento extraordinário na dinâmica trabalhista, onde a regra geral é a contratação direta de empregados pela empresa que pretende obter energia de trabalho, devendo ser utilizada em limites estritos, a fim de se preservar a sistemática protetiva do Direito do Trabalho. Ainda que lícita a terceirização, caso ocorra lesão aos direitos do trabalhador por omissão da tomadora dos serviços, está configurada a responsabilidade subsidiária. O agente mediato do dano causado ao vulnerável, deve ser responsabilizado, ainda que subsidiariamente, pelo prejuízo ocasionado ao empregado. (TRT-1ª R. RO 13100-28.2007.5.01.0065 Relª Desª Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva Publ. em 28-1-2015) @150476 LEGISLAÇÃO, DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 169