COMUNICAÇÃO EM PÚBLICO
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- Helena Sintra Coradelli
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1 COMUNICAÇÃO EM PÚBLICO Anna Alice Figueirêdo de Almeida (1) Leonardo Wanderley Lopes (2) Priscila Oliveira Costa Silva (3) Renata Serrano de Andrade Pinheiro (4) RESUMO Introdução: A oratória trata-se de método de discurso, a arte de como falar em público, ou ainda, um conjunto de regras e técnicas que permitem apurar as qualidades pessoais de quem se destina a falar em público. É um tema transversal inerente a todos os profissionais da voz ou população em geral que quer melhorar sua performance comunicativa. Objetivo: realizar uma revisão sistemática referente à comunicação em público com ou sem foco em profissionais da voz. Método: Foi realizada uma revisão sistemática, sem restrição do ano de publicação. Utilizaramse os descritores: comunicação em público, Fonoaudiologia, ciências da saúde ; falar em público, comunicação em suas combinações, nas bases de dados LILACS, nas bibliotecas online SCIELO e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, no Google acadêmico, nos Anais dos Congressos de Fonoaudiologia online, dissertações e teses do Departamento de Voz/SBFa, site de livraria específica da área e contato por com Instituições que tivessem o curso de Fonoaudiologia. (1) Fonoaudióloga. Doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Professora do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Vice-coordenadora do Departamento de Voz da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), gestão (2) Fonoaudiólogo. Doutor em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professor do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). (3) Fonoaudióloga da Prefeitura Municipal de Itapororoca. Mestre em Modelos de Decisão e Saúde pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). (4) Fonoaudióloga Clínica. Mestranda em Neurociências Cognitiva e Comportamento pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
2 Resultados: Após a busca foi encontrado um total de 34 artigos dentro da temática Comunicação em público produzida por fonoaudiólogos trabalhos encontrados foi extraída de anais de congressos, o que dificulta a aceitação e divulgação dos seus resultados no contexto científico brasileiros. A maioria dos trabalhos foi publicada em anais de congressos. Quanto à distribuição das publicações, observou-se um aumento no biênio 2009/2010. A concentração dos estudos está na categoria de profissionais da voz. Conclusão: Observou-se que há uma defasagem quanto ao número de publicações nessa área, provavelmente em virtude da dedicação científica a grupos e categorias específicas na área de Voz Profissional, ou ainda das dificuldades metodológicas para a execução de pesquisas voltadas à comunicação em público. A maior parte dos
3 INTRODUÇÃO Este capítulo se propõe a abordar um tema transversal que contempla a prática de diversos profissionais da voz, mas também várias pessoas se deparam com essa prática diária ou frequentemente. Diante do exposto, pensou-se em abordá-lo em um capítulo a parte para entender como a ciência fonoaudiológica vem abordando esse assunto que, sem dúvida, é um dos seus principais objetos de estudo. No período clássico, o falar bem e os padrões estéticos eram bastante valorizados. A oratória era estudada como componente da retórica, ou seja, composição e apresentação de discursos, e era considerada uma importante habilidade na vida pública e privada. Os homens públicos podiam convencer os outros de suas ideias políticas e filosóficas, mas caracterizava-se como uma ação elitizada, o que tornou o falar bem um dado primordial para definir a elite social. A oratória trata-se de método de discurso, a arte de como falar em público, ou ainda um conjunto de regras e técnicas que permitem apurar as qualidades pessoais de quem se destina a falar em público. Atualmente, a capacidade de se comunicar bem faz parte da exigência de mercado, que procura pessoas com qualificações profissionais, competências multifuncionais e várias disponibilidades. O falar em público é um dos medos mais presentes para a maioria das pessoas, independente do gênero, etnia ou idade (1,2). Dessa forma, acredita-se que o medo é a principal emoção a dificultar o discurso e a performance do orador em sua exposição pública. Esse medo pode ser causado pelo fato do indivíduo desconhecer o que irá acontecer durante sua exposição ao público, concomitante à ativação do Sistema Nervoso Autônomo, fato que irá gerar respostas fisiológicas e comportamentais frente a essa ansiedade antecipatória. As reações fisiológicas e comportamentais mais comuns na situação de falar em público são: comprometimento da memória, palpitações, respiração superficial, sudorese na palma da mão, diminuição de saliva na boca, mãos frias, aumento da tensão muscular, esquiva de enfrentar essa situação, restrição do vocabulário, disfluência, desconforto físico, tremores, entre outros sintomas (3). Em relação à comunicação, indivíduos com alto grau de ansiedade relatam dificuldade de projetar a voz e instabilidade ou tremor na voz, bem como apresentam
4 qualidade vocal global mais comprometida, com a ressonância laringo-faríngea, loudness aumentada, modulação reduzida ou repetitiva, articulação restrita, postura tensa, desvios de olhar, além de movimentação, expressão facial e gestos descontextualizados (3). Assim, a voz representa um importante indicador do estado afetivo na comunicação, bem como a expressão facial e gestual que são responsáveis pela comunicação não verbal das emoções. Dessa forma, percebe-se que o estado emocional resulta em um impacto direto na comunicação verbal e não verbal, principalmente quando falamos em comunicação em público (4,5). Diante de toda essa perspectiva, sabe-se que a Oratória ou comunicação/falar em público é durante anos alvo de estudos, abordagens e pensamentos científicos para nortear a competência comunicativa em diferentes contextos, desde indivíduos que, reconhecidamente, fazem uso profissional da voz, até aqueles que se beneficiam dessa abordagem nas relações interpessoais em contexto não profissional. Considerando o momento histórico atual, chamado de pós-modernidade, onde o indivíduo tem maiores oportunidades de mudança social, econômica e geográfica e, portanto, também deve possuir maior flexibilidade na sua comunicação para atingir seus objetivos, uma vez que grande parte do sucesso em diferentes profissões é atribuída às habilidades e atitudes relacionadas à comunicação, o papel do fonoaudiólogo é cada vez mais ampliado para uma abordagem que privilegie o desenvolvimento de competências comunicativas globais nos diferentes contextos de comunicação em público e nas relações interpessoais, sejam elas no âmbito profissional ou não. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é realizar uma revisão sistemática referente à comunicação em público com ou sem foco em profissionais da voz. MÉTODOS Foi realizada uma revisão sistemática, sem restrição do ano de publicação. A pesquisa nas bases de dado ocorreu no período de 01 a 15 de julho de Para captar trabalhos científicos relacionados à temática, utilizou-se os seguintes descritores: comunicação em público and Fonoaudiologia ; comunicação em público and ciências da saúde ; falar em público and Fonoaudiologia ; falar em público and ciências da saúde ; falar em público and comunicação.
5 Os descritores foram utilizados na base de dados LILACS, nas bibliotecas online SCIELO e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações / Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia ( e no Google acadêmico. Também se pesquisou sobre a temática nos Anais dos Congressos de Fonoaudiologia (anos de 2008 a 2012 disponíveis online), levantamento de dissertações e teses na área de voz realizado pelo Departamento de Voz/SBFa¹, bem como em site de livraria específica para livros de Fonoaudiologia e contato por com Instituições de Ensino Superior que têm o Curso de Fonoaudiologia listadas no site do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e instituições de ensino superior lato sensu da área de voz. Assim, foram incluídos trabalhos científicos, como: artigos, trabalhos publicados em anais de eventos científicos, livros, capítulos de livros, trabalho de iniciação científica, trabalho de conclusão do curso, monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado. Inicialmente, todos os títulos e resumos dos trabalhos encontrados foram lidos, quando estavam fora da temática abordada, foram descartados. Posteriormente, todas as produções científicas selecionadas foram digitadas em planilha específica onde foram consideradas as seguintes categorias: título e autores, o ano e tipo de produção. Na sequência, foram categorizados quanto ao público alvo do trabalho. Os dados foram analisados numérica e percentualmente. RESULTADOS Serão apresentados os resultados por cada ferramenta de busca isolada com as respectivas combinações de palavras-chave utilizadas e depois terá uma análise global dos trabalhos. Após a busca em todas as estratégias de buscas descritas acima, foram encontrados um total de 34 artigos dentro da temática Comunicação em público produzida por fonoaudiólogos brasileiros (Quadro 1).
6 Quadro 1. Número de trabalhos científicos encontrados e selecionados nas estratégias de busca NÚMERO DOS TRABALHOS POR ESTRATÉGIAS DE BUSCA LOCAL Nº TOTAL ENCONTRADOS Nº DE TRABALHOS APÓS EXCLUSÕES LILACS Comunicação em público = 138 resultados Falar em público = 195 resultados 1 artigo dentro da temática (6) Scielo Comunicação em público = 96 resultados Falar em público = 15 resultados Nenhum era publicação da área de fonoaudiologia Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações Comunicação em público x Fonoaudiologia = 270 resultados Comunicação em público / ciências da saúde = 273 resultados Falar em público / Fonoaudiologia = 30 resultados Falar em público / ciências da saúde = 57 resultados Falar em público / comunicação = 161 resultados Google acadêmico Comunicação em público = 91 Comunicação em público x fonoaudiologia = 12 Em público x fonoaudiologia = trabalhos dentro da temática (7-11) 2 artigos (12,13) Mesmos anteriores Mesmos anteriores + 01 mono + 01 tese (12-15) Site de Livraria especializada/ Livros Levantamento de Dissertações e teses na área de voz Higiene vocal/canto/coral = 20 Voz = trabalhos, sendo 191 dissertações de mestrado e 48 teses de doutorado 2 livros, 1 capítulo (16-18) 3 livros, 3 capítulos (19-24) 4 trabalhos dentro da temática, sendo 3 dissertações de mestrado e 1 tese de doutorado (3,9,25,26) Anais dos Congressos de Fonoaudiologia Todos os trabalhos de Voz apresentados nos Congressos de Fonoaudiologia dos anos de 2008 a trabalhos dentro da temática (27-38) Contato com Instituições de Ensino Superior (graduação e lato sensu na área de Voz) Envio de a 60 cursos de Fonoaudiologia e Pós-graduação lato sensu de voz, 12 retornaram o contato, com o total de 27 trabalhos enviados 01 artigo (39) Embora a área de comunicação em público seja um campo promissor para a atuação do fonoaudiólogo, em virtude do grande número de indivíduos que usam a
7 sua comunicação diante de grupos, seja em situação profissional ou não, a análise dos dados demonstra uma defasagem na quantidade de publicações nessa área. Além disso, a maioria dos trabalhos foi publicada em anais de congressos (Gráfico 1), o que pode dificultar a divulgação e aceitação dos trabalhos no contexto científico, visto que os periódicos são os principais meios de disseminação do conhecimento científico. A justificativa para esses achados pode estar pautada no próprio movimento na área de Voz nos últimos anos, principalmente no contexto profissional, migrando, paulatinamente, de uma visão clínica para uma visão mais abrangente e recente de competência comunicativa como ferramenta para o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo, o que inclui não somente a comunicação em público, mas a atitude comunicativa em todas as relações interpessoais. Além disso, a atuação fonoaudiológica no âmbito da comunicação em público envolve uma formação complementar para aprofundamento na temática. Observa-se também que na área de Voz Profissional houve uma maior dedicação, tanto em termos de pesquisa quanto de atuação, na compreensão das competências comunicativas associada às categorias específicas de profissionais da voz, como no caso dos radialistas, repórteres e apresentadores de telejornal, por exemplo. Em termos de pesquisa, também pode ser levantada uma questão metodológica que pode justificar o menor número de estudos na área da comunicação em público: a dificuldade da formação de grupos homogêneos, na seleção de voluntários e no controle de todas as variáveis que podem influenciar e se tornar um viés na execução de pesquisas nessa área, quando o critério de inclusão envolve indivíduos que não façam uso da comunicação em alguma categoria profissional específica. Gráfico 1. Apresentação da produção científica de acordo com o tipo de publicação
8 Monografia Tese Artigo Capítulo Livro Dissertação Anais Quanto à distribuição das publicações, apresentadas no Gráfico 2, observa-se um aumento no biênio 2009/2010. No entanto, não foi encontrada uma regularidade nem uma progressão no quantitativo de publicações, o que poderia ser esperado em virtude da relevância da comunicação em várias carreiras não catalogadas como profissionais da voz e no próprio desenvolvimento pessoal. Gráfico 2. Apresentação da produção científica de acordo com o ano de publicação Antes de
9 No Gráfico 3 observa-se que a maioria dos estudos está concentrada em categorias de profissionais da voz, mostrando uma tendência da área em se especializar na abordagem específica de competência comunicativa em determinados contextos profissionais. Por outro lado, existe uma lacuna quanto ao desenvolvimento de competência comunicativa no contexto das relações interpessoais de modo geral, mesmo em indivíduos que não fazem uso da voz em contexto profissional. Gráfico 3. Apresentação da produção científica de acordo com o público alvo População em geral Profissionais da Voz Universitários CONCLUSÕES A comunicação em público constitui-se cada vez mais em uma temática de bastante interesse social e científico, visto que o bom desempenho das habilidades comunicativas nesse contexto pode gerar benefícios e atribuir boa visibilidade ao indivíduo, seja em âmbito profissional ou não. Apesar disso, de acordo com levantamento aqui realizado, observa-se que há uma defasagem quanto ao número de publicações nessa área, provavelmente em virtude da dedicação científica a grupos e categorias específicas na área de Voz Profissional, ou ainda das dificuldades metodológicas para a execução de pesquisas
10 voltadas à comunicação em público. A maior parte dos trabalhos encontrados foi extraída de anais de congressos, o que dificulta a aceitação e divulgação dos seus resultados no contexto científico. Outro aspecto relevante é a ausência de regularidade da produção científica desta temática ao longo dos anos. Não se observa também aumento progressivo no número de publicações na área, o que poderia ser esperado em virtude do crescimento da importância da comunicação em várias carreiras e contextos da sociedade moderna. Dessa maneira, pode-se afirmar que este levantamento é útil não apenas para refletir as características da área, mas também para evidenciar uma necessidade de realização de pesquisas sobre a comunicação no âmbito do desenvolvimento pessoal e nas relações interpessoais em indivíduos que não são categorizados canonicamente como profissionais da voz. Assim, será possível viabilizar uma maior ampliação do conhecimento empírico e científico das habilidades comunicativas neste contexto específico.
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