SISTEMAS DE UNIDADES
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- Teresa Almeida Leal
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1 SISTEMAS DE UNIDADES Wilson Miguel Salvagnini Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Na Engenharia pode-se parafrasear o grande filósofo Chacrinha: - quem não mede, para se estrumbicar pede Estamos sempre medindo algo, comprimento, temperatura, pressão etc. Mas o que é medir? Medir nada mais é do que fazer uma comparação. Quando meço o comprimento de um duto, por exemplo, 5 metros, na verdade estou comparando o comprimento daquele duto com um padrão de comprimento chamado Metro, então o meu duto é 5 vezes maior do que o comprimento de algo chamado metro. Já que medir é comparar, quando quisermos medir algo podemos comparar com qualquer coisa. Assim, posso dizer que eu tenho uma altura de 9 palmos (de minha mão direita), mais 2 caixas de fósforos, (de comprido), e 5 larguras de palitos de fósforos, da mesma caixa. Outro exemplo: O rei George III da Inglaterra decidiu que o galão, medida de volume padrão para comparação, deveria ser igual ao volume do seu urinol. Vem daí o galão imperial. Ele enviou o urinol de sua esposa para as colônias para servir de padrão. E vem daí o galão americano. Isto é uma loucura! Cada um escolhe o que quiser para servir de comparação! É preciso racionalizar os padrões para comparação. Comprimento Uma das primeiras tentativas feitas para estabelecer um sistema mais racional de medidas e que deveria ser universal, surgiu em meados do século XVII, quando o padre Gabriel Mouton, vigário da Igreja de São Paulo, de Lyon, França, sugeriu a adoção como unidade de comprimento o arco de um meridiano terrestre compreendido pelo ângulo de 1 (um minuto) cujo vértice se situa no centro da terra. Este comprimento seria de aproximadamente 1851,8 m. As suas subdivisões deveriam ser em escala decimal. A sugestão de Mouton não foi adotada na época. Outra proposta semelhante foi consagrada 150 anos mais tarde, quando, em 1790, em plena Revolução Francesa, a Academia de Ciências de Paris, composta pelos maiores cientistas da época, foi encarregada de estabelecer um sistema de medidas unificado. Nasceu assim o sistema que deveria ser adotado por todos. A unidade de medida de comprimento, disseram os cientistas da a Academia de Ciências de Paris não precisa ter como referência medidas humanas como as unidades precedentes (braço, pé, passo etc.). Deve, ao contrário, referir se a algum comprimento fixo e invariável da natureza. O que teríamos melhor do que o planeta em que vivemos? É certo de que a Terra é um pouco grande para que a sua medida sirva como unidade, porém pode-se tomar um comprimento característico do globo por exemplo a distância entre o polo e o equador e dividi lo por um número suficientemente grande para se obter o
2 comprimento fixo, a unidade de medida procurada. Por este caminho se chegou ao metro, definido, a princípio, como a décima milionésima parte da distância do polo norte ao equador no meridiano que passa por Paris. Por volta de 1800 o metro passou a ser definido como o comprimento entre dois traços gravados nas extremidades de uma barra de platina depositada no instituto Internacional de Pesos e Medidas em Paris, França. Em 1870 uma nova barra, agora de Platina com Irídio, Platina Iridiada, para evitar desgaste com o tempo. Atualmente, a definição do metro data de 1960, baseada no comprimento de onda luminosa emitida por uma fonte considerada padrão, o Criptônio 86. O sistema métrico trouxe algo de muito bom com relação aos múltiplos e submúltiplos: uma escala decimal de grandezas. Raciocinar de 10 em 10 é muito mais fácil para o ser humano, que na pior das hipóteses pode usar os dedos da mão para ajudar a raciocinar.: Milímetro Centímetro Decímetro Metro Decâmetro Hectômetro Quilômetro (mm)...0,001 m (cm)...0,01 m (dm)...0,1 m ( m )...1 m (dam)...10 m ( hm ) m ( km ) m Repare como o sistema métrico decimal é mais racional que o sistema anglo-saxão (inglês) de medidas de comprimento: 1 polegada (25,4 cm) deve ser igual ao comprimento de três grãos de cevada alinhados. 1 jarda (0,914 m) deve representar a distância entre a ponta do nariz e o polegar, com o braço estendido, do rei Henrique I, Século XII; 1 pé igual a 12 polegadas (0,305 m). Sistema que os Ingleses tentaram impor ao mundo e quase conseguiram. Massa Se medir é comparar então, quando medimos a massa de um determinado objeto utilizando uma balança de dois pratos, como mostrado na figura 1, fica evidente que medir é comparar; comparar o peso do objeto com o peso de um corpo tomado como padrão. Mas, por acaso não estamos querendo medir a massa de um objeto? Como estamos comparando pesos? Na verdade, neste tipo de balança comparamos pesos: peso do objeto = peso padrão. Como o peso é igual ao produto da massa pela aceleração da gravidade no local (g), podemos escrever:
3 FIG. 1- Balança de pratos massa do peso padrão. g = massa do objeto. g cortando g massa do peso padrão = massa do objeto Assim comparamos as duas massas. A vantagem deste tipo de balança está no fato de que a medida é a mesma em qualquer ponto da Terra, no litoral ou no topo do Evereste, onde a aceleração da gravidade da Terra é menor. Por outro lado, as balanças que medem diretamente o peso, por meio de a distensão de uma mola, ou outro dispositivo eletrônico, não apresentam a mesma medida em pontos diferentes da Terra. O pessoal que vive nos Andes recebe muito mais peixe dos que aqueles que vivem em Santos quando compram 1kg de peixe, desde que a balança tenha sido calibrada em Santos. FIG.2 Balança de mola As balanças analíticas de laboratório, apesar de parecerem eletrônicas, comparam o peso de um dado objeto com pesos padrões que estão embutidos dentro da balança. Mas qual é a massa ou o peso padrão com o qual podemos fazer comparações? Podemos eleger qualquer coisa como um padrão de peso, por exemplo: 700 grãos de trigo que por ordem do rei Henrique VIII no século XVI, na Inglaterra, seria o peso padrão ou a libra. Mas era uma unidade muito grande para ser utilizada na pesagem de ouro ou prata, por isso ele dividiu a libra em 16 partes dando o nome de onça! Ainda hoje a onça é utilizada para o ouro. Definitivamente os reis da Inglaterra não gostavam de raciocinar em escala decimal. Os franceses, na mesma época que definiram o metro, 1790, teriam elegido como o padrão de massa o grama como a massa de 1 cm cúbico de água destilada à 4ºC. Apenas para construção de padrão representativo da unidade ter-se-ia adotado por convenção a massa de
4 1000 g; o quilograma. Estabeleceram também que os submúltiplos deste padrão de massa deveria obedecer a uma escala decimal, assim: grama (g) decagrama (dag) hectograma (hg) quilograma (kg) 0,001 kg 0,01 kg 0,1 kg 1 kg Isto é bem melhor do que utilizar a libra, a onça ou qualquer outra fera. Tempo Na idade média usava-se a ampulheta como medida de tempo, obviamente cada uma tinha a sua própria medida, seguramente a contagem do tempo era bem caótica. O mesmo raciocínio foi feito para a medida padrão de tempo, começou-se dividindo o dia em 24 partes iguais, a hora. Verificou-se que a hora era uma medida muito grande para boa parte dos eventos corriqueiros por isso, dividiu-se a hora em uma outra unidade de tempo 60 vezes menor, chamada de mínima, o nosso minuto. Novamente, foi necessário se estabelecer uma segunda e menor unidade de tempo dividiu-se o minuto em sessenta partes à qual se deu o nome de segundo, devido justamente ser uma segunda subdivisão de tempo. Foi este segundo escolhido como unidade padrão de tempo e definido como sendo a fração 1/86400 do dia solar médio. Mas como a duração do dia tem variação ao longo dos anos (o dia tem aumentado a sua duração de 0,5 s por ano!) em 1967 se estabeleceu uma definição mais rigorosa para o segundo: É a duração de períodos da radiação correspondente à transição de um elétron entre os dois níveis do estado fundamental do átomo de Césio 133. Os relógios atômicos podem medir o tempo com muita precisão fornecendo o padrão de comparação de tempo segundo muito confiavel. Sistema Métrico Decimal Reunindo-se os padrões de comparação para medidas de comprimento, metro; massa, quilograma; tempo, segundo e mais uma unidade de volume, o litro, igual a 1000 cm 3, e utilizando múltiplos e submúltiplos desses padrões em escala decimal tem se o chamado Sistema Métrico Decimal. Note que o sistema métrico decimal tem de permeio uma unidade de volume, o litro, que poderia muito bem ser substituído por cm 3 ou m 3. Mas o sistema métrico decimal não é um sistema próprio da engenharia ou ciência mas algo voltado mais para as transações comerciais e hoje em dia ele é utilizado quase que universalmente, apesar da resistência de Ingleses e Americanos. Grandezas Fundamentais e Derivadas A existência do litro chama a atenção para o fato de que poder-se-ia racionalizar mais os sistema de medidas que seria mais apropriado para a engenharia e para a ciência. A todo rigor não seria necessário definir o litro como uma unidade padrão porque ele pode ser colocado como uma unidade derivada do metro (=0,001 m 3 ). Se o metro é tomado como uma unidade fundamental, a unidade de área (m 2 ) é uma unidade derivada assim como a de volume (m 3 ). Se o metro e o segundo são tomados como unidades fundamentais, a velocidade (m/s) e a aceleração (m/s 2 ) são derivadas. A idéia é estabelecer o menor número de unidades, ditas fundamentais, a partir das quais qualquer outra unidade pode ser obtida através de relações algébricas. A escolha é arbitrária, mas o bom senso estabeleceu algumas como fundamentais. Para a mecânica, qualquer grandeza pode ter a sua unidade dada pela
5 combinação da unidade de comprimento, massa e tempo. Então escolhendo o metro, o quilograma e o segundo tem-se: Velocidade (m/s), aceleração (m/s 2 ), força (kg.m/s 2 ), energia (kg.m 2 /s 2 ), quantidade de movimento (kg.m/s), pressão (kg/(s 2.m)), etc. Este sistema foi consagrado na mecânica e recebe o nome de SISTEMA MKS (metro, quilograma, segundo). Neste sistema algumas unidades derivadas recebem nomes especiais: Para a força Newton, para a pressão, Pascal. Para a energia o Joule. Entretanto a coisa não é tão simples assim. Foi muito usado e ainda se encontra, principalmente na engenharia, unidades de um sistema no qual em vez da massa ser uma grandeza fundamental, a força é escolhida como fundamental. Este sistema é o MKS técnico ou MKS*. Neste sistema a grandeza fundamental é o quilograma força. Então no MKS* tem-se metro, quilograma força, segundo Para entender o quilograma - grama força imagine que um corpo sofra a ação de uma força igual a 1 kgf e adquira a aceleração de 1 m/s 2, então, a sua massa é igual a 1 unidade neste sistema: 1 kgf = 1 (unidade de massa) x 1 m/s 2 Assim a unidade de massa deste sistema foi batizada como Unidade Técnica de Massa o famoso utm que perdeu muito espaço para o kg (e hoje quase esquecido). Compare com o MKS, neste sistema a força é uma unidade derivada então o Newton é definido como a força que atua em uma massa de 1kg quando este adquire uma aceleração de 1m/s 2 1(unidade de força) = 1kg X 1m/s 2 Esta unidade de força é o Newton. O esquema da FIG. 3 pode ajudar a entender o Newton e o utm: FIG. 3 utm e kg A massa de 1kg no MKS pesa 9,8N mas no MKS* pesa 1kgf porque: No MKS: o peso de 1kg = 1kg X9,8m/s 2 = 9,8N No MKS*: o peso de 1kgf = mx9,8 m/s 2 m = 1/9,8utm.
6 O fato de 1kg no MKS pesar 1kgf no MKS* foi e ainda é uma grande fonte de confusão! É muito comum se falar que uma dada massa pesa 1kg, é óbvio que se está omitindo o f do kgf. Cuidado, é muito fácil misturar sistemas de unidades diferentes com o kg e o kgf. Nos sistemas de unidades inglesas acontece a mesma coisa ou pior. Também existe um sistema inercial onde as unidades fundamentais são: comprimento, massa e tempo. Comprimento: pé cuja abreviatura é ft (do Inglês feet) Massa: libra massa cuja abreviatura é lb m (em Inglês abrevia-se lb mas chama-se pound) Tempo: é o nosso conhecido segundo (s). O problema é que existem 3 tipos de libra: pound avoirdupois para grandezas comerciais equivalente a 0,435kg e divida em 16 onças (oz). pound troy para metais preciosos equivalente a 0,373kg subdividida em 12 onças. pound apothecaries (libra apotecária) para pesagem de drogas e produtos farmacêuticos também equivalente a 0,373kg. Normalmente em engenharia se utiliza a avoirdupois. Assim a unidade de força neste sistema é definido em função das unidades fundamentais: 1 unidade de força = 1lb m X 1ft/s 2 essa unidade de força é chamada de poundal Portanto poundal é a unidade de força no sistema inercial de unidades inglesas. Ao lado do sistema inercial inglês de unidades existe o ponderal onde as unidades são: comprimento, força e tempo: Comprimento: pé (ft); Força: libra força (lb f ) e Tempo (s) Usa-se como unidade fundamental a libra força. A libra força é definida como o peso de um corpo cuja massa é 1lb m. É a mesma coisa que acontece entre o MKS e o MKS* Assim, neste sistema, a massa é uma grandeza derivada: 1lb f = 1unidade de massa X 1ft/s 2 Esta unidade de massa recebe o nome de slug Então: 1lb f = 1slug x 1ft/s 2 A aceleração da gravidade da Terra no nível do mar é, em unidades inglesas: 32,2 ft/s 2. O peso de um corpo em 1lb f será: Peso em 1lb f = Massa em slug x 32,3ft/s 2 Peso em Poudals = Massa em lb m 32,2 ft/s 2 A figura 4 pode ajudar a entender o que acontece com estes sistemas:
7 FIG. 4 Libra massa e slug Sistema CGS Ao lado do sistema de unidades MKS e MKS* ainda se usa o sistema CGS onde as unidades fundamentais são o centímetro, o grama e o segundo. É um sistema inercial onde a força, uma unidade derivada e definida como: 1unidade de foça no CGS = 1g x 1cm/s 2 Essa unidade de força é chamada de dina 1kg= 1000g 1m/s 2 = 100cm/s 2 então 1N = 1000g x 100cm/s 2 = g.cm/s dina ou 1 N = 10 5 dina. O FAMIGERADO g c Em muitas fórmulas, principalmente em livros mais antigos, se encontra o termo g c. Este fator, aparece quando há mistura de diferentes sistemas de unidades, assim, em vez de se escrever: F = m.a F = força em Newtons, m = massa em kg e a = aceleração em m/s 2, escreve-se: F = m.a/g c F = força em kgf, m = massa em kg e a = aceleração em m/s 2. Misturamos o MKS e o MKS*, pode se encarar como sendo um truque para evitar o uso do utm. O valor de g c pode ser obtido sabendo que 1kg pesa 1kgf no local onde a aceleração da gravidade da Terra é 9,8067m/s 2 então, daí 1kgf = 1kg x 9,8067m/(s2.gc) g c = 9,8067kg.m/(s 2.kgf) Problema idêntico ocorre entre os sistemas inercial e ponderal ingleses. Deve ser utilizado o g c quando se tem a força em lb f e a massa em lb e ele vale 32,174lb.ft/(s 2.lb f ) UNIDADES DE ENERGIA Em todos os sistemas vistos anteriormente a energia é uma grandeza derivada, Partindo da definição de trabalho, que é energia, força x deslocamento pode-se escrever:
8 Sistema CGS dina.cm = erg Sistema MKS N.m = Joule Sistema MKS* kgf.m = quilogramagrâmetro Inglês inercial poundal.ft = sem nome especial Inglês ponderal lb f.ft = sem nome especial Um erg é mais ou menos a energia que você gasta para dar um piscada. E a caloria? A caloria é uma unidade de energia, cujo uso não é recomendado mas ainda muito utilizada. Ela é definida como a quantidade de energia necessária para elevar de 14,5 C a 15,5 C 1 g de água. Por ser 1 g é designada como caloria-grama. A caloria-grama eqüivale sempre, a uma quantidade de energia mecânica de 4,186J, o equivalente mecânico do calor. É interessante notar que é uma unidade definida com grandezas muito disponíveis, 1g de água e temperatura de 14,5ºC que é a temperatura média da água lá na Europa. Só que os Ingleses não ficaram atrás, também têm a sua unidade de energia: o BTU (british thermal unit) e eqüivale a 252 calorias grama, note que esta unidade é muito usada em em sistemas de ar condicionado. Temperatura A temperatura é uma grandeza cuja unidade não pode ser obtida por relações algébricas a partir do comprimento, massa e tempo. É desconhecida a origem de termômetro, mas de qualquer forma, em meados de 1600, o termômetro já era amplamente conhecido na Europa. E cada fabricante tinha a sua própria escala de medida. Era comum termômetros terem no meio uma marca l para mostrar a situação de temperatura confortável, acima desta marca havia 8 graus de calor e abaixo, oito graus de frio e cada grau por sua vez era subdividido em 60 minutos. Como toda medida teve um começo caótico, porém, Isaac Newton já intuiu que deveria acontecer uma racionalização propondo uma escala de temperatura na qual o ponto de congelamento da água fosse tomado como zero e a temperatura do corpo humano como 12º. Mesmo assim, em 1800, podia-se comprar um termômetro com 18 escalas diferentes! O desenvolvimento de um termômetro com uma escala padronizada começou com Daniel Gabriel Faherenheit. Inicialmente Faherenheit adotou como temperaturas de referência 32º para a temperatura de congelamento da água e 96º para a temperatura do corpo humano. Como o corpo humano é pouco confiavel (algumas pessoas apresentam sangue quente outros são pessoas muito frias) a marca de 96º não foi uma boa referência por isso ele passou a usar a temperatura de ebulição da água como sendo 212º. Nesta escala a água do mar congela a 100º e o corpo humano passa ater uma temperatura de 100º. Como o termômetro de Faherenheit vendeu bem, sua escala tornou-se largamente aceita. Já na França a escala de Faherenheit não foi aceita inicialmente. Lá, Réaumur; construiu um termômetro apropriado para os fabricantes de vinho. Sua escala ia de 0º para o gelo fundente e 80º para a água em ebulição. Semelhante foi o caso do sueco Anders Celsius que propôs uma escala dividida em 100 divisões (centígrados) adotando uma escala em que a água congele a 100 e entre em ebulição a 0º. Por coincidência, Lineu, amigo de Anders, que era canhoto, utilizou o termômetro de Anders de cabeça para baixo, assinalando 0 para
9 o congelamento da água e 100º para a ebulição e, então, sem perceber o erro recomendou o uso desta escala. Mais tarde William Thomson, posteriormente lorde Kelvin, imaginou uma escala de temperaturas baseado no conceito da máquina de calor ideal reversível de Sadi Carnot. Esta escala de temperatura, que fornece a unidade de temperatura termodinâmica, o kelvin teve a sua definição estabelecida quando se fixou convencionalmente a temperatura do ponto tríplice da água igual a 273,16 graus kelvin. Note que a escala proposta por lorde Kelvin é uma escala absoluta, esta unidade não leva o símbolo de graus como as outras unidades, assim escreve-se 273,16K e não 273,16 K. Além disso a variação de 1K é igual à variação de temperatura de 1 C. Assim a conversão de graus Kelvin (T) para graus Celsius (t) obedece a relação: t = T-273,15 Repare que não é 273,16 e sim 273,15, estabelecida por definição. Assim o zero absoluto se dá a 273,15ºC. Rankine também fez uma escala de temperaturas absoluta cuja unidade é o grau rankine que estabeleceu o zero absoluto em 460ºF e a variação de 1ºR ser igual à variação de 1 F A seguir são dadas as relações de conversões entre as diferentes unidades de temperatura: Para transformar kelvin para celsius t = T-273,15 Para transformar celsius para kelvin T = t+273,15 Para transformar celsius para faherenheit(f) F = 1,8*t+32 Para transformar faherenheit para celsius t = (F-32)/1,8 Repare que a variação de 1 C corresponde à variação de 1,8 F; quando um corpo tem a sua temperatura aumentada de 1 C na escala Celsius, ele tem a sua temperatura aumentada de 1,8 F na escala faherenheit. Isto costuma dar confusão, a variação de temperatura é diferente de temperatura, assim: Para transformar variação de graus celsius em variação de graus faherenheit t = 1,8* F E vice versa: F = 1/1,8 x t. ELETRICIDADE E LUZ FIG. 5 Variação de temperatura Completando a fauna de unidades é preciso dizer algo sobre eletricidade e luz. Para unidades na eletricidade basta a definição de corrente elétrica.
10 Diversas unidades elétricas, ditas internacionais, para a intensidade de corrente elétrica haviam sido introduzidas pelo Congresso Internacional de Eletricidade, reunida em Chicago em 1893 e a definição do ampère internacional foi confirmada pela Conferência Internacional de Londres de O ampère é a intensidade de uma corrente elétrica constante que, mantida em dois condutores paralelos, retilíneos, de comprimento infinito, de secção circular desprezível e situadas à distância de 1m entre si, no vácuo, produz entre estes condutores uma força igual a 2 x10-7 newton por metro de comprimento. A unidade de intensidade luminosa Candela é definida como: A intensidade luminosa, numa dada direção de uma fonte que emite uma radiação monocromática de freqüência 540 x hertz e cuja intensidade energética nesta direção é 1/638 wattt por esterradiano. Não se preocupe com estas definições complicadas, dificilmente um engenheiro químico trabalhará com candelas. SISTEMA INTERNACINAL DE UNIDADES SI Ajuntando as unidades: metro, quilograma, segundo, graus kelvin, mol, ampère e a candela, pode-se compor qualquer outra unidade de grandeza da física. Este grupo, que está sendo aceito universalmente é chamado de Sistema de Unidades Internacionais ou SI. Devemos procurar sempre usar a unidade de qualquer grandeza neste sistema. A Figura 6 mostra através de um diagrama a interrelação entre os diferente sistemas de unidades: POTÊNCIA FIG. 6 Interrelação entre diferentes sistemas O conceito físico de potência, energia por tempo, é muito simples mas, sempre há um más; em alguns casos surgem confusões. No SI potência é joule/segundo (J/s). Se todo mundo usasse joule/segundo estaria tudo resolvido, porém aparecem coisas como cavalo vapor ( cv ou hp - horse power em inglês) É uma unidade de potência muito usada quando se trata de motores. Esta unidade foi introduzida por James Wattt, num tempo em que o trabalho nas minas era realizado somente por homens e cavalos. Depois de muitas experiências Wattt estabeleceu que, em condições normais, um cavalo poderia trabalhar sem chegar à exaustão, com a potência necessária para levantar um peso de 330lb m (150kg) a uma altura de 100 pés (cerca de 30m) em 1 minuto: feito os cálculos de conversão esta medida eqüivale a 0,75 quilogramawattt ou, usualmente empregado quilowattt (kw). E por falar em quilowattt, o que é o quilowattt-hora? O quilowattt hora não é potência é energia. Unidade muito usada na comercialização de energia elétrica. Assim é o trabalho executado por um sistema que fornece 1 quilowattt de potência durante uma hora, o que eqüivale a 1000 wattts x 1 hora ou 1000 joules/segundo x 3600 segundos que dá joules, é muita energia!
11 Um chuveiro tem uma potência de 6 kw (seis quilowattt), você gasta 20 minutos (1/3 de hora) para tomar um banho e admitindo que o quilowattt hora custe R$ 0,30 então você vai pagar: 6 x 1/3 x 0,30 = R$ 0,60 (sessenta centavos) Você paga por energia e não potência. Acho que dá para tomar um bom banho até em 5 minutos. PRESSÃO Finalmente uma palavrinha sobre a pressão. Definida como força por área, no sistema internacional a pressão é dada por newton/metro 2 que recebe o nome de pascal (Pa), entretanto é muito usada a unidade atmosfera (atm), que é a pressão atmosférica ao nível do mar. Todo mundo sabe que 1atm corresponde a pressão exercida por uma coluna de 760 mm de Mercúrio à 0ºC, assim pode-se estabelecer uma relação entre o Pa e a atm. Lembrando também que a pressão é dada pela relação P = h.ρ.g onde P é a pressão de uma coluna de líquido com uma altura h, com densidade ρ e g a aceleração da gravidade da Terra. Aplicando-se para o Mercúrio tem-se: densidade à 0ºC = 13595,1Kg/m 3, aceleração da gravidade da Terra ao nível do mar 9,80665ms 2, então: P = 0,76m x 13595,1 Kg/m 3 x 9,80665m/s 2 P = kg.m/s 2 x1/m 2 P = N/m 2 Portanto 1 atm eqüivale no Sistema Internacional a Pa. Qual a altura de uma coluna de água a 4ºC que exerce uma pressão de 1 atm? Fácil: N/m 2 = h x1000kg/m 3 x 9,80665m/s 2 h = 10,33m Apesar de ser uma unidade não recomendável usa-se muito metros de coluna de água (mca) ou centímetros de coluna de água (cca) para pressões em tubulações onde escoa ar. 10,33 mca N/m 2 0,01mca X N/m 2 então, X = 1cca (0,01mca) = 98,088 N/m 2 Outra unidade de pressão que era muito usada e ainda é muito encontrada é a bária (bar). A bária é definida como dina/cm 2. A milésima parte do bária, milibar, era uma unidade de pressão muito usada na meteorologia, hoje ela perde terreno para o hectopascal (hpa = 100Pa). As relações de conversão são: 1bar = 1*10 5 N/m 2 e 1atm = 1033mbar. Uma unidade de pressão, muito usada e que mistura sistemas de unidades diferentes é o kgf/cm 2, muito usado em engenharia e eqüivale a 98066,5N/m 2. Fazendo as contas constata se que 1,033 Kgf/cm 2 eqüivale a 1atm portanto 10m de coluna de água exercem uma pressão igual a 1kgf/cm 2, por isso esta unidade é muito conveniente. É muito mais fácil visualizar uma coluna de água com 1m de altura como pressão do que 9808,8 N/m 2. Muitas
12 dessas unidades são fisicamente mais palpáveis do que as unidades das mesmas grandezas no SI, por isso foram muito usadas e ainda andam por aí. Para ajudar a transformar unidades, assunto normalmente não dos mais agradáveis, são fornecidas tabelas de conversão de unidades das principais grandezas da Engenharia Química. Note que essas tabelas convertem qualquer outra unidade para o sistema SI apenas multiplicando a unidade da grandeza em uma outra unidade pelo fator dado. As tabelas são agrupadas por grandezas e não em ordem alfabética como é comum se apresentar. COMPRIMENTO MASSA Unidade SI Multiplicar por Unidade SI Multiplicar por n(nano).m 10-9.g kg 0,001 µ(micro).m 10-6 Ton kg 1000 Dm.m 0,1 lb m kg 0, Cm.m 0,01 Slug kg 14,594.mm.m 0,001 oz (onça) avoirdupois kg 28, Km.m 1000 Grão kg 6, Ft.m 0,3048 Tonelada (inglesa) kg 1016 In.m 0,0254 Utm kg 9,80665 yd (jarda).m 0,9144 Arroba kg 14,688 ÁREA VOLUME Unidade SI Multiplicar Unidade SI Multiplicar por por Are.m 2 4, barril (petróleo) m 3 0,159 Acre.m cm 3 m Hectare.m gal (galão americano) m 3 3, km 2.m gal (galão imperial) m 3 4, Pé 2 (ft 2 ).m 2 0,06451 litro (L) m Polegada quadrada (in 2 ).m 2 9, Pé cúbico (ft 3 ) m 3 0, Polegada cúbica (in 3 ) m 3 0, FORÇA PRESSÃO Unidade SI Multiplicar Unidade SI Multiplicar por por Dina N 10-5 atmosfera (atm) Pa 1, Kgf N 9,8 Bar Pa 10 5 libra força (lbf) N 4,45 Barie Pa 0,1 Poundals N 0,13825 mm Hg Pa 133,322 mca (metro de coluna de áua) Pa 9,80665 Milibar Pa 10 2 lbf/ft 2 lbf/in 2 VISCOSIDADE CONDUTIVIDADE TÉRMICA Unidade SI Multiplicar por Unidade SI Multiplicar por Centipoise (cp) kg/(m.s) 10-3 Cal/(cm 2.s.ºC/cm) W/(m 2..K/m) 418 Poise (P) kg/(m.s) 0,1 BTU/(ft 2.h.ºF/ft) W/(m 2..K/m) 1,73073 Pa Pa
13 lb m /(ft.h) kg/(m.s) 2,1491 Kcal/(m 2.h.ºC/m) W/(m 2..K/m) 1, Lb m /(ft.s) kg/(m.s) 6, Kg/(h.m) kg/(m.s) 0,0036 DENSIDADE VAZÃO Unidade SI Multiplicar por Unidade SI Multiplicar por g/l.kg/m 3 1 L/h m 3 /s 2, kg/l.kg/m ft 3 /h m 3 /s 2, g/cm 3.kg/m gal/min (gpm) m 3 /s 6, lb m /ft 3.kg/m 3 16,018.lb m /in 3.kg/m 3 2, DIFUSIVIDADE COEFICIENTE CONVECTIVO DE TRANSPORTE DE CALOR Unidade SI Multiplicar por Unidade SI Multiplicar por cm 2 /s m 2 /s 10-4 m 2 /h m 2 /s 3600 ft 2 /h m 2 /s 2, m 2 /h cm 2 /s 0,036 A propósito de medidas, encerramos este artigo com uma pitada de humor (infame, mas humor), recolhendo algumas situações inusitadas de mensuração: Estava eu pelejando para medir a altura de uma escada, mas a dificuldade é que ela era realmente muito alta e sofro de vertigem das alturas. Aí veio um amigo e me disse: "Por que você não deita a escada no chão e a mede aí?" A esta asneira, eu só poderia lhe dar uma resposta à altura: "Você é muito burro mesmo! Estou tentando medir a altura e não o comprimento!" O Juquinha chega para a sua mãe e conta um tremenda bravata. Mãe! Hoje andei 20 metros quadrados! A mãe responde. Puxa! é mesmo!? Estou tão orgulhosa de você. O bêbado, bem bêbado mesmo, entra no bar e pede para o dono: Me dá um metro de pinga. O dono do bar não teve dúvidas, pôs o metro em cima do balcão, abriu a garrafa de pinga, e derramou de uma estirada em cima do balcão exatamente 1m de pinga. Glorioso, ficou olhando para o bêbado esperando a sua reação. O bêbado, sem cerimônia alguma disse: - agora embrulha que eu vou levar. Bibliografia Perry, J. H. Chemical Engineer Handbook Si Sistema Internacional de Unidades Inmetro (1984) Enciclopédia Conhecer Rozenberg, I. M. O Sistema Internacional de Unidades SI 2ª edição Instituto Mauá de Tecnologia
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