Atividades de Escolas Literárias
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- Orlando Espírito Santo Gentil
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1 DISCIPLINA: Português DATA: 13/09/2017 Atividades de Escolas Literárias 01-Leia os versos: Esta, de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhantes copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que a suspendia. Então e, ora repleta ora esvaziada, A taça amiga aos dedos seus tinia Todas de roxas pétalas colmada. (Alberto de Oliveira) Assinale a alternativa que contém características parnasianas presentes no poema: (A) busca de inspiração na Grécia Clássica, com nostalgia e subjetivismo; (B) versos impecáveis, misturando mitologia clássica com sentimentalismo amoroso; (C) revalorização das ideias iluministas e descrição do passado. (D) descrição minuciosa de um objeto e busca de um tema ligado à Grécia antiga. (E) vocabulário preciosista, de forte ardor sensual. 02-Sobre o Parnasianismo, é correto afirmar, exceto: (A) Contrariando a estética do Realismo e do Naturalismo, o Parnasianismo representou na poesia uma volta ao estilo clássico, sobretudo no que diz respeito à métrica do poema. (B) Embora fosse contemporâneo do Realismo e do Naturalismo, o Parnasianismo apresentou uma temática diferente dessas correntes literárias ao propor um olhar sobre a linguagem, cuja temática predominante era a arte pela arte. (C) As principais características desse movimento literário, que teve como seu maior representante o poeta Olavo Bilac, foram a simplicidade da linguagem, valorização da cultura nacional e elevados níveis de subjetividade. (D) Um dos principais objetivos da poesia parnasiana era combater o ideário dos poetas românticos que primavam pelos exageros de emoção e fantasia. (E) Objetivismo, racionalismo, universalismo, vocabulário culto e gosto pelas descrições são as principais características da linguagem da poesia parnasiana. 03-É incorreto afirmar que, no Parnasianismo: (A) a natureza é apresentada objetivamente; (B) a disposição dos elementos naturais (árvores, estrelas, céu, rios) é importante por obedecer a uma ordenação lógica; (C) a valorização dos elementos naturais torna-se mais importante que a valorização da forma do poema; (D) a natureza despe-se da exagerada carga emocional com que foi explorada em outros períodos literários; (E) as inúmeras descrições da natureza são feitas dentro do mito da objetividade absoluta, porém os melhores textos estão permeados de conotações subjetivas. Texto para a próxima questão Não quero o Zeus Capitolino Hercúleo e belo, Talhar no mármore divino Com o camartelo. Que outro não eu! a pedra corte Para, brutal, Erguer de Atene o altivo porte Descomunal. Mais que esse vulto extraordinário, Que assombra a vista, Seduz-me um leve relicário De fino artista. Invejo o ourives quando escrevo: Imito o amor Com que ele, em ouro, o alto relevo Faz de uma flor. (...) (Fragmento do poema Profissão de fé, de Olavo Bilac) 04-O fragmento do poema Profissão de fé, de Olavo Bilac, apresenta características que são facilmente associadas ao: (A) Romantismo. (B) Arcadismo. (C) Realismo. (D) Concretismo. (E) Parnasianismo. 05-A escola realista, que contou com nomes como Machado de Assis, Raul Pompéia e Aluísio Azevedo, teve como principais características: Página 1
2 (A) retorno aos ideais românticos defendidos pela literatura indianista de José de Alencar; (B) preocupação com a métrica e com a metalinguagem na arte literária; (C) retratar a sociedade e suas mazelas, em uma linguagem irônica e impiedosa sobre o homem e suas máscaras sociais. (D) confronto direto com o ideário religioso, estabelecendo um paradoxo com a literatura barroca. (E) defesa da cultura popular brasileira, resgatando símbolos e arquétipos do folclore nacional. 06- O Realismo, escola literária cujo principal representante brasileiro foi Machado de Assis, tem como característica principal a retratação da realidade tal qual ela é, fugindo dos estereótipos e da visão romanceada que vigorava até aquele momento. Sobre o contexto histórico no qual o Realismo está situado, são corretas as proposições: I- O Brasil vivia tempos de calmaria política e social, havia um clima de conformidade, configurando o contentamento da colônia com sua metrópole, Portugal. II- Em virtude das intensas transformações sociais e políticas, o Brasil é retratado com fidedignidade, reagindo às propostas românticas de idealização do homem e da sociedade. III- O país vivia o declínio da produção açucareira e o deslocamento do eixo econômico para o Rio de Janeiro em razão do crescimento do comércio cafeeiro. IV- Tem grande influência das teorias positivistas originárias na França, onde também havia um movimento de intensa observação da realidade e descontentamento com os rumos políticos e sociais do país. V- Surgiu na segunda metade do século XX, quando no mundo eclodiam as teorias de expansões territoriais que culminaram nas duas grandes guerras. O Realismo teve como propósito denunciar esse panorama de instabilidade mundial. Estão corretas: (A) todas estão corretas. (B) apenas I e II estão corretas. (C) I, II e III estão corretas. (D) II, III e IV estão corretas. (E) I e V estão corretas. 07-TEXTO I Odiavam-se. Cada qual sentia pelo outro um profundo desprezo, que pouco a pouco se foi transformando em repugnância completa. O nascimento de Zulmira veio agravar ainda mais a situação; a pobre criança, em vez de servir de elo aos dois infelizes, foi antes um novo isolador que se estabeleceu entre eles. Estela amava-a menos do que lhe pedia o instinto materno por supô-la filha do marido, e este a detestava porque tinha convicção de não ser seu pai. Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer. Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este mesmo fato de obrigação em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido. Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela. A mulher dormia a sono solto. Miranda entrou pé ante pé e aproximou-se da cama. "Devia voltar!... pensou. Não lhe ficava bem aquilo!..." Mas o sangue latejava-lhe, reclamando-a. Ainda hesitou um instante, imóvel, a contemplá-la no seu desejo. Estela, como se o olhar do marido lhe apalpasse o corpo, torceu-se sobre o quadril da esquerda, repuxando com as coxas o lençol para a frente e patenteando uma nesga de nudez estofada e branca. O Miranda não pôde resistir, atirou-se contra ela, que, num pequeno sobressalto, mais de surpresa que de revolta, desviou-se, tornando logo e enfrentando com o marido. E deixou-se empolgar pelos rins, de olhos fechados, fingindo que continuava a dormir, sem a menor consciência de tudo aquilo. Ah! ela contava como certo que o esposo, desde que não teve coragem de separar-se de casa, havia, mais cedo ou mais tarde, de procurá-la de novo. Conhecia-lhe o temperamento, forte para desejar e fraco para resistir ao desejo. Consumado o delito, o honrado negociante sentiu-se tolhido de vergonha e arrependimento. Não teve ânimo de dar palavra, e retirou-se tristonho e murcho para o seu quarto de desquitado. Oh! como lhe doía agora o que acabava de praticar na cegueira da sua sensualidade. (AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. São Paulo: Moderna, 1983). Nessa descrição, Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas, o autor recorreu (A) à personificação ao atribuir uma ação ao cortiço. (B) ao eufemismo por suavizar o cortiço como um tipo singelo de moradia. (C) à ironia por criticar esse tipo de moradia. (D) à hipérbole por exagerar na caracterização desse tipo de construção. (E) à gradação pela forma como é apresentado o cortiço. 08-Com base no que você aprendeu em seus estudos literários durante o Ensino Médio, assinale aafirmação verdadeira. (A) Capitu é uma personagem criada por Machado de Assis, a qual se prostituiu depois de separar-se do marido, Bento Santiago, o Bentinho. (B) Capitu, a cigana oblíqua e dissimulada, de olhos de ressaca, a mais completa e mais bem acabada das personagens machadianas, é protagonista do romance Dom Casmurro. (C) Capitu, personagem mais bem estruturada da obra machadiana, é protagonista do romance Esaú e Jacó, baseado no episódio bíblico. (D) Capitu, personagem da obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, recebeu de seu criador o cognome de cigana oblíqua e dissimulada e de olhos de ressaca, epítetos que não condiziam com seu caráter. Página 2
3 09-No romance O Cortiço, temos várias personagens femininas que são criadas de acordo com a ideologia da época, século XIX, fortemente marcada pelo patriarcalismo. As mulheres, ricas ou pobres, sofriam com a submissão e, obviamente, o sofrimento das mais pobres era maior. Uma dessas personagens, entretanto, demonstra uma relativa autonomia e parece escapar à ideologia imposta. Assinale o trecho que indica essa variante. (A) [...] Você quer saber? afirmava ela bem percebo quanto aquele traste do meu marido me detesta, mas isso tanto se me dá, como a primeira camisa que vesti! Desgraçadamente para nós, mulheres de sociedade, não podemos viver sem o esposo, quando somos casadas; de forma que tenho de aturar o que me caiu em sorte, quer goste dele, quer não goste! [...] (p.34) (B) [...] Bertoleza representava agora ao lado de João Romão o papel tríplice de caixeiro, de criada e de amante. Mourejava a valer, mas de cara alegre; às quatro da madrugada estava já na faina de todos os dias, aviando o café para os fregueses e depois preparando o almoço para os trabalhadores de uma pedreira [...] Varria a casa, cozinhava, vendia ao balcão na taverna. [...] (p.17) (C) [...] Olha! Pediu ela faze-me um filho, que eu preciso alugar-me de ama de leite... Agora estão pagando muito bem as amas! A Augusta Carne-Mole, nesta última barriga, tomou conta de um pequeno aí na casa de uma família de tratamento, que lhe dava setenta mil-réis por mês! [...] (p.84) (D) [...] Casar? Protestou a Rita. Nessa não cai a filha de meu pai! Casar? Livra! Para quê? Para arranjar cativeiro? Um marido é pior que o diabo; pensa logo que a gente é escrava! Nada! Qual! Deus te livre! Não há como viver cada um senhor e dono do que é seu! [...] (p. 61) (E) [...] Pobre Pombinha! No fim dos seus primeiros dois anos de casada já não podia suportar o marido; todavia, a princípio, para conservar-se mulher honesta, tentou perdoar-lhe a falta de espírito, os gostos rasos e a sua risonha e fatigante palermice de homem sem ideal; ouviu-lhe resignada, as confidências banais nas horas íntimas do matrimônio;[...] (p.212). 10-Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. (Apud Ítalo Moriconi (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.) Nesse trecho, o narrador menciona uma questão relevante acerca da escravidão no Brasil, que diz respeito ao fato de que (A) os negros haviam se acomodado na condição de escravos e viam como vantagem o fato de terem protetores brancos. (B) tinha se estabelecido uma ordem social em que, por ser a principal força de trabalho, o escravo recebia vários benefícios. (C) os escravos eram vistos como mera mercadoria, ainda que houvesse diferenças no tratamento dispensado a eles. (D) existiam leis que garantiam a proteção da integridade física dos escravos, o que coibia repreensões violentas. (E) os negros, à exceção daqueles que fugiam com frequência, viviam em condições análogas às dos brancos. 11- Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. (Apud Ítalo Moriconi (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.) Uma característica do estilo de Machado de Assis, presente nesse trecho, é (A) a grandiloquência, notada em: Grande parte era apenas repreendida. (B) o sentimentalismo, verificado em: porque dinheiro também dói. (C) a ironia, percebida em: nem todos gostavam de apanhar pancada. (D) o tom de indignação, observado em: Sucedia ocasionalmente apanharem pancada. (E) o teor saudosista, comprovado em: Há meio século, os escravos fugiam com frequência. 12-E viu a Rita Baiana, que fora trocar o vestido por uma saia, surgir de ombros e braços nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse momento, envolvendo-a na sua cama de prata, a cujo refulgir os meneios da mestiça melhor se acentuavam, cheios de uma graça irresistível, simples, primitiva, feita toda de pecado, toda de paraíso, com muito de serpente e muito de mulher. Aluísio Azevedo. O cortiço. Disponível em: Acesso em: 05 out O Texto constitui um fragmento do romance O cortiço, obra que se inscreve no Naturalismo. Tendo em vista as características temáticas e estilísticas dessa corrente literária, considere as afirmativas a seguir. I. A forma como Rita Baiana é descrita constitui um indício de valorização do poder da mulher, um fenômeno social que está associado às teorias cientificistas da segunda metade do século XIX. II. O texto de Azevedo põe em relevo o erotismo e a sexualidade de Rita Baiana, seguindo, assim, o modelo naturalista que analisa o comportamento humano com base nos seus aspectos mais biológicos. III. Rita Baiana, como todo personagem do romance naturalista, está fadada a reagir de uma forma predeterminada, em conformidade com um ambiente social do qual ela não pode escapar. IV. Azevedo mostra grande capacidade de retratar agrupamentos humanos, mas seus personagens são reféns do instinto e da herança biológica, e a relação amorosa é tratada no plano puramente físico. Estão CORRETAS, apenas: Página 3
4 (A) I e II. (B) I, II e IV. (C) I e III. (D) II, III e IV. (E) III e IV Sobre a poesia de Castro Alves, como se observa nos versos de O Navio Negreiro citados abaixo, é correto afirmar que (A) a mulher é idealizada e intocável, como se observa em Outras moças, mas nuas e espantadas,/no turbilhão de espectros arrastadas. (B) o ufanismo é um dos traços característicos, como se observa em Existe um povo que a bandeira empresta / P ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... (C) a natureza brasileira é retratada de forma pacífica, como se observa em Astros! noites! tempestades! / Rolai das imensidades! / Varrei os mares, tufão!... (D) o byronismo é um dos traços característicos, como se observa em Homens do mar! ó rudes marinheiros, / Tostados pelo sol dos quatro mundos! (E) a exposição da opressão contra os negros é um dos traços característicos, como se observa em Tinir de ferros... estalar de açoite.../legiões de homens negros como a noite,/horrendos a dançar Ao comentar o romance Til e, inclusive, a cena do capítulo O samba, aqui reproduzida, Araripe Jr., parente do autor e estudioso de sua obra, observou que esses são provavelmente os textos em que Alencar mais se quis aproximar dos padrões de uma nova escola, deixando, neles, reconhecível que, no momento em que os escreveu, algum livro novo o impressionara, levando-o pelo estímulo até superfetar* a sua verdadeira índole de poeta. Alguns dos procedimentos estilísticos empregados na cena aqui reproduzida indicam que a nova escola e o livro novo a que se refere o crítico pertencem ao que historiadores da literatura chamaram de (*) superfetar = exceder, sobrecarregar, acrescentar-se (uma coisa a outra). (A) Romantismo-Condoreirismo. (B) Idealismo-Determinismo. (C) Realismo-Naturalismo. (D) Parnasianismo-Simbolismo. (E) Positivismo-Impressionismo Uma das sólidas fundações de uma burguesia está na inserção do casamento no quadro do patriarcalismo, tema e situação que se centralizam, por exemplo, em escritores distintos, como os autores dos romances (A) O cortiço e Memorial de Aires. (B) A moreninha e Iracema. (C) Inocência e O ateneu. (D) O tronco do ipê e Os sertões. (E) Senhora e D. Casmurro. Página 4
5 Os Textos I e II são de autoria do escritor nordestino Patativa do Assaré, que, em sua obra, retrata de forma bastante peculiar os problemas de sua região. Esses textos têm em comum o fato de abordarem (A) a falta de esperança do povo nordestino, que se deixa vencer pela seca. (B) a dúvida de que a ajuda do governo chegará ao povo nordestino. (C) o êxodo do homem nordestino à procura de melhores condições de vida. (D) o sentimento de tristeza do povo nordestino devido à falta de chuva. (E) o sofrimento dos animais durante os longos períodos de estiagem. 17- O cortiço Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas. Os sinos da vizinhança começaram a badalar. E tudo era um clamor. A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca. Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas. (Aluísio Azevedo. O cortiço) O caráter naturalista nessa obra de Aluísio Azevedo oferece, de maneira figurada, um retrato de nosso país, no final do século XIX. Põe em evidência a competição dos mais fortes, entre si, e estes, esmagando as camadas de baixo, compostas de brancos pobres, mestiços e escravos africanos. No ambiente de degradação de um cortiço, o autor expõe um quadro tenso de misérias materiais e humanas. No fragmento, há várias outras características do Naturalismo. Aponte a alternativa em que as duas características apresentadas são corretas. (A) Exploração do comportamento anormal e dos instintos baixos; enfoque da vida e dos fatos sociais contemporâneos ao escritor. (B) Visão subjetivista dada pelo foco narrativo; tensão conflitiva entre o ser humano e o meio ambiente. (C) Preferência pelos temas do passado, propiciando uma visão objetiva dos fatos; crítica aos valores burgueses e predileção pelos mais pobres. (D) A onisciência do narrador imprime-lhe o papel de criador, e se confunde com a ideia de Deus; utilização de preciosismos vocabulares, para enfatizar o distanciamento entre a enunciação e os fatos enunciados. (E) Exploração de um tema em que o ser humano é aviltado pelo mais forte; predominância de elementos anticientíficos, para ajustar a narração ao ambiente degradante dos personagens. 18-Assinale a alternativa que contém a afirmação correta sobre o Naturalismo no Brasil. (A) O Naturalismo, por seus princípios científicos, considerava as narrativas literárias exemplos de demonstração de teses e ideias sobre a sociedade e o homem. (B) O Naturalismo usou elementos da natureza selvagem do Brasil do século XIX para defender teses sobre os defeitos da cultura primitiva. (C) A valorização da natureza rude verificada nos poetas árcades se prolonga na visão naturalista do século XIX, que toma a natureza decadente dos cortiços para provar os malefícios da mestiçagem. (D) O Naturalismo no Brasil esteve sempre ligado à beleza das paisagens das cidades e do interior do Brasil. (E) O Naturalismo do século XIX no Brasil difundiu na literatura uma linguagem científica e hermética, fazendo com que os textos literários fossem lidos apenas por intelectuais. 19-Sobre o Naturalismo, é incorreto afirmar: (A) O Naturalismo teve como marco inicial a publicação, em 1881, de Germinal, de Émile Zola, na Europa. Personagens e cenários são mostrados em toda sua miséria material e moral. (B) O movimento literário costuma ser relacionado ao Realismo, que também tinha essa missão de retratar a realidade. (C) Na literatura naturalista, assim como na literatura romântica, ocorre a idealização da realidade, o homem é um ser subjetivo guiado por suas vontades individuais, sem que exista interferência do meio ambiente em seu comportamento. (D) Em razão de sua objetividade radical, a literatura naturalista não é considerada por muitos estudiosos como literatura, isto é, existem dúvidas de que as obras desse período sejam verdadeiramente objetos artísticos. (E) No romance naturalista, o narrador comporta-se como um cientista, que observa os fenômenos sociais como quem observa uma experiência científica. Por isso, os fatos devem ser narrados de modo impessoal. 20-São características da linguagem naturalista, exceto: (A) Determinismo; (B) Preferência por temas de patologia social; (C) Objetivismo científico e impessoalidade; (D) Linguagem simples; (E) Subjetividade. Página 5
6 Gabarito Português (13-09) Português D C C E C D A B D C C D E E C C A A C E Página 6
01 - A escola realista, que contou com nomes como Machado de Assis, Raul Pompéia e Aluísio Azevedo, teve como principais características:
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