CARNAVAL DE SALVADOR EM PAUTA
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- Oswaldo da Silva Barroso
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1 O QUE FICA ENTRE A BARRA E O CAMPO GRANDE CARNAVAL DE SALVADOR EM PAUTA AYMÉE FRANCINE LEITE BRITO UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO FACOM GRADUAÇÃO EM JORNALISMO
2 CARNAVAL DE SALVADOR EM PAUTA: _Eu ouvi crise? Os verdadeiros motivos do problema e a possiblidade de ser vista apenas como renovação...03 _Renovação: Quem é e o que quer o novo folião...09 _Do Fricote à Metralhadora, qual a música do seu carnaval?...16 _ Quem senta da cabeceira da folia? A história do Carnaval pipoca como protagonista da festa...24 _Sobre o trabalho...35 _Sobre a foliã, ops, autora...37
3 Eu ouvi Crise? Os verdadeiros motivos do problema e a possiblidade de ser vista apenas como renovação Comemorando seus 30 anos em 2015, o axé entrou em pauta não apenas pelo seu tempo de existência, mas pela suposta crise que enfrenta. Tecnicamente, não é possível precisar quando o gênero musical perdeu o fio do destino que seguia e deixou de ser apontado como uma mina de ouro, como foi durante as décadas de 90 e Mas isso não significa que o Carnaval é diretamente influenciado por essa falta de fôlego do gênero, muito pelo contrário: nas ruas, as pessoas continuam a se reunir, se divertir e, no fim das contas, realizar a "maior festa de rua do mundo" todos os anos. Durval Lelys iniciando desfile na Barra Carnaval Foto: Ag Haack para Bahia Notícias O axé precisa continuar com tudo que sabe fazer. Acho que o Carnaval em si é a grande mãe de tudo isso e o axé é o filho do Carnaval. Entende? É o um movimento que nasceu dentro da cultura Carnavalesca. Acho que o mundo do Carnaval é que abriga essas vertentes musicais que a Bahia cria e replica ininterruptamente ao longo desses anos. O axé fez 30 anos e pra fazer outros 30, 50, precisa ter seu pé no Carnaval. Manter a raiz do Carnaval é a essência, contou Durval Lellys, em entrevista. O cantor, aliás, é um dos símbolos tanto da ascensão quanto da suposta queda do gênero criado por Luís Caldas em 1985: o lançamento do CD Com Amor, em 1991, despontou sua Asa de Águia pelo Brasil, com auges em 1998, com a Dança do Vampiro e 2008, com Quebra Aê". Mas depois disso o declínio musical e 3
4 financeiro chegou a um ponto tão crítico que, em 2014, o cantor deu fim à banda. Não vamos levar o projeto adiante, não é saudável financeiramente e nem respeitoso com a nossa história, disse o baiano na época. Para Ricardo Chaves, cantor e compositor presente nos últimos 36 carnavais, o sucesso nacional da festa deveu-se aos artistas, já que era uma cultura baiana celebrar o Carnaval muito antes de ele adquirir o sucesso que alcançou. Quando a gente fala da crise ou do sucesso do Carnaval de Salvador, no meu entender, isso está muito atrelado ao sucesso turístico. Porque ele só se tornou algo viável como notícia, fato, procura, quando se tornou um produto turístico muito cobiçado. E o que fez com que isso acontecesse? O sucesso de seus artistas. Então uma coisa veio junto com a outra. Com o sucesso do que chamamos de Axé Music, as pessoas quiseram ver os seus artistas. E onde eles estavam todos juntos? Aqui, contou ele. Central de problemas e soluções O cantor, que hoje é vocalista do Movimento Musical Alavontê grupo de 5 artistas da música local que se uniram num projeto de renovação musical baiana - também coloca que dois fatores influenciaram diretamente na crise de momo. Para mim, o início do problema começou em 2001, quando surgiu a Central do Carnaval e seu novo sistema de vendas de abadás. Como negócio, era fantástico. Para o Carnaval, na minha opinião, foi péssimo. Porque o cara que via três dias de um artista, passou a escolher o que ele queria em cada dia, e não mais quem ele queria para seguir na festa. Isso fez com que ele não mais, por exemplo, soubesse as canções, saísse da cidade respirando aquilo que ele viveu, consumindo durante o ano o que aquele artista produzisse, e retornasse no ano seguinte para fechar o ciclo, colocou. Para Joaquim Nery, fundador e dono da Central do Carnaval, foi exatamente isso que fez com que a folia ganhasse o espaço que adquiriu e que os empresários se interessassem por investir na festa ela era sucesso de público, mídia e retorno financeiro. O folião quando decidia participar de um bloco de Carnaval, ficava escravo de participar dos três dias. (...) Como o Carnaval antes era muito para baiano, o bloco tinha um significado grande de segmento, de bairro, escola, faculdade. Então o folião queria sair onde estavam 4
5 os amigos dele, e por isso, ele brincava os três dias no mesmo bloco sem problemas. Com a chegada do turista, que teve uma participação significativa no Carnaval, ele passou a ter outra visão, por ser um folião eventual, que queria experimentar outros blocos e atrações em paralelo, colocou o empresário. Joaquim Nery, sócio fundador da Central do Carnaval. Foto: Bahia Notícias/ 2013 Apesar de Nery datar o surgimento da ideia Central do Carnaval antes de 2001, foi no século XXI mesmo que ela ganhou notoriedade e espaço, reconhecida como fundamental na venda da folia. Antes disso, no início da década de 90, haviam sido criados os blocos alternativos, que tornaram o carnaval da quinta, sexta e sábado oficiais nos dois circuitos da festa. Em 1992, Daniela Mercury lança o Canto da Cidade, em 1994, o Ara Ketu desponta com Ara Ketu é bom demais e, em 1995, o É o Tchan vira febre nacional fazendo todo e qualquer turista interessado em festas querer desembarcar no Carnaval de Salvador. Foi aumentando, então, o número de bandas e, consequentemente, a vontade do turista, citada por Nery, de se divertir diferentes dias com diferentes artistas e a desfidelização, citada por Ricardo, do folião com cada bloco ou artista. Carnaval só tem como existir na Bahia O segundo ponto citado por Chaves como essencial para a queda do Carnaval e do Axé Music são as micaretas fora de época que aconteciam por todo Brasil. As pessoas tinham ideia de que aquilo era uma amostra do 5
6 Carnaval de Salvador e que se já era bom, aqui era muito melhor. Isso fez com que todo mundo quisesse vir para cá. E tem a questão de que a gente fazia tudo que fazia aqui, num período menor, em 14 capitais do Brasil. As cidades respiravam Bahia e música baiana, contou ele. Ricardo explica que esses dias de festa em outros locais são uma razão para queda por um simples motivo: acabaram. Não tinha como aquilo acontecer. Carnaval, como acontece aqui, é uma loucura, só tem como existir na Bahia. O ministério público interviu e deixamos de realizar em todos os lugares, as pessoas pararam de respirar o axé, relatou. Num mesmo período em que aconteceu a aparente queda nacional do axé, veio a ascensão, em mesmos termos, de um novo ritmo, o sertanejo universitário. Novo porque apesar de gênero ser ainda mais antigo que a própria guitarra baiana, a forma em que ganhou espaço em todo o Brasil é diferente daquela que chegou aos holofotes através de artistas como Zezé Di Camargo e Luciano ou Chitãozinho e Xororó, nos anos 80 e 90. Essa espécie diferente do ritmo do sertão acrescentou percussão, uma sanfona mais forrozeada e ganhou letras que deixaram de falar exclusivamente de amor para falar de festa e superação muitas delas vindas de compositores baianos. Resultado: ganhou as boates, shows, festivais e, naturalmente, o Carnaval. Muito criticada por alguns artistas locais, os que estudam e vivem o carnaval há muito não enxergam quaisquer problemas na miscigenação de ritmos. Jorge e Mateus estrearam no Carnaval de Salvador em 2011, no comando do Bloco Pirraça hoje, um dos mais valorizados da folia de momo. Foto: Mauro Zaniboni/Ag Fred Pontes/2011 6
7 Para Paulo Miguez, professor de Instituto de Humanidades, Artes e Ciências e do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Ufba) e pesquisador da festa, qualquer ritmo está em casa em Salvador. A ideia de só ter uma coisa [ritmo] empobrece o que talvez seja uma das grandes coisas que a gente tem no Carnaval da Bahia. Não vejo isso como um problema, mas uma solução, colocou Miguez em uma entrevista ao site Bahia Notícias em janeiro de Assim como o professor, inúmeros outros foliões não observam como um problema no carnaval a inclusão de novas propriedades rítmicas e formatos de festa tudo faz parte de uma renovação. Acho que os outros ritmos estão alcançando a popularidade do axé antes, o que acaba deixando o carnaval com diferentes características em comparação às festas passadas. A crise não está no carnaval pois ele molda-se ao gosto popular e ao que o público acaba gostando de ouvir, colocou o estudante de 18 anos, Matheus Oliveira. Há também quem dê ênfase aos ritmos baianos e os enxergue como renovação da folia. O Carnaval passando por uma reformulação do gosto popular, que atualmente parece gostar cada vez menos do axé tradicional e preferir ritmos mais atuais como o pagode baiano, que já faz sucesso há algum tempo, e a arrochadeira e a bregadeira que acabaram de surgir, explica um jovem que não quis se identificar na pesquisa de público. O popular se torna popular Além da renovação rítmica, os especialistas na festa explicam que os setores comerciais da festa também fazem parte deste ciclo e, portanto, sofrem do esgotamento de suas fontes, acabando superados por outros espaços. É o exemplo do que os blocos de trio vêm passando desde, aproximadamente, o ano de 2010, e que os camarotes começam a viver agora já que não mais existe espaço para crescerem fisicamente nos circuitos, e começam a se esgotar a quantidade de serviços que podem ser oferecidos. Para Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo Saltur, o carnaval de hoje tem características para todos os públicos. Existe hoje um movimento que é justamente por uma provável perda de significado dos blocos e camarotes, em que a rua acabou sendo fortalecida a partir do momento que a gente intensificou ela como atividade principal do 7
8 carnaval - independente de ser gratuita, custar R$ 100 ou custar R$ Porque existem as três opções, e o público curte o que quiser. O problema pra eles é que com a rua gratuita e de qualidade, o cara que se apertava pra ir pra bloco ou camarote não vai, opina o gestor. Na pesquisa realizada, a estudante Tainara Ferreira, em concordância com Edington e Chaves, acabou escrevendo um resumo da opinião da maioria dos que responderam à pesquisa de público citada e dos entrevistados sobre o que é movimento do Carnaval de Salvador atual e seu momento de renovação. É uma festa 'popular' que se torna realmente popular. Começa a dar mais espaço para o folião se divertir sem a necessidade de pagar valores absurdos em blocos e camarotes. É preciso que o Carnaval se reinvente e abra espaço para novas bandas, novos públicos e a pipoca, e esse é o caminho que ele passa a tomar, disse. 8
9 Renovação: quem é e o que quer o novo folião do Carnaval de Salvador Se o Carnaval de Salvador está em constante mudança, grande parte disso é relacionada à renovação de seu público. O carnaval que conhecemos hoje vem sofrendo mudanças e se readaptando às realidades econômicas, políticas e, principalmente, sociais. Em um momento que a palavra crise é vista quase que como um mantra para aqueles que curtem desde quando Luiz Caldas surgiu com seu Fricote, ou mesmo antes, a rua não aceitou o rótulo e em nenhum dia das folias recentes deixou de receber grande número de foliões. Diante deste cenário, trezentos e sessenta jovens, entre 14 e 25 anos, responderam a uma pesquisa que buscou entender a festa de momo e, principalmente, que características podem ser dadas ao que é chamado de novo folião protagonista da renovação de audiência e modelo de carnaval. Se quando surgiram os blocos a festa era toda voltada para o baiano e sua cultura, com o aumento das agremiações e o sucesso dos artistas em nível nacional, a folia percebeu sua capacidade e passou a querer agradar o turista. Cerca de vinte anos depois, em 2016, o foco da festa retorna para os baianos, para a cidade de Salvador e os foliões de rua reconhecidos sob o nome de folião pipoca. Concordando com o ritmo dos debates, 21,2% dos foliões que responderam à pesquisa afirmaram que o único lugar que interessa no Carnaval é a rua, sem pagar por abadás. Por um motivo simples e, em tempos de dificuldades econômicas em todo o país, justificável: é de graça. Outras razões muito apontadas são a possibilidade de ver todas as atrações que estão agendadas para aquele dia de folia e o fato de que, na pipoca, é possível circular pelo circuito e encontrar os amigos independente do espaço que eles tenham escolhido para se divertir. Além dos citados, 55,8% dos jovens escolheriam a pipoca se fossem estar com os amigos no local. Apenas os 23% restantes rejeitam o asfalto gratuito. Valorização do gênero baiano Um dos resultados mais impactantes da pesquisa se dá no grau de influência e aprovação da música baiana entre aqueles que responderam o questionário, num cenário em que o axé vem sendo duramente criticado pelos seus próprios 9
10 representantes. Se depender desses jovens, o grande protagonista rítmico da folia ainda é o gênero nascido em 1985: 81% das respostas mostra que o folião ainda faz questão de ouvi-lo e quer mais é se divertir com o que mais temos de música baiana em nosso repertório: pagode, samba, arrocha, e, uma das grandes novidades, a arrochadeira. O trabalho da música é muito subjetivo né? Não tem como você dimensionar quantos corações você está tocando, ou mesmo se você tocou de fato no coração de alguém. O resultado é uma surpresa muito feliz, comentou Lincoln Sena. O cantor, de 28 anos, é vocalista da banda Duas Medidas, que não apenas toca axé, bem como, na definição do artista, busca trazer a sua verdade e apresentar o que eles mais têm de diferente. Aparentemente, a tentativa tem dado certo. Lincoln Sena e Manolo Ventin Bastidores do Carnaval 2016 da banda Duas Medidas. Foto: Filipe Rodrigues A banda de Lincoln foi a mais votada, dentre 10 opções, como a que mais tem potencial para continuar vendendo abadás e ser 'o futuro' do Carnaval de Salvador. Foram quase 30% dos votos dos entrevistados, que poderiam escolher até três opções dentre as 14 apresentadas. A Duas Medidas ficou na frente de artistas já reconhecidos pelo público nacional, como Alinne Rosa (terceiro lugar) e Levi Lima (segundo) sob o comando da banda Jammil. Para o cantor e compositor Ricardo Chaves, não foi uma surpresa. É uma banda que está fazendo um trabalho muito bem feito. Não sei se pensado, mas que tem atingido aos poucos uma coisa muito solida e espontânea. Isso que você detectou em sua pesquisa, eu vejo em casa. Eu tenho um filho de 19 anos e a 10
11 Duas Medidas atinge a ele pelo menos há quatro anos. Desde festinhas, vieram crescendo... eu não identifico na Duas Medidas nenhuma sede, aquela vontade louca de ser a banda do Carnaval, de, da noite pro dia, sair tocando em rádios abruptamente. Eles estão consolidando o trabalho deles, crescendo, crescendo. É o que fazíamos nos Anos 80, que é criar o nosso público. O que independia do sucesso ser maior ou menor, sempre existia o nosso público que nos acompanhava. Hoje não tem, gente. Os artistas aparecem e some em uma velocidade que a gente nem consegue dizer se é bom ou ruim, porque quando você pensa que não, não sabe mais aonde está. Então, o que é isso? Não pode. Nesse ponto, a Duas Medidas está tendo todas as medidas necessárias pra que possam continuar consolidando e crescendo o público deles, opinou o músico. Já Sena se mostrou agraciado com o resultado que, para ele, também representa um desafio. Mesmo sabendo do resultado, fico meio sem acreditar. Pra mim é uma grande surpresa, eu fico muito feliz. A minha relação com a música passou a se tornar uma questão de fé e honra. Quero poder falar pra meus filhos, amigos, fãs que tudo que você planta, você vai colher um dia e ver essas respostas, e pessoas com a idade da pesquisa mostram pra gente que o plantio fez efeito. Que a música tem resultado, que a nossa identidade é real, sabe?, falou ele sobre a pesquisa. Em relação aos elogios de Chaves, o cantor concorda que a personalidade e despreocupação com sucesso imediato seja o caminho para consolidar uma carreira. Já tivemos proposta pra mudar para pagode, quando ele estava fazendo sucesso. Depois forró, agora arrochadeira. E aí a banda, que era antes vista como sem identidade, passou a ter autenticidade. (...) Foi uma das nossas maiores emoções quando Márcio Victor entrou no estúdio e disse: Velho, vocês conseguiram criar um som que é só de vocês. A gente escuta e sabe que é a Duas Medidas. A gente teve oportunidade de fazer outras coisas, mas a gente não quer o sucesso a todo custo. A gente quer sim ser bem sucedido, mas com a nossa verdade, destacou o rapaz. Para todos os gostos, vontades e bolsos 11
12 Outro grande destaque do Carnaval que se constrói é a falta de preferências por um espaço pago específico a maioria escolhe ir para onde seus amigos vão estar. O novo folião tem ídolos, mas perdeu o costume de economizar o ano inteiro para, no Carnaval, desembolsar os R$ 800 reais que valem um abadá do Camaleão liderado por Bell Marques, por exemplo. O bloco figura entre os mais tradicionais da festa e, de acordo com empresários integrantes da Associação de Blocos de Trios (ABT), acabou se tornando símbolo da resistência empresarial a outro movimento destaque entre os jovens: a pipoca. Para Joaquim Nery, sócio fundador da Central do Carnaval, isso aconteceu por um movimento natural do carnaval. Bell Marques anima foliões do Camaleão Carnaval de Salvador/foto sem data. O carnaval conforme foi se aperfeiçoando, foi ficando mais caro. É natural, se você tem um bloco melhor, você tem mais investimento em banda, em trio, em segurança, em abadá; então os custos são maiores. Hoje é muito mais caro botar um bloco na rua do que era na década de 90. Como é muito mais caro, o valor do ticket é muito maior. Quando é muito maior, ele começou a fugir da capacidade do presente do pai. (...) E o reflexo disso foi que a gente começou a perder os novos clientes. (...) Agora, o carnaval passa pela transformação. Com o ticket mais caro, o camarote oferece mais serviço. (...) O camarote tem um detalhe, um limite claro de espaço. Os espaços disponíveis já estão sendo utilizados, e quase todos eles trabalhando no limite. Então vai chegar o momento que o camarote não vai ter mais espaço, vai transbordar. E quando ele trabalhar com um over de demanda, ele vai ficando mais caro, as pessoas 12
13 vão perdendo a capacidade de pagar o camarote e as pessoas vão pra a rua. É a dinâmica do carnaval, explica ele atribuindo o recente sucesso da pipoca, também a um ciclo. Nery também cita essa abertura de demanda para justificar a criação e sucesso do Furdunço, iniciativa da Prefeitura de Salvador em 2015 para levar as pessoas às ruas, aumentar o público presente no Carnaval e antecipar a chegada do turista na cidade: os novos dias de Carnaval (quarta-feira de blocos de fanfarra e Furdunço) são os preferidos de 27% dos novos foliões. Número altíssimo se avaliarmos que ambos os dias não fazem parte da folia tradicional, com artistas de notoriedade e cobertura intensa da imprensa. A gente, agora, tem um pré-carnaval que é toda uma estratégia de atração pra antecipar a vinda das pessoas pra Salvador e, ao mesmo tempo, reter aquelas pessoas que não vão pro Carnaval, a ficar mais um dia na cidade. Então, a gente ampliou isso para dois dias, ou seja: uma semana de carnaval, mais o Fuzuê e o Furdunço. (...) E como isso foi feito com qualidade, o soteropolitano se animou pra ir. Porque assim, o cara vê que o bloco tem qualidade, tem, mas ele vê também, no Furdunço, algo de muita qualidade. Boas atrações, as famílias participam, todo mundo pode ir. Quando você democratizou isso, serve pro velho, e pra nova galera. O pessoal vai fantasiado e tal. Não ficou focado só no cara ali de 18 a 25, abriu possibilidades até de tempo. (...) Esse de fato é o objetivo, que a festa seja do soteropolitano, para todos os gostos, vontades e bolsos, diagnosticou Isaac Edington, presidente da Empresa Salvador Turismo Saltur, órgão da prefeitura de Salvador que é um dos responsáveis pela Cultura e Turismo na cidade. Dentre aqueles que ainda preferem espaços como os camarotes, estão jovens como a estudante de direito da Universidade Federal da Bahia, Lara Galvão. Aos 22 anos, Lara contou que sempre vai depender da decisão de sua galera para saber como vai curtir a folia. Mas que se depender dela, vai escolher o camarote. Camarote faz parte do Carnaval. Os trios programam suas paradas observando a localização de cada camarote. Como alguém pode dizer que isso não é fazer parte do Carnaval? O clima dentro de um camarote não se compara com o de qualquer outra festa durante o ano. É aquele clima de que tudo pode acontecer, típico da maior festa baiana. A diferença de um 13
14 camarote pra um bloco se chama conforto, apenas. É você escolher pagar a mais - às vezes muito pouco a mais, comparado com o preço de alguns blocos - por uma vista privilegiada acompanhada de comida e bebida à vontade e um serviço de completa segurança e conforto, opina ela em contrapartida àqueles que defenderam [no questionário] os blocos sob o argumento de que os espaços VIP terem tantas atrações para o público que não mais fazem parte da folia de momo. Estudante Lara Galvão com amigas em um camarote do Carnaval Foto: Arquivo Pessoal Dois dos itens citados pela estudante como principais motivos para sua escolha pelos camarotes são repetidos pela esmagadora maioria daqueles que também escolheram os espaços: 68,9% querem os serviços de comida e bebidas à vontade e 59,7% desejam conforto. Neste item eles também poderiam escolher mais de uma opção. Já aqueles que contaram que os blocos são sua preferência, acreditam que dentro das cordas seja mais seguro do que na pipoca (35%) e, principalmente, estão ali por poderem acompanhar o artista que gostam por mais tempo (69,5%). 14
15 Quebrando discursos Apesar de o número de pessoas que escolheram blocos ou camarotes ser alto, o que mais surpreende é exatamente o número de jovens que preferem curtir a festa na pipoca e que assim desejam continuar pelos próximos carnavais. Isso porque, genericamente, os jovens que responderam à pesquisa não cresceram com o costume cultural de ir ao Carnaval de Salvador para ser folião pipoca. Ao contrário, era exatamente isso que, por muitas vezes, eles foram aconselhados a não fazer. Ainda assim, 77 dos 360 jovens têm apenas o espaço gratuito como opção para se divertir, e outros 218 trazem como possibilidade estar na rua durante a festa. No total, quase 82% dos novos foliões querem a pipoca como protagonista da festa. Para que isso aconteça, dois fatores foram destacados como fundamentais: segurança e qualidade de atrações. O principal defeito da pipoca é a falta de segurança e organização. Entretanto há melhorias, como esse ano houve um aumento da rede de policiamento e houve fiscalização antes da entrada do percurso. Porém, acredito que ainda não foi suficiente e deve haver uma atenção especial para a violência na pipoca e em todo carnaval, opinou a foliã Débora, no questionário da pesquisa. Sem uma pergunta direcionada especificamente à segurança dos foliões, a palavra foi citada 157, sendo 43 positivamente [aumento da segurança e elogio à revista de pessoas nas entradas da festa] e 114 pedidos por mais segurança número que consta como maior solicitação dos jovens para blocos e pipoca durante a folia. Por fim, é possível perceber que, antes de tudo, o novo folião é essencialmente soteropolitano e valoriza consideravelmente sua cultura. Seja através do cenário de espaço ou rítmico, a pesquisa surpreende por quebrar algumas verdades trazidas como absolutas no discurso empresarial e dos veículos de comunicação, como a dominação do gênero sertanejo e do forró. Os jovens, em sua maioria, no Carnaval, querem escutar axé, estar na pipoca e valorizam seus artistas e sua originalidade. Ao mesmo tempo querem se sentir seguros e ter liberdade de escolher o que beber. Apesar dos discursos gerais e, por muitas vezes, repetidos, o que fica claro em absolutamente todas as respostas é que se tem uma coisa que o jovem folião quer e se orgulha, é do seu carnaval. 15
16 Do Fricote ao Paredão Metralhadora, qual a música do seu carnaval? Essa é a música do carnaval!, bradou Márcio Vitor em setembro de 2013, no palco da festa Sauípe Folia que acontecia na Costa do Sauípe, Litoral Norte baiano. Na época, o pagodeiro lançava a música Lepo-Lepo para um seleto grupo de pessoas que pagaram pouco mais de R$150 pelo acesso à festa e aguardavam a apresentação do artista, iniciada quase às 4h da manhã. Não se sabe ao certo se, ali, naquele momento, foi esse grito que fez com que as pessoas abraçassem a canção, mas o resultado foi inquestionável. Lepolepo não apenas foi a música do carnaval de 2014, mas arrebatou todo o verão e, de quebra, a Copa do Mundo e todo o Brasil. Por conta dela, o artista ganhou todos os prêmios, comumente oferecidos pelos mais diversos veículos de comunicação e, junto com eles, o sorriso e orgulho de quem se tornou, por conta de uma canção, o grande destaque do maior carnaval do mundo. Márcio Victor chora ao ver multidão cantando a música Lepo-Lepo, no Carnaval de Salvador em Foto: Fred Pontes "O que conta é a força com que a música chega na época. E isso sempre foi feito, pra chegar no verão e se terem os 'summer hits'. Na MPB já era assim, Leo Jaime fazia, Blitz, Caetano, com o axé e a música baiana não foi diferente. Aí criou-se o prêmio de 'Música do Carnaval' pra identificar o que seria o maior de todos. Acontece que, antigamente, a gente tinha uma história de achar que só alguns priorizados ganhavam e a gente queria isso também. Até que achamos o caminho e não paramos mais. Achava que era marmelada, que o 16
17 pessoal era favorecido, quando eu ganhei eu percebi que é um negócio sério e que brilha a estrela de quem tem que brilhar naquele momento. São prêmios antigos e responsáveis com a música no geral", contou o cantor Márcio Victor, líder do grupo Psirico e dono de cinco sucessos arrebatadores da folia de momo: Toda Boa, Lepo-Lepo e Xenhemnhem interpretadas por ele e Dançando e Liga da Justiça, de sua composição. Oficialmente, o poder de dizer quem ganhou o título de grande hit é repartido por vários meios de comunicação, criadores cada um do seu prêmio. Com o passar dos anos três foram os principais e mais reconhecidos pelo público e classe artística: Troféu Dodô e Osmar, mais antigo de todos, hoje é uma união da TV Aratu com o Jornal A Tarde, mas inicialmente, pertencente unicamente ao impresso; Troféu Band Folia, criado com o crescimento da cobertura de carnaval da emissora paulista, que tinha maior volume de exibição da festa na televisão, e que teve seu reconhecimento perdido pelo mesmo motivo ao perder a liderança na transmissão; e o Troféu Bahia Folia, criado pela Rede Bahia, maior veículo de comunicação da Bahia e afiliada da Rede Globo, com representantes líderes de público na televisão, rádio, internet e jornal impresso. Fazendo uma análise dos três prêmios citados nos últimos 12 anos, estas são as canções vencedoras dos carnavais: ANO HIT DO CARNAVAL 1994 Requebra 1995 Melô do Tchan / Araketu é Bom Demais 1996 Vai Sacudir, Vai Abalar / Margarida Perfumada 1997 Milla / Rapunzel 1998 Liberar Geral (Terra Samba) / Latinha 1999 Dança do Vampiro / Juliana 2000 Xibom Bombom / Cabelo Raspadinho 2001 Bate Lata / Uma bomba 2002 Festa 17
18 2003 Explosão (Tchakabum) / Voa Voa 2004 Mainbé Dandá 2005 Coração 2006 Se ela dança, eu danço / Café com Pão 2007 Reggae Power (Natiruts) / Quebra Aê 2008 Extravasa / Toda Boa 2009 Dalila 2010 Rebolation 2011 Liga da Justiça 2012 Circulou 2013 Ziriguidum 2014 Leo-Lepo 2015 Xenhenhem 2016 Paredão Metralhadora A fórmula mágica de um hit A história do Carnaval se mistura com a história de seus ritmos e hits. Mas, como a própria lista comprova, se engana quem pensa que só de axé viveu a folia baiana. Mesmo que entre os grandes sucessos premiados se diferenciem apenas uma música de reggae e uma de funk, em fevereiro de 2000, o hit Mulher de Fases dos roqueiros do Raimundos não podia deixar de estar no repertório de qualquer artista que ousasse subir em um trio elétrico. No mesmo ano, outro grande sucesso da folia também falava de uma mulher. E essa tinha nome, sobrenome e muita autoestima: Anna Julia, clássico do Los Hermanos. Mas a verdade é que a história da festa se fez no destaque à música baiana, e, de Fricote ao Paredão Metralhadora, cantado pela Vingadora em 2016, as grandes canções carnavalescas se destacam pela irreverência, alegria, duplo 18
19 sentido e, substancialmente, coreografia. Mesmo assim, os 36 anos de carnaval de Ricardo Chaves, não o fizeram saber como um sucesso consegue chegar o topo. Quando eu ia imaginar que uma música como O Bicho ia fazer o sucesso que faz até hoje? Achei que tinha acertado, que ia ser sucesso, ali, naquele ano, dentro do bloco, a música é um hino pro Crocodilo. Esse era o objetivo. De repente eu tô aqui, há 25 anos cantando e ganhando com ela. Praieiro, do Manno, só foi explodir três anos depois de lançada. Não tem explicação pra essas coisas, opina o músico. Em contrapartida, há quem enxergue uma equação para o sucesso de uma canção no Carnaval de Salvador. Não existe uma fórmula. Mas existe um conjunto de três coisas que formam, quase sempre, uma grande música do carnaval. A primeira é uma letra repetitiva e de fácil memorização. A segunda, e mais importante, é a melodia. Brasileiro é apaixonado por melodia... Porque você acha que música americana faz tanto sucesso, mesmo que quase ninguém entenda o que é falado? Então. A terceira é o refrão. Não existe um hit, principalmente do carnaval, se ele não tiver um refrão grudento é ele que constrói a música chiclete, contou Tierry Coringa, um dos maiores compositores atuais da música baiana. Junto com ele, outros quatro compositores da Bahia formam um time de especialistas em compor sucessos por todo o Brasil nos últimos três ou quatro anos. Filipe Escandurras, Magno Santana, Bruno Calimã, Cassio Sampaio e Tierry, juntos, fazem das 50 músicas mais executadas do país em 2015 um território completamente dominado pelo dendê. A gente tem o dom de pensar na música chiclete, que o jovem gosta, que o cara quer ouvir na balada. Os maiores sucessos saem daqui, o sertanejo hoje viu isso. É uma música universal e sem preconceito, explicou o compositor que também detalha a importância do rádio no sucesso de uma música. Ano passado, eu fui o único compositor no Brasil com quatro músicas entre as 50 mais executadas. Cláudia [Leitte, com Cartório ] tocou 27 mil vezes nas rádios. Os anjos cantam [de Jorge e Mateus] foi a décima primeira música, com 75 mil execuções. Vai Vendo [Lucas Lucco], tocou 78 mil vezes e Senha do Celular, entre 45 e 48 mil vezes. Não tem como o rádio não ser 19
20 determinante no sucesso de uma música. Mesmo com todas as coisas, o brasileiro escuta muito rádio, e o que define na maioria das vezes o que vai tocar não é sucesso anterior, é dinheiro de divulgação. A maioria dessas músicas que estouram rapidamente, a culpa é do rádio, e se você olhar, o investimento ali foi altíssimo, revela o baiano. Tays Reis, vocalista da Banda Vingadora e dona do hit do Carnaval de 2016, estreando no comando da pipoca no Campo Grande. Foto: Material de Divulgação Durante a conversa, Coringa também revelou um dado surpreendente: a música Paredão Metralhadora foi executada, entre uma semana antes e uma semana após o Carnaval de Salvador de 2016, mais de 54 mil vezes. Para ele, o maior ganho de se ter uma música no carnaval é de divulgação espontânea aquela que não é consequência de um investimento financeiro específico -, mas se engana quem pensa que não é possível ganhar dinheiro apenas com a execução exaustiva do hit. Em dois anos, o compositor de uma música do carnaval média ganha entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, destacou. Procurada, a União Brasileira de Compositores (UBC), não confirma a informação. Mas, em declaração na internet, o cantor Manno Góes, que é conselheiro da associação, já destacou sua opinião sobre o título de Música do Carnaval. Ninguém liga mais para esta bobagem de ganhar música do carnaval. Não tem mais relevância nenhuma este prêmio. Uma superficialidade que não faz mais nenhum sentido. Não ajuda o artista em nada. Nenhum artista, declarou ele em janeiro de
21 Para Márcio Victor, o prêmio existe sim, e o maior deles é intangível e vem na forma de reconhecimento histórico pela responsabilidade de ter comandado a festa em determinado ano. "A música quando tem merecimento, ela é consagrada. Uma banda que ganha música do carnaval, marca seu nome na festa. Mesmo que ela depois não faça mais sucesso, pra mim o que importa, no sentido de ter o grande hit, é que pra sempre você vai estar marcado no Carnaval de tal ano. A banda ganha visibilidade e credibilidade. O prêmio é valoroso, ajuda a contar a história, mostrar depois o que faz parte da cultura", opina ele. Eles fazem o que a gente já fazia Sobre o futuro da música na festa de momo, nem Márcio, nem Manno, Ricardo ou Tierry souberam precisar. Mas depois de uma análise às cinco respostas para essa pergunta, surge como unanimidade: o que funciona como hit é o que sai da Bahia. A música da Bahia não tá decadente. O que está decadente é a forma que se conduz a carreira do artista baiano, a música da Bahia está mal administrada. Os maiores sucessos saem daqui e o sertanejo viu isso. Aqui temos uma música universal e sem preconceito. O sertanejo prestou atenção que nós temos a maior festa de rua do planeta e eles têm hoje uma coisa que é muito importante no meio da música que é dinheiro. Dinheiro move tudo, colocou Coringa deixando a entender que o grande problema para os compositores baianos produzirem axé é o dinheiro investido nesse ponto. Para Chaves, o motivo da queda da música baiana, em território nacional, é outro. O que aconteceu foi que os cantores de axé, quando estouraram nos anos 90, passaram por uma má vontade de serem engolidos porque não eram do eixo lá de baixo [Sul-Sudeste]. E acabou que os empresários daqui, todo mundo, foi meio burro. Nós invadimos o Brasil inteiro com micareta. E, se você parar pra analisar, a nossa festa é completamente impeditiva, completamente fora da casinha. Como é que algo como o Carnaval quer acontecer fora de Salvador? O trio elétrico é uma coisa absurda. Aquele som altíssimo, bêbados em cima dos trios, criança do lado em cima dos ombros dos pais... Não dá merda porque Deus é brasileiro. Só podia ser coisa de baiano construir essa lógica, fazer isso funcionar. As micaretas dominaram 14 capitais. A gente parava 14 capitais fazendo um Carnaval de Salvador por ano em cada lugar e porque 21
22 acabou? O Ministério Público proibiu em todos os lugares. Não tinha como acontecer. Aí quando as festas foram pra ambientes fechados, reduzia de 200 mil pessoas pra 12 mil. Isso não tinha como fazer ninguém consumir a música baiana. Antes as cidades inteiras respiravam a música baiana, depois, ninguém nem sabia que a festa acontecia, relatou o artista completando sua linha de pensamento fazendo uma relação e dando uma conclusão despretensiosa à informação dada por Tierry. Aí veio o sertanejo e fez o que? Pegou a célula musical baiana, porque o que eles fazem é axé. E o baiano, em vez de se apropriar e dizer não, isso é nosso!, não, foi lá e resolveu fazer o deles. Que desgraça [sic] é essa? Eles fazem o que a gente já fazia, gente... só botaram uma sanfoninha, finalizou o artista. Sem escolher lados na hora de se divertir, aparentemente o folião mais recente, e que se caracteriza como esse futuro do Carnaval, quer mesmo ver a música baiana em destaque na festa. Em uma pesquisa realizada com 360 jovens de 14 a 25 anos, tendo a opção de escolher dois entre dez ritmos, 307 deles escolheram o axé como ritmo preferencial para ser tocado nas ruas em fevereiro. Em seguida, a baianidade continua, só que trazida pelo pagode baiano e samba do recôncavo com seus 110 votos. Para o terceiro lugar, os sertanejos e seus 68 votos. Como conclusão, Márcio, que começou a carreira como percussionista de Caetano Veloso e é aclamado como um dos principais músicos de percussão da Bahia, analisa o mercado e acredita do futuro. Baiano faz música boa no geral. Pra diversos eventos, diversos temas. Baiano é cabra retado. Tem Ivete Sangalo, que é a maior artista do Brasil. A gente sempre traz novidade pro mercado, em qualquer ritmo. A gente sempre tá fazendo coisa boa. Chega na 10 Preferência musical do "novo folião" no Carnaval de Salvador 5 0 AXÉ PAGODE E SAMBA SERTANEJO ARROCHADEIRA QUALQUER COISA Preferência musical do "novo folião" no Carnaval de Salvador 22
23 época do Carnaval todo mundo procura a gente. Não importa o que venha, vem mudando pra melhor. Tanto menino bom, mesmo o pessoal que apareceu na televisão... a gente precisa é valorizar. O menino de Valença, a filha de Cicinho [participantes baianos no "The Voice Kids - Brasil"], Lucas e Orelha, Juninho Lord, Rafa Chagas, Gabriel Rios - que vem com o Baile do Shake, uma arrochadeira maravilhosa. Estão fazendo coisas boas. Os chatos que falam que não, ficam em casa dizendo que não. Enquanto isso, o povo abraça e abraça nas ruas. Isso é o que vale e tá valendo pra continuar sendo", finaliza ele. 23
24 Quem senta da cabeceira da folia? A história do Carnaval pipoca como protagonista da festa O Carnaval de 2016 foi apontado pelo prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, como o mais democrático de todos os tempos. Pela primeira vez, em aproximadamente três décadas, a prefeitura da capital e governo do Estado da Bahia proporcionariam um número alto de artistas com sucesso nacional como atração gratuita para os foliões nos circuitos da folia. Como resultado imediato, o sucesso da festa e do novo modelo. Foliões, imprensa e turistas passaram a tratar a democratização da festa como grande solução para a crise e empresários como vilões hollywoodianos. Ao centro de verde, o prefeito de Salvador ACM Neto se divertindo junto à população no Furdunço. Foto: Valter Pontes/2016 A possibilidade de se divertir no Carnaval sem gastar com abadás de blocos ou camarotes é novidade para as classes A e B que são foliãs remanescentes dos anos 90 e Quem chegou depois, já não vê com tanta estranheza: os preços estavam altos e a rua talvez fosse mesmo a solução. Estranho é não ser apertado pela corda do bloco Coruja ou Cerveja e Cia para assistir Ivete Sangalo passar. Ou não se segurar porque os cordeiros de Bell são barril. Diante do cenário considerado positivo por mídia e audiência, quem está no Carnaval há mais anos do que se possa imaginar levantou sua bandeira afirmando que a festa verdadeira nunca teve amarras. É uma babaquice sair de corda, de abadá... nem turista quer mais. Desde 1975 saio com trio, nunca tive corda, afirmou Moraes Moreira em entrevista antes de sair com seu filho 24
25 Davi Moraes pelo Circuito Dodô em No entanto, empresários se unem e questionam incessantemente aos defensores da rua: Quem vai pagar a conta?. Para entender a festa, então, é necessário voltar a seu princípio. Lugar de batuque é no terreiro Os primeiros indícios de Carnaval por Salvador são dá época do Brasil Império. Mas, nada de batuque e muita gente: as festas eram só para os mais nobres e quem era da corte. Mesmo depois de um bom tempo, quem não era rico tinha que fazer sua festa às escondidas, bem longe do centro. E era assim que os escravos se viravam: muita batucada e samba em rodas fora dos clubes. Temos então a origem do Carnaval de rua soteropolitano: alegria gratuita e diversão sob os acordes dos tambores africanos. O primeiro passo para todo mundo ocupar os espaços públicos veio quando, em 1833, o clube da Cruz Vermelha desfilou com um carro alegórico e homens e mulheres da alta sociedade em cima, recebendo banhos de pétalas de rosas, confetes e serpentinas da multidão que ficava vendo tudo passar. Apesar disso, foi com a chegada do século XX que a rua ganhou força: homens negros passaram a organizar festas em clubes e, com isso, as batucadas chegavam às festas dos ricos e a outras não tão nobres assim. Isso fez a ideia de que lugar de batuque é no terreiro perder espaço para a vontade que todos tinham de expressar a sua alegria Carnavalesca e, como a maioria não podia ir para as festas, ia para a rua fazer a sua própria. Se você considerar carnavais da primeira metade do século XX, tinha claramente divisão entre o Carnaval das elites, realizado através dos clubes Carnavalescos e com a presença dos clubes sociais, embora os clubes sociais não fossem privilégio exclusivo das elites. Você tinha clubes sociais em bairros populares, cujos associados eram pessoas de classe média baixa. Tinha isso em vários lugares da cidade: Itapagipe, Barra - o famosérrimo Palmeiras da Barra, frequentado pelos trabalhadores da Barra, contou o pesquisador e professor da UFBA, Paulo Miguez, ao Bahia Notícias, em janeiro de Foi com o brilhar da estrela de Carmem Miranda que o ciclo de Carnaval teve sua primeira mudança. Primeira cantora destaque do Carnaval, a lusobrasileira tornou a Bahia reduto e terra mãe do samba no Brasil na década de 25
26 40 e foi a primeira artista a se destacar nacionalmente por um ritmo surgido na Bahia e fazer com que as pessoas quisessem conhecer a festa relacionada a ela e a sua música. Neste mesmo período os estivadores resolveram homenagear Mahatma Gandhi com um bloco para os filhos do indiano revolucionário e, já no último ano, Dodô e Osmar apareceram com a Fobica elétrica fazendo de 1950 o ano que marca em todas as histórias o início da festa de momo como acontece na contemporaneidade. Bloco Apaxes do Tororó, desfile no início dos anos Foto: Acervo de imagens/correio* Nessa época, ainda não existiam os blocos como conhecemos com nomes, organização, tradição e fantasia. Todos iam para a rua e se divertiam em uma festa que acontecia unicamente com esse objetivo: entretenimento. Em meados dos anos 60, surgem então os blocos organizados. Foliões de clubes específicos, ou grupos de bairros e outras agremiações se unem para a formação de uma folia mais ordenada. Surgem os Internacionais, Corujas e alguns blocos indígenas, como o Apaxes isso trouxe a coragem dos participantes de clubes a irem para a rua, onde acreditava-se ter a festa mais divertida. Aqueles que não faziam parte da elite, negros e pobres em sua maioria, continuavam na rua, curtindo o que surgisse. Até que, como contou Miguez, surge a consciência de valorização da cultura local. Vinte e cinco anos depois do trio, na metade dos anos 1970, você vai assistir uma outra grande inflexão na festa baiana, uma grande potência que ultrapassa a festa, que é a emergência dos blocos afro. Data de 1975 a saída do primeiro bloco afro, que é o Ilê Aiyê, criado em Vai mudar radicalmente a festa porque vai acionar um conjunto de processos junto à 26
27 comunidade negra e mestiça da cidade, que sempre teve presença forte, mas não tinha um desenho estético e político próprio. Participava da festa de várias formas, em vários tipos de bloco. E os blocos afros vão organizar numa perspectiva política e estética essa comunidade e isso vai produzir impacto fenomenal na festa, em todos os aspectos - organizacional, estético. Os tambores dos blocos afros vão revolucionar a festa. A cultura baiana é outra depois de Os jovens certamente não têm ideia do que era antes o panorama da cidade. Antes de 1975 era raro ver a juventude negra e mestiça poder expressar esteticamente sua condição de negro. Isso não existia e é uma conquista dos blocos afro, o segundo grande momento de transformação da festa, relatou. Os blocos cresceram demais A partir de 1980, então, os blocos configuram uma nova cara ao Carnaval de Salvador. Não apenas por suas características próprias, mas pelas consequências de seus formatos à rua e àqueles que não estavam ali. Com a chegada dos anos 90 e do crescimento dos artistas baianos como sucesso na música nacional, a parte comercial da festa soteropolitana passou a ter foco no turista, que passou a ter o destino como principal em sua agenda de viagens. O soteropolitano, em sua grande maioria, se restringiu a ser pipoca, como começou a ser chamado o público que não pagava para se divertir em blocos, em meados da década. Neste período, os foliões que não estavam de abadá eram comumente aclamados como verdadeiros donos do Carnaval, quem os originou e para quem a folia era originalmente feita. Apesar disso, o sentimento do soteropolitano que se divertia enquanto pipoca já passava a mudar. Acho que quando eles perceberam que podiam ganhar muito dinheiro com o bloco, foi que a gente perdeu, colocou a comerciante Martha Brito, que costumava ir para a avenida e assistir a festa da calçada, na sombra das árvores, como ela mesmo coloca. Isso porque os blocos ficaram muito grandes. O pessoal tava com mais dinheiro pra pagar, e os blocos aumentaram muito, antes a pipoca que ia atrás era do mesmo tamanho, depois ficou menor e mais apertada, porque os blocos cresceram demais, opina ela relacionando a melhoria da festa com a melhoria da situação econômica do brasileiro em geral, já nos anos
28 Netinho no comando do bloco Pinel, em 1994 quando o bloco dobrou seu volume de vendas. Foto: Reprodução / Youtube Para Ricardo Chaves, a opinião de Martha é certeira. Quando começamos, e durante um tempo, eram 1500 foliões no bloco. Depois viraram 5 mil, enumera o artista. Em 1999, Gilberto e Flora Gil perceberam que não dava para levar no trio elétrico todos os amigos, família e convidados que gostariam e, assim, resolveram criar o Camarote Expresso 2222 iniciando outro ciclo no Carnaval de Salvador. Inicialmente os espaços VIP eram só pra convidados e não influenciava muito no direcionamento do público, que ainda escolhia apenas entre agremiações pagas e pipoca. Já no século XXI, após a Central do Carnaval se mostrar consolidada, foram surgindo os camarotes para o público que desejasse comprar a entrada, utilizando do argumento de que veria todas as atrações do dia e de uma maneira mais confortável. Ter uma segunda opção paga elevou as diferenças sociais existentes na festa. Aqueles que podiam, passaram a se dividir entre blocos e camarotes, e a pipoca fica, definitivamente, longe do posto de protagonista. Outro motivo para a discrepância entre públicos, foi quando os veículos de comunicação, que antes ficavam apenas no Circuito Osmar, resolveram acompanhar, também, a festa na Barra. Ocuparam camarotes, dando visibilidade aos espaços e trazendo personalidades famosas que não eram nem do eixo baiano, e nem musical. Isso elevou o status de VIP para aqueles que estavam nos elevados, e aumentou o preconceito por parte dos turistas com a pipoca. Me disseram que na pipoca não é bom, é perigoso, o pessoal também. A gente tá pensando 28
29 em pegar algum bloco, mas queremos mesmo é camarote todos os dias, contou o turista de São Paulo, Augusto Ribeiro*, na quinta-feira de Carnaval de 2016 dia que chegou, junto com cinco amigos, em Salvador. Conforme os dias de folia foram passando, a previsão do empresário foi se confirmando. No domingo, uma tentativa de ir para a pipoca com amigos soteropolitanos. Não dá, é muito cheio. Não é a mesma facilidade. Prefiro lá em cima, afirmou ele antes de se juntar aos outros e ir para um dos espaços VIP localizados em Ondina. Em contrapartida a esse cenário, 80% dos jovens soteropolitanos preferem curtir a festa na pipoca. Se eu pudesse mudar, transformaria o Carnaval em apenas pipoca. Aumentaria o respeito com os blocos evitando que as cordas dos blocos seguintes pressionem a pipoca. Diminuiria cada vez mais camarotes e blocos para acabar com a privatização da folia, opinou a musicista Marina Monroy, de 23 anos. Maior número de trios pipoca e privatização da folia é assunto recorrente em qualquer debate relacionado ao Carnaval nos últimos cinco anos. O assunto começou a ser mais fortemente discutido em 2011, quando a Banda Eva, depois de trinta Carnavais, baixou as cordas de seu bloco e resolveu tocar para o folião pipoca no último dia de folia. Era a primeira vez que um grupo de expressão voltava a protagonizar os não-pagantes na festa. O Eva vai reverenciar a avenida, afinal de contas, foi onde tudo começou. A importância dos blocos no Carnaval de Salvador é incontestável, responsável pelo sucesso nacional do evento e por proporcionar o destaque da nova geração da música baiana. Por esta importância, não há para o Eva joia mais rara que o seu bloco, portanto, o valor deste presente, foi o que disse o grupo em comunicado, na época liderado por Saulo Fernandes, ao anunciar a decisão. Empresário da banda no período em que o cantor foi vocalista, Peu Aguiar contou que o bloco não teve apoio financeiro para a saída gratuita, e que conseguiu através da renda gerada pelos abadás do domingo e segunda-feira; e dos patrocinadores para os dias pagos, colocar o trio pipoca na rua na terça. É muito caro colocar um trio na rua. A gente tem que avaliar essas coisas. Mas o movimento que está acontecendo é interessante se a discussão for realizada de ambos os lados, colocou ele, que não é mais responsável pela carreira do cantor e atualmente comanda a carreira do grupo Cheiro de Amor. 29
30 Primeiro ano de Pipoca liderado por Saulo Fernandes, ainda na Banda Eva, em Foto: Divulgação Banda Eva/2011 Não existe almoço de graça Importante diante do movimento de retorno ao protagonismo da pipoca, a discussão sobre o pagamento de contas desse modelo de festa só passou a ser, de fato, levantada com a divulgação das atrações do Carnaval 2016 e as divisões de quem sairia em blocos e trios independentes. Assim como aqueles blocos que não conseguiram patrocínio ou vendas para colocar seu caminhão na rua. O Carnaval pipoca tem uma coisa que é fato: não existe almoço de graça. Então, é muito bonito todo mundo dizer que o Carnaval tem que ser na rua e não pode ter corda... eu discordo. Ainda sou um defensor de tudo. O bloco foi importante, passa por uma crise, o modelo foi errado, mas eu não posso amaldiçoar os blocos de Carnaval. Acho que eles são importantes ainda, não vão voltar a ter o modelo que tiveram, porque tudo mudo, tudo passa. Acabou aquela fase, ótimo, vamos pensar em outro formato. Eu já fui dono de bloco e não quero mais envolvimento, porque eu não consigo. Se eu tivesse um modelo que eu enxergasse como bom eu faria, mas não vejo, nem como empresário, nem como cantor. Mas ao mesmo tempo, não pode ter um Carnaval só sem corda. Quem vai pagar?, perguntou Chaves. O cantor explicou que, para ele, as gestões da cidade de Salvador e do estado da Bahia são responsáveis por bancar algumas atrações, mas com ressalvas. 30
31 O poder público tem que participar do Carnaval, sim. Tem que colaborar com artistas de notoriedade na rua, sim. Tem que colocar artistas históricos, sim porque isso é cultura, você não pode abandonar a cultura. Esse artista tem história, o Carnaval é história. Você tem que manter a sua história, um povo sem história não existe. Então, isso o poder público tem que fazer. Mas tudo tem um limite. A gente não pode chegar a achar que o governo, tanto municipal quanto estadual, tem que bancar todos os artistas. Porque aí a conta não fecha, aí todo mundo vai reclamar, porque não é justo. Não é justo que não tenha escola e vá todo mundo pra rua. Mas tem sim que ter uma verba destinada a colocar x blocos afro, x artistas de rua, x artistas famosos, x artistas históricos é pra isso que existe a secretaria da cultura. Mas se não tiver como se auto sustentar, o governo não tem como bancar tudo não. Isso não existe, afirma o cantor, que também é administrador e já trabalhou em sociedade na realização de blocos e camarotes do Carnaval. Em 2016, o tema escolhido para a festa foi Vem Curtir a Rua, o que para o Presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, foi o ápice do incentivo à pipoca por parte do poder público. O entendimento da prefeitura, nesse sentido, é que com o Carnaval de rua fortalecido, ele fortalece todo o sistema. (...) E nunca o Carnaval de rua foi tão favorecido como agora. Inclusive, todos os camarotes e blocos de trio registraram aumento de vendas em relação ao ano passado, ou seja: isso não atrapalhou, isso valorizou. Então, assim, as pessoas que vieram e gostaram, certamente, se tiverem dinheiro, vão voltar de novo. Porque esse ano, Deus sabe como é que vai ser isso. Mas no fundo, é isso, se o sistema de rua tá bacana, fortalecido, confortável e animado, todo mundo ganha. Agora se for uma coisa desanimada, que ninguém quer, realmente não tem como ninguém querer e nem gostar, coloca o gestor. Com pensamento semelhante ao de Edington, o empresário Wagner Miau foi um dos que exaltou a folia de Esse ano foi um Carnaval muito interessante no aspecto financeiro. Acho que as pessoas deixaram de viajar para o exterior, então o Carnaval acabou muito bacana para todo mundo. A gente ficou feliz que todos os nossos clientes, camarotes, já queriam renovar, contou ele. Apesar disso, o baiano afirma que a gestão pública precisa se unir 31
32 com o empresariado para que o Carnaval retorne ao caminho claro do sucesso. A Bahia e Salvador são Carnaval e ele precisa ser repensado. A ABRE [Associação Brasileira dos Profissionais Liberais e Representantes Comerciais e Empresariais] está trabalhando para isso, porque o Carnaval de Salvador evoluiu muito nos camarotes e a rua ficou como era na década de 80. O governo e a prefeitura colocaram atrações sem cordas, uma atitude muito bacana, mas isso não paga conta de ninguém e não leva o povo. Quem leva o povo são as 3 mil pessoas que estão dentro de cada bloco. E o bloco está em uma situação que eu acho que está ultrapassado. (...) Então, eu acho que o prefeito, que tem o maior mérito ou demérito do sucesso ou insucesso do Carnaval, tem que sentar com a ABRE e resolver o que vai fazer com essas três mil pessoas do Coruja de Ivete, os cinco mil de Bell que é um recordista de venda de abadá. Porque são esses blocos que viabilizam a multidão de pessoas na rua. E se o Carnaval é forte, a música da Bahia é forte. E todo mundo, produtores e todo o resto ficam fortes, colocou. Banda Psirico no comando do bloco Inter. Bloco ao centro, pipoca às laterais da imagem. Campo Grande/2016. Foto: Ag Haack para Bahia Notícias Já para o presidente da Saltur, o caminho é inverso, e o que valoriza as ruas é a população presente na pipoca e a sua valorização. O fato de a gente valorizar a rua não significa que a gente está competindo para que o bloco venda. Muito pelo contrário. Quando mais a rua tiver forte, quanto mais estimular as pessoas a estarem na rua curtindo, isso é melhor pra ele como um 32
33 todo. Porque a pessoa que curte o Carnaval na rua, é a mesma pessoa... lógico que têm muitas pessoas que curtem camarote, curtem também o bloco, curtem a fanfarra, o bloco de trio, o afoxé... Ou seja, são as mesmas pessoas. Muitas dessas pessoas que curtem o camarote, curtem todo o sistema do Carnaval e valorizam ele. O próprio camarote está organizado para contemplar a rua. Por mais que tenha atividades, atrações que estão participando lá dentro, o que dá força é o que acontece na rua. A motivação toda, as pessoas vêm pra Salvador porque existe um Carnaval de rua forte e existem os camarotes, os blocos, um Carnaval pra todas as opções - a gente acredita muito nisso, opinou ele. Alvo de críticas e elogios, a prefeitura de Salvador trouxe para o Carnaval um conhecido modelo de negócio, em busca de favorecer marcas de patrocinadores e, portanto, ter maior arrecadamento financeiro por parte da iniciativa provada e ter mais fonte de incentivo ao Carnaval de rua. Nosso papel é tentar arrecadar pra ter uma qualidade da festa melhor e, ao mesmo tempo, fazer com que o cofre público gaste menos. Por exemplo, o Carnaval para a prefeitura custa, aproximadamente, 50 milhões. Na medida que arrecado em torno de 25, metade desse dinheiro, que iria sair do cofre da prefeitura, não sai. Isso é muito bom pra cidade. Ao mesmo tempo, exatamente por isso estar acontecendo a gente consegue fazer uma festa com um alcance maior. Eu consigo atingir a mais entidades que a gente apoia, por exemplo. Pra você ter uma ideia, só de entidade foram mais de R$4 milhões que a gente distribuiu entre entidades como agremiações afro, índios, atividades culturais de bairros, tudo que você possa imaginar. Fora a contratação de atrações, que foram mais de R$3 milhões. Metade desse dinheiro saiu dos cofres dos patrocinadores, justifica Isaac não abordando, em primeira justificativa, um ponto trazido por Chaves como fundamental para a arrecadação da gestão municipal na folia. Vai ser só cobrando imposto de camarote? Querendo ou não querendo, o camarote traz gente também. É um discurso muito bonito bater nos empresários, que fazem um monte de besteira, mas fazem muita coisa certa. Então o cara que tem bloco, tá ali pagando imposto, é muito caro botar um bloco na rua. Ele tá pagando e faz parte do Carnaval aquele espaço com 33
34 aquele artista, porque ele traz pessoas pras ruas, afirma o músico e administrador que, assim como Miau, coloca na conta dos blocos a quantidade de pessoas nas ruas e o ciclo financeiro da festa. Para Miguez, no meio da discussão financeira da festa, a prefeitura precisa manter o foco nas expressões culturais e na essência da festa. [A função está] No enfrentamento de questões que são centrais à festa, o cuidado com a dimensão do patrimônio cultural da festa, a ausência de regulação da festa, especialmente sabendo que é presente práticas mercantis muito fortes com atores de peso; tem que ter cuidado para não descaracterizar a condição principal do Carnaval, o patrimônio intangível mais forte que a cidade tem, coloca o professor e pesquisador. Para os próximos carnavais, nenhum dos entrevistados nos dá certeza. Apesar disso, o presidente da Saltur opina sobre o modelo de patrocínio trazido pela gestão atual da prefeitura de Salvador. Eu me surpreenderia que algum gestor que venha após o prefeito ACM Neto deixe de usar esse modelo. Eu diria que seria um estúpido completo. É um modelo que foi desenhado, é utilizado no mundo inteiro. O exemplo mais clássico são os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. (...) Você precisa da iniciativa privada participando, e tem que oferecer um conjunto de contrapartidas que compense isso e que seja atrativo também e, evidentemente, com comercialização de produtos. Sempre sendo responsável, dentro da lei. Obviamente ninguém vai defender a ilegalidade. Mas, tendo sido tudo acordado dentro da lei, como a prefeitura fez... por isso que dos 3, 4, 7 milhões que eram arrecadados pulou pra 25, 30, 37 milhões. (...) Antigamente a empresa fingia que patrocinava e o cara fingia que dava resultado. Hoje, quem abrir mão desse modelo, obviamente tem um parafuso a menos, finaliza ele, traçando um caminho público para o despontamento da nova valorização do cidadão soteropolitano dentro de uma festa que representa, mais do que tudo, sua cultura. *Nome fictício a pedido do folião 34
35 Sobre o projeto Carnaval de Salvador em Pauta Ricardo Chaves e Timbalada no Carnaval de Salvador/Anos Foto: Acervo Ricardo Chaves Para bom folião, seis dias não bastam. O que fica entre a Barra e o Campo Grande, nome original do projeto publicado neste site, é fruto do trabalho de uma jornalista que, quando criança, só tinha uma certeza sobre o seu futuro: seria uma foliã incansável. A publicação desta série de reportagens foi pensada e realizada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), mas além de tudo é resultado do desejo de unir o exercício da profissão escolhida e a folia de momo, fazendo valer um dos maiores bregas e necessários clichês da nova geração: Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida. A experiência de trabalho com Jornalismo de Entretenimento no site Bahia Notícias unida à cobertura de dois carnavais, pelo mesmo veículo, aguçaram a curiosidade sobre assuntos específicos da festa de rua temas estes não abordados pela intensa cobertura de mídia do período. A série é, então, um trabalho de pesquisa e aprofundamento de um evento que possui mais de 60 anos de existência e praticamente, o mesmo tempo de abordagem pela imprensa local e nacional. O carnaval da Bahia é tema abordado em cases de sucesso para a Polícia Militar, Produtores Culturais, Empresários do Entretenimento, Governantes, Shoppings e Aeroporto. É uma festa que, de acordo com dados da Empresa Salvador Turismo Saltur, Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur), e Bahiatursa, em 2016, gerou mais de
36 mil empregos diretos e indiretos, garantiu ocupação hoteleira de 97% em Salvador e levou à injeção de R$ 840 milhões na economia local. Ao avaliar minuciosamente as coberturas realizadas nos Carnavais de 2014, 2015 e 2016, foi percebido um agendamento natural de determinadas pautas antes, durante e após o período de folia. Independente do veículo e da forma como ele se comunica com sua audiência, as mesmas abordagens se repetem, a partir de diferentes enquadramentos, dentro da cobertura no ano corrente e nos anos anteriores. Nos veículos de imprensa mais lidos pela sociedade baiana, as pautas durante a cobertura de carnaval partem de algumas prioridades e não aprofundam as discussões em temas que, necessariamente, são de interesse do público soteropolitano. Pensando nisso, quatro pautas foram desenvolvidas em forma de reportagens para fomentar a discussão da crise do carnaval; da renovação de público e o que isso apresenta de nossa sociedade; do que é a música do carnaval, como surge e o que isso demonstra da festa; e a história do carnaval pipoca e as possibilidades reais dele voltar a ser protagonista na festa. Foi elaborada e aplicada, também, uma pesquisa de diagnóstico de quem é o novo público da folia de momo. Com as 360 respostas obtidas foi possível, então, observar alguns desejos desse público e avaliar as formas que o Carnaval deve tomar no futuro. Por fim, o objetivo desde trabalho é trazer a história para entender o presente da festa e discutir o que é possível, de fato, acontecer no futuro. Fazer com que as discussões saiam do âmbito exclusivo empresarial, midiático e político e, de alguma forma, cheguem ao público interessado. Além disso, uma linha do tempo audiovisual foi montada para que o leitor viaje no tempo baseado na história contada pelas reportagens e possa observar as mudanças diante de sua visão crítica particular e, é claro, se divertir matando saudades das alegrias vividas nos Circuitos Dodô e Osmar. 36
37 Sobre a foliã, ops, autora Como não poderia deixar de ser na construção de um trabalho como este: sou essencialmente soteropolitana e foliã. Nasci em família grande e festiva tanto de pai, quanto de mãe e desde então, cresceu comigo a paixão pelo entendimento e vivência da cultura e do entretenimento. Apaixonada por pessoas, a comunicação me veio não apenas como profissão, mas como hábito, prazer e vocação. Através dela aprendi a conhecer histórias e buscar entender, cada vez mais, as diferentes vidas que cada um tem e leva, me encantando diante de diferentes cenários, muitas vezes inimagináveis antes de conhecê-los. Só poderia ser, então, uma apaixonada pelo Carnaval de Salvador e seus pormenores. Ou pormaiores, já que tudo nesta festa é grande, absurdo e só se vê na Bahia. Graças a Deus, só na Bahia. Minha primeira lembrança fotográfica da folia de momo data de 1996, aos dois anos, com um abadá do bloco Me Leva (hoje Me Abraça ) e mamãe-sacode em punho. Por parte de pai, todos iam para a Avenida homens de Muquiranas e mulheres na pipoca, com base de apoio em um quarto e sala alugado todo ano para o período. Já no lado materno, a folia era mais caseira: família reunida, muito sol, praia, comida e música. Descobri, já mais crescida, que, no meu caso, o amor pela alegria estava no sangue e não seria uma fase, muito pelo contrário aumentaria a cada ano. Fases eu tive, de fã. Aos 5, Netinho e Gilmelândia eram ídolos. Mais tarde, 37
38 Babado Novo e Claudia Leitte. Depois, Saulo Fernandes. Hoje, o axé não me ganha com a mesma facilidade e devoção de outrora. Mas, ainda assim, aprendi a ser saudosa pelos antigos acordes de Bell Marques, Durval Lellys e Timbalada. Além de grande fã daquela que foge à regra em qualquer contexto ou comparação especifica na Bahia: Ivete Sangalo. Pois bem. Foram sete anos entre o Ensino Fundamental e médio no Colégio Militar de Salvador e quatro anos (e meio) de Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Nesses últimos, me dividi entre graduação e trabalho não remunerado na Produtora Júnior [Empresa Júnior de Comunicação da UFBA], do início de 2012 ao fim de 2013; estágio na Comunicação Interna da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, durante os primeiros nove meses de 2014; estágio como repórter de conteúdo geral no site Varela Notícias, em outubro e novembro do mesmo ano; estágio na produção de projetos para inscrição em editais na Viva Inovação, de novembro de 2014 a janeiro de 2015; e, por fim, estágio como repórter da Coluna Holofote no site Bahia Notícias, entre janeiro e setembro de 2015 quando fui contratada pelo veículo e exerço função de repórter da mesma coluna até então. Este trabalho, acredito eu, é apenas o primeiro que realizo no que se refere à música, cultura e entretenimento. Meu objetivo é fazer com que esses três pontos sejam a base dos principais projetos da minha carreira profissional, que, por sinal, começa em definitivo agora. Wish me Lucky! 38
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Não me leve a mal Começa a cena no meio de um bloco. Ao redor há confetes, purpurinas e latas de bebida para todo o lado. A música está alta. No centro há um grupo de foliões delimitados por uma corda
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Vídeo Áudio Tema Comentário imperdível (interno ao material)
Número da fita: 0037 Título: Entrevista com D. Mariana e Seu Pedro Mídia: Mini DV Time Code in Out 00: 08 02: 35 S. Pedro Antonio e D. Mariana num sofá, com uma bandeira de folia ao lado. (o filme começa
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