LINGUAGEM E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA
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- Ana Clara Martinho Vasques
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1 AULA 2 PG 1
2 Este material é parte integrante da disciplina Linguagem e Argumentação Jurídica oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem on line. AULA 2 PG 2
3 Sumário AULA 02 MODALIDADES DA LÍNGUA...4 A linguagem jurídica...5 A questão argumentativa da linguagem jurídica...6 BIBLIOGRAFIA...8 AULA 2 PG 3
4 AULA 02 MODALIDADES DA LÍNGUA Nesta aula, retomaremos, de forma sintética, os elementos da comunicação e veremos que existem diversas modalidades de língua e de linguagem, diferenças cuja compreensão é importante na medida em que saber usar a linguagem formal ou informal, em seus vários níveis, garante um ato comunicacional eficaz. Veremos, ainda, a questão da linguagem jurídica e seu enquadramento nas classificações discutidas. Discutiremos os diversos níveis da linguagem jurídica, segundo a sua função criadora, aplicadora ou operacional do direito e começaremos a discutir a função argumentativa na linguagem jurídica. Acesse a plataforma e ouça o áudio sobre esse assunto. Se preferir você pode baixá lo para ouvir onde desejar. Pois bem, para se comunicar, e, portanto, para expressarem seus pensamentos, as pessoas ora usam a língua culta ora usam a língua popular. A língua culta ou língua padrão é aquela que é ensinada nas escolas, por meio da gramática e sua função é a de manter a unidade sócio cultural de uma comunidade. É também aquela usada nos textos acadêmicos, científicos, literários, jurídicos, nos jornais e revistas. Ao lado da língua culta, existe outra modalidade funcional da língua. Trata se da chamada língua popular ou linguagem cotidiana. Mais dinâmica e espontânea, ela não se sujeita às regras gramaticais impostas pela gramática. A língua coloquial ou comum pode se manifestar pela linguagem popular, tem na gíria sua expressão maior e como se sabe, é usada para expressar pensamentos dentro de uma comunidade menor ou pela linguagem familiar, isto é, aquela usada entre os integrantes de uma família, de que o uso do diminutivo ou de apelidos carinhosos são os exemplos mais significativos. Existe, ainda, ao lado da língua culta e da língua coloquial, outra modalidade denominada língua grupal, usada por grupos específicos. É o caso da linguagem empregada por comunidades afastadas dos grandes centros urbanos; das gírias empregadas por certas comunidades e da linguagem técnica empregada por profissionais do Direito, da Medicina, da informática, do futebol. AULA 2 PG 4
5 Vale observar que essas modalidades funcionais da língua são intercambiáveis entre si e seu uso depende do contexto e do ambiente em que as pessoas se encontram. É certo que um advogado não emprega a linguagem jurídica o tempo todo em que se comunica. No recesso do seu lar, conversando com seus familiares, a linguagem haverá de ser coloquial, poderá não empregar gírias, mas não se comunicará da mesma forma com que se comunica com um juiz ou um promotor. Acesse a plataforma e ouça o áudio sobre esse assunto. Se preferir você pode baixá lo para ouvir onde desejar. Até agora tratamos da língua e da linguagem, de suas modalidades e níveis, sem precisar o meio pela qual ela se manifesta, isto é, se escrita ou falada. A comunicação pode, pois, ser escrita ou falada e em certa medida podemos intuir que há diferenças bem acentuadas entre a língua escrita e a língua falada. Pense nas diferenças que há entre um texto escrito e uma mensagem falada. Você consegue identificar esses traços distintivos? Pois é, a língua escrita não é mera transcrição daquilo que se fala e requer mais atenção e cuidado de quem a usa, visto que ao produzir uma comunicação escrita, emissor e receptor não estão no mesmo contexto, por isso a linguagem escrita tende a ser mais descritiva. O uso do vocabulário precisa ser mais cuidado para que o interlocutor compreenda, assim, a linguagem escrita depende de planejamento e em certa medida está distanciada do interlocutor. A língua falada, de outro lado, é minimamente planejada e, porque envolve o interlocutor, sofre alterações constantes no curso. A linguagem jurídica E a linguagem jurídica? Onde, nesse emaranhado de classificações, é possível enquadrar a linguagem de um grupo específico de pessoas, denominadas de operadores do Direito. Já sabemos que o uso da linguagem depende do contexto que os interlocutores se encontram, por isso, vamos concentrar a nossa discussão no uso da linguagem jurídica no contexto da prática do Direito, mas precisamos fazer uma distinção entre a linguagem jurídica e a linguagem judiciária. A linguagem jurídica é aquela empregada pelo Direito, enquanto norma e a linguagem judiciária é aquela emprega pelos serventuários da Justiça. AULA 2 PG 5
6 Desde logo podemos dizer que a linguagem jurídica pode ser escrita ou falada. A linguagem escrita é aquela manifestada nos pareceres, petições, requerimentos, projetos de lei, resoluções, portarias, decretos, circulares. É por isso, formal e culta. A linguagem jurídica falada é, de outro lado, aquela que se vê nas audiências e sustentações orais nos Tribunais. É também, formal e culta, e, tanto quanto a linguagem escrita, é marcada por um vocabulário muito específico e próprio que compõe um verdadeiro repertório, estampado nos dicionários jurídicos. Vimos, pois, que a linguagem jurídica representa um modo de expressão de um grupo, isto é, o grupo de profissionais que editam o direito (legislador), que aplicam e dizem o direito (juízes) e que operam o direito (advogados) e, de um modo mais abrangente, de toda uma classe de pessoas que de alguma forma praticam o direito. É nesse sentido que temos, então, vários níveis de linguagem jurídica. A linguagem do legislador estampado nos códigos, a linguagem dos juízes e Tribunais, que se vê nas sentenças, despachos e decisões, a linguagem contratual, usada pelos advogados nos contratos, a linguagem dos registradores públicos, no vários documentos que produzem destinados a registrar e dar publicidade a certos atos jurídicos. Veja exemplo ilustrativo na plataforma de estudo. A questão argumentativa da linguagem jurídica De todas as perspectivas que vimos até agora a respeito da linguagem jurídica, uma não pode passar despercebida a função argumentativa do Direito. Falamos na função criadora, da função realizadora e até mesmo da função operacional do direito, mas todas elas passam de alguma forma pela função argumentativa. De fato, a argumentação está presente na linguagem jurídica empregada na fase de elaboração da norma, seja ela pré legislativa seja ela legislativa, nas discussões que ocorrem no interior das Comissões Parlamentares que examinam o conteúdo do projeto de lei proposto. Pense nas discussões que vêem travando acerca da descriminalização do aborto ou da maioridade penal. AULA 2 PG 6
7 A argumentação está presente, ainda, na fase de dicção do direito, ou melhor, na sua fase de aplicação pelos juízes ou pelos órgãos da Administração Pública que têm poder decisório. Falamos aqui dos processos administrativos. A argumentação empregada pelos juízes e órgãos de decisão ora passam pelo problema referente aos fatos apresentados, ora passam pelo problema relativo à norma a ser aplicada. O que interessa quanto à função argumentativa da aplicação do direito é a razão justificadora da aplicação de uma determinada norma jurídica em detrimento da outra, que resulta de um ato de interpretação da norma a ser eleita como aplicável a determinado caso concreto. É por isso que quando a questão é de operacionalização do direito nos Tribunais, não são poucas as vezes que se associa a imagem de um bom advogado àquele que é habilidoso no uso da linguagem jurídica, àquele que é capaz de argumentar, seja construindo argumentos seja manipulando os, isto é, usando os de acordo com as situações jurídicas que lhe são submetidas na busca de uma decisão favorável ou menos danosa. AULA 2 PG 7
8 BIBLIOGRAFIA pp PETRI, Maria José Constantino. Manual de Linguagem Jurídica. São Paulo: Saraiva, AULA 2 PG 8
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