Teoria geral do crime
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- Nathan Ramires Amarante
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1 CURSO ESCOLA DE DEFENSORIA PÚBLICA Nº 49 DATA 13/10/15 DISCIPLINA DIREITO PENAL (NOITE) PROFESSOR CHRISTIANO GONZAGA MONITORA JAMILA SALOMÃO AULA 07/08 Ementa: Na aula de hoje serão abordados os seguintes pontos: Teoria geral do delito. Culpabilidade Teoria geral do crime Culpabilidade: 1) Elementos da culpabilidade: 1.1) Imputabilidade: c) Embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior Art. 28, CP. Emoção e paixão Art Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Embriaguez II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) 1º- É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de )
2 2º- A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Exclui a culpabilidade. Proveniente de caso fortuito ou força maior. O agente não responde por nada. Ex.: Calouradas. Obs.: Embriaguez voluntária o agente responde penalmente. Teoria da Actio Libera in Causa (Ação livre na causa) Agente de forma voluntária que bebe e comete crime. Responde pelo crime porque quando começou a beber era livre. A ação era livre na causa. A embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior não é livre na causa. Não tem punição, não responde por nada. 1.2) Potencial conhecimento da ilicitude: O agente tem que ter conhecimento de que aquela conduta é criminosa. Consciência potencial de que a conduta é crime. a) Erro de proibição Art. 21, CP: Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) O agente não tem potencial conhecimento da ilicitude. Tem que ter o conhecimento de que o que está fazendo é crime. b) Exigibilidade de conduta diversa. É exigível que o agente tenha comportamento diverso. É a possibilidade de portar-se de outra forma. Coação moral irresistível: É diferente da física. A coação moral é quando o agente é coagido e pode ou não atuar de outra forma. Ainda tem uma escolha mental, mas é irresistível. Quem responde é autor da coação. Art. 22, CP. Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Obediência hierárquica:
3 Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art. 22, CP. Ordem não manifestamente ilegal responde o autor da ordem. Se for manifestamente ilegal responde o autor da ordem e quem executou. Tem que ter hierarquia. Há possibilidade de ocorrer na área privada, excluindo a culpabilidade também. Quem pratica o ato não responde, quem responde é o autor da coação ou da ordem. Culpabilidade puramente normativa: Porque todos os elementos da culpabilidade estão no código penal, estão na lei. 1.3) Erros: Erros essenciais: Incidem sobre elementos essenciais do tipo ou da norma. Erros Acidentais: Incidem sobre elementos circunstanciais do tipo. Erros que estão circundando o tipo penal, não tem relevância quanto ao tipo penal ) Erros essenciais: a) De tipo (art. 20, CP): Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Incide em relação a uma elementar do tipo penal. Elementar é tudo aquilo que integra a figura típica. Obs.: Se o agente errar em relação ao Art. 334-A, CP (Contrabando: importar ou exportar mercadoria proibida). Entrada com remédios, vitaminas do exterior Elementar do tipo Erro de tipo. Contrabando Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida: (Incluído pela Lei nº , de ) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos. (Incluído pela Lei nº , de )
4 Obs.: Art. 33, lei 11343/06 Trazer drogas para o Brasil. Drogas Portaria da ANVISA para descobrir quais são as proibidas. Tráfico de lança-perfume Pode ser erro de tipo por não saber que é proibido. Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a (mil e quinhentos) dias-multa. Vencível / Evitável / Inescusável: Esse erro exclui o dolo. Mas pune a culpa, se a culpa tiver previsão legal. Invencível / Inevitável / Escusável: Exclui dolo e culpa. Resulta na atipicidade. O agente não responde por nada. b) Erro de proibição (art. 21, CP): Incide sobre a norma proibitiva. O agente não sabe que aquela conduta é criminosa. Situações específicas em que o agente não sabia do conteúdo proibitivo da norma. Vencível / Evitável / Inescusável: Causa de diminuição de pena. Também chamada de minorante. Invencível / Inevitável / Escusável: Isenta o agente da pena. Excludente de culpabilidade, no elemento potencial conhecimento da ilicitude. Nos dois casos do erro de proibição o dolo permanece, não é excluído. No erro de tipo nunca tem o dolo. Descriminates putativas: Descriminalizar de forma imaginária. Quando o agente, de forma imaginária, vai excluir o crime. Acha que aquilo não é crime. O agente pensar estar praticando uma conduta permitida. o Erro: a) Pressuposto fático:
5 O agente supõe situação de fato que se existisse tornaria a ação legítima. Ex.: Legítima defesa. b) Existência de uma justificante: Justificante Excludente de ilicitude. O agente supõe que exista uma permissão para realizar a conduta, mas não existe. Ex.: Eutanásia. c) Limites de uma justificante: O agente sabe quais são as justificantes que existem, mas erra em relação aos seus limites. Na cabeça do agente ele pensa que pode exceder em uma situação de legítima defesa quando a vida dele está em risco. O agente erra quanto aos limites dessa excludente. o Teorias: a) Teoria extremada da culpabilidade: Quando há um erro quanto aos pressupostos fáticos Art. 21, CP. Quando há erro sobre a existência de uma justificante Art. 21, CP. Quando há erro sobre os limites de uma justificante Art. 21, CP. Extremada Todos os casos de erros envolvendo descriminante putativa utiliza o art. 21, CP. Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.(redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) b) Teoria Limitada da Culpabilidade: Quando há um erro quanto aos pressupostos fáticos Art. 20, 1º, CP. Trata-se de erro de tipo. Obs.: No caso do art. 20, 1º, CP: Se o erro invencível Isenta de pena. Exclui a culpabilidade. Se o erro vencível Crime culposo, se previsto em lei. Alguns trabalham o art. 20, 1º, CP como erro sui generis. Nome dado pela doutrina Erro de tipo permissivo.
6 Quando há erro sobre a existência de uma justificante Art. 21, CP. A doutrina chama de Erro de permissão ou Erro permissivo ou Erro de proibição indireto. Quando há erro sobre os limites de uma justificante Art. 21, CP. A doutrina chama de Erro de permissão ou Erro permissivo ou Erro de Proibição indireto. Teoria adotada pelo código penal. Dentro do art. 20, 1º, CP, quando o erro é vencível pune pelo crime culposo. Culpa imprópria. Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art. 20 Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de ) 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.(redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) 1.1.2) Erros acidentais: Erros periféricos ou erros circunstanciais. a) Erro sobre o objeto: Não faz diferença subtrair um quilo de açúcar ou sal, um celular de uma ou outra pessoa. b) Erro sobre a pessoa: Art. 20, 3º, CP. Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art. 20 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de ) Considera as características da vítima virtual e não da vítima real. Ex.: O agente pensar estar praticando o crime contra o próprio pai, mas atira no tio, irmão gêmeo, que estava passando na hora. Responde como se estivesse matado o pai, com a agravante de ascendente. c) Aberratio Ictus / Desvio na execução: Art. 73, CP. Erro na execução Art Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no
7 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) É quando o agente quer acertar A, mas acerta B. Erro de pessoa para pessoa. O art. 73, CP, diz que nesse caso ocorre como se tivesse atingido a vítima pretendida, a regra do art. 20, 3º, CP. Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Art. 20 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de ) Se atingir as duas vítimas Um só ato, dois crimes Art. 70, CP Concurso formal de crimes, próprio, perfeito ou puro. Concurso formal Art Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) Quando o agente quer matar as duas vítimas e mata ambas com um tiro ocorre concurso formal impróprio. d) Aberratio Criminis / Resultado diverso do pretendido: Art. 74, CP. Resultado diverso do pretendido Art Fora dos casos do artigo anterior, quando, por acidente ou erro na execução do crime, sobrevém resultado diverso do pretendido, o agente responde por culpa, se o fato é previsto como crime culposo; se ocorre também o resultado pretendido, aplica-se a regra do art. 70 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ) O agente erra na execução, mas de pessoa para coisa ou de coisa para pessoa. Responde pelo crime culposo, se previsto em lei. e) Aberratio Causae / Dolo geral / Dolo generalis: Quando o agente erra em relação ao nexo causal do crime. Quando o agente quer um crime fim, mas no meio do caminho ocorre um erro no nexo de causalidade e o agente pratica outro crime. Verifica-se o que o agente de fato fez. Tipo incongruente.
8 Ex.: o agente queria matar a vítima enforcada, mas achando que já matou joga no rio e a mata afogada. O que ocorreu não corresponde ao aspecto subjetivo. O agente responde por homicídio, mas não pela qualificação, porque o enforcamento não ocorreu e o afogamento não era a intenção. O agente responde pelo homicídio simples.
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