O RISO DE BRÁS CUBAS 1

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1 O RISO DE BRÁS CUBAS 1 João Paulo Santos Silva (UFS) 2 Introdução Em Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis empreende uma reflexão sobre a vida social da aristocracia agrária brasileira de meados do século XIX. Isso se mostra nas análises com tom constante de cômico do defunto autor Brás Cubas, isto é, ao narrar sua história de uma perspectiva privilegiada pela condição suscitada pela morte, ele revela as dissimulações humanas e as estruturas sociais arcaicas de uma sociedade que se pretendia ser moderna mesmo sendo escravocrata. A essa forma de narrar num tom de gracejo que buscamos compreender qual o papel desempenhado pelas estruturas cômicas, assim como que função desempenhariam na narrativa. Para tanto, baseamos esse estudo nos ensaios bergsonianos sobre a comicidade O riso: ensaio sobre a significação da comicidade -, no trabalho freudiano sobre os chistes e sua relação com o psiquismo humano Os chistes e sua relação com inconsciente -, além dos conceitos sobre o chiste, a sátira e a ironia de Jolles (1976). As considerações de Sant Anna (2003) sobre paródia também nos foram úteis, bem como os escritos dos críticos machadianos Gledson (2006) e Schwarz (2000). Assim, as manifestações da comicidade apresentaram-se por meio de palavras, de situações e de estrutura chistosas. Mas é, sem dúvida, com a ironia machadiana que a comicidade se concretiza no romance. A inversão de pensamento promovida pelo discurso irônico revela aquilo que se reprime para se viver de aparências no seio social. De posse desse instrumental teórico pudemos analisar em Memórias póstumas de Brás Cubas como se dão as manifestações da comicidade, isto é, quais os procedimentos que aparecem nessa obra e qual as funções desempenhadas. A comicidade de situação, sem dúvida, é evidente nas histórias que Brás Cubas conta 1 Este artigo é um recorte do Trabalho de Conclusão de Curso Com a pena da galhofa, que foi orientado pela Prof.ª Dra. Jacqueline Ramos (DLi/UFS). 2 João Paulo Santos Silva é graduando em Letras Português pela Universidade Federal de Sergipe Campus Prof. Alberto Carvalho. 1

2 depois de morto. Mas são as reflexões do defunto narrador e, portanto, o foco narrativo que constituem a gênese do risível na obra. Manifestações da comicidade Brás Cubas abre as Memórias com uma dedicatória que exemplifica bem o desprezo irônico de nuances cômicas que marcará toda a obra. Ele dedica, pois, a obra ao verme que primeiro roeu o corpo dele numa atitude de total desprezo à raça humana. A imagética suscitada daí de que uma análise póstuma profunda acerca do homem e de suas instituições dedicada aos vermes denuncia a ironia mordaz e sutil permeará toda a obra. Vejamos de forma Machado constrói essa crítica no capítulo O emplasto : Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. [...]Assim, a minha ideia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: amor da glória. (ASSIS, 2004, p.14) Nesse trecho fica evidente o desvelamento da hipocrisia da classe burguesa da mesma forma em que se salienta a criação de discursos que mascaram a realidade por trás da ideia de curar a melancolia da humanidade está na verdade a realização de um desejo de reconhecimento pessoal que era ver a expressão Emplasto Brás Cubas em todas as vitrines. O capítulo O menino é o pai do homem - que já no título inverte a ordem lógica que seria o homem é pai do menino - indica o comportamento errático e endiabrado que vai perdurar no caráter de Brás Cubas já adulto. Observemos como o menino Brás é descrito: Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de menino diabo ; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu 2

3 tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce por pirraça ; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepavalhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, algumas vezes gemendo, mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um ai, nhonhô! ao que eu retorquia: Cala a boca, besta! [...] mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos. (ASSIS, 2004, p ) Percebe-se que Brás cresceu sem uma educação que de fato lhe desse condições de formar uma conduta reta. Pelo contrário: se o pai dele o repreendia, o fazia apenas por mera formalidade, e o exaltava em particular. O brinquedo de Brás era um escravo também criança. A repetição da estrutura social de um Brasil escravagista, pois, estava presente desde cedo na vida de Brás como que para já incutir nele a ideologia da aristocracia brasileira. As nuances cômicas aqui concretizadas em brincadeiras de criança, então, amenizam a gravidade desse contexto social desumano e injusto. Esses episódios cômicos da infância de Brás exemplificam o capricho que é a essência do seu comportamento e apontam para a comicidade circunstancial oriunda da inversão da lógica natural das coisas. Na figura de Dona Plácida, por sua vez, percebe-se que a corrupção humana advém das inflexões socioeconômicas que influenciam pelo menos até certo grau a conduta do homem. Dona Plácida é a responsável por cuidar da casa na qual Brás se encontra às escondidas com Vigílias, que é uma mulher casada. Essa situação que no início constrangia Dona Plácida foi superada quando Brás compra o nojo de Dona Plácida. Vejamos esse trecho: Custou-lhe muito a aceitar a casa; farejara a intenção e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. Eu queria angariá-la, e não me dava por ofendido, tratava-a com carinho e respeito; forcejava por obter-lhe a benevolência, depois a confiança. Quando obtive a confiança, imaginei uma história patética dos meus amores com Virgília, um caso anterior ao casamento, a resistência do pai, a dureza do marido, 3

4 e não sei que outros toques de novela. D. Plácida não rejeitou uma só página da novela; aceitou-as todas. Era uma necessidade da consciência. Ao cabo de seis meses, quem nos visse a todos três juntos diria que D. Plácida era minha sogra. Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, os cinco contos achados em Botafogo, como um pão para a velhice. D. Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma imagem da Virgem, que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo. (ASSIS, 2004, p. 118) A mudança abrupta de Dona Plácida ao ganhar os cinco contos de Brás soa cômica, uma vez que se esperava outro comportamento dela. À frustação dessa expectativa sustentado pelo leitor coube um riso de veio pessimista. Afinal, todos são passíveis de serem corrompidos. Em outras palavras, o que se pretende dizer é que realmente ninguém escapa às imperfeições humanas, uma vez que estas são algo inerente à conduta humana. O defunto autor oscila num universo constituído de meias verdades e quando o faz se vale de procedimentos que evocam uma comicidade desveladora, que esclarece e instiga o indivíduo à reflexão sobre si mesmo, bem como sobre o mundo que o cerca. A ideia de que elementos cômicos fazem parte da estrutura de Memórias póstumas parece, pois, razoável quando nos deparamos com as passagens que suscitam o risível. De fato, a leitura desse romance permite concluir que a comicidade está profundamente arraigada com o projeto textual-narrativo concebido por Machado. É, portanto, mediante os procedimentos cômicos que Brás Cubas pinta a si mesmo e aos outros, e se ele faz isso é porque assim é possível analisar o mundo sob uma ótica privilegiada em que inexiste a força inibidora que o padrão moral da sociedade impõe. Sendo assim, interessa vislumbrar quais são as principais técnicas do cômico empregadas e qual a função desempenhada na constituição da obra em questão. De início, percebe-se que a intenção do narrador defunto é desmascarar todo o fingimento do homem advindo da necessidade de ajustar-se às convenções sociais. A comicidade nesse caso é reveladora e, segundo Freud (1977), daria acesso aos recônditos do inconsciente e, por conseguinte, a tudo aquilo que foi reprimido. Ademais, ao suspender o véu das aparências humanas Brás Cubas acaba também tecendo duras críticas a esse comportamento artificialista. Daí provem a ambivalência funcional da comicidade, isto é, emerge seu caráter revelador-repressor, que encontra consonância no pensamento bergsoniano sobre o risível. 4

5 Ora, além de propor o mecânico calcado no vivo como a gênese do cômico, Bergson (2007) infere que o riso assume um veio coercitivo que pune os desvios para tornar o grupo humano coeso. Essa dualidade do cômico pode ser vislumbrada em Memórias póstumas: o discurso irônico de Brás Cubas é a concretização desse aspecto ambíguo. É por isso que o defunto autor ri de si mesmo o que implica ironizar-se e dos outros o que significa ironia e sátira, porque subjaz certo menosprezo. Assim, logo no primeiro capítulo - Óbito do autor -, tem-se uma ilustração disto: Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: - Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe dói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado. Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. (ASSIS, 2004, p. 12) A ironia é concretizada no comentário de Brás Cubas no qual fica clara a verdadeira intenção do amigo dele: tirar proveito pecuniário da situação. O tom austero do amigo de Brás contrasta com o comentário revelador do defunto. Essa estrutura também nos reporta ao chistoso, conforme discutido por Freud (1977), já que se tem a fala do pretensioso amigo funcionando como algo desconcertante, ou seja, aquilo que chama a atenção para si causando certo estranhamento e o comentário de Brás como esclarecimento, porque revela a intenção do ato em questão. Ademais, Gledson (2005) atenta para o uso do discurso irônico em Memórias póstumas: [...] a ironia é tão generalizada que transforma as verdadeiras intenções em assunto para debate, ou, de modo mais simples, em que a complexidade da obra é tal que uma compreensão nítida dela em seus próprios termos é pré-requisito para estudos e reflexões posteriores. (GLEDSON, 2005, p. 15) 5

6 A discussão sobre as verdadeiras intenções é por excelência a matériaprima com a qual Machado trabalha com maestria o romance que inaugurou o Realismo brasileiro. A ficção realista, assim, consolida as discussões em torno da burguesia, mas agora se procura investigar no comportamento dos indivíduos as pressões do meio, além de se expurgar todo o subjetivismo romântico. Este, quando aparece, se encontra ironizado para transparecer outra lógica: Machado de Assis é o ponto culminante nessa pretensão. Seus contos e romances (sobretudo, Memórias póstumas) trouxeram para a literatura brasileira uma narrativa realista psicologizante que desmascaravam a hipocrisia humana em face de papéis sociais. Ademais, Machado ataca severamente o romantismo ainda em voga no Brasil e faz isso ironizando o gosto e/ou o comportamento romântico. A ironia nesse caso cria situação como a do poeta romântico que comanda o navio que Brás Cubas vai para Portugal. No capítulo A bordo o capitão-poeta está mais preocupado com a poesia do que com a mulher dele, que está à beira da morte. Com efeito, Machado acentua o deslocamento do homem romântico em face da realidade. No dia posterior à morte da mulher o marujo poeta apresenta a Brás alguns versos, que foram elogiados por este. Por causa disso o capitão passa a declamar com mais entusiasmo ainda: Ele levantou os ombros, olhou para o papel e tornou a recitar a composição, mas já então sem tremuras, acentuando as intenções literárias, dando relevo às imagens e melodia aos versos. No fim, confessou-me que era a sua obra mais acabada; eu disse-lhe que sim; ele apertou-me muito a mão e predisse-me um grande futuro. (ASSIS, 2004, p. 53) Este episódio é ilustrativo da releitura crítica que Machado empreende sobre a tradição romântica. O que se infere, pois, é que o gosto romântico já não dá conta de uma nova realidade que, por sua vez, exige outras formas de pensamento que reflitam esse novo momento social e histórico. Nesse caso, a ironia suscita certo veio cômico, porque ressalta-se o quão ridículo ou pelo menos inconveniente é a necessidade de se versejar sob o signo do romantismo em vez de se prestar solidariedade a uma pessoa enferma, ou, a seguir, sentir-se abatido com a morte de uma pessoa querida. Em outras palavras, a teoria bergsoniana do cômico veria aí a manifestação da comicidade de situação, isto é, o risível advém de uma obsessão pela poesia que o deixa fixado em escrever poemas. Essa obsessão o enquadraria no conceito de 6

7 mecânico calcado no vivo. Mas, por outro lado, numa leitura freudiana haveria aí um deslocamento de uma atenção que se volta para o menos importante (fazer poemas sobre a mulher doente) em vez de voltar-se ao mais importante (cuidar da esposa doente). Ambas as leituras, contudo, explicam o ridículo que cria a comicidade de situação. Então, por tudo isso que apresentamos sobre as manifestações da comicidade e a relação dessas com o contexto histórico e político do Brasil do século XIX, podemos inferir que os elementos cômicos se concretizam pela inversão de circunstâncias (comicidade de situações), pela sátira e ironia na análise do comportamento inconstante das classes mais abastadas. Ademais, há também uma discussão sobre o próprio fazer artístico. Vejamos um exemplo no capítulo O senão do livro : Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular efluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... (ASSIS, 2004, p ) Essa passagem ilustra a índole desabusada de um defunto autor que relega ao leitor o defeito do livro. Na verdade, verifica-se aí uma profunda ironia que ataca o gosto romântico que está acostumado com uma narrativa linear. A símile do estilo do livro com o caminhar dos ébrios também cria uma imagem cômica do próprio livro. A ironia é, pois, a responsável por criticar temas sério sob uma estrutura cômica. CONCLUSÃO Memórias póstumas de Brás Cubas é um romance que representou uma profunda mudança na própria concepção realista de arte, pois coloca a voz narrativa em 1ª pessoa e em situação singular de um morto que resolve escrever suas memórias. O enredo, que reflete os anseios humanos típicos do século XIX, se desenvolve num ritmo descompassado. Noutras palavras Brás Cubas, arquétipo da 7

8 classe burguesa brasileira, não concretizaria seus projetos, tais como ser ministro de estado, ser bem-sucedido como dono de jornal, casar, ter filhos, entre outros. No plano da narrativa a que Brás Cubas, enquanto defunto autor, se põe a fazer tem-se um romance que mescla os esquemas realistas com a subjetividade romântica para esmiuçar os meandros do homem liberal-burguês numa sociedade ainda conspurcada pela chaga do escravagismo. O tom de constante gracejo se presta, pois, se não para expor, a atenuar a gravidade dos temas discutidos à luz de uma criticidade aguda de um morto que já não precisaria mais das máscaras da hipocrisia dos papéis sociais desempenhados em vida. Os elementos cômicos, assim, têm um papel fundamental na obra. Com efeito, a ironia, que em Machado de Assis é marcante e ímpar, se configura numa forma de expressar os mais sórdidos pensamentos vislumbrados pelo homem. Consequentemente, em Memórias póstumas ela se preza a perscrutar os recônditos mais profundos da conduta humana. Na maioria dos casos observa-se, pois, o efeito cômico, pois ao inverter situações e/ou a lógica normal das coisas suspende as inibições que cerceiam as discussões sobre o temas mais graves do homem, o que permite dar vazão ao reprimido. Essa leitura que também é freudiana pois remonta ao acesso ao inconsciente pelos chistes tende para o sociológico quando se aproxima da ambivalência funcional da comicidade em que se revela algo ao mesmo tempo que reprime algum comportamento indesejável para a vida em sociedade. Nesse caso em Memórias póstumas as aparências dos papéis desempenhados pelos indivíduos é desvelada e duramente criticada pelo discurso em que se confluem a sátira e a ironia num processo de simbiose técnico-estrutural que suscita a comicidade. O risível assim entendido faz parte da estrutura do romance e se concretiza no anedótico, nos chistes, nos constantes gracejos de Brás Cubas para com os outros e consigo mesmo. As diversas situações retratadas pelo narrador exemplificam aquilo que convencionou-se chamar de comicidade circunstancial. Os mais variados momentos narrados por Brás Cubas reportam, salvo algumas exceções, aos conchavos mirabolantes entre classes que querem se perpetuarem no poder, aos conflitos ideológicos entre uma burguesia que se pretende liberal num sistema escravagista e à constante necessidade de reconhecimento, ou de afirmação, da superioridade da elite brasileira aqui ilustrada por uma aristocracia pseudo-tradicional, 8

9 pois a família de Brás forjou sua própria história para lhe dar um ar de respeitosa e antiga. A esses exageros deve-se boa parte dos efeitos cômicos, pois a distorção de um fato permite vê-lo sob outro prisma que vislumbre uma atitude reflexiva do indivíduo; o resultado, ademais, é o riso que revela as verdadeiras intenções nas atitudes enquadradas pelo seio social. Em suma, Brás Cubas ri de si mesmo enquanto ri dos outros. Os procedimentos cômicos adotados no romance resvalam entre um tom satírico, que zomba do outro e o rebaixa, e um tom irônico, que vai além de uma profunda autocrítica. Um e outro têm a propriedade de chamar a atenção para a própria linguagem e aqui exponencialmente trabalhados reforçar a nuance de galhofa. A comicidade de Memórias póstumas possui o acento evidente de revelador da disjunção entre a estrutura social brasileira e sua própria ideologia, que em vez de ser entendida como paradoxal tendeu para uma coexistência pacífica entre esta e aquela. A ironia imbuída de teor cômico - pois o tempo todo atenua a gravidade dos fatos ou esmiúça com frieza os meandros das intenções por trás das ações também tem um efeito de reprovação do absurdo dessa realidade. REFERÊNCIAS ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Barueri: Gold Editora, BERGSON, Henri. O Riso: ensaio sobre a significação da comicidade. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007; Coleção Trópicos. BOSI et ali. Instinto e consciência de nacionalidade. In: Machado de Assis. São Paulo: Ática, [Coleção escritores brasileiros: antologia e estudos] CANDIDO, Antonio. Esquema Machado de Assis. In: Vários Escritos. 3ª ed. São Paulo: Duas Cidades, FREUD, Sigmund. Os Chistes e Sua Relação com o Inconsciente. Rio de janeiro: Imago editora LTDA, 1977, volume VIII. GLEDSON, John. Machado de Assis: impostura e realismo: uma reinterpretação de Dom Casmurro. São Paulo: Companhia das Letras, Por um novo Machado de Assis: ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, JOLLES, André. Formas Simples. São Paulo: Editora Cultrix, MAYA, Alcides. Machado de Assis: algumas notas sobre o humour. 3. ed. Porto Alegre: Movimento/ Santa Maria: UFSM,

10 MUECKE, D. C. Ironia e o irônico. São Paulo: Editora Perspectiva, [Coleção Debates] SANT ANNA, Affonso Romano. Paródia, paráfrase & cia. 7. ed. São Paulo: Ática, [Série Princípios] SCHWARZ, Roberto. As ideias fora do lugar. In: Ao vencedor as batatas. 5. ed. São Paulo: Duas Cidades, Um mestre na periferia do Capitalismo: Machado de Assis. 4. ed. São Paulo: Duas Cidades; Editora 34,

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