A Responsabilidade Civil
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- Giuliana Cortês Ventura
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1 A Responsabilidade Civil por Dano Moral e seu Caráter Desestimulador
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3 RODRIGO PEREIRA RIBEIRO DE OLIVEIRA Advogado Pós-Graduado em Direito Processual Civil Mestre em Direito Privado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais PUC/MG Professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade FUMEC Professor de Direito Civil da Escola Superior de Advocacia da OAB/MG Ex-Professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da PUC/MG Membro do Instituto dos Advogados de Minas Gerais IAMG A Responsabilidade Civil por Dano Moral e seu Caráter Desestimulador Belo Horizonte 2012
4 CONSELHO EDITORIAL Álvaro Ricardo de Souza Cruz André Cordeiro Leal André Lipp Pinto Basto Lupi Antônio Márcio da Cunha Guimarães Carlos Augusto Canedo G. da Silva David França Ribeiro de Carvalho Dhenis Cruz Madeira Dircêo Torrecillas Ramos Emerson Garcia Felipe Chiarello de Souza Pinto Florisbal de Souza Del Olmo Frederico Barbosa Gomes Gilberto Bercovici Gregório Assagra de Almeida Gustavo Corgosinho Jamile Bergamaschine Mata Diz Jean Carlos Fernandes Jorge Bacelar Gouveia Portugal Jorge M. Lasmar Jose Antonio Moreno Molina Espanha José Luiz Quadros de Magalhães Leandro Eustáquio de Matos Monteiro Luciano Stoller de Faria Luiz Manoel Gomes Júnior Márcio Luís de Oliveira Mário Lúcio Quintão Soares Nelson Rosenvald Renato Caram Rodrigo Almeida Magalhães Rogério Filippetto Rubens Beçak Vladmir Oliveira da Silveira Wagner Menezes É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio eletrônico, inclusive por processos reprográficos, sem autorização expressa da editora. Avenida Brasil, 1843/loja 110, Savassi Belo Horizonte/MG CEP Tel: (31) Impresso no Brasil Printed in Brazil Arraes Editores Ltda., Plácido Arraes Editor Coordenação Editorial: Fabiana Carvalho Capa: Gustavo Caram e Hugo Soares Diagramação: Danilo Jorge da Silva Revisão: Fabiana Carvalho R484 Oliveira, Rodrigo Pereira Ribeiro de A responsabilidade civil por dano moral e seu caráter desestimulador / Rodrigo Pereira Ribeiro de Oliveira. Belo Horizonte: Arraes Editores, p. ISBN: Dano moral. 2. Responsabilidade civil. I.Título. CDD: CDU: Elaborada por: Maria Aparecida Costa Duarte CRB/ [email protected] Belo Horizonte 2012
5 CARPE DIEM Sorver da vida a primitiva essência é dentre todas a maior ciência... Breve, breve serás antepassado, mas antes disso deixa o teu recado, pois, bem sabes, tens obrigação de demonstrar que não vieste em vão. Faça cada minuto do teu dia de muito amor e muita ousadia: Só assim, então terás vivido sem sentires de nada arrependido. somente nos arrependeremos de quanto nos foi dado e não vivemos! Colha os frutos na beira da estrada, sinta os carinhos da pessoa amada, transforme cada sonho em realidade, vivendo tua vida de verdade. Os dias serão belos e floridos se os viveres em todos os sentidos. Por que perder a oportunidade, ficando para sempre na saudade, se a vida te sorri exuberante a ter ofertado surpresa a cada instante? Como filho d águia, altivo e forte, busca as alturas sem pensar na morte, que algum dia virá, pois é sabido, Mas até Lá, então, terás vivido... José Maria Pessoa V
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7 Agradecimentos Agradeço a Deus e à minha família, em especial ao meu saudoso avô Carlos Horta Pereira, minha eterna inspiração pela paixão ao Direito. Ao meu pai (mestre), pelo exemplo e ensinamentos ao longo da vida. À Aninha, pelo amor e companheirismo nesta jornada. Ao meu filho Felipe, sem o qual nada teria sentido. Aos queridos amigos, aos meus diletos alunos e a todos aqueles que, de alguma forma, ajudaram e acreditaram nesta vitória. VII
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9 Sumário PREFÁCIO... XIII INTRODUÇÃO... 1 Capítulo 1 A RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO MORAL PRINCÍPIOS GERAIS Conceito Precedentes históricos sobre o dano moral Código de Hamurabi As Leis de Manu O Alcorão A Bíblia Sagrada Grécia antiga Direito romano Direito canônico Evolução histórico-legislativa no Brasil A dignidade da pessoa humana como princípio fundamental Espécies de dano moral Dano moral individual ou coletivo Dano moral subjetivo ou objetivo Dano moral transitório ou permanente Dano moral atual ou futuro IX
10 4.5 Dano moral direto ou indireto Dano moral imediato ou ricochete Dano moral no descumprimento de obrigação contratual Pressupostos Jurisprudência Capítulo 2 PUNITIVE DAMAGES O direito comparado No sistema common law Estados Unidos da América Inglaterra Canadá Austrália Irlanda Nova Zelândia No sistema romano-germânico Itália le pene private França Alemanha Portugal Capítulo 3 O CARÁTER DESESTIMULADOR NA RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANO MORAL As funções da responsabilidade civil por dano moral Função reparatória/compensatória Função desestimuladora/preventiva A doutrina no direito brasileiro A jurisprudência Supremo Tribunal Federal Superior Tribunal de Justiça Tribunal de Justiça de Minas Gerais Supremo Tribunal de Justiça de Portugal Jurisprudência contrária A adequação do caráter desestimulador no sistema de reparação civil no direito brasileiro X
11 5 Breve análise econômica do direito A importância das verbas indenizatórias serem revertidas em favor de estabelecimento de beneficência CONCLUSÃO REFERÊNCIAS XI
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13 Prefácio É com júbilo que apresento o livro Responsabilidade Civil por Dano Moral e seu caráter desestimulador, obra resultante da Dissertação de Mestrado de Rodrigo Pereira Ribeiro de Oliveira. Por ocasião da apresentação do trabalho, tive a oportunidade de participar da Banca Examinadora na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e comprovar o talento e a competência do jovem advogado. O mérito da obra reside no desafio à doutrina dominante no setor da responsabilidade civil, ainda ancorada no vetusto fenômeno da dicotomia público/privado, construção erigida em homenagem ao princípio da segurança jurídica, pelo qual a neutralidade e assepsia das situações jurídicas intercivis seriam garantidas pela autonomia do cidadão perante o jugo estatal, no momento em que a pena coubesse exclusivamente ao Estado e a reparação aos particulares. O autor propugna pela quebra de paradigmas, cogitando de uma sanção civil punitiva como estímulo indireto capaz de induzir o potencial ofensor a se abster de atos antijurídicos. A discussão é corajosa, afinal estamos condicionados a identificar a responsabilidade como uma obrigação de reparar danos. De certa maneira somos preconceituosos, pois rotulamos como retrógrados todos aqueles que ainda encontram utilidade para o ato ilícito e a culpa no direito privado, principalmente com o status atualmente deferido à teoria objetiva, que dispara os seus holofotes para o risco da atividade em detrimento da responsabilização pessoal do XIII
14 lesante e da aferição da gravidade do seu comportamento. A imposição de penas na esfera privada poderia soar como um retorno aos primórdios da civilização, tempos em que direito civil e penal se confundiam e qualquer responsabilidade recaia sobre a pessoa do ofensor. Porém, como evidencia esta publicação, o direito é pendular e as necessidades sociais demonstram ao jurista a fragilidade da eficácia de determinadas pautas legislativas. É hora de revisitar o modelo jurídico das sanções punitivas privadas legado pelo direito romano clássico, certamente em outras bases, com as necessárias vicissitudes dos últimos 2000 anos. A verdade é que amesquinhar o direito civil no escopo reintegratório, sem a capacidade de atuar sob o ponto de vista preventivo, implica em renúncia à efetividade, no binômio justiça/eficiência, sobremaneira no que diz respeito à violação a direitos da personalidade e atentados a interesses difusos e coletivos. Afinal, é muito cômodo para o potencial causador de um ato antijurídico ter o conhecimento de que o descumprimento do dever de conduta seja por um ato ilícito como por um inadimplemento ficará limitado ao montante dos prejuízos causados e nada mais. O agente percebe que a retribuição do sistema será inferior ao proveito auferido pelo ilícito. O ordenamento jurídico não oferece razões suficientes para que alguém se abstenha a ponto de não incidir em inadimplemento ou se converter em agente de um ilícito. A trama de fundo desta obra eloquentemente nos conduz a perceber que o fundamental do caráter desestimulador no sistema da reparação civil é reagir contra a perspectiva em voga, que invariavelmente remete a responsabilidade civil à pessoa da vítima e ao dano, abstraindo-se da pessoa do agente, de sua culpa e, principalmente, de qualquer aptidão preventiva. Elas podem e devem atuar como uma resposta a essa lacuna na teoria da responsabilidade civil, deferindo ao credor ou ao lesado a percepção de um montante superior ao dano efetivo. Indiferente a uma eventual sanção reintegratória, cuida-se de um misto de prevenção de atuações ilícitas e punição pela ofensa a um dever ou obrigação. Mais do que acautelar e sancionar, ela reafirma a prevalência da pessoa e de sua especial dignidade como referenciais do Estado Democrático de Direito. A comunidade jurídica é brindada por uma bela contribuição de Rodrigo Pereira Ribeiro de Oliveira no sentido da compreensão da necessidade de redimensionamento da responsabilidade civil, como um sistema complexo em que confluem várias finalidades. Reparação, prevenção e punição, simultaneamente, como via intermediária entre o direito penal XIV
15 e o direito civil, em evidente demonstração de que na era das incertezas a segurança jurídica jamais nascerá de fórmulas laboratoriais, mas da operabilidade de modelos jurídicos dúcteis, adaptáveis às demandas da sociedade contemporânea. Belo Horizonte, agosto de NELSON ROSENVALD Pós-Doutor em Direito Civil pela Universidade Roma Tre Doutor e Mestre em Direito Civil pela PUC-SP Procurador de Justiça do Ministério Público/MG XV
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