HISTÓRIA DO PENSAMENTO

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1 Unidade I HISTÓRIA DO PENSAMENTO FILOSÓFICO Prof. Me. Jefferson Peixoto

2 Objetivos da disciplina Entender o conhecimento filosófico compreendendo sua história, seus principais conceitos e possibilidades de ligação à realidade. Desenvolver uma visão filosófica do mundo. Assumir um comprometimento para com a realidade em que vive. Levar à compreensão da vida em sociedade como fonte inesgotável de mudanças que podem ser orientadas de acordo com objetivos pessoais e coletivos.

3 Conteúdos da primeira aula: Unidade I: As origens da filosofia Reflexões sobre a condição humana e a filosofia: os diversos olhares O que é Filosofia? Da consciência mítica à filosófica: entre a Teogonia e o Logos Períodos e escolas da filosofia grega A Tríade: Sócrates, Platão e Aristóteles A Filosofia na Idade Média

4 A condição humana e a filosofia É verdade que os homens não vivem só de pão. Vivem também de símbolos, porque sem eles não haveria ordem, nem sentido para a vida e nem vontade de viver (Rubem Alves) A História corresponde a uma curiosidade comum do homem, talvez o único animal interessado com a sua realidade, desejoso de saber não só o que é e será, mas também o que foi (Francisco Iglesias)

5 A condição humana e a filosofia O homem é um ser curioso, um ser que se inquieta com as coisas, que as interroga e se ocupa com suas interrogações, ou seja, que busca respostas. Mas, o que é o homem?

6 O que é o homem? Platão: bípede implume (gênero próximo mais diferença específica) Aristóteles: animal racional, animal político Marx e Engels: homo Faber, homem fabricante Ernst Cassirer: animal simbólico Ser social Ser emocional Essas definições são contraditórias ou complementares?

7 O que é o homem? Diferenças entre o ser humano e o animal: A ação animal é instintiva e é regida por leis biológicas de cada espécie. Ex: a vespa faz um casulo no qual deposita ovos e comida para a larva que vai nascer. A ação humana é intencional, uma vez que age de modo consciente e visando finalidades.

8 O que é o homem? Os seres humanos desenvolvem comportamentos diversificados. Desenvolvem a inteligência abstrata. Produzem a linguagem simbólica que lhes permite representar o mundo. Realizam trabalho: ações dirigidas por finalidades conscientes. Precisamos da educação para nos tornarmos propriamente humanos, pois a herança cultural é mediada pelos outros.

9 O homem rumo à filosofia Da equação tipicamente humana entre dúvidas, curiosidades e necessidades simbólicas, de um lado e a busca efetiva de respostas, por outro, surgiu a filosofia, mas o percurso não é simples nem unidirecional.

10 Os diversos olhares Na busca por compreender e contemplar o mundo diversos olhares se constituíram. Maria Lúcia Aranha destaca: O mito O senso comum A ciência A arte A Filosofia

11 Os diversos olhares O mito: Conhecimento imediato que dispensa argumentos e fundamentações, aceita as crenças sem que se exija daquele que crê a compreensão plena dos mistérios, os quais são transmitidos muitas vezes com forte apelo ao sobrenatural O senso comum: O conhecimento herdado por um grupo social, cujas experiências fecundas continuam sendo levadas a efeito pelos indivíduos da comunidade

12 Os diversos olhares A ciência: Conhecimento rigoroso e elaborado, inicialmente ancorado na experimentação e na matematização Aarte: Entendimento intuitivo do mundo, no sentido de não recorrer a conceitos logicamente organizados, mas por usar recursos que falam ao sentimento e à imaginação.

13 Os diversos olhares A Filosofia: A atitude de colocar em questão o que parece para muitos indiscutível, seja porque eles têm certezas, seja porque estão acostumados com aquilo que lhes parece banal.

14 Interatividade Durante muito tempo os gregos atribuíram devastações, tragédias e também boas realizações aos deuses. Quando raios rasgavam os céus, por exemplo, eles atribuíam aquilo a Zeus, o rei dos deuses. Em outras culturas não era diferente. Tais passagens refletem: a) O pensamento de senso comum. b) O pensamento mítico. c) O pensamento sistemático. d) O pensamento filosófico. e) O pensamento abstrato.

15 O que é Filosofia? A palavra filosofia vem do grego e segundo a tradição foi cunhada por Pitágoras. philia (φιλία) = amizade, amor fraterno. sophia (σοφία), = sabedoria. Portanto, filosofia (φιλοσοφια) é a procura amorosa pela sabedoria. O que leva o ser humano a filosofar? Platão: a filosofia nasce do thaumátzein (admiração, espanto). Em relação aos fenômenos do mundo e da vida humana.

16 O termo Filosofia Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (século V a.c) a criação da palavra filosofia. Ele teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.

17 Características da Filosofia Segundo Dermeval Saviani: A filosofia é uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta. Radical: do latim radix: raiz ir até a raiz do problema, ir a fundo. Rigorosa: ter rigor, metodologia, argumentação lógica. De conjunto: globalizante, abrangente contextualização dos problemas.

18 Filosofia ou filosofias? Algumas considerações: A filosofia é uma expressão das necessidades humanas, mas foi na Grécia Antiga que ganhou seus contornos específicos. Há que se diferenciar as diversas filosofias de vida da reflexão tipicamente filosófica. A reflexão tipicamente filosófica é fruto da Grécia Antiga, mas do que especificamente ela nasceu?

19 A atitude filosófica Marilena Chauí interroga: Imaginemos que alguém ao invés de perguntar que horas são? ou que dia é hoje? perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer está sonhando ou ficou maluca, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Ou ainda em vez de gritar mentiroso!, questionasse o que é a verdade? O que é o falso? O erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê?

20 Da consciência mítica à filosófica A primeira e principal forma encontrada pelo homem de explicar o mundo e a vida foi a mítica. Mythos: palavra, o que se diz contar, narrar. Os gregos dispunham de diversas narrativas mitológicas, as quais cumpriam a função de explicar a realidade. A filosofia surge na Grécia como uma atitude de buscar explicações alternativas ao mito.

21 Cosmogonia versus Cosmologia Os primeiros filósofos centraram a atenção na natureza e elaboraram diversas concepções de cosmologia, em oposição à concepção cosmogônica. Cosmogonia (do gr. kosmo = cosmos, mundo, ordem + gon = criação ) Teorias e explicações mitológicas sobre a criação do mundo. Cosmologia (do gr. kosmo = cosmos mundo + logia = estudo) Estudo da origem, estrutura e evolução do universo.

22 Da Teogonia (mito) ao Logos (razão) O movimento de abandono da visão cosmogônica (de cunho mítico) correspondeu também ao rompimento com as explicações teogônicas, algo comum em diversas culturas antigas. Teogonia (Do gr. theos=deus + gênea=origem) Genealogia ou origem dos deuses.

23 Os primeiros filósofos e a Arkhé Ao se preocupar com a natureza, com o mundo e o universo, os primeiros filósofos passaram a buscar a arkhé, isto é, o princípio de todas as coisas. Arkhé=princípio Para Tales de Mileto (640-c.548 a.c.), considerado o primeiro filósofo, a arkhé é a água. Para Anaximandro ( a.c), discípulo de Tales, seria o ápeiron, a unidade primordial (matéria ilimitada e indeterminada)

24 Os primeiros filósofos e a Arkhé Para Xenófanes ( a.c), a Arkhé seria a terra. Para Pitágoras ( a.c), o número é a essência de tudo. Para Anaxímenes ( a.c), o elemento fundamental é o ar. Para Heráclito de Éfeso (c a.c), era o fogo.

25 Os primeiros filósofos e a Arkhé Para Anaxágoras ( a.c), o elemento fundante é o nous, um princípio inteligente, uma inteligência cósmica que sustentava e ordenava tudo. Para Empédocles ( a.c), são os quatro elementos: terra, água, ar e fogo. Para Demócrito(c ) o elemento primordial era o átomo.

26 Os períodos da filosofia grega Pré-socrático (séc. VII e VI a.c). Conforme visto, os primeiros filósofos ocupavam-se com questões cosmológicas, iniciando a separação entre a filosofia e o pensamento mítico. Socrático ou clássico (séc. V e IV a.c). Ênfase nas questões antropológicas e maior sistematização do pensamento. Desse período fazem parte os sofistas, o próprio Sócrates, seu discípulo Platão e Aristóteles.

27 Os períodos da filosofia grega Pós-socráticos (séc. III e II a.c). Predominou o interesse pela física e pela ética. Surgiram as correntes filsóficas do estoicismo (Zenão de Cítio), do hedonismo (Epicuro) e do ceticismo (Pirro de Élida).

28 As quatro escolas da filosofia Pré-Socrática Até o surgimento de Sócrates, a filosofia grega não possuía um centro comum, sendo desenvolvida em diversas regiões, que dão origem ao termo as quatro escolas : Jônica de Mileto Pitagórica ou Itálica Eleática na Elea Abderítica ou Atomística na Abdera.

29 Mapa: principais filósofos gregos

30 Interatividade O termo que completa adequadamente a frase abaixo é: O grande diferencial do olhar filosófico em relação a outras formas de conhecimento reside na que, aliás, tornou-se uma espécie de marca registrada da filosofia. a) Abstração. b) Intuição. c) Categoria d) Mistificação. e) Indagação.

31 Embates pré-socráticos: Tales versus Xenófanes Tales: Qual a origem de todas as coisas? A água é o elemento primordial de todas as coisas. Tudo está cheio de deuses.

32 Embates pré-socráticos: Tales versus Xenófanes Xenófanes: O elemento primordial é a terra. Critica os deuses antropomórficos de Homero e Hesíodo. Os poetas criavam deuses à imagem e semelhança dos próprios homens. Os etíopes dizem que os seus deuses são negros e de nariz chato, os trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos vermelhos Primeiro defensor do Deus único.

33 Embates pré-socráticos: Heráclito x Parmênides Heráclito: tese do movimento x Parmênides: tese da imobilidade A verdade (alétheia) está no pensamento e a opinião (doxa) está nos sentidos. O argumento de que os sentidos enganam era usado para tentar provar teses contrárias

34 Heráclito de Éfeso o obscuro Filósofo do devir Todas as coisas estão em movimento Nunca entramos no mesmo rio duas vezes O conhecimento sensível é enganador A imobilidade é uma ilusão dos sentidos

35 Parmênides de Eléia: filósofo poeta Revelação da verdade por uma deusa Sonhou que fez uma viagem numa carruagem alada Chegou até o templo da deusa que lhe revelou: Há dois caminhos O caminho da verdade (alétheia) e da opinião (doxa)

36 Parmênides de Eléia: filósofo poeta A verdade se obtém pelo pensamento (noûs) Critica da filosofia de Heráclito Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo Defende a imobilidade do ser O ser é uno e imutável A mobilidade é uma ilusão dos sentidos

37 Considerações finais sobre a filosofia pré-socrática Por se preocuparem com o conhecimento do mundo natural (physis) os filósofos pré-socráticos também foram denominados fisiólogos. O termo Physis (natureza) não era usado em sentido restrito, mas no amplo, como a matéria que é o fundamento de tudo, uma espécie de sinônimo da arkhé, portanto.

38 Sócrates: um divisor de águas Disponível

39 Sócrates: filósofo da ágora Considerado o patrono da Filosofia; Conhecido como filósofo da ágora; Foi casado com Xantipa; Herdou do pai a profissão de escultor, mas pouco se dedicou a tal atividade; Preferia filosofar. Sócrates nada escreveu.

40 Sócrates, segundo Platão Platão ( a.c. ) conheceu Sócrates quando este contava com 60 anos e ele com 20 anos. Seu nome era Aristócles e pertencia a uma família aristocrática. Conviveu com seu mestre por quase uma década. Escreveu cerca de 30 diálogos nos quais Sócrates aparece em sua maioria. Escreveu A República que contém a famosa Alegoria da caverna. Escreveu a Apologia de Sócrates.

41 O pensamento de Sócrates Trouxe a filosofia do céu para terra; Preocupação com questões antropológicas e não mais cosmológicas; Tinha como lema: Só sei que nada sei ; Conhece-te a ti mesmo (inscrição délfica); Uma vida sem exame não vale a pena ser vivida.

42 O pensamento de Sócrates Método: ironia / maiêutica; Busca da verdade através da definição dos conceitos; Oposição aos sofistas; Foi condenado à morte. Por quê?

43 Morte e apologia de Sócrates Sócrates concluiu que muitos se julgam sábios sem serem de fato; Com isso irritou muitas pessoas; Foi acusado de corromper a juventude e não acreditar nos deuses da cidade; Foi condenado a morte; Sobre a morte disse: Ou é como um sono sem sonhos e sem despertar ou é uma mudança para outro lugar. Não se deve temer a morte.

44 Interatividade A figura de Sócrates foi tão marcante que ele se tornou um marco da divisão entre o pensamento filosófico que veio antes dele e depois dele. Em grande parte isso se deve ao fato de que: a) Ele não acreditava nos deuses como os pré-socráticos. b) Ele se considerou o mais sábio de todos. c) Ele trouxe a filosofia do céu para a terra. d) Acreditava que todas as coisas estavam em movimento. e) Ele nada escreveu.

45 Os Sofistas Sofistas: de sophos, sábio, professor de sabedoria ; Foram contemporâneos de Sócrates e Platão; Na assembleia democrática é necessário falar bem; Aristocracia tinha ócio para estudar, pensar, participar; Comerciantes tinham negócio, mas queriam se aprimorar no debate; Contratam os sofistas.

46 Os Sofistas Sofista caráter pejorativo; São criticados por Sócrates e Platão: mercenários do saber : por cobrarem para ensinar; Não compromisso com a verdade; Ensinam a arte do convencimento (retórica).

47 O pensamento de Platão Platão principal discípulo de Sócrates Escreveu A Alegoria (ou mito) da Caverna, que se encontra no livro VII de A República; Ilustra sua concepção epistemológica e política; Elementos: caverna, prisioneiros, sombras, mundo externo; Processo de libertação de um prisioneiro.

48 Platão: Concepção epistemológica Mundo sensível (concreto); Mundo das aparências múltiplo, mutável regido pela doxa (opinião); Mundo das ideias: Idêntico e permanente regido pela episteme (conhecimento); É necessário sair do mundo das aparências e ascender até o mundo verdadeiro das ideias.

49 O empirismo de Aristóteles Foi discípulo de Platão; Foi professor de Alexandre; Fundou sua própria escola (O Liceu); Critica a filosofia dualista de Platão. Mundo sensível x mundo das ideias; Não julga o mundo aparência ou ilusão; Seu modo de existir é o devir; É possível conhecer as causas do devir através do estudo do ser;

50 O empirismo de Aristóteles Por natureza, todos os homens desejam o conhecimento. Uma indicação disso é o valor que damos aos sentidos; pois, além de sua utilidade, são valorizados por si mesmos e, acima de tudo o da visão. ; É pela memória que os homens adquirem experiência, porque as inúmeras lembranças da mesma coisa produzem finalmente o efeito de uma experiência única. (Aristóteles, Metafísica).

51 Conhecimento como processo cumulativo Sensação: 1º passo para o conhecimento (ver, ouvir, sentir, etc.); Memória: retenção dos dados sensíveis; Experiência: saber fazer pela repetição; Ex. Olho para o céu e digo: vai chover. Como eu sei? Ex. Vou construir um novo quarto para minha casa.

52 Conhecimento como processo cumulativo Arte/técnica: conhecimento das regras. Sabe-se o por que das coisas (técnico); Teoria/ciência: saber teórico contemplativo. (ex. matemática, leis da natureza); Sabedoria/Filosofia: conhecimento das causas primeiras universais (ex. natureza do mundo, causa de todas as coisas).

53 A filosofia medieval A Idade Média vai do século V ao século XV; A igreja católica nasce dentro do Império Romano; A princípio é proibida e perseguida; Vai se fortalecendo até se tornar à religião oficial do Império (380 d.c.); É detentora da escrita e do conhecimento ; Torna-se a força espiritual e política do período; Questão discutida: relação entre teologia e filosofia, ou seja, entre fé e razão.

54 Patrística Filosofia dos padres da igreja (séc. II ao V) Objetivos: Converter os pagãos (não batizados); Combater as heresias, (doutrinas Contrárias as da igreja); Justificar a fé; Recorre-se a razão; A razão é vista como auxiliar da fé. Representante: Santo Agostinho ( ); Creio para que possa entender.

55 Escolástica Filosofia cristã ensinada nas escolas clericais (séc. IX ao XIV); Continua-se recorrer a razão para justificar as verdades da fé; A filosofia é considerada serva da teologia; Representante: São Tomás de Aquino ( ); Valorização do mundo sensível para a aquisição de conhecimento; O mundo sensível é uma criação divina e é digno de ser conhecido pelo cristão.

56 Características gerais Idade Média Teocentrismo; Geocentrismo; Dogmatismo. Renascimento (séc. XV e XVI) Antropocentrismo; Heliocentrismo; Racionalismo.

57 Interatividade No contexto das relações entre fé e razão durante a Idade Média, a filosofia foi tratada pela igreja: a) como parceira o tempo todo. b) como inimiga e depois como aliada. c) como uma heresia. d) como uma fonte de inspiração. e) como fonte de salvação.

58 ATÉ A PRÓXIMA!

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