PARQUE ESTADUAL DO BACANGA: ASPECTOS RELEVANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA ÁREA NO CONTEXTO URBANO DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS MA.

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E LIMNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE DE ECOSSISTEMAS PARQUE ESTADUAL DO BACANGA: ASPECTOS RELEVANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA ÁREA NO CONTEXTO URBANO DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS MA. Nytia Nanda Silva Costa Dissertação de Mestrado SÃO LUÍS 2010

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE OCEANOGRAFIA E LIMNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE DE ECOSSISTEMAS PARQUE ESTADUAL DO BACANGA: ASPECTOS RELEVANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA ÁREA NO CONTEXTO URBANO DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS MA. Nytia Nanda Silva Costa Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Ecossistemas da Universidade Federal do Maranhão como parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Antônio Carlos Leal de Castro Agência Financiadora: CAPES SÃO LUÍS 2010

3 Costa, Nytia Nanda Silva. Parque Estadual do Bacanga: aspectos relevantes para a sustentabilidade ambiental da área no contexto urbano do município de São Luís-MA / Nytia Nanda Silva Costa. São Luís, f. Dissertação (Mestrado em Sustentabilidade de Ecossistemas) Universidade Federal do Maranhão, Sustentabilidade. 2. Parque Estadual do Bacanga. I. Título. NYTIA NANDA SILVA COSTA CDU

4 NYTIA NANDA SILVA COSTA PARQUE ESTADUAL DO BACANGA: ASPECTOS RELEVANTES PARA A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA ÁREA NO CONTEXTO URBANO DO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS MA. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade de Ecossistemas da Universidade Federal do Maranhão como parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre. Aprovada em / / BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Antônio Carlos Leal de Castro (Orientador) Universidade Federal do Maranhão Prof. Dr. Antônio José de Araújo Ferreira Universidade Federal do Maranhão Prof. Dr. Cláudio Urbano Bittencourt Pinheiro Universidade Federal do Maranhão

5 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA Unidades de Conservação Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) Sustentabilidade urbana OBJETIVOS METODOLOGIA Área de estudo Localização geográfica Caracterização física Histórico do Parque Estadual do Bacanga Métodos Levantamento bibliográfico Pesquisa de campo Caracterização do uso e ocupação do solo da Bacia do Bacanga Caracterização do uso e ocupação do solo no entorno do Parque Estadual do Bacanga Avaliação do manejo do Parque Estadual do Bacanga Análise dos dados Pressões e ameaças Importância biológica, sócio-econômica e vulnerabilidade Efetividade de manejo Pontuação para as questões Atribuição de conceitos para os critérios... 27

6 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO AVALIAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DO PARQUE Pressões e ameaças à integridade ambiental da UC Perda da cobertura vegetal no Parque e inter-relações com seu entorno Contexto Importância biológica Importância sócio-econômica Vulnerabilidade Evolução da ocupação humana Qualidade de vida e implicações ambientais Percepção ambiental AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE IMPLEMENTAÇÃO DO PARQUE Desenho e planejamento da área Insumos e processos Resultados do manejo RECATEGORIZAÇÃO DA UC CONCLUSÃO RECOMENDAÇÕES Uso de indicadores para monitoramento do Parque Programas de Educação Ambiental Manutenção de uma presença visível do órgão gestor na área Manutenção dos atuais limites Impedir novas ocupações Garantir a sustentabilidade financeira do Parque... 72

7 REFERÊNCIAS APÊNDICES... 80

8 LISTA DE TABELAS Tabela 1. Número das diferentes categorias de Unidades de Conservação estaduais e federais no Brasil (adaptado de RYLANDS & BRANDON, 2005)...11 Tabela 2. Unidades de Conservação Públicas do Maranhão...12 Tabela 3. Elementos utilizados para avaliação do manejo do Parque Estadual do Bacanga...23 Tabela 4. Conceitos atribuídos na avaliação do manejo e contexto da UC...25 Tabela 5. Síntese das pressões e ameaças sobre os recursos naturais do Parque Estadual do Bacanga...30 Tabela 6. Proporção do desmatamento em relação à área de floresta original do Parque Estadual do Bacanga no período compreendido entre 1997 e Tabela 7. Distribuição absoluta e relativa das diferentes categorias de uso e ocupação do solo no entorno (raio de 5km) do Parque Estadual do Bacanga em 1984, 2001 e Tabela 8. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes ao contexto...36 Tabela 9. População do entorno do Parque Estadual do Bacanga (1991) Tabela 10. Estimativa da população da área de entorno do Parque Estadual do Bacanga (2001) Tabela 11. Estimativa da população residente do Parque Estadual do Bacanga (2001) Tabela 12. Abastecimento de água nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga..42 Tabela 13. Esgotamento sanitário nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga Tabela 14. Destino do lixo nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga...47 Tabela 15. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes ao planejamento...55 Tabela 16. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes aos insumos Tabela 17. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes aos processos...63 Tabela 18. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes aos resultados do manejo...65

9 RESUMO Essenciais para a manutenção dos mecanismos de sustentação da vida, através do equilíbrio ecológico que proporcionam, as Unidades de Conservação (UCs) são estabelecidas no âmbito das políticas públicas de gestão ambiental e constituem o mais eficiente processo de proteção da biodiversidade. O Parque Estadual do Bacanga, criado em 7 de março de 1980 pelo Decreto nº 7.545, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral considerada uma das mais importantes zonas de recarga de aquíferos do município de São Luís. Esta UC vem sofrendo, ao longo dos anos, substanciais alterações decorrentes da expansão e ocupação urbanas desordenadas. Considerando-se que o efetivo manejo de áreas legalmente protegidas é imprescindível para a preservação dos ecossistemas e que há necessidade de se avaliar a situação do Parque Estadual do Bacanga, este trabalho visou diagnosticar a situação desta UC, caracterizando a efetividade da proteção e gerando subsídios para orientar políticas públicas voltadas para sua gestão. O objetivo geral deste trabalho foi avaliar o estado de conservação do Parque Estadual do Bacanga no contexto urbano do município de São Luís, caracterizando os usos conflitantes e impactos ambientais nos seus limites e entorno. A metodologia utilizada consistiu em levantamentos bibliográficos, pesquisa de campo, identificação do uso e ocupação do solo no entorno da UC com auxílio do Sistema de Informação Geográfica SPRING ver. 4.3 e avaliação do manejo da UC por meio de questionário aplicado ao órgão gestor. A principal pressão sobre o Parque consiste na ocupação desordenada da área, contribuindo para isto a sua fácil acessibilidade. Um total de 33,77% da área do Parque Estadual do Bacanga (2.634 ha) encontra-se sem cobertura vegetal. O nível de integridade atual da UC em estudo (66,23%) é muito preocupante e a coloca em prova enquanto área protegida viável. A avaliação do manejo da área indicou que o nível de implementação da UC é inadequado. A despeito da ausência de sistemas rigorosos de monitoramento ecológico, da tendência de redução do tamanho do Parque por parte do Poder Público e das atividades conflitantes praticadas no mesmo e no seu entorno, é bastante provável que populações viáveis de muitas espécies não consigam persistir se as ameaças não forem neutralizadas por meio de um efetivo manejo da área. Há, portanto, a necessidade de se implementar o Parque, provendo-o com o mínimo necessário para que possa cumprir eficientemente as funções para as quais foi criado. Entendendo-se que o maior problema do Parque é a ausência de manejo, descarta-se a necessidade de recategorização da UC. Palavras-chave: Manejo. Sustentabilidade. Parque Estadual do Bacanga.

10 ABSTRACT Essential for the retention of the life support, through the ecological balance that provides, the Protected Areas are established in scope of the public policies of environmental management and are the most efficient process of protecting biodiversity. The Bacanga State Park, created in March 7, 1980 by Decree nº. 7545, is a Units of Conservation to Integral Protection is considered one of the most important areas of aquifer recharge in the city of São Luís. This UC has been suffering, over the years, substantial changes resulting from urban expansion and disorderly occupation. Considering that the effective management of legally protected areas is essential for the conservation of ecosystems and there is a need to assess the situation of the Bacanga State Park, this work aims to analyze the state of this UC, characterizing the effectiveness of protection and providing grants to guide public policies for its management. The general purpose of this study was to assess the conservation status of the Bacanga State Park in the context of the city of São Luís, featuring the conflicting uses and environmental impacts within its boundaries and environment. The methodology consisted of literature surveys, field research, identification of the use and occupation of land surrounding the conservation area, with the aid of Geographic Information System SPRING see. 4.3 and evaluating the management of the UC through a questionnaire applied to the managing agency. The main pressure on the Park is the disorderly occupation of the area, contributing to this an easy accessibility to area. A total of 33.77% of the area of the Bacanga State Park (2,634 ha) is without vegetation. The current level of integrity of the UC in study (66.23%) is very worrying and put it in evidence as protected area viable. The evaluation of the management of the area indicated that the level of implementation of the UC is inadequate. Despite the absence of rigorous systems of ecological monitoring, the tendency to reduce the size of the Park by the Government and of the conflicting activities practiced in it and its surroundings, it is quite likely that viable populations of many species can not persist if the threats are not neutralized by an effective management of the area. There is, therefore, a need to implement the Park, providing it with the minimum necessary to allow it to perform efficiently the functions for which it was created. Understanding that the Park's biggest problem is the absence of management, dismisses the need for recategorization of the UC. Key words: Management. Sustainability. Bacanga State Park.

11 9 1. INTRODUÇÃO A proteção das espécies de fauna e flora nativas de um país ou região só poderá ser feita, de forma efetiva, com a preservação de parcelas significativas de seus ambientes naturais. Em razão disso, no Brasil, a exemplo de muitos outros países, são criadas diversas Unidades de Conservação (UCs). Essas áreas protegidas possuem regras próprias de uso e de manejo, com a finalidade própria de preservação e proteção de espécies vegetais e animais, de tradições culturais, de belezas paisagísticas, ou de fontes científicas, dependendo da categoria em que se enquadram (SCHENINI et al., 2004). Todavia, a despeito do reconhecimento de sua importância e valor, as UCs sofrem uma variedade de problemas. Dentre os principais, encontram-se as ameaças provenientes de atividades desenvolvidas no seu entorno, sobretudo, a pressão do crescimento urbano, dos complexos industriais e da agropecuária extensiva e intensiva. Aos poucos, essas atividades cercam e castigam as Unidades de Conservação e levam-nas ao isolamento ecológico. Em conseqüência, surgem problemas de perda de biodiversidade associados à fragmentação de habitats, aos efeitos de borda, à disponibilidade de recursos, à capacidade suporte da área, às flutuações das populações silvestres, ao definhamento das comunidades naturais, entre outros (HOROWITZ & BURSZTYN, 2004). Outro fator preocupante diz respeito à falta de efetividade do manejo e de proteção ambiental das Unidades de Conservação no país (LIMA et al., 2005). Sabe-se que várias UCs foram criadas sem critérios técnico-científicos, sendo muito pequenas e pouco representativas em relação às diferentes regiões biogeográficas (DOUROJEANNI & PÁDUA, 2001), colocando-as em prova quanto à sua efetividade. Segundo Terborgh et al. (2002), uma grande fração das Unidades de Conservação no mundo representa os chamados parques de papel. Esse termo se refere às Unidades de Conservação que não foram realmente implantadas e têm apenas uma existência virtual, como linhas desenhadas em mapas oficiais (LIMA et al., 2005). Bruner et al. (2001) apud Neto & Silva (2002) avaliaram a integridade e o grau de implementação de 93 UCs em 22 países tropicais ao redor do mundo. Eles avaliaram a integridade das UCs comparando a situação dos ecossistemas naturais dentro das UCs com os seus respectivos entornos (áreas dentro de um raio de 10 km). Eles concluíram que mesmo apesar de muitas UCs não estarem minimamente implementadas, ou seja, serem parques de papel, a simples decretação de uma área como UC já auxilia na contenção do desmatamento e alteração dos ecossistemas naturais dentro de uma região.

12 10 Visando eliminar os riscos da criação desses parques de papel foi aprovado, pelo Congresso Nacional, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (BRASIL, 2000) depois de mais de dez anos de discussões (LIMA et al., 2005). O que regulamentava a gestão de áreas protegidas no território brasileiro antes do SNUC era um conjunto de leis, decretos e resoluções que associadas confusamente a outras tantas legislações estaduais e municipais, deliberavam sobre vários assuntos concernentes à conservação de áreas protegidas. Coube ao SNUC fornecer toda a integração e articulação necessária ao funcionamento de uma estratégia nacional para a criação de áreas protegidas. As Unidades de Conservação quanto à sua utilização podem ser divididas em dois grupos, Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável de acordo com o SNUC (BRASIL, 2000). Em São Luís, existem cinco Unidades de Conservação, todas sob administração estadual: Estação Ecológica do Rangedor, Parque Estadual do Bacanga, Parque Ecológico da Lagoa da Jansen, Área de Proteção Ambiental do Maracanã e Área de Proteção Ambiental do Itapiracó. O Parque Estadual do Bacanga foi criado em 7 de março de 1980 pelo Decreto nº e abrangia uma área de ha, passados quatro anos sua área foi reduzida para o valor atual de 2.634,06 ha (CAVALCANTE, 2005). Em 1992 foi elaborado o Plano de Manejo do Parque Estadual do Bacanga, documento técnico que estabelece as normas de uso e manejo dos recursos naturais da região, fornecendo desta maneira subsídios para a gestão da unidade. Devido às constantes agressões aos recursos ambientais daquela área, muitas das recomendações contidas neste plano de manejo tiveram de ser reformuladas. Foi elaborado, então, o documento de atualização do Plano de Manejo do Parque Estadual do Bacanga, visando o efetivo cumprimento dos objetivos do Plano de Manejo de 92 (ELETRONORTE, 2002). Esta UC, considerada uma das mais importantes zonas de recarga de aqüíferos do município de São Luís, vem sofrendo, ao longo dos anos, substanciais alterações decorrentes da expansão e ocupação urbanas desordenadas (CAVALCANTE, 2005). Tendo-se em vista que o efetivo manejo de áreas legalmente protegidas é imprescindível para a preservação dos ecossistemas e que há necessidade de se avaliar a situação do Parque Estadual do Bacanga, este trabalho visou diagnosticar a situação desta UC, de forma a caracterizar a efetividade da proteção e gerar subsídios para orientar políticas públicas voltadas para sua gestão.

13 11 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 Unidades de Conservação De acordo com o IBAMA, "as áreas protegidas existem desde o ano 250 a.c., quando na Índia já se protegiam certos animais, peixes e áreas florestadas". Porém, foi somente no século XIX, que surgiram as primeiras pretensões na criação de áreas legalmente protegidas para resguardar os ecossistemas e as paisagens naturais. O marco histórico deste tipo de iniciativa é o Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, nos Estados Unidos (SCHENINI et al., 2004). No Brasil, foi somente no ano de 1937 que foi criado o primeiro Parque Nacional, o Parque Nacional de Itatiaia, no Rio de Janeiro. Este Parque foi criado com base no Código Florestal de 1934 (SCHENINI et al., 2004). A iniciativa de criação de Parques Nacionais se espalhou por vários países, diversificando-se com o passar do tempo, passando desse modo a receber a denominação genérica de unidades de conservação. No entanto, segundo Pádua "as primeiras unidades de conservação foram criadas sem nenhum tipo de critério técnico e científico, ou seja, foram estabelecidas meramente em razão de suas belezas cênicas, como foi o caso do Parque 1 Nacional de Itaguaçu, ou por algum fenômeno geológico espetacular, como o Parque Nacional de Ubajara, ou ainda, por puro oportunismo político como o Parque Nacional da Amazônia". Resultando desse modo, a uma inevitável ineficiência no processo de criação e gestão das unidades, seja quanto à consecução de suas finalidades, confusão de regimes, como ainda a uma sobreposição de unidades (RYLANDS & BRANDON, 2005). Entendem-se como Unidades de Conservação (UCs), todas as áreas protegidas que possuem regras próprias de uso e de manejo, com a finalidade própria de preservação e proteção de espécies vegetais ou animais, tradições culturais, belezas paisagísticas, ou de fontes científicas, dependendo da categoria em que se enquadra. Segundo o IBAMA, as UCs são definidas como "porções do território nacional, incluindo as águas territoriais, com características naturais de relevante valor, de domínio público ou propriedade privada, legalmente instituídas pelo poder público, com objetivos e limites definidos, e sob regimes especiais de administração, às quais se aplicam garantias adequadas de proteção" (SCHENINI et al., 2004).

14 12 As UCs são organizadas em categorias, definidas como categorias de manejo, cada qual atendendo prioritariamente a determinados objetivos, que poderão ter maior ou menor significado para a preservação dos ecossistemas naturais (SCHENINI et al., 2004). Até 1981 existiam no país apenas três categorias de manejo legalmente instituídas e com unidades implantadas no território nacional, caracterizadas como Parque Nacional, Reserva Biológica e Floresta Nacional. A partir dessa data, também foram instituídas legalmente e passaram a ser criadas as categorias: Estação Ecológica, Área de Proteção Ambiental e Área de Relevante Interesse Ecológico. As categorias Reserva Biológica e Estação Ecológica possuem profunda semelhança em termos de objetivos de manejo (RYLANDS & BRANDON, 2005). Além das categorias de Unidade de Conservação já citadas, existem as vinculadas a instituições de pesquisa e/ou ensino, como a empresas estatais ou privadas, podendo ser citadas as áreas de preservação mantidas por empresas estatais da área de eletricidade, como Tucuruí (Eletronorte/Pará), as áreas de preservação de instituições de pesquisa, como a Reserva Ecológica do IBGE no Distrito Federal e, as áreas de preservação para pesquisa, de propriedades de Universidades, como a Reserva da Boracéia (USP) (SCHENINI et al., 2004). Todos estes tipos de áreas precisam de definição conceitual adequada e de garantias legais para sua existência e administração, de maneira que possam integrar o sistema de Unidades de Conservação do país. Até fevereiro de 2005, o Brasil nos âmbitos federal e estadual contava com 478 Unidades de Proteção Integral, totalizando ha e 436 Unidades de Uso Sustentável em ha (Tabela 1).

15 13 Tabela 1. Número das diferentes categorias de Unidades de Conservação estaduais e federais no Brasil (adaptado de RYLANDS & BRANDON, 2005). Unidades de Conservação Nº Unidades de Conservação Nº Federais Estaduais Proteção Integral Proteção Integral Parque Nacional 54 Parque Nacional 180 Reserva Biológica 26 Reserva Biológica 46 Estação Ecológica 30 Estação Ecológica 136 Refúgio de Vida Silvestre 1 Refúgio de Vida Silvestre 3 Monumento Natural 0 Monumento Natural 2 Subtotal Uso Sustentável Uso Sustentável Floresta Nacional 58 Floresta Nacional 58

16 14 RDS a 0 RDS a 9 Reserva Extrativista 36 Reserva Extrativista 28 APA b 29 APA b 181 ARIE c 18 ARIE c 19 Subtotal Total a Reserva de Desenvolvimento Sustentável b Área de Proteção Ambiental c Área de Relevante Interesse Ecológico Ainda que o Brasil tenha criado um grande número de áreas protegidas, a conservação da biodiversidade encontra-se ameaçada devido a inúmeros fatores (DOUROJEANNI, 1997). Muitas UCs foram criadas sem critérios técnico-científicos, sendo muito pequenas e pouco representativas em relação às diferentes regiões biogeográficas (DOUROJEANNI & PÁDUA, 2001), colocando-as em prova quanto a sua efetividade. Além disso, a maioria delas não atingiu os objetivos que motivaram a sua criação, outras se encontram ameaçadas pelo avanço da urbanização e pela ocupação humana de seus entornos e existem, ainda, aquelas que carecem de regulamentação e recursos para manutenção e gerenciamento (FERREIRA et al., 2004). O Maranhão não foge a essa realidade, de acordo com Ribeiro (2003), a grande maioria das Unidades de Conservação do Estado apenas foram criadas no papel. O Estado do Maranhão possui em seu território 34 Unidades de Conservação, incluindo as federais, as estaduais e as privadas. Não há dados disponíveis sobre as municipais. Na esfera federal, sob a administração do IBAMA, existem dez UCs, quatro de Proteção Integral e seis de Uso Sustentável. Na estadual são treze, cinco de Proteção Integral, sete de Uso Sustentável e uma UC de Manejo Provisório (Tabela 2). As onze Reservas Particulares do Patrimônio Natural existentes no estado foram criadas na década de 1990 e não há um trabalho de acompanhamento das mesmas (IBAMA, com. pess.). Tabela 2. Unidades de Conservação Públicas do Maranhão.

17 15 UC Criação Área (ha) Gestão Proteção Integral Estação Ecológica do Rangedor SEMA Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses IBAMA Reserva Biológica do Gurupi IBAMA Parque Estadual do Mirador SEMA Parque Estadual do Bacanga SEMA PEM a do Parcel de Manuel Luís ,9 SEMA Parque Ecológico da Lagoa da Jansen IBAMA Parque Nacional da Chapada das Mesas IBAMA Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba IBAMA Manejo Provisório RRN b das Nascentes do Rio Balsas SEMA Uso Sustentável APA c Maracanã SEMA APA Preguiças/Pequenos Lençóis/ ,3 SEMA Região Lagunar Adjacente APA Baixada Maranhense ,9 SEMA APA Reentrâncias Maranhenses ,2 SEMA APA Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiça ,31 SEMA

18 16 APA Itapiracó SEMA APA Tabatinga IBAMA APA do Delta do Rio Parnaíba IBAMA RESEX e do Quilombo do Frexal IBAMA RESEX do Cururupu ,592 IBAMA RESEX do Ciriaco IBAMA RESEX Mata Grande IBAMA REM d do Delta do Rio Parnaíba SEMA a Parque Estadual Marinho b Reserva dos Recursos Naturais c Área de Proteção Ambiental d Reserva Extrativista Marinha e Reserva Extrativista 2.2 Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC Após mais de 8 anos de estudos e propostas e conseqüente tramitação no Congresso Nacional, temos hoje a Lei nº de 18 de julho de 2000 que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SCHENINI et al., 2004). A Lei vem a auxiliar o ordenamento das inúmeras leis dispostas sobre as diversas categorias de manejo, como também vem a definir critérios e normas para o estabelecimento e gestão das áreas protegidas, sejam estas federais, estaduais ou municipais. De acordo com o artigo 4º disposto nesta mesma Lei, o SNUC tem os seguintes objetivos (BRASIL, 2000):

19 17 I. contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais; II. proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional; III. contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais; IV. promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais; V. promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de denvolvimento; VI. proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica; VII. proteger as características relevantes de natureza geológica, geomorfológica, espeleológica, arqueológica, paleontológica e cultural; VIII. proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos; IX. recuperar ou restaurar ecossistemas degradados; X. proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica, estudos e monitoramento ambiental; XI. valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica; XII. favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico; XIII. proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais, respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura, promovendo-as social e economicamente. As unidades integrantes do SNUC são divididas em dois grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As Unidades de Proteção Integral tem como objetivo básico a preservação da natureza, admitindo apenas o uso indireto dos seus atributos naturais. Já as de Uso Sustentável, caracterizam-se pelo uso direto de uma parcela dos seus recursos naturais, visando compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável (BRASIL, 2000). De acordo com o art. 8º da Lei 9.985, o grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: Estação Ecológica (ESEC),

20 18 Reserva Biológica (REBIO), Parque Nacional (PARNA), Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre, enquanto as unidades como Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), Floresta Nacional (FLONA), Reserva Extrativista (RESEX), Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), constituem o grupo das Unidades de Uso Sustentável, conforme exposto no artigo 14 da referida Lei (BRASIL, 2000). As categorias possuem características específicas, sendo que existem assimilações quanto a alguns critérios. Nas Estações Ecológicas e nas Reservas Biológicas, por exemplo, é proibida a visitação pública, exceto aquela com objetivo educacional, de acordo com regulamento específico. Estas duas unidades, juntamente com o Parque Nacional, Floresta Nacional, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna e Reserva de Desenvolvimento Sustentável são de posse e domínio público. Já o Monumento Natural e o Refúgio de Vida Silvestre, podem ser constituídos por áreas particulares, desde que seja possível compatibilizar os objetivos da unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários e, as Áreas de Proteção Ambiental e de Relevante Interesse Ecológico podem ser criadas em terras públicas ou privadas. A única unidade de conservação que deve obrigatoriamente ser caracterizada como área privada é, como o próprio nome define, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (BRASIL, 2000). As categorias que compõem as Unidades de Conservação podem ser classificadas como típicas, ou seja, as que integram o SNUC e, como atípicas, as quais mesmo abrigadas pelo ordenamento brasileiro, não fazem parte do sistema da Lei 9.985/00. Dentre as atípicas, cabe citar a Área de Preservação Permanente (APP), a Reserva Legal, Áreas de Servidão Florestal, as Reservas Indígenas, entre outras (SCHENINI et al., 2004). Tais Unidades de Conservação, não obstante em conformidade com o art. 225, 1º, III, da Constituição Federal, foram excluídas do "Sistema", caracterizadas desse modo como extrasistema, devido a razões estritamente pragmáticas, ou seja, enorme dispersão territorial e diversidade, dificultando a gestão no âmbito do SNUC (SCHENINI et al., 2004). Quanto ao grau de preservação das UCs, esta varia de acordo com o tipo de proteção legal específico a cada área e a classificação jurídica que tenha sido estabelecida a cada uma. A proteção pode variar desde a intocabilidade, até o uso diário e relativamente intenso. 2.3 Sustentabilidade urbana

21 19 A preocupação com os problemas ambientais foi desencadeada principalmente devido à deterioração da qualidade ambiental nas cidades e sua interferência na qualidade de vida da população urbana. As cidades são também o maior desafio para a formação de uma sociedade sustentável e à implementação de um desenvolvimento sustentável, já que os centros urbanos concentram não só adensamentos populacionais, como também grandes problemas ambientais que convivem e se inter-relacionam com os problemas sociais. A discussão sobre desenvolvimento sustentável e sustentabilidade urbana representa um novo paradigma no planejamento urbano. A base desse paradigma é exemplificada pela afirmação de Garcias (2001): o planejamento ambiental urbano, além da estruturação da cidade para suas atividades normais, de atendimento às questões relativas a habitação, trabalho, transporte, lazer, deve considerar a capacidade de sustentação ambiental do ambiente natural sobre o qual a cidade se desenvolve. Assim, a cidade é vista como uma organização espacial que a caracteriza como um sistema ambiental complexo, o qual, assim como outros sistemas ambientais, resulta da interação entre os subsistemas socioeconômico e físico-natural. Logicamente que na cidade essa relação entre os subsistemas é distinta daquela que ocorre em ambientes rurais ou naturais, haja vista que a organização da cidade ocorre em função principalmente daquilo que é imposto pelo subsistema sócio-econômico. No entanto, essa imposição não pode (ou, pelo menos, não deveria) ignorar os limites e potencialidades dados pelo subsistema físico-natural (MATTOS & PEREZ-FILHO, 2005). Essa tentativa de integração entre os subsistemas é que deve guiar o planejamento urbano visando à sustentabilidade. Segundo a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional, a gestão das cidades brasileiras deve buscar políticas que enfrentem o quadro de exclusão social e de deterioração ambiental (NOVAES et al., 2000). A Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável ainda destaca a importância de se utilizar metodologias baseadas em indicadores para auxiliar os processos de tomadas de decisão. Segundo a Comissão: Enquanto aumenta a legitimidade do paradigma da sustentabilidade e sua pertinência para lidar com a especificidade do urbano, cresce a necessidade de selecionar critérios, estratégias e indicadores para ancorar a formulação, monitorar a implementação e avaliar os resultados das políticas urbanas em bases sustentáveis. (NOVAES et al., 2000). No entanto, ao analisar as propostas para a sustentabilidade urbana, percebe-se o quão distante se está da construção de cidades sustentáveis, o que leva à reflexão sobre a própria

22 20 possibilidade de se atingir tal estágio. Segundo Marcondes (1999), essa dificuldade se torna ainda mais marcante nas cidades globais (denominação da autora para as cidades mais diretamente ligadas ao processo de globalização), nas quais impera uma urbanização periférica e excludente, ditada por interesses privados e no qual o poder público tem possibilidades restritas de intervenção na gestão do espaço. De fato, a superação deste quadro representa o maior desafio para um desenvolvimento urbano sustentável. Além da reflexão sobre a possibilidade de se conseguir a sustentabilidade urbana, discute-se também a própria pertinência desse discurso como modelo de planejamento. Uma das principais críticas ao paradigma da sustentabilidade no planejamento urbano é a de que o enfoque estritamente ecológico que é dado por algumas correntes teóricas desse paradigma causa um esvaziamento na discussão da questão social nas cidades ao não levar muito em consideração a preocupação com a satisfação das necessidades humanas (VITTE, 2002). Mas, ainda segundo essa autora, a idéia de sustentabilidade tem aspectos positivos quando incentiva a cidadania e se torna referência para políticas públicas inter setoriais. Nesse sentido, a sustentabilidade do Parque Estadual do Bacanga está vinculada às questões sócio-ambientais da cidade de São Luís como um todo. O uso e ocupação inapropriados do solo decorrentes do processo de urbanização sem planejamento contribuem predominantemente para a descaracterização e aumento da vulnerabilidade dos ecossistemas da UC, com reflexos na qualidade de vida da população, especialmente no que diz respeito ao suprimento de água. 3. OBJETIVOS

23 Objetivo Geral Avaliar o estado de conservação do Parque Estadual do Bacanga no contexto urbano do município de São Luís, caracterizando os usos conflitantes e impactos ambientais nos seus limites e entorno. 3.2 Objetivos específicos Analisar as ameaças e pressões à área, identificando o nível geral de integridade e de degradação da UC; Avaliar o grau de implementação do Parque Estadual do Bacanga; Avaliar a realidade do Parque, usando como parâmetro o marco regulatório das Unidades de Conservação. Avaliar a percepção ambiental da população residente e do entorno da UC; Contribuir com a formação de um banco de dados científicos sobre UCs que possa ser utilizado pelos formuladores de políticas públicas voltadas para o Parque e pelos seus gestores.

24 22 4. METODOLOGIA 4.1 Área de estudo Localização Geográfica O Parque Estadual do Bacanga ocupa parte da área ao sul do núcleo central da sede do Município de São Luís (Figura 1), sendo delimitado pelas coordenadas geográficas 2º º S e 44º º W (RIBEIRO, 2003). Figura 1. Mapa da localização do Parque Estadual do Bacanga, São Luís, MA Caracterização Física

25 23 Geologicamente, a bacia do rio Bacanga ocupa o topo de pequena extensão da bacia sedimentar de São Luís, na região noroeste da ilha (CERQUEIRA, 1985). No conjunto, a geologia da área do Parque apresenta-se em um estado de equilíbrio muito vulnerável devido a constituir-se de rochas estratificadas e de baixa compactação (TEIXEIRA, 2009). Na área ocupada pelo Parque Estadual do Bacanga, os processos morfogenéticos ocorreram de modo semelhante aos de grandes extensões da ilha, pelo menos naquelas que ainda possuem alguma cobertura vegetal. Nessas condições, os processos naturais predominaram até que a ocupação da ilha pelos europeus desencadeasse transformações mais rápidas. Sob ponto de vista geográfico, as bacias dos rios Anil e Bacanga podem ser consideradas como totalmente centrais. Esta centralidade permitiu que estes rios sofressem, desde o período de colonização e até a atualidade grandes transformações ambientais (TEIXEIRA, 2009). Conforme Ribeiro (2003), Fonseca (2003) e Teixeira (2005), a Bacia do Rio Bacanga é constituída de várias sub-bacias, dentre as quais se destacam: Sub-bacia do Rio das Bicas: localizada na porção norte do Parque, é a mais exposta à degradação ambiental e consequentemente a mais poluída. Sub-bacia do Igarapé Coelho: situada ao nordeste, sendo formada pela drenagem que sulca parte do Parque Timbira e do bairro do Coroado, além do Sítio do Físico. Encontra-se em um estágio avançado de degradação ambiental, gerada pelas ocupações adjacentes e esgotos domésticos. Sub-bacia da Represa do Batatã: localizada a leste do Parque e apresentando drenagem da Vila Itamar, Recanto Verde e parte da Vila Esperança. Sob o ponto de vista da cobertura vegetal é a melhor em estado de conservação. Sub-bacia do Alto Bacanga: situada ao sul do Parque, registrando elevado impacto ambiental, pois possui uma concentração populacional bastante significativa. O Parque Estadual do Bacanga quanto à pedologia caracteriza-se por apresentar um solo pobre, essencialmente laterítico, originário da meterorização do material sedimentar existente na área e encontra-se altamente comprometido palas queimadas, desmatamentos e erosões. Atualmente, grande parte da área do Parque apresenta-se com solos nus e muito lixiviados (TEIXEIRA, 2009). O Parque, por estar situado na Província Amazônica nos limites com a Província Atlântica apresenta como vegetação predominante a Mata Pluvial Tropical Hileiana, denominada localmente de Pré-Amazônica (TEIXEIRA, 2009).

26 Histórico do Parque Estadual do Bacanga Em 26 de agosto de 1944, pelo Decreto n.º 6.833, o presidente da República Getúlio Vargas declarou como Floresta Protetora, de acordo com o artigo 11 do Decreto n.º de 23 de janeiro de 1934, toda a área de matas que interessavam como mananciais abastecedores da cidade de São Luís (MARANHÃO, 1992). O Decreto criador da Reserva também determinou que a área nela delimitada ficaria sujeita ao regime especial do Código Florestal então vigente (MARANHÃO, 1992). Através do Decreto Estadual nº 7.545, criou-se o Parque Estadual do Bacanga (PEB) em 07 de março de 1980, com uma área de hectares, tendo como objetivos a preservação dos ecossistemas nativos, bem como a fauna e a flora primitivas da área e a conservação de ambientes naturais favoráveis ao desenvolvimento de atividades humanas de caráter científico, educativo e recreativo e a atividade turística na cidade. Nesse mesmo decreto, ficaram como responsáveis pela administração do Parque, a hoje Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) e a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (CAEMA) cujas responsabilidades são respectivamente: a conservação dos recursos naturais, acréscimo ou exclusão de áreas vizinhas ao Parque, e a captação de água da região para o abastecimento da cidade (MARANHÃO, 1992). Em 1984, o Decreto nº de 10 de abril, do então governador Luiz Rocha, deu nova delimitação à área do Parque, tendo em vista a existência de diversas áreas que já estavam de forma definitiva ou irreversível, ocupadas ou utilizadas (MARANHÃO, 1992). No ano de 1992, entretanto, por meio do Decreto Estadual nº foi excluída uma área de 18 mil metros quadrados da UC destinada a compor o chamado Projeto Minha Gente do Governo Federal (MARANHÃO, 1992). É importante ressaltar que a parte norte do Parque está localizada em uma área considerada urbana pelo Plano Diretor de 1992 do município de São Luís, sendo caracterizada nesta como Reserva Floresta do Sacavém (JÚNIOR et al., 2007). Novamente em 2001, por meio da Lei nº de 14 de dezembro, foram excluídas da área do Parque levas de terra já ocupadas e consolidadas. Assim, ficaram excluídas dos limites do Parque: o Parque Pindorama; o Parque Timbira; o Parque dos Nobres; o Bom Jesus; o Primavera; a Vila dos Frades e o bairro do Coroadinho; ficando também excluídas daquela Unidade de

27 25 Conservação algumas edificações e as áreas da Vila Itamar; da Vila Esperança e parte da Vila Sarney (ELETRONORTE, 2002). Com a expansão demográfica e a falta de planejamento urbano, o Parque vem sofrendo uma grande pressão dos bairros e comunidades do entorno, gerando sérios problemas fundiários. Em 1992 foi elaborado o Plano de Manejo, no qual estão contidos dados físicos e bióticos, análise da paisagem ambiental, de fatores sócio-econômicos e da qualidade ambiental, dentre outras informações relacionadas ao Parque. Em 2002, o mesmo foi revisado (atualizado), acrescentando-se informações sobre programas de controle do meio ambiente, de uso público e de operações. 4.2 Métodos Levantamento Bibliográfico Durante o período de desenvolvimento deste trabalho foram visitadas bibliotecas de universidades e instituições públicas (SEMA e IBAMA) para levantamento de informações sobre o Parque Estadual do Bacanga e demais dados relacionados ao tema de estudo. No tocante à adequação da UC quanto à sua criação, implantação e manutenção foram consultados os seguintes documentos: Lei 9.985/00 Sistema Nacional de Unidades de Conservação; Decreto Estadual nº de 1980 cria o Parque Estadual do Bacanga; Lei Estadual nº de 2001 exclui alguns bairros do entorno da área do Parque; Plano de Manejo de 1992; Atualização do Plano de Manejo de 2002; Decreto nº de 21 de setembro de aprova o Regulamento dos Parques Nacionais Brasileiros; Resolução CONAMA nº 13 de 6 de dezembro de dispõe sobre normas referentes às atividades desenvolvidas no entorno das Unidades de Conservação.

28 Pesquisa de campo Essa etapa consistiu em visitas à área de estudo entre os meses de janeiro a março de 2009 que serviram para o reconhecimento da UC, dos moradores, dos fatores de pressão antrópica e das atividades que contrariam o previsto para uma Unidade de Conservação de Proteção Integral segundo o SNUC. No sentido de colher informações sobre a população residente e do entorno do Parque foram realizadas entrevistas envolvendo questões com o propósito de caracterizar o perfil sócioeconômico do entrevistado e, sobretudo, suas concepções sobre os problemas ambientais da UC e suas formas de resolução. Para o presente o estudo foram aplicados 100 questionários (APÊNDICE A) com a população residente e do entorno (Parque Timbira e Parque Pindorama) do Parque Estadual do Bacanga. As entrevistas permitiram a caracterização do entrevistado em termos sócio-econômicos e também buscaram verificar a sua percepção sobre os problemas ambientais da área em estudo Caracterização do uso e ocupação do solo da Bacia do Bacanga O mapa de uso e ocupação do solo da Bacia Hidrográfica do Bacanga foi retirado do trabalho de Castro (2008). A autora utilizou imagem de satélite CBERS2B, órbita-ponto 157/103 de 01/07/08 com resolução espacial de 20 metros Caracterização do uso e ocupação do solo no entorno do Parque Estadual do Bacanga O trabalho foi realizado com o auxilio do Sistema de Informação Geográfica SPRING ver. 4.3, onde foi estruturado um banco de dados intitulado São Luís e adotado o sistema de coordenadas planas, projeção UTM, Datum SAD69, na escala 1: A vetorização das classes foi baseada em imagens CBERS para os anos de 1984, 2001 e 2007, com resolução espacial de 20m, na escala de 1: As classes temáticas foram definidas a partir da interpretação visual e representatividade na escala de mapeamento adotada. Após a vetorização dos polígonos iniciou-se o processo de topologia e associação das classes aos mesmos.

29 27 As classes temáticas adotadas foram: mangue, floresta mista, capoeira, área urbanizada, área industrial e água. Foi gerado um buffer eqüidistante 5 km do limite do Parque Estadual do Bacanga que foi denominado de zona de amortecimento. Este limite foi estabelecido com base na Resolução CONAMA nº 13 de 6 de dezembro de 1990 que determina um raio de 10 km em torno das UCs como zona-tampão. Em virtude da localização do Parque e dos problemas associados à urbanização desorganizada e acelerada na região, optou-se por considerar como zona de pressão urbana sobre o Parque a metade do preconizado por tal Resolução (Figura 1) Avaliação do Manejo do Parque Estadual do Bacanga A metodologia utilizada neste estudo foi construída a partir de uma adaptação das metodologias preconizadas para avaliação de Unidades de Conservação de Faria (1997) e do World Wildlife Fund for Nature (WWF, 2003). Foi elaborado um questionário para aplicação ao gerente da UC visando identificar sua situação de manejo (APÊNDICE B). Foi delegada a uma funcionária do setor de Unidades de Conservação da Secretaria Estadual de Meio Ambiente a responsabilidade em prestar as informações solicitadas por meio do questionário. O referencial metodológico deste trabalho fundamenta-se no ciclo de manejo, tendo seis elementos principais de avaliação: o contexto, o planejamento, os insumos, os processos, os produtos e os resultados. O questionário para a avaliação abrange todos esses elementos e está organizado de acordo com a Tabela 3. Tabela 3. Elementos utilizados para avaliação do manejo do Parque Estadual do Bacanga. Contexto Planejamento da UC Insumos Processos do manejo Produtos do manejo Resultados Ameaças Objetivos Recursos humanos Planejamento do manejo Prevenção de ameaças Pressões

30 28 Importância biológica Amparo legal Comunicação e informação Práticas de manejo Restauração da UC Planejamento Importância sócioeconômica Infraestrutura Pesquisa, monitoramento e avaliação Manejo da vida silvestre Vulnerabilidade Finanças Divulgação na comunidade Controle de visitantes Infra-estrutura Produtos do manejo Monitoramento Pesquisa Treinamento Análise dos dados

31 29 Os dados do módulo do questionário foram analisados a fim de auxiliarem no diagnóstico da UC e na elaboração de recomendações. A validação das respostas do questionário no que diz respeito ao contexto e planejamento da UC foi obtida principalmente com base nos seguintes documentos: Plano de Manejo, listas de fauna e flora ameaçadas do IBAMA e trabalho de Drummond & Malheiros (2009). Para os outros elementos (insumos, processos do manejo, produtos do manejo e resultados), foram consideradas as informações prestadas pelo órgão gestor como suficientes a fim de justificar as respostas do questionário Pressões e ameaças As pressões abrangem as ações legais e ilegais e resultam dos impactos diretos ou indiretos de tais ações. As ameaças são pressões possíveis ou iminentes pelas quais um impacto pode ocorrer no presente ou continuar ocorrendo no futuro. Esta análise possibilitou informações sobre todas as pressões e as ameaças avaliadas na questão 2 do questionário Importância biológica, sócio-econômica e vulnerabilidade Correspondem às questões 3-5 do questionário, abrangendo a importância biológica, sócio-econômica e vulnerabilidade Efetividade de manejo Esta análise abrange quatro aspectos da efetividade de manejo da UC: planejamento, insumos, processos e resultados. O planejamento abrange os objetivos da UC, o amparo legal e o desenho e planejamento da área (questões 6-8). Os insumos referem-se aos recursos humanos,

32 30 comunicação, infra-estrutura e recursos financeiros (questões 9-12). Os processos incluem o planejamento, o processo de tomada de decisão e pesquisa, avaliação e monitoramento (questões 13-15). Os produtos são os resultados da questão Pontuação para as questões 3-16 A pontuação para as questões 3-16 segue abaixo: Sim = 6; predominante sim = 4; predominantemente não =2; não = 0. O questionário tem quatro opções de resposta: sim, predominantemente sim, predominantemente não ou não. Esse formato serve para detectar tendências gerais ao invés de identificar o nível exato do alcance de metas. Uma resposta sim indica que todas ou quase todas as exigências para uma dada variável foram cumpridas. Uma resposta predominantemente sim indica que a maioria das exigências foi cumprida, provavelmente serão cumpridas no futuro próximo, ou foram todas cumpridas, mas há reservas por parte do informante em relação a um sim absoluto. Uma resposta predominantemente não indica que poucas exigências foram cumpridas ou, a maioria das exigências foi cumprida, mas os resultados são insatisfatórios. Uma resposta não indica que nenhuma ou quase nenhuma das exigências foi cumprida Atribuição de conceitos para os critérios, graus de implementação e de vulnerabilidade Para cada critério somou-se as pontuações dos seus elementos e tirou-se uma média simples. De posse das médias, os conceitos foram atribuídos de acordo com a Tabela 4. Os elementos da efetividade de manejo compreendem planejamento, insumos e processos e resultados do manejo da UC. Os elementos do contexto analisados foram: importância biológica, importância sócioeconômica e vulnerabilidade. Tabela 4: Conceitos atribuídos na avaliação do manejo e contexto da UC.

33 31 Média Conceito para os elementos da efetividade de manejo Conceito para os elementos do contexto 1-2,5 Inadequado Baixa 2,6 3,5 Regular Regular 3,6 4,5 Bom Boa 4,6 6,0 Adequado Elevada O grau de implementação é representado pelos resultados do manejo. Os aspectos analisados foram: prevenção, detecção de ameaças e aplicação da lei; restauração do local e ações mitigatórias; manejo da vida silvestre ou de habitat; divulgação e ações educacionais na comunidade; controle de visitantes e turistas; desenvolvimento da infra-estrutura; planejamento de manejo e elaboração de inventários; monitoramento, supervisão e avaliação de funcionários; capacitação e desenvolvimento de recursos humanos e; pesquisa e monitoramento de resultados. O grau de vulnerabilidade foi medido através de quatro variáveis: dificuldade no monitoramento de atividades ilegais, aplicação da lei, usos conflitantes e acessibilidade da UC. De posse dos graus de vulnerabilidade e de implementação obteve-se o grau de risco da UC, representado por uma matriz de risco. O grau de risco é o resultado do grau de implementação combinado com a vulnerabilidade da área. Quanto maior a vulnerabilidade e menor a implementação, maior o risco que a unidade está submetida. No primeiro bloco da matriz de risco, denominado risco extremo, podem ser colocadas as unidades com piores índices de implementação e maior vulnerabilidade. No segundo bloco, chamado risco alto situam-se àquelas unidades minimamente implementadas, mas com vulnerabilidade alta ou média. No terceiro bloco, nomeado risco mediano estão as unidades não implementadas e de baixa vulnerabilidade. Finalmente, no quarto bloco, denominado risco normal, encontram-se as unidades minimamente ou razoavelmente implementadas, que estão em situação pouco vulnerável.

34 32

35 33 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 AVALIAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DO PARQUE ESTADUAL DO BACANGA Pressões e ameaças à integridade ambiental da UC As informações prestadas pelo representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente sugerem que a principal pressão sobre o Parque consiste na ocupação desordenada da área. A falta de controle no acesso ao Parque e a existência de comunidades nos seus limites são responsáveis em grande parte pelas demais pressões e ameaças relatadas: queimadas, retirada de areia dos rios da UC, desmatamento, deposição de resíduos sólidos (lixo), lançamento de esgotos e caça (Tabela 5). A grande pressão que as atividades humanas exercem sobre os habitats na região representa uma grave ameaça à preservação e conservação das espécies. As perturbações humanas em série têm sido responsáveis pela destruição de diversos biomas, levando à destruição da paisagem e, com isso, acarretando o desequilíbrio biológico (BEALE & MONAGHAN, 2004). O Batalhão da Polícia Ambiental realiza trabalho de educação e conscientização ambiental com os moradores do entorno do Parque e com os pequenos lavradores existentes na área. Através deste trabalho, segundo os policiais, tem havido uma grande diminuição do desmatamento da vegetação local e atualmente o pequeno lavrador não realiza mais queimadas e derrubadas de árvores na região para realização de suas roças (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Alguns igarapés estão sendo poluídos por esgotos que procedem da área da rodoviária e Bairro Santo Antônio. O Rio Batatã tem suas nascentes ameaçadas pelo desmatamento descontrolado e pela retirada clandestina de piçarra; o igarapé que divide a Vila Itamar do Recanto Verde está seco e só serve de canal para dejetos e esgotos doméstico e industrial (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). O sul do Parque concentra a maioria das nascentes do Rio Bacanga, sendo o lugar onde cresce o número de sítios e área de lazer. As nascentes e igarapés são utilizados como piscinas naturais e suas águas desviadas para várias finalidades, inclusive piscicultura. Os habitantes internos do Parque se aglomeram na Rua do Fio e nas margens da represa do Rio da Prata e dos igarapés do Jacú e do Ferventa (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). O acesso à área do Parque pode ser feita a partir do núcleo central de São Luís e demais bairros situados a nordeste e norte por via rodoviária, com penetração pela Avenida

36 34 dos Franceses (acesso principal pelas instalações da Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão). Com tráfego precário pode-se acessar o Parque através dos bairros Coroadinho, Tirirical e Maracanã (MARANHÃO, 1992). A exposição do Parque a inúmeras atividades impactantes está intimamente relacionada às estradas mantidas pela CAEMA na área que dão acesso aos nove poços artesianos instalados por essa companhia e à represa do Batatã e ao Sistema do Rio da Prata. O estudo de Ferreira (2009) demonstrou que a proporção do desmatamento como uma função da distância que separa as áreas protegidas das estradas apresenta padrões exponenciais, ou seja, uma grande proporção de desmatamento verificada próximo às estradas e que cai rapidamente com a distãncia. A ELETRONORTE também mantém áreas desmatadas (linhas de servidão) ao longo da linha de transmissão (MARANHÃO, 2002). Tabela 5. Síntese das pressões e ameaças sobre os recursos naturais do Parque Estadual do Bacanga. Recursos hídricos Recurso Pressões / ameaças Lançamento de efluentes líquidos e sólidos Recreação Assoreamento Flora Desmatamento Queimadas Fauna Caça Perda de habitats pelo desmatamento Soltura de espécies sem monitoramento Animais domésticos Solos Erosão A existência dessas estradas facilita a interiorização das degradações, tornando as porções centrais da UC mais acessíveis às atividades clandestinas como as citadas acima. Como conseqüência dessas atividades, tem-se o empobrecimento biológico e a fragmentação

37 35 dos remanescentes da mata. As trilhas, normalmente desenvolvidas pela população do entorno do Parque, servem como atalho às áreas de interesse. A soltura de espécies sem monitoramento também constitui fator de ameaça à fauna local em decorrência da possibilidade de substituição. Existem relatos de solturas de preguiças (Bradypus variegatus) e primatas (Cebus sp.) sem planejamento e estudo de monitoramento na área (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). A existência de espécies exóticas não silvestres como bois, cachorros, cavalos e jumentos associados ao uso da UC por moradores internos ou do entorno do Parque também é um fator importante no que diz respeito à manutenção do equilíbrio natural da área. Os animais domésticos que são abandonados podem quebrar o equilíbrio natural do ecossistema ao competirem com os animais silvestres por território e alimento, podendo agir como predadores ou caça (ARROMBA, 2009) Perda da cobertura vegetal no Parque e inter-relações com seu entorno De acordo com dados do Projeto de Desflorestamento das Unidades de Conservação da Amazônia Legal (INPE, 2009), um total de 33,77% da área do Parque Estadual do Bacanga (2.634 ha) encontra-se sem cobertura vegetal. O período que apresentou um maior percentual de desmatamento foi o de (20,88) (Tabela 6). No entorno, constatou-se que no período compreendido entre 1984 e 2007, a taxa de desmatamento foi de quase 51% (Tabela 7 e Figuras 2, 3 e 4). O índice de perda da cobertura florestal no Parque é inferior ao observado no seu entorno. Esse fato condiz com os resultados encontrados no trabalho de Bruner et al. (2001), o qual concluiu que mesmo apesar de muitas UCs não estarem minimamente implementadas, ou seja, serem parques de papel, a simples decretação de uma área como UC já auxilia na contenção do desmatamento e alteração dos ecossistemas de uma região. Segundo Ferreira (2009), áreas legamente protegidas, como Unidades de Conservação e terras indígenas estão sendo uma ferramenta eficaz para conter o desmatamento. Em estudo sobre a importância de áreas protegidas para a redução do desmatamento na Amazônia Brasileira, demonstraram que a proporção total da área desmatada fora das áreas protegidas sempre foram

38 36 significativamentes mais elevadas do que no interior destas. Essa diferença pode variar de 4,6 a 13,6 vezes dependendo do estado analisado. No entanto, o nível de integridade atual da UC em estudo (66,23%) é muito preocupante e a coloca em prova enquanto área protegida viável. Aliado à fragmentação soma-se o tamanho do Parque (2.634 ha), esta última característica por si só o leva a ser classificado como uma Unidade Pequena de acordo com Pires et al. (2002). O perigo de uma UC de área reduzida foi evidenciado através de exercícos de modelagem realizados por Belovsky (1987). Seus modelos matemáticos de extinção tratam da incapacidade das áreas protegidas de suportar espécies animais por um longo período de tempo. Outra preocupação relacionada ao tamanho de áreas protegidas é a manutenção da diversidade genética das espécies. Tabela 6. Proporção do desmatamento em relação à área de floresta original do Parque Estadual do Bacanga no período compreendido entre 1997 e Desmatamento Período ha % Até , , , ,07 Total ,77 Fonte: INPE (2009) Tabela 7. Distribuição absoluta e relativa das diferentes categorias de uso e ocupação do solo no entorno (raio de 5km) do Parque Estadual do Bacanga em 1984, 2001 e Classes

39 37 ha % ha % ha % Mangue 1.705,3 8, ,4 7, ,7 6,93 Urbano 4.216,9 21, ,6 44, ,3 55,35 Floresta ,2 63, ,9 41, ,2 32,44 Água 462,5 2,36 412,3 2,1 329,2 1,68 Área industrial 718,5 3,6 858,2 4,49 703,0 3,6 Total , , ,4 100 As pequenas populações mantidas em pequenas UCs contêm menos diversidade genética e estaõ mais sujeitas aos efeitos negativos associados a viabilidade populacional. Estas pequenas populações são mais sujeitas a sofrer perda de heterozigose devido à deriva genética, à consaguinidade e estão mais propensas à extinção por influências demográficas aleatórias (LANDE, 1988). A fragmentação da cobertura vegetal no Parque é um aspecto importante a ser levado em conta para a conservação da comunidade de mamíferos. Dependendo da distância entre florestas, as áreas abertas entre fragmentos freqüentemente constituem barreiras à dispersão e colonização, impedindo o fluxo gênico entre populações (FERRARI & LAURANCE, 1997) e aumentando o efeito de borda (MURCIA, 1995). Espécies de pequena dispersão, como o tamanduaí (Cyclopes didactylus), apesar de ocorrerem em ilhas próximas, como a de Curupu (município de Raposa, MA), estão possivelmente extintos da área do Parque (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Os fragmentos de florestas mais conservados da UC estão bastante comprometidos em função do isolamento parcial ou total provocado pela construção, no seu entorno, de estradas internas, linhas de transmissão, residências e até plantações. Destaca-se também a existência de áreas abertas enormes com granja e campos de futebol de uso particular e utilizados também para aluguel.

40 38 A supressão da vegetação age também sobre a pressão da caça, pois esta tende a tornar-se maior devido à facilidade de acesso às áreas anteriormente difíceis de chegar (ROBINSON et al., 1992) e ao confinamento da fauna em uma área de difícil dispersão. A facilidade de acesso ao interior do Parque e aos remanescentes florestais e o isolamento, parcial ou total de populações nesses fragmentos aumentou a pressão de caça ocasionando a extinção local de determinadas espécies como a de Mazama sp. (veado) ou reduzindo as populações como a de Agouti paca (paca), Dasyprocta primnolopha (cutia) e as de Dasypus novemcinctus; Cabassous unicinctus (tatus) (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Infelizmente, desde a criação do Parque pelo Decreto Estadual 7.545/80, grandes áreas de terra foram excluídas da Unidade de Conservação. Espaços que hoje correspondem a bairros inteiros, sobretudo do chamado Eixo Itaqui-Bacanga, antes faziam parte do que um dia já foi a completa floresta protetora dos mananciais abastecedores da cidade de São Luís (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Entre 1984 e 2007 a área urbanizada no entorno do Parque apresentou um incremento em torno de 61% (Tabela 7 e Figuras 2, 3 e 4). Atualmente, sobre o Parque incidem vetores de pressão de diversos bairros da região. De acordo com Miller (1997), as áreas naturais protegidas mundiais tendem a formar ilhas de diversidade biológica em meio a um mar de assentamentos humanos. Este ressalta, porém, que se pode reverter este quadro por meio da expansão das escalas geográficas dos programas de conservação, de modo a incorporar ecossistemas inteiros de forma integrada, inclusive com as pessoas que lá vivem e trabalham. Enfatiza ainda, que o planejamento para a conservação deve privilegiar abordagens que levem em consideração a dinâmica da paisagem e as inter-relações entre várias áreas naturais protegidas. Neste sentido, qualquer programa que vise à proteção da UC em estudo deve contemplar também o seu entorno.

41 39 Figura 2. Ocupação do solo no entorno (raio de 5km) do Parque (1984). Figura 3. Ocupação do solo no entorno (raio de 5km) do Parque (2001).

42 40 Figura 4. Ocupação do solo no entorno (raio de 5km) do Parque (2007) Contexto Importância biológica Para três das variáveis selecionadas neste estudo, o Parque Estadual do Bacanga obteve a pontuação máxima por exercer uma função crítica de paisagem, ser uma área representativa no sistema local de UCs e englobar ecossistemas em diminuição (Tabela 8). A função crítica de paisagem que uma área como o Parque do Bacanga possui é inquestionável, o equilíbrio ambiental do município de São Luís depende das funções ambientais exercidas pelas áreas protegidas principalmente, e, também, pelas demais áreas verdes que constituem a arborização urbana. Essas funções compreendem a manutenção da qualidade dos sistemas hídricos, a proteção de solos em encostas, além da qualidade atmosférica, do controle de ruídos e outros (FARIA, 2009).

43 41 O município de São Luís possui uma área de 827, 141 km 2, sendo que 3,79% desse total estão representados por Unidades de Proteção Integral. A área da UC em estudo corresponde a 84,71% desse percentual. De acordo com informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 2009), sobre o desflorestamento nas Unidades de Conservação da Amazônia Legal, as demais UCs de Proteção Integral presentes na capital (Estação Ecológica do Rangedor e Parque Ecológico da Lagoa da Jansen) encontram-se completamente descaracterizadas, o que reforça a importância do Parque no sistema local de áreas protegidas. Além disso, a UC contém uma considerável malha hídrica que forma a Bacia do rio Bacanga, que é uma das maiores da cidade de São Luís e a barragem do Batatã, que representa uma das principais fontes de abastecimento de água para a população do município de São Luís. A pontuação 4 referente à presença de espécies ameaçadas, raras ou sob ameaça no local deveu-se ao fato de que a grande maioria das espécies presentes no Parque Estadual do Bacanga possui distribuição geográfica ampla e bem representativa da fauna do leste Amazônico. Entretanto, tal como ocorre em outras florestas tropicais, a fragmentação é um dos principais impactos que afetam a biodiversidade do Parque (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Para a flora, cinco espécies ocorrentes na área não podem ser enquadradas com segurança na condição de ameaçadas em virtude de suas informações ainda serem deficientes no que diz respeito à distribuição geográfica, ameaças/impactos e usos (Protium heptaphyllum spp., Leandra sp., Marlierea sp., Ouratea sp. e Byrsonima sp.) (IBAMA, 2009). Segundo os dados existentes de fauna na região, uma espécie está na lista oficial do IBAMA (2009), Leopardus wiedii que aparece na categoria vulnerável. O plano de manejo do Parque de 1992 destacou a importância de se criarem programas especiais de monitoramento visando a proteção da espécie citada acima e também das seguintes em virtude da sua raridade (MARANHÃO, 1992): Cyclopes didactilus, Bradypus tridactylus, Felis yagouarondi, Samiri sciurus, Cebus apella e Tamadua tetradactyla Importância sócio-econômica Nas variáveis valor recreativo, benefícios dos ecossistemas para as comunidades e valor educacional e/ou científico, o Parque atingiu a maior pontuação (Tabela 8). O Parque Estadual do Bacanga constitui uma área propícia ao desenvolvimento de pesquisas científicas, de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza

44 42 e de turismo ecológico. É importante ressaltar que essas atividades devem ser controladas pelo órgão gestor. Na área do Parque, encontra-se o Sítio do Físico que ocupa uma área total de m 2. Sua importância está relacionada ao fato do local ter abrigado a primeira indústria de São Luís, com o beneficiamento do couro, arroz e ainda a fabricação de cera e cal. As ruínas do Sítio do Físico figuram entre os mais preciosos sítios arqueológicos do país (RODRIGUES, 2008). No que concerne à subsistência de comunidades locais, considerou-se o elevado número de ocupações na área, cerca de 380 (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009) e a importância da atividade pesqueira para a subsistência de muitas famílias residentes na bacia do Bacanga (MARTINS, 2008), atribuindo-se a pontuação 6 a esta variável Vulnerabilidade De acordo com o órgão gestor, as atividades ilegais na UC são consideradas difíceis para monitorar, sendo predominantemente baixa a aplicação das leis na região. Ainda, existem usos conflitantes da área em relação aos objetivos de uma Unidade de Proteção Integral de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. O Parque possui uma elevada vulnerabilidade (Tabela 8), fato diretamente relacionado a sua fácil acessibilidade e fiscalização ineficiente. Em Unidades de Conservação de Proteção Integral, como o Parque do Bacanga, o objetivo principal é a manutenção dos ecossistemas livres de alterações causadas por interferência humana, admitido-se apenas o uso indireto dos seus atributos naturais. Por uso indireto entende-se aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais (SNUC, 2000). Os usos da UC não se enquadram nesses requisitos. São registradas na área: propriedades privadas, extração de madeira, caça, coleta de material para construção civil, psicultura, poluição dos recursos hídricos por efluentes liquídos e sólidos, recreação desordenada e soltura de espécies sem monitoramento. Segundo o SNUC, os Parques têm como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. A visitação pública deve estar sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da Unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento. Em algumas Unidades de Conservação é possível a permanência de particulares quando os objetivos daquelas se compatibilizarem com a propriedade privada. Contudo, no caso dos Parques Estaduais isso não é possível. Sua característica especial impede, em suas dependências, a

45 43 permanência de propriedade privada. Assim, as áreas particulares incluídas em seus limites devem ser desapropriadas de acordo com o SNUC. Tabela 8. Pontuação obtida pelo Parque nos critérios referentes ao contexto. Contexto Pontuação Importância biológica Número relativamente alto de espécies ameaçadas/sob ameaça 4 Função crítica de paisagem 6

46 44 Representatividade do sistema de UCs 6 Ecossistemas em diminuição 6 Média 5,5 Conceito Elevada Importância sócio-econômica Dependência de comunidades locais para subsistência 6 Valor recreativo 6 Serviços ambientais 6 Valor educacional e/ou científico 6 Média 6,0 Conceito Elevada Vulnerabilidade Dificuldade no monitoramento de atividades ilegais 6 Aplicação da lei 4 Usos conflitantes 6 Acessibilidade da UC 6 Média 5,5 Conceito Elevada

47 Evolução da ocupação humana no Parque Estadual do Bacanga e na sua área de entorno De acordo com uma pesquisa amostral realizada em setembro de 1991 em 10% dos domicílios de quatro bairros, a população do entorno do Parque Estadual do Bacanga foi estimada em habitantes (Tabela 9). O bairro do Coroadinho apresentou o maior contingente populacional (52,63%) e o da Vila Esperança, o menor (7,89%) (MARANHÃO, 1992). Tabela 9. População do entorno do Parque Estadual do Bacanga (1991). Bairros Nº de domicílios População estimada % Coheb ,16 Coroadinho ,63 Vila Esperança ,89 Vila Itamar ,32 Total Em 2001, foram realizadas novas estimativas populacionais na região com o intuito de identificar novas comunidades e atualizar o número de residentes. Diante desta pesquisa, excluindose parte do Maracanã, localidade onde não foram encontrados dados quanto à estimativa populacional, na área de entorno do Parque existem 14 bairros com um número total de moradores estimado em (Tabela 10). No interior da UC são encontradas 14 comunidades com moradores, sendo o Recanto Verde o mais populoso (Tabela 11).

48 46 No interior do Parque, a maioria dos residentes se concentra ao sul, onde se localizam os bairros do Maracanã, Vilas Esperança e Itamar ao longo da BR 136. Ao norte e a leste, a presença da CAEMA criou uma barreira à expansão urbana sobre a UC. É importante lembrar, no entanto, que a maior área excluída do Parque localiza-se ao norte. Ao sul as ruas dos bairros continuam se expandindo em direção ao interior do Parque (DRUMMOND & MALHEIROS, 2009). Tabela 10. Estimativa da população da área de entorno do Parque Estadual do Bacanga (2001). Bairros População estimada Bom Jesus 6466 Conjunto Dom Sebastião 3547 Coheb 3860 Coroadinho Coroado 4943 Parque Pindorama 922 Parque Timbira 996 Parque dos Nobres 1352 Residencial Primavera 849 Vila dos Frades 4412 Vila Itamar 6474

49 47 Vila Esperança 5604 Vila Sarney 6598 Vila Conceição 1794 Total Fonte: Fundação Nacional de Saúde (2001) apud Bittencourt (2008). Tabela 11. Estimativa da população residente do Parque Estadual do Bacanga (2001).

50 48 Comunidades População estimada Alegre 57 Batatã 18 Chácara Santo Antônio 37 Ferventa 196 Granja 10 Lapa 7 Mamão 17 Mangalho 57 Pedreira 68 Piranhenga 44 Porto Grande 68 Sítio do Físico 74 Sítio Rio do Prata 94 Recanto Verde* 1291 Total 1926 Fonte: Fundação Nacional de Saúde (2001) apud Bittencourt (2008). *Comunidade localizada na zona limítrofe do Parque Tomando-se apenas a população estimada em quatro dos 15 bairros do entorno do Parque (Coheb, Coroadindo, Vila Esperança e Vila Itamar) durante o período compreendido entre

51 e 2001 verificou-se um incremento populacional de 43,34%. O número de moradores passou de para , projetando uma taxa de crescimento semelhante, em 2011, a população da área contará com um número superior a pessoas (Gráfico 1). A população do município de São Luís cresceu entre 1991 e 2000 um total de indivíduos, correspondendo a um crescimento total de 23,06% no período (MMT, 2007). Entre 2000 e 2004, a taxa geométrica anual de crescimento do município correspondeu a 2,5%. É provável que boa parte do crescimento populacional verificado na capital esteja associada à implantação de grandes projetos industriais e ao surgimento de inúmeras indústrias de menor porte na área do Distrito Industrial, o que, por toda a década de 1980, teria estimulado o ingresso de populações do interior do estado (principalmente das regiões da Baixada e do Litoral Ocidental Maranhense) e de outros Estados da federação (MMT, 2007). N 0 de moradores Gráfico 1. Estimativa do número de moradores em quatro bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga ( ). Verifica-se que na área de entorno do Parque o crescimento populacional deu-se de forma bem mais acentuada quando comparado ao do município na sua totalidade, indicando uma séria pressão a esse ecossistema. A instalação de invasões ao longo do tempo levou à redução da

52 50 área da UC através dos decretos de 1984 e de 2001, sendo este um aspecto crítico para o cumprimento dos objetivos para os quais o Parque foi criado. De acordo com Horowitz e Bursztyn (2004), as interferências dos usos e ocupações no entorno e interior de uma área protegida provocam impactos em cadeia. Geralmente, eles iniciam-se com alterações de vegetação e, em seguida, por meio de processos interdependentes, seqüenciais e/ou cumulativos atuam nos fatores fauna, flora, solo e água. Assim, observam-se diversas situações: repulsão, eliminação ou isolamento da fauna por destruição de habitats; atração da fauna para áreas onde são estabelecidas culturas de subsistência, criação de pequenos animais domésticos, tornandoos vulneráveis à caça e à intoxicação por biocidas; dispersão de espécies exóticas para o interior do Parque a partir de outras áreas alteradas ou perturbadas. Outro impacto observado freqüentemente é a retirada da cobertura vegetal limítrofe, provocando processos erosivos que levam à perda da fertilidade do solo local e assoreamento dos cursos d água, danificando toda a comunidade biótica e prejudicando a paisagem na área de influência Qualidade de vida e implicações ambientais Em todo o Brasil, 54 milhões de pessoas, o equivalente a 34,5% da população urbana, ainda vivem em condições de moradia inadequadas (sem infra-estrutura básica). Esses dados fazem parte de um estudo feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2007), segundo ele praticamente um em cada três brasileiros que vivem nas cidades não tem condições dignas de moradia. Nas cidades, onde a expansão urbana não é acompanhada de um planejamento adequado, o resultado é a ampliação desse tipo de moradia. A área da bacia hidrográfica do Bacanga sofre com ocupações dos mais diversos tipos e estima-se que existam no local, cerca de domicílios com aproximadamente moradores (OLIVEIRA, 2008). A população dessa bacia, quase um quarto da população de São Luís, encontra-se distribuída em 57 bairros (14 destes no entorno do Parque Estadual do Bacanga). Grande parte destas áreas foi ocupada de maneira irregular, o que provocou, ao longo dos anos, o surgimento de bairros sem infra-estrutura e pessoas vivendo sem condições de higiene (RHAMA, 2008). Esse quadro merece atenção à medida que os problemas sociais estão fortemente vinculados à problemática da degradação ambiental e a área da bacia em questão abriga duas Unidades de Conservação, a Área de Proteção Ambiental do Maracanã e o Parque Estadual do Bacanga.

53 51 De acordo com dados do Instituto da Cidade da Prefeitura de São Luís (IBGE, 2000), 71% dos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga contam com abastecimento de água proveniente da rede geral; 12% fazem uso de poços/nascentes e 17% de outras formas. Não obstante ser o mais abrangente dentre os serviços de saneamento básico do País, a rede de distribuição de água atinge, segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB, 2002), 63,9% do número total de domicílios. Tais serviços caracterizam-se, também, por um desequilíbrio regional, visto que, enquanto na Região Sudeste é de 70,5% a proporção de domicílios atendidos, nas Regiões Norte e Nordeste o serviço alcança, respectivamente, apenas 44,3% e 52,9% dos domicílios. Na região em estudo, a cobertura está acima da média nordestina, entretanto, em alguns bairros chama atenção a não cobertura pela rede geral de abastecimento em mais da metade dos domicílios (Tabela 12). Na Vila dos Frades, somente 31% das residências são abastecidas pela rede geral, sendo elevado o abastecimento através de poços/nascentes (39%). Na Vila Esperança, 45,64% dos domicílios estão supridos pela rede geral; 15,38% por poços/nascentes e 38,98% por outras formas. Na Vila Conceição, os percentuais são respectivamente: 30,91%; 10,91% e 58,18%. Tabela 12. Abastecimento de água nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga. Bairros Rede geral Poço/nascente Outra forma Total Bom Jesus Conjunto Dom Sebastião Coheb Coroadinho Coroado Parque Pindorama Parque Timbira Parque dos Nobres Residencial Primavera Vila dos Frades

54 52 Vila Itamar Vila Esperança Vila Conceição Total Fonte: IBGE (2000) De acordo com a PNSB (2002), o abastecimento de água é uma questão essencial para as populações e fundamental a ser resolvida pelos riscos que sua ausência ou seu fornecimento inadequado podem causar à saúde pública. A universalização deste serviço é a grande meta para os países em desenvolvimento. Onde a rede distribuidora de água não está presente, foram encontrados como principais alternativas para o abastecimento das populações a utilização de chafarizes e fontes, poços particulares e abastecimento por caminhões pipas bem como utilização direta de cursos de água. Algumas dessas alternativas são utilizadas pela população dos bairros do entorno do Parque, sendo importante alertar que em locais como a Vila dos Frades onde é significativo o suprimento de água através de poços, pode ocorrer um excessivo consumo de águas subterrâneas, interferindo nos reservatórios de aqüíferos existentes. De acordo com Coelho & Damázio (2006), o potencial hídrico da bacia do Bacanga é muito grande e capaz de suprir as necessidades da própria bacia e de outras bacias de forma sustentável. Segundo estes autores o que é disponibilizado anualmente pela bacia (18% do total para a Ilha de São Luís) representa apenas 8,5% do potencial hídrico. Entretanto, a maior parcela desta água disponibilizada (11,5 hm³/ano) provém dos recursos subterrâneos e apenas 5,7 hm³/ano provêm da superfície. Dessa forma, a maior parcela do que é disponibilizado provém da menor parcela do potencial hídrico, o escoamento subterrâneo com 26,1 hm³/ano e a menor parcela do que é disponibilizado provém da maior parcela do potencial, o escoamento superficial, com 175,5 hm³/ano. Segundo o PNSB, o expressivo aproveitamento de mananciais subterrâneos, notadamente no abastecimento das comunidades de menor porte e nas áreas marginais dos aglomerados urbanos de maior porte deve-se à relativa facilidade de obtenção de água no subsolo para atender a pequenas demandas e à possibilidade de captação nas imediações das áreas de consumo. A utilização de água subterrânea ocorre com mais freqüência com o aproveitamento do lençol artesiano, o que se verifica em 53% dos distritos abastecidos no País.

55 53 Quanto ao esgotamento sanitário (Tabela 13), verifica-se nos bairros do entorno do Parque um baixo índice de cobertura pela rede geral (18,23%). A maioria dos domicílios faz uso de fossas rudimentares (41,30%), as fossas sépticas estão presentes em apenas 5,15% das residências. A presença de fossas rudimentares como principal forma de esgotamento sanitário nessas localidades é um fator preocupante, pois ao contrário das sépticas, são construídas sem qualquer cuidado quanto à contenção dos agentes contaminantes presentes nos esgotos. Os principais impactos são o alto risco de contaminação do lençol de água, o que representa riscos de doenças de veiculação hídrica, principalmente quando são instaladas próximas a poços (GUIA, 2010). Em nível nacional, o principal problema de qualidade de água é o lançamento de esgotos domésticos, pois apenas 47% dos municípios possuem rede coletora de esgoto, e somente 18% dos esgotos recebem algum tipo de tratamento (ANA, 2005). A disponibilidade de rede geral de esgotamento sanitário é um serviço público que deveria ser prestado de forma universal e integral, com qualidade, a preços acessíveis a toda a população, com um mínimo de impacto sobre a saúde pública e o meio ambiente, especialmente sobre os recursos hídricos (GUIA, 2010). O município de São Luís apresenta diversas carências de saneamento básico, haja vista que apenas 41% da cidade têm sistema de coleta de esgotos, mesmo assim, em muitos casos, lançados de forma bruta nos mananciais locais, principalmente nos rios Anil e Bacanga. É freqüente a existência de canais de efluentes a céu aberto ou o lançamento na rede de drenagem (MMT, 2007). Estudos realizados na ilha de São Luís são unânimes em concluir que os lançamentos sem tratamento (mais de 200 pontos) constituem-se nos principais responsáveis pela degradação ambiental da ilha (CAEMA, 2003). Na região metropolitana de São Luís, a contaminação das águas pelo lançamento de esgotos em tratamento causa perdas e restringe usos. Estima-se que a carga orgânica doméstica na região hidrográfica seja de 150t DBO 5,20 /dia, cerca de 4% do total do país (ANA, 2005). O esgotamento sanitário de São Luís é realizado pelo Governo Estadual, por meio da Companhia de Água e Esgotos do Maranhão (CAEMA). Segundo MMT (2007), observa-se que a margem esquerda da bacia do Bacanga é uma região de ocupações naturais na forma de invasões. As ruas em sua maioria não possuem canal revestido, nem redes coletoras de esgoto e águas pluviais. O esgotamento é feito na forma de fossas individuais, ou com o lançamento diretamente nas ruas de terra batida, nos talvegues ou nos cursos d água. Na margem direita, existe uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) com capacidade para 300 L/s, porém, o sistema não funciona, necessitando que seja feita a implantação do projeto de interceptação e elevação. Sabe-se que a área urbanizada da bacia do Bacanga contribui com 14 lançamentos de esgotos industriais, o que corresponde a uma vazão de 28,3 mil m³/mês de despejos. Além disso, a

56 54 ausência de sistemas de esgotamento sanitário favorece também o lançamento de esgotos domésticos no leito do rio. Estudo realizado pela SEMATUR (1991), que apresenta o diagnóstico dos principais problemas do estado do Maranhão, constatou alta concentração microbiana de origem fecal nos cursos d água dessa bacia. O rio das Bicas, principal afluente do Bacanga (antes, fonte de renda para as populações ribeirinhas) constitui um receptor de esgotos de diversos bairros, sofrendo enorme impacto de poluição. Hoje a navegabilidade no local é restrita, em alguns trechos, a pequenas canoas, sendo que a pesca, assim como a captura de caranguejo, praticamente desapareceu. Segundo os moradores próximos, esse rio virou depósito de lixo. Pela margem esquerda do Bacanga também ocorre o lançamento de esgotos, principalmente nas proximidades da barragem do Bacanga, oriundos do Campus Universitário da UFMA, dos bairros de invasão Sá Viana I e II e Vila Embratel (MMT, 2007). Tabela 13. Esgotamento sanitário nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga. Bairros Rede Fossa Fossa Vala Rio/mar Outro Sem geral séptica rudimentar lago escoadouro banheiro Bom Jesus Conjunto Dom Sebastião Coheb Coroadinho Coroado Parque Pindorama Parque Timbira

57 55 Parque dos Nobres Residencial Primavera Vila dos Frades Vila Itamar Vila Esperança Vila Conceição Total Fonte: IBGE (2000) De acordo com análise apresentada no relatório Caracterização da Qualidade da Água do Bacanga (MMT, 2007), o corpo d água em questão já se apresentava poluído a um nível que desaconselhava o contato primário com suas águas ou sua utilização como local destinado à produção de alimentos, especialmente devido às elevadas concentrações de cádmio e de coliformes fecais. Apoiando-se nos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA n 357/05, os resultados apontavam que as águas do rio Bacanga são consideradas impróprias para: abastecimento doméstico, proteção das comunidades aquáticas, recreação de contato primário, irrigação de quaisquer culturas, criação de espécies destinadas à alimentação humana e dessedentação de animais. Esses dados reforçam a necessidade do equacionamento da coleta e tratamento dos efluentes urbanos, principalmente dos esgotos sanitários e do lixo doméstico, para permitir o uso sustentável dos recursos naturais oferecidos pelo local. O lançamento in natura de efluentes domésticos e industriais nos cursos d água a partir de seus cursos superiores (MARANHÃO, 1998; DIAS, 2004) provoca acumulação de poluentes na sua região estuarina. Nestes ambientes estão presentes os manguezais, ecossistemas de elevada fragilidade ambiental, pois além de serem verdadeiros berçários de várias espécies marinhas, constituem também fonte de abrigo e de alimentação de inúmeros organismos. Sua desestabilização pode levar à redução da produtividade da zona costeira da Ilha do Maranhão. Convém ressaltar que há uma grande inter-relação entre as mencionadas problemáticas socioambientais materializadas no espaço insular em destaque e a falta de planejamento que vise melhor enquadrar as atividades tanto urbanas, quanto industriais e rurais, segundo as características inerentes a cada local.

58 56 Ferreira (2004) lembra várias carências passíveis de resolução na Região Metropolitana da Grande São Luís, tais como as deficiências nas redes de coleta de esgotos e coleta de lixos, responsáveis imediatos pelo incremento da poluição de recursos hídricos, solos e comprometimento da qualidade de vida da população. Tucci (2001) enfatiza que a tendência urbana atual é de redução do crescimento das metrópoles e aumento das cidades médias. Nesse sentido, os impactos do lançamento de cargas poluidoras tenderiam a se disseminar para esse tipo de cidade, onde o estágio de degradação que ocorre nas metrópoles ainda não teria sido atingido, havendo espaço para prevenção. Apesar de os impactos nesses municípios começarem a ser preocupantes, medidas mitigadoras e de prevenção podem ser adotadas para garantir a sustentabilidade ambiental dessas cidades médias, caso do município de São Luís. No que diz respeito ao destino do lixo doméstico dos bairros do entorno do Parque (Tabela 14), 72,23% são coletados; 17,48% são jogados em terrenos baldios e 7,93% são queimados. As outras destinações são: cursos d água (1,1%); enterrado (0,83%) e outro (0,43%). Segundo a MMT (2007), a coleta de lixo atende a aproximadamente 70% da cidade, mas é deficiente principalmente nos bairros de baixa renda, onde se verificam aterros clandestinos e lixões, comumente localizados sobre áreas de mangue. Na área da bacia do Bacanga, por se tratar de território ocupado, em muitos casos, por comunidades de renda mais baixa e por invasões consolidadas ou em expansão, o atendimento se torna de difícil acesso, não permitindo, dessa forma, a coleta parcial ou total em alguns trechos. Esse aspecto favorece a disposição do lixo diretamente na rua ou em terrenos desocupados, provocando a proliferação de moscas, ratos e baratas, que são vetores de doenças (GUIA, 2010). A responsabilidade pela proteção do meio ambiente, pelo combate à poluição e pela oferta de saneamento básico a todos os cidadãos brasileiros está prevista na Constituição Federal, que deixa ainda, a cargo dos municípios, legislar sobre assuntos de interesse local e de organização dos serviços públicos. Por isto, e por tradição, a gestão da limpeza urbana e dos resíduos sólidos gerados em seu território, inclusive os provenientes dos estabelecimentos de serviços de saúde, é de responsabilidade dos municípios (PNSB, 2002). Nas cidades, a ineficiência na coleta, no tratamento e na disposição final dos resíduos sólidos vem causando a poluição dos corpos d água superficiais e subterrâneos, comprometendo o aproveitamento dos mananciais e causando problemas de saúde pública. A questão da poluição difusa em áreas urbanas também representa uma carga poluente significativa e tem relação com os problemas de macro-drenagem das grandes cidades (PNSB, 2002).

59 57 Tabela 14. Destino do lixo nos bairros do entorno do Parque Estadual do Bacanga. Bairros Coletado Queimado Enterrado Terreno Rio/mar Outro baldio lago Bom Jesus Conjunto Dom Sebastião Coheb Coroadinho Coroado Parque Pindorama Parque Timbira Parque dos Nobres Residencial Primavera Vila dos Frades Vila Itamar Vila Esperança Vila Conceição Total Fonte: IBGE (2000) Bons resultados na limpeza urbana estão vinculados à participação ativa da população com práticas adequadas ao serviço, tais como acondicionar adequadamente o lixo, colocá-lo à disposição para a coleta nos dias e horários pré-estabelecidos, e não lançar resíduos nos logradouros, rios, canais e praias. Também é importante o conhecimento da estrutura organizacional e

60 58 operacional necessária à execução dos serviços, os custos correspondentes e a diversidade de serviços que compõem um sistema de limpeza urbana, tais como o acondicionamento, a coleta, a varrição e a limpeza de logradouros, a transferência e a destinação final. Para que isto ocorra, entretanto, é necessário que haja um relacionamento estreito entre o órgão responsável pelos serviços e a população, o que pode ser conseguido através de canais de comunicação permanentemente abertos, como os conhecidos serviços de atendimento ao público por telefone, correio comum e eletrônico e ouvidorias. Complementarmente, são também importantes as campanhas de sensibilização da sociedade para estas questões, seja através da mídia, seja diretamente nas ruas, com apelos para as interfaces com a saúde e com o meio ambiente Percepção ambiental O avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos à medida que existe uma restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de desenvolvimento em curso. Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatórias são atribuídas às instituições sociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos valores adotados pela sociedade. Isso implica principalmente a necessidade de estimular uma participação mais ativa da sociedade no debate dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas, objetivos e soluções (JACOBI, 2003). Nesse sentido, a percepção é um processo mental de interação do indivíduo com o meio ambiente que se dá através de mecanismos perceptivos propriamente ditos e, principalmente cognitivos. Os primeiros são dirigidos pelos estímulos externos e captados através dos cinco sentidos. Os segundos são aqueles que compreendem a contribuição da inteligência, admitindo-se que a mente não funciona apenas a partir dos sentidos e nem recebe essas sensações passivamente (DEL RIO, 1996). Através da percepção ambiental são estabelecidas as relações de afetividade do indivíduo para com o ambiente. Leff (2002) situa a percepção ambiental a partir do contexto vivido, segundo este autor, na história humana todo saber e todo conhecimento sobre o mundo e sobre as coisas tem estado condicionado pelo contexto geográfico, ecológico e cultural em que produz e se reproduz determinada formação social. Com relação aos questionários aplicados, a maioria (62%) dos entrevistados afirmou não saber que o Bacanga é um Parque Estadual (Figura 5A). Quando questionados sobre o significado do

61 59 termo Parque Ambiental, a maioria (36%) disse ter idéia do que significa, enquanto somente 7% admitiram conhecer bem a expressão (Figura 5B). De acordo com Miranda e Souza (2000), as Unidades de Conservação têm conhecimento público ainda bastante limitado. Na maioria das vezes, os indivíduos somente sabem da existência dessas áreas, sem um maior entendimento com relação aos seus objetivos. Segundo Drummond & Malheiros (2009), o Parque Estadual do Bacanga é invisível para a cidade. Embora seja a maior e mais antiga Unidade de Conservação ambiental existente na Ilha e a primeira a contar com um Plano de Manejo, o Parque não existe como referência nem para os residentes e muito menos para as populações que foram se instalando no seu entorno. Os problemas ambientais mais citados foram poluição dos rios (32%), queimadas (26%) e desmatamentos (22%) (Figura 5C). No que se refere à utilização de recursos naturais da UC, 92% afirmaram não fazer qualquer tipo de uso (Figura 5D). Entre os que fazem uso de recursos, a maioria (52%) mencionou a retirada de frutos e a menor parcela (2%) de madeira (Figura 5E). É importante ressaltar que muitas áreas do Parque foram transformadas em pedreiras ou barreiros (MARANHÃO, 1992). De acordo com Dias (2004), a extração de argila (ou na denominação coloquial, barro ), concreções ferruginosas e madeiras no Parque do Bacanga favoreceram o crescimento da cidade em vários aspectos estruturais e paisagísticos durante as décadas de 1960 e Essa área passou a ser fornecedora de material tanto para a construção de conjuntos habitacionais (como os conjuntos Filipinho e Sacavém), quanto para as áreas de ocupação (Coroado, Cerâmica, João Paulo, Jordoa, Coroadinho, dentre outras). Os bens minerais (areia, argila e brita) de emprego direto na construção civil, por sua importância pra os setores de habitação, saneamento e transporte, são considerados bens minerais de uso social. Fatores mercadológicos impõem a produção desses minerais perto dos centros consumidores, caracterizando-se como uma atividade típica das regiões metropolitanas e urbanas. O índice de clandestinidade dessa atividade é significativo e preocupante. Os impactos ambientais provocados são grandes e descontrolados, tais como a alteração dos canais naturais de rios. Em geral, as cavas são utilizadas como bota-fora da construção civil e até mesmo como lixões (CPRM, 2002). Dentre as sugestões dadas para a melhoria da qualidade ambiental da área, os entrevistados citaram as seguintes medidas: saneamento (34%), melhor gestão/ medidas punitivas/ proteção (18%), conscientização/ educação ambiental (15%), não poluir os rios (12%) e investimento (3%) (Figura 5F).

62 60 Como melhor forma de receber informações sobre Educação Ambiental foi apontada a realização de palestras nas comunidades (40%), sendo que apenas 7% acreditam que a distribuição de cartilhas informativas seria o método mais eficiente para tal finalidade (Figura 5G). Para Pádua e Tabanez (1998), a Educação Ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudança de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente. A relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam. A educação ambiental, uma vez praticada, vem justamente resgatar a cidadania dos habitantes através da tomada de consciência para a conservação do meio ambiente, que influirá diretamente na manutenção e melhora da qualidade de vida. A maior parte dos moradores desconhece a existência de instituições que trabalham com o meio ambiente na região (81%) (Figura 5H). Entre os que conhecem foram citadas a Universidade Federal do Maranhão, a Alumar, o Centro Educacional e Profissionalizante do Maranhão e a Vale. Os entrevistados em grande parte (64%) acreditam nos benefícios decorrentes da existência de áreas verdes (Figura 5I). Os benefícios citados foram melhora na qualidade de vida (42%), lazer (33%) e interferência positiva no clima (25%) (Figura 5J). A manutenção do verde urbano é melhor justificada pelo seu potencial em realçar aspectos associados à qualidade ambiental e enquanto provedora de benefícios ao homem, ou seja, interferir positivamente na qualidade de vida pela manutenção das funções ambientais, sociais e estéticas que venham a mitigar ou amenizar a gama de propriedades negativas da urbanização. Diversos autores têm dado ênfase aos benefícios da vegetação urbana, segundo Oliveira (2009), a sua importância está relacionada ao controle climático, da poluição do ar e acústica, melhoria da qualidade estética, efeitos sobre a saúde mental e física da população, aumento do conforto ambiental, valorização de áreas para o convívio social, valorização econômica das propriedades e formação de uma memória e do patrimônio cultural.

63 61 A

64 62 C Figura 5. Percepção ambiental da população do entorno do Parque Estadual do Bacanga (A-J). D E F G H

65 63 I Figura 5. Continuação... J Figura 5. Continuação...

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