Documento para discussão. Abordagens com base nos direitos para aumentar o acesso à água e ao saneamento

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1 Documento para discussão Abordagens com base nos direitos para aumentar o acesso à água e ao saneamento

2 Agradecimentos Este documento para discussão destina-se a servir como introdução aos conceitos, teorias e estruturas legais por detrás do que se entende, sempre em evolução, como abordagens com base nos direitos para a água e o saneamento. Destina-se antes de mais a orientar os programas nacionais da WaterAid numa iniciativa de aprendizagem de acções que visam aplicar estas abordagens no terreno, e, no processo, desenvolver um menu de ferramentas apropriadas à medida que se procura concretizar a visão da WaterAid de um mundo onde toda a gente tem acesso à água segura e ao saneamento. No final do processo, esperamos criar um documento mais abrangente da política sobre a análise e aplicação, por parte da WaterAid, da abordagem com base nos direitos à água e ao saneamento. Vai incluir informação e ser enriquecido pelos conhecimentos obtidos nesta iniciativa de aprendizagem de acções, assim como dos discursos e debates que estão a ter lugar noutras agências e fóruns, em particular o Escritório do Relator Especial da ONU para o Direito Humano à Água e ao Saneamento. A produção deste documento para discussão foi liderada por Tom Palakudiyil com o apoio de Jerry Adams no escritório de Londres da WaterAid. Mary O'Connell preparou o texto inicial em que se baseia. Beneficiou dos comentários e contribuições valiosas de Abdul Nashiru, Alice Ankur, Apollos Nwafor, Ferhana Ferdous, Girish Menon, Henry Northover, Ibrahim Musa, Indira Khurana, Inna Guenda Seuda, James Wicken, John Garrett, Khairul Islam, Louisa Gosling, Lovy Rasolofomanana, Lyndlyn Moma, Mahfuj Rahman, Mustafa Talpur, Rabin Lal Shreshtha, Richard Carter e Syed Masiul Hasan. Uma revisão exterior detalhada feita por Josantony Joseph ajudou significativamente a melhorar o produto final. Este documento deve ser citado como WaterAid (2011) Abordagens com base nos direitos para aumentar o acesso à água e ao saneamento. Documento da WaterAid para discussão. Imagem da capa: WaterAid/Dieter Telemans Crianças do Parlamento de Crianças, incluindo Reahan, o Ministro da Saúde, e o irmão do mesmo, Reakshan, o Ministro das Finanças, seguram um jarro de água na aldeia de Puthur, distrito de Kanyakumari, Tamil Nadu, Índia. 2

3 Índice 1 Introdução Compreender a Estrutura Internacional dos Direitos Humanos com especial referência aos direitos à água e ao saneamento Elementos/componentes essenciais para os direitos à água e ao saneamento Compreender a abordagem com base nos direitos Aplicação das abordagens com base nos direitos: a experiência da WaterAid Acção dos Cidadãos Advocacia de Orçamento Participação nos processos de reforma urbanos Trabalhar com os parlamentares/representantes eleitos Trabalhar com os meios de comunicação Participação na redução da pobreza e nos processos de desenvolvimento do sector Conclusão Como avançar para introduzir uma abordagem com base nos direitos na WaterAid Anexo 1: Marcos internacionais e contribuições da WaterAid para o reconhecimento dos direitos humanos à água e ao saneamento Anexo 2: Direito internacional dos direitos humanos e mecanismos de monitorização Anexo 3: Alguns aspectos práticos das abordagens com base nos direitos Glossário..51 Bibliografia..55 Notas Finais

4 1 Introdução A Estratégia Global da WaterAid baseia-se na convicção de que a água segura e o saneamento são fundamentais para a vida e toda a gente tem direito a estes serviços básicos. É também a essência do Objectivo 1: "Iremos promover e garantir os direitos das pessoas pobres e o acesso das mesmas à água segura, a uma melhor higiene e ao saneamento". Como tal, as Estratégias Global e Nacionais actuais da WaterAid comprometem-se a promover e a garantir os direitos das pessoas pobres à água segura e ao saneamento. Em 2005, a WaterAid introduziu uma abordagem com base nos direitos, mais explícita, ao trabalho dos programas, com o desenvolvimento dos projectos de "Acção dos Cidadãos". Em Outubro de 2010, os membros do Departamento dos Programas Internacionais e o Departamento de Campanhas da WaterAid, e os Directores de Advocacia Global reuniram-se num workshop em Londres para discutir o que os direitos e as abordagens com base nos direitos significam para o nosso trabalho. Este workshop teve como base o nosso trabalho anterior, particularmente nas regiões do Sul da Ásia e da África Ocidental, os conhecimentos adquiridos durante o processo de desenvolvimento e integração da Estrutura de equidade e inclusão em toda a WaterAid, assim como o ambicioso programa do Fundo de Transparência Global que foi lançado em 2008 com o objectivo de melhorar a prestação de contas e a receptividade dos responsáveis pelas decisões para garantir serviços de WASH equitativos e sustentáveis para as pessoas mais pobres e marginalizadas. Durante o Workshop de Outubro de 2010 deu-se ênfase a conseguir compreender melhor este trabalho através de uma reflexão sobre programas de trabalho específicos com base nos direitos - com a WaterAid a concentrar-se especificamente nas pessoas excluídas. Subsequentemente, estabeleceu-se um grupo de trabalho sobre as abordagens com base nos direitos para definir os conceitos, as teorias e as estruturas legais para proporcionar informação para a prática de abordagens com base nos direitos com a qual seguir a visão da WaterAid de acesso à água segura e ao saneamento para todos. Esta visão da WaterAid das abordagens com base nos direitos é particularmente importante porque apesar do conceito de direitos humanos ser por definição universal, para a WaterAid, o ponto focal do nosso trabalho é o acesso a estes direitos para as pessoas excluídas. Este documento concretiza esse mandato definindo primeiro brevemente a base do desenvolvimento dos direitos à água potável segura e ao saneamento a nível internacional, que tiveram como resultado a resolução memorável em 2010, quando as Nações Unidas reconheceram o direito à água e ao saneamento. Também indica a contribuição da WaterAid para esse desenvolvimento, particularmente durante a última década. O documento esclarece também o significado de uma abordagem com base nos direitos como entendida pela WaterAid, e passa depois a destacar alguns dos métodos que a WaterAid está a desenvolver a nível de implementação dos programas. Também faz referência a alguns dos compromissos que os programas nacionais da WaterAid fizeram nas respectivas estratégias nacionais. Espera-se que partilhar estes resultados através da WaterAid ajude a capacitar melhor as pessoas para que participem por completo nos esforços de desenvolvimento que afectam o próprio acesso à água segura e ao saneamento. 4

5 É necessário algum esclarecimento no início deste documento. 1 A WaterAid não se vê a si própria como uma organização de direitos. No entanto, como uma organização que se concentra na água, no saneamento e na higiene (WASH), estamos convencidos de que toda a gente tem o direito a ter acesso a serviços básicos de água e de saneamento. A nossa experiência ao longo dos anos demonstrou-nos que a realidade de milhões de pessoas forçadas a viver sem acesso à água e ao saneamento se deve não só à falta de recursos e de tecnologias, mas é, ainda mais crucialmente, o resultado das relações de poder desiguais que existem no nosso mundo. As abordagens com base nos direitos podem ajudar-nos a analisar as questões relacionadas com as relações de poder injustas que actuam como obstáculos às pessoas terem acesso à água segura e ao saneamento. Portanto estamos a ficar cada vez mais conscientes da necessidade de complementar a abordagem com base nas necessidades com uma abordagem com base nos direitos para podermos conseguir acesso capacitador e sustentável a WASH para as pessoas pobres. É por isso que a WaterAid apoia e encoraja as abordagens com base nos direitos para cumprir os próprios objectivos. 2 Está a decorrer um debate altamente técnico sobre se fazer referência ao direito à água e ao saneamento no singular ou no plural. Quaisquer que sejam os méritos de ambos os lados deste debate, é claro que não há direito algum à higiene (no presente) por isso deveríamos tê-lo em conta quando usamos a frase "direito/s a WASH". A partir de agora decidimos usar o termo "direitos à água e ao saneamento (no plural) para denotar que o direito à água e o direito ao saneamento são separados apesar de estarem ligados. Grupo de Auto Ajuda de Mulheres, que se reuniram para nos contar sobre a vida na comunidade delas, Kausal Nagar, Índia. WaterAid/Jon Spaull 5

6 2 Compreender a Estrutura Internacional dos Direitos Humanos com especial referência aos direitos à água e ao saneamento Os valores de dignidade e de equidade por detrás de todos os direitos humanos emergem de uma variedade de fontes, incluindo convicções religiosas e não religiosas relacionadas com a dignidade e justiça essenciais que todos os seres humanos desejam para si próprios. Têm portanto como base muitas lutas históricas a nível global, especialmente as lutas por independência e autonomia. Os tratados internacionais sobre direitos humanos, negociados por representantes dos governos em todo o mundo, proporcionam a estrutura de direitos humanos actualmente aceite a nível internacional, e um padrão geralmente aceite para avaliar o grau de implementação. Apesar de se terem feito diversos esforços para articular os direitos humanos sob diversas formas nos séculos passados (por exemplo, a Magna Carta, a revolução francesa, diversas constituições nacionais como a dos Estados Unidos da América, etc.) o ambiente actual de direitos humanos é considerado como tendo sido iniciado em 1948 depois da Segunda Grande Guerra quando a comunidade internacional adoptou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, quando finalmente os diversos estados-nações estavam dispostos a transformar as provisões da declaração em pactos internacionais, a Guerra Fria tinha eclipsado e polarizado os direitos humanos em duas categorias separadas. O bloco capitalista argumentava que os direitos civis e políticos tinham prioridade e que os direitos económicos e sociais eram meras ambições. O bloco comunista argumentava ao contrário que os direitos aos alimentos, água, saúde, a própria cultura etc. eram fundamentais, e os direitos civis e políticos só podiam ter significado depois dos seres humanos gozarem do direito à vida, para o que os primeiros eram necessários. Daí criaram-se dois tratados separados em o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (ICESCR) e o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (ICCPR). Ao longo dos anos desde que se assinou o Pacto, tem havido muitas referências aos direitos à água e ao saneamento, e o comité nomeado pelo ICESCR reconheceu a água como um direito humano no Comentário Geral Nº 6 (1995). O Comité também destacou que o direito à água se encontra inextricavelmente relacionado com o direito ao padrão mais elevado de saúde (art. 12, parágrafo 1) e os direitos ao alojamento adequado e à alimentação adequada (art. 11, parágrafo 1). Este direito também deve ser visto em conjunto com outros salvaguardados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, sendo um dos principais o direito à vida e à dignidade humana. Para além do ICESCR, os direitos à água e ao saneamento (direitos relacionados mas separados) baseiam-se em diversos instrumentos internacionais e declarações políticas nos campos dos direitos humanos, do direito ambiental e do direito humanitário (Ver Anexo 1 na pág. 38). Encontra-se uma descrição explícita destes direitos à água e ao saneamento na Convenção sobre 6

7 a eliminação da discriminação contra as mulheres (1979), a Convenção sobre os direitos da criança (1989), a Resolução da Assembleia Geral da ONU sobre o "Direito ao Desenvolvimento" (199) (A/Res/54/175), o Comentário Geral sobre o direito à água (2002), a Convenção dos direitos das pessoas portadoras de deficiências (2006), e o relatório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos sobre o âmbito e conteúdo das obrigações relevantes dos direitos humanos relacionados com o acesso equitativo à água potável segura e ao saneamento no âmbito dos instrumentos dos direitos humanos internacionais (2007) (A/HRC/6/3). Para além do mais, diversas outras conferências internacionais organizadas pela ONU e por outras agências multilaterais também exploraram estes dois direitos. Finalmente, no dia 28 de Julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu formalmente a água e o saneamento como sendo direitos humanos básicos e apoiou portanto totalmente o Comentário Geral nº 15 que tinha sido emitido anteriormente em O Comentário Geral tinha notado que o "Artigo 11, parágrafo 1 do Pacto (ICESCR) especifica diversos direitos que derivam de, e são indispensáveis para a concretização do direito a um padrão de vida adequado "incluindo alimentação, roupa e alojamento adequados". A utilização da palavra "incluindo" indica que este catálogo de direitos não tinha a intenção de ser abrangente. O direito à água entra claramente dentro da categoria de garantias essenciais para assegurar um padrão de vida adequado, especialmente porque é uma das mais fundamentais condições para a sobrevivência." A Resolução da ONU 64/292 reconheceu que o acesso à água potável limpa e ao saneamento são parte integral da concretização dos direitos humanos. Em Setembro do mesmo ano, o Conselho para os Direitos Humanos instituído pela ONU, que tem o mandato de monitorizar a implementação de todos os direitos humanos, também passou uma resolução para o mesmo efeito, e para além do mais, apelou aos estados para que desenvolvessem ferramentas e mecanismos apropriados para conseguir progressivamente a concretização total das obrigações dos direitos humanos relacionados com o acesso à água potável segura e ao saneamento, incluindo nas áreas actualmente sem serviços ou com poucos serviços. Como observou subsequentemente Catarina de Albuquerque, a Relatora Especial da ONU sobre as Obrigações dos Direitos Humanos Relacionados com o Acesso à Água Potável Segura e ao Saneamento, "Isto significa que para a ONU, o direito à água e ao saneamento está incluído nos tratados existentes dos direitos humanos e é portanto uma obrigação legal... O direito à água e ao saneamento é um direito humano, igual a todos os outros direitos humanos, o que implica que é justificável e aplicável 1." Do reconhecimento global ao apoio regional África A Comissão Africana sobre os Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR), estabelecida em 1986, é uma autoridade quase judicial com a tarefa de promover e proteger os direitos humanos e direitos 7

8 colectivos em todo o continente africano. A comissão tem uma carta, que todos os 53 membros assinaram, e a função da ACHPR é implementar a carta e tomar em consideração as reclamações individuais de violações da carta. Em seguida a uma visita de investigação em 2009 para compreender os mecanismos da ACHPR, os colegas da WaterAid na África Ocidental tomaram parte activa na delegação de ONGs na 47ª Sessão Ordinária da Comissão Africana sobre os Direitos Humanos e dos Povos (ACHPR) em Como parte das deliberações, a ACHPR considerou o reconhecimento dos direitos à água e ao saneamento como um direito essencial para a dignidade das pessoas, especialmente das pessoas pobres e dos grupos vulneráveis como as mulheres, as crianças, as pessoas com problemas físicos e as que vivem com problemas de saúde incluindo VIH/SIDA. Actualmente, a União Africana está a deliberar a proposta feita à ACHPR em Maio de 2010 para nomear um Relator Especial para a água, o saneamento e a higiene, com o fim de monitorizar o cumprimento por parte dos diversos Estados dos compromissos continentais sobre a água e o saneamento e assegurar os direitos de toda a gente à água e ao saneamento suficientes, seguros, acessíveis e económicos em África. Sul da Ásia Os oficiais do governo que participaram na 3ª Conferência do Sul da Ásia sobre Saneamento (SACOSAN 3) em Deli em Novembro de 2008 reconheceram que o acesso ao saneamento e à água potável segura é um direito básico, e atribuíram prioridade nacional ao saneamento como sendo indispensável. Na declaração adoptada na Cimeira Ministerial na 4ª Conferência do Sul da Ásia sobre o Saneamento em Colombo, Sri Lanka, em Abril de 2011, os oficiais renovaram o compromisso e chegaram a acordo unânime, em vista da resolução recente da ONU reconhecendo o direito à água e ao saneamento, para trabalhar progressivamente para o concretizar nos programas e projectos e, eventualmente, na legislação. Para além do mais, concordaram em estabelecer atribuições específicas do orçamento do sector público para os programas de saneamento e de higiene. Apesar destes compromissos e empreendimentos não poderem ser legalmente postos em prática, são declarações de intenção e as direcções para as quais os governos nacionais da região se comprometeram a progredir. A WaterAid também fez contribuições importantes para alguns dos marcos essenciais na viagem para o reconhecimento dos direitos humanos da água e do saneamento, tanto a nível regional como internacional. (Se desejar um resumo das contribuições da WaterAid - veja o Anexo 1 pág. 35) Implicações dos tratados internacionais Quando são assinados por um país/estado, os pactos/tratados internacionais têm um certo peso legal. Tal como as leis nacionais, a lei dos direitos humanos internacionais também se encontra explicada num conjunto de regras escritas. No entanto, é uma autoridade legal mais horizontal do que vertical, uma vez que as regras são negociadas entre as partes (ou seja, os governos 8

9 constituintes que representam os países nas Nações Unidas) e não são impostas por um corpo legislativo mais elevado. Os estados são obrigados por estes instrumentos legais internacionais que adoptaram e ratificaram a respeitar, proteger e cumprir os compromissos para com os direitos humanos salvaguardados nestes pactos e convenções. Estas três obrigações são explicadas mais abaixo uma vez que se aplicam ao direito à água e ao saneamento. A obrigação de respeitar A obrigação de respeitar exige que os Estados se abstenham de interferir directamente ou indirectamente no usufruto dos direitos à água e ao saneamento. Por exemplo, os Estados devem abster-se de: poluir os recursos hídricos; desligar arbitrariamente e ilegalmente os serviços de água e de saneamento; reduzir a provisão de água potável segura aos bairros degradados com o fim de satisfazer a procura das áreas mais abastadas; destruir os serviços e a infraestrutura hídrica como medida punitiva durante conflitos armados; ou gastar os recursos hídricos de que os povos indígenas dependem para água potável. A obrigação de proteger A obrigação de proteger exige que os Estados evitem que terceiros interfiram com os direitos à água e ao saneamento, o que significaria que os Estados devem adoptar legislação ou outras medidas para assegurar que os intervenientes privados - por exemplo, a indústria, os provedores de água ou indivíduos - cumprem os padrões dos direitos humanos relacionados com os direitos à água e ao saneamento. Os estados devem, por exemplo, adoptar as medidas legislativas e outras para garantir que terceiros não desligam arbitrariamente e ilegalmente os serviços de água e de saneamento; que as comunidades são protegidas contra a extracção insustentável dos recursos hídricos de que dependem para beber por parte de terceiros; a segurança física das mulheres e das crianças não se encontra em situação de risco quando vão recolher água ou usam as instalações de saneamento fora de casa; as leis e práticas de propriedade da terra não impedem que os indivíduos e as comunidades tenham acesso à água potável segura; os terceiros que controlam ou operam os serviços hídricos não comprometem o acesso igual, económico e físico à água potável segura suficiente. A obrigação de cumprir A obrigação de cumprir exige que os Estados adoptem medidas legislativas, administrativas, orçamentais, judiciais, promocionais e outras adequadas para cumprir totalmente os direitos à água e ao saneamento. Entre outras coisas, os Estados têm que adoptar uma política nacional de água que dê prioridade, na gestão da água, a utilizações pessoais e domésticas essenciais, a identificar os recursos disponíveis para satisfazer estas metas, a especificar o modo mais economicamente eficaz de usar estes recursos, a delinear as responsabilidades e prazos para implementar as medidas necessárias; e a monitorizar os resultados, incluindo assegurar soluções adequadas para as violações. No âmbito desta mesma obrigação de cumprimento, os Estados também têm que, progressivamente e dentro do permitido pelos recursos disponíveis, ampliar os 9

10 serviços de água e de saneamento aos grupos vulneráveis e marginalizados; fazer com que os serviços hídricos e de saneamento sejam mais económicos; assegurar que se proporciona educação apropriada sobre a utilização adequada da água e do saneamento, e encorajar métodos para minimizar o desperdício. As responsabilidades de outros intervenientes ou intervenientes não estatais Ao defender os direitos à água e ao saneamento, já se notou que a responsabilidade final é do Estado. No entanto, é também importante esclarecer que segundo a lei internacional dos direitos humanos, apesar dos governos serem responsáveis por garantir que essa provisão existe, não são necessariamente responsáveis pela provisão directa. Em vez disso, são responsáveis por garantir que existem políticas, sistemas, processos, mecanismos, padrões e procedimentos. Na concretização dos direitos à água e ao saneamento, há outros interessados que também têm uma função importante. Alguns destes são: Reivindicadores dos direitos à água e ao saneamento - todos os homens, mulheres e crianças, qualquer que seja o estatuto de residência. Membros da legislatura e do executivo - políticos, reguladores, e atribuidores de recursos - incluindo autoridades nacionais e locais legislativas e administrativas, entidades de gestão da captação, e oficiais responsáveis não só pela provisão de água e de saneamento, mas também pelos serviços relacionados, tais como sociais, de saúde, de desenvolvimento, recolha de informação e estatística, e questões orçamentais. Os provedores de serviços de água e de saneamento - desde públicos, privados ou provedores de redes cooperativas de grande dimensão até provedores de serviços hídricos ou de saneamento de pequena dimensão. Membros do poder judiciário e outras entidades de monitorização - instituições públicas que promovem, monitorizam e aplicam os direitos humanos e os que são responsáveis por monitorizar e regulamentar a provisão de serviços de água e de saneamento - incluindo as instituições de direitos humanos, delegados da procuradoria geral, tribunais judiciais e reguladores. Os cidadãos e grupos de cidadãos - organizações da sociedade civil tais como organizações não-governamentais, instituições académicas, os meios de comunicação e entidades profissionais. Utentes de água em competição - utentes de água industriais e agrícolas. Organizações internacionais - tanto multilaterais como bilaterais. A obrigação dos Estados de proteger e cumprir os direitos humanos significa que os Estados garantem que os intervenientes não estatais (especialmente outros provedores não estatais, ou utentes de água mais poderosos) não infringem os direitos à água e ao saneamento de outras pessoas, especialmente as pessoas sem poder/marginalizadas ou excluídas. Esta é a obrigação 10

11 de proteger descrita acima. Para além do mais, está a decorrer um debate cada vez mais importante sobre até que ponto outros intervenientes na sociedade - indivíduos, organizações intergovernamentais e não-governamentais (ONGs) e empresas - têm responsabilidades no que diz respeito à promoção e protecção dos direitos humanos. Outra questão estreitamente relacionada com esta é a questão de os detentores dos direitos fazerem o que devem para cumprirem os próprios direitos - especialmente para fazerem a manutenção das instalações de água e de saneamento que podem ter sido estabelecidas pelo Estado ou outros provedores ou pelos próprios detentores dos direitos. Isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito ao saneamento, uma vez que é um assunto intensamente privado na maior parte das culturas, e é muito difícil as pessoas de fora insistirem sobre comportamentos aceitáveis. A lei internacional sobre os direitos humanos não determina se os serviços de água devem ser proporcionados por provedores públicos ou privados ou por uma combinação de ambos. No entanto, a estrutura dos direitos humanos requer que os Estados garantam que se os serviços hídricos forem operados ou controlados por terceiros (ou seja intervenientes não estatais) os Estados devem pôr em prática uma estrutura reguladora eficaz que inclua uma monitorização independente, a participação genuína do público e penalizações para o não cumprimento. É implícito nesta obrigação regulamentar que o Estado deva pôr em prática esta estrutura antes de delegar a provisão de água potável segura e de saneamento a tais intervenientes não estatais. Portanto, com o fim de garantir uma abordagem holística para com a redução da pobreza e o desenvolvimento humano, os direitos à água e ao saneamento devem ser transformados numa estrutura estratégica clara, protegida por legislação nacional e com o poder de um conjunto de directivas obrigatórias com substância suficiente apoiada por orçamentos e sanções para garantir que os governos nacionais, as autoridades locais e os operadores privados são responsáveis perante as comunidades que servem. A retórica isolada não é suficiente. Como resultado destas obrigações, estes instrumentos internacionais tornaram-se de grande valor para proteger os indivíduos e grupos contra as acções que interferem com a dignidade humana fundamental de cada indivíduo salvaguardada nestes tratados. Uma vez que o Estado é responsável por garantir que estes direitos humanos são usufruídos por todas as pessoas que vivem nos limites das próprias fronteiras, os direitos humanos têm principalmente que ver com a relação entre o indivíduo e as comunidades no que diz respeito ao Estado. 11

12 Em Yaounde, nos Camarões, participantes no evento, a Fila Mais Longa do Mundo para a Casa de Banho, 20 de Março de Coligação de WASH, Camarões 12

13 3 Elementos/componentes essenciais para os direitos à água e ao saneamento Concretização progressiva dos direitos A estrutura internacional dos direitos humanos no que diz respeito à água e ao saneamento reconhece que esses direitos só podem ser concretizados progressivamente, o que levou alguns Estados a adiar (e mesmo a evitar) aceitar a responsabilidade de cumprir as obrigações que aceitaram ao assinar e ratificar esta estrutura internacional dos direitos humanos. No entanto, tal estrutura progressiva concretizável dos direitos proporciona às abordagens com base nos direitos a dimensão de advocacia. A responsabilidade do Estado de cumprir é o principal ponto forte de tal abordagem uma vez que os governos já assinaram voluntariamente estas obrigações, o que proporciona uma fundação firme para a advocacia para que tente influenciar a formulação das políticas a favor das pessoas excluídas. O Artigo 2(1) do Pacto ICESR indica que os signatários têm a obrigação de concretizar progressivamente os direitos à água e ao saneamento até ao máximo dos recursos disponíveis. No entanto, isso não quer dizer que seja uma peregrinação que nunca acaba que permite aos Estados atrasar indefinidamente o cumprimento destes direitos. Apesar de ser uma obrigação a ser concretizada progressivamente, inclui o requisito de que a definição nacional de objectivos seja levada a cabo com referência a uma avaliação objectiva das prioridades nacionais e dos limites dos recursos de cada país. Os estados devem ter uma visão de como concretizar totalmente os direitos à água e ao saneamento para todos, e elaborar estratégias nacionais e planos de acção para implementar essa visão. Para a WaterAid, esta abordagem universalista tem que se concentrar nas pessoas excluídas como prioridade, uma vez que são as que geralmente são alcançadas por último numa implementação progressiva destes direitos. Devem ser apoiadas ao nível político mais elevado e integradas no âmbito das estratégias nacionais de redução da pobreza, e nas estruturas de despesas e de monitorização para garantir a viabilidade operacional, a sustentabilidade e a abrangência. É necessário que os Estados se movam para concretizarem a meta total o mais rapidamente e eficazmente possível, no âmbito dos recursos disponíveis e no âmbito da estrutura internacional da cooperação e assistência, quando necessário, o que pede a transferência do direito à água e ao saneamento internacionalmente reconhecido para pontos de referência definidos localmente para medir o progresso, destacando assim a prestação de contas. Neste contexto, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) podem oferecer um veículo valioso para a concretização progressiva de todos os direitos económicos, sociais e culturais. No que diz respeito ao acesso à água e ao saneamento, o alvo do ODM foi definido em reduzir para 50% a falta de acesso até ao ano de Mas as obrigações internacionais dos direitos humanos não param numa redução de 50% ou em qualquer outro ponto de referência arbitrário. Dentro de qualquer período de tempo que possa parecer realista, a lei internacional dos direitos humanos requer que os estados acabem por visar a cobertura universal dentro de períodos de tempo adaptados à situação do país. Conseguir os alvos globais do ODM iria sem dúvida 13

14 representar um grande êxito para muitos países; mas é importante ter em conta que isso ainda deixaria 672 milhões de pessoas sem acesso à água e 1,7 mil milhões de pessoas sem acesso ao saneamento em É precisamente por essa razão que a WaterAid se compromete também a concentrar-se nas pessoas excluídas como prioridade. Conteúdo dos direitos à água e ao saneamento Tendo em conta o mencionado acima, continua a existir a questão delicada do que é exactamente o conteúdo destes direitos à água e ao saneamento. Em que consistiria o cumprimento da responsabilidade de um Estado no que diz respeito a garantir os direitos à água e ao saneamento para as pessoas que vivem dentro das próprias fronteiras? O Comentário Geral nº 15 (2002) esclarece-o quando declara: "O direito humano à água dá direito a que toda a gente tenha água suficiente, segura, aceitável, fisicamente acessível e económica para usos pessoais e domésticos." Apesar de haver outras utilizações importantes para a água, tal como para a produção de alimentos e usos no âmbito de práticas culturais e religiosas, o direito humano à água dá prioridade à atribuição de água para usos pessoais e domésticos. O Comentário Geral Nº 15 também declara no Artigo 10: "O direito à água contém tanto liberdades como direitos. As liberdades incluem o direito a manter o acesso a provisões de água existentes necessárias para o direito à água, e o direito de se ser livre de sofrer interferências, tal como o direito a ser livre de sofrer desligações arbitrárias ou de contaminação das reservas de água. Por outro lado, os direitos incluem o direito a um sistema de provisão e gestão de água que proporcione igualdade de oportunidade para as pessoas usufruírem do direito à água." No que diz respeito ao saneamento, o Comentário Geral Nº 15 e as Directivas da Subcomissão não o definem. No entanto, a descrição dos direitos relevantes e as obrigações do Estado implicam que o saneamento inclua pelo menos uma retrete ou latrina, juntamente com os serviços associados tais como esgotos ou evacuação de latrinas. O critério de "favorável à protecção da saúde pública e do ambiente" nas Directivas da Subcomissão indica que é necessário haver canais de escoamento das águas residuais quando houver água canalizada, mas não esgotos, disponíveis nas áreas urbanas e peri-urbanas 2. Também notou que o "acesso ao saneamento não foi adequadamente coberto no Comentário Geral Nº 15, para além de esclarecer a necessidade de saneamento seguro para garantir a qualidade da água. Esta omissão foi resolvida noutros instrumentos dos direitos humanos desde que o Comentário Geral Nº 15 foi adoptado, mas certos aspectos do saneamento como direito humano, tal como a definição de padrões, ainda têm que ser esclarecidos 3. Os critérios mencionados acima usados em relação ao conteúdo do direito à água catalogados no Comentário Geral Nº 15 foram explicados do seguinte modo: Suficiente: É necessário haver uma quantia adequada de água segura para evitar a morte devido à desidratação, para reduzir o risco das doenças relacionadas com a água e para prover ao consumo, preparação de alimentos, requisitos higiénicos pessoais e domésticos. 14

15 Todas as pessoas têm direito a uma provisão de água que seja suficiente e contínua para usos pessoais e domésticos, tais como beber, saneamento pessoal, lavar roupa, preparação de alimentos, higiene pessoal e do agregado familiar. No que diz respeito à suficiência, o comentário declara que a quantidade de água disponível para cada pessoa deve corresponder às directivas da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre quanta água é necessária para a sobrevivência, e tomar em conta que alguns indivíduos e grupos podem também necessitar de água adicional devido à saúde, ao clima e às condições de trabalho 4. "Contínua" significa que a regularidade da provisão de água é suficiente para os usos pessoais e domésticos. Segura e aceitável: O direito à água significa que as pessoas também têm direito à água de qualidade adequada, o que quer dizer que a água necessária para cada uso pessoal ou doméstico tem que ser segura e portanto livre de micro-organismos, substâncias químicas e perigos radiológicos que constituam uma ameaça para a saúde de uma pessoa. Entende-se a aceitação como referindo-se à cor, cheiro e sabor que é culturalmente apropriado para cada uso pessoal e doméstico. Acessível e económica: O Comentário nota que as instalações e os serviços de água têm que ser acessíveis a toda a gente, sem discriminação, no âmbito da jurisdição da parte do Estado. Identifica quatro dimensões sobrepostas da acessibilidade, definida como se segue: Acessibilidade física: Água segura e instalações hídricas adequadas têm que estar ao alcance físico seguro de todos os sectores da população, que se define como "dentro da vizinhança imediata de todos os agregados familiares, instituições de ensino e locais de trabalho". Devem ser de qualidade suficiente, culturalmente apropriadas e sensíveis ao género, ciclo de vida e requisitos de privacidade. Acessibilidade económica: A água segura, as instalações e os serviços hídricos, e os custos directos e indirectos e tarifas associadas com conseguir água devem estar ao alcance de todos, o que se liga ao conceito de acessibilidade económica que se entende como um custo que não exige mais de 5% das receitas mensais de uma família. Não discriminação: O acesso à água segura e às instalações e serviços hídricos devem ser executados, na lei e de facto, sem discriminação no que diz respeito à raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou outros contextos proibidos. Acessibilidade da informação: A acessibilidade é definida como incluindo o direito a procurar, receber e transmitir informação sobre as questões de água. O que os direitos humanos à água e ao saneamento não são Primeiro equívoco: O direito humano à água significa que a água tem que ser grátis. Esta declaração não é necessariamente verdadeira. O direito humano à água exige que a água esteja ao alcance económico de todos. Isso quer dizer que tem que se fazer uma avaliação de se as pessoas podem pagar. Quando as pessoas genuinamente não o podem fazer, o estado tem que garantir que os provedores de serviços planeiam medidas para solucionar esta realidade, mesmo oferecendo apoio se necessário. As medidas que um Estado decide escolher para 15

16 solucionar este problema são a prerrogativa do Estado. Alguns Estados podem escolher adoptar uma política hídrica básica grátis; outros podem adoptar subsídios visados. A legislação dos direitos humanos não impõe determinadas opções políticas, mas oferece uma estrutura orientadora dos resultados a conseguir. O que interessa é que toda a gente tenha acesso à água segura e ao saneamento que possa pagar. Segundo equívoco: Os direitos humanos à água e ao saneamento proíbem a participação do sector privado. A legislação dos direitos humanos não toma partido no debate do público em relação ao privado. O que se toma em consideração é o impacto sobre o usufruto dos direitos. Como foi o sistema estabelecido, seja público ou privado, para garantir o acesso à água segura e ao saneamento económicos, suficientemente disponíveis e aceitáveis sem discriminação? Requer portanto sistemas reguladores para monitorizar estes impactos, independentemente de se os serviços são proporcionados por uma entidade pública ou privada. Terceiro equívoco: Os direitos humanos à água e ao saneamento significam que toda a gente tem direito a uma torneira e a uma retrete com autoclismo amanhã. A legislação dos direitos humanos não prevê soluções do dia para a noite a estes problemas. Em vez disso, estas são obrigações a ser concretizadas progressivamente, o que significa que os Estados são obrigados a actuar para a concretização total dos direitos. No entanto, a obrigação de actuar implica que o governo tenha ideias claras sobre os objectivos que deseja obter, e portanto é crucial que o Estado tenha uma visão e uma estratégia para os conseguir. O governo tem que explicar o plano para trabalhar na direcção do acesso universal e os passos que tenciona tomar para o conseguir. Claro que, como foi anteriormente mencionado, para a WaterAid, a concretização dos direitos a WASH tem que ser principalmente definida como sendo o modo de visar os serviços para as pessoas pobres, as pessoas marginalizadas e as pessoas excluídas. São as pessoas com acesso limitado ou nenhum ao capital e aos activos a quem a escassez de água e de saneamento causa o maior peso de privações, e, por essa razão, têm menor capacidade de desenvolver estratégias de adaptação ou de sobrevivência. 16

17 4 Compreender a abordagem com base nos direitos Porquê uma abordagem com base nos direitos? Apesar das proclamações sobre os direitos humanos a nível internacional e da assinatura e ratificação de tratados por uma grande maioria dos Estados-nações, a nível global 884 milhões de pessoas vivem sem água potável segura e 2,6 mil milhões não têm saneamento adequado. Uma grande proporção desta população consiste em pessoas pobres e as que são marginalizadas com base na casta, etnia, género, idade, capacidades ou porque vivem em locais remotos (por exemplo regiões montanhosas) ou desfavorecidas (por exemplo bairros degradados urbanos). Outro número significativo, é o das pessoas excluídas por não possuírem terras ou por serem migrantes ou não serem cidadãos legais. As pessoas mais carenciadas das suas necessidades básicas são também as que têm menos possibilidade de se exprimir devido à exclusão e à discriminação. Como a privação de WASH que estes grupos sofrem é clara e exige uma resposta imediata, muitas ONGs locais e internacionais e mesmo entidades comerciais privadas, adoptaram uma abordagem de provisão de serviços, que geralmente envolve oferecer a satisfação imediata das necessidades, com financiamento e recursos suficientes a serem canalizados para a construção e manutenção da infraestrutura de WASH. No entanto, com o tempo, as limitações de uma abordagem de provisão de serviços exclusivamente com base no hardware - que envolve as ONGs e entidades comerciais privadas suplementarem e frequentemente substituírem o Estado como provedor de serviços - têm vindo a tornar-se cada vez mais evidentes. Portanto, diversas intervenções da sociedade civil introduziram recentemente outro componente que inclui uma abordagem com base nos direitos aos serviços de WASH. É importante notar que as iniciativas da sociedade civil também começaram a reconhecer e a reflectir sobre a interligação dos requisitos de água/saneamento e outros resultados do desenvolvimento humano. Consequentemente, tem havido uma tentativa por parte de muitos grupos da sociedade civil de integrar intervenções de WASH com outras necessidades dos meios de subsistência conforme identificados pela comunidade local. As abordagens com base nos direitos ajudam a fazer essa integração, especialmente quando se trata de identificar as pessoas marginalizadas, vulneráveis e excluídas. O processo de abordagem com base nos direitos ajuda a capacitar as pessoas e amplifica as vozes das mesmas para exigirem os próprios direitos, ao mesmo tempo que as apoia a aliviar as próprias responsabilidades. A mudança de estratégia acima deve-se ao facto de se ter vindo a reconhecer cada vez mais as duas realidades sociopolíticas que se seguem na maior parte dos países. Os estados funcionam através de grandes burocracias que normalmente não são nem reactivas nem sensíveis às necessidades das pessoas pobres e cujo recorde de implementação de políticas para a erradicação da pobreza é frequentemente fraco. No sector de WASH o problema é exacerbado pela fragmentação institucional, coordenação limitada do sector, mecanismos de prestação de contas fracos, finanças fracas e 17

18 imprevisíveis, pouca atenção dada à gestão dos recursos hídricos e baixa prioridade ao saneamento. Governos corruptos e venais são o principal problema em grande parte do nosso mundo e tornou-se intrínseco à governação de muitos países, o que prejudica gravemente a eficácia dos governos na implementação dos programas de redução da pobreza. A falta de transparência e a participação eficaz das pessoas, especialmente das pessoas marginalizadas, exacerbam a corrupção. Neste contexto, é cada vez mais evidente que, num mundo em que os direitos humanos à água e ao saneamento das pessoas economicamente e socialmente marginalizadas são ignorados, capacitar as comunidades excluídas para que reclamem esses direitos, tanto quanto possível, de modo legalmente aplicável, tem que se tornar uma característica determinante da nossa abordagem. A abordagem com base nos direitos visa facilitar um processo segundo o qual o cidadão é capacitado para responsabilizar o Estado para que honre os direitos humanos e os direitos legais. Portanto, adoptar uma abordagem com base nos direitos envolve não só visar o conteúdo, mas também o processo através do qual estes direitos são realizados. No que diz respeito ao conteúdo, devemos concentrar-nos em identificar certas necessidades essenciais e básicas das pessoas, tal como os alimentos, saúde e meios de subsistência, não só como necessidades mas como direitos, e trabalhar para conseguir que sejam legalmente salvaguardados na constituição/direito/procedimentos e esquemas administrativos de um país. Estes direitos pertencem a uma pessoa, não por virtude da aceitabilidade/contribuição social, cidadania, género, idade ou outro critério, da mesma, mas simplesmente em virtude de ser um ser humano. A abordagem com base nos direitos vê o Estado como sendo o primeiro depositário destes direitos, e portanto visa incluir a prestação de contas no sector de serviços de WASH a nível de política e de implementação. A segunda parte da abordagem com base nos direitos, ou seja a dimensão do processo, concentra-se não tanto em o quê mas em como. Analisando a abordagem com base nos direitos deste ponto de vista, o primeiro elemento a visar é mudar a relação de poder entre as pessoas vulneráveis/marginalizadas e as que se encontram no poder (principalmente o Estado), para que as primeiras possam reclamar, e não suplicar, esses direitos. Compreender diversos aspectos da abordagem com base nos direitos Os termos abordagem com base nos direitos e abordagem com base nos direitos humanos têm em geral sido usados alternadamente. No entanto, pode haver uma distinção subtil entre os dois. Uma abordagem com base nos direitos pode referir-se a uma abordagem que se baseia nos direitos judiciais que já se podem conseguir num país. Uma abordagem com base nos direitos humanos por outro lado (sempre que se fizer esta distinção) pode referir-se a uma abordagem que tem como base os padrões dos direitos humanos internacionais, ou aquilo que se designa 18

19 geralmente como a Carta Internacional dos Direitos Humanos (uma frase usada normalmente para incluir a Declaração Internacional dos Direitos Humanos - UDHR - e os Pactos e Convenções Internacionais). Como consequência, esta abordagem introduz uma dimensão moral ao incluir o direito internacional dos direitos humanos na política mais ampla e no debate sobre o desenvolvimento dentro dos países, e dirige-se a promover e a proteger estes direitos, mesmo se esses direitos não tiverem sido traduzidos em legislação dos países individuais. Neste modo de ver as coisas, a abordagem com base nos direitos é então um subconjunto do universo mais vasto da abordagem com base nos direitos humanos. Para além da diferença acima, as abordagens com base nos direitos humanos e as abordagens com base nos direitos têm os mesmos elementos e usa-se um termo comum, abordagens com base nos direitos, para ambas as abordagens, para as distinguir de outras abordagens que não se baseiam nos direitos. Há outros elementos importantes nas abordagens com base nos direitos que têm que ser destacadas. Num modo de ver uma abordagem com base nos direitos, qualquer esforço para garantir os direitos legítimos das pessoas deve ser considerado uma abordagem com base nos direitos. Este modo de ver as coisas concentra-se nos resultados, ou seja se as pessoas conseguem eventualmente estes direitos. No entanto, a WaterAid entende esta frase de modo mais subtil, dando ênfase não só a garantir estes direitos (resultado), mas também a como se conseguem estes direitos (processo). Uma abordagem que se concentra nos resultados pode ser mais eficiente, por exemplo quando uma pessoa de influência faz lóbi junto de uma pessoa no poder e consegue um benefício para as pessoas vulneráveis e marginalizadas, mas muito provavelmente acabará por ser uma abordagem de direitos de provisão de serviços. A WaterAid tem vindo a convencer-se que não teríamos tido êxito na nossa missão se, por exemplo, conseguíssemos obter uma fonte de água potável para um grupo marginalizado como uma "oferta" para esse grupo por um estranho benevolente (seja governamental ou não governamental). E a razão é que, segundo vemos as coisas, os indivíduos e as comunidades, especialmente dos grupos vulneráveis e marginalizados, devem estar presentes no centro das políticas e práticas de desenvolvimento para que os resultados sejam sustentáveis e se divulguem a outras arenas de criação de uma sociedade que cumpre os direitos humanos. Portanto, apesar dos planos, políticas e processos de desenvolvimento terem que ser ancorados num sistema de direitos e obrigações correspondentes estabelecidos pelo direito internacional, é igualmente importante, do ponto de vista da abordagem com base nos direitos da WaterAid, que se façam esforços estratégicos e planeados para assegurar que estes indivíduos e comunidades vulneráveis/marginalizados participem na definição destes resultados. Isso é possível somente quando há alguma mudança nas equações de poder entre esses indivíduos/comunidades e o Estado. Portanto, um dos elementos cruciais nesse tipo de entendimento da abordagem com base nos direitos é o esforço para aumentar o poder dessas pessoas em relação ao Estado. Como resultado, as abordagens com base nos direitos dão muita importância à atitude interna com a qual os cidadãos abordam o Estado/outros responsáveis em 19

20 relação à responsabilidade dos últimos para garantir os direitos humanos - ou seja, como reivindicadores dos próprios direitos, em vez de suplicantes. Um segundo elemento importante relaciona-se com o facto de que no âmbito da legislação dos direitos humanos, é o Estado que salvaguarda todos os direitos humanos. É o Estado que é responsável por garantir que esses direitos são usufruídos por todas as pessoas que vivem dentro das próprias fronteiras geográficas. Portanto, transformar o Estado num estado responsável perante todos, particularmente as pessoas vulneráveis e marginalizadas, é central para a abordagem com base nos direitos. Outro aspecto importante desta abordagem é que também se concentre em produzir mudanças sistémicas. Este é um elemento crucial uma vez que pode acontecer que com uma abordagem centrada nas pessoas, a instituição governamental se possa tornar mais responsável - mas somente temporariamente. Por exemplo, um bom oficial do governo pode trabalhar para garantir que todos os departamentos sob o próprio controlo se tornam responsáveis pelas pessoas marginalizadas e excluídas - mas não pode ir para além da sua própria jurisdição. No entanto, quando este determinado oficial é transferido para outro posto, pode acontecer que a situação volte a ser uma de falta de responsabilidade. Portanto, a abordagem com base nos direitos tenta trabalhar para que haja uma mudança no "sistema" para que os mecanismos de prestação de contas sejam institucionalizados e sejam aplicados, independentemente do oficial responsável. Pode nem sempre ser possível, mas um esforço com base nos direitos, como visto pela WaterAid, tenta necessariamente progredir nesta direcção e é portanto consistente com a missão da WaterAid de transformar vidas. Finalmente, ao tentar compreender a abordagem com base nos direitos pode haver necessidade de esclarecer a utilização dos termos direitos (rights) e direitos legais (entitlements). Apesar destes termos serem usados alternadamente e sem grande diferença de significado, em diversos documentos, incluindo nos pactos internacionais sobre os direitos humanos, pode ser útil fazer uma distinção entre os dois termos para se poder entender melhor o trabalho a ser feito pelos diferentes grupos de parceiros da WaterAid em todo o mundo. Quase todos os países do mundo têm esquemas para cumprir alguns dos requisitos dos direitos humanos, incluindo os direitos à água e ao saneamento. Estes podem ser designados direitos legais, ou seja serviços/incentivos específicos que os governos oferecem através de diversos esquemas aos próprios cidadãos. Um determinado governo pode estabelecer um esquema para oferecer fundos para a construção de latrinas individuais e oferecê-las a cada agregado familiar que tenha um rendimento inferior a um determinado limite. Tal direito legal fica sob a alçada da justiça dependendo de até que ponto o país legalizou ou fez provisões legais para tal esquema, e não depende apenas da generosidade de um determinado representante eleito que se encontra no poder. No entanto, estes esquemas podem ser alterados à vontade pelos governos prevalentes ou sucessivos. Para além do mais, os serviços que se oferecem no âmbito de tal esquema podem não cobrir tudo o que se deve cobrir para cumprir o direito humano declarado a nível internacional nessa arena (por exemplo, para o saneamento). Se for esse o significado aplicado a "direito legal", então o direito à água e ao saneamento deve cobrir muito mais do que os direitos legais oferecem, apesar de que também iriam incluir esses direitos legais. Mais importante ainda, ao 20

21 contrário de um esquema, este direito teria como base ou a constituição ou algum Decreto-Lei oficial do país (veja o Anexo 3 se desejar mais detalhes). A tabela que se segue mostra um resumo breve das diferenças entre uma abordagem com base nos direitos e uma abordagem com base nas necessidades 5. Vulnerabilidade Justiça Discriminação (por exemplo, com base no género, crenças, casta, economia, etc.) Relações de poder Prestação de contas Cidadania Abordagem com base nas necessidades A vulnerabilidade é resolvida como um sintoma da pobreza ou marginalização. Pode conseguir-se que a justiça aumente como um derivado da resolução das necessidades, mas não explora as injustiças que para começar levaram à privação. Tende a trabalhar com os sintomas da discriminação, em vez de com as causas. Não se envolve com as questões das equações de poder. De facto, é provável que abordem os actuais detentores do poder para pedir ajuda, desse modo inconscientemente dando mais importância ao poder dos mesmos. Nos projectos NBA, a prestação de contas só se aplica à utilização de fundos - para que a agência de financiamento (governamental ou não governamental) fique satisfeita de que os fundos estão a ser usados para aquilo a que se destinam. Os cidadãos são vistos como beneficiários que se espera usufruam da generosidade do governo. Abordagem com base nos direitos A vulnerabilidade é vista como uma questão estrutural, ambas causadas por, e levando a relações de poder desiguais na sociedade. A justiça é o ponto focal dos esforços. Por isso tende a desafiar as práticas e normas tradicionais, sociais, culturais e mesmo legais que podem fomentar a injustiça. Lida com as causas da discriminação, uma vez que trabalha com as equações de poder que apoiam essas discriminações. Concentra-se em solucionar as diferentes questões de poder que se encontram por detrás da pobreza e das desvantagens e tenta reescrever as equações de poder. Trabalha para garantir a prestação de contas do Estado e de outros provedores de serviços, e faz pressão sobre os mesmos para que cumpram as suas obrigações para respeitarem os direitos de todas as pessoas, especialmente as pessoas marginalizadas. Os cidadãos são vistos como intervenientes significativos num estado democrático, e como tal dáse ênfase à abertura de canais directos de comunicação entre os cidadãos (e outras pessoas que vivem dentro da jurisdição do estado, por exemplo refugiados) e os oficiais/instituições do Estado. 21

22 Conflito O objectivo é evitar revoltas e descontentamento de algum modo organizando as coisas para satisfazer as necessidades da comunidade. Ao abrir o espaço para a expressão de exigências e comunicação em diversas direcções entre os intervenientes, as abordagens com base nos direitos criam possibilidades para evitar os conflitos, apesar de por vezes poderem também funcionar de modo conflitivo. Os ressentimentos a borbulhar por baixo da superfície podem ser e são trazidos aos debates abertos para negociação ou para serem desafiados. Importância das abordagens com base nos direitos Uma abordagem com base nos direitos trabalha para assegurar que se tomam em conta as pessoas mais vulneráveis e marginalizadas, e dá poder aos indivíduos e comunidades destes grupos excluídos para participarem no processo de desenvolvimento como detentores dos direitos, em vez de como recipientes da boa vontade de terceiros. Tal abordagem com base nos direitos é relevante em todas as fases do processo de desenvolvimento: desde uma análise da situação e avaliação das necessidades até à implementação da política e dos programas, e à monitorização e avaliação. É uma abordagem que procura analisar as desigualdades que se encontram no centro dos problemas de desenvolvimento e para corrigir as práticas discriminatórias e a distribuição de poder injusta que impedem o progresso do desenvolvimento. Na realidade, procura renegociar a equação de poder existente entre as pessoas previamente sem poder e o Estado. Também permite compreender melhor como as leis, as práticas sociais, as políticas e as instituições afectam as questões de desenvolvimento positivamente ou negativamente. Altera a relação entre o interveniente do desenvolvimento e as pessoas pobres/vulneráveis de uma de caridade e impotência a uma de obrigação e direitos. Assegura que as pessoas que vivem na pobreza são totalmente reconhecidas como fazendo parte da solução. Como resultado, abordar o desenvolvimento de um ponto de vista dos direitos, informa as pessoas sobre os próprios direitos legais, e capacita-as para conseguirem/reclamarem esses direitos ou direitos legais. À medida que a luta pela utilização dos recursos hídricos se torna cada vez mais competitiva, a voz e a influência das pessoas pobres está a tornar-se mais fraca em diversos locais. Por essa razão, é particularmente importante que os governos assegurem que as políticas e os sistemas sejam suficientemente eficazes para alcançarem as comunidades mais pobres e marginalizadas, para que os direitos à água e ao saneamento sejam concretizados para estes grupos. A WaterAid tem vindo gradualmente a dar-se conta de que as melhores práticas estabelecidas no trabalho de desenvolvimento encorajam a capacitação, a equidade, a propriedade, a prestação de contas e a sustentabilidade, e que são promovidas nas abordagens com base nos direitos. Vemos isso como uma abordagem que irá ajudar a criar um ambiente capacitador que reconhece 22

23 a dignidade de cada indivíduo, especialmente entre as pessoas pobres, respeita o direito das mesmas a liderarem as mudanças, e destaca a responsabilidade dos governos para fazerem com que isso aconteça. É neste contexto que a WaterAid acabou por acreditar que uma abordagem com base nos direitos centrada nas pessoas pode produzir soluções mais sustentáveis, porque se for bem sucedida, é mais provável que as decisões se concentrem no que as comunidades e os indivíduos marginalizados requerem, compreendem e podem gerir, em vez do que as agências exteriores decidem que é necessário. Mesmo quando não é possível influenciar totalmente as decisões a nível legislativo, a mudança de percepção que as pessoas têm de si próprias, de se verem como recipientes passivos a pessoas que reclamam os seus direitos, funciona gradualmente para mudar as equações de poder a níveis diferentes. Eventualmente, leva a decisões mais centradas nas pessoas. Conclusão Em resumo, o raciocínio básico para usar uma abordagem com base nos direitos para o desenvolvimento (particularmente no sector de WASH) baseia-se finalmente na dignidade e justiça essenciais que se devem a todos os indivíduos, independentemente de quão marginalizados possam estar. A legislação internacional dos direitos humanos, particularmente quando ratificada por um Estado-nação, oferece uma base legal e moral para tal abordagem porque os governos já assinaram voluntariamente estas obrigações. Para além do mais, há cada vez mais evidência de que uma abordagem com base nos direitos leva a resultados melhores e mais sustentáveis para o desenvolvimento humano. As pessoas instruídas, saudáveis e capacitadas são capazes de se tirar a si próprias e às famílias da pobreza e contribuir para a economia em geral. Finalmente, é importante lembrar que ambos estes aspectos são importantes nesta abordagem - os resultados (conseguir os direitos) e o processo (reclamar os direitos). O processo de mapeamento, mulheres a desenhar casas usando cinzas tingidas, aldeia de Narayanpara, distrito de Rajashahi, Bangladesh. Charlie Bibby/Financial Times 23

24 5 Aplicação das abordagens com base nos direitos: a experiência da WaterAid Ao concretizar as aspirações e objectivos da Estratégia Global da WaterAid de , particularmente o Objectivo 1 e o Objectivo 2, a abordagem com base nos direitos tem uma contribuição especial a fazer. No âmbito do Objectivo 1, iremos procurar "promover e garantir os direitos das pessoas pobres e o acesso das mesmas à água segura, a uma melhor higiene e ao saneamento". A abordagem com base nos direitos sublinha o facto de que não só é importante que as pessoas pobres tenham acesso a WASH seguro, mas o processo com o qual conseguem este acesso também é importante; ou seja, como reclamantes dos próprios direitos, em vez de como suplicantes. A ênfase do Objectivo 2, "vamos apoiar os governos e os provedores de serviços no desenvolvimento das próprias capacidades para proverem água segura, uma melhor higiene e saneamento", é que os governos e os provedores de serviços sejam capazes de o realizar. Para assegurar que a provisão de serviços de WASH realmente tem lugar no terreno, os governos e os provedores de serviços têm que ter a capacidade de o fazer. A capacidade é necessária, mas a capacidade por si só não é suficiente. A capacidade e a autoridade dos governos e das organizações públicas de conseguirem serviços de água e de saneamento para as pessoas pobres e excluídas através de políticas, planos e práticas de implementação robustas e eficazes, têm que ser acompanhadas de prestação de contas em termos da capacidade das pessoas pobres e excluídas e da sociedade civil de escrutinar as instituições públicas e de as responsabilizar, e da receptividade por parte dos governos e das instituições públicas para as necessidades dos cidadãos e da vontade que têm de respeitarem os direitos das pessoas a WASH. A experiência da WaterAid na promoção dos direitos à água e ao saneamento de modo sistemático já vem de 2005 quando um projecto intitulado "Acção dos Cidadãos" 6 foi iniciado para capacitar as pessoas a exigir os próprios direitos a serviços de WASH 7. Em 2009, a WaterAid iniciou um Programa do Fundo de Governação e Transparência 8 que se destinava a reforçar a advocacia da sociedade civil do sul, em termos de água e de saneamento, ao mesmo tempo que melhorava a prestação de contas e receptividade dos responsáveis para assegurar serviços de WASH equitativos e sustentáveis. Em 2010, a WaterAid finalizou a estrutura de Equidade e Inclusão 9, com base nos princípios de justiça e não discriminação. Esta estrutura proporciona orientação sobre como compreender as causas subjacentes da falta de acesso à água e ao saneamento, trabalhando com os responsáveis para reforçar a capacidade de cumprir as obrigações que têm e capacitarem as pessoas sem acesso. A estrutura levou a discussões em toda a organização sobre o raciocínio por detrás da promoção dos direitos à água e ao saneamento e as implicações práticas da mesma. Tem sido um processo evolutivo. A secção que se segue procura descrever e demonstrar as abordagens dos programas e da advocacia que as equipas da WaterAid adoptaram no trabalho dos programas que incluem elementos de abordagens com base nos direitos. Estas ferramentas e mecanismos rapidamente descritos aqui são: Acções dos Cidadãos, advocacia dos orçamentos, participação nos processos 24

25 de reforma urbana, trabalhar com o parlamento, trabalhar com os meios de comunicação, e participar em revisões do sector e nos processos de estratégias de redução da pobreza. 5.1 Acção dos Cidadãos A Acção dos Cidadãos é uma iniciativa de advocacia que se destina a transformar os níveis actuais de prestação de contas do Estado criando uma cidadania capaz de participar construtivamente com os governos e outros provedores de serviços e responsabilizar essas entidades pela provisão de serviços de qualidade, acessíveis e sustentáveis. Baseia-se na convicção de que uma comunidade bem informada e capacitada, que foi ensinada e formada sobre os seus direitos e tem a autoconfiança necessária para se envolver com o governo e outros provedores de serviços para exigir que cumpram os próprios compromissos e obrigações, é uma pré-condição essencial para garantir uma governação responsável numa determinada comunidade. É importante complementar o trabalho de Acção dos Cidadãos com as competências do governo local e o desenvolvimento dos recursos, por exemplo através da educação sobre direitos humanos e aumento de recursos, para melhorar ainda mais a capacidade dos mesmos de responder a exigências por parte dos detentores dos direitos. Como metodologia, a Acção dos Cidadãos foi planeada para facilitar o processo de produção de conhecimentos, capacitação e participação construtiva pelos detentores dos direitos. Na primeira instância, com a ajuda de uma agência facilitadora tal como uma ONG local, desenvolvem um entendimento mais completo de: a) os direitos legais à água e ao saneamento (por exemplo, direitos à água e ao saneamento, detalhes do distrito ou planos locais), b) a situação actual do serviço de água e de saneamento (níveis de serviço), c) quem é responsável pela implementação das leis/políticas e provisão de serviços, e d) responsabilidades da comunidade e do governo para manter os serviços. Com o fim de levar a cabo o descrito acima, os grupos de cidadãos decidem quais os métodos de recolha de dados apropriados (da lista que se segue, que não é exaustiva) e usam os diferentes tipos de informação produzidos e verificados em plataformas de diálogo com os provedores de serviços e o governo para obterem resultados orientados para as acções: Cartões de classificação da comunidade nos quais as pessoas dão uma classificação ou nota a uma gama de serviços. Enumeração e censos dos bairros degradados que envolvem serviços de mapeamento. Mapear o acesso aos serviços de água e de saneamento para mostrar a distribuição dos mesmos - pode fazer-se mapeamento da equidade não só a nível local mas também a nível distrital e nacional. Cartões de relatórios que são essencialmente um exercício de investigação do mercado para avaliar a satisfação do público com os serviços. Júris públicos, dias de prestação de contas, e outras plataformas de diálogo dos intervenientes para reunir os responsáveis por assegurar a provisão de serviços com os cidadãos. 25

26 Planeamento e orçamentação para as intervenções - através de diálogo, participando nos processos de planeamento e orçamentação, literacia orçamental. Monitorização do progresso e da implementação - monitorização participativa dos orçamentos, serviços e resultados. O projecto "Roving camera" (Câmara vagabunda) em Madagáscar é um exemplo interessante de como a filmagem foi usada como ferramenta para assegurar que as comunidades têm a oportunidade de exprimir livremente as próprias ideias, necessidades e preocupações, e participar num diálogo construtivo com os responsáveis sobre melhorar o estado da água e do saneamento nas comunidades. Na divisão de Kuwempe em Kampala, Uganda, uma organização local, Iniciativas de Desenvolvimento Integrado da Comunidade (CIDI) iniciou um exercício de mapeamento da comunidade e de consulta, com o apoio da WaterAid. Este exercício revelou a escala da insatisfação com a fiabilidade e qualidade do serviço, o que levou a que se reunissem os provedores de serviços e as ONGs que trabalham na divisão para resolver as questões, criando um plano de desenvolvimento claro e implementando-o. O Decreto-Lei da Formação sobre o Direito à informação (RTI) na Índia e os processos de advocacia apoiados pelos nossos parceiros encorajaram as comunidades a apresentar diversas candidaturas procurando informação sobre os programas de provisão do Governo. No estado de Jharkhand, por exemplo, como resultado de campanhas intensivas, o Supremo Tribunal emitiu um aviso a dois magistrados distritais para solucionarem o problema da água potável. Referência: WaterAid: Relatório Anual do Fundo de Governação e Transparência / Advocacia do orçamento A Advocacia do orçamento baseia-se em três princípios: Transparência, prestação de contas e participação. A participação no orçamento é essencial para a boa governação, transparência e prestação de contas. A advocacia do orçamento funciona para se tentar assegurar atribuições de orçamento mais equitativas. As pessoas pobres e marginalizadas na maior parte dos países têm pouca influência sobre as decisões orçamentais feitas pelo governo apesar das implicações para as vidas e meios de subsistência dessas pessoas poderem ser enormes. A advocacia do orçamento procura alterar esta situação permitindo que os cidadãos tenham uma opinião sobre as decisões orçamentais e faz com que o Estado seja responsável perante os cidadãos no que diz respeito à utilização do orçamento. 26

27 Um aspecto essencial da utilização desta ferramenta é ajudar as comunidades pobres a terem conhecimento das quatro fases para o ciclo anual do orçamento - formulação, promulgação, execução e auditoria - e explorar e decidir o modo mais eficaz de participar em cada uma das quatro fases do processo de produção do orçamento. Somente tendo em conta os diferentes processos e intervenientes deste ciclo, se podem criar planos de advocacia apropriados e estratégicos. Como o ciclo do orçamento é um processo contínuo, os defensores têm que ser estratégicos sobre os tipos de advocacia que levam a cabo a diferentes alturas dos processos de decisão nacionais e locais sobre onde se devem atribuir os recursos governamentais. Apesar de ser essencial as organizações da sociedade civil (OSCs) permitirem aos cidadãos articularem directamente as próprias preocupações sempre que possível, os orçamentos são complexos e altamente politizados, e as OSCs também podem ter uma função importante em representar, criticar directamente e ajudar ao processo de orçamentação. Para além do mais, as OSCs não só actuam como meio de comunicação das pessoas para o governo, mas também podem ajudar a divulgar na outra direcção, esclarecendo e transmitindo informação sobre as despesas e sistemas do governo às pessoas. Em última análise, pode assim ajudar-se a criar uma prestação de contas genuína, segundo a qual os cidadãos, especialmente as pessoas pobres e marginalizadas, têm conhecimento dos próprios direitos, e o governo tem conhecimento das próprias responsabilidades (e vice-versa). Levou-se a cabo uma avaliação detalhada com base na comunidade da utilização de subsídios no distrito de Thakurgaon, no Bangladesh, com o apoio da WaterAid e dos parceiros da mesma. Esta avaliação revelou até que ponto os subsídios foram capturados pelas pessoas não pobres (35% e 54% respectivamente nas duas áreas estudadas). Usando técnicas simples de participação, as organizações com base na comunidade, ajudadas pelas organizações locais, levaram a cabo o processo de recolher, analisar e apresentar a informação de modo a capacitar as pessoas a discuti-la com o governo local responsável e portanto a melhorar a definição de objectivos desses subsídios para as pessoas mais pobres, como exigido pela política do governo Participação nos processos de reforma urbanos No mundo em desenvolvimento, os ambientes urbanos apresentam um desafio enorme e em crescimento, agravado pelo ritmo veloz da urbanização nos países em desenvolvimento. Caracteristicamente, estas áreas não são planeadas, são muito densamente povoadas e as partes mais pobres frequentemente não são servidas nem sequer pelas infraestruturas mais básicas de água e de saneamento. Um factor importante é que a maior parte dos habitantes são considerados ocupantes ilegais, são invisíveis e não são organizados. O não ter propriedade legal das casas que habitam coloca-os numa posição ainda mais desvantajosa e numa posição de negociação fraca quando se trata da provisão de serviços formais. Quando não há provisão de água segura, as pessoas ou vão buscar água a fontes poluídas ou dependem de vendedores que 27

28 no geral não estão sujeitos a regulamentos, e vendem água cara de origem duvidosa e sem ser testada. A falta de instalações de saneamento significa que as ruas se transformam em locais de defecação ao ar livre e os canais de escoamento ficam cheios de águas residuais não tratadas. A WaterAid vai apoiar redes de parceiros urbanos locais para que participem nos processos que tentam redireccionar os recursos para responder a estes desafios. Estas redes de parceiros estão a lutar para assegurar que as vozes das pessoas sem serviços, assim como a experiência das ONGs locas que servem as necessidades de WASH urbanas, são tomadas em consideração nas decisões de desenvolvimento urbano. A WaterAid apoiou Dushtha Shasthya Kendra (DSK), uma ONG local no Bangladesh, numa campanha de dez anos para conseguir que a Agência de Provisão de Água de Dhaka proporcionasse ligações de água formais às pessoas que vivem em povoações informais, anteriormente consideradas como vivendo nesses locais ilegalmente uma vez que não tinham título de posse legal para aí viver. Estabeleceu-se assim um precedente para fazer lóbi junto das agências de água e de saneamento do sector público noutras cidades como Chittagong e Khulna, para proporcionar ligações formais às pessoas que vivem em povoações informais. rs_1.pdf As empresas urbanas de serviços de água necessitam urgentemente de reforma. Em todos os programas nacionais, a WaterAid luta por apoio para a autonomia financeira e operacional das empresas de serviços, para que não haja interferência política, para além de assegurarem um contrato de desempenho claro (que inclua os direitos das pessoas excluídas) entre as empresas de serviços e os governos. A nossa experiência reforça a importância das redes de OSCs que lutam a favor das opiniões e questões das pessoas mais pobres no desenvolvimento de reformas urbanas, e apoiar essas OSCs é um componente essencial dos esforços da WaterAid para que os direitos a WASH das pessoas pobres das zonas urbanas progridam. Apoiar as redes da sociedade civil para que participem nos processos de reforma urbanos envolve desenvolver uma base de conhecimentos que analise os componentes complexos das opções disponíveis para os governos assim como as competências para envolver e influenciar os responsáveis pelas decisões para que tomem em consideração a experiência de pessoas sem acesso a WASH. O modo de o fazer é trazer as vozes, questões e soluções excluídas para a mesa das decisões. Participar nos processos de reforma urbana requer conhecimentos práticos das questões - que podem ser muito complexas - e apoiar os representantes dos parceiros para que consigam acesso significativo para representar as vozes e as questões das pessoas pobres. 28

29 Em Lilongwe, no Malawi, a WaterAid e o parceiro, Centro para Organização e Desenvolvimento da Comunidade (CCODE), trabalharam com a Empresa de Água de Lilongwe para superar a lacuna entre os consumidores pobres e a Empresa de Água que tinha tido como resultado o grupo ser eliminado das provisões de água formais. No processo, conseguiu-se criar um melhor entendimento com base em confiança mútua, comprometendo-se a Empresa a prover serviços às pessoas pobres Trabalhar com os parlamentares/representantes eleitos Os parlamentos são agora reconhecidos como sendo um elemento essencial da prestação de contas nacional para WASH e mais em geral para o trabalho de desenvolvimento. O trabalho anterior sobre a prestação de contas em água e saneamento, tal como o projecto da WaterAid Acção dos Cidadãos, concentrou-se na prestação de contas a níveis locais entre os provedores de serviços e os utentes. No entanto, é necessário que haja uma prestação de contas mais geral a nível nacional entre os governos nacionais e os cidadãos para WASH - é aqui que os parlamentos têm uma função crucial. Quando se trata de trabalhar com parlamentos, a nossa experiência é que o sistema de governação de cada país pede estratégias diferentes. Em alguns casos, alcançar os membros locais do parlamento pode ser muito eficaz, e quem se encontra mais bem colocado para fazer esse tipo de lóbi junto dos Membros do Parlamento a nível muito local são os representantes dos membros da rede de WASH a esse nível. Noutros países, fazer lóbi a nível de partido político central pode ser mais eficaz, e nesses casos, o envolvimento com líderes de partidos políticos ou os membros mais influentes pode ser mais útil do que fazer lóbi junto de um Membro de Parlamento local. Nesses casos, se os membros das redes locais estiverem ligados às redes de OSCs de advocacia, podem ser mais facilmente apoiados para compreender e solucionar as questões mais importantes do sector, e para se fazerem ouvir. Fazer lóbi junto de membros do parlamento, tanto a nível local (nos próprios distritos eleitorais) como a nível nacional (quando são membros do parlamento nacional) serve para chamar a atenção, num fórum, para as dificuldades crónicas que as pessoas enfrentam quando têm acesso a WASH muito limitado. Uma vez mais, sistemas diferentes de democracia parlamentar funcionam de modo diferente. Em alguns casos o parlamento central é o local onde se tomam todas as decisões, mas noutros casos, esta responsabilidade pode ser relegada aos níveis inferiores, e compreender isso no próprio país iria orientar a estratégia de advocacia. Para além do lóbi individual, há diversos modos de envolvimento com os parlamentares. Compreender o modo como o parlamento funciona daria diversas percepções e oportunidades de influenciar a legislatura. A técnica de "nomear e envergonhar", a utilização da oposição, a pressão de uma campanha dos meios de comunicação cuidadosamente orquestrada, a utilização de protestos e tácticas de fazer pressão à moda de Gandhi, a utilização inteligente de instrumentos parlamentares (por exemplo, a "hora das perguntas" disponível em alguns parlamentos) têm frequentemente forçado os governos a actuar nas áreas de decisões políticas, de planeamento, legislação, orçamentação, implementação, monitorização, fiscalização e ratificação/penalização. 29

30 No Burkina Faso, a WaterAid e os parceiros iniciaram uma abordagem inovadora designada "Saneamento Total liderado por Líderes" que se destina a envolver as comunidades locais na preparação de um perfil da situação de saneamento das aldeias e das comunidades, das empresas e dos líderes políticos. Com a informação recolhida e com filmes curtos de vídeo sobre o estado real do saneamento nas respectivas aldeias, as comunidades visam destacar a crise de saneamento e encorajar os líderes a defender a causa do saneamento. Para assegurar que o assunto se encontra firmemente na ordem do dia política, estes líderes, em discussão com os principais membros do parlamento, estabelecem uma rede de parlamentares para levantar a questão da crise de saneamento nos debates parlamentares. Na Índia, a WaterAid e os parceiros trabalharam com a Assembleia do Estado de Bihar e envolveram os membros eleitos da Assembleia do Estado organizando caminhadas a nível de Estado e discussões a nível de Assembleia para dar ênfase à crise de saneamento. No Bangladesh, estamos actualmente a trabalhar com um grupo parlamentar que inclui todos os partidos e se concentra em WASH para dar destaque à situação de água e saneamento no parlamento Trabalhar com os meios de comunicação Os meios de comunicação são um aliado poderoso e colaborar de modo eficaz com os meios de comunicação é outro modo de permitir que as vozes a nível da comunidade sejam ouvidas por um público mais amplo e para influenciar os responsáveis pelas decisões. Para conseguir estes objectivos, as OSCs têm que trabalhar para forjar uma ligação estreita entre as pessoas afectadas pela falta de água segura e de saneamento, as organizações a nível da comunidade e os meios de comunicação. Isso significa estimular as relações com o pessoal dos meios de comunicação a diferentes níveis (desde correspondentes a nível local a responsáveis pelas decisões/editores importantes a nível central). Com esta rede estabelecida, torna-se muito mais fácil recolher, partilhar e publicar informação sobre questões relacionadas com WASH, e levar a cabo campanhas bem sucedidas que tentem fazer mudanças positivas. A nossa experiência também mostrou que se tem que fazer uma distinção entre a publicidade e a advocacia dos meios de comunicação. Muitas OSCs conseguem que os próprios programas e esforços sejam destacados nos meios de comunicação e declaram que estão a fazer advocacia dos meios de comunicação. Estas declarações podem não ser necessariamente verdadeiras apesar de acumularem um número impressionante de recortes de jornais. A advocacia dos meios de comunicação é o uso estratégico dos meios de comunicação para criar um discurso político para que este discurso político influencie depois os responsáveis pelas decisões e outros ramos do governo ou outros intervenientes influentes. O trabalho de publicidade a que se fez referência anteriormente pode ou não levar a isso. O facto é que muitas coisas são publicadas nos meios de comunicação uma vez que os mesmos têm fome de notícias, mas isso não quer necessariamente dizer que seja um modo eficaz de usar os meios de comunicação de um ponto de vista da advocacia. 30

31 Os meios de comunicação também podem ser usados mais geralmente para ajudar o público e os políticos a apreciar a importância da água, do saneamento e da higiene na educação, na saúde e no desenvolvimento económico. Assim se proporciona uma base para se exigirem despesas sustentadas, equitativas e eficientes para o sector. Criar e manter relações com os meios de comunicação tanto a nível nacional como regional é essencial para levar a cabo trabalho político de impacto. O impulso criado por esse tipo de relações não só pode trazer ao domínio público as questões que afectam as pessoas pobres, mas também exerce pressão sobre os governos e os responsáveis pelas decisões para actuarem com base nas suas responsabilidades de WASH. A Rede de Informação e Comunicação sobre a Água e o Saneamento (RICHE), uma rede de jornalistas no Burkina Faso, teve uma função importantíssima para destacar a questão dos direitos à água e ao saneamento e como as pessoas pobres foram afectadas, desse modo desafiando o governo e os provedores de serviços a entrar em acção. No Sul da Ásia, o poder dos meios de comunicação tem sido usado para criar uma consciencialização de massa e dar forma à opinião pública sobre a importância da água segura e do saneamento e para dar a conhecer aos políticos e aos governos as medidas a tomar para assegurar que estas necessidades básicas são satisfeitas. O Fórum Regional dos Meios de Comunicação do Sul da Ásia sobre WASH foi estabelecido em 2011 para escrever e transmitir exaustivamente sobre as questões importantes mas ignoradas da água, do saneamento e da higiene, e para destacar tragédias humanas, principalmente das mulheres e das crianças, escondidas por detrás de estatísticas primitivas, e para visar em conjunto reuniões políticas importantes, e eventos regionais e internacionais. Durante a Conferência do Sul da Ásia sobre o Saneamento (SACOSAN) em Abril de 2011, e a cimeira da Associação do Sul da Ásia para a Cooperação Regional (SAARC) em Novembro de 2011, os jornalistas do fórum destacaram activamente a fraca situação do saneamento na região em notícias e nos artigos de fundo. No primeiro ano, o fórum conseguiu publicar mais de 200 histórias sobre questões como o acesso à água e ao saneamento pelas comunidades marginalizadas, desastres e acesso à água e ao saneamento, problemas urbanos de água e de saneamento, as crianças e os requisitos de WASH, e a ligação entre a saúde e WASH Participação na redução da pobreza e nos processos de desenvolvimento do sector Os debates internacionais de desenvolvimento, o desafio de criar estados receptivos e responsáveis que por sua vez irão trabalhar para aliviar a pobreza, proteger os direitos e lidar com 31

32 as desigualdades sociais, tem sido um foco da atenção do desenvolvimento nos últimos anos. Muito do debate concentra-se em melhorar as instituições do governo. No entanto, os Estados não se criam somente através de instituições formais. Os cidadãos organizados também têm uma função importante, através da articulação das próprias preocupações, para mobilizar a pressão a favor das mudanças, e para monitorizar o desempenho do governo. O Relatório do Sector Público Mundial das Nações Unidas de 2008 designado "People Matter: Civic engagement in public governance (As Pessoas são Importantes: Participação cívica na governação política)" argumenta que a participação é importante no desenvolvimento político, assim como nos orçamentos, na provisão de serviços e nos processos de prestação de contas e (produz) resultados que favorecem as pessoas pobres e desfavorecidas. Os actores do governo têm que ser encorajados a reconhecer e apoiar a função importante das acções dos cidadãos e da participação dos mesmos na redução da pobreza e nos processos de desenvolvimento do sector para que as mudanças sejam sustentáveis. Tentar criar Estados receptivos e responsáveis sem reconhecer e apoiar as contribuições dos cidadãos organizados para o processo vai fazer pouco para levar a mudanças sustentáveis. No Mali, como parte do trabalho da WaterAid em governação e transparência, as organizações locais puderam criar relações com diversos departamentos do governo, tendo como resultado estarem envolvidas nos processos relacionados com as estratégias de redução da pobreza e nas revisões conjuntas do sector. A advocacia pelo Comité Nacional de Organização para a Campanha Internacional para a Água, o Saneamento e a Higiene (CN-CIEPA) sobre bloqueios no âmbito do sector de água e de saneamento levou à revitalização do comité de organização do Programa do Sector de Água e de Saneamento (PROSEA), o mecanismo nacional de coordenação. Também se criou uma plataforma da sociedade civil para participar nas discussões do comité de organização. Referência: WaterAid: Relatório Anual do Fundo de Governação e Transparência Conclusão A experiência da WaterAid de aplicar as abordagens com base nos direitos até à data, tem feito com que nos déssemos conta de que, independentemente da ferramenta específica utilizada, há alguns princípios de orientação subjacentes que se aplicam aos nossos esforços para defender os direitos das pessoas pobres a WASH. Estes também são os princípios destacados numa publicação recente pelo Instituto dos Estudos de Desenvolvimento 10 : É essencial criar e proteger o espaço democrático. Criar e manter o espaço democrático para os cidadãos organizarem e articularem as próprias opiniões é um pré-requisito para que haja mudanças eficazes nas políticas. As OSCs raramente mudam as políticas sozinhas. A criação de coligações amplas que incluam outros intervenientes, incluindo intervenientes do governo, é essencial para se conseguirem mudanças a favor das pessoas pobres. Conseguir as metas mais gerais das 32

33 campanhas da sociedade civil requer a capacidade de operar a diversos níveis; por vezes em diversas fases de uma campanha, e por vezes simultaneamente. Apesar de muitos tipos de alianças serem importantes, os actores da sociedade civil têm que se aliar a terceiros em diversas coligações - incluindo figuras progressivas nos governos, eruditos em jurisprudência, académicos, tecnocratas de associações profissionais que trazem conhecimentos especializados aos debates políticos, e obviamente com organizações de base e movimentos sociais. O enquadramento estratégico das questões e das mensagens é importante, dando atenção especial às normas internacionais assim como ao contexto nacional. O enquadramento "universal" ajuda as coligações a declarar uma posição moral elevada, e também pode ter um papel importante na criação de alianças. No entanto, em alguns casos os activistas preferem não dar demasiada importância às normas internacionais e destacar os valores nacionais e locais. As questões contenciosas podem necessitar de políticas contenciosas. As campanhas exigem que se dê maior atenção às acções colectivas e à mobilização popular, assim como à utilização competente dos meios de comunicação de perfil elevado. As campanhas que envolvem conflitos e antagonismo, em vez de parcerias mais confortáveis com os governos, exigem uma sociedade civil forte, relativamente independente, que possa desafiar e manter os seus próprios interesses contra os interesses do poder. Para manter o êxito, as mudanças robustas exigem campanhas robustas. A criação de culturas e distritos eleitorais a favor da mudança pode ser tão importante a longo prazo como as mudanças nas políticas do governo. Para serem sustentáveis, as campanhas devem levar a cabo mudanças a todos os níveis - desde local a nacional, níveis tangíveis a intangíveis. Quanto melhor implementadas forem as reformas políticas nacionais, mais provável é que se traduzam em melhorias materiais nas vidas das pessoas e consigam apoio popular. Quanto mais mudanças intangíveis as campanhas criarem nos padrões de decisões, na prestação de contas e nas capacidades de reclamar direitos, mais as próprias políticas serão possuídas e continuarão a ser executadas. A outra conclusão importante que a experiência da WaterAid nos trouxe até agora é que uma abordagem com base nos direitos centrada nas pessoas pode produzir soluções mais sustentáveis, porque se for bem sucedida, é mais provável que as decisões se concentrem no que as comunidades e indivíduos marginalizados requerem, compreendem e podem gerir, em vez do que as agências exteriores decidem que é necessário. Mesmo quando não é possível influenciar totalmente as decisões a nível legislativo, a mudança de percepção que as pessoas têm de si próprias, de se ver como recipientes passivos a pessoas que reclamam os seus direitos, funciona gradualmente para mudar as equações de poder a níveis diferentes. Eventualmente, leva a decisões mais centradas nas pessoas. 33

34 6 Como avançar para introduzir uma abordagem com base nos direitos na WaterAid Este documento visa descrever uma estrutura que afirme os direitos das pessoas à água e ao saneamento e uma estrutura teórica que contribua para as abordagens com base nos direitos para melhorar o acesso das pessoas à água segura e ao saneamento, a serem desenvolvidas em todos os programas da WaterAid. Para assegurar que as boas práticas na área dos direitos à água e ao saneamento são aprofundadas e suficientemente apoiadas para permitir que os funcionários e os parceiros façam progredir o trabalho a nível nacional e local, em conformidade com a Estratégia Global da WaterAid de , o grupo de trabalho da abordagem com base nos direitos propõe os passos que se seguem para consideração adicional: 1 Permitir que o discurso e o debate sobre a abordagem com base nos direitos no âmbito da WaterAid sejam informados e enriquecidos através da participação em discussões na internet, em webinars, e consultas lideradas por outras agências e fóruns, especialmente o escritório do Relator Especial da ONU sobre o Direito Humano à Água e ao Saneamento. 2 Esclarecer uma abordagem da WaterAid aos direitos Reconhecendo que há ênfases e definições das abordagens com base nos direitos que competem entre si, a WaterAid deveria procurar ser mais clara sobre os elementos que apoia e sobre a própria ênfase - por exemplo, qualificar o princípio de universalismo da abordagem com base nos direitos dando ênfase aos benefícios não discriminatórios e concentrando-se nas pessoas mais pobres e marginalizadas. 3 Uma iniciativa acção-reflexão-acção para aprofundar o que se aprende na execução, pode apoiar o desenvolvimento de um menu de ferramentas apropriadas para serem adaptadas pelos colegas globais. Esta via exige que diversos programas nacionais abram um dos próprios projectos específicos de abordagem com base nos direitos - incluindo criar ou trabalhar com plataformas de direitos dos cidadãos a nível local - a um grupo de aprendizagem de colegas, para que outros colegas possam acompanhar o projecto e, através de discussões, revisões e aprendizagem, possam documentar os passos de boas práticas que fazem parte da concretização de resultados eficazes de WASH. 4 Levar a cabo uma revisão das práticas seguindo abordagens temáticas incluindo fontes que não são da WaterAid (ex. advocacia dos orçamentos, advocacia de reformas urbanas, acção dos cidadãos a nível local) para reunir as práticas e a aprendizagem em relação a abordagens diferentes, o que irá ajudar a compreender melhor as abordagens com base nos direitos ajudando a WaterAid a desenvolver princípios chave ou a informar as abordagens dos projectos de acção-reflexão-acção, com base na experiência, desafios, êxitos e outra aprendizagem prática. Estas abordagens serão depois exemplos para informar as boas práticas e esclarecer as abordagens com base nos direitos. 34

35 5 Integração de abordagens com base nos direitos O desenvolvimento de alguns princípios essenciais pode ser um modo prático de integrar as abordagens com base nos direitos através de contextos políticos diferentes no âmbito dos quais a WaterAid está a desenvolver os próprios programas. A WaterAid tem que reflectir mais sobre se o desenvolvimento de um conjunto de padrões mínimos ajudaria a inserir as abordagens com base nos direitos entre os funcionários da WaterAid em todo o mundo e os parceiros com quem trabalhamos. 6 Desenvolver uma orientação organizacional mais sistemática e/ou programa de formação que vá ajudar a mudar a mentalidade e portanto as abordagens dos funcionários da WaterAid, assim como ajudar a desenvolver competências para a implementação de uma abordagem com base nos direitos em colaboração com os nossos parceiros. Essa orientação e/ou formação pode não ser necessariamente suficientemente bem sucedida se for levada a cabo dentro das limitações de um centro de formação, mas pode necessitar de orientação significativa para que avance. Com o fim de assegurar que nos estamos a mover nessa direcção, seria importante desenvolver um conjunto claro de indicadores que nos irão ajudar a avaliar o nosso progresso na trajectória dos direitos. Para a WaterAid, mudar para uma abordagem mais com base nos direitos, e aprofundar a mesma, para complementar o trabalho já estabelecido de provisão de serviços é de importância vital para a concretização da Estratégia Global. Para isso é necessário que se mude a forma de pensar, o que só se irá conseguir trabalhando através das questões e abordagens, para além de aprender das respostas proporcionadas por terceiros. A estrutura internacional para concretizar os direitos das pessoas a um maior acesso à água segura e ao saneamento foi finalmente especificamente articulada e garantida por uma resolução da ONU em No entanto, continua a haver muito por fazer a nível nacional para abrir espaços democráticos que garantam que os cidadãos podem participar nos processos de tomada de decisões que se dirigem às questões de equidade e garantem acesso sustentável à água e ao saneamento para todos. Nesta fase da própria evolução, a WaterAid está convencida de que a utilização de abordagens com base nos direitos irá ajudar significativamente a conseguir estes objectivos. 35

36 Idrissa Traore, Chefe de Divisão e de Estudos de Planeamento, e Tieman Coulibali, encarregado de desperdícios líquidos para a Divisão de Saneamento, Mali. WaterAid/Layton Thompson 36

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