Fórum Regional sobre Reforço dos Sistemas de Saúde para os ODS e a CUS de Dezembro 2016, Windoeck, Namíbia

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1 Fórum Regional sobre Reforço dos Sistemas de Saúde para os ODS e a CUS 8-13 de Dezembro 2016, Windoeck, Namíbia Segurança do sangue e outros produtos médicos de origem humana na Região Africana 1. INTRODUÇÃO O sangue e outros produtos médicos de origem humana (MPHO) derivam, no todo ou em parte, do organismo humano e destinam-se a aplicação clínica. Incluem sangue total, componentes lábeis do sangue e produtos medicinais derivados do plasma (PDMP), células humanas, tecidos e órgãos. A sua disponibilidade, segurança e uso apropriado são componentes essenciais de uma boa oferta de cuidados de saúde. São igualmente um importante apoio para o desenvolvimento e sucesso de algumas iniciativas, tais como a consecução dos objectivos do desenvolvimento sustentável relacionados com a saúde, a cobertura universal de saúde e a saúde reprodutiva, materna, do recém-nascido e da criança. Os avanços ocorridos na cirurgia e na medicina em geral, tais como o desenvolvimento de medicamentos imunossupressores, permitiram o transplante bem sucedido de órgãos, salvando inúmeras vidas em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adoptou várias resoluções exortando os Estados- Membros a tomarem medidas para a disponibilidade, segurança e qualidade do sangue e de outros MPHO. A Assembleia Mundial da Saúde (WHA), através das resoluções WHA28.72 e WHA58.13 em particular, instava os Estados-Membros a promoverem o desenvolvimento dos serviços nacionais de sangue com base em dádivas voluntárias e não remuneradas (VNRBD) e a tomar outras medidas necessárias para proteger e promover a saúde dos dadores e dos receptores de sangue [1,2]. A resolução WHA63.12 sobre disponibilidade, segurança e qualidade dos produtos do sangue exortava os Estados-Membros a tomarem todas as medidas necessárias para criarem, implementarem e apoiarem programas de sangue e plasma nacionalmente coordenados, geridos com eficácia e sustentáveis, de acordo com a disponibilidade de recursos, com a finalidade de se atingir a autossuficiência, a não ser que circunstâncias especiais o impeçam [3]. O sangue e os produtos do sangue estão incluídos no Formulário-Modelo de Medicamentos Essenciais da OMS [4]. Recentemente, a OMS emitiu orientações provisórias para as autoridades sanitárias nacionais e para os serviços de transfusão de sangue, sublinhando os passos necessários para a colheita de sangue total convalescente (CWB) ou plasma convalescente (CP) de doentes que tenham recuperado da doença do vírus do Ébola (DVE), para transfusão para doentes nas fases iniciais da doença, como tratamento empírico [5 ]. 1

2 A Declaração de Istanbul sobre Turismo de Tráfico de Órgãos e de Transplantes em 2008 afirmava que todos os países precisam de um quadro legal e profissional que reja as atividades de doação e transplante de órgãos, assim como um sistema regulador transparente que garanta a segurança do dador e do receptor e a aplicação de normas e de proibições de práticas não éticas [6]. A sexagésima terceira WHA, através da resolução WHA63.22 de 2010, aprovou os Princípios Orientadores da OMS sobre o Transplante de Células, Tecidos e Órgãos Humanos, que incluem: (i) reforço dos princípios da dignidade humana e da solidariedade, (ii) prevenção de ganhos financeiros nas transações que envolvam partes do corpo humano, incluindo o turismo de tráfico e transplante de órgãos, e (iii) responsabilidade dos Estados-Membros na proteção das pessoas pobres e vulneráveis contra a sua exploração e na oferta de acesso equitativo a MPHO seguros [7]. Como parte da implementação desta resolução mundial, o Comité Regional da OMS para a África adoptou a resolução AFR/RC44/R12, em 1994, exortando os Estados-Membros da Região Africana a tomarem medidas urgentes para formularem políticas de segurança do sangue, mobilizarem recursos para o desenvolvimento de infraestruturas para os serviços de sangue nos hospitais centrais e distritais e definirem objectivos e metas para fazerem transfusões de sangue livres de VIH nas unidades de cuidados de saúde [8]. Além disso, para melhorar a disponibilidade de produtos do sangue seguros em todos os Estados-Membros, o Escritório Regional da OMS para a África adoptou, em Setembro de 2001, uma estratégia regional para a segurança do sangue [9] que definiu quatro metas a alcançar até ao final de 2012: (i) uma análise da situação da segurança do sangue realizada em todos os Estados-Membros; (ii) uma política nacional do sangue formulada e adoptada em 75% dos países da Região; (iii) um teste obrigatório a todas as unidades de transfusão de sangue para quatro ITT: Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH), vírus da Hepatite B (HBV), vírus da Hepatite C (HCV) e sífilis; e (iv) que, pelo menos, 80% das dádivas de sangue em todos os países da Região sejam VNRBD. Relativamente à Doação e Transplante de Células, Tecidos e Órgãos, houve uma reunião de peritos em transplante de órgãos, que representavam os governos de toda a Região Africana, em Abuja, na Nigéria, em 2009, sob os auspícios da Organização Mundial da Saúde (OMS), e que emitiu uma Declaração chamada Declaração de Abuja [10]. 2. ANÁLISE DA SITUAÇÃO 2.1 Sangue e produtos do sangue Com base no inquérito de 2013, realizado entre Agosto de 2015 e Fevereiro de 2016 [11], dos 46 Estados-Membros que responderam, 38 (82,6%) países tinham formulado e adoptado uma política nacional do sangue, 33 países 1 (71,7%) tinham elaborado um plano estratégico para a 1 Argélia, Angola, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, República Centro-Africana, Chade, Comores, Congo, Côte d Ivoire, República Democrática do Congo, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Quénia, Lesoto, Madagáscar, Maláui, Mali, Mauritânia, Maurícia, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, África do Sul, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia, Zimbabué 2

3 implementação da sua política do sangue e havia legislação sobre transfusões em 19 países 2 (41,3%). Trinta e quatro países 3 (73,9%) têm orientações nacionais sobre o uso clínico apropriado do sangue e produtos do sangue e 13 países 4 (28.3%) criaram um sistema nacional de hemovigilância. Vinte e um países 5 (45,6%) alcançaram o nível de % de VNRBD. A taxa média de dádivas de sangue foi de 4,7 unidades/1000 habitantes e 9 países (Argélia, Botsuana, Congo, Gabão, Maurícia, Namíbia, Seicheles, África do Sul e Suazilândia) estão a colher, pelo menos, 10 unidades/1000 habitantes. A percentagem média de VNRBD é de 67,0% e a taxa global de exclusão é de 13,0%. Quarenta e quatro países 6 (95,6%) estão a rastrear cem por cento para o VIH, 42 (91,3%) para a HBV 7, 41 (89,1%) para a HCV e a sífilis. A percentagem de unidades de sangue testado para ITT é de 99,9% para o VIH, 99,2% para a HBV, 98,6% para a HCV e 98,3% para a sífilis 8. A mediana da percentagem das unidades de sangue reactivas às ITT é de 1,3% para o VIH, 4,2% para a HBV, 1.0% para a HCV e 0,8% para a sífilis. Vinte e cinco países (79,9%) com centros de sangue estão a participar num esquema de avaliação externa da qualidade (AEQ) pra diferentes ITT, enquanto 4 países (Angola, Maurícia, Namíbia e África do Sul) têm NBTS acreditados. Trinta e nove países (84,8%) de 46 preparam componentes do sangue. A percentagem média de unidades de sangue separadas em componentes do sangue é de 64,8% e 24,3% dos centros de transfusão estão a preparar componentes do sangue. O concentrado de glóbulos vermelhos (RCC) é o componente mais preparado pelos países, seguido de plasma fresco congelado (FFP). 2 Argélia, Angola, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, Camarões, Comores, Côte d Ivoire, Etiópia, Madagáscar, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, África do Sul, Tanzânia, Togo, Zâmbia, Zimbabué 3 Argélia, Angola, Benim, Botsuana, Burkina Faso, Congo, Côte d Ivoire, Eritreia, Etiópia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Quénia, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Maláui, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Seychelles, Serra Leoa, África do Sul, Sudão do Sul, Suazilândia, Uganda, República Unida do Uganda, Zâmbia, Zimbabué 4 Botsuana, Burkina Faso, Cote d Ivoire, República Democrática do Congo, Gana, Libéria, Maláui, Maurícia, Namíbia, Ruanda, África do Sul, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zimbabué 5 Benim, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, República Centro-Africana, Côte d Ivoire, Eritreia, Quénia, Lesoto, Maláui, Maurícia, Namíbia, Ruanda, Senegal, África do Sul, Suazilândia, Togo, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué 6 Argélia, Angola, Benim, Burkina Faso, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, República Centro-Africana, Chade, Comores, Congo, Côte d Ivoire, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Quénia, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Maláui, Mali, Mauritânia, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Seychelles, Serra Leoa, África do Sul, Sudão do Sul, Suazilândia, Togo, Uganda, United Republico f Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué 7 Argélia, Angola, Benim, Burkina Faso, Botsuana, Burundi, Cape Verde, República Centro-Africana, Comores, Congo, Côte d Ivoire, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Quénia, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Maláui, Mali, Mauritânia, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Seychelles, Serra Leoa, África do Sul, Sudão do Sul, Suazilândia, Togo, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué 8 Argélia, Angola, Benim, Burkina Faso, Botsuana, Burundi, Cabo Verde, República Centro-Africana, Congo, Côte d Ivoire, Eritreia, Etiópia, Gabão, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Quénia, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Maláui, Mali, Mauritânia, Maurícia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Seychelles, Serra Leoa, África do Sul, Sudão do Sul, Suazilândia, Togo, Uganda, República Unida da Tanzânia, Zâmbia, Zimbabué 3

4 A percentagem global de sangue e componentes do sangue descartados é de 7,0%, sendo as principais razões as ITT (5,3%). A percentagem média de unidades de sangue transfundidas foi de 28,7% como sangue total, 58,7% como RCC, 7,2% como plaquetas derivadas do sangue total e 7,0% como FFP. Dos 4415 hospitais, 641 (14,5%) tinham uma Comissão Hospitalar de Transfusões (HTC), 22,4% tinham um sistema de monitorização da prática da transfusão clínica e 13,45% tinham um mecanismo para reportar eventos e reacções adversas das transfusões. Dos doentes que receberam transfusões, 18,5% eram menores de cinco anos, 6,0% tinham entre 5 e 14 anos, 40,6% entre 15 e 44 anos, 16,7% entre 45 e 59 anos e 18,2% tinham 60 anos ou mais. Apenas 3 países (6,5%) notificaram dados sobre reacções adversas graves após a transfusão. A África do Sul é o único país que produziu todos ou parte dos produtos médicos derivados do plasma (PDMP), através do fracionamento do plasma colhido no país. Nos restantes países, todos esses produtos foram importados do estrangeiro e 20 países (43,5%) tinham incluído PDMP no seu formulário de medicamentos essenciais. 2.2 Células, órgãos e tecidos humanos para transplantes Apesar do facto desta forma de tratamento poder salvar vidas ou restaurar funções essenciais quando não existe nenhuma outra alternativa, a análise da situação dos MPHO indica que há muito poucos dados disponíveis na Região Africana da OMS. Esta situação não se alterou significativamente desde a reunião da Aliança Mundial para os Transplantes (GAT), realizada em Durban, em 2013 [12]. De facto, os transplantes apenas são feitos num pequeno número de países (Argélia, Camarões, Etiópia, Gana, Quénia, Maláui, Nigéria, Ruanda, África do Sul e Zâmbia). Nestes países, efetuam-se actividades de hemodiálise e transplante. Em 2012, havia 97 centros que faziam diálise e 15 centros que faziam transplantes de dadores vivos. Havia um total de 3377 doentes em hemodiálise e foram executados 77 transplantes de rins de dadores vivos. Durante este período, 211 doentes viajaram para o estrangeiro para fazerem transplante de rins e um para transplante de fígado. A maioria destes programas beneficia de alguma participação positiva dos governos. Esses compromissos traduzem-se em financiamento, apoio e vontade do Ministério da Saúde em trabalhar num quadro legislativo. O rastreio de órgãos e tecidos para o controlo das doenças infecciosas (VIH, HBV, HCV e CMV) está disponível em África, mas não existem dados disponíveis. Apenas alguns médicos dos países africanos conhecem a Declaração de Istanbul sobre o turismo de tráfico e transplantes de órgãos. No entanto, o Escritório Regional da OMS para a África desenvolveu, com base numa das Sedes da OMS, um instrumento para o inquérito sobre os MPHO, para criar uma base de dados regional e contribuir para o observatório mundial da doação e transplante de órgãos. Na realidade, a avaliação da situação nos países fornecerá a informação básica necessária para a definição de uma estratégia regional e de acções prioritárias a implementar como parte da vigilância destes produtos médicos. 3. PRINCIPAIS DESAFIOS 4

5 Desde a doação até ao seguimento dos receptores, os sistemas de saúde enfrentam muitos desafios que comprometem seriamente a disponibilidade de sangue seguro e de outros MPHO para os doentes da Região, especialmente nas zonas mais remotas. São estes os principais desafios: Fragilidades dos sistemas nacionais reguladores do sangue, que são frequentemente incapazes de executar a supervisão reguladora eficaz necessária para assegurar a implementação de padrões de qualidade. Falta de regulamentação das doações e do tráfico de órgãos, uma vez que a maioria dos países que têm serviços de transplante não possuem um quadro legal nacional para a doação de órgãos. Os transplantes não são uma prioridade e ainda não são contemplados nos sistemas de saúde da maioria dos países, não estando ainda criado em todos os países o quadro legislativo apropriado em que os transplantes e as transfusões de sangue possam operar Reservas insuficientes de sangue, produtos do sangue e órgãos disponíveis de forma sustentável, garantindo a sua qualidade e segurança; consequentemente, muitos doentes que requeiram transfusões e transplantes que salvem a sua vida ainda não têm acesso a sangue seguro e a outros MPHO. A grande falta de sangue, produtos do sangue e órgãos disponíveis para transfusão e transplantes significa uma escassez que é a causa profunda do tráfico de sangue de órgãos, com o risco associado de exploração dos doadores e graves problemas de segurança para os receptores. Os testes de rastreio obrigatório não se realizam em 100% do sangue e outras unidades de MPHO colhidas, por falta de reagentes e consumíveis essenciais; e os laboratórios de tipificação dos tecidos ainda não estão bem estabelecidos na Região Africana da OMS, assim como o controlo da qualidade dos reagentes; além disso, as boas práticas não se cumprem uniformemente em toda a Região Africana. Os produtos do sangue são, frequentemente, indevida ou excessivamente prescritos em todos os países e as transfusões desnecessárias expõem os doentes ao risco de reações adversas graves e de infecções transmissíveis por transfusão (ITT), limitando a disponibilidade de produtos do sangue para os doentes que realmente deles precisam. O desenvolvimento dos sistemas nacionais de hemovigilância ainda é fraco na Região e, do mesmo modo, também o registo de incidentes e eventos adversos relacionados com as transfusões de sangue e transplantes de órgãos, tanto em dadores como em receptores Em muitos países da Região, o financiamento da segurança do sangue e dos transplantes de órgãos depende de programas bilaterais ou multilaterais. Os países não conseguem recuperar totalmente os custos quando os fundos chegam ao fim; por conseguinte, o financiamento é insuficiente para garantir produtos do sangue sustentáveis e a disponibilidade e segurança de outros MPHO. 5

6 4. OPORTUNIDADES O Comité Regional para a segurança do sangue adoptou uma Estratégia Regional que definia quatro metas a alcançar por todos os países da Região. A criação de sistemas nacionais de sangue, com serviços de transfusão de sangue bem organizados e coordenados em alguns países que possam oferecer reservas suficientes e um abastecimento rápido de sangue seguro, componentes do sangue e produtos do sangue que possam dar resposta às necessidades de todos os doentes. Existem algumas iniciativas, como os ODS relacionados com a saúde, CUS e RMNCH, cujo desenvolvimento e sucesso requerem a disponibilidade de sangue seguro. A Sociedade Africana de Transfusão de Sangue (AfSBT) elaborou normas regionais e um programa de acreditação faseado que pode ajudar os NBTS em África a implementarem sistemas eficazes de qualidade. Existe uma Base de Dados Mundial para a Segurança do Sangue (GDBS), que é usada para a recolha e gestão dos indicadores de segurança do sangue na Região Africana da OMS, simultaneamente com outras Regiões. Existência de parceiros técnicos e financeiros para prestar assistência a alguns países na implementação dos seus programas de segurança do sangue. Como parte da luta contra o VIH/SIDA, o Fundo Mundial ofereceu apoio financeiro para a segurança do sangue, através da prevenção da transmissão da doença por via sanguínea. Existência de uma iniciativa mundial chamada Project Notify, organizada conjuntamente pela OMS, Centro Nacional Italiano de Transplantes (CNT) e Projecto de Vigilância das Substâncias de Origem Humana financiado pela UE (MPHO V&S), que se destinava a incrementar o perfil da vigilância dos MPHO. 5. ACÇÕES PRIORITÁRIAS Implementar uma governação, liderança e gestão eficazes dos NBTS e serviços de transplante de órgãos, incluindo financiamento sustentável. Atingir 100% de VNRBD, para dar resposta à necessidades das unidades de sangue seguro, através do reforço dos conhecimentos do público sobre a necessidade de VNRBD, direitos dos doentes e consentimento informado, como base para o acesso universal a transfusões de sangue seguro. Rastrear 100% das unidades de sangue para as 4 ITT obrigatórias, com garantia de qualidade, usando procedimentos, equipamento e reagentes apropriados. Desenvolver um sistema nacional de qualidade abrangente, eficaz e sustentável para as transfusões de sangue, que seja fundamental para assegurar processos de qualidade garantida, testes, armazenamento e testes de compatibilidade de todo o sangue doado; facilitar a avaliação externa da qualidade, para rastreio das ITT e serologia do grupo sanguíneo, assim como implementar a acreditação reconhecida dos BTS. 6

7 Promover o uso racional do sangue e outros MPHO, através da formulação de orientações para a prescrição e uso do sangue, a formação de clínicos e prestadores de cuidados e a criação de sistemas nacionais de hemovigilância para eventos adversos, quer nos dadores, quer nos receptores. 6. PONTOS DE ACÇÃO Para enfrentar os desafios que se colocam aos NBTS e aos serviços de transplante de órgãos na Região Africana da OMS, o quadro regulador terá de ser reforçado. A formação de capacidades deverá incluir as infraestruturas, o equipamento e os recursos humanos, as boas práticas e estratégias para o financiamento sustentável da segurança do sangue e dos transplantes de órgãos. Para tal, deverão ser empreendidas as seguintes acções: Proceder à análise da situação dos MPHO na Região da OMS Formular políticas e legislação sobre o sangue a outros MPHO e criar sistemas reguladores nacionais para esses produtos. Prestar apoio aos países na área da segurança do sangue e da doação de órgãos, para possibilitar os progressos na garantia da sua qualidade e disponibilidade. Prestar apoio para a melhoria das infraestruturas e das capacidades técnicas dos NBTS e serviços de transplantes, através do fornecimento de equipamento apropriado e da formação de pessoal. Ajudar os países a reforçarem os programas de dadores de sangue, para aumentar a colheita de sangue dos VNRBD e a retenção de dadores voluntários Elaborar e implementar programas educativos acerca das doações de órgãos destinados ao público em geral e em colaboração como os média, para contribuir para a prevenção e promoção de um estilo de vida saudável. Reforçar a implementação de programas de gestão da qualidade, incluindo a melhoria das estratégias de rastreio das ITT nas dádivas de sangue e de órgãos nos serviços nacionais de transfusão de sangue e de transplante de órgãos. Prestar apoio à elaboração e implementação de orientações para o uso racional do sangue, produtos do sangue e outros MPHO, assim como aos sistemas nacionais de hemovigilância. Detectar precocemente e evitar doenças que causem insuficiência terminal dos órgãos, tais como a diabetes, doenças cardiovasculares e doenças renais, no seio de um quadro nacional que inclua uma política de supervisão reguladora. Criar um mecanismo apropriado para a recolha e tratamento de dados nos serviços de NBTS e serviços de transplante de órgãos. Estabelecer uma estreita colaboração entre os programas nacionais de sangue outros MPHO com programas complementares de cuidados de saúde e com os sectores não afectos a saúde para os quais as questões da segurança e disponibilidade do sangue e de 7

8 outros MPHO sejam relevantes. Elaborar estratégias de financiamento sustentável, para garantir, a longo prazo, a disponibilidade e a segurança do sangue e outros MPHO em todos os países da Região. 5. CONCLUSÕES Os países da Região Africana têm feito louváveis esforços para melhorar a disponibilidade e o acesso a sangue e outros MPHO seguros. Contudo, existem ainda grandes lacunas a colmatar em alguns países e sub-regiões, incluindo a coordenação dos serviços de sangue e de transplantes, a implementação de políticas, legislação e sistemas reguladores do sangue e do transplante de órgãos. A Região ainda está muito aquém de satisfazer as suas necessidades em matéria de sangue e outros MPHO e a percentagem das dádivas de sangue e de outros MPHO é ainda insuficiente. Alguns países ainda estão a rastrear todas as unidades de sangue e de outros MPHO colhidos para todas as principais ITT e terão de ser criados sistemas de gestão da qualidade em vários serviços de sangue e de transplantes. É preciso reforçar a interface clínica dos serviços de transfusão de sangue e de transplantes nos Estados-Membros, de modo a promover uma maior uso clínico apropriado do sangue e de outros MHPO. As principais causas frequentemente apontadas como podendo explicar essas lacunas são a falta de empenho dos governos de alguns países, o baixo financiamento governamental e a dependência de fundos externos, assim como a falta de recursos humanos devidamente qualificados. Essas lacunas exigem que os países empreendam acções concretas e apropriadas, com o apoio da OMS e seus parceiros, para garantir a disponibilidade e a segurança do sangue e de outros MPHO na Região Africana. Essas acções incluem o mapeamento de estratégias e de intervenções específicas e eficazes que ajudem a suprir as referidas lacunas. 7. REFERÊNCIAS 1. Twenty-eight World Health Assembly (WHA28.72) - Utilization and supply of human blood and blood products, Geneva, 3-30 May World Health Assembly - Resolution WHA58.13 on the proposal to establish a World Blood Donor Day, May World Health Assembly - Resolution WHA63.12 on availability, safety and quality of blood products, May World Health Organization - Model List of Essential Medicines 18th list (April 2013): 5. World Health Organization - Use of Convalescent Whole Blood or Plasma Collected from Patients Recovered from Ebola Virus Disease for Transfusion, as an Empirical Treatment during Outbreaks, Geneva;

9 6. International Summit on Transplant Tourism and Organ Trafficking - Istanbul Declaration, Istanbul, Turkey, April 30 May 2, World Health Assembly - Resolution WHA63.22 on Human organ and tissue transplantation, May World Health Organization, Resolution AFR/RC44/R12: AIDS control: current status of AIDS control activities in the African Region, Regional Office for Africa, World Health Organization - Blood safety: A strategy for the African Region (AFR/RC51/9 Rev.1), Brazzaville, Republic of Congo. World Health Organization, Regional Office for Africa, Regional Consultation in the African Region on Cells, Tissue and Organ Donation and Transplantation, Legal and Organizational Aspects - The ABUJA Declaration on Cells, Tissue and Organ Donation and Transplantation, Abuja, Nigeria, July 29-31, African Journal of Nephrology (2012) 15 (1): World Health Organization - Current status on blood safety and availability in the WHO African Region: Report of the 2013 Survey (in press). 25 th Southern African Transplantation Society Congress - Report of the Global Alliance for Transplantation Workshop, 29, 30 July 2013, Durban, KwaZulu-Natal, South Africa 9

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