Belo Horizonte 17 de abril de 2014 Ruy de Goes Leite de Barros

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1 Belo Horizonte 17 de abril de 2014 Ruy de Goes Leite de Barros

2 LARCI/ICAL Latin American Regional Climate Initiative

3 Alguns aspectos sobre a reciclagem de orgânicos no Brasil 1- Porque reciclar orgânicos 2- Custos 3- Abatimento de emissões de GEEs

4 1- Legislação: PNRS A separação da parcela orgânica é mandatória segundo a PNRS LEI Nº , DE 2 DE AGOSTO DE 2010 Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei n o 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências

5 Legislação: PNRS Art. 54. A disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, observado o disposto no 1 o do art. 9 o, deverá ser implantada em até 4 (quatro) anos após a data de publicação desta Lei. Art. 9 o Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos. 1 o Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação de programa de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental. Art. 3 o Para os efeitos desta Lei, entende-se por: XV - rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada;

6 Legislação: PNRS Sem separação da parcela orgânica, parte dos novos aterros se trasformarão em lixões Experiência do Programa Brasil Joga Limpo

7 2- CUSTOS Despesa per capita com manejo de RSU (Fonte: Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos 2012) Região Quantidade de municípios Despesas per capita com manejo de RS Mínimo Máximo Indicador médio (municípios) (R$/hab./ano) norte 63 14,99 206,47 58,68 nordeste ,72 228,89 87,28 sudeste ,88 225,65 112,71 sul ,19 230,60 75,97 centro-oeste 98 12,76 218,57 103,90 Total ,46* Total ,86 Total ,48

8 CUIDAR DOS RESÍDUOS É CARO Em média, as prefeituras gastam cerca de R$ 100 por habitante/ano com o manejo de RSU 2012: R$14,4 BI Equivalente a 4% das despesas correntes municipais (exceto despesas de capital) incluindo educação, saúde, transporte, etc Com o manejo adequado, em um cenário inercial, este gasto deverá aumentar muito, principalmente no Norte e Nordeste. Tal montante de dinheiro público é incompatível com o descaso com que a administração pública trata a questão Sem dados confiáveis, é difícil negociar alternativas Necessidade de arcabouço legal

9 CUIDAR DOS RESÍDUOS É CARO Mas, não cuidar dos resíduos é mais caro Ao se calcular o custo, em geral não se considera os custos futuros e as externalidades. A conta que não se paga hoje fica para as próximas gerações: Emissões de gases de efeito estufa Contaminação da água Saúde Recuperação de lixões Área imobilizada Desvalorização da vizinhança

10 Alternativas para o tratamento da parcela orgânica Compostagem doméstica Compostagem em grande escala Biodigestão Incineração Aterramento

11 Alternativas para o tratamento da parcela orgânica Compostagem doméstica Composta São Paulo: distribuição de 2 mil minhocários Custo: R$ 430,00 por minhocário, incluindo-se a montagem do projeto, monitoramento e produção artesanal Cálculo artesanal : pay back em 3 anos (4 pessoas 2kg/dia 0,7 ton/ano X R$ 225,00 = R$157/ano) Com maior escala, este tempo será bem menor Diminuição da massa enviada para aterramento Produção de húmus

12 Alternativas para o tratamento da parcela orgânica

13

14 Alternativas para o tratamento da parcela orgânica Compostagem em grande escala Problemas: Experiências mal sucedidas no passado Falta de capacidade instalada nos municípios Falta separação Ausência dos catadores

15 Alternativas para o tratamento da parcela orgânica Compostagem em grande escala com o uso de minhocas Experiência da Usina Brasil, no município de Itanhaém: Início de operação em janeiro de 2015 Previsão: gate fee de R$ 65,00

16

17 Biodigestão Vantagens: Pode ser usada em grande escala Compatível com separação/coleta seletiva Possibilita aproveitamento energético do metano Melhor alternativa para o abatimento de emissões de GEE Desvantagens: Custo de capital elevado Pouca experiência acumulada no Brasil

18 Biodigestão

19 Incineração Vantagens: Pode ser usada em grande escala Possibilita aproveitamento energético Desvantagens: Incompatível com separação/coleta seletiva Custo de capital e de operação elevados Emissões atmosféricas

20 Comparação biodigestão - Incineração Biodigestão Incineração Gate Fee R$ 80,00/ton R$ 80,00/ton Venda de Eletricidade Custo de Operação e Manutenção R$ 200 / MWh R$ 200 / MWh R$ 70/ton R$ 100/ton Investimento R$ 120 milhões R$ 400 milhões Taxa de Desconto Taxa Interna de Retorno Valor Presente Líquido 8% a.a. 8% a.a. + 20% Abaixo de 8% R$ 80 milhões - R$

21 3-Abatimento das emissões de GEEs No ambiente urbano, as emissões de GEE são provenientes principalmente de transportes e RSU Aterros e lixões emitem metano, que tem GWP= 21 Potencial de abatimento de emissões no Brasil é enorme, dependendo da rota tecnológica utilizada Ganhos a partir de: -Reciclagem -Queima do metano -Uso energético do metano

22 3-Abatimento das emissões de GEEs Emissões do Município de São Paulo em 2003 Setor Gg CO2e % Transporte Rodoviário 7.648,84 48,60 Resíduos Sólidos 3.696,00 23,48 Geração Elétrica 1.326,52 8,43 Residencial 988,53 6,28 Transporte Aeroviário 964,10 6,13 Indústria 745,63 4,74 Outros 368,62 2,34 Total , Fonte: Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Município de São Paulo

23 3-Abatimento das emissões de GEEs Emissões do Município do Rio de Janeiro em 2005 Setor Gg CO2e % Transporte Rodoviário 4.391,3 38,68 Resíduos (inclui esgoto) 2.372,5 20,90 Residencial 795,6 7,01 Transporte Aeroviário 1.602,9 14,12 Indústria 1.416,4 12,48 Outros 773,2 6,81 Total ,9 100 Fonte: Inventário e Cenário de Emissões dos Gases de Efeito Estufa da Cidade do Rio de Janeiro -2011

24 3-Abatimento das emissões de GEEs

25

26 Abatimento das emissões de GEEs com o uso de diferentes rotas tecnológicas Fonte: EPE, 2008 Tecnologia Incineração Tecnologia Mass Burn tco2 eq / t RSU 0,243 Aterro Sanitário Com Aproveitamento Energético 0,501 Biodigestão Sistema Mesofílico, Via Úmida 1,148

27 Potencial de abatimento no Brasil Ao se tratar 70% dos resíduos, ou seja, 46,8 milhões de toneladas, de acordo com o fator proposto pela EPE, seria possível abater 53,7 milhões de toneladas de CO2e/ano. Mapa da vontade política: metas dos planos setoriais para 2020 Mt COe Desmatamento Amazônia 564 Cerrado 104 Energia 234 Agricultura 133 a 166 Industria Redução se 5% de acordo com BAU (incluindo 21,8 crescimento do PIB de 5% ao ano) Transport PNLT 2020: redução de 3% 3,0 Investimento em infraestrutura:copa, PAC Mobilidade 3,7 Grandes Cidades Total Transportes 6,7 Mineração 0,74 a 2,7 Siderurgi 8 a 10 Fonte: Planos Setoriais in e Portal Brasil in

28 Conclusões O tratamento da parcela orgânica é obrigatório, de acordo com a lei Dificilmente se acabará com lixões sem o tratamento da parcela orgânica Os ganhos ambientais são enormes, ao se considerar a contaminação evitada, tempo de vida dos aterros, criação de solo, emissões de GEEs. Não há nada mais barato que o despejo em lixões. Desde que a próxima geração pague a conta

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