Coordenação-Geral de Tributação

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1 Fls. 2 1 Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta nº 4 - Data 6 de janeiro de 2014 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF PESSOA FÍSICA. RESIDENTE NO BRASIL. INVESTIMENTO NO EXTERIOR. MERCADO FUTURO. PERDAS. INDEDUTIBILIDADE. A pessoa física residente no Brasil que incorrer em perdas relacionadas a investimentos de renda variável no exterior, inclusive em mercados futuros, não pode compensar tais perdas com eventuais ganhos de capital auferidos nessas ou em outras aplicações, em momento anterior ou posterior, seja para fins de apuração da base de cálculo ou como fator de redução do tributo devido. Dispositivos Legais: Art. 24 da Medida Provisória nº /2001; e IN SRF nº 118/2000. Relatório Trata-se de consulta protocolizada por contribuinte pessoa física acerca da possibilidade de aplicação (...) à luz dos artigos 107 e 108 do CTN, com base nos princípios da capacidade contributiva, da igualdade, da vedação de confisco e da propriedade privada, bem como na equidade (...) (fls. 21) do (...) instituto da compensação das perdas com os ganhos para operações feitas em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros localizadas no exterior em moeda estrangeira, feitas por domiciliados no país, preenchendo, dessa forma, a ausência de disposição expressa nesse sentido (fls. 20 e 21). 1

2 Fls O consulente informa que investe no mercado futuro (fls. 4) e que, segundo seu entendimento, a perda financeira evidenciada no ato de liquidação da operação realizada no exterior seria passível de compensação, a exemplo do procedimento aplicável a investimentos realizados no Brasil (fls. 4 a 8 e 20 a 22): (...) há uma lacuna legal a respeito da possibilidade de se fazer essa compensação de perdas com o ganho, para fins de apuração da base de cálculo do IRPF (fls. 5) Citando, dentre outros, os arts. 55, 3º, e 56 da Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989 (fls. 4, 8 e 19), defende a aplicação da analogia, da equidade e dos princípios gerais do direito tributário e do direito público (art. 108 do CTN) na interpretação a ser dada à matéria (fls. 6 a 21): Portanto, em função dos princípios da capacidade contributiva e da igualdade, conclui-se que, se não for permitida a compensação das perdas para as transações em bolsas no exterior, estará caracterizada a violação não só desses dois princípios, bem como a afronta ao princípio do não confisco, pois ambos caminham juntos, e, ao extrapolar os limites da capacidade contributiva do contribuinte, ocorre o confisco, que é vedado constitucionalmente, acarretando, partir daí, um imposto excessivamente onero (sic) que destrói ou confisca o patrimônio do contribuinte (fls. 18) Referenciando a Solução de Consulta SRRF06 nº 140, de 12/6/2006 (DOU de 11/9/2006), defende a aplicação do enunciado de sua ementa ao caso sob análise (fls. 19 a 21), argumentando que, (...) previsto na legislação específica a compensação de perdas com os ganhos para as operações nas bolsas de valores, de mercadorias e de futuros no país, tal norma de regência para apuração do IRPF também deve ser aplicada às operações em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros localizadas no exterior e em moeda estrangeira (...) (fls. 19). Acrescenta, ainda, que da leitura dos arts. 55, 3º, e 56 da Lei nº 7.799/1989 tem-se a autorização para a dedução/compensação pretendida (fls. 19 a 21), visto que (...) para as bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, não há nenhuma exigência legal expressa para que seja localizada no país, podendo está (sic) localizada em qualquer parte do mundo. (...). Solução de Consulta SRRF06 nº 140/2006. Ementa: IRPF. Investimentos no exterior, em moeda estrangeira. Sujeitam-se à tributação definitiva como ganho de capital os rendimentos decorrentes de investimentos realizados no exterior, em moeda estrangeira. 2

3 Fls. 4 Em tais situações, são aplicáveis as demais normas da legislação de regência do IRPF, tais como isenções e compensação entre imposto pago no exterior e imposto devido. Dispositivos Legais: MP nº /2001, art. 24; Lei nº 9.250/1995, art. 22; Lei nº 7.713/1988, art. 3º; RIR, art. 103; IN SRF nº 15/2001, art. 8º, II; IN SRF nº 118/2000, art. 8º; ADI SRF nº 8/2003, art. 1º; ADE SRF nº 28/2000. [grifado] Fundamentos 3. Tem-se que o art. 24 da Medida Provisória (MP) nº , de 24 de agosto de 2001, em conjunto com o art. 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinam a incidência do Imposto de Renda sobre os ganhos de capital auferidos por pessoa física residente no Brasil, na hipótese de investimento no mercado estrangeiro de renda variável, em operações realizadas junto a bolsas localizadas no exterior, ( operações feitas em bolsa de valores, de mercadorias, de futuros localizadas no exterior, fls. 21). Lei nº 8.981/1995. Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeita-se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. (...). MP nº /2001. Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. 1 o O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. 3

4 Fls. 5 2 o Na hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de ajuste. 3 o A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. 4 o Para os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais, mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. 5 o Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. 6 o Não incide o imposto de renda sobre o ganho auferido na alienação, liquidação ou resgate: I - de bens localizados no exterior ou representativos de direitos no exterior, bem assim de aplicações financeiras, adquiridos, a qualquer título, na condição de não-residente; II - de moeda estrangeira mantida em espécie, cujo total de alienações, no anocalendário, seja igual ou inferior ao equivalente a cinco mil dólares norteamericanos. 4

5 Fls. 6 7 o Para efeito de apuração do ganho de capital de que trata este artigo, poderão ser utilizadas cotações médias do dólar, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. 4. Em relação à definição da base de cálculo, objeto da presente consulta, a despeito dos argumentos trazidos pelo consulente, tem-se que o ganho de capital é definido pelas normas de regência da matéria como a base de cálculo tributável, de acordo com o disposto no art. 24 da MP nº /2001, na IN SRF nº 118, de 28 de dezembro de 2000 e no art. 14 da IN SRF nº 208, de 27 de setembro de O art. 14 da IN SRF nº 208/2002 define que (...) a liquidação ou resgate de aplicações financeiras adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, (...), de propriedade de pessoa física, estão sujeitos à apuração de ganho de capital tributável de acordo com o disposto no art. 24 da Medida Provisória nº , de 24 de agosto de 2001, e sua regulamentação, que é dada pela IN SRF nº 118/2000 e pelo ADI SRF nº 8, de 23/4/ Consequentemente, considerando a ausência de previsão legal que ampare a pretendida compensação de prejuízos e que a IN SRF nº 118/2000 disciplina a apuração do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicações financeiras 1 de pessoas físicas no exterior, tem-se que as eventuais perdas incorridas pelo consulente, em seus investimentos de renda variável, não podem ser compensadas com ganhos obtidos nessas aplicações para fins de definição da base de cálculo ou como fator de redução do tributo devido, em momento anterior ou posterior. Afigura-se, pois, a indedutibilidade do prejuízo (perda de capital) incorrido pela pessoa física no exterior. 5. Em relação à Solução de Consulta SRRF06 nº 140/2006 (fls. 19), é descabida sua reapreciação, salvo se apresentado o recurso especial a que se refere o art. 19 da IN RFB nº 1.396, de 16 de setembro de Ademais, verifica-se que a solução de consulta em questão tratou de situações particulares distintas da matéria sob análise. Especificamente, o valor limite para isenção e a possibilidade de redução do tributo devido, em razão do imposto de renda pago em países com os quais o Brasil tenha firmado acordos, tratados ou convenções 1 SCI nº 5, de 15 de fevereiro de 2013: 8.1. A tributação da variação cambial (ganho de capital) nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, nos termos do art. 2º da IN SRF nº 118, de 2000, só ocorrerá no momento da liquidação ou resgate (parcial ou total) da aplicação financeira, ou seja, no momento em que qualquer montante do capital investido tenha sido movimentado pelo beneficiário. [grifado] 5

6 Fls. 7 internacionais. Hipóteses essas que estão disciplinadas pelos arts. 18 e 19 da IN SRF nº 118/ De qualquer sorte, é incabível a interpretação pretendida, no sentido de alteração do regramento de apuração da base de cálculo do tributo (ganho de capital) disciplinado pelo art. 24 da MP nº /2001. Na realidade, tem-se que o interessado não pode dissociar a referência à aplicação das (...) demais normas da legislação de regência do IRPF (...) [dada pela ementa e pelo item 12 da Solução de Consulta SRRF06 nº 140/2006] do comando externado pelo próprio caput do art. 24 da MP nº /2001: (...) mantidas as demais normas da legislação em vigor. Solução de Consulta SRRF06 nº 140/ É importante lembrar que também se aplicam aos rendimentos em questão as demais normas da legislação do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF (MP nº , art. 25 (sic 2 ), caput, in fine), inclusive a possibilidade de isenção prevista no art. 22 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de [grifado] MP nº /2001. Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. [grifado] 6. O regramento da tributação do ganho de capital decorrente da liquidação ou resgate de aplicação financeira no exterior, mantida pela pessoa física residente no Brasil, encontra-se balizado pelo art. 24 da MP nº /2001 e consolidado na IN SRF nº 118/2000. Prejudicada, pois, a pretendida dedução/compensação das perdas incorridas pelo consulente em seus investimentos de renda variável mantidos em bolsa no exterior. De fato, salvo nas hipóteses em que há expressa autorização e concessão pela legislação tributária, 2 O art 25 não disciplina a matéria. Por se tratar de erro de digitação do texto original, onde se lê art. 25, leia-se art

7 Fls. 8 inexiste a possibilidade de fruição de benefício fiscal que modifique ou reduza a base de cálculo do tributo Nesse contexto, tem-se como inapropriada a interpretação dada pelo consulente ao disposto no art. 56 da Lei nº 7.799/1989. Na realidade, o dispositivo veda a dedução/compensação pretendida, visto que, salvo expressa disposição em contrário definida pela legislação tributária 3, a dita compensação de resultados negativos é admitida exclusivamente para as operações realizadas nos mercados organizados (portanto, inclusive nas bolsas 4 ) geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo Federal (brasileiro). Lei nº 7.799/1989. Art. 55. Ficam sujeitas ao pagamento do imposto de renda, (...), a pessoa física (...), que auferirem ganhos líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros, bem como em outros mercados organizados, reconhecidos como tais pelo órgão a cujo poder de polícia se submetem. (Redação dada pela Lei nº 8.014, de 1990) (...) 3 Se o contribuinte apurar resultado negativo no mês será admitida sua apropriação nos meses subseqüentes, corrigido monetariamente. (...) 3 Por exemplo, em relação à pessoa jurídica, tem-se que o art. 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe que Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior. 4 Art. 3º, 1º, da Instrução CVM nº 461, de 23 de outubro de 2007: Os mercados organizados de valores mobiliários são as bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e os mercados de balcão organizado. 7

8 Fls. 9 Art. 56. As deduções de despesas, bem como a compensação de perdas previstas no artigo anterior, serão admitidas exclusivamente para as operações realizadas nos mercados organizados, geridos ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder Executivo e com objetivos semelhantes aos das bolsas de valores, de mercadorias ou de futuros. [grifado] Conclusão 8. Em resposta ao consulente, informa-se que a pessoa física residente no Brasil que incorrer em perdas relacionadas a investimentos de renda variável no exterior, inclusive em mercados futuros, não pode compensar tais perdas com eventuais ganhos de capital auferidos nessas ou em outras aplicações, em momento anterior ou posterior, seja para fins de apuração da base de cálculo ou como fator de redução do tributo devido. À consideração superior. Assinado digitalmente PAULO HENRIQUE PASSOS TEIXEIRA DANTAS Auditor-Fiscal da RFB Disit/SRRF01 De acordo. Encaminhe-se à Coordenadora-Geral da Substituta. Assinado digitalmente RODRIGO AUGUSTO VERLY DE OLIVEIRA Auditor-Fiscal da RFB Chefe da Disit/SRRF01 Ordem de Intimação Aprovo a Solução de Consulta. Publique-se e divulgue-se nos termos do art. 27 da IN RFB nº 1.396, de 16 de setembro de Dê-se ciência ao interessado. Assinado digitalmente CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA Auditora-Fiscal da RFB Coordenadora-Geral da Substituta 8

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