Aula Nº 7 Adoção pela Primeira Vez das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros IFRS

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1 Aula Nº 7 Adoção pela Primeira Vez das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros IFRS Objetivos da aula: Nesta aula veremos como cada empresa deve fazer pela primeira vez a adoção do IFRS. Como ela deve se preparar e, o mais importante, se a empresa está comprometida em adotar padrões mundialmente utilizados. A IFRS será obrigatória a partir de 2010 no Brasil e cada vez mais a contabilidade está contribuindo para a economia. Tenha uma ótima aula! 1. Introdução Nesta aula veremos a importância de ressaltar que as primeiras demonstrações contábeis anuais de uma entidade de acordo com as normas internacionais, devem ser acompanhadas de uma declaração explícita e sem reservas, informando que esses demonstrativos se encontram em perfeita conformidade com os dispositivos preconizados pelo IASB nas normas internacionais de contabilidade (IAS e IFRS). 64

2 2. IFRS 1 First-time Adoption of International Financial Reporting Standards Estabelece requerimentos a serem observados pelas entidades que optam por adotar pela primeira vez as normas internacionais de contabilidade emitidas pelo IASB. Referidos requerimentos têm por objetivo assegurar que as demonstrações contábeis e os demonstrativos intermediários correspondentes contenham informações de elevada qualidade, transparentes, comparáveis para todos os períodos apresentados, que proporcionem um ponto de partida para a contabilização, de acordo com as normas internacionais e que possam ser geradas a um custo que não exceda os benefícios gerados para os usuários da informação contábil. O IFRS 1 First-time Adoption of International Financial Reporting Standards define que são consideradas primeiras demonstrações contábeis, de acordo com os IFRS, aquelas que possuam a mencionada declaração explícita, sem reservas, que atendam as seguintes condições: I - as demonstrações contábeis anteriores a) seguiram disposições contábeis nacionais, que não são consistentes com as normas internacionais em todos os aspectos; b) estão em conformidade com as normas internacionais em todos os aspectos, com exceção de que essas demonstrações não são acompanhadas de uma declaração explícita e sem reservas da sua conformidade com tais normas; c) possuem uma declaração explícita de conformidade com algumas, mas não todas as normas internacionais; d) seguiram disposições nacionais inconsistentes com as normas internacionais, empregando algumas destas individualmente apenas para contabilizar itens para os quais não existiam disposições nacionais; e) seguiram disposições nacionais, com uma reconciliação de alguns itens determinados, segundo as normas internacionais; 65

3 II - a entidade preparou demonstrações contábeis, segundo as normas internacionais apenas para uso interno, sem disponibilizá-las aos proprietários da entidade ou a quaisquer outros usuários externos; III - a entidade preparou um conjunto de demonstrativos segundo as normas internacionais para fins de consolidação, mas sem preparar um conjunto completo de demonstrações contábeis, conforme definido na IAS 1 - Presentation of Financial Statements; IV - a entidade não apresentou demonstrações contábeis nos períodos anteriores. O IFRS 1 determina que os critérios e políticas contábeis utilizados na preparação das demonstrações contábeis de abertura devem ser seguidos na elaboração de todos os períodos apresentados, não sendo permitido à entidade aplicar diferentes versões das normas internacionais, que tenham tido vigência em períodos anteriores. 3. Exceções a serem aplicadas Com algumas exceções, a entidade deve, em suas demonstrações contábeis de abertura: I - reconhecer todos os ativos e passivos cujo reconhecimento seja exigido pelas normas internacionais; II - não reconhecer itens como ativos ou passivos se as normas internacionais não permitirem esse reconhecimento; III - reclassificar itens que reconheça segundo os princípios de contabilidade anteriormente utilizados como um tipo de ativo, passivo ou patrimônio líquido, mas para os quais a norma internacional preconize outro tipo de classificação; e IV - aplicar as normas internacionais na mensuração de todos os ativos e passivos reconhecidos. Adicionalmente, o IFRS 1 apresenta um conjunto de isenções na aplicação das normas internacionais de contabilidade pela primeira vez: 66

4 I - combinações de negócios; II - valor justo ou valor de reavaliação como custo atribuído; III - benefícios a empregados; IV - diferenças derivadas de conversão acumulada; V - instrumentos financeiros compostos; VI - ativos e passivos de subsidiárias, associadas e empreendimentos conjuntos; VII - designação de instrumentos financeiros anteriormente reconhecidos nas demonstrações contábeis; VIII - transações com pagamento baseado em ações; IX - contratos de seguros; X - custos de retirar ou transportar um determinado item do ativo permanente imobilizado; XI - arrendamentos; XII - mensuração pelo valor justo de ativos e passivos financeiros no reconhecimento inicial. O IFRS 1 trata cada uma das exceções acima apresentadas, reportandose sempre, a alguma outra norma internacional, que, em seu texto, traz tratamentos específicos, tais como seguros, instrumentos financeiros etc. Embora os demonstrativos sejam elaborados de acordo com as normas internacionais de contabilidade, as estimativas assumidas em sua preparação devem ser consistentes com aquelas elaboradas de acordo com os princípios contábeis anteriormente empregados. Para que as demonstrações contábeis iniciais estejam em conformidade com o IAS 1, devem incluir, pelo menos, um ano de informação de caráter comparativo. Alguns questionamentos : Fair value Ativos como calcular, apurar ou estabelecer (CPC-01 e CVM no. 527/2007); Onde a administração pode utilizar: Imobilizado, Propriedades para Investimento, Intangíveis e Estoque de Commodities. 67

5 4. As Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis são preparadas e apresentadas para usuários externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e necessidades diversas. Governos, órgãos reguladores ou autoridades fiscais, por exemplo, podem especificamente determinar exigências para atender a seus próprios fins. Essas exigências, no entanto, não devem afetar as demonstrações contábeis preparadas segundo esta Estrutura Conceitual. Demonstrações contábeis preparadas sob a égide desta Estrutura Conceitual objetivam fornecer informações que sejam úteis na tomada de decisões e avaliações por parte dos usuários em geral, não tendo o propósito de atender finalidade ou necessidade específica de determinados grupos de usuários. As demonstrações contábeis preparadas com tal finalidade satisfazem as necessidades comuns da maioria dos seus usuários, uma vez que quase todos eles utilizam essas demonstrações contábeis para a tomada de decisões econômicas, tais como: a) decidir quando comprar, manter ou vender um investimento em ações; b) avaliar a Administração quanto à responsabilidade que lhe tenha sido conferida, qualidade de seu desempenho e prestação de contas; c) avaliar a capacidade da entidade de pagar seus empregados e proporcionar-lhes outros benefícios; d) avaliar a segurança quanto à recuperação dos recursos financeiros emprestados à entidade; e) determinar políticas tributárias; f) determinar a distribuição de lucros e dividendos; g) preparar e usar estatísticas da renda nacional; ou h) regulamentar as atividades das entidades. As demonstrações contábeis são mais comumente preparadas segundo modelo contábil baseado no custo histórico recuperável e no conceito da manutenção do capital financeiro nominal. 68

6 Outros modelos e conceitos podem ser considerados mais apropriados para atingir o objetivo de proporcionar informações que sejam úteis para tomada de decisões econômicas, embora não haja presentemente consenso nesse sentido. 5. Estrutura Conceitual Esta Estrutura Conceitual foi desenvolvida de forma a ser aplicável a uma gama de modelos contábeis e conceitos de capital e sua manutenção. Outras normas podem ser editadas em função das necessidades que surgirem de adoção de novos conceitos ou mesmo de alteração dos já adotados. Finalidade: 1. Esta Estrutura Conceitual estabelece os conceitos que fundamentam a preparação e apresentação de demonstrações contábeis destinadas a usuários externos. A finalidade desta Estrutura Conceitual é: a) dar suporte ao desenvolvimento de novas normas e à revisão das existentes, quando necessário; b) dar suporte aos responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação das normas e no tratamento de assuntos que ainda não tiverem sido objeto de normas; c) auxiliar os auditores independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações contábeis com as normas; d) apoiar os usuários das demonstrações contábeis na interpretação de informações nelas contidas, preparadas em conformidade com as normas; e e) proporcionar, àqueles interessados, informações sobre o enfoque adotado na formulação das normas. 2. Esta Estrutura Conceitual não define normas ou procedimentos para qualquer questão particular sobre aspectos de mensuração ou divulgação. 69

7 3. Não deve haver conflito entre o estabelecido nesta Estrutura Conceitual e qualquer norma. 4. Esta Estrutura Conceitual será revisada de tempos em tempos com base na experiência decorrente de sua utilização. Alcance: 5. Esta Estrutura Conceitual aborda: a) o objetivo das demonstrações contábeis; b) as características qualitativas que determinam a utilidade das informações contidas nas demonstrações contábeis; c) a definição, o reconhecimento e a mensuração dos elementos que compõem as demonstrações contábeis; e d) os conceitos de capital e de manutenção do capital. 6. Esta Estrutura Conceitual trata das demonstrações contábeis para fins gerais (daqui por diante designadas como demonstrações contábeis ), inclusive das demonstrações contábeis consolidadas. Tais demonstrações contábeis são preparadas e apresentadas pelo menos anualmente e visam atender às necessidades comuns de informações de um grande número de usuários. Alguns desses usuários talvez necessitem de informações e tenham o poder de obtê-las, além daquelas contidas nas demonstrações contábeis. Muitos usuários, todavia, têm de confiar nas demonstrações contábeis como a principal fonte de informações financeiras. Tais demonstrações, portanto, devem ser preparadas e apresentadas tendo em vista essas necessidades. Estão fora do alcance desta Estrutura Conceitual informações financeiras elaboradas para fins especiais, como por exemplo, aquelas incluídas em prospectos para lançamentos de ações no mercado e ou elaboradas exclusivamente para fins fiscais. Não obstante, esta Estrutura Conceitual pode ser aplicada na preparação dessas demonstrações para fins especiais, quando as exigências de tais demonstrações o permitirem. 70

8 7. Esta Estrutura Conceitual aplica-se às demonstrações contábeis de todas as entidades comerciais, industriais e outras de negócios que reportam, sejam no setor público ou no setor privado. Entidade que reporta é aquela para a qual existem usuários que se apóiam em suas demonstrações contábeis como fonte principal de informações patrimoniais e financeiras sobre a entidade. Usuários e suas necessidades de informação. 8. Entre os usuários das demonstrações contábeis incluem-se investidores atuais e potenciais, empregados, credores por empréstimos, fornecedores e outros credores comerciais, clientes, governos e suas agências e o público. Eles usam as demonstrações contábeis para satisfazer algumas das suas diversas necessidades de informação. Essas necessidades incluem: a) Investidores. Os provedores de capital de risco e seus analistas que se preocupam com o risco inerente ao investimento e o retorno que ele produz. Eles necessitam de informações para ajudá-los a decidir se devem comprar, manter ou vender investimentos. Os acionistas também estão interessados em informações que os habilitem a avaliar se a entidade tem capacidade de pagar dividendos. b) Empregados. Os empregados e seus representantes estão interessados em informações sobre a estabilidade e a lucratividade de seus empregadores. Também se interessam por informações que lhes permitam avaliar a capacidade que tem a entidade de prover sua remuneração, seus benefícios de aposentadoria e suas oportunidades de emprego. c) Credores por empréstimos. Estes estão interessados em informações que lhes permitam determinar a capacidade da entidade em pagar seus empréstimos e os correspondentes juros no vencimento. d) Fornecedores e outros credores comerciais. Os fornecedores e outros credores estão interessados em informações que lhes permitam avaliar se as importâncias que lhes são devidas serão pagas nos respectivos vencimentos. Os credores comerciais provavelmente estão interessados em uma entidade por um 71

9 período menor do que os credores por empréstimos, a não ser que dependam da continuidade da entidade como um cliente importante. e) Clientes. Os clientes têm interesse em informações sobre a continuidade operacional da entidade, especialmente quando têm um relacionamento a longo prazo com ela, ou dela dependem como fornecedor importante. f) Governo e suas agências. Os governos e suas agências estão interessados na destinação de recursos e, portanto, nas atividades das entidades. Necessitam também de informações a fim de regulamentar as atividades das entidades, estabelecer políticas fiscais e servir de base para determinar a renda nacional e estatísticas semelhantes. g) Público. As entidades afetam o público de diversas maneiras. Elas podem, por exemplo, fazer contribuição substancial à economia local de vários modos, inclusive empregando pessoas e utilizando fornecedores locais. As demonstrações contábeis podem ajudar o público fornecendo informações sobre a evolução do desempenho da entidade e os desenvolvimentos recentes. Síntese Através desta aula vimos profundamente como a primeira aplicação do IFRS tem detalhes importantes que influenciam o resultado financeiro da empresa. As Demonstrações Contábeis são apresentadas para usuários externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e necessidades diversas. Na próxima aula estudaremos Divulgação e Organismos Financeiros Internacionais. Não falte! 72

10 Referências NIYAMA, Jorge Katsumi -, São Paulo, Atlas, 2a. edição, SCHMIDT, Paulo; SANTOS, José Luiz; FERNANDES, Luciane Alves - Avançada, São Paulo, Atlas, 1a. edição, PEREZ JUNIOR, José Hernandez - Conversão de Demonstrações Financeiras para Moeda Estrangeira, São Paulo, Atlas,

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